{"id":1612,"date":"2020-06-16T10:33:00","date_gmt":"2020-06-16T13:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1612"},"modified":"2022-05-05T00:30:44","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:44","slug":"a-moeda-como-instrumento-de-violencia-politica-na-america-latina-o-embargo-economico-cubano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1612","title":{"rendered":"A moeda como instrumento de viol\u00eancia pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina: o embargo econ\u00f4mico cubano"},"content":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 72 | Jun. 2020<\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-oRJ03lAYfVQ\/WDSDccwr4yI\/AAAAAAAAAzY\/XfzCUs-wOSAvcn1hwtEVH9fWKNAjblUKgCPcBGAYYCw\/s1600\/board-game-529586_1280.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"928\" data-original-width=\"1280\" height=\"232\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-oRJ03lAYfVQ\/WDSDccwr4yI\/AAAAAAAAAzY\/XfzCUs-wOSAvcn1hwtEVH9fWKNAjblUKgCPcBGAYYCw\/s320\/board-game-529586_1280.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Caio Jorge Prado e<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Ingrid Cagy Marra<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No contexto da Guerra Fria, de conflitos ideol\u00f3gicos e geoestrat\u00e9gicos, a pol\u00edtica externa dos Estados Unidos para a Am\u00e9rica Latina foi a de maior n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o direta, a fim de manter todo o continente sob sua influ\u00eancia, especialmente a \u00e1rea do Grande Caribe. Quando Cuba passa pela revolu\u00e7\u00e3o e se alinha ideologicamente ao bloco socialista, por exemplo, percebeu-se uma escalada de agressividade na pol\u00edtica externa estadunidense, com grande conten\u00e7\u00e3o de recursos que antes eram enviados e aplica\u00e7\u00f5es de restritivas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u00e0 ilha. Por conta de sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica extremamente estrat\u00e9gica para a pol\u00edtica externa estadunidense, Cuba precisou e conseguiu resistir a diversas tentativas de golpes de Estado financiados pelos Estados Unidos, al\u00e9m das j\u00e1 paralisantes san\u00e7\u00f5es e embargos em vigor desde a d\u00e9cada de 1960 que foram expressivos entraves ao processo de desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Essas medidas s\u00e3o especialmente nocivas ao pa\u00eds e trazem diversos malef\u00edcios, atrav\u00e9s das restri\u00e7\u00f5es de acesso ao sistema de pagamento internacional, impedindo que muitos cubanos tenham, por sua vez, acesso a recursos essenciais para a reprodu\u00e7\u00e3o de suas vidas. Atrav\u00e9s da perspectiva da Economia Pol\u00edtica Internacional, compreendendo que o acesso \u00e0 moeda de refer\u00eancia internacional \u00e9 essencial para compras de insumos e para produtos que a ind\u00fastria dom\u00e9stica n\u00e3o consegue produzir, o objetivo deste artigo \u00e9 analisar o estrangulamento de divisas ao governo cubano enquanto ativa pol\u00edtica externa estadunidense e realizar uma reflex\u00e3o sobre as consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais da escassez de divisas internacionais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana no contexto de Guerra Fria<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em termos gerais, \u00e9 historicamente concebido que o in\u00edcio da Guerra Fria se d\u00e1 ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1947; entretanto, as tens\u00f5es entre os blocos socialista e capitalista se d\u00e3o ainda antes, durante a guerra. O que se sucede ap\u00f3s o fim da guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da ideia de um conflito, mesmo que virtual (pois inexistente) e indireto; grande parte dos conflitos se d\u00e1 atrav\u00e9s do campo ideol\u00f3gico e de zonas de influ\u00eancia. No caso da Am\u00e9rica Latina, em um primeiro momento, os pa\u00edses n\u00e3o est\u00e3o alinhados diretamente