{"id":1658,"date":"2018-12-03T22:57:00","date_gmt":"2018-12-04T00:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1658"},"modified":"2022-05-05T00:30:45","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:45","slug":"repensando-o-mundo-as-obras-de-edward-said","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1658","title":{"rendered":"(Re)pensando o mundo: as obras de Edward Said"},"content":{"rendered":"<p><b>Volume 5 | N\u00famero 55 | Dez. 2018<\/b><\/p>\n<div><b><br \/><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por Matheus Moraes Alves Marreiro<\/div>\n<p><\/p>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/b\/bf\/Poster_of_Edward_Said.jpg\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"332\" data-original-width=\"500\" height=\"212\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/b\/bf\/Poster_of_Edward_Said.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Wikipedia: Professor Edward Said: Scholar, Activist, Palestinian 1935 &#8211; 2003 <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/Palestine\">Palestine<\/a>. Picture taken by <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/User:Just1pin\">Justin McIntosh<\/a>, August 2004<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O objetivo desse texto \u00e9 apresentar as principais ideias do livro Cultura e Imperialismo de Edward Said publicado em 1993<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn1\">[1]<\/a>. Por\u00e9m, para uma melhor compreens\u00e3o do livro ser\u00e1 introduzido, em um primeiro instante, alguns aspectos e reflex\u00f5es sobre a vida do autor. Em seguida ser\u00e1 exposto os argumentos centrais de sua obra de maior express\u00e3o, o Orientalismo: o Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente (1978)<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn2\">[2]<\/a>, que vai ser determinante para os argumentos e pensamentos do Cultura e Imperialismo.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Edward Wadie Said nasceu em Jerusal\u00e9m em 1935 e morreu em 2003 em Nova York. Desde pequeno Said esteve em contato com a cultura do mundo \u201cocidental\u201d e do \u201coriental\u201d. Seus pais eram \u00e1rabes e crist\u00e3os ortodoxos. Seu pai, Ibrahim, nasceu na palestina e era cidad\u00e3o e ex-militar americano e sua m\u00e3e, Hilda, era libanesa. Said viveu durante a sua inf\u00e2ncia com sua fam\u00edlia na Palestina, no L\u00edbano e no Cairo, pa\u00edses majoritariamente mu\u00e7ulmanos, o que o dava uma sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar no lugar certo ou estar fora do lugar<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn3\">[3]<\/a>.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com a divis\u00e3o da Palestina entre os \u00e1rabes e Judeus em 1947, a fam\u00edlia Said foi obrigada a se mudar de Jerusal\u00e9m para o Cairo, onde Edward continuou estudando em escolas de elite que seguiam o modelo brit\u00e2nico. Em consequ\u00eancia disso, Said foi educado na l\u00edngua inglesa e francesa, aprendeu com perfei\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da Inglaterra e da Fran\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o conhecia minimamente a hist\u00f3ria de onde nasceu e cresceu.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Aos 16 anos, Edward foi sozinho para os Estados Unidos para estudar em um col\u00e9gio interno em New England. Em seguida frequentou a Universidade de Princeton, onde concluiu seu bacharelado em 1957 e mestrado em 1960. Em 1964 Said termina seu Doutorado na Universidade de Harvard. Foi professor de literatura comparada da Universidade de Columbia e professor visitante de Harvard, Standford e na Johns Hopkins. Al\u00e9m disso, foi defensor da causa palestina, e fez parte do Palestinian National Council.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O fato dele ser um \u00e1rabe com forma\u00e7\u00e3o ocidental, um estrangeiro nos Estados Unidos, e ter \u201cpertencido\u201d aos dois lados da divisa imperial, permite que o autor entenda esses lugares com maior precis\u00e3o e facilidade, o que torna suas obras bastante ricas. Seus trabalhos influenciaram diversos autores, como os indianos do subaltern studies, acarretando na cria\u00e7\u00e3o dos estudos p\u00f3s-coloniais.