{"id":1589,"date":"2021-09-27T09:00:00","date_gmt":"2021-09-27T12:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-05-05T00:30:44","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:44","slug":"saude-global-e-disputas-politico-ideologicas-reflexoes-a-partir-da-guerra-fria-e-do-programa-global-de-erradicacao-da-malaria-1955-da-organizacao-mundial-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1589","title":{"rendered":"Sa\u00fade global e disputas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas: reflex\u00f5es a partir da Guerra Fria e do Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria (1955) da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 85 | Set. 2021<\/p>\n<p><span face=\"&quot;Trebuchet MS&quot;, Trebuchet, Verdana, sans-serif\" style=\"background-color: white; caret-color: rgb(51, 51, 51); color: #333333; font-size: 13.199999809265137px;\"><br \/><\/span><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/money-5053099_1280-1.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"853\" data-original-width=\"1280\" height=\"213\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/money-5053099_1280-1-300x200.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Nathalia Candido Stutz Gomes<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 2020, a R\u00fassia nomeou sua vacina contra a COVID-19 de Sputnik V &#8211; uma refer\u00eancia ao primeiro sat\u00e9lite artificial da hist\u00f3ria lan\u00e7ado pelos russos em 1957 no contexto de corrida espacial da Guerra Fria. Do lado norte-americano, tamb\u00e9m n\u00e3o era incomum que o ex-presidente norte-americano Donald Trump se referisse ao SARS-COV-2 como \u201cv\u00edrus chin\u00eas\u201d. Ao mesmo tempo, esfor\u00e7os de promo\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e financeira na crise sanit\u00e1ria internacional t\u00eam sido realizados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), sendo o programa <i>Covid-19 Vaccines Global Access\u201d<\/i> (Covax) o maior exemplo e cujo objetivo \u00e9 promover a produ\u00e7\u00e3o e o acesso global a um imunizante contra o COVID-19. Percebe-se tamb\u00e9m que o tema da diplomacia da vacina entrou na ordem do dia, tanto na imprensa quanto em trabalhos acad\u00eamicos, denunciando as diferen\u00e7as de poder e de recursos materializados nas desigualdades no acesso \u00e0s vacinas no \u00e2mbito internacional.<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/#\">[1<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora esses temas tenham ganhado proemin\u00eancia recentemente, ressalta-se neste texto que o impacto de disputas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas na \u00e1rea da sa\u00fade internacional n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Nesse sentido, o per\u00edodo da Guerra Fria, marcado pelo recrudescimento das rivalidades entre Estados Unidos (EUA) e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS), exemplifica como disputas pol\u00edticas influenciam din\u00e2micas da coopera\u00e7\u00e3o em sa\u00fade internacional. <a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/#\">[2]<\/a> Mais do que um aspecto conjuntural, a Guerra Fria foi um componente din\u00e2mico das pol\u00edticas internacionais de sa\u00fade ao longo do per\u00edodo. A bipolaridade impactou a institucionaliza\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es internacionais especializadas na \u00e1rea, como \u00e9 o caso da pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), estabelecida em 1948, nas escolhas e nas pr\u00e1ticas de projetos a serem implementados ou recha\u00e7ados em pol\u00edticas de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica internacional e nas perspectivas sobre diferentes projetos de sociedade, que, por sua vez, influenciaram concep\u00e7\u00f5es diversas sobre sa\u00fade e desenvolvimento (BIRN; NECOCHEA, 2020). Este artigo explora o maior empreendimento da OMS em termos financeiros, pol\u00edticos e humanos no per\u00edodo: o Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria (PEM), lan\u00e7ado em 1955. O objetivo \u00e9, a partir do caso do PEM, enfatizar os elementos de Guerra Fria que caracterizaram os debates de ent\u00e3o no campo da sa\u00fade internacional e, assim, explicitar como a implementa\u00e7\u00e3o do programa refletiu a pol\u00edtica externa norte-americana de conten\u00e7\u00e3o ao comunismo internacional. O texto exp\u00f5e como a Guerra Fria impactou a OMS e analisa os elementos narrativos da bipolaridade que caracterizaram o PEM, al\u00e9m de promover breves reflex\u00f5es a partir de perspectivas cr\u00edticas da sa\u00fade global, ressaltando alguns elementos do atual contexto da pol\u00edtica internacional na pandemia de COVID-19.