{"id":1638,"date":"2019-09-02T10:24:00","date_gmt":"2019-09-02T13:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1638"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"resenha-do-texto-as-tres-versoes-do-neo-institucionalismo-de-peter-hall-e-rosemary-taylor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1638","title":{"rendered":"Resenha do texto &#8220;As tr\u00eas vers\u00f5es do Neo-Institucionalismo&#8221; de Peter Hall e Rosemary Taylor"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><b>Volume 6 | N\u00famero 64 | Set. 2019<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>Por Hellora Canedo Raibolt<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1960 aligncenter\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/indisponivel-228x300.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"300\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cedec.org.br\/analise-institucional---ano-2003---no-58\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">HALL, Peter A.; TAYLOR, Rosemary C. R. <i>As Tr\u00eas Vers\u00f5es do Neo-Institucionalismo<\/i>. Lua Nova, n\u00ba58, 2003.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com o objetivo de prover respostas acerca do neo-institucionalismo, visto que tal corrente n\u00e3o oferece uma via de pensamento unificado, Peter Hall e Rosemary Taylor examinaram trabalhos relevantes dentro da tem\u00e1tica entre os anos 1980 e 1990, encontrando diferentes m\u00e9todos de an\u00e1lise que se enquadravam no neo-institucionalismo. O texto foi primeiramente apresentado em 1994 no Congresso da <i>American Political Science Association&nbsp;<\/i>e foi originalmente publicado em 1996, em ingl\u00eas. A vers\u00e3o utilizada para esta resenha foi a publicada em 2003, traduzida para o portugu\u00eas. Peter A. Hall, quando escreveu o presente artigo era Professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica do <i>Center for European Studies da Harvard University<\/i>. Rosemary Taylor era Professora de Sa\u00fade P\u00fablica e Sociologia na <i>Tuffs University&nbsp;<\/i>e tamb\u00e9m era pesquisadora do mesmo Centro na <i>Harvard Universit<\/i>y.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas m\u00e9todos foram elucidados pelos autores, sendo eles: institucionalismo hist\u00f3rico, institucionalismo da escolha racional e institucionalismo sociol\u00f3gico. Os tr\u00eas m\u00e9todos surgem como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas behavioristas que tinham muita for\u00e7a nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 e buscam aclarar o papel das institui\u00e7\u00f5es nos resultados pol\u00edticos e sociais. Uma quest\u00e3o comum a todos os m\u00e9todos \u00e9: como as institui\u00e7\u00f5es afetam o comportamento dos indiv\u00edduos? E, para esta pergunta os neo-institucionalistas oferecem duas respostas, uma na perspectiva calculadora e uma na perspectiva cultural, que dialogam sobre tr\u00eas t\u00f3picos principais: como os atores se comportam, o que fazem as institui\u00e7\u00f5es e por que as institui\u00e7\u00f5es se mant\u00eam. A perspectiva calculadora tende sempre a responder dando destaque ao comportamento humano como instrumento para um c\u00e1lculo estrat\u00e9gico, j\u00e1 a perspectiva cultural percebe que o comportamento humano jamais \u00e9 inteiramente estrat\u00e9gico e \u00e9 limitado \u00e0 vis\u00e3o de mundo daquele pr\u00f3prio indiv\u00edduo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Durante a primeira parte do texto, os autores descrevem o Institucionalismo Hist\u00f3rico, que surgiu como uma rea\u00e7\u00e3o ao estruto-funcionalismo e a an\u00e1lise da vida pol\u00edtica em termos de grupo e buscava, principalmente, analisar as situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nacionais, da distribui\u00e7\u00e3o desigual do poder e dos recursos. A resposta para esta quest\u00e3o foi encontrada no modo como a comunidade pol\u00edtica se organiza, de maneira que determinados interesses s\u00e3o privilegiados em detrimento de outros. Os te\u00f3ricos desta linha consideravam que a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou a economia pol\u00edtica eram os respons\u00e1veis por moldar o comportamento coletivo. Desta forma, definem institui\u00e7\u00f5es como os procedimentos, protocolos, normas e conven\u00e7\u00f5es oficiais e oficiosas caracter\u00edsticos \u00e0 estrutura organizacional da comunidade pol\u00edtica ou economia pol\u00edtica. Os estudiosos do institucionalismo hist\u00f3rico recorrem tanto \u00e0 perspectiva calculadora quando \u00e0 cultural, e s\u00e3o defensores do que chamam de <i>\u201cpath dependent\u201d<\/i>, ou seja, de que h\u00e1 uma causalidade dependente da trajet\u00f3ria percorrida. De maneira geral, podemos dizer que os adeptos desta linha de pensamento buscam posicionar as institui\u00e7\u00f5es em uma cadeia, por\u00e9m, deixando espa\u00e7o para que outros fatores moldem o comportamento, indicando a rela\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es e as ideias e cren\u00e7as.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Em seguida, os autores apresentam o Institucionalismo da Escolha Racional, que surgiu na an\u00e1lise de comportamento do interior do Congresso dos Estados Unidos. Os pesquisadores desta linha acreditavam que a cada vez que a maioria do Congresso fosse mudada, seria dif\u00edcil alcan\u00e7ar estabilidade para uma vota\u00e7\u00e3o de lei, visto que as prefer\u00eancias dos legisladores mudam de acordo com a mudan\u00e7a dos ciclos. Por\u00e9m, isso n\u00e3o se comprovou realidade, visto que as decis\u00f5es apresentavam certa const\u00e2ncia. Com isso, os te\u00f3ricos come\u00e7aram a se indagar sobre tal paradoxo e buscaram uma resposta atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es, visto que as regras de procedimento e comiss\u00f5es do Congresso arquitetam a tomada de decis\u00e3o. Esta corrente apresenta, assim como todas as outras, debates internos, por\u00e9m, estava sempre ligada a quatro prioridades: o emprego de certos pressupostos comportamentais; a defini\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica como uma s\u00e9rie de dilemas de a\u00e7\u00e3o coletiva; o papel da intera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na determina\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas; e por fim, um enfoque na explica\u00e7\u00e3o do surgimento das institui\u00e7\u00f5es. Os autores afirmam que ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para debate quando analisamos o institucionalismo da escolha racional em um quadro maior.