{"id":1593,"date":"2021-06-01T14:09:00","date_gmt":"2021-06-01T17:09:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2022-05-05T00:30:44","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:44","slug":"relacoes-china-oriente-medio-para-alem-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1593","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00f5es China-Oriente M\u00e9dio: para al\u00e9m do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 82 | Jun. 2021<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/syria-1034467_1920-1.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1276\" data-original-width=\"1920\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/syria-1034467_1920-1-300x199.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Lu\u00eds Filipe de Souza Porto<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comumente percebido que o engajamento da Rep\u00fablica Popular da China (RPC) no Oriente M\u00e9dio \u00e9 impulsionado principalmente por interesses econ\u00f4micos, e que a RPC prefere evitar os conflitos na regi\u00e3o tanto quanto poss\u00edvel. Seu marco \u201cIniciativa do Cintur\u00e3o e Rota\u201d ou \u201cBelt and Road Initiative\u201d (BRI), lan\u00e7ado em 2013 como uma estrat\u00e9gia global de desenvolvimento de infraestrutura, contribui para essa percep\u00e7\u00e3o. Essa no\u00e7\u00e3o, no entanto, ignora o contexto mais amplo do envolvimento da China no Oriente M\u00e9dio, tanto hist\u00f3rico quanto contempor\u00e2neo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 2021, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China, Wang Yi, iniciou uma turn\u00ea por seis pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, permitindo notar que as rela\u00e7\u00f5es da China com a regi\u00e3o expandiram significativamente, incluindo n\u00e3o apenas interesses energ\u00e9ticos, mas tamb\u00e9m pautas de coopera\u00e7\u00e3o financeira ou at\u00e9 mesmo a mais recentemente \u201cdiplomacia da vacina\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A atua\u00e7\u00e3o da China no Oriente M\u00e9dio reflete a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento da pol\u00edtica externa chinesa, em linha com a ascens\u00e3o do pa\u00eds como uma superpot\u00eancia econ\u00f4mica. A escolha de parceiros na regi\u00e3o foi influenciada por considera\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e uma narrativa anticolonial e anti-imperialista compartilhada. Mas sua transforma\u00e7\u00e3o em uma pot\u00eancia econ\u00f4mica inevitavelmente alterou suas prioridades e influ\u00eancia no Oriente M\u00e9dio. Sua penetra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na regi\u00e3o se reflete no conjunto de acordos de coopera\u00e7\u00e3o que celebrou com os Estados regionais, bem como nos formatos de coopera\u00e7\u00e3o sub-regional, a exemplo do F\u00f3rum de Coopera\u00e7\u00e3o China-Pa\u00edses \u00c1rabes.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O envolvimento crescente da RPC no Oriente M\u00e9dio pode ser impulsionado por sua necessidade de recursos para alimentar seu crescimento econ\u00f4mico; no entanto, h\u00e1 inevitavelmente uma dimens\u00e3o pol\u00edtica a ser considerada, devido n\u00e3o s\u00f3 ao fato de a China ter assento no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (CSNU) e buscar projetar a imagem de uma superpot\u00eancia \u201crespons\u00e1vel\u201d, mas tamb\u00e9m por causa da necessidade de proteger seus investimentos e interesses comerciais na regi\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A influ\u00eancia crescente da China no Oriente M\u00e9dio geralmente pode ser recebida positivamente, ou at\u00e9 mesmo bem-vinda; no entanto, os pa\u00edses da regi\u00e3o t\u00eam perspectivas muito diferentes e frequentemente conflitos de interesses na forma como se relacionam com a RPC. Este trabalho analisa essas perspectivas levando em considera\u00e7\u00e3o as iniciativas recentes da China na regi\u00e3o, como a assinatura de acordo com o Ir\u00e3, em 2021, em um momento de rivalidade crescente entre os EUA e a China.