<\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os impactos da Guerra Fria na OMS ocorriam cotidianamente; as campanhas de erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, os processos de organiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos, pesquisas cient\u00edficas na \u00e1rea da sa\u00fade, as pol\u00edticas de controle populacional e desenvolvimentos na \u00e1rea de medicina social constitu\u00edram tem\u00e1ticas da coopera\u00e7\u00e3o internacional permeadas pelas disputas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas entre as duas superpot\u00eancias. De fato, especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes ao enfatizar que a OMS foi estabelecida em 1948 sob forte influ\u00eancia da pol\u00edtica externa norte-americana (CUETO, M.; BROWN, T. M.; FEE, E., 2019; FARLEY 2004, cap.16 e 17; PACKARD 2016). Em 1949 a URSS chegou a se retirar da organiza\u00e7\u00e3o, retornando ao \u00f3rg\u00e3o apenas em 1956, no contexto p\u00f3s-estalinista.<a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftn3\">[3]<\/a> <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/p>\n<p style=\"font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 15.693333625793457px; margin: 0cm 0cm 8pt; text-align: left;\"><\/p>\n<p><b style=\"text-align: left;\"><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Campos (2006, p. 194-195) explica que a Guerra Fria impactou a OMS por meio da tens\u00e3o entre perspectivas conflitantes sobre sa\u00fade, que, por sua vez, representavam diferentes projetos de sociedade e de m\u00e9todos de como lidar com desafios sanit\u00e1rios no ent\u00e3o chamado \u201cTerceiro Mundo\u201d.   Em um extremo, defendido pelos EUA, propunha-se o foco em campanhas de erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Essa concep\u00e7\u00e3o entendia que melhoras no campo da sa\u00fade eram fundamentais para a elimina\u00e7\u00e3o da pobreza, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Esse entendimento de \u201csa\u00fade como aus\u00eancia de doen\u00e7as\u201d dava primazia \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o das novas capacidades t\u00e9cnicas do per\u00edodo, desconsiderando problemas socioecon\u00f4micos das popula\u00e7\u00f5es locais (CUETO, 2007). Em outro extremo do debate, uma abordagem alternativa argumentava que, \u201cainda que o controle de doen\u00e7as fosse necess\u00e1rio, o desenvolvimento econ\u00f4mico seria um pr\u00e9-requisito para a melhora nos \u00edndices de sa\u00fade\u201d (FARLEY 2004, p. 285, tradu\u00e7\u00e3o nossa, CAMPOS 2006, CUETO 2007, 2015 e 2019 e PACKARD 1997). A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, apesar de implementar campanhas de erradica\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio, filiava-se a essa \u00faltima perspectiva em oposi\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0s disputas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas da Guerra Fria, o PEM se tornou a maior empreitada da OMS no per\u00edodo, materializando a consolida\u00e7\u00e3o da perspectiva norte-americana dentro da organiza\u00e7\u00e3o nos anos de 1950. Segundo Cueto (2006, p. 42), em 1959, dos 800 projetos em implementa\u00e7\u00e3o pela OMS, 200 versavam sobre controle e erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as.  Por\u00e9m,  apesar de suas inten\u00e7\u00f5es globais, o PEM seria de fato implementado apenas na Am\u00e9rica Latina e na \u00cdndia, e embora tenham sido dispendidos vultosos recursos humanos, pol\u00edticos e financeiros, n\u00e3o se alcan\u00e7ou o objetivo da erradica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a (CUETO 2007; CUETO, BROWN, FEE 2019, PACKARD 1997). Estudiosos apontam que, entre os motivos para o fracasso estavam justamente as premissas da abordagem \u2018tecnicista\u2019 do programa de erradica\u00e7\u00e3o. Eram elas a cren\u00e7a excessiva nos recursos t\u00e9cnicos, especialmente a ampla utiliza\u00e7\u00e3o de inseticidas de a\u00e7\u00e3o residual, como o DDT, no seu modelo verticalizado