{"id":1588,"date":"2021-10-11T12:03:00","date_gmt":"2021-10-11T15:03:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-05-05T00:30:44","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:44","slug":"uma-analise-de-ruanda-pos-genocidio-atraves-da-lideranca-feminina-com-base-no-panorama-da-sociologa-spivak","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1588","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise de Ruanda p\u00f3s-genoc\u00eddio atrav\u00e9s da lideran\u00e7a feminina com base no panorama da soci\u00f3loga Spivak"},"content":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 86 | Out. 2021<\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/globe-g6e980df01_1920-1.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1280\" data-original-width=\"1920\" height=\"213\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/globe-g6e980df01_1920-1-300x200.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Beatriz Raponi Vence Rey<\/div>\n<div><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ruanda, um pa\u00eds localizado na regi\u00e3o dos Grandes Lagos na \u00c1frica, presenciou, entre os meses de abril e junho de 1994, um dos maiores massacres do s\u00e9culo XX: em apenas 100 dias de viol\u00eancia, cerca de 800 mil pessoas foram mortas durante a guerra entre os grupos \u00e9tnicos: Hutus e Tutsis<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn1\">[1]<\/a>. Em rela\u00e7\u00e3o aos motivos do conflito, \u00e9 algo que ainda traz incertezas e deixa muitas lacunas abertas, visto que alguns estudos consideram que foi por quest\u00f5es pol\u00edticas; outros por quest\u00f5es \u00e9tnicas ancestrais e, tamb\u00e9m an\u00e1lises que abordam \u00e0s fortes coloniza\u00e7\u00f5es<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn2\">[2]<\/a> como estopim ao incentivo das indiferen\u00e7as entre as duas etnias (quest\u00f5es identit\u00e1rias e f\u00edsicas) (SANTOS, 2019).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em consequ\u00eancia ao terr\u00edvel genoc\u00eddio, o pa\u00eds foi posto \u00e0 prova de diversos desafios, como a reestrutura\u00e7\u00e3o de suas \u00e1reas pol\u00edticas e econ\u00f4micas, cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os para concilia\u00e7\u00f5es dos grupos \u00e9tnicos e reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como um todo. Por\u00e9m, a grande maioria dos homens foram mortos ou exilados durante o confronto, e de maneira muito r\u00e1pida as mulheres e meninas representavam 70% da popula\u00e7\u00e3o ruandesa (WOMEN\u2019S ENEWS, 2003). Por este motivo, em prol da igualdade de g\u00eanero, houveram mudan\u00e7as nas estruturas pol\u00edticas de poder ruand\u00eas, que foram utilizadas a favor dos direitos e representa\u00e7\u00f5es das mulheres em lugares antes nunca ocupados, como na pol\u00edtica, economia, no \u00e2mbito acad\u00eamico e em posses de terras (BATISTA, 2015).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o foco deste trabalho \u00e9 analisar o caso da \u201caus\u00eancia\/presen\u00e7a\u201d do g\u00eanero feminino pr\u00e9 e p\u00f3s-guerravis-\u00e0-vis ao estudo p\u00f3s-colonialista de Gayatri Spivak<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn3\">[3]<\/a>, mais concretamente com os aspectos de representa\u00e7\u00f5es existentes e o essencialismo. \u00c9 relevante abrir uma reflex\u00e3o para o seguinte questionamento: houve de fato mudan\u00e7as em Ruanda?&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/p>\n<p style=\"font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 15.693333625793457px; margin: 0cm 0cm 8pt; text-align: left;\"><\/p>\n<p><b style=\"text-align: left;\"><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Papel feminino em Ruanda X Spivak.