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/p>\n<p style=\"font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 15.693333625793457px; margin: 0cm 0cm 8pt; text-align: left;\"><\/p>\n<p><b style=\"text-align: left;\"><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>O contexto de engajamento da China no Oriente M\u00e9dio<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O envolvimento da RPC \u00e9 relativamente novo no Oriente M\u00e9dio, apesar do fato de que as dinastias imperiais que governaram a China por dois mil\u00eanios mantiveram rela\u00e7\u00f5es com os reinos e imp\u00e9rios da regi\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria. A P\u00e9rsia\/Ir\u00e3 e o Imp\u00e9rio Turco Otomano estiveram vagamente conectados \u00e0 China &#8211; principalmente por meio da antiga Rota da Seda no continente &#8211; por s\u00e9culos. Embora a China tamb\u00e9m estivesse ligada a outros povos da regi\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es sino-\u00e1rabes (MFA, 2016), bem como os contatos da China com o moderno Estado de Israel, s\u00e3o empreendimentos relativamente novos. Consequentemente, nenhuma vis\u00e3o chinesa do Oriente M\u00e9dio como uma regi\u00e3o geopol\u00edtica distinta emergiu<a href=\"applewebdata:\/\/c88e98e2-9e2d-4f39-bb95-bbebb62e9681#_ftn1\">[1]<\/a>. Em vez disso, a RPC se concentrou em desenvolver rela\u00e7\u00f5es bilaterais com seus parceiros regionais<a href=\"applewebdata:\/\/c88e98e2-9e2d-4f39-bb95-bbebb62e9681#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a crescente da RPC no Oriente M\u00e9dio pode ser interpretada como uma consequ\u00eancia direta das mudan\u00e7as na doutrina externa e de seguran\u00e7a de Pequim. A estrat\u00e9gia militar de Mao Zedong, representada na passagem &#8220;Onde o inimigo avan\u00e7a, n\u00f3s recuamos. Onde o inimigo recua, n\u00f3s perseguimos&#8221;, ainda pode ser v\u00e1lida, mas sob os l\u00edderes subsequentes, a pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a da China evoluiu gradualmente. O advento do atual l\u00edder chin\u00eas Xi Jinping marcou o afastamento da pol\u00edtica de \u201cbaixo perfil\u201d defendida por Deng Xiaoping, inaugurando uma nova era \u201cque v\u00ea a China se aproximando do centro do palco e dando maiores contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 humanidade\u201d (JINPING, 2017, p. 6).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento da BRI em 2013, a publica\u00e7\u00e3o em 2015 da Estrat\u00e9gia Militar da China referindo-se aos \u201cprinc\u00edpios estrat\u00e9gicos de defesa ativa\u201d (CHINA STATE COUNCIL, 2016) e o discurso de Xi no 19\u00ba congresso nacional do Partido Comunista da China sinalizaram uma pol\u00edtica externa muito mais ativa e com disposi\u00e7\u00e3o para defender, de forma ainda mais assertiva, os interesses chineses, especialmente no exterior.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Essa transforma\u00e7\u00e3o refletiu-se claramente na evolu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es da RPC com os Estados do Oriente M\u00e9dio: n\u00e3o s\u00f3 a China expandiu sua presen\u00e7a, embora prudentemente se abstenha de tomar partido nos m\u00faltiplos conflitos da regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m conseguiu atrair um n\u00famero significativo de Estados regionais (Bahrein, Egito, Ir\u00e3, Iraque, Israel, Jord\u00e2nia, Kuwait, L\u00edbano, Om\u00e3, Territ\u00f3rios Palestinos, Catar, Ar\u00e1bia Saudita, S\u00edria, Turquia, Emirados \u00c1rabes Unidos e I\u00eamen) para seu projeto BRI.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Parceiros da China no Oriente M\u00e9dio<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A China tem uma gama diversificada de parceiros no Oriente M\u00e9dio e seu relacionamento com os v\u00e1rios pa\u00edses evoluiu em diferentes est\u00e1gios. A escolha de parceiros por Pequim foi originalmente ditada por considera\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas, e n\u00e3o geoestrat\u00e9gicas. O status n\u00e3o-alinhado da RPC, seu papel na Confer\u00eancia de Bandung, a ideologia do internacionalismo comunista (chin\u00eas) e a rejei\u00e7\u00e3o do imperialismo forneceram o contexto para \u201cescolher\u201d parceiros na arena internacional nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, onde os pa\u00edses com as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas oficiais com a ROC\/Taiwan n\u00e3o estavam dispostos ou n\u00e3o podiam fazer parceria com a RPC\/China.