de implementa\u00e7\u00e3o, que dava primazia a uma elite de t\u00e9cnicos estrangeiros em detrimento de conhecimentos locais e, finalmente, na abordagem estreita de sa\u00fade p\u00fablica, que perdia de vista aspectos sociais fundamentais caracter\u00edsticos da propaga\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor da doen\u00e7a (CUETO 2007, PACKARD 1997). \u00c0 medida que se prolongava a insist\u00eancia em terminar com o ciclo de transmiss\u00e3o da mol\u00e9stia por meio da elimina\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor, estes adquiriam cada vez mais resist\u00eancia ao veneno. H\u00e1 relatos, inclusive, de resist\u00eancia \u00e0 cloroquina, que, em muitas regi\u00f5es, foi distribu\u00edda de forma ampla e como meio de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a. Em 1969, a Assembleia-Geral da OMS reconheceu que a maior parte dos pa\u00edses n\u00e3o atingiria a erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria e aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o que questionava a efic\u00e1cia de campanhas verticalizadas com foco em doen\u00e7as espec\u00edficas (CUETO; BROWN; FEE 2019, P. 110).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A perspectiva anticomunista dos EUA na \u00e1rea da sa\u00fade internacional era tamb\u00e9m mobilizada a partir de discursos de promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento ligados \u00e0 pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a nacional (CUETO 2007).  De fato, o antrop\u00f3logo Arturo Escobar (1995), a partir de uma perspectiva cr\u00edtica, argumenta que a \u201cbusca pelo desenvolvimento\u201d era tamb\u00e9m um elemento de disputa de Guerra Fria, com implica\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente nos modos de implementa\u00e7\u00e3o de projetos de coopera\u00e7\u00e3o internacional, mas tamb\u00e9m na proemin\u00eancia de perspectivas espec\u00edficas de modelos de sociedade e de determinadas t\u00e9cnicas em detrimento de outras. No caso do projeto de poder estadunidense no per\u00edodo, \u201ca sa\u00fade internacional passou a ser considerada investimento para o desenvolvimento, instrumento de elimina\u00e7\u00e3o da pobreza e arma pol\u00edtica contra o comunismo\u201d (CAMPOS 2006, p. 194, CUETO 2007, PACKARD 1997). Para os te\u00f3ricos da Moderniza\u00e7\u00e3o, por exemplo, o argumento de conex\u00e3o entre sa\u00fade e pobreza era o de que \u201cpessoas saud\u00e1veis representavam ganhos maiores para as economias local e mundial do que pessoas doentes\u201d (CUETO 2007, p. 89-90, <i>tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/i>).<a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftn4\">[4]<\/a> Por essas raz\u00f5es, estudiosos apontam que o Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria da OMS se tratava de um programa de desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico, tanto quanto de sa\u00fade p\u00fablica \u2013 enfatizando que as perspectivas de sa\u00fade em jogo estavam acopladas a diferentes projetos de sociedade  (CUETO 2007, PACKARD 1997, p. 284).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 no\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a interacional, as autoridades norte-americanas argumentavam que programas internacionais em sa\u00fade eram ferramentas importantes para \u2018quebrar os c\u00edrculos viciosos\u2019 entre doen\u00e7a e pobreza, que, por sua vez, poderiam resultar em guerras. Os EUA colocavam o engajamento externo do pa\u00eds na \u00e1rea como estrat\u00e9gia para projetar a sua imagem como defensores da paz em um contexto de tens\u00f5es internacionais (CUETO, 2007). De fato, essa postura se coaduna com a estrat\u00e9gia norte-americana de conten\u00e7\u00e3o do comunismo internacional.  