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;A terceira e \u00faltima corrente trazida pelos autores \u00e9 o Institucionalismo Sociol\u00f3gico, que se desenvolveu na Sociologia paralelo \u00e0 Ci\u00eancia Pol\u00edtica, dentro do quadro da teoria das organiza\u00e7\u00f5es. Segundo os pesquisadores desta corrente, muitas formas e procedimentos institucionais eram pr\u00e1ticas culturais, compar\u00e1veis a mitos e cerim\u00f4nias, que seriam incorporadas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, mesmo que n\u00e3o fossem sempre as mais eficazes. Desta forma, buscavam sempre explicar porque determinadas organiza\u00e7\u00f5es escolhem determinado conjunto de formas, procedimentos ou s\u00edmbolos institucionais e, de maneira especial, se preocupavam em como se dava esse processo de ades\u00e3o. Existem tr\u00eas caracter\u00edsticas espec\u00edficas do Institucionalismo Sociol\u00f3gico, sendo elas: uma defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 institui\u00e7\u00e3o muito mais globalizada, indo al\u00e9m das regras, normas e procedimentos formais; o modo de encarar as rela\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es e as a\u00e7\u00f5es individuais, dado que acreditam que os indiv\u00edduos s\u00e3o levados a desempenhar papeis espec\u00edficos de acordo com sua socializa\u00e7\u00e3o; e, por sua maneira diferente de lidar com a explica\u00e7\u00e3o do surgimento e da modifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas institucionais, dando \u00eanfase ao que legitima tal processo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Ap\u00f3s a explica\u00e7\u00e3o das tr\u00eas correntes \u201cneo-institucionalistas\u201d, Hall e Taylor apresentam uma se\u00e7\u00e3o comparativa entre as correntes apresentadas anteriormente, afirmando que todas fazem com que a compreens\u00e3o que temos do mundo pol\u00edtico progrida. Os autores comparam a defini\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre institui\u00e7\u00f5es e comportamento que as tr\u00eas correntes apresentam, al\u00e9m de analisar as explica\u00e7\u00f5es dadas para a origem e modifica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. Ao finalizar a compara\u00e7\u00e3o entre as correntes, os autores buscaram apresentar um resumo de tudo que foi apresentado do decorrer do artigo e apresentam argumentos demonstrando que alguns pesquisadores j\u00e1 come\u00e7am a mesclar caracter\u00edsticas das diferentes correntes elucidadas. Por fim, declaram que seu objetivo principal com o trabalho n\u00e3o era fazer uma s\u00edntese das correntes, visto que seria dif\u00edcil resumi-las dadas suas diversas caracter\u00edsticas, mas afirmam que, sua inten\u00e7\u00e3o era demonstrar que as escolas tiveram seus momentos de desenvolvimento e que hoje, \u00e9 poss\u00edvel haver uma troca de conhecimento entre as tr\u00eas correntes, posto que os leitores podem aprender com as tr\u00eas, e cada vertente de pesquisa pode aprender com a outra.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Visto isto, esta resenha buscou apresentar os principais argumentos desenvolvidos pro Hall e Taylor. \u00c9 necess\u00e1rio ressaltar que os autores conseguiram alcan\u00e7ar os objetivos propostos e apresentam uma explica\u00e7\u00e3o acerca do debate \u201cNeo-institucionalista\u201d f\u00e1cil e esclarecedora. Al\u00e9m disso, o texto \u00e9 indicado para leitores que ainda&nbsp;n\u00e3o conheciam a tem\u00e1tica apresentada, visto que os autores buscaram explic\u00e1-la de forma compreens\u00edvel para pesquisadores de todas as \u00e1reas, trazendo um debate contributivo e rico.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"font-style: italic; text-align: justify;\"><i><b>Hellora Canedo Raibolt <\/b>\u00e9&nbsp;Graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Cat\u00f3lica de Petr\u00f3polis (UCP). Mestranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Militares (PPGCM) da Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME). Contato: <a href=\"mailto:scraibolt@hotmail.com\">scraibolt@hotmail.com<\/a><\/i><\/div>\n<div style=\"font-style: italic; text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote><p><b>Como citar:<\/b><\/p><\/blockquote>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>RAIBOLT, Hellora Canedo.&nbsp;Resenha do texto &#8220;As tr\u00eas vers\u00f5es do Neo-Institucionalismo&#8221; de Peter Hall e Rosemary Taylor. <i>Di\u00e1logos Internacionais<\/i>, vol.6, n.64, set.2019. Acessado em [02\/09\/2019]. Dispon\u00edvel em: &nbsp;<a href=\"http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/09\/resenha-do-texto-as-tres-versoes-do-neo.html\">http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/09\/resenha-do-texto-as-tres-versoes-do-neo.html<\/a><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 64 | Set. 2019 Por Hellora Canedo Raibolt &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2332,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[647,657],"tags":[],"class_list":["post-1638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas","category-volume6"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1638"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2324,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1638\/revisions\/2324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}