{"id":1639,"date":"2019-08-16T19:06:00","date_gmt":"2019-08-16T22:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1639"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"nao-sei-se-vou-ou-se-fico-o-destino-do-reino-unido-e-o-brexit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1639","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o sei se vou ou se fico\u201d: o destino do Reino Unido e o Brexit"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><b>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>Por Ana Paula Moreira Rodriguez Leite&nbsp;<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>M\u00f4nica Leite Lessa<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-AoZmxsiKM7k\/XVcnp-MrbUI\/AAAAAAAABZ0\/6OrKV5Sho28dlk8ynR0mcx3_AA2D3beJQCLcBGAs\/s1600\/eu-1473958_1920.png\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1066\" data-original-width=\"1600\" height=\"213\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-AoZmxsiKM7k\/XVcnp-MrbUI\/AAAAAAAABZ0\/6OrKV5Sho28dlk8ynR0mcx3_AA2D3beJQCLcBGAs\/s320\/eu-1473958_1920.png\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Pixabay<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em meados de 2016, um referendo abriu mais um cap\u00edtulo do que aprofundaria a crise pol\u00edtica no Reino Unido. O resultado positivo referendava a sa\u00edda desta regi\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, conhecido como Brexit, e que teve imediata rela\u00e7\u00e3o com a crise econ\u00f4mica e com o sentimento de xenofobia aprofundado pelo aumento exponencial do fluxo de refugiados na maioria de pa\u00edses da UE. Nas linhas que seguir\u00e3o, faremos uma breve an\u00e1lise de conjuntura dos fatores que levaram ao que, \u00e0 \u00e9poca, fora considerado um Cisne Negro nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1970, inicia-se um novo arranjo de car\u00e1ter mais abrangente ampliando-se as rela\u00e7\u00f5es interestais para a constru\u00e7\u00e3o de uma arquitetura global da economia. Redefiniu-se, a partir de ent\u00e3o, o <i>locus<\/i> dos Estados e suas atribui\u00e7\u00f5es, seja na gest\u00e3o dos problemas internos ou internacionais. Na contram\u00e3o do projeto neoliberal que vinha se definindo, a Uni\u00e3o Europeia adotava medidas protecionistas em diversos \u00e2mbitos, por\u00e9m, na esfera financeira se consolidou diversas ag\u00eancias reguladoras compondo o futuro sistema financeiro internacional.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, os Estados que comp\u00f5em a UE empreenderam investimentos maci\u00e7os em infraestrutura, sobretudo, aqueles localizados mais ao sul com o objetivo de reduzir as assimetrias entre os parceiros, objetivo principal de um processo de integra\u00e7\u00e3o regional. A cria\u00e7\u00e3o e o atendimento \u00e0 uma amplitude de mercados confere um proeminente potencial econ\u00f4mico exigindo o fortalecimento institucional e efici\u00eancia na coopera\u00e7\u00e3o entre os atores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A partir do fim de 2007, inicia-se uma crise internacional, originada nos EUA, refletindo em todos os mercados mundiais, sobretudo na UE. Denominada como crise do <i>subprime<\/i>\u201d, refere-se \u00e0 inadimpl\u00eancia das hipotecas no setor imobili\u00e1rio passada a euforia dos cr\u00e9ditos concedidos no setor. (CINTRA &amp; FARHI, 2008. p.35). Como reflexo em outras regi\u00f5es, foi respons\u00e1vel por revelar as fragilidades da Zona do Euro atingindo o Estado de Bem-Estar Social no seu \u00e2mago.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Como resposta institucional, foi acionado um mecanismo denominado Troika, uma equipe formada por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es: Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Banco Central Europeu e Comiss\u00e3o Europeia. O objetivo central era negociar com pa\u00edses que solicitassem resgate financeiro a fim de auxiliar no controle das contas p\u00fablicas devastadas com os efeitos da crise. A contrapartida, no entanto, exigia a aplica\u00e7\u00e3o de medidas de austeridade que, quando aplicadas aos pa\u00edses perif\u00e9ricos, em maior medida, resultou na transfer\u00eancia das responsabilidades \u00e0s popula\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Autores como Madureira (2010), argumentam na perda da soberania