Nesse per\u00edodo, o governo de Harry S. Truman (1945-1953) institucionalizava programas de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica internacional como ferramentas estrat\u00e9gicas para esse prop\u00f3sito. <a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftn5\">[5]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O discurso da seguran\u00e7a aparecia tamb\u00e9m nas constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas e narrativas. Nesse aspecto, o Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria forneceu met\u00e1foras interessantes entre doen\u00e7a, seguran\u00e7a e guerra. Um dos exemplos consta no relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller, institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica norte-americana bastante atuante em projetos de erradica\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, que dizia claramente que a erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria ajudaria na luta contra o comunismo, uma vez que essa doen\u00e7a seria um fator que provoca predisposi\u00e7\u00e3o de uma comunidade por infe\u00e7\u00f5es por \u2018germes pol\u00edticos\u2019 que poderiam atrasar e destruir a liberdade (CUETO, 2007. p. 34). A erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria aparecia nas falas de <i>policymakers<\/i> norte-americanos como sin\u00f4nimo de moderniza\u00e7\u00e3o, como supera\u00e7\u00e3o de uma condi\u00e7\u00e3o que \u2018escravizava os povos do Terceiro Mundo\u2019. Essas constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas presentes nessas narrativas colocavam o programa como uma \u2018guerra contra o mosquito\u2019, nas palavras de Cueto (2007, p. 15-16), uma \u2018cruzada\u2019, um \u2018dilema moral que separaria o bem do mal\u2019.  Somando-se a essa met\u00e1fora de cruzada e guerra moral, uma autoridade norte-americana descreveu o DDT, como uma \u2018bomba at\u00f4mica contra insetos\u2019. Essas constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas estavam presentes tamb\u00e9m nas quatro etapas de implementa\u00e7\u00e3o do programa, que seriam as fases de \u201cprepara\u00e7\u00e3o, ataque, controle e consolida\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 um vocabul\u00e1rio t\u00edpico de opera\u00e7\u00f5es militares  (CUETO, 2007; CUETO; BROWN; FEE, 2019).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Conforme enfatizado, a proemin\u00eancia de campanhas verticais de erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, materializada no enorme esfor\u00e7o t\u00e9cnico e material do PEM representou a \u2018vit\u00f3ria\u2019 da proposta estadunidense na OMS. Esse caso hist\u00f3rico, no entanto, pode ser visualizado \u00e0 luz de perspectivas cr\u00edticas atuais sobre sa\u00fade global. Nesse sentido, \u00e9 crucial que se reconhe\u00e7a que as escolhas da sa\u00fade global s\u00e3o constru\u00eddas a partir de processos pol\u00edticos que refletem rela\u00e7\u00f5es de poder, com suas concep\u00e7\u00f5es de sociedade e de valores (NUNES 2020).  Estas, por sua vez,  t\u00eam impactos pol\u00edticos concretos sobre pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea da sa\u00fade, isto \u00e9, sobre o que deve ser protegido, o que deve ser prioridade e quais pr\u00e1ticas seriam leg\u00edtimas para se atingir determinado objetivo (NUNES, 2020). Por exemplo, as concep\u00e7\u00f5es que embasaram o PEM tiveram impactos pr\u00e1ticos em sua implementa\u00e7\u00e3o, no cotidiano das popula\u00e7\u00f5es afetadas e nas pol\u00edticas p\u00fablicas da \u00e1rea em anos subsequentes. Ressalta-se que a intensa utiliza\u00e7\u00e3o do DDT dentro de resid\u00eancias, aliada \u00e0 cren\u00e7a absoluta nas novas medica\u00e7\u00f5es, ocorreu em detrimento de atua\u00e7\u00e3o na melhora das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e sanit\u00e1rias de vida das popula\u00e7\u00f5es rurais afetadas pela doen\u00e7a (CUETO 2007, PACKARD 1997).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Isso exemplifica impactos pr\u00e1ticos de determinadas escolhas pol\u00edticas no cotidiano dos indiv\u00edduos. Especificamente no caso do PEM na Am\u00e9rica Latina, Cueto (2007) enfatiza que, entre as consequ\u00eancias de longo prazo, est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica que denomina como \u201ccultura da sobreviv\u00eancia\u201d. Isto \u00e9, uma predomin\u00e2ncia de interven\u00e7\u00f5es de curto-prazo em sa\u00fade, gerando um c\u00edrculo vicioso entre \u2018solu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias\u2019 e epidemias que, por sua vez, refor\u00e7am vulnerabilidades pr\u00e9-existentes. O autor refor\u00e7a que, no caso do PEM, os programas de erradica\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria n\u00e3o foram incorporados pelos sistemas nacionais de aten\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7os b\u00e1sicos em \u00e1reas rurais em anos subsequentes. Pesquisas recentes t\u00eam ressaltado, por exemplo, como t\u00e9cnicos que iam a campo implementar projetos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica eram a ponta de lan\u00e7a para aplica\u00e7\u00e3o de teorias, m\u00e9todos, perspectivas sobre desenvolvimento e de projetos de sociedade no contexto de Guerra Fria (CHASTAIN; LOREK, 2020).  