{"id":1623,"date":"2020-04-08T14:18:00","date_gmt":"2020-04-08T17:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1623"},"modified":"2024-03-27T16:48:44","modified_gmt":"2024-03-27T19:48:44","slug":"capitalismo-um-paciente-no-grupo-de-risco-do-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1623","title":{"rendered":"Capitalismo: um paciente no grupo de risco do coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 70 | Abr. 2020<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Luiz Felipe Brand\u00e3o Os\u00f3rio<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Publicado originalmente no site da r\u00e1dio <a href=\"https:\/\/mundialnewsfm.com.br\/internas\/colunistas\">Mundial News FM<\/a><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<blockquote><p><i>Os homens fazem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria; contudo n\u00e3o a fazem de livre e espont\u00e2nea vontade, pois n\u00e3o s\u00e3o eles quem escolhem as circunst\u00e2ncias sob as quais ela \u00e9 feita, mas estas lhe foram transmitidas assim como se encontram. (MARX, 2011, p. 25).<\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nada melhor (ou pior) do que estrear esta coluna em meio a uma pandemia mundial. O horizonte que se descortina \u00e9 de uma crise sanit\u00e1ria, econ\u00f4mica e social sem precedentes na hist\u00f3ria. O momento do capitalismo em que vivemos corrobora e intensifica os efeitos do elemento, em princ\u00edpio (ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhuma hip\u00f3tese comprovada), aleat\u00f3rio, que escancara a fragilidade do modo de produ\u00e7\u00e3o. A aparente fortaleza da caracter\u00edstica totalizante das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, que impactam em todos os aspectos de nossas vidas, desfaz-se t\u00e3o facilmente quanto um castelo de areia em meio \u00e0 tempestade. A revolu\u00e7\u00e3o, palavra t\u00e3o estigmatizada e distante do cotidiano, uma utopia para muitos, come\u00e7a a dirimir as brumas que a cercam e a ganhar dimens\u00e3o concreta, com a emerg\u00eancia de diversas possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Olha-se para o mundo agora e enxerga-se quase que de um dia para o outro, literalmente, um cen\u00e1rio exatamente oposto. As ruas vazias e a produ\u00e7\u00e3o parcialmente paralisada desde o centro at\u00e9 a periferia do sistema internacional impostas pela quarentena. A sa\u00edda menos custosa imp\u00f5e o isolamento social a um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial, ilustrando como o capitalismo n\u00e3o resiste a um espirro. As burguesias, ainda atordoadas, divergem sobre as estrat\u00e9gias. A maioria n\u00e3o hesita e, imediatamente, tira a fantasia liberal do Estado (e sua decorrente austeridade) para desnudar o seu real car\u00e1ter: o Estado enquanto forma pol\u00edtica do capitalismo<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>. Isso significa dizer, em grosso modo, que o aparato estatal opera para garantir o capital ao capitalista, seja pela concentra\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da for\u00e7a e da repress\u00e3o, seja pela interven\u00e7\u00e3o na economia. Tanto sob o controle de liberais ou de desenvolvimentistas, como muito se costuma qualificar, o Estado interv\u00e9m na economia, afinal, ele \u00e9 um dos sustent\u00e1culos do modo de produ\u00e7\u00e3o (n\u00e3o existe Estado m\u00ednimo ou n\u00e3o interventor).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O que acontece em crises como a atual \u00e9 que h\u00e1 um limite para a explora\u00e7\u00e3o e pauperiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, pr\u00f3ximo de sua sobreviv\u00eancia, e o ente estatal, como garantidor maior da produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mercadorias, n\u00e3o pode deixar que o modo de produ\u00e7\u00e3o seja tragado pelo redemoinho da hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 capitalismo sem a for\u00e7a de trabalho, pois \u00e9 justamente ela a respons\u00e1vel pela gera\u00e7\u00e3o de valor na produ\u00e7\u00e3o (como se pode comprovar pela atual paralisa\u00e7\u00e3o e pelo desespero daqueles que se consideram grandes empres\u00e1rios na defesa pelo retorno aos postos de trabalho). O fim da dualidade, do conflito, da disputa de classes, levaria o modo de produ\u00e7\u00e3o ao seu perecimento. Logo, sem nenhum pudor, as vestes liberais s\u00e3o retiradas para a coloca\u00e7\u00e3o das roupas keynesianas<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a>, ou seja, a economia volta-se para garantir um m\u00ednimo de sobreviv\u00eancia aos trabalhadores e, ao mesmo tempo, estimular a demanda pelos produtos, o consumo das fam\u00edlias. Por isso, uma inje\u00e7\u00e3o brutal de dinheiro \u00e9 necess\u00e1ria, e o discurso da austeridade amarga o seu retorno ao plano da abstra\u00e7\u00e3o, do mundo ideal, seu lugar de origem<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a>. A receita que permitiu ao mundo capitalista a recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e que conseguiu conter o avan\u00e7o dos movimentos socialistas revolucion\u00e1rios na Europa Ocidental, volta ao card\u00e1pio como prato principal.