na \u00e1rea da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao aceitar medidas externas de reforma e que foram transferidas ao cidad\u00e3o comum a responsabilidade de arcar com os custos do resgate financeiro. O resultado originou a precariedade do trabalho, desemprego, e o acesso mais universal ao Estado de Bem-Estar Social e movimentos de reivindica\u00e7\u00e3o por uma crescente descredibilidade nos governos e nas institui\u00e7\u00f5es nacionais e supranacionais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora a crise tenha afetado em maior propor\u00e7\u00e3o os pa\u00edses perif\u00e9ricos da Uni\u00e3o Europeia, tamb\u00e9m foi sentida por outros pa\u00edses dentro da Comunidade. Dos objetivos da integra\u00e7\u00e3o regional, aquele mais proeminente para um adequado grau de coopera\u00e7\u00e3o seria a redu\u00e7\u00e3o das assimetrias. Diante da crise, este objetivo sofreu um forte impacto, visto que, mesmo em um grau de aprofundamento institucional da integra\u00e7\u00e3o em que a Comunidade chegou ao novo mil\u00eanio, ainda sim havia certa depend\u00eancia dos menos em rela\u00e7\u00e3o aos mais desenvolvidos. Nesse sentido, estes ditaram as regras do jogo econ\u00f4mico arquitetado pela Troika aprofundando o fosso entre os s\u00f3cios, e, por conseguinte, fragilizando o processo de integra\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A partir de 2011, como reflexo da Primavera \u00c1rabe, percebemos um aumento dos movimentos de contesta\u00e7\u00e3o por toda Uni\u00e3o Europeia, em maior medida, nos pa\u00edses mais \u00e0 periferia da Comunidade. Tais movimentos se propagaram contando com a grande divulga\u00e7\u00e3o das m\u00eddias e, a partir delas, puderam se organizar de forma mais ampla entre os v\u00e1rios segmentos da sociedade. Desvelava-se que a crise j\u00e1 havia se deslocado do setor econ\u00f4mico e institucional para uma crise social.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A sociedade percebe a crise a partir do pr\u00f3prio pa\u00eds e sente a inaptid\u00e3o dos decisores em criar estrat\u00e9gias contundentes de gerenciamento e em um segundo momento passa a imputar uma inefic\u00e1cia das institui\u00e7\u00f5es supranacionais. O termo PIGS<a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftn3\">[3]<\/a>\u00e9 conferido aos pa\u00edses perif\u00e9ricos criando-se uma polaridade entre os membros da Comunidade. Para Bauman &amp; Bordoni (2014), a pol\u00edtica da Comunidade \u00e9 ditada pelos mais fortes. Aos mais fracos cabe seguir uma pol\u00edtica local com poderes limitados e de curto prazo, mas sem o alcance na governan\u00e7a da UE. Portanto, no momento em que a UE preparava-se para um maior aprofundamento pol\u00edtico, potencializa-se a resist\u00eancia ao processo de interdepend\u00eancia e integra\u00e7\u00e3o dada a \u201cperda da confian\u00e7a e legitimidade das institui\u00e7\u00f5es pan-europeias\u201d (COSTA &amp; SOUZA-SANTOS, 2012)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Cabe destacar o papel da m\u00eddia no afastamento popular da confian\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es e da classe pol\u00edtica. Essa descren\u00e7a foi recentemente percebida em pesquisas realizadas pelo <i>Eurobar\u00f4metro Standard<\/i><a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftn4\"><i>[<\/i>4]<\/a>, que avaliou entre outras quest\u00f5es, a confian\u00e7a dos eurocidad\u00e3os nas elites nacionais, a confian\u00e7a na UE como um processo de integra\u00e7\u00e3o ben\u00e9fico a partir dos resultados de <i>surveys<\/i> entre os anos de 2006 e 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da crise econ\u00f4mica e dos movimentos de contesta\u00e7\u00e3o, a Europa passou a receber, a partir de 2011, um enorme fluxo de refugiados de pa\u00edses africanos e Oriente M\u00e9dio. Cabe ressaltar que esse movimento de migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e9 uma realidade antiga, por\u00e9m com os conflitos deflagrados na Tun\u00edsia, L\u00edbia e S\u00edria, bem como o aumento da fome na Som\u00e1lia e as persegui\u00e7\u00f5es no Afeganist\u00e3o, potencializaram o fluxo de pessoas que buscavam ref\u00fagio na UE.