{"id":1653,"date":"2019-02-06T08:00:00","date_gmt":"2019-02-06T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1653"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"o-fantasma-de-bolivar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1653","title":{"rendered":"O fantasma de Bol\u00edvar"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h3 style=\"text-align: start;\">Volume 6 | N\u00famero 57 | Fev. 2019<\/h3>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><i>Por Bernardo Salgado Rodrigues<\/i><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-peO82emYqQE\/VbapVQp1BXI\/AAAAAAAAAes\/2vilg3xwEb8_jDvKXHd-uROnOqM4m-5hQCPcBGAYYCw\/s1600\/Heartland.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"507\" data-original-width=\"460\" height=\"320\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-peO82emYqQE\/VbapVQp1BXI\/AAAAAAAAAes\/2vilg3xwEb8_jDvKXHd-uROnOqM4m-5hQCPcBGAYYCw\/s320\/Heartland.jpg\" width=\"290\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Parafraseando Karl Marx no contexto europeu do s\u00e9culo XIX, em seu cl\u00e1ssico livro do Manifesto<a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftn1\">[1]<\/a>: &#8220;um espectro ronda a Am\u00e9rica Latina &#8211; o espectro de Bol\u00edvar.&#8221; Tal como a &#8220;maldi\u00e7\u00e3o&#8221; que o termo comunismo possui em algumas fra\u00e7\u00f5es pol\u00edticas latino-americanas, o termo bolivarianismo possui equidade no car\u00e1ter pejorativo: toda e qualquer forma de buscar desqualificar alguma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o atenda aos anseios de ditos grupos \u00e9 taxado de comunismo ou bolivarianismo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Neste pequeno excerto, busca-se desmistificar o car\u00e1ter pejorativo do termo bolivarianismo, devido ao pr\u00f3prio desconhecimento da figura hist\u00f3rica em alguns pa\u00edses, principalmente no Brasil. Sim\u00f3n Bol\u00edvar sempre foi uma figura pol\u00eamica, contradit\u00f3ria e mal-compreendida. At\u00e9 mesmo Karl Marx, ao escrever o verbete sobre Bol\u00edvar na <i>New American Cyclopaedia<\/i>, de 1857, o retrata em termos preconceituosos ao repudi\u00e1-lo, comparando-o com Napole\u00e3o Bonaparte e o taxando de manipulador e ditador, afirmando que \u201co que Bol\u00edvar realmente almejava era erigir toda a Am\u00e9rica do Sul como uma \u00fanica rep\u00fablica federativa, tendo nele pr\u00f3prio seu ditador.&#8221; (MARX, 2008, p.53)<a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftn2\">[2]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, as rep\u00fablicas latino-americanas ganharam sua independ\u00eancia como parte de um processo pol\u00edtico internacional bastante complexo, que teve influ\u00eancia da independ\u00eancia das treze col\u00f4nias norte-americanas, da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, da revolta dos escravos no Haiti e, principalmente, das Guerras napole\u00f4nicas e das invas\u00f5es na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Destarte, \u00e9 consenso na historiografia latino-americana que os movimentos emancipat\u00f3rios do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX possuem rela\u00e7\u00e3o direta com os acontecimentos europeus. Com a crise da monarquia espanhola em 1808 \u2212 &#8220;que deixou a na\u00e7\u00e3o sem nenhum governo cuja legitimidade fosse aceita unanimemente&#8221; (BETHELL, 2009, p.119) \u2212, aluta pela independ\u00eancia tem in\u00edcio e dura cerca de dezesseis anos, at\u00e9 a Batalha de Ayacucho, em 1824.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que surge a figura de Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Com uma educa\u00e7\u00e3o liberal e &#8220;uma devo\u00e7\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o, \u00e0 liberdade e \u00e0 ordem, que o acompanhou por toda a vida&#8221; (BETHELL, 2009, p.65), visualizava que nenhuma vit\u00f3ria parcial das nascentes rep\u00fablicas sul-americanas estava garantida enquanto as tropas espanholas continuassem atuando no continente. Deste fato adv\u00e9m a necessidade de uma gest\u00e3o libertadora continental, um dos pilares de seu pensamento.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A uni\u00e3o dos governos dos povos da Am\u00e9rica se apresenta como uma consequ\u00eancia da guerra pela independ\u00eancia e como garantia de consolida\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria sobre a Espanha, mas, concomitantemente, como necessidade da vontade pol\u00edtica dos novos governantes das rep\u00fablicas rec\u00e9m-libertadas. \u201cDirei ao senhor o que pode nos tornar capaz de expulsar os espanh\u00f3is e de fundar um governo livre: \u00e9 a uni\u00e3o, sem d\u00favida; mas essa uni\u00e3o n\u00e3o nos chegar\u00e1 por milagres divinos, e sim por efeitos sens\u00edveis e esfor\u00e7os bem dirigidos.