{"id":1641,"date":"2019-08-09T21:30:00","date_gmt":"2019-08-10T00:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1641"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"eleicoes-na-argentina-2019-o-lugar-do-trabalhador-no-kirchnerismo-e-no-macrismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1641","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es na Argentina &#8211; 2019: o lugar do trabalhador no kirchnerismo e no macrismo"},"content":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019<\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Laura Emilse Brizuela<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pautaglobal.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do blog Pauta Global<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/new-resizer\/d3SbhsIghow-FbTPU5I7vQ1EBI0=\/999x666\/filters:quality(100)\/s3.amazonaws.com\/arc-wordpress-client-uploads\/infobae-wp\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/08172643\/perfiles-candidatos-a-presidente-20191.jpg\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"533\" data-original-width=\"800\" height=\"266\" src=\"https:\/\/www.infobae.com\/new-resizer\/d3SbhsIghow-FbTPU5I7vQ1EBI0=\/999x666\/filters:quality(100)\/s3.amazonaws.com\/arc-wordpress-client-uploads\/infobae-wp\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/08172643\/perfiles-candidatos-a-presidente-20191.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/elecciones-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Imagem: InfoBae<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As elei\u00e7\u00f5es <i>Prim\u00e1rias, Abertas, Simult\u00e2neas y Obrigat\u00f3rias<\/i> (PASO) do domingo pr\u00f3ximo, dia 11\/08\/2019, dar\u00e3o in\u00edcio ao calend\u00e1rio eleitoral argentino, e com isso, \u00e0 possibilidade de mudan\u00e7a (ou n\u00e3o) do panorama pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social do pa\u00eds. As elei\u00e7\u00f5es gerais acontecer\u00e3o no 27 de outubro e os pesos pesados s\u00e3o, por um lado, a chapa Alberto Fern\u00e1ndez para presidente e Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner para vice, os \u201cFern\u00e1ndez-Fern\u00e1ndez\u201d, que coloca a ex-presidente em um lugar de menor protagonismo, supostamente. Muito tem se especulado na imprensa argentina sobre essa decis\u00e3o de Cristina. A doen\u00e7a da filha e a necessidade de estar mais dispon\u00edvel para a sua fam\u00edlia aparecem, segundo Cristina, como uma das principais raz\u00f5es. Poderia se tratar tamb\u00e9m de uma estrat\u00e9gia para lidar melhor com a polariza\u00e7\u00e3o que seu nome provoca. Contudo, e embora Alberto Fern\u00e1ndez seja pol\u00eamico em suas afirma\u00e7\u00f5es e modos (o que daria muito pano para as manchetes), Cristina continua tendo um papel predominante na grande imprensa, que se esmera em retrat\u00e1-la negativamente. Ela mesma assegura, no seu livro \u201c<i>Sinceramente\u201d<\/i>, lan\u00e7ado nesse ano que &#8220;se a m\u00eddia hegem\u00f4nica tivesse coberto meu governo com um 10% do que fazem com Mauricio Macri, eu teria sido Gardel<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn1\">[1]<\/a>.(KIRCHNER, 2019, p. 48)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se a grande m\u00eddia est\u00e1 contra Cristina, est\u00e1 claro que ainda apoia o Macri, que \u00e9 o outro peso pesado dessas elei\u00e7\u00f5es, sendo a proposta de <i>Juntos por el Cambio:<\/i> Mauricio Macri presidente, Miguel \u00c1ngel Pichetto vice. A ajuda da m\u00eddia para o macrismo \u00e9 evidente, e mesmo com algumas exce\u00e7\u00f5es de programas que de vez em quando criticam a atual gest\u00e3o, e apenas um canal opositor; a vasta maioria de canais e jornais ainda justificam o p\u00e9ssimo desempenho do macrismo. A falta de tempo \u201cpara consertar os erros do kirchnerismo\u201d costuma ser a desculpa, mesmo que se esteja perto de cumprir os 4 anos de governo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A proposta desse artigo \u00e9 refletir sobre duas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas dicot\u00f3micas: a kirchnerista, que poderia ser entendida como uma pol\u00edtica estatal de corte keynesiano, que lembra muito a primeira presid\u00eancia de Juan Domingo Per\u00f3n (1946-1952), pela busca do aumento da demanda como vetor de sa\u00edda da crise; e a macrista, que se encaixa nas premissas do neoliberalismo mais neo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>O discurso sobre o trabalhador em tempos de N\u00e9stor Kirchner e Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A luta pol\u00edtica na Argentina \u00e9 historicamente bipartid\u00e1ria. Desde a segunda metade s\u00e9culo XX o antagonismo se d\u00e1 entre o radicalismo (<i>Uni\u00f3n C\u00edvica Radical)<\/i> e