{"id":1627,"date":"2020-03-23T09:00:00","date_gmt":"2020-03-23T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1627"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"o-que-e-o-imperio-do-meio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1627","title":{"rendered":"O que \u00e9 o Imp\u00e9rio do Meio?"},"content":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 69 | Mar. 2020<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Bernardo Salgado Rodrigues<\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/2\/24\/Zhongguo.gif\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"300\" data-original-width=\"500\" height=\"384\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/2\/24\/Zhongguo.gif\" width=\"640\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uma das tarefas mais complexas no estudo das rela\u00e7\u00f5es internacionais \u00e9 compreender a China: uma civiliza\u00e7\u00e3o milenar, com tradi\u00e7\u00f5es visualizadas no cotidiano contempor\u00e2neo, cuja hist\u00f3ria contradiz o conceito ocidental de Estado-na\u00e7\u00e3o convencional, com uma \u00edntima liga\u00e7\u00e3o com o passado antigo e os princ\u00edpios cl\u00e1ssicos de estrat\u00e9gia e arte de governar (KISSINGER, 2011, p.20). Ainda assim, algumas observa\u00e7\u00f5es importantes podem ser realizadas, visando uma discuss\u00e3o ulterior mais profunda.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesta tentativa de concep\u00e7\u00e3o da China, considera-se relevante o conceito milenar de Ti\u00e3nxi\u00e1<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>. Este consiste na representa\u00e7\u00e3o de um sistema que permitiria a garantia da ordem universal como objetivo maior da pol\u00edtica, distinto do est\u00e1gio de caos, conflito, n\u00e3o coopera\u00e7\u00e3o e anarquia do sistema internacional contempor\u00e2neo. Portanto, a pedra angular da pol\u00edtica externa chinesa seria a ideia de uma comunidade de destino compartilhado (MA\u00c7\u00c3ES, 2018, pp.26-27), atravessada pelo respeito \u00e0 no\u00e7\u00e3o de soberania dos demais pa\u00edses, uma vez que a harmonia \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica para a exist\u00eancia e desenvolvimento das coisas (LIMA, 2018, pp.34-35). Em outros termos, este \u00e9 um conceito que forma a vis\u00e3o de mundo de centralidade e grandeza da China vis-\u00e0-vis sua intera\u00e7\u00e3o com o restante do mundo (ECONOMY; LEVI, 2014, p.14), tanto no passado quanto no presente, percebendo-se a si mesma como zhongguo, o \u201cImp\u00e9rio do Meio\u201d (\u4e2d\u56fd).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio do Meio vem sofrendo constantes muta\u00e7\u00f5es e in\u00fameras s\u00e3o as suas terminologias contempor\u00e2neas: desde o &#8220;socialismo com caracter\u00edsticas chinesas\u201d (KISSINGER, 2011, pp.428-429) \u2013 seja pela via interpretativa do &#8220;socialismo de mercado&#8221; ou do &#8220;capitalismo de Estado&#8221;\u2013 ou atrav\u00e9s da &#8220;economia de mercado n\u00e3o capitalista\u201d (ARRIGHI, 2007, pp.331-332), a verdade \u00e9 que o &#8220;capitalismo confucionista\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a> ou  \u201ccapitalismo do Rio Amarelo\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a> permanecem incompreendidos pelo mundo Ocidental. Em outros termos, na busca de um &#8220;mundo harmonioso\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn4\">[4]<\/a> estabelecido a partir de uma \u201cordem paralela\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn5\">[5]<\/a>, a &#8220;ascens\u00e3o pac\u00edfica\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn6\">[6]<\/a> ou \u201cdesenvolvimento pac\u00edfico\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn7\">[7]<\/a> se apresentam como novas configura\u00e7\u00f5es de poder no sistema internacional, em que diversos autores sistematizam sua atua\u00e7\u00e3o a partir de conceitos como &#8220;Consenso