Somando-se a esses trabalhos, Anne-Emanuelle Birn (2020), espeficicamente focada em estudos de hist\u00f3ria da sa\u00fade na Am\u00e9rica Latina, ressalta que temas de coopera\u00e7\u00e3o em sa\u00fade no per\u00edodo da Guerra Fria s\u00e3o fundamentais para lan\u00e7ar luz sobre desenvolvimentos mais recentes sobre pol\u00edticas de sa\u00fade na regi\u00e3o, tanto no plano interno quanto no internacional.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao olhar para a din\u00e2mica da competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e t\u00e9cnico-cient\u00edfica, bem como para as narrativas decorrentes desse per\u00edodo de aumento de tens\u00f5es EUA-URSS, percebe-se paralelos com o atual panorama de disputas diante da pandemia de COVID-19. Essas coincid\u00eancias se refor\u00e7am n\u00e3o s\u00f3 quando a R\u00fassia batiza sua vacina contra a Covid de Sputnik, mas tamb\u00e9m diante do relat\u00f3rio anual do <i>U.S. Department of Health and Human Services (HHS)<\/i> referente ao ano de 2020, que revelou que o governo Trump teria tentado influenciar o Brasil a rejeitar a vacina russa.<a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftn6\">[6]<\/a> Essa breve men\u00e7\u00e3o no relat\u00f3rio, que aparece em t\u00f3pico intitulado \u201cCombatendo influ\u00eancias malignas nas Am\u00e9ricas\u201d afirma que o <i>Office of Global Affairs (OGA)<\/i> da institui\u00e7\u00e3o envidou esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos na regi\u00e3o para \u201cmitigar os esfor\u00e7os de certos pa\u00edses, incluindo Cuba, Venezuela e R\u00fassia, que estariam trabalhando para aumentar influ\u00eancia na regi\u00e3o em detrimento da seguran\u00e7a dos Estados Unidos\u201d (HHS 2020, p. 48, tradu\u00e7\u00e3o nossa). De menor repercuss\u00e3o na imprensa, o mesmo trecho cita que o escrit\u00f3rio internacional do HHS teria oferecido ao Panam\u00e1 assist\u00eancia t\u00e9cnica do Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC), \u201cpara que o pa\u00eds n\u00e3o aceitasse ajuda de m\u00e9dicos cubanos\u201d (HHS 2020, p. 48). Esses registros demonstram qu\u00e3o impressionantes s\u00e3o as semelhan\u00e7as das constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas e narrativas dos EUA, focados na perspectiva de seguran\u00e7a e de rela\u00e7\u00f5es de poder, ao menos durante o governo Trump, com as narrativas aplicadas aos programas de sa\u00fade internacional durante a Guerra Fria. Independente dos desenvolvimentos pol\u00edticos nos pr\u00f3ximos meses, a breve an\u00e1lise do caso do Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria da OMS refor\u00e7a que influ\u00eancias pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas e a pr\u00f3pria securitiza\u00e7\u00e3o do tema da sa\u00fade global na arena internacional n\u00e3o \u00e9 novidade.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A imposi\u00e7\u00e3o de determinadas percep\u00e7\u00f5es, valores e ideologias em temas normalmente tidos como \u2018neutros\u2019 e \u2018t\u00e9cnicos\u2019 n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo. No caso da \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, isso \u00e9 bastante evidente quando se analisa a din\u00e2mica da competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e t\u00e9cnico-cient\u00edfica entre EUA e URSS no per\u00edodo da Guerra Fria. Nos primeiros anos desde a institui\u00e7\u00e3o da OMS, em 1948, havia o embate entre duas perspectivas sobre sa\u00fade em desenvolvimento no \u00e2mbito da organiza\u00e7\u00e3o. Uma delas, fortemente advogada pelos EUA, preconizava por uma vis\u00e3o que equivalia a sa\u00fade \u00e0 aus\u00eancia de doen\u00e7as e, nessa linha, defendia campanhas de erradica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, implementadas de forma verticalizada e fortemente amparados nos avan\u00e7os t\u00e9cnicos do per\u00edodo. O Programa Global de Erradica\u00e7\u00e3o da Mal\u00e1ria, lan\u00e7ada pela OMS em 1955, tornou-se s\u00edmbolo dessa abordagem, tendo constitu\u00eddo a maior empreitada na \u00e1rea de promo\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade no per\u00edodo. A outra perspectiva, a qual a URSS se alinhava em oposi\u00e7\u00e3o aos EUA, ressaltava que, ainda que o controle e a elimina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as fossem importantes, uma abordagem mais ampla focada nos aspectos socioecon\u00f4micos era crucial.