com nenhum dos eixos; as confer\u00eancias e encontros que ocorrem entre os pa\u00edses do Terceiro Mundo possuem maior foco em combater o neocolonialismo via constrangimento econ\u00f4mico e o armamentismo das grandes pot\u00eancias. Em Cuba, o processo come\u00e7a por uma luta anti-imperialista de Fidel Castro, a partir de 1952, com um golpe de Estado do ditador Fulg\u00eancio Batista, apoiado pelos Estados Unidos; Castro parte para o M\u00e9xico e organiza uma luta de insurrei\u00e7\u00e3o armada. Ao voltar para Cuba, ap\u00f3s algumas tentativas falhas, logra \u00eaxito e dep\u00f5e Batista. Em 1959, \u00e9 nomeado Primeiro Ministro do Governo Revolucion\u00e1rio e, durante os anos da revolu\u00e7\u00e3o, Fidel incentiva o desenvolvimento da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, do esporte, da cultura e principalmente da ci\u00eancia, al\u00e9m de implantar a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o do setor industrial.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O posicionamento de Cuba, t\u00e3o pr\u00f3ximo dos Estados Unidos e geoestrategicamente importante por estar na \u00e1rea do Grande Caribe, \u00e9 extremamente amea\u00e7ador. A \u00e1rea do Grande Caribe, por estar geograficamente pr\u00f3xima, e por incluir tamb\u00e9m a passagem do Panam\u00e1 (que \u00e9 extremamente estrat\u00e9gica para a conex\u00e3o entre os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico), faz com que a \u00e1rea da Am\u00e9rica Central de enorme import\u00e2ncia e foco da pol\u00edtica externa estadunidense. Um dos casos mais emblem\u00e1ticos \u00e9 a chamada Crise dos M\u00edsseis, ocorrido em 1962, cujo estopim se d\u00e1 pelo envio de m\u00edsseis nucleares sovi\u00e9ticos \u00e0 Cuba; rapidamente, os Estados Unidos intervieram, a partir de um bloqueio militar naval. Nesse momento de grande tens\u00e3o, foram realizadas diversas negocia\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) , a fim de evitar que houvesse um conflito nuclear. Como resultado, o ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos John Kennedy e o Primeiro ministro da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica Nikita Krushchev chegam ao acordo de que, em troca da n\u00e3o-invas\u00e3o estadunidense em territ\u00f3rio cubano, os m\u00edsseis sovi\u00e9ticos seriam desmontados e devolvidos \u00e0 URSS. A resist\u00eancia cubana frente \u00e0 maior pot\u00eancia do Sistema Internacional e a inabilidade dos Estados Unidos em efetivar uma mudan\u00e7a de governo ou aplicar um golpe para redirecionar a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds faz com que seja um caso \u00fanico na regi\u00e3o (JOHNSON e SILVA, 2012, p.42). A resposta do bloco capitalista \u00e0 guinada ao bloco socialista \u00e9 devastadora: diversas san\u00e7\u00f5es e embargos econ\u00f4micos foram aplicados e muitos ainda duram at\u00e9 o presente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Embargos, bloqueios e san\u00e7\u00f5es<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em uma perspectiva internacional, \u00e9 essencial a rela\u00e7\u00e3o entre poder pol\u00edtico e moeda, atrav\u00e9s da expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios econ\u00f4micos para entender o processo de transforma\u00e7\u00e3o de uma unidade de conta em moeda de refer\u00eancia internacional. Para Knapp (1905), o sucesso de uma unidade de conta est\u00e1 relacionado aos movimentos de luta interestatal, ou seja, movimentos pol\u00edticos e arbitrados por Estados; dessa forma, sua principal inten\u00e7\u00e3o \u00e9 atrelar a sua validade a uma proclama\u00e7\u00e3o nominal de uma Autoridade Central. As vantagens dos Estados Unidos em definir o d\u00f3lar como unidade de conta de refer\u00eancia internacional s\u00e3o claras: 1. sua capacidade de gasto se torna relativamente ilimitada, no sentido de ser limitada apenas por pol\u00edticas internas do pa\u00eds, atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de moeda