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em ambas obras o autor atribui grande import\u00e2ncia da narrativa em sua argumenta\u00e7\u00e3o. Segundo Said \u201co poder de narrar, ou impedir que se formem e surjam outras narrativas, \u00e9 muito importante para a cultura e o imperialismo, e constitui uma das principais conex\u00f5es entre ambos\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn4\">[4]<\/a>. Desse modo, Said atribui o conceito de discurso de Michel Foucault em suas an\u00e1lises. Para Foucault \u201co discurso \u00e9 na sua realidade material de coisa pronunciada ou escrita\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn5\">[5]<\/a>e est\u00e1 vinculado ao desejo e ao poder. Logo, os discursos implicados ao desejo e ao poder fazem parte de um sistema de exclus\u00e3o que usualmente s\u00e3o observados na literatura, na filosofia e na ci\u00eancia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O livro Orientalismo trata sobre quest\u00f5es ligadas a concep\u00e7\u00f5es e tratamentos ocidentais do \u201cOutro\u201d e o papel desempenhado pela cultura ocidental no mundo. O argumento central do livro \u00e9 baseado na ideia de que o Oriente \u00e9 constru\u00eddo pelo discurso do Ocidente atrav\u00e9s de suas pr\u00f3prias vontades. Said afirma que o \u201cOcidente constr\u00f3i o oriente o descrevendo e, depois, colonizando e governando-o, tendo como objetivo dominar, reestruturar e ter autoridade para sobre ele\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn6\">[6]<\/a>. Ou seja, essa rela\u00e7\u00e3o entre Ocidente e o Oriente \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de poder e de domina\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O Oriente tem sido criado por acad\u00eamicos, viajantes, poetas, romancistas, fil\u00f3sofos, te\u00f3ricos pol\u00edticos, economistas ocidentais e administradores imperiais. Essas constru\u00e7\u00f5es do outro s\u00e3o feitas, em grande parte, atrav\u00e9s de generaliza\u00e7\u00f5es e silenciamentos. \u00c9 atribu\u00edda \u201crubricas falsamente unificadoras como \u201cAm\u00e9rica\u201d, \u201cOcidente\u201d, ou \u201cIsl\u00e3\u201d, inventando identidades coletivas para multid\u00f5es de indiv\u00edduos que na realidade s\u00e3o muito diferentes uns dos outros\u201d <a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn7\">[7]<\/a>. No decorrer do livro ele observa atrav\u00e9s de uma genealogia que a cria\u00e7\u00e3o do oriente se d\u00e1 pela divis\u00e3o entre um \u201cn\u00f3s\u201d, europeus, civilizados, brancos, desenvolvidos versusum\u201celes\u201d, nativos, b\u00e1rbaros, subdesenvolvidos, sendo essas conota\u00e7\u00f5es dotadas de etnocentrismo, subjugando o outro como um ser inferior.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ter escrito o Orientalismo, Said come\u00e7a a reunir ideais sobre a rela\u00e7\u00e3o entre cultura e imperialismo, resultando em confer\u00eancias feitas nos Estados Unidos, Canad\u00e1 e na Inglaterra em 1985 e 1988. O livro Cultura e Imperialismo surge como uma tentativa de ampliar a argumenta\u00e7\u00e3o do livro anterior \u2013 que era restrito ao Oriente M\u00e9dio e que n\u00e3o inclu\u00eda a rea\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio ocidental que culminou no movimento de descoloniza\u00e7\u00e3o do Terceiro Mundo. Para tanto, \u00e9 investigado textos europeus sobre a \u00c1frica, a \u00cdndia, partes do Extremo Oriente, Austr\u00e1lia e Caribe. Esses discursos africanistas e indianistas s\u00e3o considerados \u201cparte integrante da tentativa europeia geral de dominar povos e terras distantes, e, portanto, relacionados com as descri\u00e7\u00f5es orientalistas do mundo isl\u00e2mico, bem como as maneiras espec\u00edficas pelas quais a Europa representa o Caribe, a Irlanda e o Extremo Oriente\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim como no primeiro livro, Said da \u00eanfase a cultura. Para ele:&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p><i>\u201ccultura\u201d designa todas aquelas pr\u00e1ticas, como as artes de descri\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o, que t\u00eam relativa autonomia perante os campos econ\u00f4micos, social e pol\u00edtico, e que ami\u00fade existem sob formas est\u00e9ticas, sendo o prazer um de seus principais objetivos. Incluem-se a\u00ed, naturalmente, tanto o saber popular sobre partes distantes do mundo quanto o conhecimento especializado de disciplinas como a etnografia, a historiografia, a filologia, a sociologia e a hist\u00f3ria liter\u00e1ria.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn9\">[9]<\/a><\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em complemento a essa defini\u00e7\u00e3o, o autor completa afirmando que cultura \u00e9 uma fonte de identidade, pois a cultura muitas vezes \u00e9 associada de forma agressiva ao Estado ou \u00e0 na\u00e7\u00e3o, o que cria uma ideia de diferen\u00e7a entre \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d quase sempre com algum grau de xenofobia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As culturas s\u00e3o na realidade h\u00edbridas, amb\u00edguas e impuras, e aderem elementos \u201cestrangeiros\u201d. Nesse caso, \u00e9 imposs\u00edvel pensar a Inglaterra sem o impacto cultural da \u00cdndia e vice-versa. Al\u00e9m desse exemplo, o autor tamb\u00e9m resgata na hist\u00f3ria o exemplo das civiliza\u00e7\u00f5es gregas antigas. Essas sociedades tinham ra\u00edzes na cultura eg\u00edpcia, semita e v\u00e1rias outras orientais, entretanto, durante o s\u00e9culo XIX ela foi remoldada como uma cultura \u201cariana\u201d, tendo suas ra\u00edzes semitas e africanas ocultas e removidas.