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em meio a essas discuss\u00f5es, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica chegou a se retirar da OMS em 1949, tendo retornando apenas 1956 j\u00e1 no per\u00edodo p\u00f3s-stalinista. De fato, o caso do PEM torna evidente como os EUA alinhavam a perspectiva erradicacionista \u00e0 sua pol\u00edtica anticomunista, utilizando narrativas bin\u00e1rias, constru\u00e7\u00f5es sociais sobre o \u2018outro\u2019 e a no\u00e7\u00e3o de \u2018perigo\u2019. Esses aspectos eram mobilizados nos pr\u00f3prios discursos de promo\u00e7\u00e3o de desenvolvimento no ent\u00e3o chamado \u201cTerceiro Mundo\u201d. Nesse contexto, projetos de sa\u00fade internacional eram, al\u00e9m de investimento para o desenvolvimento, uma arma pol\u00edtica contra o comunismo. &nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Finalmente, \u00e9 fundamental ressaltar que os impactos pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos em iniciativas na \u00e1rea da sa\u00fade internacional, provocam consequ\u00eancias na vida de indiv\u00edduos. Conforme apontado por perspectivas cr\u00edticas de sa\u00fade global, podendo refor\u00e7ar vulnerabilidades pr\u00e9-existentes. Nesse sentido, \u00e9 crucial que analistas reconhe\u00e7am que os debates p\u00fablicos em sa\u00fade global refletem rela\u00e7\u00f5es de poder que, por vezes, silenciam abordagens alternativas para problemas conhecidos. N\u00e3o \u00e0 toa, ao chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de abordagens mais abrangentes para a pandemia de Covid-19, Richard Horton (2020) ressalta o car\u00e1ter sind\u00eamico da atual emerg\u00eancia \u2013 isto \u00e9, para al\u00e9m dos determinantes biol\u00f3gicos da doen\u00e7a, os fatores socioecon\u00f4micos que exacerbam desigualdades e vulnerabilidades. Nesse aspecto, revisitar experi\u00eancias hist\u00f3ricas que guardam atualidades com o que se passa atualmente com a atual pandemia de COVID-19, suas competi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e narrativas, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BIRN, Anne-Emanuelle; NECOCHEA, L\u00f3ples, Ra\u00fal (eds). <i>Peripheral Nerve: health and medicine in Cold War Latin America<\/i>, Duke University Press, 2020<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BRANDS, Hal. <i>Latin America\u2019s Cold War,<\/i> Harvard University Press, 2010<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CAMPOS, Andr\u00e9 Luiz Vieira de. <i>Pol\u00edticas Internacionais de Sa\u00fade na Era Vargas: O Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica, 1942-1960<\/i>, Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CHASTAIN, Andra B., LOREK, Timothy W. <i>Itineraries of Expertise \u2013 Science, Technology, and the Environment inLatin America\u2019s Long Cold War<\/i>, University of Pittsburgh Press, 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CUETO, Marcos.<i> Cold war, deadly fevers: malaria eradication in Mexico, 1955-1975.<\/i> Washington, D.C.\u202f: Baltimore: Woodrow Wilson Center Press\u202f; Johns Hopkins University Press, 2007.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CUETO, Marcos.; BROWN, Theodore.; FEE, Elizabeth. <i>The World Health Organization:<\/i> A History. 1. ed. [s.l.] Cambridge University Press, 2019.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ESCOBAR, Arturo. <i>Encountering Development<\/i> \u2013 The Making and Unmaking of the Third World. New Jersey: Princeton University Press, 1995<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FARLEY, John. <i>To cast out disease: a history of the International Health Division of the Rockefeller Foundation (1913-1951)<\/i>. Oxford\u202f; New York: Oxford University Press, 2004.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">GILMAN, Nils. 2003. <i>Mandarins of the Future:<\/i> Modernization Theory in Cold War America. Vol. 53. Baltimore and London: John Hopkins University Press.