o justicialismo (<i>Partido Justicialista)<\/i>, mais conhecido como peronismo. Como diz Malamud (2002), a \u201cArgentina foi governada entre 1946 e 2003 por 22 presidentes: 9 militares, 8 peronistas e 5 radicais\u201d. Atualizando esses n\u00fameros, at\u00e9 2019 houve 11 governos peronistas, 9 militares, 5 radicais, e 1 que n\u00e3o \u00e9 radical (embora tenha alian\u00e7a com radicais) e que se apresenta como antikirchnerista, ou seja, antiperonista. Esses dados mostram como a vida pol\u00edtica argentina est\u00e1 baseada no peronismo e no antiperonismo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O kirchnerismo pertence ao peronismo progressista, e deve sua conquista do poder, ao manejo da crise de 2001, tamb\u00e9m condicionada na expectativa social da recupera\u00e7\u00e3o da ordem institucional. Contribuiu na elei\u00e7\u00e3o de Cristina Kirchner, uma percep\u00e7\u00e3o generalizada de redistribui\u00e7\u00e3o de riquezas do governo de N\u00e9stor Kirchner, e a aproxima\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica a governos da regi\u00e3o considerados de centro-esquerda como o de Lula no Brasil, pa\u00eds que passou a ser visto durante a era Lula como o exemplo de pa\u00eds perif\u00e9rico que subiu no patamar das classifica\u00e7\u00f5es dentro do sistema internacional, muito explicado pelo <i>boom <\/i>das <i>commodities<\/i>, embutido tudo isto em um discurso igualit\u00e1rio e de acesso, por parte dos trabalhadores, aos benef\u00edcios do capitalismo: cr\u00e9dito, financiamento etc.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora tenha existido uma continua\u00e7\u00e3o discursiva em ambos os governos kirchneristas, em rela\u00e7\u00e3o ao lugar do trabalhador na sociedade argentina (e da Argentina no mundo), as circunst\u00e2ncias e as lideran\u00e7as foram muito diferentes. A recupera\u00e7\u00e3o da Argentina depois da crise institucional, pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica que explodiu em 2001 foi o fator que legitimou o kirchnerismo para o avance em negocia\u00e7\u00f5es sindicais e diversos outros setores de trabalhadores, assim como com os bancos, ag\u00eancias de governo, partidos de coaliz\u00e3o e lutas com a oposi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Quando se cumpriram 10 anos de governo Kirchner, o Minist\u00e9rio de Trabalho publicou um relat\u00f3rio &nbsp;sobre os progressos em mat\u00e9ria de benef\u00edcios para os trabalhadores, o que nos d\u00e1 uma pauta, pelo menos discursiva, de como era importante e destacada a participa\u00e7\u00e3o do trabalhador no processo de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da Argentina. Entre os dados mais destacados, o relat\u00f3rio diz:&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>Em maio de 2013 o desemprego oscilava o 25% e a Argentina vivia em uma situa\u00e7\u00e3o de crise mergulhada no desencanto e o abandono de qualquer tentativa produtiva. N\u00e9stor Kirchner e posteriormente a presidente Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner orientaram as suas pol\u00edticas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, ao consumo e sobre tudo, ao trabalho. O balan\u00e7o da gest\u00e3o indica que se criaram em m\u00e9dia 500.000 postos de trabalho por ano. Triplicou-se a quantidade anual de novos empregados desde o in\u00edcio da democracia em 1983. A recupera\u00e7\u00e3o do emprego permitiu que aqueles que historicamente foram abandonados conseguissem ser incorporados ao sistema produtivo, ao mundo do trabalho<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn2\">[2]<\/a>. (Minist\u00e9rio do Trabalho Argentino, 2013, p.1)<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ademais:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>Desde que se iniciou o Plano Nacional de Regulariza\u00e7\u00e3o do Trabalho (PNRT) se fiscalizaram 900 mil empresas e mais de 3 milh\u00f5es de trabalhadores. A taxa de emprego n\u00e3o registrado [sem carteira assinada] em 2003 era de quase 50%. Dez anos depois se reduziu a 34,6%, permitindo que a quantidade de trabalhadores com carteira assinada que hoje t\u00eam um trabalho legal e com prote\u00e7\u00e3o social seja a mais alta dos \u00faltimos 38 anos. Trata-se de um 92% superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que estavam nessa condi\u00e7\u00e3o antes de 2003.&nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>O sal\u00e1rio real dos trabalhadores com carteira assinada resulta o mais elevado nos \u00faltimos 24 anos (&#8230;) tendo aumentado um 1338% se comparado com o sal\u00e1rio dos anos 90<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn3\">[3]<\/a>. (Mist\u00e9rio de Trabalho da Argentina, 2013, p.2)<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Cristina Fern\u00e1ndez teve um discurso em defesa do trabalhador bem mais acirrado do que o N\u00e9stor. Lembrando que a pr\u00f3pria heran\u00e7a peronista dos kirchneristas se refere \u00e0s alas jovens do peronismo dos anos 1970, radicalizadas. A paix\u00e3o discursiva de Cristina deveu-se n\u00e3o s\u00f3 pela procura da identifica\u00e7\u00e3o que desde sempre tem tido o peronismo com os setores mais populares, mas especialmente por ela se identificar com setores vulner\u00e1veis, inclusive pelo fato de ser mulher e sentir a luta pelo seu espa\u00e7o bem mais dura do que \u00e9 para os homens. Ou como ela mesma afirma: &#8220;O problema \u00e9 quando voc\u00ea quer ser <i>prima donna<\/i> no mundo dos homens, no mundo do poder e, ali\u00e1s, mudar as coisas. E mais ainda se voc\u00ea pretende ser prima donna em um processo nacional, popular e democr\u00e1tico, onde a inclus\u00e3o social e a defesa do nacional s\u00e3o os eixos<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn4\">[4]<\/a>&#8220;. (KIRCHNER, 2019, p.168).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o v\u00e1rios os seus discursos inflamados em rela\u00e7\u00e3o ao trabalhador. Por exemplo, em 2012, no primeiro de maio, Cristina declarou em cerim\u00f4nia que \u201co trabalho \u00e9 o grande organizador social, por isso n\u00f3s o defendemos com unhas e dentes\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn5\">[5]&nbsp;<\/a>e ainda assinalou (tradu\u00e7\u00e3o nossa):&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>O grande articulador social, o trabalho, \u00e9 o que dignifica a sociedade, aquilo que o organiza, o que recreia os la\u00e7os de solidariedade social. A mudan\u00e7a cultural pela qual estamos trabalhando desde 2003 \u00e9 um projeto de pa\u00eds que inclui a todos, que protege, que recupera, que repara&#8230; Trabalhamos por um modelo de acumula\u00e7\u00e3o que articula capital e trabalho; e que d\u00e1 ao trabalho uma centralidade chave para nossa recupera\u00e7\u00e3o. (Cristina Kirchner, 2012)<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Contudo, as cr\u00edticas demoram pouco para aparecer. Svampa (2007) assegura que o kirchnerismo gerou clientelismo, precariza\u00e7\u00e3o do trabalhador, duvida dos \u00edndices apontados nas manchetes e na m\u00eddia amiga; e ainda mais, teria aprofundado o modelo de flexibiliza\u00e7\u00e3o trabalhista que j\u00e1 vinha tendo amplo espa\u00e7o durante as ditaduras e o modelo menemista. Interessante \u00e9 o argumento da autora de que o kirchnerismo, embora seu discurso, favoreceu o enfraquecimento da cultura do trabalho, n\u00e3o s\u00f3 porque aumentou um tipo de assistencialismo ineficiente (os subs\u00eddios partiram em 50 d\u00f3lares mensais e sem ter tido corre\u00e7\u00e3o na infla\u00e7\u00e3o significante), mas especialmente porque gerou subs\u00eddios em favor ao \u201cauto empreendimento dos pobres\u201d, quer dizer, micro empreendimentos que liberam ao empres\u00e1rio da gera\u00e7\u00e3o de emprego e ao Estado da \u201ccarga\u201d desse trabalhador, sem que esse Estado deixe de receber a tributa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria resultado da nova atividade comercial. (SVAMPA, p. 44, 2007).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas neste quesito tamb\u00e9m aparecem desde os setores ideologicamente posicionados mais \u00e0 esquerda, sendo uma das quest\u00f5es mais levantadas \u00e9 o aumento da precariza\u00e7\u00e3o e do trabalho sem carteira assinada. Contudo, parece que a quest\u00e3o do trabalhador longe est\u00e1 de ser um problema do kirchnerismo, e sim do peronismo e da Argentina em si. Zarazaga (2017) assegura que na Argentina existem em diversos graus, tr\u00eas categorias de trabalhador: 1) o desempregado; 2) o trabalhador informal; 3) o trabalhador formal, mas pertencente a setores vulner\u00e1veis. Esses tr\u00eas tipos de trabalhadores s\u00e3o dif\u00edceis de representar porque as demandas s\u00e3o diferentes e isto se manifesta na hist\u00f3rica divis\u00e3o do peronismo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>Acredito que Cristina Fern\u00e1ndez ficou com o voto dos [trabalhadores] informais e desempregados, mas no setor do oper\u00e1rio formal \u2013 mesmo de classe m\u00e9dia baixa \u2013 existe um discurso meritocr\u00e1tico pr\u00f3prio do PRO (Macri). Nesse grupo, tem gente que n\u00e3o entende por que se aposenta algu\u00e9m que nunca contribuiu. Tamb\u00e9m [Cristina] tem custos eleitorais pela distribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn6\">[6]<\/a>. (Zarazaga IN ARUGUETE e WAINFELD, 2017).