{"id":1613,"date":"2020-06-02T10:15:00","date_gmt":"2020-06-02T13:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1613"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"da-dominacao-ao-pos-independencia-o-florescer-da-africa-para-a-seguranca-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1613","title":{"rendered":"Da domina\u00e7\u00e3o ao p\u00f3s-independ\u00eancia: o florescer da \u00c1frica para a Seguran\u00e7a Internacional"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Volume 7 | N\u00famero 72 | Jun. 2020<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Hudson Moreira dos Santos<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/5\/51\/Flag_of_the_African_Union.svg\/800px-Flag_of_the_African_Union.svg.png\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"590\" data-original-width=\"800\" height=\"236\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/5\/51\/Flag_of_the_African_Union.svg\/800px-Flag_of_the_African_Union.svg.png\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Bandeira da Uni\u00e3o Africana &#8211; Wikipedia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-style: italic;\"><br \/><\/span><\/div>\n<p><i><\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><i>A coloniza\u00e7\u00e3o se esmera em gerar sociedades esvaziadas, culturas espezinhadas, institui\u00e7\u00f5es minadas, terras confiscadas, religi\u00f5es assassinadas, magnific\u00eancias art\u00edsticas aniquiladas e oportunidades suprimidas [&#8230;] para fazer da coloniza\u00e7\u00e3o um neg\u00f3cio economicamente vi\u00e1vel (C\u00c9SAIRE, 1978,  p. 17.).<\/i><\/i><\/div>\n<p><i><\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A \u00c1frica foi (e \u00e9) historicamente produzida como territ\u00f3rio em disputa, seja pelo direito \u00e0 terra e a seus recursos, inclusive o humano, seja pelo campo de manobra pol\u00edtica e econ\u00f4mica que o continente sempre proporcionou \u00e0s na\u00e7\u00f5es ex\u00f3genas. No bojo dessa rivalidade, a inger\u00eancia ocidental n\u00e3o poupou esfor\u00e7os, nem armas, para tomar de assalto a soberania e a dignidade dos povos africanos durante s\u00e9culos, e de forma ainda mais intensa e de car\u00e1ter imperialista ap\u00f3s a Confer\u00eancia de Berlim, com a partilha da \u00c1frica entre as pot\u00eancias internacionais da \u00e9poca.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a colonial na \u00c1frica se baseou no uso cont\u00ednuo do terror como principal mecanismo para a submiss\u00e3o das diversas sociedades africanas, como bem desenvolve o te\u00f3rico pan-africanista Frantz Fanon (FANON, 2005, p.2), o imperialismo adquiriu necessariamente um car\u00e1ter racista e agressivo, que conduziu \u00e0 guerra contra os povos origin\u00e1rios. Em outras palavras, as col\u00f4nias na \u00c1frica se constitu\u00edram verdadeiros estados de exce\u00e7\u00e3o, onde a autoridade imperial detinha o livre arb\u00edtrio para matar indiscriminadamente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Esta utiliza\u00e7\u00e3o do terror se deu de forma acentuada e igualmente implac\u00e1vel, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o dom\u00ednio colonial. O modelo de viol\u00eancia generalizada aplicado para manter o poder das metr\u00f3poles deixou marcas profundas que permearam as esferas sociais, da pol\u00edtica e da economia durante a hist\u00f3ria. Os seus frutos s\u00e3o abordados a seguir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Grilh\u00f5es<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Como esperado, no p\u00f3s-independ\u00eancia, os in\u00fameros conflitos que martirizaram a \u00c1frica foram basicamente produto da coloniza\u00e7\u00e3o: disputas territoriais; golpes de Estado e crises pol\u00edticas; rivalidades \u00e9tnicas e religiosas acentuadas; e disputas por recursos naturais. Para exemplificar, alguns casos: conflito separatista de Biafra, na Nig\u00e9ria em 1967, devido \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o territorial instaurada pelo governo colonial; conflitos fronteiri\u00e7os entre o Chade, o Mali, e o Burkina Faso, de 1974 a 1985; Guerras Civis de Angola e de Mo\u00e7ambique, internacionalmente inseridos no contexto de rivalidade da Guerra Fria; forte segrega\u00e7\u00e3o racial na \u00c1frica do Sul, arquitetada no sistema de <i>Apartheid <\/i>at\u00e9 1994; e por fim, o Genoc\u00eddio de Ruanda em 1994, que teve suas ra\u00edzes na domina\u00e7\u00e3o belga, com a estratifica\u00e7\u00e3o da sociedade (distin\u00e7\u00e3o puramente baseada no racismo europeu) que culminou numa sangrenta luta de classes.