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">HORTON, Richard. Offline: COVID-19 is not a pandemic. <i>The Lancet,<\/i> v. 19, n.1, p. 141-170, Setembro, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(20)32000-6\/fulltext<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LATHAM, Michael. 1998. Ideology, Social Science, and Destiny: Modernization and the Kennedy-Era Alliance for Progress. <i>Diplomatic History, <\/i>Vol. 22, n 2, p 199\u2013229.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">____. 2000. <i>Modernization as Ideology<\/i>. American Social Science and \u2018Nation Building\u2019 in the Kennedy Era. Chapel Hill and London: The University of North Carolina Press.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LOUREIRO, Felipe. Alian\u00e7a para poucos? Ajuda econ\u00f4mica norte-americana para estados brasileiros durante o governo Jo\u00e3o Goulart (1961-1964). Tese de Livre Doc\u00eancia \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, 2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">NUNES, Jo\u00e3o. Critical Security Studies and Global Health. In: NUNES, J. (Ed.). <i>The Oxford Handbook of Global Health Politics. <\/i> Oxford University Press, 2020. p. 160\u2013177.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PACKARD, Randall. Malaria Dreams: Postwar visions of health and development in the third world. <i>Malaria Anthropology: Cross-Cultural Studies in Health and Illness<\/i>. v. 17, n. 3, p. 279-296, 1997<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">___. <i>A history of global health: <\/i>interventions into the lives of other peoples. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2016.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PACKENHAM, Robert A.  Liberal America and the Third World. Political Development Ideas in Foreign Aid and Social Science. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1973.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">TAFFET, Jeffrey.<i> Foreign Aid as Foreign Policy. The Alliance for Progress in Latin America. <\/i>New York and London: Routledge. 2007.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">THE GUARDIAN. How the race for a Covid-19 vaccine is getting dirty. 20\/08\/2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.theguardian.com\/society\/2020\/aug\/30\/how-the-race-for-a-covid-19-vaccine-got-dirty. Acesso em 10 de junho de 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">US DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES.<i> 2020 Annual Report 2020<\/i>. Available at https:\/\/www.hhs.gov\/sites\/default\/files\/2020-annual-report.pdf. Acesso em 16 de mar\u00e7o de 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">WASHINGTON POST. U.S. officials pushed Brazil to reject Russia\u2019s coronavirus vaccine, according to HHS report. 16\/03\/2021. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/2021\/03\/16\/hhs-brazil-sputnik-russia\/. Acesso em 10 de junho de 2021.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">WESTAD, Odd Arne.<i> The Global Cold War:<\/i> Third World Interventions and the Making of Our times, Cambridge University Press, 2005.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref1\">[1]<\/a> O tema da \u2018corrida pela vacina\u2019 foi abordado por diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Ressalta-se aqui a mat\u00e9ria jornal\u00edstica do The Guardian, dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/society\/2020\/aug\/30\/how-the-race-for-a-covid-19-vaccine-got-dirty\">https:\/\/www.theguardian.com\/society\/2020\/aug\/30\/how-the-race-for-a-covid-19-vaccine-got-dirty<\/a>. Para informa\u00e7\u00f5es sobre  o programa Covax, ver <a href=\"https:\/\/www.who.int\/initiatives\/act-accelerator\/covax\">https:\/\/www.who.int\/initiatives\/act-accelerator\/covax<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/langlo\/article\/PIIS2214-109X(20)30415-0\/fulltext\">https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/langlo\/article\/PIIS2214-109X(20)30415-0\/fulltext<\/a> <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref2\">[2]<\/a> Essa rivalidade materializou-se em disputas nos campos militar, de ci\u00eancia e tecnologia, da economia e o cultural. Nesse sentido, a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica internacional constituiu instrumento de pol\u00edtica externa importante, com impactos particularmente duradouros sobre o ent\u00e3o chamado \u201cTerceiro Mundo\u201d. Para trabalhos sobre coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica durante a Guerra Fria, ver Loureiro (2017), Patterson (1973) e Taffet (2007). Para trabalhos espec\u00edficos sobre Guerra Fria na Am\u00e9rica Latina ou sobre os impactos no \u201cTerceiro Mundo\u201d, ver Brands (2010) e Westad (2005).