{"id":1640,"date":"2019-08-12T09:49:00","date_gmt":"2019-08-12T12:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1640"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"desdolarizacao-e-geopolitica-cenarios-geoeconomicos-do-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1640","title":{"rendered":"Desdolariza\u00e7\u00e3o e Geopol\u00edtica: cen\u00e1rios geoecon\u00f4micos do s\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p><b>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>Por Roberto Rodolfo Georg Uebel&nbsp;<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>e Gl\u00f3ria Maria Sandi<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-AQkVsTQD338\/XVFfXkigNxI\/AAAAAAAABZg\/4ZZ3M8SwuWU4hxlYRhTv9IBElM5G9R0qQCLcBGAs\/s1600\/mammon-3768934_1280.png\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"785\" data-original-width=\"1280\" height=\"245\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-AQkVsTQD338\/XVFfXkigNxI\/AAAAAAAABZg\/4ZZ3M8SwuWU4hxlYRhTv9IBElM5G9R0qQCLcBGAs\/s400\/mammon-3768934_1280.png\" width=\"400\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Pixabay<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A economia global sofreu muitas transforma\u00e7\u00f5es ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas. O d\u00f3lar n\u00e3o representa mais o que era antes. O padr\u00e3o de refer\u00eancia da moeda norte-americana passou a ser contestado a cada novo ciclo de crises, incluindo novas pot\u00eancias emergentes neste processo, como Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China. Qualquer semelhan\u00e7a com a contra-hegemonia dos BRICS n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia, entretanto, os impactos s\u00e3o globais: na OPEP, no Oriente M\u00e9dio e na Venezuela, para citarmos os casos mais recentes. O nome deste processo: desdolariza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os benef\u00edcios inerentes a um pa\u00eds cuja moeda \u00e9 aquela considerada a reserva internacional sobrepujam o antigo padr\u00e3o-ouro, substitu\u00eddo pelo d\u00f3lar norte-americano em Bretton Woods, que est\u00e1 pr\u00f3ximo do seu anivers\u00e1rio de 80 anos. Se a comemora\u00e7\u00e3o for em Washington e em Londres, o after-party ser\u00e1 em Bejing. A desdolariza\u00e7\u00e3o segue a nova rota da seda global e lan\u00e7a a moeda chinesa, o RMB, como institui\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria paralela \u00e0quelas tradicionais como o FMI, Banco Mundial e Banco Central Europeu.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Elementos como a desconfian\u00e7a ap\u00f3s as crises de 2008 e 2012, a substitui\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar pela r\u00fapia indiana pelos parceiros da \u00cdndia, pelo real pelos parceiros do Brasil e pelo rublo, pelas na\u00e7\u00f5es sat\u00e9lites \u00e0 R\u00fassia, bem como a ascens\u00e3o da tecnologia, que facilitou a transa\u00e7\u00e3o em diferentes moedas, impulsionaram a contesta\u00e7\u00e3o da moeda norte-americana e a sua hegemonia global. Todavia, o d\u00f3lar n\u00e3o vai desaparecer.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para entender o processo de desdolariza\u00e7\u00e3o atual, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio compreender como essa moeda se tornou a principal reserva mundial. Em julho de 1944, a economia global estava destro\u00e7ada. Em um contexto de guerra, delegados de 44 pa\u00edses encontraram-se na cidade de Breton Woods, Estados Unidos, para remodelar o capitalismo global. Sendo que o ouro n\u00e3o alcan\u00e7ava mais a liquidez demandada pelas na\u00e7\u00f5es, instituiu-se o padr\u00e3o d\u00f3lar-ouro, sob o qual 35 d\u00f3lares equivaleriam a uma on\u00e7a de ouro. As moedas dos pa\u00edses signat\u00e1rios foram atreladas ao d\u00f3lar a c\u00e2mbio fixo, com 1% de varia\u00e7\u00e3o permitido. Bancos Centrais compravam e vendiam d\u00f3lares para manterem-se dentro da banda de flutua\u00e7\u00e3o exigida, e os EUA estavam livres para inflacionar.