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a sa\u00edda f\u00edsica dos imperialistas da \u00c1frica, verificamos a manuten\u00e7\u00e3o de grilh\u00f5es que comprometeram o desenvolvimento africano e cujo legado ainda hoje reverbera, sobretudo tr\u00eas: o grilh\u00e3o pol\u00edtico, respons\u00e1vel pela constante instabilidade e os consecutivos golpes de Estado que acometem os governos; o grilh\u00e3o econ\u00f4mico, respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento no continente; e o terceiro, o grilh\u00e3o do terror, agudizado pelos dois primeiros, que corr\u00f3i o aparato dos Estados africanos os arrendando \u00e0 barb\u00e1rie.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O primeiro, o grilh\u00e3o pol\u00edtico, est\u00e1 relacionado a alguns fatores predominantes: \u00e0 natureza dos processos de independ\u00eancia; ao papel das burguesias locais; e \u00e0 insistente inger\u00eancia externa. O projeto de expropria\u00e7\u00e3o da economia, do tempo, da cultura e das condi\u00e7\u00f5es de vida africanas originou rebeli\u00f5es e resist\u00eancias, que foram fortemente repreendidas (VISENTINI, 2014, p.131).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, assumiram o governo independentista as for\u00e7as rebeldes e militares que combateram o regime colonial, e em alguns casos a incipiente burguesia dos pa\u00edses que participaram das negocia\u00e7\u00f5es, quando houve. Os l\u00edderes das independ\u00eancias, sobretudo os de inspira\u00e7\u00e3o socialista, foram v\u00edtimas de consecutivos golpes desde 1960, apoiados e financiados pelas antigas metr\u00f3poles e pela intelig\u00eancia norte-americana, que buscava mitigar a influ\u00eancia sovi\u00e9tica na \u00c1frica (ROCHA, 2013, p.31). No lugar, instauraram diversos governos autorit\u00e1rios fantoches, que nada mais faziam do que agir como marionetes representando os interesses ex\u00f3genos, e se enriquecer mantendo o poder nas m\u00e3os da elite dominante. Outros governos mantiveram um Estado autorit\u00e1rio e repressivo aos opositores, o que gerou crises e intensos levantes armados que agravaram a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o das instabilidades pol\u00edticas, os percal\u00e7os econ\u00f4micos, o segundo grilh\u00e3o, s\u00e3o respons\u00e1veis em grande medida pela manuten\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento africano. Durante a coloniza\u00e7\u00e3o, instauraram na \u00c1frica a pol\u00edtica de <i>plantation<\/i> (FONSECA, 2015, p.4)<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>, com o cultivo obrigat\u00f3rio de determinadas <i>commodities, <\/i>cujo fim era o envio para as respectivas metr\u00f3poles para a complementa\u00e7\u00e3o da sua economia. Essa pol\u00edtica econ\u00f4mica acabou travando significativamente as economias africanas no p\u00f3s-independ\u00eancia, uma vez que muitos pa\u00edses n\u00e3o conseguiram dinamizar a sua produ\u00e7\u00e3o, fazendo com que a economia ficasse dependente da exporta\u00e7\u00e3o quase que exclusiva de um ou dois produtos, principalmente para a sua antiga metr\u00f3pole. Este cen\u00e1rio econ\u00f4mico, al\u00e9m de preservar parte das rela\u00e7\u00f5es colonialistas, deixou boa parte dos pa\u00edses africanos suscet\u00edveis \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os do mercado internacional e mais fr\u00e1geis frente \u00e0s crises econ\u00f4micas oriundas do centro do capitalismo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Dependentes das exporta\u00e7\u00f5es para a Europa, com a crise do petr\u00f3leo de 1973, grande parcela das <i>commodities<\/i> africanas deixou de entrar nos mercados do Norte, o que reduziu bruscamente a receita dos Estados e tornaram impag\u00e1veis os empr\u00e9stimos acordados com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o Banco Mundial e com pa\u00edses industrializados. Segundo levantamento realizado pelo Banco Mundial, a d\u00edvida externa dos pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana quase que dobrou entre 1980 e 1988, passando de 84 bilh\u00f5es para 165 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, chegando a marca de 223 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 1995, passando de 31% para quase 75% do PIB local (FONSECA, op. cit. p.5).