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref3\">[3]<\/a> Entre os pa\u00edses que tamb\u00e9m se retiraram da OMS nessa ocasi\u00e3o estavam a Alb\u00e2nia, a Bulg\u00e1ria, a antiga Tchecoslov\u00e1quia, China, Hungria e Pol\u00f4nia. A Rep\u00fablica Popular da China somente entrou na OMS em 1973. Ver Cueto; Brown; Fee (2019)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref4\">[4]<\/a> A Teoria da Moderniza\u00e7\u00e3o surgiu a partir de uma s\u00e9rie de estudos independentes, publicados em 1957, acerca das pol\u00edticas de ajuda externa dos Estados Unidos. Foram os trabalhos de dois pesquisadores do Massachussets Institute of Technology (MIT), Max F. Milikan e Walt W. Rostow, que lan\u00e7aram algumas das principais ideias que embasaram a Teoria da Moderniza\u00e7\u00e3o. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre essa abordagem, ver Loureiro (2017, p. 40-42, 48-50). Mais discuss\u00f5es sobre Teoria da Moderniza\u00e7\u00e3o est\u00e3o presentes em Nils Gilman (2003), Latham (1998 e 2000) e Taffet (2007, cap. 1).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref5\">[5]<\/a> Exemplos desses programas s\u00e3o o Plano Marshall (1948), voltado para a reconstru\u00e7\u00e3o europeia no p\u00f3s-2\u00aa Guerra Mundial, e o programa do Ponto Quatro (1949), que, mais modesto em termos financeiros, previa coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com pa\u00edses do Terceiro Mundo. No governo do presidente John F. Kennedy (1961-1963), os norte-americanos lan\u00e7ariam ainda a Alian\u00e7a para o Progresso, programa de coopera\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica especificamente voltado para a Am\u00e9rica Latina. Para abordagem abrangente sobre programas de coopera\u00e7\u00e3o e ajuda externa dos EUA, ver Packenham (1973).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c3b2b57b-322d-4d83-9fab-579a2e5e79c3#_ftnref6\">[6]<\/a> O tema teve grande repercuss\u00e3o na imprensa, tendo sido noticiado \u00e0 \u00e9poca pelos jornais Washington Post e pela plataforma de not\u00edcias Brazil Wire. As reportagens est\u00e3o dispon\u00edveis em: <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/2021\/03\/16\/hhs-brazil-sputnik-russia\/\">https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/2021\/03\/16\/hhs-brazil-sputnik-russia\/<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.brasilwire.com\/exclusive-washington-pressured-brazil-not-to-buy-malign-russian-vaccine\/\">https:\/\/www.brasilwire.com\/exclusive-washington-pressured-brazil-not-to-buy-malign-russian-vaccine\/<\/a> (Acesso em 10 de junho de 2021).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Nathalia Candido Stutz Gomes<\/b> \u00e9 pesquisadora na \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade de S\u00e3o Paulo. Graduada na PUC-SP e Mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do IRI &#8211; USP com bolsa CAPES (dedica\u00e7\u00e3o integral). \u00c9 atualmente Doutoranda no mesmo programa, integrante do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre o Brasil e o Sistema Mundial (Labmundi) e foi bolsista do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU). Tem interesse nos temas de Hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es internacionais do Brasil, Hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es Brasil-EUA (especialmente durante a Guerra Fria), pol\u00edtica externa brasileira e coopera\u00e7\u00e3o internacional na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica.<\/i><\/div>\n<p><\/i> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 85 | Set. 2021 Por Nathalia Candido Stutz Gomes<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1853,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[649,659],"tags":[],"class_list":["post-1589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-volume8"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1589"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1918,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1589\/revisions\/1918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}