de Pequim\u201d <a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn8\">[8]<\/a>ou &#8220;Consenso Asi\u00e1tico\u201d <a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que o sistema internacional nunca mais ser\u00e1 o mesmo ap\u00f3s o ressurgimento chin\u00eas, e compreender tal fato \u00e9 o primeiro passo para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de qualquer Estado. Logo, com a proposi\u00e7\u00e3o chinesa de fus\u00e3o entre o Estado revolucion\u00e1rio de 1949 com o Estado Desenvolvimentista de tipo asi\u00e1tico de 1978, o gigante asi\u00e1tico se prop\u00f5e a integrar ambos os sistemas capitalista e socialista; n\u00e3o seria um ou outro, e sim um e outro, cuja harmonia entre os extremos, o consenso entre os diferentes seria a base do sistema chin\u00eas na atualidade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Enfatizando objetivos coletivos, o laborat\u00f3rio de experimentos sociais faz emergir um &#8220;modelo chin\u00eas&#8221; de socialismo. (NAUGHTON, 2017, p.22) Desta forma, a \u201clei do socialismo de mercado\u201d estaria baseada na planifica\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior, transformando-o em bem p\u00fablico, planificado e de Estado, cujo equil\u00edbrio entre pol\u00edticas p\u00fablicas, setor p\u00fablico empresarial, interesses empresariais privados e grupos internacionais, em \u00faltima inst\u00e2ncia, asseguraria o sucesso do conjunto. Os investimentos globais, o Belt and Road e as novas institui\u00e7\u00f5es multilaterais modificam os termos de engajamento global da China, ensejando uma arquitetura diferente de poder e de gest\u00e3o, um caminho alternativo para o resto do sistema internacional (LEONARD, 2008, pp.132-133), aparentemente mais equilibrado e harm\u00f4nico do que as \u201ceconomias de mercado ocidentais\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em suma, a evid\u00eancia emp\u00edrica \u00e9 que o drag\u00e3o chin\u00eas vem atravessando mudan\u00e7as estruturais que somente podem ser compreendidas num horizonte estrat\u00e9gico de longa dura\u00e7\u00e3o, possibilitando a discuss\u00e3o de tr\u00eas hip\u00f3teses em futuros trabalhos:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">1)    A China \u00e9 uma economia de mercado firmemente subordinado ao planejamento estatal, no que Jabbour e Dantas (2017, p.804) denominam de novas e superiores formas de planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">2)    H\u00e1 uma inadequa\u00e7\u00e3o do termo \u201cpot\u00eancia emergente\u201d (STUENKEL, 2016, pp.31-32), uma vez que haveria, de fato, o ressurgimento do Oriente (FRANK, 1998) no sistema mundial no s\u00e9culo XXI;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">3)    A busca pelo \u201csonho chin\u00eas\u201d (PAUTASSO; UGARETTI, 2017, p.28), de harmonia nos planos interno \u2013 melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o chinesa \u2013 e externo \u2013 via assertividade da proje\u00e7\u00e3o internacional com a multipolariza\u00e7\u00e3o do poder.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ARRIGHI, Giovanni. A<i>dam Smith in Beijing: <\/i>Lineages of the Twenty-First Century. London . New York: Verso, 2007.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ECONOMY, Elizabeth; LEVI, Michael, <i>By all means necessary:<\/i> how China\u2019s resource quest is changing the world. New York: Oxford University Press, 2014.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FRANK, Andre Gunder. ReOrient: Global Economy in the Asian Age. Berkeley \/ Los Angeles \/ London: University of California Press, 1998.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">JABBOUR, Elias; DANTAS, Alexis. The political economy of reforms and the present Chinese transition. <i>Brazilian Journal of Political Economy,<\/i> vol. 37, n\u00ba 4 (149), pp. 789-807, 2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">KISSINGER, Henry<b>. <\/b><i>Sobre a China.