<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>O discurso sobre o trabalhador em tempos de Mauricio Macri<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sabemos que \u00e9 muito enraizada a cren\u00e7a de que o ser humano teria uma tend\u00eancia natural \u00e0 procura e apropria\u00e7\u00e3o da riqueza e nesse sentido, o liberalismo econ\u00f4mico e sua vers\u00e3o neo, s\u00e3o f\u00e9rreos defensores de essa suposta situa\u00e7\u00e3o natural. As condi\u00e7\u00f5es que permitem o auge do pensamento neoliberal s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es por estabelecer as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias de prote\u00e7\u00e3o do direito de propriedade, no qual se baseia o capitalismo, e promover mecanismos para a reprodu\u00e7\u00e3o do modelo e do pr\u00f3prio capital. Trata-se de buscar a m\u00ednima interfer\u00eancia do Estado nessas quest\u00f5es, onde o mercado possa atuar livremente, ou seja, sem a intromiss\u00e3o dos sindicatos, ou de outras institui\u00e7\u00f5es, onde o prefixo da efici\u00eancia permeie todas as atividades.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se bem h\u00e1 no neoliberalismo um entendimento sobre a import\u00e2ncia do fator nacional, este est\u00e1 sempre vinculado ao mercado, e por sua vez ligado simbioticamente ao mercado internacional. A globaliza\u00e7\u00e3o, em todos seus aspectos, \u00e9 ardentemente desejada pelo neoliberalismo porque v\u00ea nela a concre\u00e7\u00e3o dos desejos do grande capital. O neoliberalismo se sustenta, ent\u00e3o, nos seguintes pilares: 1) e Estado m\u00ednimo, 2) o livre mercado, 3) o princ\u00edpio da efici\u00eancia, 4) o poder econ\u00f4mico-pol\u00edtico atrelado \u00e0 ideologia liberal, 5) o d\u00f3lar como moeda internacional e os Estados Unidos como pot\u00eancia hegem\u00f4nica, 6) o \u201ccomplexo Washington-Wall Street\u201d (Medeiros, 2010a, p.166); e 7) os movimentos regionais que buscam pela integra\u00e7\u00e3o, e que na Am\u00e9rica do Sul se manifesta passiva e dependente do Investimento Direto Externo (IDE).  O Mercosul \u00e9 um bom exemplo disso e do regionalismo aberto.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Medeiros (2016) se pergunta o que levou o mundo ao neoliberalismo, e coloca tr\u00eas pontos que podem nos ajudar na reflex\u00e3o: 1) as pessoas perceberam aspectos negativos do estatismo, onde se percebeu a crise do socialismo e keynesianismo (que j\u00e1 relacionamos ao modus operandi do kirchnerismo); 2) a autonomiza\u00e7\u00e3o do setor financeiro em rela\u00e7\u00e3o a empresa, quest\u00e3o que o Arrighi (1994) j\u00e1 tinha assinalado; e 3) os fatores tecnol\u00f3gicos que reduziram os custos dos sistemas, agora coordenados pelos mercados e que geraram uma extraordin\u00e1ria expans\u00e3o do lucro, e com isso do mercado e do capitalismo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se o pensarmos, o discurso do neoliberalismo \u00e9 coerente e consistente, focado na liberdade individual, produto das mudan\u00e7as j\u00e1 localizadas na sociedade estadunidense (especialmente) que foram estimuladas pelo <i>big business<\/i> (MENDEIROS, 2016); e que acabaram achando na globaliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica financeira um excelente ve\u00edculo de exporta\u00e7\u00e3o desse modo de vida e vis\u00e3o de mundo.O Estado, entendido como uma das maiores institui\u00e7\u00f5es, domina a vida social e as rela\u00e7\u00f5es entre as classes, estabelecendo as prioridades, que \u00e9 sempre promover interesses capitalistas. \u00c9 importante ainda lembrar que o Estado n\u00e3o \u00e9 independente do poder pol\u00edtico e dos grupos econ\u00f4micos dominantes.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, sobressai a ideia de que \u201ceu sou eu e as minhas circunst\u00e2ncias\u201d, ou seja, o culto \u00e0 meritocracia. Se naturaliza a fun\u00e7\u00e3o do mercado como equilibrada e justa. A maior interven\u00e7\u00e3o estatal (no nosso caso, controle e teto de sal\u00e1rio m\u00ednimo, d\u00e9cimo terceiro, benef\u00edcios aos trabalhadores etc.) maior corrup\u00e7\u00e3o, e maior inefici\u00eancia. Nesse sentido devemos ter em conta um fator que ajuda muito na propaga\u00e7\u00e3o desta matriz e que j\u00e1 apontamos: a m\u00eddia. N\u00e3o s\u00f3 porque ela se beneficia diretamente (pela propaganda e contratos com marcas, e paradoxalmente, do Estado) sen\u00e3o porque \u00e9 um ve\u00edculo importante nesta mistifica\u00e7\u00e3o da supremacia individual \u00e0 coletiva.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Incrivelmente e como denuncia a realidade dos nossos pa\u00edses, a ideologia neoliberal se encontra transbordante de vida. As explica\u00e7\u00f5es para essa vig\u00eancia poderiam estar no nexo que se faz entre a inoper\u00e2ncia do p\u00fablico em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 suposta efici\u00eancia do privado. &#8220;O neoliberalismo permanece no mundo independentemente dos resultados e, ali\u00e1s, ele se expande. Se n\u00e3o funciona, a t\u00e1tica \u00e9 dobrar a aposta, aprofundar as medidas&#8221;. (MEDEIROS, 2016).