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Somadas as quest\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas temos o agravamento do terceiro grilh\u00e3o, o do terror. Nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, de forma sintom\u00e1tica ao que se vivia no aparelho dos Estados, as guerras civis e a fome se tornaram sin\u00f4nimos do continente africano. As guerras civis em Angola (1975 \u2013 2002), Mo\u00e7ambique (1977 \u2013 1992), Uganda (1982 \u2013 1986), Sud\u00e3o (1985 \u2013 2002), Djibuti (1991 \u2013 1994), Burundi (1993), Ruanda (1990 \u2013 1994) que culmina no genoc\u00eddio de 1994, Serra Leoa (1991 \u2013 2002), Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (1996 \u2013 1997), Rep\u00fablica do Congo (1997 \u2013 1999), Guin\u00e9 Bissau (1998) s\u00e3o exemplos da extens\u00e3o de tal crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. Assim como as crises de fome no chifre da \u00c1frica, principalmente na Eti\u00f3pia e na Som\u00e1lia (FONSECA, op. cit. p.6).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entendemos, assim, que a instaura\u00e7\u00e3o do terror no continente africano pelos pa\u00edses ocidentais se deu de forma ampla, brutal e, de certa maneira, movido por interesses inescrupulosos. Logo, pensar o desenvolvimento sustent\u00e1vel africano apenas se faz poss\u00edvel com a liberta\u00e7\u00e3o dos seus grilh\u00f5es nas tr\u00eas dimens\u00f5es aqui apresentadas. Essa parece ser a estrat\u00e9gia adotada pela Uni\u00e3o Africana num projeto ousado de converg\u00eancia pol\u00edtica. O fortalecimento da \u00c1frica no s\u00e9culo XXI requer vontade e um enorme esfor\u00e7o, tendo em vista que o continente ainda \u00e9 assolado por grandes mazelas. Erguer a \u00c1frica \u00e9 um grande desafio e, por isso, o agrupamento dos pa\u00edses sob um mesmo \u00f3rg\u00e3o pretende trazer resultados positivos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>O olhar para Defesa e Seguran\u00e7a<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p><i>\u201c[&#8230;] Africans should take the lead\u2026 not only because they have a deeper understanding of the specifities and context of conflicts within the continent, but also because they should not stand and watch when violent conflicts erupts while others within the international community respond.\u201d (CARDOSO, 2011, p.21)<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p><i>\u201c[&#8230;] the idea of African solutions to African problems was an imperative originating from the decline in the continent\u2019s strategic importance following the end of the Cold War and the lack of interest that members of the international community showed, to adequately and promptly respond to conflicts in Africa.\u201d (CARDOSO, op. cit., p.21)<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a><\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com o fim da Guerra Fria, contemplamos a reconfigura\u00e7\u00e3o da ordem internacional sob a hegemonia norte-americana e o \u00eaxito da ret\u00f3rica do neoliberalismo e suas institui\u00e7\u00f5es, sobretudo do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Concomitantemente, verificamos o decl\u00ednio do interesse estrat\u00e9gico da \u00c1frica para comunidade internacional, reduzindo significativamente a ajuda financeira e militar para a regi\u00e3o (VISENTINI, op. cit. p. 173). Enquanto assistimos a r\u00e1pida mobiliza\u00e7\u00e3o do ocidente para dar uma resposta ao conflito nos Balc\u00e3s na d\u00e9cada de 1990, com a destina\u00e7\u00e3o de montantes e efetivos militares, mortic\u00ednios e estados de exce\u00e7\u00e3o martirizavam o continente africano sem uma consider\u00e1vel a\u00e7\u00e3o do ocidente para estanc\u00e1-los.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Essa neglig\u00eancia mostrada pelo ocidente somada \u00e0 conjuntura de aprofundamento do neoliberalismo como modelo econ\u00f4mico na \u00c1frica levaram \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, d\u00edvida externa, pobreza e manuten\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento. Desse modo, urgiu a necessidade de se elaborar \u201csolu\u00e7\u00f5es africanas para problemas africanos\u201d, uma vez que o que era proposto pela comunidade internacional estava totalmente aqu\u00e9m das suas realidades e necessidades. Em 2000, no Togo, ocorreu a anu\u00eancia dos chefes de Estado e Governo em criar a Uni\u00e3o Africana, com grande est\u00edmulo do ex-l\u00edder l\u00edbio Muammar al-Gaddafi, que viria ser inaugurada dois anos depois, assumindo o corpo da antecessora Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Africana e sua sede em Adis Abeba. Al\u00e9m do novo nome, a organiza\u00e7\u00e3o internacional foi remodelada \u00e0 conjuntura do s\u00e9culo XXI e adaptada aos anseios do povo africano, como por exemplo, a substitui\u00e7\u00e3o do foco na supera\u00e7\u00e3o do colonialismo pela necessidade do desenvolvimento do continente, visando a sua modernidade e integra\u00e7\u00e3o \u00e0 economia mundial.