e t\u00edtulos de d\u00edvidas p\u00fablicas que ser\u00e3o utilizadas por todos os Estados do Sistema Internacional; 2. todas as institui\u00e7\u00f5es privadas que operarem na unidade de conta de refer\u00eancia ter\u00e3o vantagens operacionais por realizarem transa\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio em que a autoridade central emite a moeda; e 3. a utiliza\u00e7\u00e3o da moeda como instrumento de pol\u00edtica externa. Nesse sentido, \u00e9 de arb\u00edtrio da Autoridade Central estadunidense o n\u00edvel de liquidez da sua moeda no mercado internacional, assim como \u00e9 arb\u00edtrio do pa\u00eds fornecer diretamente ou viabilizar cr\u00e9dito indiretamente via institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, de acordo com crit\u00e9rios pol\u00edticos, de modo a dirimir as restri\u00e7\u00f5es aos balan\u00e7os de pagamentos de pa\u00edses aliados e acirrar as restri\u00e7\u00f5es a pa\u00edses considerados inimigos ou contr\u00e1rios \u00e0 sua agenda internacional. Nesse sentido, h\u00e1 que se apontar  que os EUA fazem uso deste instrumento de maneira sistem\u00e1tica desde o fim da 2\u00aa Guerra Mundial e ainda mais acintosamente desde a mudan\u00e7a do padr\u00e3o do sistema monet\u00e1rio internacional, na d\u00e9cada de 1970, do padr\u00e3o \u201couro-d\u00f3lar\u201d \u2013 lastreado no ouro &#8211; para o padr\u00e3o d\u00f3lar-flex\u00edvel \u2013 sem lastro ex\u00f3geno ao pr\u00f3prio d\u00f3lar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No que tange a situa\u00e7\u00e3o cubana, como retalia\u00e7\u00e3o \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao bloco sovi\u00e9tico, os EUA impuseram uma s\u00e9rie de embargos, san\u00e7\u00f5es e bloqueios a partir de 1960, numa tentativa de sufocar a economia cubana e obrigar o pa\u00eds a entrar na zona de influ\u00eancia capitalista. Ap\u00f3s a medida de nacionaliza\u00e7\u00e3o da companhia telef\u00f4nica cubana e do decreto do Ato da Reforma Agr\u00e1ria, uma das primeiras movimenta\u00e7\u00f5es estadunidenses \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar advindas da ilha, a partir de um decreto do ent\u00e3o presidente Eisenhower; como 73% das exporta\u00e7\u00f5es e 70% das importa\u00e7\u00f5es cubanas eram trocas comerciais com os Estados Unidos, houve um enorme impacto econ\u00f4mico no pa\u00eds. Os contatos com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que haviam come\u00e7ado ainda em 1959 com acordos comerciais (cujo foco principal era a exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar cubano e importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas), se fortalecem ap\u00f3s 1960, com o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas formais (FARIAS, 2018, p.109). Em julho de 1960, Cuba nacionaliza todas as refinarias de petr\u00f3leo, e em outubro expropria e nacionaliza todos os bancos, ind\u00fastrias e refinarias de a\u00e7\u00facar estadunidenses; o embargo econ\u00f4mico teria in\u00edcio no mesmo m\u00eas. Em janeiro de 1961, Estados Unidos e Cuba rompem rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e o epis\u00f3dio conhecido como a Invas\u00e3o das Ba\u00eda dos Porcos ocorreria pouco tempo depois, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Kennedy. A invas\u00e3o foi um plano militar fracassado, uma tentativa ineficaz de derrubar o governo de Castro; desde o s\u00e9culo XIX, a pol\u00edtica externa estadunidense para a Am\u00e9rica Latina em geral, e para o Grande Caribe em particular, possu\u00eda car\u00e1ter intervencionista, inclusive para Cuba: j\u00e1 havia ocorrido uma interven\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em 1917.