<\/i><i> <\/i>Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LEONARD, Mark. <i>What does China think? <\/i>London: Fourth Estate, 2008.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LIMA, Marcos Costa. A nova teoria das rela\u00e7\u00f5es internacionais chinesa e a ascens\u00e3o do pa\u00eds: o conceito de Tianxia. In: VADELL, Javier (Org.). <i>A expans\u00e3o econ\u00f4mica e geopol\u00edtica da China no s\u00e9culo XXI.<\/i> Belo Horizonte: Editora Puc Minas, 2018. Cap. 1. p. 13-42.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MA\u00c7\u00c3ES, Bruno. <i>Belt and Road:<\/i> a chineses world order. London: Hurst, 2018.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">NAUGHTON, Barry. Is China Socialist? <i>Journal Of Economic Perspectives, <\/i>Nashville, v. 31, n. 1, p.3-24, 2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PAUTASSO, Diego; UNGARETTI, Carlos Renato. A Nova Rota da Seda e recria\u00e7\u00e3o do sistema sinoc\u00eantrico. <i>Estudos Internacionais,<\/i> Belo Horizonte, v.4, n.3, pp.25-44, 2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SHAMBAUGH, David. <i>China goes global:<\/i> the partial power.  New York: Oxford University Press, 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">STUENKEL, Oliver. <i>Post-western world: <\/i>how emerging powers are remaking global order. Malden, MA: Polity Press, 2016.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">VADELL, Javier; RAMOS, Leonardo; NEVES, Pedro. As implica\u00e7\u00f5es internacionais do modelo chin\u00eas de desenvolvimento do Sul Global: Consenso Asi\u00e1tico como network power. In: LIMA, Marcos Costa (Org.). <i>Perspectivas Asi\u00e1ticas. <\/i>Rio de Janeiro: Folio Digital, 2016. p. 67-90.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cThe general principle of Tianxia\u2014which literally means All-under-Heaven or World\u2014is that relations between units or actors determine the obligations corresponding to their network ties. Relations are based on mutual benefit\u2014or win-win in common parlance\u2014and once established they should take precedence over individual choices. The Western mode of association, which presumes the autonomy of individual units and consists of clear boundaries between the Self and the Other, is excluded. No entity can think of itself in isolation.\u201d (MA\u00c7\u00c3ES, 2018, pp.27-28)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a>\u201cEncina (2009) afirma, neste sentido, que este tipo de capitalismo \u00e9 ancorado na confian\u00e7a como uma forma de capital social, num quadro de reciprocidade e de interesse m\u00fatuo. Tais elementos estabeleceriam um novo capitalismo com novas bases consensuais, distintas da estrutura hegem\u00f4nica anglo-sax\u00e3. De fato, o discurso chin\u00eas do capitalismo harmonioso emerge concomitantemente \u00e0 estrat\u00e9gia de pol\u00edtica externa econ\u00f4mica &#8216;voltada para fora&#8217;, que fortalece um novo padr\u00e3o, uma network Power comercial e de investimentos din\u00e2mica e complementar, incrustada no sistema capitalista. A conseq\u00fc\u00eancia pol\u00edtica mais not\u00e1vel \u00e9 a (re)emerg\u00eancia de um novo polo no centro deste estrutura, remodelando e refor\u00e7ando a arquitetura da governan\u00e7a institucional global.\u201d  (VADELL; RAMOS; NEVES, 2016, p.82)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a>\u201cFor the \u2018New Left\u2019, the key to the Yellow River Capitalism is a philosophy of perpetual innovation \u2013 developing new kings of companies and social institutions that marry competition and co-operation.