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito a esse trabalho, notamos que a luta pela paz tomou um papel primordial para os africanos, sendo desenvolvida uma verdadeira arquitetura de Seguran\u00e7a, mostrando como o modelo de pacifica\u00e7\u00e3o proposto para o continente est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 mat\u00e9ria da Defesa. Em 2003, criaram um Conselho de Paz e Seguran\u00e7a (nos moldes do das Na\u00e7\u00f5es Unidas) e estabeleceram o <i>Continental Early Warning System,<\/i> sistema que ligado a unidades e \u00f3rg\u00e3os implantados nos territ\u00f3rios acompanham e monitoram situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o pr\u00e9-conflitual, funcionando em interliga\u00e7\u00e3o com os mecanismos complementares no n\u00edvel sub-regional<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn4\">[4]<\/a>. Este sistema de alerta permite prever e acionar medidas com vista a prevenir os conflitos militares na sua fase ascendente, como a diplomacia preventiva, e tem associado um mecanismo de resposta r\u00e1pida que integra componentes militares, policiais e civis em praticamente todos os Estados africanos. Al\u00e9m disso, outros \u00f3rg\u00e3os como o Comit\u00ea Militar, o Painel de S\u00e1bios, o Fundo Especial para a Paz, o Centro de An\u00e1lise para o Terrorismo e principalmente as <i>African Standby Forces<\/i><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn5\">[5]<\/a>, formam o corpo do projeto de paz e seguran\u00e7a africana no s\u00e9culo XXI.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a Uni\u00e3o Africana vem propondo atender a toda a sua complexa realidade, conseguindo alguns m\u00e9ritos no curto prazo: 1. Congregar todos os pa\u00edses da \u00c1frica em torno das mesmas causas em um \u00fanico \u00f3rg\u00e3o supranacional coeso que n\u00e3o sobrep\u00f5e aos diversos blocos econ\u00f4micos da regi\u00e3o, pelo contr\u00e1rio os complementa; 2. Levar as organiza\u00e7\u00f5es internacionais ex\u00f3genas a encontrar nela o parceiro ideal para desenvolverem as suas pol\u00edticas africanas, como as miss\u00f5es de paz conjuntas com a ONU; e 3. A organiza\u00e7\u00e3o vem mostrando trabalho n\u00e3o apenas no n\u00edvel de apoio ao desenvolvimento e de concerta\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, mas principalmente como mecanismo estabilizador de conflitos na \u00c1frica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A atua\u00e7\u00e3o de um organismo regional possui impactos significativos na legitimidade das miss\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses (WALLENSTEEN, 2004), n\u00e3o diferente ocorre em territ\u00f3rio africano. A proximidade com as causas, sociedades e dores possibilitou a atua\u00e7\u00e3o \u00edmpar da Uni\u00e3o Africana em casos como Som\u00e1lia, Darfur e Rep\u00fablica Centro Africana. Neste \u00faltimo, a miss\u00e3o contou com um esfor\u00e7o de 6.000 militares e agentes de pol\u00edcia em solo, que representou o m\u00ednimo de respeito reconhecido da comunidade internacional \u00e0 lideran\u00e7a da \u00c1frica em lidar com conflitos de grande envergadura, protagonizando a disposi\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana em implementar seu projeto de seguran\u00e7a.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a estrat\u00e9gia de opera\u00e7\u00e3o e a solu\u00e7\u00e3o de paz proposta para territ\u00f3rios em conflito ainda s\u00e3o produtos muito ocidentais, repetidamente desenhados por padr\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, n\u00e3o se atendo \u00e0s especificidades de cada caso. Em outras palavras, a Uni\u00e3o Africana segue muito apegada ao que \u00e9 projetado em Nova York, na contram\u00e3o da m\u00e1xima de \u201csolu\u00e7\u00f5es africanas para problemas africanos\u201d pregada em Adis Abeba. Essa dist\u00e2ncia entre as grandes academias ocidentais de seguran\u00e7a internacional e a realidade dos pa\u00edses subdesenvolvidos j\u00e1 produziu desconfortos durante a atua\u00e7\u00e3o em conflitos na \u00c1frica e, em alguns casos, ainda mais inger\u00eancia externa num continente historicamente assolado pelo poder das grandes pot\u00eancias.