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os d\u00f3lares criados pelos Estados Unidos terminavam nas reservas de outros pa\u00edses, os quais, ent\u00e3o, tinham a possibilidade de inflacionar suas moedas em cima desses novos d\u00f3lares. Foi assim que o d\u00f3lar se tornou a moeda de reserva internacional. Por\u00e9m, logo os pa\u00edses come\u00e7aram a demandar a troca dos d\u00f3lares pelo ouro. Assim, tendo criado muito mais d\u00f3lares do que detinha de ouro em suas reservas, os Estados Unidos, sob o governo Nixon, optaram por unilateralmente quebrar o acordo de Bretton Woods em agosto de 1971, instituindo o d\u00f3lar flutuante que temos hoje e liberando qualquer pa\u00eds para inflacionar a sua moeda como bem entender.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ser o pa\u00eds detentor da principal moeda de reserva internacional trouxe grande poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico e geopol\u00edtico aos EUA. Os benef\u00edcios s\u00e3o v\u00e1rios, incluindo: 1) o governo pode recorrer ao Federal Reserve para que esse imprima dinheiro e compre t\u00edtulos da d\u00edvida dos EUA ou pague pelos t\u00edtulos norte-americanos em posse de bancos centrais estrangeiros; 2) os EUA podem importar petr\u00f3leo com d\u00f3lares criados, sendo que a OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Produtores de Petr\u00f3leo) apenas vende petr\u00f3leo em d\u00f3lares; 3) h\u00e1 um enorme mercado para os t\u00edtulos da d\u00edvida do Tesouro dos EUA, o que fomenta a dolariza\u00e7\u00e3o e alimenta o d\u00e9ficit comercial norte-americano; 4) os mercados futuros de commoditiesem todo o mundo s\u00e3o praticados em d\u00f3lar, sendo mais custoso transacionar em outras moedas. Ou seja, o Banco Central dos Estados Unidos possui uma liberdade sem precedentes para conduzir a sua pol\u00edtica fiscal e monet\u00e1ria, e porque n\u00e3o, geoecon\u00f4mica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Hoje, a manuten\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar como principal moeda de reserva internacional \u00e9 essencial \u00e0 hegemonia dos Estados Unidos. Isso porque o pa\u00eds j\u00e1 inflacionou e ampliou tanto a sua base monet\u00e1ria que precisa que os dep\u00f3sitos em d\u00f3lar se mantenham nas reservas dos demais pa\u00edses. \u201cOs EUA administram um d\u00e9ficit enorme em conta corrente que, em boa medida, se deve ao fato de que o resto do mundo \u00e9 que o financia\u201d, explica Robert Anthony Mundell, vencedor do Nobel de Economia de 1999. Se esse dinheiro todo voltasse aos Estados Unidos, a economia do pa\u00eds entraria em estagfla\u00e7\u00e3o, o que geraria uma crise mundial sem precedentes. Para acrescentar, h\u00e1 quem diga que \u00e9 a irresponsabilidade e inconsequ\u00eancia da pol\u00edtica fiscal dos Estados Unidos o que vem gerando as crises do capitalismo que acompanhamos desde 1980, al\u00e9m daqueles que advogam que o poder dos Bancos Centrais em quem determina os verdadeiros rumos geopol\u00edticos do mundo contempor\u00e2neo, como Nomi Prins (2018) traz em seu \u00faltimo livro \u201cCollusion\u201d. Maior consenso ainda existe entre representantes de pa\u00edses e pesquisadores da \u00e1rea sobre a desconfian\u00e7a p\u00f3s-crise de 2008, onde foram criados 4,5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar a economia norte-americana conforme Prins (2018). Nenhum pa\u00eds do mundo possui poder para fazer algo dessa magnitude e ficar imune \u00e0s consequ\u00eancias, sobretudo, crises.