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O fracasso da invas\u00e3o endureceu ainda mais o discurso anticomunista nos Estados Unidos, fazendo com que o bloqueio econ\u00f4mico se torne ainda maior em 1962, retirando Cuba da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) (FARIAS, 2008, p.120). Durante o governo Keneddy, mesmo com o fracasso da invas\u00e3o, o bloqueio comercial e financeiro foi implementado de maneira brutal; nenhum pa\u00eds poderia realizar exporta\u00e7\u00f5es para Cuba, e boicota tamb\u00e9m a partir desse ano a compra de tabaco, vegetais e frutas, a fim de interromper o fluxo de d\u00f3lares para o pa\u00eds. Em fevereiro de 1959, o Banco Nacional de Cuba depositou por volta de 424 milh\u00f5es de d\u00f3lares em bancos estadunidenses, mas ap\u00f3s o bloqueio, nenhum centavo foi devolvido ao pa\u00eds. Em setembro de 1961, o Congresso americano aprova a Lei de Ajuda Externa (27 Federal Resolution 1085), em que completa o embargo com a proibi\u00e7\u00e3o de qualquer aux\u00edlio \u00e0 ilha, incluindo alimentos e rem\u00e9dios, al\u00e9m de zerar quaisquer cotas de com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar; essa Lei incluiu uma subse\u00e7\u00e3o em que os Estados Unidos s\u00f3 prestariam aux\u00edlio a algum pa\u00eds ap\u00f3s a comprova\u00e7\u00e3o de que ele n\u00e3o estaria sob a influ\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Em 1962, Walt Rostow e Richard Goodwin, funcion\u00e1rios do Departamento de Estado estadunidense, visitam a Europa e fazem press\u00e3o em membros da OTAN para suprimir o com\u00e9rcio n\u00e3o estrat\u00e9gicos dos pa\u00edses da Europa Ocidental e eliminar o com\u00e9rcio estrat\u00e9gico desses pa\u00edses. No mesmo ano, os barcos de pa\u00edses participantes da OTAN foram proibidos de conduzir mercadorias para Cuba (ECHEVERR\u00cdA, 2015, p.3). Em 1963, a Regula\u00e7\u00e3o para o Controle de Ativos Cubanos do Departamento do Tesouro foi decretado, e ocorre ent\u00e3o um congelamento de todos os ativos cubanos nos Estados Unidos, al\u00e9m da proibi\u00e7\u00e3o de todas as transa\u00e7\u00f5es financeiras e comerciais entre os pa\u00edses e Cuba, com exce\u00e7\u00e3o as aprovadas por licen\u00e7a, e a proibi\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, f\u00edsica ou jur\u00eddica, de realizar transa\u00e7\u00f5es em d\u00f3lares com Cuba. Entre 1960 e 2019, diversos dispositivos jur\u00eddicos foram adotados, modificados e reafirmados para sufocar Cuba e seus habitantes, cortar todas as fontes de suprimento externo de alimentos, medicamentos e mat\u00e9rias-primas no geral; em diversos momentos foram realizados ajustes para afrouxar ou intensificar o bloqueio, mas em nenhum momento ele acabou.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A partir da dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de Cuba se deterioram drasticamente; antes um dos \u00fanicos parceiros comerciais do pa\u00eds, de import\u00e2ncia enorme, agora com uma expressiva perda de seu potencial de compra e com a sua economia enfraquecida. Mesmo com a not\u00e1vel perda econ\u00f4mica, os Estados Unidos mant\u00eam o bloqueio, esperando que Cuba se renda \u00e0 nova superpot\u00eancia. Em 1996, a Lei <i>Helms-Burton<\/i> \u00e9 aprovada no Congresso; sua principal medida \u00e9 refor\u00e7ar internacionalmente o bloqueio, ou seja, refor\u00e7ar o car\u00e1ter de ilegalidade (embora, na pr\u00e1tica, os Estados Unidos n\u00e3o tenham jurisdi\u00e7\u00e3o para tal) de investimentos estrangeiros na ilha. Dessa forma, imp\u00f5e que qualquer companhia que realize investimentos ou com\u00e9rcio com Cuba sofrer\u00e1 san\u00e7\u00f5es e repres\u00e1lias estadunidenses<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>. A partir de 2006, come\u00e7a a transi\u00e7\u00e3o de poder entre Fidel e Ra\u00fal Castro, seu irm\u00e3o, por conta de problemas de sa\u00fade; quando a transi\u00e7\u00e3o se completa, em 2008, Barack Obama (presidente estadunidense na \u00e9poca) pede que elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas ocorram na ilha, e, embora tenha afrouxado o bloqueio, o manteve. Ap\u00f3s a chegada de Donald Trump no poder, ocorrem novas tens\u00f5es entre os pa\u00edses, fazendo com que ainda hoje o foco principal da pol\u00edtica externa estadunidense seja de interromper os fluxos de capitais, pessoas e insumos fundamentais para o funcionamento de um pa\u00eds em defesa de uma pauta de seguran\u00e7a geopol\u00edtica e geoestrat\u00e9gica do Grande Caribe.