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o da RPC em 1949 e a formula\u00e7\u00e3o de uma nova abordagem para as rela\u00e7\u00f5es internacionais, os \u201cCinco Princ\u00edpios de Coexist\u00eancia Pac\u00edfica\u201d (DI\u00c1RIO DO POVO, 2015), definidos pelo ent\u00e3o primeiro-ministro chin\u00eas Zhou Enlai, a saber: i) Respeito m\u00fatuo pela integridade e soberania territorial uns dos outros; ii) N\u00e3o agress\u00e3o m\u00fatua; iii) N\u00e3o interfer\u00eancia m\u00fatua nos assuntos internos uns dos outros; iv) Igualdade e benef\u00edcio m\u00fatuo, e; v) Coexist\u00eancia pac\u00edfica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os Cinco Princ\u00edpios permanecem at\u00e9 hoje os pilares b\u00e1sicos das rela\u00e7\u00f5es chinesas com os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. O primeiro pa\u00eds \u00e1rabe a reconhecer a RPC foi o Egito, em 1956, seguido no mesmo ano pela Arg\u00e9lia, Iraque, Marrocos, I\u00eamen do Norte, S\u00edria e Sud\u00e3o, todos os quais &#8211; mais Jord\u00e2nia, Kuwait, L\u00edbano, L\u00edbia e Tun\u00edsia &#8211; tornaram-se membros do Movimento N\u00e3o Alinhado (MNA), na d\u00e9cada de 1960. Os princ\u00edpios de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e n\u00e3o interfer\u00eancia, especialmente no auge das guerras \u00e1rabe-israelenses e ap\u00f3s as guerras de descoloniza\u00e7\u00e3o, tiveram resson\u00e2ncia especial para os Estados \u00e1rabes e forneceram uma plataforma ideol\u00f3gica comum com a China. Com a reforma e a pol\u00edtica de abertura de Deng Xiaoping no in\u00edcio dos anos 1980, os objetivos econ\u00f4micos tornaram-se crit\u00e9rios-chave na sele\u00e7\u00e3o de parceiros, especialmente aqueles no Oriente M\u00e9dio que poderiam fornecer recursos energ\u00e9ticos necess\u00e1rios. Isso aumentou a import\u00e2ncia dos pa\u00edses relevantes, especialmente no Golfo P\u00e9rsico, que eram os mais f\u00e1ceis de acessar, e tornou a prote\u00e7\u00e3o de suprimentos est\u00e1veis \u200b\u200be cont\u00ednuos uma prioridade fulcral na agenda de pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a da China (MERKLE, 2016). Embora a Ar\u00e1bia Saudita e o Ir\u00e3 continuem a ser as fontes importantes de recursos energ\u00e9ticos para a China (EIA, 2020), o alcance mais distante, ou seja, para a \u00c1frica (FERNANDES, 2020), tornou-se parte da estrat\u00e9gia de Pequim para diversificar as importa\u00e7\u00f5es chinesas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As parcerias da China com pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio geralmente tendem a corresponder \u00e0s tr\u00eas categorias principais de parcerias estrat\u00e9gicas, parcerias estrat\u00e9gicas abrangentes e parcerias potenciais (CUNHA, 2018), com algumas outras \u201csubcategorias\u201d designando atributos espec\u00edficos do relacionamento em quest\u00e3o (por exemplo, a parceria cooperativa abrangente com a Turquia ou a parceria inovadora abrangente com Israel), a caracter\u00edstica distintiva \u00e9 que se trata de parcerias sem alinhamento.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 de se fazer notar a oposi\u00e7\u00e3o sutil da interpreta\u00e7\u00e3o chinesa do conceito de \u201calian\u00e7a\u201d &#8211; uma caracter\u00edstica distintiva da doutrina e estrat\u00e9gia da pol\u00edtica externa de Pequim -, que s\u00f3 pode ser parcialmente atribu\u00eddo \u00e0 mudan\u00e7a no entendimento da seguran\u00e7a militar e da guerra ap\u00f3s a Guerra Fria. O fato de a experi\u00eancia da China com as duas grandes alian\u00e7as militares das grandes guerras n\u00e3o ter sido positiva tamb\u00e9m pode ter contribu\u00eddo: a alian\u00e7a sovi\u00e9tico-chinesa foi um fracasso, enquanto a OTAN, liderada pelos EUA &#8211; da perspectiva chinesa \u2013 promove a inseguran\u00e7a para os que n\u00e3o fazem parte da organiza\u00e7\u00e3o (LUCENA SILVA, 2011).