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para que um pa\u00eds internacionalize a sua moeda, \u00e9 necess\u00e1rio o cumprimento de certos requisitos: a moeda precisa transmitir confian\u00e7a aos demais pa\u00edses, gerar liquidez ao mercado internacional e ser amplamente aceita e utilizada pelas redes internacionais, comerciais e financeiras. \u00c9 justamente pela falta de confian\u00e7a no d\u00f3lar que o mundo est\u00e1 em busca de alternativas. Entre elas, encontram-se o euro europeu, o RMB chin\u00eas e, inclusive, uma alternativa de moeda internacional. O processo de abandono do d\u00f3lar, que vem tomando for\u00e7a internacionalmente, \u00e9 chamado desdolariza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Um pa\u00eds fortemente desdolarizado \u00e9 a R\u00fassia. Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, foi quebrada a unidade monet\u00e1ria entre os pa\u00edses pertencentes ao bloco. A crise decorrente desse div\u00f3rcio doloroso levou a significativa dolariza\u00e7\u00e3o da economia russa, incapaz de manter a soberania monet\u00e1ria dom\u00e9stica. Isso aconteceu porque h\u00e1 uma tend\u00eancia dos investidores de, em momentos de crise nas economias, buscarem estabilidade em moedas internacionais. Por\u00e9m, para a sa\u00fade do pa\u00eds, isso n\u00e3o podia continuar assim.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O processo de desdolariza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia ganhou forma sobre o governo de Putin, que promoveu uma not\u00e1vel ressurei\u00e7\u00e3o da economia, no embalo da alta do pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo e guiado por uma pol\u00edtica macroecon\u00f4mica conservadora. Entre 2006 e 2007, a R\u00fassia promoveu uma campanha agressiva de desdolariza\u00e7\u00e3o, com o governo promovendo o rublo dom\u00e9stica e internacionalmente. A crise financeira de 2008 proporcionou uma nova oportunidade para expandir a influ\u00eancia do rublo nos pa\u00edses vizinhos, sendo que a desconfian\u00e7a no d\u00f3lar tornou o rublo russo mais plaus\u00edvel como moeda regional. E a desdolariza\u00e7\u00e3o continua se aprofundando no pa\u00eds, como salientou Andrey Kostin, presidente do VTB Bank, durante um encontro com Vladmir Putin: \u201cDesde o in\u00edcio do ano, as pessoas parecem estar menos interessadas em fazer dep\u00f3sitos em d\u00f3lares ou contrair empr\u00e9stimos em d\u00f3lares relativamente aos em rublos. Esperamos que isso seja um elemento importante de continua\u00e7\u00e3o da desdolariza\u00e7\u00e3o do setor financeiro do nosso pa\u00eds\u201d (KREMLIN, 2019). A R\u00fassia tamb\u00e9m vem buscando a utiliza\u00e7\u00e3o de moedas regionais para trocas comerciais, evitando o d\u00f3lar. Por\u00e9m, h\u00e1 ressalvas, como alerta o cientista pol\u00edtico Gevorg Mirzayan: \u201cpara poder passar a usar as moedas nacionais no com\u00e9rcio bilateral, \u00e9 necess\u00e1rio que esse com\u00e9rcio seja feito sem desequil\u00edbrios\u201d (BRICS INFORMATION PORTAL, 2017). Caso haja desequil\u00edbrio, um pa\u00eds acumular\u00e1 reservas demais na moeda do outro, enquanto o outro ter\u00e1 pouca moeda do primeiro.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Alguns autores colocam a moeda chinesa como candidata a substituir o d\u00f3lar. Realmente, o RMB vem se valorizando em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar h\u00e1 muitos anos. Por\u00e9m, um dos fatores-chave para internacionaliza\u00e7\u00e3o de uma moeda \u00e9 a confian\u00e7a depositada nela e na pol\u00edtica financeira e monet\u00e1ria de seu pa\u00eds de origem, e isso \u00e9 algo que ainda precisar\u00e1 ser aprimorado por Beijing.