\u201d (BOL\u00cdVAR, 1992, p.74)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A <i>Cartada Jamaica,<\/i> escrita por Bol\u00edvar em 1815, reitera as cr\u00edticas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es adotadas pelos regimes anteriores, analisando o passado da Am\u00e9rica Latina e suas impress\u00f5es sobre os acontecimentos da \u00e9poca. Neste texto, surge o conceito de &#8220;P\u00e1tria Grande&#8221;, &#8220;la m\u00e1s grande naci\u00f3n del mundo, menos por su extensi\u00f3n y riqueza que por su libertad y gloria.&#8221; (BOLIVAR, 2013, p.68), que se refere ao sentido de comunidade, de pertencimento comum das na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, do imagin\u00e1rio coletivo de uma poss\u00edvel unidade pol\u00edtica, de uma consci\u00eancia de solidariedade continental<a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 1824, h\u00e1 uma convoca\u00e7\u00e3o ao Congresso do Panam\u00e1, a Primeira Assembl\u00e9ia Internacional de Estados Americanos, assinado pelo Libertador em 7 de dezembro de 1824, dois dias antes da batalha de Ayacucho. Marco mais percept\u00edvel do pensamento integracionista de Bol\u00edvar, a chamada para o Congresso do Panam\u00e1 ilustra o imperativo visualizado por ele na consecu\u00e7\u00e3o de um projeto pol\u00edtico de uni\u00e3o dos interesses e das rela\u00e7\u00f5es entre as rep\u00fablicas americanas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote><p><i>Entablar aquel sistema y consolidar el poder de este gran cuerpo pol\u00edtico, pertenece al ejercicio de una autoridad sublime que dirija la pol\u00edtica de nuestros gobiernos, cuyo influjo mantenga la uniformidad de sus principios, y cuyo nombre s\u00f3lo calme nuestras tempestades. Tan respetable autoridad no puede existir sino en una asamblea de plenipotenciarios, nombrados por cada una de nuestras rep\u00fablicas y  reunidos bajo los auspicios de la victoria obtenida por nuestras armas contra el poder espa\u00f1ol. (BOLIVAR, 2013, p.147-148)<\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Devido \u00e0s dificuldades de transporte da \u00e9poca e \u00e0 guerra, o projeto da realiza\u00e7\u00e3o do Congresso levou de &#8220;1821 at\u00e9 1826, data em que se conseguiu, finalmente, realizar a reuni\u00e3o.&#8221; (RAMOS, 2012, p.287) O Congresso constituiu um antecedente da futura coopera\u00e7\u00e3o interamericana e foi assinado, no final do mesmo ano, um Tratado de Uni\u00e3o, Liga e Confedera\u00e7\u00e3o perp\u00e9tuo entre os quatro estados latino-americanos presentes (M\u00e9xico, a Federa\u00e7\u00e3o Centro-Americana, a Gran Colombia e o Peru). Entretanto, o congresso se mostrou uma ilus\u00e3o para as condi\u00e7\u00f5es materiais da Am\u00e9rica rec\u00e9m-independente, um indicativo da falta de condi\u00e7\u00f5es para uma coopera\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero na \u00e9poca. Apesar da import\u00e2ncia simb\u00f3lica do Congresso do Panam\u00e1 para o pensamento bolivariano e integracionista, o desfecho da reuni\u00e3o foi aqu\u00e9m das expectativas. O congresso se dissolveu, fazendo com que, nos anos vindouros, &#8220;os climas benignos para a unidade latino-americana ficaram desaparecidos por muito tempo.&#8221; (RAMOS, 2012, p.304)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim, como um dos pais fundadores das na\u00e7\u00f5es independentes da Am\u00e9rica Latina, para Bol\u00edvar (1992, p.31):<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote><p><i>uma \u00fanica deve ser a p\u00e1tria de todos os americanos (&#8230;) nos apressaremos, com o mais vivo interesse, para estabelecer, de nossa parte, o pacto americano que, formado de todas as nossas rep\u00fablicas um corpo pol\u00edtico, apresente a Am\u00e9rica ao mundo com um aspecto de majestade e grandeza sem paralelo nas na\u00e7\u00f5es antigas.&nbsp;<\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Bol\u00edvar encarou a necessidade de alcan\u00e7ar um desenvolvimento e integra\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina em seu tempo hist\u00f3rico, atrav\u00e9s do estabelecimento da ordem interna e da estabilidade pol\u00edtica. Ele influenciou, posteriormente e at\u00e9 a atualidade, os int\u00e9rpretes e pensadores latino-americanos, compreendendo a necessidade de ruptura com a depend\u00eancia hist\u00f3rico-estrutural e a domina\u00e7\u00e3o dos centros de poder ao longo da hist\u00f3ria. Assim, seu pensamento vem pautando as discuss\u00f5es acerca dos projetos de integra\u00e7\u00e3o regional de forma aut\u00f4noma e soberana fundada na alian\u00e7a das na\u00e7\u00f5es-irm\u00e3s para defesa e destino comuns.