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O que eles n\u00e3o conseguem controlar, todavia, \u00e9 que o coronav\u00edrus abriu a caixa de pandora<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn4\">[4]<\/a>. O isolamento social mostra como o mundo da mercadoria \u00e9 vol\u00favel. O que mais gera inc\u00f4modo no COVID-19 \u00e9 que ele exp\u00f5e a fragilidade visceral do capitalismo: com uma doen\u00e7a sem cura (inicialmente) o poder da mercadoria (poder material) n\u00e3o consegue impedir a morte das classes abastadas, colocando todas as classes sociais na vala comum das mazelas da sociedade capitalista. O desespero que povoa a todos se deve n\u00e3o apenas ao elevado quantitativo de mortes que a doen\u00e7a j\u00e1 gera e ainda poder\u00e1 gerar, mas \u00e0 incapacidade de n\u00e3o poder comprar a cura. De gozar do privil\u00e9gio da desigualdade, livrando da morte quem pode comprar rem\u00e9dio e relegando o destino da mis\u00e9ria a quem n\u00e3o tem a op\u00e7\u00e3o da sa\u00edda pelo poder material<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao lado da impot\u00eancia da mercadoria em meio ao isolamento e ao perigo de morte (de nada adianta elevados super\u00e1vits prim\u00e1rios, pagar d\u00edvidas, comprar coisas e colocar corruptos na cadeia, se n\u00e3o tivermos vida amanh\u00e3), emerge um v\u00e1cuo in\u00e9dito nas possibilidades de luta das esquerdas. N\u00e3o obstante o per\u00edodo vigente ser marcado por refluxos e retrocessos (desde a queda do bloco socialista no Leste Europeu), o capitalismo nunca pareceu t\u00e3o fugaz, trazendo um choque de realidade \u00e0queles que vivem imersas no fetiche da mercadoria. O que contribui para alargar ainda mais a gama de alternativas \u00e9 a eficiente resposta dos pa\u00edses socialistas, como China, Vietn\u00e3 e Cuba, no tocante \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Frequentemente encoberta pelas demandas de privatiza\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses ocidentais, ela \u00e9 um assunto que necessariamente precisa de um tratamento social e solid\u00e1rio, pois n\u00e3o pode ser atomizada no indiv\u00edduo, como o capitalismo involuntariamente imp\u00f5e a todas suas mercadorias. A sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 apenas um prisma dentre outros que demandam uma vis\u00e3o que extrapole a exclusividade do lucro econ\u00f4mico privado, n\u00e3o fortuitamente, os pa\u00edses que conseguem minorar os efeitos da pandemia s\u00e3o aqueles que possuem s\u00f3lidos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade ou os pa\u00edses socialistas. Se a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 democr\u00e1tica, ela n\u00e3o escolhe pa\u00eds, cor, ra\u00e7a, g\u00eanero e etc; sua preven\u00e7\u00e3o, sua repress\u00e3o e seus efeitos s\u00e3o altamente seletivos, estando atravessados por completo pela pol\u00edtica da mercadoria. E a tend\u00eancia \u00e9 que os impactos nos pa\u00edses perif\u00e9ricos (ainda mais desiguais) sejam ainda maiores (a cat\u00e1strofe social aproxima-se para aqueles que adotam pol\u00edticas equivocadas ou omissivas, como o Brasil vem fazendo).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tiradas toda tens\u00e3o e incertezas que envolvem o momento, a tarefa do internacionalista \u00e9 navegar na tormenta utilizando a teoria como b\u00fassola para guiar os caminhos da pr\u00e1tica. O olhar sistem\u00e1tico (multidisciplinar) das rela\u00e7\u00f5es internacionais voltado para o concreto, o real ch\u00e3o do setor externo, ou seja, aquilo que pavimenta e aduba os fen\u00f4menos sociais, o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Se, dentro da imensid\u00e3o de diferen\u00e7as entre as na\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um fio que costura todas as bandeiras em um mesmo pano, em toda a circunfer\u00eancia do globo, \u00e9 o capitalismo. Todos aqueles territ\u00f3rios que se reconhecem e s\u00e3o reconhecidos pelos pares como Estados-na\u00e7\u00e3o