&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel realizar uma rela\u00e7\u00e3o dos estudos da soci\u00f3loga, com o contexto de Ruanda antes do genoc\u00eddio, como propriamente uma sociedade profundamente patriarcal e afetada pelo p\u00f3s-colonialismo<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn4\">[4]<\/a>. O lugar das mulheres era como donas de casas e submissas aos chefes de suas fam\u00edlias, a educa\u00e7\u00e3o lhes era restrita &#8211; assim como seus direitos &#8211; n\u00e3o possu\u00edam terras, tudo que \u201ctinham\u201d como delas eram de posse de seus maridos e, se n\u00e3o eram casadas, seus pertences eram de seus pais ou irm\u00e3os (BATISTA, 2015). Durante o per\u00edodo da guerra, a viol\u00eancia de g\u00eanero foi transformada como utensilio para ferir o inimigo, as mulheres eram constantemente estupradas e abusadas sexualmente, e se engravidassem, seriam usadas como forma de controle \u00e9tnico, pelo fato de que os frutos dos estupros causariam \u2013 a longo prazo &#8211; uma \u201climpeza \u00e9tnica\u201d do outro. Ademais este tipo de viol\u00eancia sexual \u00e9 uma das formas de propagar humilha\u00e7\u00e3o e medo sobre as comunidades envolvidas (adicionalmente, os altos casos de HIV-AIDS no pa\u00eds que foram aumentados devido aos fatos trazidos) (BALISTIERI, 2018).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A fim de um melhor entendimento, do porqu\u00ea ferir a mulher do inimigo \u00e9 algo comum neste caso, Balistieri<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn5\">[5]<\/a>cita Crenshaw: \u201cas mulheres s\u00e3o alvos especiais desse tipo de abuso por serem frequentemente percebidas como representantes da honra simb\u00f3lica da cultura e como guardi\u00e3s gen\u00e9ticas da comunidade\u201d (CRENSHAW, 2002, p. 176).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Estas problematiza\u00e7\u00f5es, t\u00eam como raz\u00f5es primordiais o resultado das consequ\u00eancias hist\u00f3ricas dos pilares do imperialismo e colonialismo globais, que de forma sistematizada e hierarquizada, estruturou g\u00eaneros, classes e ra\u00e7as em divis\u00f5es de quem seria o dominante e quem seria o dominado, no caso estudado, definindo pap\u00e9is sociais atrav\u00e9s do g\u00eanero. Considerando o caso do pa\u00eds africano, que j\u00e1 \u00e9 &#8211; se for poss\u00edvel dizer desta forma &#8211; subalterno na ordem internacional, em seu interior cria-se um reflexo desta rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros masculinos e femininos ainda mais profundos, j\u00e1 que em per\u00edodos de confrontos, o papel social da mulher se torna ainda mais subordinado ao masculino (CRENSHAW, 2002).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No livro \u201cPode um subalterno falar?\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn6\">[6]<\/a>, Spivak reflete sobre os termos criados por Marx &#8211; a fim de explicar os dois tipos de representa\u00e7\u00f5es existentes &#8211; em \u201cO 18 Brum\u00e1rio de Louis Bonaparte\u201d: vertretung \u2013 (significa a representa\u00e7\u00e3o estrutural democr\u00e1tica, onde h\u00e1 a representa\u00e7\u00e3o feita pelo dominante sobre o dominado, alegando que este \u00faltimo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de se auto representar \u2013 aqui como a elite ruandesa-) e darstellung (significa a representa\u00e7\u00e3o falsa, a qual esconde a manuten\u00e7\u00e3o do imperialismo existente). Ela completa: \u201cal\u00e9m desses termos se situa o lugar no qual os sujeitos oprimidos falam, conhecem e agem por si mesmos, leva a uma pol\u00edtica ut\u00f3pica e essencialista.\u201d (SPIVAK, 2010, p. 35). Em outras palavras, uma das formas do silenciamento dos subalternos, \u00e9 esta representa\u00e7\u00e3o feita por posi\u00e7\u00f5es privilegiadas em determinados cen\u00e1rios. O problema \u00e9 que classes dominantes, em blocos parlamentares, por exemplo, representam-se como \u201cgrupos identit\u00e1rios\u201d, identificando-se como iguais e falando em nome de grupos espec\u00edficos &#8211; que sofrem pelo racismo, xenofobia, viol\u00eancia de g\u00eanero -, e assim anulando a interseccionalidade de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero e as peculiaridades que existem claramente entre si.