\u201d (LEONARD, 2008, p.36)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref4\">[4]<\/a> \u201cIn addition to peaceful development, the other cornerstone of China\u2019s international messaging in recent years is the concept of &#8216;Harmonious World&#8217; (\u548c\u8c10\u4e16\u754c). Put forth most systematically by President Hu at the United Nations in 2006, a harmonious world should have four principal atributes: e\ufb00ective multilateralism with a strong role for the United Nations, development of a collective security mechanism, prosperity for all through mutually beneficial cooperation, and tolerance and enhancement of dialogue among diverse civilizations. Like peaceful rise theory, \u201cHarmonious World\u201d theory posits<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">that China\u2019s rise will not threaten or disrupt the existing global order.\u201d (SHAMBAUGH, 2013, pp.219-220)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref5\">[5]<\/a> \u201cRather than directly confronting existing institutions, rising powers (primarily China) are quietly building a so-called parallel order that will initially complement today\u2019s international institutions. This order is already in the making, including institutions such as the BRICS-led New Development Bank and the Asian Infrastructure Investment Bank (to complement the World Bank), Universal Credit Rating Group (to complement Moody\u2019s and S&amp;P), China Union Pay (to complement MasterCard and Visa), and the BRICS (to complement the G7). These structures do not emerge because China and others have new ideas about how to address global challenges; rather, they create them to project their power, like Western actors have done before them.\u201d (STUENKEL, 2016, p.203)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref6\">[6]<\/a>&#8220;A express\u00e3o &#8216;ascens\u00e3o pac\u00edfica&#8217; ou &#8216;ascens\u00e3o da China&#8217; foi primeiramente utilizada pelo renomado professor Yan Xuetong da Universidade de Tsinghua, em seu controvertido livro que se intitula International Environment of China&#8217;s Rise, publicado pela Tianjing Renmin Chubanshe in 1998, e depois em seu artigo &#8216;The Rise of China in Chineses eyes&#8217;, publicado pelo Journal of Contemporary China (v.10, n.26, p.33-44, 2001). O conceito foi utilizado em termos da hist\u00f3ria chinesa e de seu ambiente internacional, mas tamb\u00e9m em termos de uma perspectiva da pol\u00edtica internacional da China e de suas estrat\u00e9gias estabelecidas por lideran\u00e7as chinesas para o presente e o futuro. A no\u00e7\u00e3o, contudo, de &#8216;ascens\u00e3o chinesa&#8217;, causou debates internos no pa\u00eds ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro em 1998. O governo chin\u00eas de Jiang Zemin rejeitou o conceito e a palavra &#8216;ascens\u00e3o&#8217; (Jueqi) foi proibida de aparecer em documentos oficiais.O conceito de &#8216;ascens\u00e3o pac\u00edfica&#8217; foi posteriormente reintroduzido em 2003 no Boao Forum por Zheng Bijian, chairman do F\u00f3rum de Reforma da China.&#8221; (LIMA, 2018, p.14)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref7\">[7]<\/a> &#8220;Com o t\u00edtulo de \u201cPersistindo em tomar o caminho do desenvolvimento pac\u00edfico\u201d, o artigo de Dai pode ser visto como uma resposta tanto a observadores estrangeiros preocupados com a possibilidade de que a China nutrisse inten\u00e7\u00f5es agressivas quanto \u00e0queles dentro da China \u2014 incluindo, postula-se, alguns dentro da pr\u00f3pria estrutura de lideran\u00e7a \u2014 que argumentavam que a China devia adotar uma postura mais insistente. O desenvolvimento pac\u00edfico, argumenta Dai, n\u00e3o \u00e9 um artif\u00edcio pelo qual a China \u201cesconde seu brilho e ganha tempo\u201d (como desconfiam alguns n\u00e3o chineses), nem tampouco uma ilus\u00e3o ing\u00eanua que abdica as vantagens chinesas (como alguns dentro da China acusam). \u00c9 a pol\u00edtica genu\u00edna e duradoura da China porque serve melhor aos interesses do pa\u00eds e conv\u00e9m \u00e0 situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica internacional.