t\u00eam, em maior ou menor medida, as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas como predominantes (mas n\u00e3o exclusivas). Por isso, para destrinchar as entranhas dos fen\u00f4menos internacionais, cabe destacar o que lhe \u00e9 estrutural: o capitalismo \u00e9 crise. Isso significa que 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial controla mais da metade da produ\u00e7\u00e3o material; as for\u00e7as produtivas e tecnol\u00f3gicas alcan\u00e7am n\u00edveis in\u00e9ditos atualmente, e a fome continua matando a \u00edndices elevados; milh\u00f5es de pessoas mundo afora dormem na rua, sem moradia, e de barriga vazia, sem alimento; milh\u00f5es morrem ou adoecem pela falta dos bens mais b\u00e1sicos \u00e0 sobreviv\u00eancia. A crise \u00e9 sua normalidade e n\u00e3o sua exce\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Marcado esse pressuposto, podemos avan\u00e7ar para a trajet\u00f3ria do modo de produ\u00e7\u00e3o enquanto dominante no mundo. Sua trajet\u00f3ria de emerg\u00eancia e consolida\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 recente (dentro dos par\u00e2metros da hist\u00f3ria mundial), tendo como marco o final do s\u00e9culo XVII e in\u00edcio do XIX<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn6\">[6]<\/a>. Desde as revolu\u00e7\u00f5es burguesas de ent\u00e3o (como a francesa e a estadunidense) at\u00e9 hoje, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar uma linha do tempo, apontando para tr\u00eas momentos espec\u00edficos de transforma\u00e7\u00e3o do capitalismo, cuja m\u00e9trica \u00e9 a das crises econ\u00f4micas estruturais, acompanhadas pelas grandes guerras decorrentes, carreadas pelo incessante motor da luta de classes: a grande depress\u00e3o de 1873, a de 1929 e a de 2008. Em outras palavras, hoje, em 2020, ainda estamos no olho do furac\u00e3o da \u00faltima crise<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn7\">[7]<\/a>. Sentimos os efeitos dela e n\u00e3o vislumbramos ainda um horizonte de plena recupera\u00e7\u00e3o. Crises estruturais demoram mesmo para colocar o trem de volta aos trilhos, conforme comprovado nas experi\u00eancias anteriores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A novidade da crise de 2008 \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da China como protagonista das rela\u00e7\u00f5es internacionais contempor\u00e2neas e da ascens\u00e3o do eixo asi\u00e1tico, como o Vietn\u00e3. E com proje\u00e7\u00f5es (incertas, question\u00e1veis) para ultrapassar a economia estadunidense e tomar-lhe a hegemonia mundial. Dessa perspectiva, a principal consequ\u00eancia imediata da pandemia, talvez, seja o reposicionamento da China na geopol\u00edtica mundial, elevando as tens\u00f5es com os Estados Unidos, ap\u00f3s uma escalada de eventos desgastantes<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn8\">[8]<\/a>. Desde o an\u00fancio do dom\u00ednio da tecnologia 5G pelos chineses, os dois polos da economia mundial entraram em uma guerra h\u00edbrida, com golpes leves e constantes, como guerra comercial, pris\u00f5es de empres\u00e1rios (notadamente a pendenga com a Huawei), acusa\u00e7\u00f5es de pirataria, movimentos militares, espionagem e os levantes em Hong Kong (patrocinados pelos Estados Unidos). E agora, as trocas de acusa\u00e7\u00f5es de ambas as partes sobre a origem do v\u00edrus (a ponto dos estadunidenses for\u00e7arem uma propaganda para que a express\u00e3o v\u00edrus chin\u00eas se torne difundida) e a omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es (notadamente das autoridades estadunidenses).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As tens\u00f5es e rivalidades da geopol\u00edtica evidenciam uma disputa entre Estados Unidos, pot\u00eancia hegem\u00f4nica mundial, (e seus s\u00f3cios menores europeus e seus aliados autom\u00e1ticos espalhados pelo mundo) e o eixo anti-imperialista (composto por pa\u00edses muito diferentes entre si, mas com um rival poderoso em comum, com maior destaque para R\u00fassia e China), atravessada por uma rela\u00e7\u00e3o de conflito e coopera\u00e7\u00e3o. Os polos n\u00e3o s\u00e3o formalizados por nenhum compromisso formal, sendo ambas as coaliz\u00f5es altamente vol\u00e1teis e mut\u00e1veis. O principal palco dos embates gira em torno do petr\u00f3leo (e de recursos naturais), fator central na estrutura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista. E as regi\u00f5es que abrigam as contendas mais candentes s\u00e3o as das grandes reservas do bem.