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Este tipo de defici\u00eancia de representa\u00e7\u00e3o, nem sequer havia acontecido em Ruanda antes do genoc\u00eddio, j\u00e1 que as mulheres n\u00e3o eram envolvidas em nenhum tipo de discuss\u00e3o pol\u00edtica e tampouco em tomadas de decis\u00f5es. Ao analisar este caso com o essencialismo de Spivak, o grupo subalterno feminino se colocava distante de ser livre, aut\u00f4nomo e \u00fanico. Na maneira, que o pa\u00eds estava sendo direcionado, influenciado pelo patriarcado e imperialismo, as mulheres estavam fadadas a serem divididas, subordinadas e descont\u00ednuas at\u00e9 os seus fins. Al\u00e9m disso, levando em considera\u00e7\u00e3o o lugar onde essas mulheres est\u00e3o inseridas, uma regi\u00e3o extremamente afetada pelos processos de coloniza\u00e7\u00e3o e descoloniza\u00e7\u00e3o, Spivak comenta: &#8220;se, no contexto da produ\u00e7\u00e3o colonial, o sujeito subalterno n\u00e3o tem hist\u00f3ria e n\u00e3o pode falar, o sujeito subalterno feminino est\u00e1 ainda mais profundamente na obscuridade.&#8221; (SPIVAK, 2010, p. 66-67). Ou seja, em compara\u00e7\u00e3o a um sujeito masculino subalterno, o sujeito subalterno feminino \u00e9 duplamente silenciado devido a viol\u00eancia de g\u00eanero.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o genoc\u00eddio, houve uma enorme necessidade de algum grupo assumir o comando da situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica que o pa\u00eds se encontrava, e foi assim que as mulheres se inseriram nas esferas p\u00fablicas, privadas e governamentais, a fim de reestruturar nacionalmente o pa\u00eds e serem obrigadas a mudarem a linha de pensamento que tinham de si mesmas, pelo fato de estarem acostumadas a uma posi\u00e7\u00e3o de constante subalternidade e opress\u00e3o que levou a subjetividade do feminino.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo dados do PNUD, no p\u00f3s-guerra, 56% das fam\u00edlias eram chefiadas por vi\u00favas (UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME RWANDA, 2007). Nesse sentido, foi um desafio colossal tomar a lideran\u00e7a do pa\u00eds e de suas fam\u00edlias naquele momento e, era mais que necess\u00e1rio as mulheres aceitarem que \u00e9 sim um direito obter independ\u00eancia financeira e que cabia a elas o desenvolvimento, a estabilidade e a seguran\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o a um novo recome\u00e7o de Ruanda.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por este motivo, as mulheres foram obrigadas a realizar novas atividades e tomaram frente na reconstru\u00e7\u00e3o de casas, cuidados aos sobreviventes da guerra e a busca de lares para a grande quantidade de crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3os (WOMEN\u2019S ENEWS, 2003). Assim sendo, as organiza\u00e7\u00f5es femininas se multiplicaram demonstrando a import\u00e2ncia de movimentos sociais ao embate as injusti\u00e7as, e ONGs voltadas aos direitos das mulheres foram criadas, em prol de superar a crise na qual estavam sofrendo, ganhando apoio financeiro e t\u00e9cnico por parte da comunidade internacional em raz\u00e3o da assist\u00eancia \u00e0s v\u00edtimas crian\u00e7as e mulheres de pa\u00edses afetados por guerras. Por\u00e9m, infelizmente a ideologia seguida pela grande parte dessas ONGs s\u00e3o postas pelo feminismo liberal, que inclui a mulher de elite que mora em regi\u00f5es urbanas e exclui a mulher de baixa renda que vive em \u00e1reas rurais (LIPP, 2013). Nesse contexto, mesmo com avan\u00e7os consider\u00e1veis no pa\u00eds, ainda h\u00e1 a exclus\u00e3o da mulher rural ruandesa, quem n\u00e3o logrou a representa\u00e7\u00e3o merecida ao longo deste processo. E sim, condicionando uma representa\u00e7\u00e3o da classe dominante sobre ela, pois sofre a sua \u201cfalsa representa\u00e7\u00e3o\u201d mencionada anteriormente. Logo, existe a mesma defici\u00eancia do sistema caracterizado de antes do genoc\u00eddio, que a mulher oprimida, n\u00e3o pode ser ouvida e n\u00e3o pode se auto representar.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 deveras importante criar a reflex\u00e3o sobre o que foi comentado acima, mas n\u00e3o se deve tornar irrelevante todos os progressos em rela\u00e7\u00e3o a igualdade de g\u00eanero que transformaram Ruanda nos \u00faltimos 25 anos. Tal como, os seguintes dados do site UN WOMEN: as mulheres ruandesas ocupam 61% da C\u00e2mara dos Deputados; 50% dos cargos ministeriais; 38% dos assentos do Senado e 43.5% dos cargos de vereadores em n\u00edveis locais. Al\u00e9m de emergirem como l\u00edderes em setores privados, como em bancos (WOMEN\u2019S ENEWS, 2003). \u00c9 promovida a igualdade de g\u00eanero e o empoderamento feminino, atrav\u00e9s de com\u00edcios em pelo menos 13 conven\u00e7\u00f5es e protocolos internacionais e regionais, como a \u201cConvention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women (CEDAW)\u201d (UN. WOMEN).