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As parcerias chinesas, portanto, embora n\u00e3o ofere\u00e7am alinhamento, com seus m\u00faltiplos formatos e n\u00edveis, apresentam a vantagem da flexibilidade. Al\u00e9m disso, elas est\u00e3o firmemente baseadas no benef\u00edcio m\u00fatuo dos \u201cCinco Princ\u00edpios\u201d e fornecem escopo para cobrir uma ampla gama de campos e t\u00f3picos potenciais, enquanto deixam quest\u00f5es potencialmente problem\u00e1ticas de lado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>O fator Estados Unidos nas rela\u00e7\u00f5es com o Oriente M\u00e9dio<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que a China expande continuamente sua presen\u00e7a na regi\u00e3o, o Oriente M\u00e9dio se torna cada vez mais uma esfera de conten\u00e7\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o entre os EUA e a China (e, em menor grau, com outros atores, incluindo a UE). No entanto, a presen\u00e7a e prontid\u00e3o de ambos os Estados deve ser considerada dentro de um escopo de atua\u00e7\u00e3o mais abrangente. Embora os EUA tenham reduzido discretamente sua presen\u00e7a no Oriente M\u00e9dio (GON\u00c7ALVES, 2021), n\u00e3o pode se desligar da regi\u00e3o: por um lado, precisa manter sua influ\u00eancia estrat\u00e9gica sobre o fluxo de recursos energ\u00e9ticos; por outro lado, seus aliados locais n\u00e3o se sentem seguros em uma ordem regional cada vez mais fr\u00e1gil e insegura. Na \u00faltima d\u00e9cada, a China, em parte como resultado da necessidade de garantir recursos naturais para sua economia em expans\u00e3o, come\u00e7ou a \u201cmarchar para o oeste\u201d (DIRMOSER, 2017), para preencher parcialmente o v\u00e1cuo deixado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\/R\u00fassia. Embora esteja pronta para se engajar com atores que os estadunidenses e europeus, com base em suas pr\u00f3prias normas e\/ou san\u00e7\u00f5es, mant\u00eam \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 relutante em assumir um papel pol\u00edtico e militar na regi\u00e3o (LIM, 2019). Evitar conflitos e pol\u00edtica de n\u00e3o interfer\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m cumprimento dos princ\u00edpios da pol\u00edtica externa chinesa tradicional, segundo os quais os conflitos devem ser resolvidos pacificamente.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora a crescente presen\u00e7a econ\u00f4mica da China na regi\u00e3o ainda possa lev\u00e1-la a mudar de ideia, a lideran\u00e7a chinesa n\u00e3o considera os eventos do Oriente M\u00e9dio uma preocupa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica prim\u00e1ria, e n\u00e3o pensa que eles representem uma amea\u00e7a \u00e0 paz e \u00e0 ordem mundial. Como observa MANDELBAUM (2020, p. 1) os l\u00edderes chineses veem a seguran\u00e7a como inextricavelmente ligada \u00e0 governan\u00e7a e ao desenvolvimento, pois o pa\u00eds \u201cdeseja uma regi\u00e3o previs\u00edvel e est\u00e1vel, o quanto for poss\u00edvel, na qual possa desenvolver atividades comerciais e investir\u201d. Consequentemente, a China espera que sua influ\u00eancia crescente na regi\u00e3o possa gradualmente deslocar a influ\u00eancia estadunidense. No momento, entretanto, Pequim parece satisfeita em colher os benef\u00edcios econ\u00f4micos da estabilidade e deixar os EUA assumirem a lideran\u00e7a no fornecimento de paz e seguran\u00e7a na regi\u00e3o, contanto que seus pr\u00f3prios interesses econ\u00f4micos n\u00e3o sejam prejudicados. Nesse sentido, a China pode usar seu assento permanente no CSNU para impedir as posturas e estrat\u00e9gias dos Estados Unidos e da Europa na regi\u00e3o do Grande Oriente M\u00e9dio (por exemplo, no bloqueio da a\u00e7\u00e3o da ONU no Sud\u00e3o; veto de resolu\u00e7\u00f5es sobre a S\u00edria etc.).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O BRI, inicialmente consistindo de uma rota terrestre atrav\u00e9s da Eur\u00e1sia e uma rota mar\u00edtima atrav\u00e9s da regi\u00e3o do Oceano \u00cdndico, \u00e9 sustentado por uma s\u00e9rie de projetos de infraestrutura chave (por exemplo, o gasoduto \u00c1sia Central-China e a linha ferrovi\u00e1ria Pap-Angren ao longo da rota terrestre, os portos de Gwadar, Khalifa, Doraleh e a Zona Econ\u00f4mica do Canal de Suez ao longo da rota mar\u00edtima, entre outros) projetados para ligar os mercados do Mar da China Oriental ao Mediterr\u00e2neo, entre outras ambi\u00e7\u00f5es geoecon\u00f4micas e geoestrat\u00e9gicas. Este grande esquema deve ser analisado n\u00e3o apenas como um esfor\u00e7o para contrabalan\u00e7ar os EUA, mas tamb\u00e9m como uma iniciativa que