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A crise sanit\u00e1ria que afeta o mundo vem, portanto, aprofundar os efeitos das crises econ\u00f4mica e social j\u00e1 em curso. O in\u00edcio do ano de 2020 j\u00e1 anunciava os efeitos econ\u00f4micos delet\u00e9rios e diferidos decorrentes ainda dos impactos da bancarrota do neoliberalismo de 2008, com a sobreposi\u00e7\u00e3o e retroalimenta\u00e7\u00e3o de uma crise financeira (cujos ind\u00edcios j\u00e1 vinham sendo anunciados h\u00e1 algum tempo) e de consequ\u00eancias das oscila\u00e7\u00f5es do pre\u00e7o do petr\u00f3leo (com tend\u00eancia de forte queda). Al\u00e9m disso, ao final de fevereiro, quando a pandemia desembarca no Brasil, o hist\u00f3rico nacional apontava para um gradativo desmonte da estrutural estatal erigida ao longo dos anos do nacional-desenvolvimentismo, com per\u00edodos de acelera\u00e7\u00e3o e desacelera\u00e7\u00e3o, e que se encontra atualmente em meio a um programa ultraneoliberal de privatiza\u00e7\u00f5es e austeridade (com cortes brutais em servi\u00e7os essenciais, como o da sa\u00fade, por exemplo), em pleno curso praticamente desde 2016. Os defensores da privatiza\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) agarram-se nele como \u00e2ncora de salva\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A COVID-19 suscita quest\u00f5es ainda desconhecidas. N\u00e3o se consegue por ora mensurar o \u00edndice de letalidade e de contamina\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn9\">[9]<\/a>. E quais os efeitos pr\u00e1ticos que ela gerar\u00e1. O que n\u00e3o se pode negar \u00e9 que ela abriu uma janela de possibilidades e escancarou os horizontes encobertos pela normalidade do capitalismo. N\u00e3o podemos nos apressar em enterrar o neoliberalismo (o keynesianismo de outrora n\u00e3o enterrou, mas deu f\u00f4lego para o retorno do liberalismo). Se a sa\u00edda da crise ser\u00e1 por mais capitalismo ou por sua supera\u00e7\u00e3o, se haver\u00e1 avan\u00e7os ou retrocessos; depender\u00e1 muito do posicionamento da luta de classes<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn10\">[10]<\/a>. A tend\u00eancia \u00e9 que se agrave a ofensiva da burguesia contra a classe trabalhadora, haja um aumento da concentra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um aprofundamento do neoliberalismo. Ainda que, por ora, seja muito desfavor\u00e1vel aos trabalhadores, eles se defrontam como uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, que serve de alento, demonstrando a in\u00e9rcia do poder da mercadoria e a pot\u00eancia do trabalho na produ\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ALTHUSSER, Louis. A corrente subterr\u00e2nea do materialismo do encontro (1982).<i> Cr\u00edtica Marxista<\/i>, S\u00e3o Paulo, Ed. Revan, v.1, n.20, 2005, p. 9-48.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">DARDOT, Pierre e LAVAL Christian. \u201cA prova pol\u00edtica da pandemia\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2020\/03\/26\/dardot-e-laval-a-prova-politica-da pandemia\/?fbclid=IwAR3eL898CmwxRw82nCWTaSPb79TNAfzWuI3TBhLoPZeZ_sFD4Z7CKh9GqQ&gt; Acesso em 27 de mar\u00e7o de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">DAVIS, Mike, et al. <i>Coronav\u00edrus e a luta de classes.<\/i> Terra sem Amos: Brasil, 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ESCOBAR, Pepe. \u201cA China engalfinhada em uma guerra h\u00edbrida com os Estados Unidos\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/a-china-engalfinhada-em-uma-guerra-hibrida-com-os-estados-unidos&gt; Acesso em 26 de mar\u00e7o de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MARCUSE, Hebert. <i>Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o. <\/i>Uma interpreta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do pensamento de Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MARX, Karl. <i>O 18 de Brum\u00e1rio de Luis Bonaparte<\/i>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MASCARO, Alysson. <i>Estado e forma pol\u00edtica<\/i>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MIRANDA, Fl\u00e1vio. \u201cO desastre econ\u00f4mico e o COVID-19: a luta de classes pede passagem\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2020\/03\/25\/o-desastre-economico-e-o-covid-19-a-luta-de-classes-pede-passagem\/. Acesso em 27 de mar\u00e7o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">OSORIO, Luiz Felipe. <i>Imperialismo, Estado e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/i> S\u00e3o Paulo: Editora Ideias &amp; Letras, 2018.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ORGANIZA\u00c7\u00c3O MUNDIAL DA SA\u00daDE (OMS). Folha Informativa COVID-19. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.paho.org\/bra\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6101:covid19&amp;Itemid=875. Acesso em 26 de mar\u00e7o de 2020.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> MASCARO, Alysson. Estado e forma pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2013.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a> A refer\u00eancia \u00e9 ao economista brit\u00e2nico John Maynard Keynes, respons\u00e1vel por idealizar pol\u00edticas econ\u00f4micas de est\u00edmulo \u00e0 demanda agregada e ao consumo como alternativa para as debilidades da crise que impactava o mundo, ap\u00f3s 1929. Aplicado inicialmente nos Estados Unidos, a partir do governo de Franklin Roosevelt, o modelo de bem-estar social (welfare State) ficou conhecido e foi adaptado, com resist\u00eancias e com importantes varia\u00e7\u00f5es a algumas realidades do p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, sobretudo na Europa Ocidental. Esse modelo de interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia ficou conhecido, ent\u00e3o, como keynesiano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a> DARDOT, Pierre e LAVAL Christian. \u201cA prova pol\u00edtica da pandemia\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2020\/03\/26\/dardot-e-laval-a-prova-politica-da pandemia\/?fbclid=IwAR3eL898CmwxRw82nCWTaSPb79TNAfzWuI3TBhLoPZeZ_sFD4Z7CKh9Gq&gt; Acesso em 27 de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref4\">[4]<\/a> ALTHUSSER, Louis. A corrente subterr\u00e2nea do materialismo do encontro (1982). Cr\u00edtica Marxista, S\u00e3o Paulo, Ed. Revan, v.1, n.20, 2005, p. 9-48.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref5\">[5]<\/a> MARCUSE, Hebert. Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o. Uma interpreta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do pensamento de Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref6\">[6]<\/a> OSORIO, Luiz Felipe. Imperialismo, Estado e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. S\u00e3o Paulo: Editora Ideias &amp; Letras, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref7\">[7]<\/a> MIRANDA, Fl\u00e1vio. \u201cO desastre econ\u00f4mico e o COVID-19: a luta de classes pede passagem\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2020\/03\/25\/o-desastre-economico-e-o-covid-19-a-luta-de-classes-pede-passagem\/. Acesso em 27 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref8\">[8]<\/a> ESCOBAR, Pepe. \u201cA China engalfinhada em uma guerra h\u00edbrida com os Estados Unidos\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/a-china-engalfinhada-em-uma-guerra-hibrida-com-os-estados-unidos&gt; Acesso em 26 de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref9\">[9]<\/a> ORGANIZA\u00c7\u00c3O MUNDIAL DA SA\u00daDE (OMS). Folha Informativa COVID-19. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.paho.org\/bra\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6101:covid19&amp;Itemid=875. Acesso em 26 de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/u\/1\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref10\">[10]<\/a> DAVIS, Mike, et al. Coronav\u00edrus e a luta de classes. Terra sem Amos: Brasil, 2020.<\/p>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Luiz Felipe Brand\u00e3o Os\u00f3rio<\/b>\u00a0\u00e9 membro do Conselho Editorial da Revista Di\u00e1logos Internacionais. Professor Adjunto de Direito e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e atual Coordenador da Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Autor do livro Imperialismo, Estado e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, pela Editora Ideias &amp; Letras.<\/i><\/div>\n<blockquote><p><b>Como citar<\/b><\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>OS\u00d3RIO, Luiz Felipe Brand\u00e3o. Capitalismo: um paciente no grupo de risco do coronav\u00edrus. <i>Di\u00e1logos Internacionais,<\/i> vol. 7, n. 70, Abr. 2020. Acessado em: 08 Abr. 2020. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2020\/04\/capitalismo-um-paciente-no-grupo-de.html<\/p><\/blockquote>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 70 | Abr. 2020 Por Luiz Felipe Brand\u00e3o Os\u00f3rio<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[658],"tags":[],"class_list":["post-1623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume7"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1623"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3002,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1623\/revisions\/3002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}