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn10\">[10]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Desse modo, o m\u00e9todo \u00e9 enfocar nas formas culturais, sobretudo em alguns romances espec\u00edficos produzidos por autores dos imp\u00e9rios ocidentais modernos do s\u00e9culo XIX e XX. N\u00e3o obstante, o autor reconhece outras formas de narrativas que foram importantes na forma\u00e7\u00e3o das atitudes e experi\u00eancias imperiais, mas nesse livro ele escolhe o romance como o objeto de estudo em decorr\u00eancia de suas liga\u00e7\u00f5es com as sociedades inglesas e francesas.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para Said, os escritores est\u00e3o ligados \u00e0 hist\u00f3ria de suas sociedades, moldando e moldados por essa hist\u00f3ria e suas experi\u00eancias sociais em diferentes graus<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn11\">[11]<\/a>. Com isso, ele observa que poucos autores ingleses e franceses questionaram a no\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a \u201cinferior\u201d ou \u201csubmissa\u201d no per\u00edodo que governavam as col\u00f4nias na \u00cdndia e Arg\u00e9lia. Essas ideias aceitas ajudaram a expandir a conquista imperial de territ\u00f3rios na \u00c1frica ao longo do s\u00e9culo XIX.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Apesar de reconhecer que existiram outros imp\u00e9rios como o austro-h\u00fangaro, o otomano, o russo, o portugu\u00eas e o espanhol, o autor opta por estudar a experi\u00eancia imperial inglesa, francesa e americana, pois essas possuem uma import\u00e2ncia cultural especial e coer\u00eancia \u00fanica. Na vis\u00e3o dele a Inglaterra \u00e9 uma classe imperial por si s\u00f3, sendo a maior delas; A Fran\u00e7a, por sua vez, foi a principal rival da Inglaterra durante dois s\u00e9culos; e os Estados Unidos come\u00e7aram como imp\u00e9rio no s\u00e9culo XIX, mas foi ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o dos imp\u00e9rios brit\u00e2nicos e franceses que eles passaram a assumir o lugar dos outros dois.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn12\">[12]<\/a> <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Atualmente, s\u00e3o poucas regi\u00f5es do globo que n\u00e3o foram afetadas pelo imperialismo europeu, principalmente do brit\u00e2nico e do franc\u00eas. Em 1800 as pot\u00eancias ocidentais detinham 35% dos territ\u00f3rios do mundo, e em 1878 atingiram 67%. Esses n\u00fameros s\u00f3 foram expandindo, em 1914, a Europa tinha um total de 85% do globo, na forma de col\u00f4nias, protetorados, depend\u00eancias, dom\u00ednios e commonwealths<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn13\">[13]<\/a>. Sendo assim, os estudos n\u00e3o podem ignorar os imp\u00e9rios e o contexto imperial, porque foram esse tipo de dom\u00ednio ou possess\u00f5es que lan\u00e7aram as bases para um mundo inteiramente global.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As defini\u00e7\u00f5es de imperialismo s\u00e3o complexas e muitas vezes controversas. Existem muitos estudos carregados com v\u00e1rias quest\u00f5es, pol\u00eamicas e premissas ideol\u00f3gicas o que torna dif\u00edcil a utiliza\u00e7\u00e3o do termo. Dentre esses autores destacam-se: Kautsky, Hilferding, Luxemburgo, L\u00eanin, Hobson, Schumpeter, Arendt, Magdoff, Paul Kennedy e Noam Chomsky.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn14\">[14]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O imperialismo est\u00e1 relacionado a territ\u00f3rios e possess\u00f5es, geografia e poder. Resumidamente, o imperialismo significa \u201cpensar, colonizar, controlar terras que n\u00e3o s\u00e3o nossas, que est\u00e3o distantes, que s\u00e3o possu\u00eddas e habitadas por outros. Por in\u00fameras raz\u00f5es, elas atraem algumas pessoas e muitas vezes trazem uma mis\u00e9ria indescrit\u00edvel para outras\u201d.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn15\">[15]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Neste livro, o autor tenta concentrar nas disputas efetivas pelas terras e pelos habitantes dessas terras. Dessa forma, o autor afirma que nenhum de n\u00f3s est\u00e1 fora da geografia, assim como nenhum de n\u00f3s est\u00e1 totalmente ausente da luta pela geografia. Essa luta se apresenta de forma complexa pois n\u00e3o se trata apenas de militarismo e poder material, mas trata-se tamb\u00e9m de ideias, formas, imagens e representa\u00e7\u00f5es. A terra continua sendo o principal ponto em disputa pelo imperialismo, por\u00e9m as quest\u00f5es como quem possu\u00eda a terra, quem tinha o direito de estabelecer nela, quem deveria explora-la, quem a reconquistou e quem deve planejar seu futuro, eram discutidas e decididas na narrativa, ou seja, no campo do discurso.