reflete uma aspira\u00e7\u00e3o comum compartilhada pela China e muitos Estados da regi\u00e3o, segundo a qual a influ\u00eancia dos EUA na \u00c1sia \u00e9 restringida por uma pot\u00eancia asi\u00e1tica. O fato de ser apresentado como um projeto apol\u00edtico torna ainda mais dif\u00edcil para os EUA desafiarem diretamente o BRI. No entanto, a expans\u00e3o da escala e do alcance do BRI, especialmente no Oriente M\u00e9dio e at\u00e9 mesmo com os aliados dos EUA (os Estados \u00c1rabes do Golfo e Israel) ansiosos por participar, tornou-se uma quest\u00e3o de crescente preocupa\u00e7\u00e3o para Washington. Mais indicativos a este respeito s\u00e3o os projetos portu\u00e1rios: i) Porto Khalifa dos Emirados \u00c1rabes Unidos; ii) Duqm de Om\u00e3; iii) Jizan da Ar\u00e1bia Saudita e; iv) Porto Said e Ain Sokhna do Egito. Mas, embora as parcerias chinesas e os pr\u00f3prios projetos do BRI tenham se desenvolvido aparentemente sem obst\u00e1culos, a linha dura adotada pelo governo Trump em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3 destacou os limites da prontid\u00e3o da China e dos Estados regionais para desafiar os EUA. Apesar do recente acordo do Ir\u00e3 com a China, e demais iniciativas chinesas na regi\u00e3o, ainda \u00e9 cedo para prever se o Oriente M\u00e9dio se tornar\u00e1 uma arena de luta por uma nova ordem mundial entre os EUA e a China.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Hard Power ou Soft Power?<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora o BRI tenha sido apresentado por Pequim como um projeto econ\u00f4mico, est\u00e1 claro que sua combina\u00e7\u00e3o de incentivos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, geoestrat\u00e9gicos e estrat\u00e9gicos est\u00e1 criando interdepend\u00eancias, n\u00e3o apenas garantindo vantagem competitiva para as empresas chinesas (BRADSHER, 2020), mas ampliando o soft power da China no Oriente M\u00e9dio (MEGERISI et al, 2020). N\u00e3o \u00e9 inconceb\u00edvel que a expans\u00e3o da China na regi\u00e3o possa, no futuro, levar ao uso de hard power na defesa de seus interesses econ\u00f4micos; no entanto, at\u00e9 agora as atividades militares chinesas no Oriente M\u00e9dio e arredores s\u00e3o restritas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as terroristas e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em miss\u00f5es antipirataria ao redor do Chifre da \u00c1frica. A abertura da primeira base militar chinesa em Djibouti, bem como o exerc\u00edcio naval conjunto China-R\u00fassia-Ir\u00e3 no Golfo de Om\u00e3 em dezembro de 2019, no entanto, pode sinalizar que a China est\u00e1 aumentando sua presen\u00e7a militar dentro e ao redor da regi\u00e3o e corrobora para afirma\u00e7\u00f5es de que a China deseja desempenhar um papel mais importante na promo\u00e7\u00e3o da paz e da estabilidade na regi\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No entanto, os interesses econ\u00f4micos tamb\u00e9m podem ser a base de um soft power em expans\u00e3o, expressados em megaprojetos de constru\u00e7\u00e3o e engenharia com alta participa\u00e7\u00e3o de empresas chinesas, como o metr\u00f4 de Teer\u00e3 e a ferrovia Haramain, na Ar\u00e1bia Saudita (BHAYA, 2018). O soft power da China tamb\u00e9m \u00e9 refor\u00e7ado por meio de programas de interc\u00e2mbio cultural e bolsas de estudos oferecidos em universidades chinesas e a rede de 23 Institutos Conf\u00facio na regi\u00e3o (YELLINEK et al, 2020).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A atual pandemia de Covid-19 afetou negativamente a imagem da China no Oriente M\u00e9dio, alimentando suspeitas sobre a China como o pa\u00eds de onde o v\u00edrus se espalhou e ressentimento contra as comunidades chinesas que vivem na regi\u00e3o (SCHWIKOWSKI, 2018). Ao mesmo tempo, a Health Silk Road (HSR), um projeto proposto pela China em 2017, est\u00e1 lentamente evoluindo para uma parte da BRI conforme a estrutura de assist\u00eancia global da China. Al\u00e9m disso, destaca-se a \u201cdiplomacia da vacina\u201d da China, com intuito de preencher um v\u00e1cuo de accountability e responsabilidade no in\u00edcio da pandemia, mas ainda em acontecimento; portanto, ainda n\u00e3o pode ser avaliado se o impacto dessas iniciativas ser\u00e1 o suficiente para contrabalan\u00e7ar as percep\u00e7\u00f5es negativas provocadas pela crise pand\u00eamica.