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Hoje, urge portanto a necessidade de uma maior capacita\u00e7\u00e3o dos efetivos da Uni\u00e3o Africana para que este \u00f3rg\u00e3o desenvolva <i>enforcement<\/i> suficiente para propor e executar \u201csolu\u00e7\u00f5es africanas\u201d, e n\u00e3o apenas reproduzir padr\u00f5es ex\u00f3genos. Esse redesenho precisa priorizar o protagonismo dos <i>policymaker<\/i>s do continente e uma maior autenticidade da lideran\u00e7a regional em miss\u00f5es internas. A ajuda financeira internacional, assim como o apoio institucional e os aparatos militares podem continuar a ser bem-vindos, por\u00e9m o comando e , de certa forma, a operacionaliza\u00e7\u00e3o precisam ser obra genuinamente africana.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante, neste cen\u00e1rio, vale por fim refletir sobre a import\u00e2ncia de atores emergentes em concatenar uma ordem internacional cada vez mais descentralizada. Ao Brasil, por exemplo, n\u00e3o cabe abster-se dessa discuss\u00e3o, estar com os africanos \u00e9 estar pensando tamb\u00e9m solu\u00e7\u00f5es para os nossos problemas. Os la\u00e7os que ligam as duas costas do Atl\u00e2ntico, como popula\u00e7\u00e3o, l\u00edngua e cultura, favorecem enormemente a inclina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds sul-americano em colaborar com a promo\u00e7\u00e3o da paz e do desenvolvimento sustent\u00e1vel naquele continente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No poema <i>Africa for the Africans<\/i>, o pan-africanista Marcus Garvey declarou que a \u00c1frica se ergueria fosse pela paz ou pela rebeldia. Pela rebeldia sagraram-se as independ\u00eancias &#8211; uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, por\u00e9m n\u00e3o suficiente para os Estados. Ent\u00e3o, que seja a paz estabelecida neste s\u00e9culo a respons\u00e1vel pelo desenvolvimento, seguran\u00e7a e supera\u00e7\u00e3o das mazelas do continente. Uma \u00c1frica forte, pac\u00edfica e pr\u00f3spera precisa ser de interesse de toda a comunidade internacional. O mundo deve isso aos africanos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b><br \/><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CARDOSO, Pedro Escosteguy. <i>Nova arquitetura africana de paz e seguran\u00e7a:<\/i> implica\u00e7\u00f5es para o multilateralismo e para as rela\u00e7\u00f5es do Brasil com a \u00c1frica. Bras\u00edlia: Funda\u00e7\u00e3o Alexandre de Gusm\u00e3o, 2011.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">C\u00c9SAIRE, Aim\u00e9. <i>Discurso sobre o colonialismo<\/i>. 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o; Lisboa: Livraria S\u00e1 da Costa Editora, 1978.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FANON, Frantz.<i> Os condenados da terra<\/i>. Juiz de Fora: UFJF, 2005.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FONSECA, Danilo Ferreira da. A \u00c1frica entre a desesperan\u00e7a neoliberal e o \u201cRenascimento Africano\u201d: d\u00edvida externa, pobreza e desenvolvimento. <i>Em Revista \u00c1frica e Africanidades <\/i>&#8211; Ano 8 \u2013 n. 20 , jul. 2015.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ROCHA, Milton Alberto Sousa. A Guerra Fria no sul de \u00c1frica e respectivas consequ\u00eancias: Angola e \u00c1frica do Sul, 1975-1994. Disserta\u00e7\u00e3o submetida como requisito parcial para obten\u00e7\u00e3o do grau de Mestre em Hist\u00f3ria, Defesa e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.  Setembro 2013. Lisboa: Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Hudson Moreira dos. A atua\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana no conflito da Rep\u00fablica Centro-Africana: a disposi\u00e7\u00e3o da \u00c1frica para a seguran\u00e7a internacional. Artigo submetido como Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso para obten\u00e7\u00e3o do grau de Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, 2018.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">VISENTINI, Paulo Fagundes. <i>Hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos Africanos<\/i>. 3 ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">WALLENSTEEN, Peter. <i>Understanding Conflict Resolution, War, Peace and the Global System<\/i>, New Delhi: SAGE Publication, 2004.