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn16\">[16]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, Said utiliza o \u201ctermo \u201cimperialismo\u201d para designar a pr\u00e1tica, a teoria e as atitudes de um centro metropolitano dominante governando um territ\u00f3rio distante; o \u201ccolonialismo\u201d, quase sempre uma consequ\u00eancia do imperialismo, \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias em territ\u00f3rios distantes\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn17\">[17]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O imperialismo e o colonialismo n\u00e3o podem ser resumidos a apenas uma l\u00f3gica econ\u00f4mica de explora\u00e7\u00e3o buscando a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro do colonizador. Para Said&nbsp;<\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-style: italic;\"><br \/><\/span><\/div>\n<p><i><\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><i>Havia um comprometimento por causa dos lucros, e que ia al\u00e9m dele, um comprometimento na circula\u00e7\u00e3o e recircula\u00e7\u00e3o constantes, o qual, por um lado, permitia que pessoas decentes aceitassem a ideia de que territ\u00f3rios distantes e respectivos povos deviam ser subjugados e, por outro, revigorava as energias metropolitanas, de maneira que essas pessoas decentes pudessem pensar no imperium como dever planejado, quase metaf\u00edsico, de governar povos subordinados, inferiores ou menos avan\u00e7ados.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn18\">[18]<\/a><\/i><\/i><\/div>\n<p><i><\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de colonialismo que busca implantar col\u00f4nias acabou em grande medida ap\u00f3s as independ\u00eancias adquiridas com os movimentos de descoloniza\u00e7\u00e3o, mas as atitudes imperiais concomitantes a conquista colonial ainda continuam, principalmente na esfera cultural e em algumas pr\u00e1ticas pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, econ\u00f4micas e sociais. Embora hoje n\u00e3o haja nenhum espa\u00e7o vazio ou nova col\u00f4nia a se fundar, o ciclo imperial se repete no ambiente global atrav\u00e9s dessas esferas citadas.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn19\">[19]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As antigas disputas entre colonizador e colonizado ressurgiram nas rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul, metr\u00f3pole e periferia, brancos e nativos. Essas rela\u00e7\u00f5es provocaram uma postura defensiva, assim como combates ret\u00f3ricos e ideol\u00f3gicos e uma hostilidade entre as culturas ocidentais e orientais capazes de eclodir em crises. Edward Said critica essa pol\u00edtica da culpa do confronto e da hostilidade, por isso, prop\u00f5e uma an\u00e1lise alternativa observando diversas experiencias. Em seu livro ele n\u00e3o pretende culpar os europeus pelos problemas no presente ou lan\u00e7ar cr\u00edticas contra a arte e a cultura europeia.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn20\">[20]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No desenvolver de seu livro \u00e9 investigada a obra \u201cCora\u00e7\u00e3o das Trevas\u201d de Conrad escrita entre 1898 e 1899, entre outras como \u201cKim de Kipling\u201d. Nessas obras, em especial a de Conrad, \u00e9 observado que est\u00e3o cheias de refer\u00eancias a miss\u00e3o civilizat\u00f3ria, com projetos de \u201clevar a luz aos lugares e povos escuros deste mundo por meio de atos da vontade e demonstra\u00e7\u00f5es de poder\u201d.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn21\">[21]<\/a> <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Contemporaneamente, as representa\u00e7\u00f5es do mundo \u00e1rabe, por exemplo, s\u00e3o moldadas e manipuladas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o no Ocidente. Desde a guerra de 1967 as imagens que tem sido pintada s\u00e3o feitas de maneira toscas, reducionistas e grosseiramente racistas. Isso pode ser observado em filmes e programas de televis\u00e3o que retratam os \u00e1rabes como \u201ccameleiros\u201d, frouxos, terroristas e xeques ricos<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn22\">[22]<\/a>. Al\u00e9m disso,&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p><i>os discursos universalizantes da Europa e dos Estados Unidos modernos, sem nenhuma exce\u00e7\u00e3o significativa, pressup\u00f5em o sil\u00eancio, volunt\u00e1rio ou n\u00e3o, do mundo n\u00e3o europeu. H\u00e1 incorpora\u00e7\u00e3o; h\u00e1 exclus\u00e3o; h\u00e1 dom\u00ednio direto; h\u00e1 coer\u00e7\u00e3o. Mas muito raramente admite-se que o povo colonizado deve ser ouvido e suas ideias.