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nessa linha e como expuseram Aruguete e Wainteid (2017), a meritocracia \u00e9 um dos valores mais celebrados pelo governo Macri. N\u00e3o s\u00f3 porque a pr\u00f3pria figura da fam\u00edlia Macri representa esse imigrante europeu (Franco Macri, pai de Mauricio Macri) que conquistou altas posi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas na sociedade argentina, tendo alcan\u00e7ado o sonho do progresso, ou como se diz l\u00e1: <i>\u201cSe hizo la Argentina<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn7\">[7]<\/a><\/i>\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por outra parte, devemos reconhecer que o macrismo foi bastante honesto na sua posi\u00e7\u00e3o neoliberal, de direita conservadora; embora tenha sempre paquerado as classes sociais mais baixas, justamente com o discurso de <i>\u201cSi se puede\u201d <\/i>(slogan de campanha). E lembrando que a apari\u00e7\u00e3o de Mauricio Macri como l\u00edder pol\u00edtico teve seus inicios na presid\u00eancia do clube de futebol, Club Atl\u00e9tico Boca Juniors, que \u00e9 de longe o time mais popular da Argentina.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As primeiras medidas do macrismo, como a de qualquer governo neoliberal, se resumem em cortes de todo tipo, seja na procura da diminui\u00e7\u00e3o do corpo do Estado, corte nos subs\u00eddios: luz, \u00e1gua, g\u00e1s, e outros como pens\u00f5es por incapacidade e invalidez, entre outros. Tamb\u00e9m o governo Macri atingiu o triste recorde de levar a Argentina a ser o pais mais endividado da Am\u00e9rica Latina, com uma d\u00edvida p\u00fablica de 77,4% do PIB, segundo a CEPAL. E de 26 pa\u00edses, a Argentina de Macri foi a que registrou a maior queda da atividade industrial interanual, que derrubou-se em nada menos que 10,8%, segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn8\">[8]<\/a>. Entre as explica\u00e7\u00f5es pelos v\u00e1rios ajustes, a descontrolada infla\u00e7\u00e3o (que ainda o macrismo coloca como sendo responsabilidade do kirchnerismo), e a evidente perda do padr\u00e3o de consumo, sobressai a do economista Javier Gonzalez Fraga, de trajet\u00f3ria Radical (UCR), parte do governo de Cambiemos (Macri), quem declarou que \u201cCristina Kirchner lhe fez acreditar a um trabalhador m\u00e9dio que o seu sal\u00e1rio servia para comprar celulares, TVs, carros, motos e viajar para o exterior. Isso era uma ilus\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 normal\u201d. (FRAGA, 2016).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o do macrismo com os sindicatos tamb\u00e9m \u00e9 conflitiva. Houve manifesta\u00e7\u00f5es multitudin\u00e1rias especialmente em Buenos Aires, mas que realmente n\u00e3o abalaram a pol\u00edtica macrista. Desde a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), o secret\u00e1rio geral, H\u00e9ctor Daer, assegurou que o macrismo pretende uma renova\u00e7\u00e3o sindical propensa \u00e0s pol\u00edticas neoliberais, e adverte que se assim acontecer, haver\u00e1 uma perda substancial dos direitos do trabalhador. Ainda, alertou poss\u00edveis enfrentamentos n\u00e3o s\u00f3 com os trabalhadores, mas com amplos setores da sociedade. O conflito \u00e9, segundo ele, iminente<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn9\">[9]<\/a>.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Finalmente, \u00e9 interessante como o trabalhador \u00e9 percebido no modelo macrista, como um \u201ccolaborador\u201d do sistema, e n\u00e3o a base dele. Esta ideia \u00e9 muito perversa, porque deslegitima a import\u00e2ncia do mesmo e aliena o setor, que passa a tolerar ou at\u00e9 defender posi\u00e7\u00f5es do capital e do capitalista, muitas vezes, nem sequer sendo ele nacional.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A recupera\u00e7\u00e3o da crise de 2001 favoreceu a ascens\u00e3o do kirchnerismo ao poder. O governo de N\u00e9stor e os dois governos de Cristina esgotaram o modelo, agu\u00e7ado por uma crise internacional (a de 2008, que se sente na Argentina desde 2011\/2012) e problemas hist\u00f3ricos em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar e \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Essa incapacidade teria levado a que Mauricio Macri, um pol\u00edtico com uma proposta totalmente oposta ao kirchnerismo, ganhasse (por muito pouco, mas finalmente ganhou) as elei\u00e7\u00f5es de 2014. Seu governo, embora prometesse na campanha que as classes trabalhadoras n\u00e3o deviam ter medo, mas sim coragem &#8211; e assim outras frases de motiva\u00e7\u00e3o pessoal &#8211; aplicou medidas restritivas logo no in\u00edcio, endividou o pa\u00eds, reprimiu manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, destruiu a ind\u00fastria, a ci\u00eancia e a tecnologia, e longe do discurso anticorrup\u00e7\u00e3o do qual abusou na sua campanha, obedecendo o argumento: \u201ceu sou rico, n\u00e3o preciso roubar\u201d; ele e seus funcion\u00e1rios est\u00e3o amplamente involucrados em casos de corrup\u00e7\u00e3o, e se enriqueceram nesses anos de maneira escandalosa.