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tal aumento, evidenciou os problemas enfrentados pelos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia em seus sistemas de asilo e a quest\u00e3o migrat\u00f3ria aprofundou a crise institucional e reverberou com sentimentos negativos na sociedade.No ambiente de polariza\u00e7\u00e3o e da lat\u00eancia dos sentimentos nacionalistas e xen\u00f3fobos por parte dos europeus, partidos com discursos euroceticistas, ganharam credibilidade perante a opini\u00e3o p\u00fablica e espa\u00e7os de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dentro dos parlamentos nacionais e supranacional. O discurso antimigra\u00e7\u00e3o potencializou-se, sobretudo a partir da crise de refugiados em 2011, e constitui um dos fatores para o processo analisado.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Desde o fim da Guerra Fria, houve grande reformula\u00e7\u00e3o no Sistema Internacional com a defini\u00e7\u00e3o de novas amea\u00e7as. A UE a exemplo dos EUA, incluiu a imigra\u00e7\u00e3o irregular no escopo desta defini\u00e7\u00e3o de forma a ser tratada sob uma agenda securit\u00e1ria. A nova perspectiva traria \u00e0 UE a necessidade de reformula\u00e7\u00e3o profunda de suas pol\u00edticas comuns e que foram sistematizadas no Tratado de Amsterd\u00e3, de 1997. A partir de ent\u00e3o, estariam definidos os termos do partilhamento de compet\u00eancias entre o poder supranacional e os Estados em mat\u00e9ria de migra\u00e7\u00f5es, e que, contudo, conferiu a acomoda\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas migrat\u00f3rias internas.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Muito embora houvesse diverg\u00eancias entre os Estados-membros e o poder supranacional, somente a partir de 2011, os discursos foram capazes de potencializar uma profunda crise institucional pelas caracter\u00edsticas da conjuntura e do quantitativo de refugiados que chegaram \u00e0 costa da Uni\u00e3o, via Mar Mediterr\u00e2neo<a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftn5\">[5]<\/a>. A crise fronteiri\u00e7a logo se refletiu em uma crise institucional que levou as esferas supranacionais e intergovernamentais \u00e0 reavalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas diante dos fatos. A reputa\u00e7\u00e3o, legitimidade e o comportamento dos atores institucionais dependem, em grande parte, n\u00e3o s\u00f3 das suas a\u00e7\u00f5es, mas da percep\u00e7\u00e3o que a sociedade que, neste momento, abra\u00e7ou a ideia da securitiza\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o. Por influ\u00eancia midi\u00e1tica, a interpreta\u00e7\u00e3o do processo como uma crise gerada pelos refugiados corroborou para atitudes unilaterais por parte dos Estados, a saber, do fechamento das fronteiras arbitrariamente dentro do espa\u00e7o de livre circula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 de se avaliar, contudo, se a m\u00eddia apenas serviria para popularizar e reafirmar o discurso existente e avaliar a forma como alcan\u00e7ou repercuss\u00e3o social. Ademais, podemos exemplificar como os discursos s\u00e3o capazes de influenciar o processo decis\u00f3rio a favor do desmonte do processo de integra\u00e7\u00e3o, tal qual a consulta popular no Reino Unido denominado Brexit. Este referendou sua sa\u00edda da Uni\u00e3o Europeia que, traduz-se como o reflexo da propaga\u00e7\u00e3o dos discursos anti-imigra\u00e7\u00e3o, anti-integra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m derivados da crise econ\u00f4mica e que podem desencadear outros processos de ruptura a exemplo deste modelo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De acordo com Goodwin et al (2018), em artigo publicado no <i>British Journal of Political Science<\/i>, a disponibilidade de informa\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico na campanha pelo Brexit, foi direcionada de forma a favorecer a sa\u00edda do Reino Unido da UE. Os argumentos para a sa\u00edda foram valorizados, enquanto os argumentos da perman\u00eancia foram subestimados. A partir de dados coletados, os autores puderam denunciar a exist\u00eancia de discursos midi\u00e1ticos que influenciaram sobremaneira o processo de ruptura iniciado na UE a partir do Reino Unido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tais discursos contribuem para o afastamento da UE da ado\u00e7\u00e3o de medidas globais efetivas, voltando-se a resguardar os pr\u00f3prios interesses em um ambiente institucional conflituoso que se equilibra entre os interesses de Estado e os comunit\u00e1rios. O discurso inicial do processo de integra\u00e7\u00e3o regional, que visava a pulveriza\u00e7\u00e3o dos nacionalismos e buscar uma origem como fio condutor da constru\u00e7\u00e3o de uma identidade europeia, vem mostrando suas debilidades desde as discuss\u00f5es sobre uma Constitui\u00e7\u00e3o. Em maior medida, percebemos que a identidade est\u00e1 longe de ser alcan\u00e7ada diante da conjuntura de crise, na qual cada Estado procura advogar sobre interesses pr\u00f3prios.