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Consequ\u00eancias e Impactos<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em um per\u00edodo e em um sistema fechado capitalista em que a moeda de refer\u00eancia internacional \u00e9 o d\u00f3lar, qualquer transa\u00e7\u00e3o financeira que Cuba realizasse com outros pa\u00edses (com exce\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em que possu\u00edsse acordos bilaterais pautados em outra unidade de conta) necessariamente seria em d\u00f3lar. Com o bloqueio, Cuba tem acesso bastante restrito a financiamento internacional, de modo que \u00e9 atendida por pa\u00edses que v\u00e3o contra as diretrizes estadunidenses e direcionam financiamento para o pa\u00eds, como foi o caso de pa\u00edses latino-americanos como Brasil e Venezuela durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. H\u00e1 que se apontar, por sua vez, que o financiamento internacional \u00e9 de fundamental necessidade para a aquisi\u00e7\u00e3o de diversos bens e servi\u00e7os essenciais para o funcionamento regular do pa\u00eds, quando a balan\u00e7a comercial do pa\u00eds \u00e9 deficit\u00e1ria, e assim o foi por certos per\u00edodos, o que gera profundos impactos sobre a sustentabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds, assim como deteriora expressivamente a condi\u00e7\u00e3o de vida do seu povo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os impactos no sistema de sa\u00fade cubano s\u00e3o extremamente cru\u00e9is por impedir que pessoas doentes tenham acesso a medicamentos essenciais para manuten\u00e7\u00e3o de suas vidas. Todas as exporta\u00e7\u00f5es de rem\u00e9dios para Cuba precisam de uma licen\u00e7a especial, espec\u00edfica para cada rem\u00e9dio, e possui um tempo h\u00e1bil antes de expirar. Cuba sempre manteve a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade gratuitas e de acesso universal, vide artigo 39 da  Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Cuba. Entretanto, h\u00e1 uma grande falta de suprimentos de materiais escolares e universit\u00e1rios para a manuten\u00e7\u00e3o do alto n\u00edvel educacional do pa\u00eds, que \u00e9 obrigado a satisfazer suas demandas em mercados mais long\u00ednquos. Em mat\u00e9ria de cultura e esportes, por conta do bloqueio, os materiais importados para fomentar o desenvolvimento art\u00edstico do pa\u00eds chegam a ser at\u00e9 40% mais caros<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a>, o que acaba por diminuir os investimentos na \u00e1rea. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds \u00e9 proibido de adquirir os equipamentos necess\u00e1rios das principais federa\u00e7\u00f5es internacionais (a maioria dos equipamentos \u00e9 fabricada nos Estados Unidos); por isso, ao importar de um pa\u00eds terceiro, Cuba paga entre 120% e 130% dos pre\u00e7os que pagaria caso comprasse direto dos EUA.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No setor a\u00e7ucareiro, as perdas s\u00e3o ainda maiores: o a\u00e7\u00facar cubano n\u00e3o pode entrar na bolsa do Caf\u00e9, A\u00e7\u00facar e Cacau de Nova Iorque, al\u00e9m do pa\u00eds n\u00e3o conseguir importar diretamente os produtos qu\u00edmicos e fertilizantes necess\u00e1rios para aumentar a produtividade do a\u00e7\u00facar em Cuba. Entre 2010 e 2011, houve um desabastecimento desses produtos e Cuba deixou de produzir 168.100 toneladas de a\u00e7\u00facar, o equivalente a USD57.700.000. No setor de com\u00e9rcio exterior, os Estados Unidos sempre foram um grande parceiro comercial e de investimento em Cuba; o maior impacto foi sentido nos casos de proibi\u00e7\u00e3o de acesso para compras e proibi\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es ao mercado estadunidense, al\u00e9m