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uma alternativa \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o completa da hegemonia do d\u00f3lar pela hegemonia de outra moeda \u00e9 apresentada por Mundell (2005) e Eichengreen (2000). Mundell (2005) defende a cria\u00e7\u00e3o de uma moeda \u00fanica mundial, baseada na estabiliza\u00e7\u00e3o de uma cesta d\u00f3lar-euro-iene, suplementada pelo ouro. Seria designado a um banco central mundial acumular reservas em moeda nacional, ouro e direitos exportadores e com esses ativos [seria criada] uma institui\u00e7\u00e3o que faria do dinheiro internacional um criado da popula\u00e7\u00e3o mundial. J\u00e1 Eichengreen (2000) aponta que a solu\u00e7\u00e3o mais prudente seria os pa\u00edses buscarem manter as suas reservas em por\u00e7\u00f5es equilibradas de euros, d\u00f3lares e RMBs. Com isso, o economista defende que nenhuma economia que tenha sua moeda como moeda internacional ter\u00e1 tanto poder para financiar suas d\u00edvidas e exportar sua infla\u00e7\u00e3o e problemas macroecon\u00f4micos para os demais pa\u00edses. Tamb\u00e9m, com mais de uma moeda como reserva internacional, os riscos de ocorrer uma nova crise como a das subprimes\u00e9 menor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Seguindo a argumenta\u00e7\u00e3o de Barry Eichengreen (2000), o economista alerta que a economia global p\u00f3s-crise presenciar\u00e1 um papel reduzido do d\u00f3lar, mas n\u00e3o acredita que a moeda norte-americana v\u00e1 desaparecer completamente. Isso porque, n\u00e3o apenas o mercado est\u00e1 acostumado ao d\u00f3lar, mas tamb\u00e9m alguns pa\u00edses sofreriam perdas se se livrassem de seus d\u00f3lares muito depressa. Apesar de outras moedas encontrarem-se nas reservas dos Bancos Centrais dos pa\u00edses, como o euro, o iene e a libra-esterlina, nenhuma dessas moedas se equipara ao d\u00f3lar. Isso porque a hegemonia do d\u00f3lar \u00e9 decorr\u00eancia de uma cadeia muito bem amarrada por interesses e (inter)depend\u00eancia, a qual engloba, principalmente, a OPEP, empresas multinacionais e as economias asi\u00e1ticas, com \u00eanfase na China.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Hoje, praticamente todos os pa\u00edses precisam de petr\u00f3leo. E \u00e9 no Oriente M\u00e9dio onde encontram-se as maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo. Curiosamente, tamb\u00e9m \u00e9 o Oriente M\u00e9dio palco de conflitos recorrentes. A constante instabilidade na regi\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica aos EUA, porque os pa\u00edses em conflito compram seu armamento principalmente dos Estados Unidos, em d\u00f3lares. Logo, como precisam de d\u00f3lares para pagar o armamento, toda a produ\u00e7\u00e3o da OPEP \u00e9 vendida em d\u00f3lares. E, como quase todos os pa\u00edses precisam de petr\u00f3leo, todos os pa\u00edses precisam ter uma reserva em d\u00f3lares para comprar o petr\u00f3leo da OPEP, a maior fornecedora do mundo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os pa\u00edses asi\u00e1ticos tamb\u00e9m se aproveitaram do padr\u00e3o d\u00f3lar. Desvalorizando as suas moedas em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, eles atra\u00edram empresas multinacionais e constru\u00edram um mercado voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a dessas empresas nos pa\u00edses tamb\u00e9m alavanca a demanda por d\u00f3lares, sendo que muitas dessas empresas preferem fazer com\u00e9rcio nessa moeda. A China foi o principal ator a emergir nesse contexto, tirando mais pessoas da pobreza nos \u00faltimos anos do que qualquer pa\u00eds do mundo na hist\u00f3ria. Por\u00e9m, para manter essas empresas dentro dos seus pa\u00edses, os governos asi\u00e1ticos precisam continuar desvalorizando as suas moedas, para que os custos de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se elevem. O \u00fanico governo que vem fazendo um movimento contr\u00e1rio \u00e9 o chin\u00eas, o qual vem valorizando lenta e gradualmente a sua moeda, o RMB, ao longo dos \u00faltimos 30 anos. Al\u00e9m disso, a China \u00e9 a maior credora da d\u00edvida norte-americana. Assim, instalou-se uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre os EUA e a China.