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto, destacamosque os movimentos de contesta\u00e7\u00e3o criaram um ambiente prop\u00edcio para a polariza\u00e7\u00e3o das ideias e a ascens\u00e3o de discursos euroc\u00e9ticos, da extrema-direita, de forma a vulnerabilizar a estabilidade da Comunidade. Ademais, O nacionalismo, o populismo e a xenofobia j\u00e1 eram latentes antes da crise de 2008, por\u00e9m o crescimento dos partidos de extrema-direita pode ser uma hip\u00f3tese que levaria a uma maior propaga\u00e7\u00e3o dos discursos anti-imigra\u00e7\u00e3o e de exclus\u00e3o dos pa\u00edses da Comunidade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A m\u00eddia tamb\u00e9m seria respons\u00e1vel por potencializar os sentimentos de descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es nacionais e supranacionais levando aos grandes movimentos de contesta\u00e7\u00e3o, promovendo discursos que propulsionariam movimentos de maiores magnitudes tais como o recrudescimento das pol\u00edticas migrat\u00f3rias e de movimentos de rupturas \u00e0 exemplo do Brexit;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em ambiente de profunda crise institucional, a almejada constru\u00e7\u00e3o da identidade europeia estaria amea\u00e7ada, visto que ap\u00f3s o plebiscito, ainda n\u00e3o houve qualquer entendimento sobre o processo de separa\u00e7\u00e3o. O Reino Unido, conforme os termos do Artigo 50 do Tratado de Lisboa, teria o prazo de dois anos para a sa\u00edda definitiva, que se esgotou em junho de 2018.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Percebemos que, mesmo no ambiente interno, a quest\u00e3o \u00e9 uma inc\u00f3gnita, embora a ex-Primeira Ministra Theresa May, tenha sido irredut\u00edvel na posi\u00e7\u00e3o de reformular uma nova consulta popular. No ambiente da UE, h\u00e1 v\u00e1rias frentes de negocia\u00e7\u00f5es para a ruptura e a transi\u00e7\u00e3o das futuras rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Diante de v\u00e1rias tentativas de acordos fracassadas para o Brexit, ap\u00f3s tr\u00eas anos Theresa May renunciou ao cargo diminuindo as possibilidades de uma ruptura mais branda ou mesmo da convoca\u00e7\u00e3o de um novo plebiscito. A vit\u00f3ria de Boris Johnson significa uma posi\u00e7\u00e3o oposta aos seus antecessores do Partido Conservador. Cameron e May, embora fossem contr\u00e1rios ao Brexit, pretendiam levar a cabo o processo de desligamento de forma branda, enquanto que Johnson sempre esteve a favor do div\u00f3rcio desde o tempo da campanha do referendo. Ademais, j\u00e1 deixou claro que concluir\u00e1 o Brexit \u201csim ou sim\u201d e que poder\u00e1 faz\u00ea-lo mesmo sem achegada de um acordo com Bruxelas. Basta saber o que est\u00e1 a ser desenhado entre as elites do Reino Unido para a efetiva\u00e7\u00e3o da \u201cvontade popular\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BAUMAN, Z. BORDONI, C. <i>O Estado de crise<\/i>. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CINTRA, M.A. M. FARHI, M. A crise financeira e o global shadow banking system. <i>Novos estud. &#8211; CEBRAP<\/i>  no.82 S\u00e3o Paulo Nov. 2008.Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-33002008000300002\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-33002008000300002<\/a>. Acesso em: 15\/05\/2016.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">COSTA, A.D; SANTOS-SOUZA, E.R. de. A crise europeia e os perigos da moeda \u00fanica: li\u00e7\u00f5es para as pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o. In: XVII <i>Encontro Nacional de Economia Pol\u00edtica Desenvolvimento e Meio Ambiente: a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/i>, 2012, Rio de Janeiro. XVII Encontro Nacional de Economia Pol\u00edtica Desenvolvimento e Meio Ambiente: a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, 2012.Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.eco.unicamp.br\/docprod\/downarq.php?id=549&amp;tp=a\">www.eco.unicamp.br\/docprod\/downarq.php?id=549&amp;tp=a<\/a>.Acesso em 02\/05\/2016.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">GOODWIN, M., HIX, S., &amp; PICKUP, M. For and Against Brexit: A Survey Experiment of the Impact of Campaign Effects on Public Attitudes toward EU Membership. B<i>ritish Journal of Political Science<\/i>, fevereiro 2018 p.1-15. doi:10.1017\/S0007123417000667. Acesso em 15\/06\/2018.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">KERSTENETZKY, Celia Lessa. <i>O Estado do Bem Estar Social na Era da Raz\u00e3o<\/i>. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2012.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MADUREIRA, C\u00e9sar. A reforma da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Central no Portugal democr\u00e1tico: do per\u00edodo p\u00f3s-revolucion\u00e1rio \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da Troika.<i>Rev. Adm. P\u00fablica <\/i>\u2014 Rio de Janeiro 49(3):547-562, maio\/jun. 2015. Dispon\u00edvel em: http:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/rap\/article\/view\/49083\/47820 Acesso em 10\/03\/2017.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftnref3\">[3]<\/a>&#8211; Trata-se da denomina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses perif\u00e9ricos da Uni\u00e3o Europeia (Portugal, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia e Espanha), cujo termo causou estranhamento devido ao seu car\u00e1ter pejorativo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftnref4\">[4]<\/a>&#8211; O Eurobar\u00f4metro \u00e9 um organismo da Comiss\u00e3o Europeia que estuda periodicamente dados sobre a opini\u00e3o p\u00fablica nos Estados-membros sobre as atividades das institui\u00e7\u00f5es. \u2013Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/ec.europa.eu\/public_opinion\/index_en.htm\">http:\/\/ec.europa.eu\/public_opinion\/index_en.htm<\/a>. Acesso em 21\/04\/17.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/c833ee57-7996-4f2f-a58c-cf2651c18d9b#_ftnref5\">[5]<\/a>&#8211; A Primavera \u00c1rabe causou rupturas em alguns pa\u00edses do Norte da \u00c1frica, principalmente Tun\u00edsia, L\u00edbia e S\u00edria. Em alguns casos, os movimentos de contesta\u00e7\u00e3o deram espa\u00e7o para eclos\u00e3o de guerras civis e seu consequente deslocamento de pessoas que fugiam das zonas de conflitos. Grande parte dos deslocados buscou ref\u00fagio nas fronteiras mais pr\u00f3ximas da UE.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div><i><b>Ana Paula Moreira Rodriguez Leite<\/b> \u00e9 P\u00f3s-Doutoranda pelo Instituto COPPEAD\/UFRJ. Professora Colaboradora do Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos (INEST\/UFF)Pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Simula\u00e7\u00f5es e Cen\u00e1rios da Escola de Guerra Naval. Contato: a.paulamrl@gmail.com.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i><b>M\u00f4nica Leite Lessa<\/b>&nbsp;\u00e9 Professora Associada do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade do Rio de Janeiro (PPGRI-UERJ). Contato: monicaleitelessa@gmail.com&nbsp;<\/i><br \/><i><br \/><\/i><i><br \/><\/i><i><br \/><\/i><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: start;\"><p><b>Como citar:<\/b><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>LEITE, Ana Paula Moreira Rodriguez; LESSA, M\u00f4nica Leite. &#8220;N\u00e3o sei se vou ou se fico&#8221;: o destino do Reino Unido e o Brexit.&nbsp;<i>Di\u00e1logos Internacionais<\/i>, vol.6, n.63, ago.2016. Acesso em [16 de ago.2019]. Dispon\u00edvel &nbsp;em: <a href=\"http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/08\/nao-sei-se-vou-ou-se-fico-o-destino-do.html\">http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/08\/nao-sei-se-vou-ou-se-fico-o-destino-do.html<\/a><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019 Por Ana Paula Moreira Rodriguez<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[657],"tags":[],"class_list":["post-1639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume6"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2260,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1639\/revisions\/2260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}