da impossibilidade de receber financiamentos para desenvolvimento e investimentos diretos desses mercados. Al\u00e9m disso, o medo de san\u00e7\u00f5es e retalia\u00e7\u00f5es do governo estadunidense desencoraja quaisquer pa\u00edses a realizarem investimentos ou que desenvolvam projetos em conjunto na ilha<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a>. No setor financeiro, como a maior parte dos neg\u00f3cios \u00e9 fechado em d\u00f3lares, Cuba precisa realiza compras da moeda a partir de mercados de outros pa\u00edses, o que acaba sendo extremamente custoso por conta de taxas de c\u00e2mbio desproporcionais; diversos bancos estrangeiros encerraram contas cubanas, especialmente estadunidenses: os valores alocados nessas contas n\u00e3o foram enviados de volta ao pa\u00eds5. Muitos bancos estrangeiros se negam a realizar pagamentos para entidades financeiras cubanas, por medo de retalia\u00e7\u00e3o, o que dificulta ainda mais o acesso ao mercado internacional, al\u00e9m da necessidade constante de manter contas cubanas no exterior operando com saldos m\u00ednimos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De maneira geral, a inser\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds no sistema internacional demanda a necessidade de obten\u00e7\u00e3o de divisas internacionais para pagamentos de suas obriga\u00e7\u00f5es internacionais, realiza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, etc. De maneira geral, todos os pa\u00edses podem sofrer em algum grau com o estrangulamento de divisas, intrinsicamente relacionado a determinadas finalidades pol\u00edticas do imperativo geoestrat\u00e9gico estadunidense. No caso de Cuba, a aplica\u00e7\u00e3o dos embargos e das san\u00e7\u00f5es esteve sempre ligada \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do bloco sovi\u00e9tico no per\u00edodo da Guerra Fria e da manuten\u00e7\u00e3o do regime comunista na ilha, sem ceder \u00e0s diversas tentativas de reorienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica falha por parte dos Estados Unidos e se tornando assim um perene ator desafiador \u00e0 irrevog\u00e1vel hegemonia defendida pelo establishment estadunidense para a \u00e1rea do Grande Caribe.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, faz-se necess\u00e1ria a reflex\u00e3o acerca de como funciona a pr\u00e1tica hegem\u00f4nica \u00e0 luz da problem\u00e1tica da restri\u00e7\u00e3o externa, afinal a escassez de divisas \u00e9 um problema que pode afetar qualquer pa\u00eds, exceto o pa\u00eds emissor da moeda que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pode emitir mais moeda a despeito de menores consequ\u00eancias econ\u00f4micas. Essa margem de manobra permitiu aos Estados Unidos adotarem uma pol\u00edtica externa que levasse em considera\u00e7\u00e3o tal problem\u00e1tica econ\u00f4mica, apoiando-se tamb\u00e9m na sua rede de pa\u00edses aliados e na sua capacidade de coer\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, como proposto na introdu\u00e7\u00e3o deste artigo, pode-se perceber que, tendo em vista o caso cubano e a din\u00e2mica sist\u00eamica de poder, principalmente entre centro e periferia, a problem\u00e1tica da restri\u00e7\u00e3o externa \u00e9 tanto, e em grande medida, um processo pol\u00edtico quanto uma quest\u00e3o econ\u00f4mica de desenvolvimento, uma vez que tal problem\u00e1tica e seus efeitos podem ser suavizados de acordo com a vontade pol\u00edtica hegem\u00f4nica. Tal conclus\u00e3o foge do que comumente \u00e9 auferido a tal problem\u00e1tica, que \u00e9 vista unicamente como uma quest\u00e3o econ\u00f4mica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, indo um pouco al\u00e9m do que este artigo se prop\u00f5e, poder\u00edamos reafirmar uma importante quest\u00e3o e lan\u00e7ar uma outra: Em primeiro lugar, entendendo-se a multidimensionalidade da quest\u00e3o do monop\u00f3lio da emiss\u00e3o da moeda internacional, em que medida projetos paralelos de internacionaliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria amea\u00e7am o dom\u00ednio do d\u00f3lar estadunidense, configurando-se como um movimento alternativo \u00e0 problem\u00e1tica da restri\u00e7\u00e3o externa e uma amea\u00e7a \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de lender at last resort desfrutada pela economia estadunidense atualmente? Em segundo lugar, seria este o momento, diante do relativo fechamento da economia estadunidense, para os chineses lan\u00e7arem uma iniciativa nessa dire\u00e7\u00e3o e dividir mais ativamente esse espa\u00e7o no sistema financeiro internacional?