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cAs col\u00f4nias de Mo\u00e7ambique e Angola possu\u00edam a obrigatoriedade de produzir algod\u00e3o e arroz para a metr\u00f3pole portuguesa, o que era repassado em grande medida para a Inglaterra, enquanto que a col\u00f4nia de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe produzia o cultivo obrigat\u00f3rio do cacau e Guin\u00e9-Bissau produzia amendoim. Os homens entre 18 e 55 que n\u00e3o participassem desse cultivo obrigat\u00f3rio nas Col\u00f4nias portuguesas podiam ser considerados vadios e punidos com o trabalho for\u00e7ado em obras p\u00fablicas ou privadas. J\u00e1 as Col\u00f4nias belgas possu\u00edam principalmente a obrigatoriedade de produzir caf\u00e9 e algod\u00e3o, como \u00e9 o caso de Ruanda e Burundi. O cultivo obrigat\u00f3rio do algod\u00e3o tamb\u00e9m se fez presente nas col\u00f4nias inglesas e francesas, tendo como principal objetivo alimentar a ind\u00fastria t\u00eaxtil europeia\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre do autor: \u201cAfricanos devem tomar a lideran\u00e7a n\u00e3o apenas porque possuem um conhecimento mais aprofundado das especificidades e contextos dos conflitos do continente, mas tamb\u00e9m porque n\u00e3o deveriam apenas assistir emergirem conflito violentos enquanto outros atores da comunidade internacional respondem\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre do autor: \u201c[&#8230;] a ideia de solu\u00e7\u00f5es africanas para problemas africanos foi um imperativo originado do decl\u00ednio da import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do continente ap\u00f3s o fim da Guerra Fria, e a falta de interesse que os membros da comunidade internacional mostraram em responder aos conflitos na \u00c1frica de forma adequada e pontual\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref4\">[4]<\/a> As organiza\u00e7\u00f5es sub-regionais s\u00e3o comunidades econ\u00f4micas compostas pelo conjunto dos Estados-membros da Uni\u00e3o Africana, sendo respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a e desenvolvimento na sua \u00e1rea de influ\u00eancia. S\u00e3o elas:AEC5, ECOWAS, ECCAS, SADC, EAC, COMESA, IGAD, CEMAC, SACU, UEMOA, UMA, e AGADIR.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref5\">[5]<\/a> As African Standby Forces s\u00e3o formadas por cinco brigadas, associadas \u00e0s cinco sub-regi\u00f5es em que se articula o continente africano e atribu\u00eddas \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sub-regionais que operam nessas regi\u00f5es, constituindo o mecanismo de rea\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da Uni\u00e3o Africana para a preven\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos regionais na \u00c1frica.<\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><br \/><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Hudson Moreira dos Santos<\/b> \u00e9 bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, e se dedica a estudos africanos e latino-americanos voltados \u00e0 Seguran\u00e7a e ao Desenvolvimento. Co-autor do livro Cuba no S\u00e9culo XXI: Dilemas da Revolu\u00e7\u00e3o, pela Editora Elefante. Este trabalho foi orientado pelo professor Ac\u00e1cio Augusto Sebasti\u00e3o J\u00fanior e faz parte de uma pesquisa maior realizada no \u00e2mbito do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso, cuja publica\u00e7\u00e3o foi recomendada devido \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o obtida com m\u00e9rito.<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><br \/><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><br \/><\/i><\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Como citar<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Hudson Moreira. Da domina\u00e7\u00e3o ao p\u00f3s-independ\u00eancia: o florescer da \u00c1frica para a Seguran\u00e7a Internacional. <i>Di\u00e1logos Internacionais<\/i>, vol.7, n.72, jun.2020. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2020\/06\/077220-1.html, Acessado em: 02 jun.2020.<\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: normal; margin: 12pt 0cm 8pt 17pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;times new roman&quot; , serif; font-size: 12pt;\"><o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 72 | Jun. 2020 Por Hudson Moreira dos Santos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[658],"tags":[],"class_list":["post-1613","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume7"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1613"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2284,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1613\/revisions\/2284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}