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais.&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O dado mais impressionante nos tempos atuais, \u00e9 de as mulheres ruandesas ocuparem 61,3% de legisladoras na c\u00e2mara baixa e 38,5% na alta<a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftn7\">[7]<\/a>, a maior taxa de parlamentaristas femininas do globo. Em vista disso, e dos argumentos apresentados, \u00e9 de forma justa dizer que Ruanda est\u00e1 de acordo, como local de lideran\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o feminina e ser sin\u00f4nimo de progresso na paridade de g\u00eanero, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o singular em suas principais esferas, principalmente se houver a compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses desenvolvidos que est\u00e3o distantes da igualdade de g\u00eanero.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Contanto, \u00e9 importante salientar, que Ruanda tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de perfei\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 de extrema necessidade que estas mulheres que agora est\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es de alto escal\u00f5es \u2013 principalmente em \u00f3rg\u00e3os governamentais -, criem discursos menos excludentes, reconhecendo as verdadeiras realidades de todas as mulheres subalternas ruandesas e, assim, tornem poss\u00edvel a independ\u00eancia de mulheres que ainda s\u00e3o deslegitimadas e que estas \u00faltimas logrem espa\u00e7os onde sejam de fato ouvidas e representadas. Dado o exposto, Ruanda se torna de maior modelo e influ\u00eancia ao empoderamento feminino como sin\u00f4nimo de desenvolvimento &#8211; realizando a inclus\u00e3o de g\u00eaneros subalternos &#8211; para diversos pa\u00edses, sem que haja a necessidade de um conflito t\u00e3o violento para criar mudan\u00e7as que s\u00e3o primordiais.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div><i><span style=\"text-align: start;\"><b>Beatriz Raponi Vence Rey <\/b>\u00e9<\/span>&nbsp;estudante de Bacharelado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela PUC-SP. Interesse pelos temas de Direitos Humanos e Meio Ambiente.<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b>:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BATISTA, S. L. Ruanda: <i>Os avan\u00e7os na promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e a ascens\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica no p\u00f3s-genoc\u00eddio<\/i>. Bras\u00edlia, Mar\u00e7o de 2015.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BALISTIERI, Tha\u00eds Regina. &#8220;Sejam honestas, sejam ativas, articulem-se&#8221;: o empoderamento e a garantia de direitos das mulheres pela participa\u00e7\u00e3o feminina no processo de reconstru\u00e7\u00e3o de Ruanda ap\u00f3s o genoc\u00eddio de 1994. TCC (gradua\u00e7\u00e3o) &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Socioecon\u00f4mico. Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. 2018-11-27<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CRENSHAW, Kimberl\u00e9 Williams. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discrimina\u00e7\u00e3o racial relativos ao g\u00eanero. <i>Rev. Estud. Fem.<\/i> 2002, vol.10, n.1, p. 171-188. Dispon\u00edvel em: Acesso em 05 out. 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ENDA, Jodi. Women Take Lead in Reconstruction of Rwanda. ONG Women\u2019s News, 2003. Dispon\u00edvel em: Acesso em: 05 out. de 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LIPP, Camila Soares. RELA\u00c7\u00d5ES DE G\u00caNERO EM RUANDA NO PER\u00cdODO P\u00d3S-GENOC\u00cdDIO: MUDAN\u00c7AS DE FATO? <i>Revista de Direitos Fundamentais e Democracia<\/i>, Curitiba, v. 13, n. 13, p. 281-304, janeiro\/junho de 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Bruna Tais. SOBRE A RELA\u00c7\u00c3O ENTRE TUTSIS E HUTUS: A QUEST\u00c3O IDENTIT\u00c1RIA NOS CONFLITOS DE RUANDA (1994). ANPUH-Brasil &#8211; 30 SIMP\u00d3SIO NACINAL DE HIST\u00d3RIA &#8211; Recife, 2019, [S. l.], p. 1-16, 19 out. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.snh2019.anpuh.org\/resources\/anais\/8\/1565646594_ARQUIVO_ArtigoANPUH-Recife-BrunaTaiss.pdf. Acesso em: 6 out. de 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SPIVAK, Gayatri Chakravorty. <i>Pode o subalterno falar? <\/i>1. ed. Trad. Sandra Regina Goulart Almeida; Marcos Pereira Feitosa; Andr\u00e9 Pereira. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">RWANDA. AFRICA.UN WOMEN. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/africa.unwomen.org\/en\/where-we-are\/eastern-and-southern-africa\/rwanda\">https:\/\/africa.unwomen.org\/en\/where-we-are\/eastern-and-southern-africa\/rwanda<\/a>&gt; Acesso em: 02 set. de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME RWANDA. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.rw.undp.org\/\">https:\/\/www.rw.undp.org\/<\/a>&gt; Acesso em: 02 set. de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref1\">[1]<\/a> A etnia Hutu representava e ainda \u00e9, a maioria da popula\u00e7\u00e3o ruandesa, por enquanto a etnia Tutsi teve a sua popula\u00e7\u00e3o reduzida em 20% ap\u00f3s o massacre (ONU, 2004).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref2\">[2]<\/a> Coloniza\u00e7\u00f5es, pois Ruanda sofreu influ\u00eancias coloniais da Alemanha, B\u00e9lgica, Fran\u00e7a e ap\u00f3s o genoc\u00eddio, dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref3\">[3]<\/a> Gayatri Chakravorty Spivak \u00e9 considerada uma das mais importantes intelectuais de estudos p\u00f3s-colonial, subalternos e feministas em \u00e2mbito global.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref4\">[4]<\/a> O per\u00edodo de p\u00f3s-colonialismo, foi marcado pelas marcas e influ\u00eancias imperialistas em sociedades que sofreram a coloniza\u00e7\u00e3o, de maneira mundial e como fen\u00f4menos particulares em cada tipo de coloniza\u00e7\u00e3o. Assim, surgiu os estudos p\u00f3s-coloniais, para que atrav\u00e9s de abordagens cr\u00edticas e te\u00f3ricas, fosse poss\u00edvel uma maior compreens\u00e3o, de quais foram os rumos e as consequ\u00eancias advindas de sociedades uma vez colonizadas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref5\">[5]<\/a> Balistieri, Tha\u00eds Regina. &#8220;Sejam honestas, sejam ativas, articulem-se&#8221;: o empoderamento e a garantia de direitos das mulheres pela participa\u00e7\u00e3o feminina no processo de reconstru\u00e7\u00e3o de Ruanda ap\u00f3s o genoc\u00eddio de 1994. TCC (gradua\u00e7\u00e3o) &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Socioecon\u00f4mico. Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. 2018-11-27.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref6\">[6]<\/a> No livro, a autora discute as condi\u00e7\u00f5es de subalternidade das mulheres \u2013 pobreza, g\u00eanero e ra\u00e7a \u2013 com cap\u00edtulos focados na marginaliza\u00e7\u00e3o da mulher negra em um cen\u00e1rio colonial e que carrega as suas influ\u00eancias at\u00e9 os dias de hoje.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref7\"><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/be202c94-6a2b-432e-8835-0eba1e3e6df3#_ftnref7\">[7]<\/a> Dados extra\u00eddos do pr\u00f3prio site das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com atualiza\u00e7\u00e3o de 10 de mar\u00e7o de 2021.&gt; https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2021\/03\/1743972&lt;<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 86 | Out. 2021 Por Beatriz Raponi Vence Rey<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1851,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,659],"tags":[],"class_list":["post-1588","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume8"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1588"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1917,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1588\/revisions\/1917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}