&#8221; (KISSINGER, 2011, p.487)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref8\">[8]<\/a> &#8220;One expression of this reversal has been what Joshua Cooper Ramo has called the Beijing Consensus-the China led emergence of &#8220;a path for other nations around the world&#8221; not simply to develop but also &#8220;to fit into the international order in a way that allows them to be truly independent, to protect their way of life and political choices. &#8221; Ramo points to two features of the new Consensus that are especially appealing to the nations of the global South. One is &#8220;localization&#8221;-the recognition of the importance of tailoring development to local needs, which necessarily differ from one location to another-in sharp contrast to the one-size-fits-all prescriptions of the increasingly discredited Washington Consensus; and the other is &#8221; multilateralism&#8221; -the recognition of the importance of interstate cooperation in constructing a new global order based on economic interdependence but respectful of political and cultural differences-in sharp contrast to the unilateralism of US policies.&#8221; (ARRIGHI, 2007, p.379)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?rinli=1&amp;pli=1&amp;blogID=2974965557809810859#_ftnref9\">[9]<\/a> &#8220;Neste sentido, destacam-se algumas caracter\u00edsticas do CA: 1) as possibilidade de uma maior margem de manobra pol\u00edtica ou autonomia para os pa\u00edses subdesenvolvidos e em desenvolvimento como resultado de condi\u00e7\u00f5es de maior permissibilidade internacional econ\u00f4mica. [&#8230;] 2) A crescente interdepend\u00eancia entre a RPC e os pa\u00edses menos desenvolvidos n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a real para os EUA. [&#8230;] 3) A RPC visa a manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es harmoniosas e a promo\u00e7\u00e3o da estabilidade nas regi\u00f5es menos desenvolvidas, a fim de garantir a seguran\u00e7a dos seus pr\u00f3prios investimentos e rela\u00e7\u00f5es comerciais. [&#8230;] 4) A China \u00e9 uma nova op\u00e7\u00e3o de fonte de financiamento para os pa\u00edses africanos e latino-americanos. [&#8230;] 5) Finalmente, o padr\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o da RPC \u00e9 baseado em uma estrat\u00e9gia bilateral de com\u00e9rcio e investimentos no processo de negocia\u00e7\u00e3o com pa\u00edses menos desenvolvidos.&#8221; (VADELL; RAMOS; NEVES, 2016, pp.77-78)<\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-aGhZX7PJOHg\/Xny8Hzp5O6I\/AAAAAAABAhw\/ISUsfMlcrJI3YZ7-RHNal1nPx1ZMZLH8QCLcBGAsYHQ\/s1600\/Captura%2Bde%2BTela%2B2020-03-26%2Ba%25CC%2580s%2B11.27.53.png\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"544\" data-original-width=\"915\" height=\"190\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-aGhZX7PJOHg\/Xny8Hzp5O6I\/AAAAAAABAhw\/ISUsfMlcrJI3YZ7-RHNal1nPx1ZMZLH8QCLcBGAsYHQ\/s320\/Captura%2Bde%2BTela%2B2020-03-26%2Ba%25CC%2580s%2B11.27.53.png\" width=\"320\" \/><\/a><\/div>\n<p>Como citar:<\/p>\n<p>RODRIGUES, Bernardo Salgado.&nbsp;O que \u00e9 o Imp\u00e9rio do Meio? Di\u00e1logos Internacionnais, vol. 7. n. 69, mar. 2020. Acessado em: 23 mar. 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2020\/03\/o-que-e-o-imperio-do-meio.html\">http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2020\/03\/o-que-e-o-imperio-do-meio.html<\/a><\/p>\n<p><\/div>\n<div style=\"background-color: white; color: #333333; font-family: &quot;Trebuchet MS&quot;, Trebuchet, Verdana, sans-serif; font-size: 13.2px;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 7 | N\u00famero 69 | Mar. 2020 Por Bernardo Salgado Rodrigues Uma<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[658],"tags":[],"class_list":["post-1627","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume7"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1627"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1627\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2294,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1627\/revisions\/2294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}