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sem perspectivas reais de avan\u00e7os na estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com uma enorme dificuldade para conter os indicadores microecon\u00f4micos e uma crescente escalada na viol\u00eancia, percebemos que \u2013 incrivelmente &#8211; ainda existe toler\u00e2ncia ao macrismo em uma parte dos trabalhadores, uma esp\u00e9cie de necessidade de acreditar que ainda o macrismo precisa de tempo para \u201cordenar o pa\u00eds que os Kirchner deixaram\u201d. Que a classe alta argentina e a m\u00eddia estejam ao lado do macrismo n\u00e3o \u00e9 de se surpreender, pois foram amplamente beneficiados pelas pol\u00edticas macristas. O crescimento do patrim\u00f4nio dele e de seus mais \u00edntimos funcion\u00e1rios, o fato do pr\u00f3prio Macri ter comprado a\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica argentina, que ele mesmo gerou, e que a sua fortuna aumentara em 51 % s\u00f3 em 2018, deveria ser suficiente para alertar aos trabalhadores que ir\u00e3o votar nesse domingo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, embora Alberto Fern\u00e1ndez seja o candidato \u00e0 presid\u00eancia da Unidad Ciudadana<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn10\">[10]<\/a>, e mesmo que a plataforma on-line do partido se esforce por lhe dar protagonismo e diminuir a visibilidade de Cristina, o fato \u00e9 que Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner continua a ser central na disputa eleitoral. Ela \u00e9 a verdadeira oposi\u00e7\u00e3o para o governo Macri.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mais importante ainda \u00e9 que, a pesar da algumas desaven\u00e7as no passado, Alberto concorda com Cristina em quest\u00f5es essenciais e que historicamente foram bandeira do kirchnerismo, como o lugar dos trabalhadores na economia, na pol\u00edtica e na sociedade. &#8220;N\u00f3s temos um compromisso com as pessoas, com os que trabalham, os que produzem e com os aposentados. N\u00e3o temos compromisso com os especuladores financeiros&#8221;<a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftn11\">[11]<\/a>&nbsp;(Unidad Ciudadana, 2019), disse Alberto Fern\u00e1ndez em julho.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O kirchnerismo ainda conta com bastante apoio da gera\u00e7\u00e3o mais jovem, dos trabalhadores mais humildes e de alguns setores do velho peronismo. Contudo, nada \u00e9 garantido. O macrismo far\u00e1 de tudo para permanecer no poder, em quanto o kirchnerismo, (ou o fernandismo?) far\u00e1 de tudo para convencer os cidad\u00e3os de que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel tolerar o macrismo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim, s\u00f3 podemos concluir que a polariza\u00e7\u00e3o entre os argentinos continua t\u00e3o vigente como sempre; e que a responsabilidade dos eleitores, nesses meses, \u00e9 crucial.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ARRIGHI, Giovanni. (1994). <i>O longo s\u00e9culo XX.<\/i> Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">ARUGUETE, Natalia; WAINFELD Mario. El discurso meritocr\u00e1tico cal\u00f3 mejor de lo que habr\u00eda pensado jam\u00e1s. Di\u00e1logo con el polit\u00f3logo y sacerdote jesuita Rodrigo ZARAZAGA.P\u00e1gina 12. Buenos Aires, 11 de septiembre de 2017. Disponible en: <a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/62159-el-discurso-meritocratico-calo-mejor-de-lo-que-habria-pensad\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/62159-el-discurso-meritocratico-calo-mejor-de-lo-que-habria-pensad<\/a> <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FRAGA, Javier Gonz\u00e1lez. Le hicieron creer al empleado medio que pod\u00eda comprarse plasmas y viajar al exterior. <i>La Naci\u00f3n Diario.<\/i> Buenos Aires, 27 de mayo de 2016. Disponivel em: <a href=\"http:\/\/www.lanacion.com.ar\/1903034-gonzalez-fraga-le-hicieron-creer-al-empleado-medio-que-podia-comprarse-plasmas-y-viajar-al-exterior\">http:\/\/www.lanacion.com.ar\/1903034-gonzalez-fraga-le-hicieron-creer-al-empleado-medio-que-podia-comprarse-plasmas-y-viajar-al-exterior<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">KIRCHNER, Cristina Fern\u00e1ndez de. <i>Sinceramente.<\/i> Buenos Aires: Sudam\u00e9rica, 2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">KIRCHNER, Cristina. El trabajo tiene una centralidad clave para la recuperaci\u00f3n. <i>Infobae Diario. <\/i>Buenos Aires, 1ero de Maio de 2012. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.infobae.com\/2012\/05\/01\/645241-cristina-kirchner-el-trabajo-tiene-una-centralidad-clave-la-recuperacion\/\">http:\/\/www.infobae.com\/2012\/05\/01\/645241-cristina-kirchner-el-trabajo-tiene-una-centralidad-clave-la-recuperacion\/<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MALAMUD, Andr\u00e9s. El bipartidismo argentino: evidencias y razones de una persistencia (1983-2003). <i>Tercer Congreso Europeo de Latinoamericanistas. <\/i>\u00c1msterdam, 2002. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=2328908%3E\">http:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=2328908&amp;gt<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MEDEIROS, Carlos Aguiar de. Auge e decl\u00ednio dos Estados desenvolvimentistas: Novos desafios. <i>Parcerias estrat\u00e9gicas.<\/i> Vol. 15, N\u00ba 30. Bras\u00edlia, 2010a, pp. 159-176.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MEDEIROS, Carlos Aguiar de. Aulas de Estados e Mercados, doutorado PEPI-UFRJ. Notas pr\u00f3prias. Primeiro semestre. Rio de Janeiro, 2016.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MEDEIROS, Carlos Aguiar de. Institui\u00e7\u00f5es e desenvolvimento econ\u00f4mico: uma nota cr\u00edtica ao \u201cnacionalismo metodol\u00f3gico\u201d. <i>Revista Economia e Sociedade.<\/i> Campinas, V. 19, N\u00ba 3 (40), dez. 2010b, pp. 637-645.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ministerio de Trabajo, Empleo y Seguridad Social. Una d\u00e9cada de trabajo, una d\u00e9cada ganada. Buenos Aires, 2013. Disponible en <a href=\"http:\/\/www.trabajo.gob.ar\/downloads\/destacados\/131104_notas_una-decada-ganada.pdf\">http:\/\/www.trabajo.gob.ar\/downloads\/destacados\/131104_notas_una-decada-ganada.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SVAMPA, Maristella. Las fronteras del Gobierno de Kirchner: entre la consolidaci\u00f3n de lo viejo y las aspiraciones de lo nuevo. <i>Cuadernos del Cendes.<\/i> A\u00f1o 24, N\u00ba 65. Tercera \u00c9poca, Mayo-Agosto 2007. p. 39-61 Dispon\u00edvel  <a href=\"http:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=40306502\">http:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=40306502<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">UNIDAD CIUDADANA. Alberto: &#8220;Tenemos un compromiso con el que trabaja, el que produce y el que est\u00e1 jubilado&#8221;. 25\/07\/2019. Dispon\u00edvel: <a href=\"https:\/\/unidadciudadana.org\/notas\/304\">https:\/\/unidadciudadana.org\/notas\/304<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref1\">[1]<\/a>No original: Si los medios hegem\u00f3nicos hubieran cubierto mi gobierno con un 10% en relaci\u00f3n a lo que hacen con Mauricio Macri\u2026 hubiera sido Gardel y Lepera.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref2\">[2]<\/a>No original: En mayo 2003 la desocupaci\u00f3n rondaba el 25% y la Argentina viv\u00eda una situaci\u00f3n de crisis sumida en el desencanto y el abandono de cualquier intento productivo. N\u00e9stor Kirchner y posteriormente la presidenta Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner orientaron sus pol\u00edticas a la producci\u00f3n, al consumo, y, sobre todo, al trabajo. El balance de gesti\u00f3n, 10 a\u00f1os despu\u00e9s, indica que se crearon un promedio de 500.000 puestos de trabajo por a\u00f1o. Se triplic\u00f3 la cantidad anual de nuevos ocupados que se generaron desde el inicio de la democracia en el 83. La recuperaci\u00f3n del empleo permiti\u00f3 que aquellos que hist\u00f3ricamente fueron abandonados pudieron ser incorporados al sistema productivo, al mundo del trabajo (Ministerio del Trabajo, p.1, 2013)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref3\">[3]<\/a>No original: Desde que se puso en marcha el Plan Nacional de Regularizaci\u00f3n del Trabajo (PNRT) se fiscalizaron 900 mil empresas y m\u00e1s de 3 millones de trabajadores. La tasa de empleo no registrado en 2003 era casi del 50%. 10 a\u00f1os despu\u00e9s se redujo a un 34.6%, permitiendo que la cantidad de trabajadores registrados que hoy tienen un trabajo legal y con protecci\u00f3n social sea la m\u00e1s alta de los \u00faltimos 38 a\u00f1os. Se trata de un 92% superior respecto de las personas que estaban en esa condici\u00f3n antes de 2003.