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica de &#8220;marcha para o oeste&#8221; da China, em um momento em que outras pot\u00eancias globais reduziram sua presen\u00e7a ou perderam credibilidade no Oriente M\u00e9dio, e os EUA anunciaram que est\u00e3o mudando a aten\u00e7\u00e3o para a \u00c1sia, oferece a Pequim uma s\u00e9rie de possibilidades. No entanto, existem muitos pontos de interroga\u00e7\u00e3o com implica\u00e7\u00f5es para os atores regionais e externos. At\u00e9 agora, a estrat\u00e9gia global da China tem se concentrado em salvaguardar a soberania, as \u00e1guas mar\u00edtimas e os interesses do pa\u00eds. E, embora tenha havido sinais de uma crescente disposi\u00e7\u00e3o dos chineses em intensificar sua presen\u00e7a militar no Oriente M\u00e9dio, a China ainda n\u00e3o busca abertamente substituir os EUA como pot\u00eancia dominante na regi\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora haja diversas an\u00e1lises sobre a probabilidade de um confronto EUA-China em diversos sentidos, at\u00e9 agora h\u00e1 poucos sinais de um confronto iminente no Oriente M\u00e9dio. A China expandiu seu conjunto de rela\u00e7\u00f5es bilaterais na regi\u00e3o e estabeleceu estruturas sub-regionais de coopera\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico sem muitas dificuldades. At\u00e9 agora, evitou o confronto aberto com os EUA e a UE e tamb\u00e9m evitou tomar partido em conflitos regionais, tanto quanto poss\u00edvel, a fim de n\u00e3o antagonizar quaisquer atores regionais. Qu\u00e3o sustent\u00e1vel essa postura ser\u00e1 no futuro \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A credibilidade e aceita\u00e7\u00e3o dos investimentos e iniciativas da China na regi\u00e3o ainda precisam ser testadas, especialmente se os projetos dentro do BRI continuarem a ser realizados com capital, tecnologia e m\u00e3o de obra chineses em uma regi\u00e3o onde o desemprego, especialmente entre jovens educados, \u00e9 extremamente alto.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores desafios da China estar\u00e1 na capacidade e efici\u00eancia de projetar soft power: ser\u00e1 a China capaz de preencher a lacuna entre as sociedades monote\u00edstas baseadas na religi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e a no\u00e7\u00e3o de \u201csocialismo com caracter\u00edsticas chinesas\u201d? Em termos sociais e pol\u00edticos, o &#8220;modelo social isl\u00e2mico&#8221; est\u00e1 muito distante do sistema de governan\u00e7a chin\u00eas. E a \u201cdiplomacia da vacina\u201d de Pequim ser\u00e1 suficiente para conter as percep\u00e7\u00f5es adversas e ajudar a desviar a aten\u00e7\u00e3o do fato de que a epidemia global de Covid-19 teve origem na China?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para a Europa, a maior quest\u00e3o \u00e9 qual \u00e9 a nova realidade que a crescente presen\u00e7a da China criou numa regi\u00e3o onde a UE ainda \u00e9 o maior doador e desenvolveu v\u00e1rios quadros de coopera\u00e7\u00e3o. A UE ter\u00e1 de se manter firme num contexto de tens\u00f5es n\u00e3o apenas entre os EUA e a China, mas tamb\u00e9m entre os EUA e uma R\u00fassia ressurgente e uma maior aproxima\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica potencial entre a R\u00fassia e a China neste contexto. Uma eventual nova ordem regional, cujo alcance territorial por defini\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5e ao \u00e2mbito geogr\u00e1fico do BRI, ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es complexas, embora ainda imprevistas, para a Estrat\u00e9gia Global da UE.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Refer\u00eancias:<\/i><\/div>\n<p><\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BHAYA, Abhishek G. Chinese-built Mecca Light Railway praised by Hajj pilgrims. <i>CGTN, <\/i>30\/08\/2018. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/news.cgtn.com\/news\/3d3d514f7a55444f79457a6333566d54\/share_p.html\">https:\/\/news.cgtn.com\/news\/3d3d514f7a55444f79457a6333566d54\/share_p.html<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BRADSHER, Keith. M\u00e1quinas e grandes obras: o plano chin\u00eas para reaquecer a economia. <i>Revista Exame,<\/i> 12\/08\/2020. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/exame.com\/mundo\/maquinas-e-grandes-obras-o-plano-chines-para-reaquecer-a-economia\/\">https:\/\/exame.com\/mundo\/maquinas-e-grandes-obras-o-plano-chines-para-reaquecer-a-economia\/<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">China State Council. China\u2019s Military Strategy (full text). Xinhua, 27\/05\/2015. Dispon\u00edvel em; <a href=\"http:\/\/english.www.gov.cn\/archive\/white_paper\/2015\/05\/27\/content_281475115610833.htm\">http:\/\/english.www.gov.cn\/archive\/white_paper\/2015\/05\/27\/content_281475115610833.htm<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CUNHA, Aline Tedeschi da. PARCERIAS ESTRAT\u00c9GICAS DA CHINA, SUA L\u00d3GICA DUAL E SEUS FRAMES : ABORDAGEM INTERATIVA SOBRE O PAPEL INTERNACIONAL CHIN\u00caS \/ Aline Tedeschi da Cunha. &#8212; Mar\u00edlia, 2018 465 p.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">DI\u00c1RIO DO POVO. Confer\u00eancia de Bandung (10). 21\/04\/2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/portuguese.people.com.cn\/n\/2015\/0421\/c311483-8881504-10.html\">http:\/\/portuguese.people.com.cn\/n\/2015\/0421\/c311483-8881504-10.html<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">DIRMOSER, Dietmar. La Gran Marcha china hacia el oeste El megaproyecto de la nueva Ruta de la Seda. Tribuna Global, 2017. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/biblat.unam.mx\/hevila\/Nuevasociedad\/2017\/no270\/3.pdf\">https:\/\/biblat.unam.mx\/hevila\/Nuevasociedad\/2017\/no270\/3.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION (EIA). China\u2019s crude oil imports surpassed 10 million barrels per day in 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.eia.gov\/todayinenergy\/detail.php?id=43216\">https:\/\/www.eia.gov\/todayinenergy\/detail.php?id=43216<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FERNANDES, Carla. A Coopera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica China-\u00c1frica. FCSH: <i>IPRI &#8211; Artigos em revista nacional com arbitragem cient\u00edfica,<\/i> 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/run.unl.pt\/handle\/10362\/108933\">https:\/\/run.unl.pt\/handle\/10362\/108933<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">GON\u00c7ALVES, Williams. Entenda quais s\u00e3o os conflitos que Biden enfrentar\u00e1 na pol\u00edtica dos EUA para o Oriente M\u00e9dio. <i>Di\u00e1logos do Sul,<\/i> 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/mundo\/68739\/entenda-quais-sao-os-conflitos-que-biden-enfrentara-na-politica-dos-eua-para-o-oriente-medio\">https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/mundo\/68739\/entenda-quais-sao-os-conflitos-que-biden-enfrentara-na-politica-dos-eua-para-o-oriente-medio<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">JINPING, Xi. Speech at the 19th National Congress of the Communist Party of China. Xinhua, October 18, 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.xinhuanet.com\/english\/download\/Xi_Jinping\" s_report_at_19th_cpc_national_congress.pdf=\"\">http:\/\/www.xinhuanet.com\/english\/download\/Xi_Jinping&#8217;s_report_at_19th_CPC_National_Congress.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LIM, Linda. The truth about the US-China clash of civilisations? There isn\u2019t one. <i>SCMP,<\/i> 09\/03\/2019. Dispon\u00edvel em:  <a href=\"https:\/\/www.scmp.com\/week-asia\/opinion\/article\/2189244\/truth-about-us-china-clash-civilisations-there-isnt-one\">https:\/\/www.scmp.com\/week-asia\/opinion\/article\/2189244\/truth-about-us-china-clash-civilisations-there-isnt-one<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SILVA, Antonio Henrique Lucena. Teoria das alian\u00e7as e os BRIC (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China): uma an\u00e1lise de sua forma\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica.. In: 3<i>\u00b0 ENCONTRO NACIONAL ABRI 2001,<\/i> 3., 2011, S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MANDELBAUM, Henoch Gabriel. hina enxerga oportunidades no Oriente M\u00e9dio em crise entre Estados Unidos e Ir\u00e3. <i>CEIRI News<\/i>, 20\/01\/2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ceiri.news\/china-enxerga-oportunidades-no-oriente-medio-em-crise-entre-estados-unidos-e-ira\/\">https:\/\/ceiri.news\/china-enxerga-oportunidades-no-oriente-medio-em-crise-entre-estados-unidos-e-ira\/<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MEGERISI, Tarek; JIANMING, Zhao. The Impact and Limitations of China\u2019s Soft Power in MENA. In BELT AND ROAD INITIATIVE: China-Middle East Cooperation in an Age of Geopolitical Turbulence. Doha, Qatar December 16\u201317, 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.brookings.