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ARRIGHI, G.<i> O longo s\u00e9culo XX<\/i>. 2. Ed. Londres: Verso, 2010.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BBC. Cronologia da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Bras\u00edlia. <i>BBC Brasil.<\/i> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bbc.in\/3f8pNB3<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/reporterbbc\/story\/2008\/12\/printable\/081231_cuba_cronologiasemflash.shtml\"><\/a>&gt;. Acessado em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BRAUDEL, F. <i>A din\u00e2mica do capitalismo. <\/i>Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1987.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CARR, E. <i>20 anos de crise.<\/i> Bras\u00edlia: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1981.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CARVALHO, F. <i>Bretton Woods aos 60 anos. <\/i>Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2MLiS4I&gt;. Acesso em: 29 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ECHEVERRIA, G. <i>El Bloqueo contra Cuba: un vistazo.<\/i> 2015. [S.I.]. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/3f2xhFy&gt; Acesso em 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ECURED. <i>Bloqueo econ\u00f3mico de Estados Unidos contra Cuba. Cuba<\/i>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/3cQD93g&gt;. Acesso em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FARIAS, D. <i>Contextualizando a invas\u00e3o \u00e0 Ba\u00eda dos Porcos<\/i>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/3f8aOac&gt; Acesso em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">GOM\u00c9Z, S. Estados Unidos permite demandas contra ciertas compa\u00f1\u00edas cubanas bajo el T\u00edtulo III de la Helms-Burton. <i>Cuba Debate.<\/i> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2ATLS7L&gt;. Acesso em: 31 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">HOBSBAWN, E. <i>A Era dos Extremos<\/i>. 2. Ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1997.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">JOHNSON, G; SILVA, M. <i>Cuba e Am\u00e9rica Latina no P\u00f3s Guerra Fria.<\/i> Rio Grande do Norte. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/3hd9vc4&gt;. Acesso em: 29 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LAMRANI, S. O embargo mais longo da hist\u00f3ria. 2015.<i> Le Monde Diplomatique Brasil<\/i>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2ziOLOZ&gt;. Acesso em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">METRI, M. <i>Poder, riqueza e moeda na Europa medieval:<\/i> a preemin\u00eancia naval, mercantil e monet\u00e1ria da Seren\u00edssima Rep\u00fablica de Veneza nos s\u00e9culos XIII e XV. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2014.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MORELLO, John. The Missiles of Havana: the view from Castro\u2019s Cuba. <i>Huellas de Estados Unidos. <\/i>Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/3feUxjN&gt;. Acesso em 10 de junho de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PRADO, Caio. A economia pol\u00edtica internacional da restri\u00e7\u00e3o externa: a din\u00e2mica centro-periferia e os subterf\u00fagios da pr\u00e1tica hegem\u00f4nica. 62f. Trabalho de conclus\u00e3o de curso (Bacharelado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais) \u2013 Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Defesa, Universidade do Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">THE NATIONAL SECUTIRY ARCHIVE. Northwoods. Washington, 1962. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2YbB7Fy&gt;. Acesso em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">U.S. DEPARTMENT OF TREASURY, Office of Public Affaris. Treasury and Commerce Implement Changes to Cuba Sanctions Rules. <i>Washington DC.<\/i> Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2AiHSO5&gt;. Acesso em: 30 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> GOM\u00c9Z, S. Estados Unidos permite demandas contra ciertas compa\u00f1\u00edas cubanas bajo el T\u00edtulo III de la Helms-Burton. Cuba Debate. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/bit.ly\/2ATLS7L&gt;. Acesso em: 31 de junho de 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a> Impacto do bloqueio em Cuba. Cuba, dispon\u00edvel em<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&lt;https:\/\/www.ecured.cu\/Bloqueo_econ%C3%B3mico_de_Estados_Unidos_contra_Cuba#Impacto&gt; Acesso em 01 Jul. 2019<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a> LAMRANI, S. O embargo mais longo da hist\u00f3ria. 2015. Le Monde Diplomatique Brasil. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/diplomatique.org.br\/o-embargo-mais-longo-da-historia\/&gt; Acesso em 30 Jun. 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Caio Jorge Prado<\/b>&nbsp;\u00e9 Mestrando do programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional da UFRJ (PEPI-UFRJ), onde pesquisa processos de desenvolvimento e forma\u00e7\u00e3o estatal \u00e0 luz do caso venezuelano sob uma perspectiva multidimensional e hist\u00f3rico-estrutural. Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela UFRJ (IRID-UFRJ), onde pesquisou o uso do d\u00f3lar como instrumento de pol\u00edtica externa estadunidense.<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Ingrid Cagy Marra<\/b>&nbsp;\u00e9 Graduanda do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRJ (IRID-UFRJ), pesquisa pelo Laborat\u00f3rio Orti Oricellari de Economia Pol\u00edtica Internacional casos em que a moeda \u00e9 utilizada enquanto instrumento de press\u00e3o pol\u00edtica em pa\u00edses n\u00e3o-alinhados \u00e0 hegemonia estadunidense.<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><br \/><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>Como citar:<\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>PRADO, Caio Jorge; MARRA, Ingrid Cagy. A moeda como instrumento de viol\u00eancia pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina: o embargo econ\u00f4mico cubano. <i>Di\u00e1logos Internacionais<\/i>, vol.7, n.72, jun.2020. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2020\/06\/077220-2.html<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"font-family: calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 22px; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: right;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12pt; line-height: 24px;\"><span style=\"vertical-align: super;\"><span style=\"vertical-align: super;\"><br \/><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"font-family: calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 22px; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: right;\"><\/div>\n<div>\n<div>\n<div style=\"font-family: calibri, sans-serif; font-size: 10pt; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;\"><o:p><\/o:p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 72 | Jun. 2020 Por Caio Jorge Prado e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[658],"tags":[],"class_list":["post-1612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume7"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1612"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2283,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612\/revisions\/2283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}