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">El salario real de los trabajadores registrados resulta el m\u00e1s elevado en los \u00faltimos 24 a\u00f1os, y a trav\u00e9s de acuerdos logrados en el Consejo del Salario M\u00ednimo, Vital y M\u00f3vil, de car\u00e1cter tripartito, el salario m\u00ednimo creci\u00f3 un 1338% con respecto al valor que rigi\u00f3 durante la d\u00e9cada de los 90. (Ministerio del Trabajo, p.2, 2013)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref4\">[4]<\/a>No original: El problema es cuando quer\u00e9s ser prima donnaen el mundo de los hombres, en el mundo del poder, y adem\u00e1s cambiar las cosas. Y m\u00e1s a\u00fan si pretend\u00e9s ser prima donnade un proceso nacional, popular y democr\u00e1tico, donde la inclusi\u00f3n social y la defensa de lo nacional son los ejes.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref5\">[5]<\/a>Veja-se em <a href=\"http:\/\/www.infobae.com\/2012\/05\/01\/645241-cristina-kirchner-el-trabajo-tiene-una-centralidad-clave-la-recuperacion\/\">http:\/\/www.infobae.com\/2012\/05\/01\/645241-cristina-kirchner-el-trabajo-tiene-una-centralidad-clave-la-recuperacion\/<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref6\">[6]<\/a>No original: Creo que (la ex presidenta) Cristina Fern\u00e1ndez se ha quedado con el voto duro de estos informales y desocupados, pero en el sector del obrero formal \u2013aunque de clase media baja\u2013 hay un discurso meritocr\u00e1tico propio del PRO (Macri). Dentro de este \u00faltimo grupo, hay gente que no entiende por qu\u00e9 se jubila alguien que nunca aport\u00f3. Tambi\u00e9n tiene costos electorales la distribuci\u00f3n de subsidios.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref7\">[7]<\/a>A tradu\u00e7\u00e3o seria: Se fez a Argentina. O que poderia ser considerado uma analogia do American dream.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref8\">[8]<\/a>Veja-se em: <a href=\"https:\/\/ocipex.com\/la-era-cambiemos-en-datos-de-naciones-unidas\/?fbclid=IwAR2MrVUkqUn4W0UbKxtD5qWlQKEQRiZPOtw38q8bPlLynNF4713jQSGZPzI\">https:\/\/ocipex.com\/la-era-cambiemos-en-datos-de-naciones-unidas\/?fbclid=IwAR2MrVUkqUn4W0UbKxtD5qWlQKEQRiZPOtw38q8bPlLynNF4713jQSGZPzI<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref9\">[9]<\/a>Veja-se em <a href=\"http:\/\/www.perfil.com\/politica\/daer-macri-suena-con-trabajadores-con-menos-derechos.phtml\">http:\/\/www.perfil.com\/politica\/daer-macri-suena-con-trabajadores-con-menos-derechos.phtml<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref10\">[10]<\/a>Unidade Cidad\u00e3 \u00e9 o atual partido pol\u00edtico de Cristina Kirchner, do qual \u00e9 a l\u00edder, e que nucleia 10 outros partidos de centro esquerda.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/a0001ea9-ff61-4f8e-bdb3-3fedcb4e4a8b#_ftnref11\">[11]<\/a>No original: Nosotros tenemos un compromiso con la gente, con el que trabaja, con el que produce y con el que est\u00e1 jubilado. No tenemos un compromiso con los que est\u00e1n en la timba financiera.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><i><b>Laura Emilse Brizuela <\/b>\u00e9 doutoranda em Economia Pol\u00edtica Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PEPI-UFRJ). Mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade do Estado de Rio de Janeiro (PPGRI &#8211; UERJ) (2014). Licenciada em Jornalismo na Universidad de Palermo (UP), Buenos Aires (2011). Experi\u00eancia em meios de Comunica\u00e7\u00e3o: Jornais, Blogs, R\u00e1dio e TV com \u00eanfase em Pol\u00edtica Internacional. Participa\u00e7\u00e3o no N\u00facleo de Estudos Internacionais Brasil-Argentina (NEIBA) da UERJ (2013-2017).<\/i><\/i><br \/><i><i><br \/><\/i><\/i><i><i>Como citar:<\/i><\/i><br \/><span style=\"background-color: white; color: #1c1e21; font-family: &quot;helvetica&quot; , &quot;arial&quot; , sans-serif; font-size: 14px; line-height: 19.32px;\">BRIZUELA, Laura. Elei\u00e7\u00f5es na Argentina &#8211; 2019: o lugar do trabalhador no kirchnerismo e no macrismo. <i>Di\u00e1logos Internaciona<\/i><\/span><span style=\"background-color: white; color: #1c1e21; display: inline; font-family: &quot;helvetica&quot; , &quot;arial&quot; , sans-serif; font-size: 14px; line-height: 19.32px;\"><i>is<\/i>, vol.6, n. 63, ago.2019. Acessado em [09\/08\/2019]. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<\/span><br \/><span style=\"background-color: white; display: inline; font-size: 14px; line-height: 19.32px; text-align: start;\"><span style=\"color: #1c1e21; font-family: &quot;helvetica&quot; , &quot;arial&quot; , sans-serif;\">http:\/\/www.dialogosinternacionais.com.br\/2019\/08\/eleicoes-argentina-2019-o-lugar-do.html<\/span><\/span><\/div>\n<p><i><\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 63 | Ago. 2019 Por Laura Emilse Brizuela Do<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[657],"tags":[],"class_list":["post-1641","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume6"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1641"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2262,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1641\/revisions\/2262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}