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O <i>after-party<\/i> que Beijing presencia, portanto, est\u00e1 atrelado a um movimento equilibrado e coordenado da desdolariza\u00e7\u00e3o da economia chinesa, complementado por pol\u00edticas protecionistas e a guerra comercial proposta pelo governo Trump. Al\u00e9m das repercuss\u00f5es \u00f3bvias na R\u00fassia, Oriente M\u00e9dio e demais pa\u00edses da OPEP, outros impactos s\u00e3o sentidos, econ\u00f4mica e geopoliticamente, em partes diferentes do mundo, como a Venezuela, em crise, e que busca salvaguardar a sua criptomoeda Petro em RMBs chineses e petrod\u00f3lares virtuais, o que explica a pr\u00f3pria presen\u00e7a militar chinesa no pa\u00eds. Estes s\u00e3o alguns dos cen\u00e1rios geoecon\u00f4micos da desdolariza\u00e7\u00e3o, esta que, assim como a institucionaliza\u00e7\u00e3o de Bretton Woods e do padr\u00e3o-d\u00f3lar, transformar\u00e1 o sistema de meios de pagamentos e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais, agora com impactos geopol\u00edticos cada vez maiores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BRICS INFORMATION PORTAL. The Fall of the Global Hegemon: How BRICS Countries Can Replace the US. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/infobrics.org\/post\/25615\/&gt;. Acesso em: 11 ago. 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">EICHENGREEN, Barry J. <i>A globaliza\u00e7\u00e3o do capital: <\/i>uma hist\u00f3ria do sistema monet\u00e1rio internacional. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2000. 286 p.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MUNDELL, Robert. The case for a world currency. <i>Journal of Policy Modeling,<\/i> [s.l.], v. 27, n. 4, p.465-475, jun. 2005. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0161893805000463&gt;.Acesso em: 11 ago. 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PRINS, Nomi. Collusion: <i>How Central Bankers Rigged the World. <\/i>Nova York: Nation Books, 2018. 384 p.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div>R\u00daSSIA. KREMLIN. Meeting with VTB Bank Chairman and CEO Andrei Kostin. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/en.kremlin.ru\/events\/president\/news\/59955&gt;. Acesso em: 11 ago. 2019.<\/p>\n<p><b><i>Roberto Rodolfo Georg Uebel<\/i><\/b> <i>\u00e9 economista, Doutor em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais (UFRGS) e Professor do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-POA). Pesquisador do grupo de pesquisa &#8220;Novos Polos de Poder e a Pol\u00edtica Internacional&#8221; (ESPM-POA).<\/i><\/p>\n<p><i><b>Gl\u00f3ria Maria Sandi<\/b> \u00e9 acad\u00eamica do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-POA).<\/i><\/p>\n<blockquote>\n<p><b>Como citar:<\/b><\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>UEBEL, Roberto Rodolfo Georg; SANDI, Gl\u00f3ria Maria. Desdolariza\u00e7\u00e3o e Geopol\u00edtica: cen\u00e1rios geoecon\u00f4micos do s\u00e9culo 21. <i>Di\u00e1logos Internacionais<\/i>, vol.6, n. 63, ago.2019. Acessado em [12\/08\/2019]. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/08\/desdolarizacao-e-geopolitica-cenarios.html\">http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/08\/desdolarizacao-e-geopolitica-cenarios.html<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019 Por Roberto Rodolfo Georg Uebel&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[657],"tags":[],"class_list":["post-1640","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume6"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1640","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1640"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1640\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2261,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1640\/revisions\/2261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}