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para os defensores da liberdade, igualdade e da Ta\u00e7a Libertadores da Am\u00e9rica (aos amantes de futebol), \u00e9 um contrassenso intitular-se &#8220;anti-bolivariano&#8221;: ou se desconhece o papel pol\u00edtico de Bol\u00edvar, ou a defesa de tais princ\u00edpios \u00e9 mera ret\u00f3rica e visa um projeto pol\u00edtico antag\u00f4nico. O paralelismo temporal entre os s\u00e9culos XIX e XXI \u00e9 significante, uma vez que seguir os preceitos de Bol\u00edvar \u00e9 buscar a segunda independ\u00eancia que falta aos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina: a independ\u00eancia da soberania econ\u00f4mica (e pol\u00edtica) diante de interven\u00e7\u00f5es externas.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b>:&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BETHELL, Leslie (Org.). <i>Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina: da independ\u00eancia a 1870,<\/i> volume III. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo; Bras\u00edlia, DF: Funda\u00e7\u00e3o Alexandre de Gusm\u00e3o, 2009.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BOL\u00cdVAR, S\u00edmon. <i>Escritos Pol\u00edticos.<\/i> Campinas: Unicamp, 1992.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">BOL\u00cdVAR, Sim\u00f3n. <i>Nuestra patria es Am\u00e9rica: discursos y documentos de Sim\u00f3n Bol\u00edvar<\/i>. Buenos Aires: Punto de Encuentro, 2013.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MARX, Karl. <i>Manifesto Comunista.<\/i> S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 1998.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MARX, Karl. <i>Sim\u00f3n Bol\u00edvar por Karl Marx.<\/i> S\u00e3o Paulo: Martins, 2008.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">RAMOS, Jorge Abelardo. <i>Hist\u00f3ria da na\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/i> 2. ed. Florian\u00f3polis: Insular, 2012.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftnref1\">[1]<\/a>MARX, Karl. Manifesto Comunista. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 1998.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftnref2\">[2]<\/a>H\u00e1, neste ponto, quem seja contr\u00e1rio e favor\u00e1vel \u00e0 opini\u00e3o de Karl Marx: Aric\u00f3 (MARX, 2008, p.7-31) afirma que as explica\u00e7\u00f5es err\u00e1ticas de Marx tenham se fundamentado nas insufici\u00eancias e na parcialidade das fontes utilizadas, num eurocentrismo e numa avalia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que o induziu a interpretar Bol\u00edvar como autorit\u00e1rio e bonapartista, uma incompreens\u00e3o do movimento em seu conjunto: \u201cMarx deixou de levar em conta o que seu pr\u00f3prio m\u00e9todo o impelia a buscar em outros fen\u00f4menos sociais que ele analisou: a din\u00e2mica real das lutas de classes ou das for\u00e7as atuantes.\u201d (MARX, 2008, p.23) Em contrapartida, Rosenmann e Cuadrado (MARX, 2008, p.59-76) criticam o pr\u00f3prio misticismo de Bolivar na Venezuela atualmente, uma vis\u00e3o idealizada que o pr\u00f3prio Marx busca destruir. Para eles, Bol\u00edvar pertencia \u00e0 elite crioula, n\u00e3o democr\u00e1tica, mon\u00e1rquica e aristocr\u00e1tica: \u201cBol\u00edvar foi um aristocrata que, por tr\u00e1s das palavras &#8216;Constitui\u00e7\u00e3o&#8217;, &#8216;Federalismo&#8217; e &#8216;Democracia Internacional&#8217;, queria apenas conquistar a ditadura &#8216;mesclando a for\u00e7a e a intriga&#8217;. Separatista, sim; democrata, n\u00e3o.\u201d (MARX, 2008, p.74) A nosso ver, uma vis\u00e3o elitista e p\u00f3s-moderna dos autores, que remete ao &#8220;lugar de fala&#8221; t\u00e3o em voga na atualidade.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/62192b15-29db-47b2-870f-77e892b439ea#_ftnref3\">[3]<\/a>&#8220;Es una idea grandiosa pretender formar de todo el Mundo Nuevo una sola naci\u00f3n con un solo v\u00ednculo que ligue sus partes entre s\u00ed y con el todo. Ya que tiene un origen, una lengua, unas costumbres y una religi\u00f3n, deber\u00eda, por consiguiente, tener un solo Gobierno que confederase los diferentes estados que hayan de formarse; mas no es posible, porque climas remotos, situaciones diversas, intereses opuestos, caracteres desemejantes, dividen a la Am\u00e9rica. \u00a1Qu\u00e9 bello ser\u00eda que el istmo de Panam\u00e1 fuese para nosotros lo que el de Corinto para los griegos! Ojal\u00e1 que alg\u00fan d\u00eda tengamos la fortuna de instalar all\u00ed un augusto congreso de los representantes de las rep\u00fablicas, reinos e imperios a tratar y discutir sobre los altos intereses de la paz y de la guerra, con las naciones de las otras partes del mundo.&#8221; (BOLIVAR, 2013, p.74-75)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 6 | N\u00famero 57 | Fev. 2019 Por Bernardo Salgado Rodrigues Parafraseando<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[657],"tags":[],"class_list":["post-1653","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume6"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1653"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2271,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1653\/revisions\/2271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}