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/China-Proceedings-2_English_Web.pdf\">https:\/\/www.brookings.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/China-Proceedings-2_English_Web.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ENERG\u00c9TICA: O CASO DA CHINA. Monografia submetida ao Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina para a obten\u00e7\u00e3o do T\u00edtulo de Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/174635\">https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/174635<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ministry of Foreign Affairs of the People\u2019s Republic of China. <i>China&#8217;s Arab Policy Paper,<\/i> 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/mfa_eng\/zxxx_662805\/t1331683.shtml\">https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/mfa_eng\/zxxx_662805\/t1331683.shtml<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SCHWIKOWSKI, Martina. O lado racista da presen\u00e7a chinesa em \u00c1frica. <i>DW<\/i>, 19\/11\/2018. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/o-lado-racista-da-presen%C3%A7a-chinesa-em-%C3%A1frica\/a-46363461\">https:\/\/www.dw.com\/pt-002\/o-lado-racista-da-presen%C3%A7a-chinesa-em-%C3%A1frica\/a-46363461<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">YELLINEK, Roie; MANN, Yossi; LEBEL, Udi. Chinese Soft-Power in the Arab world \u2013 China\u2019s Confucius Institutes as a central tool of influence, <i>Comparative Strategy.<\/i> DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/01495933.2020.1826843\">10.1080\/01495933.2020.1826843<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c88e98e2-9e2d-4f39-bb95-bbebb62e9681#_ftnref1\">[1]<\/a> Mesmo as designa\u00e7\u00f5es chinesas &#8220;Grande Oriente M\u00e9dio&#8221; (consistindo nas unidades geogr\u00e1ficas do Oeste da \u00c1sia e Norte da \u00c1frica) e &#8220;Pequeno Oriente M\u00e9dio&#8221; s\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es da terminologia ocidental\/europeia &#8211; o Oriente M\u00e9dio est\u00e1 claramente localizado a oeste da China, como no Arab Policy Paper (2016);<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c88e98e2-9e2d-4f39-bb95-bbebb62e9681#_ftnref2\">[2]<\/a> Em um contraexemplo significativo, a China desenvolveu uma abordagem coesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa Central e Oriental na forma da iniciativa 17 + 1 (C\u00fapula China-PECO). Como aqui n\u00e3o h\u00e1 conflitos entre os pa\u00edses parceiros, \u00e9 mais f\u00e1cil e barato para a China se envolver com esses pa\u00edses como um grupo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Lu\u00eds Filipe de Souza Porto<\/b> \u00e9 mestrando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do ABC (PPGRI\/UFABC). Pesquisador do N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o de Conjuntura da Escola de Guerra Naval (NAC\/EGN\/Marinha do Brasil), respons\u00e1vel pela an\u00e1lise de pol\u00edtica externa e geopol\u00edtica do Leste Asi\u00e1tico\/China; escreve e publica artigos no jornal quinzenal do grupo \u201cBoletim Geocorrente\u201d (PT\/EN). Graduado em Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tamb\u00e9m p\u00f4de pesquisar Energia, Seguran\u00e7a e Meio Ambiente na Am\u00e9rica Latina (LESD\/IRID\/UFRJ).<\/i><\/div>\n<p><\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 8 | N\u00famero 82 | Jun. 2021 Por Lu\u00eds Filipe de Souza<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1864,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,659],"tags":[],"class_list":["post-1593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume8"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1593"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1956,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1593\/revisions\/1956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}