<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn23\">[23]<\/a><\/i><\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">E quando algu\u00e9m fala como membro de uma minoria de vozes marginais ou subalternas, os cr\u00edticos jornal\u00edsticos e acad\u00eamicos, que fazem parte do sistema dominante de recursos informativos e acad\u00eamicos, adotam um tom cr\u00edtico e fazem uma \u201csepara\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 n\u00e3o branco, n\u00e3o ocidental, n\u00e3o judaico-crist\u00e3o, e o esp\u00edrito ocidental aceito e eleito, ent\u00e3o reunindo tudo isso sob v\u00e1rios r\u00f3tulos degradantes\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn24\">[24]<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, existe uma nova consci\u00eancia global, um movimento, uma literatura e uma teoria de resist\u00eancia e rea\u00e7\u00e3o ao imp\u00e9rio. Essas novas leituras e conhecimentos buscam come\u00e7ar um debate em p\u00e9 de igualdade com o mundo metropolitano, mostrando a diversidade e as diferen\u00e7as do mundo n\u00e3o europeu. Esse movimento tem se desenvolvido em Estados ex-colonizados atrav\u00e9s de intelectuais que tem imposto suas diversas hist\u00f3rias e que t\u00eam mapeado suas geografias locais nos grandes textos do centro europeu <a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftn25\">[25]<\/a>. Por fim, mesmo que esses projetos sejam incipientes e recentes, Said os enxerga como importante pois v\u00e3o al\u00e9m da polaridade do Ocidente versus Oriente, buscando compreender os desenvolvimentos heterog\u00eaneos e singulares que costumavam escapar os praticantes da hist\u00f3ria mundial.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, Michel. <i>A ordem do discurso: aula inaugural no Coll\u00e8ge de France,<\/i> pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradu\u00e7\u00e3o de Laura Fraga de Almeida Sampaio. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2012.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">SAID, Edward. <i>Cultura e Imperialismo.<\/i> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">______<i>Fora do Lugar: mem\u00f3rias<\/i>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1993<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">______.<i>Orientalismo: O Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente. <\/i>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref1\">[1]<\/a>SAID, Edward. Cultura e Imperialismo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref2\">[2]<\/a>SAID, Edward. Orientalismo: o Oriente como constru\u00e7\u00e3o do Ocidente. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref3\">[3]<\/a>O livro Fora do Lugar: mem\u00f3rias \u00e9 uma autobiografia de Edward Said publicado em 1951. O livro apresenta reflex\u00f5es interessantes sobre a ideia de pertencimento. Nesse livro \u00e9 exposto algumas lembran\u00e7as do autor e o seu sentimento de n\u00e3o pertencer totalmente nenhum dos dois mundos, sem ser totalmente de um ou de outro.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref4\">[4]<\/a>SAID, 2011, p.11.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref5\">[5]<\/a>FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Coll\u00e8ge de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradu\u00e7\u00e3o de Laura Fraga de Almeida Sampaio. S\u00e3o Paulo: edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2012.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref6\">[6]<\/a>SAID, 2007, p.29.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref7\">[7]<\/a>Ibid., p.25<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref8\">[8]<\/a>SAID, 2011, p.9.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref9\">[9]<\/a>Ibid., p.10.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref10\">[10]<\/a>Ibid., p. 51.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref11\">[11]<\/a>Ibid., p.24.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref12\">[12]<\/a>Ibid., p.25.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref13\">[13]<\/a>Ibid., p.40.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref14\">[14]<\/a>Ibid., p.36<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref15\">[15]<\/a>Ibid., p.39<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref16\">[16]<\/a>Ibid., p.11<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref17\">[17]<\/a>Ibid., p.42.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref18\">[18]<\/a>Ibid., p.44.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref19\">[19]<\/a>Ibid., p.57<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref20\">[20]<\/a>Ibid., p.54.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref21\">[21]<\/a>Ibid., p.72<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref22\">[22]<\/a>Ibid., p.81&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref23\">[23]<\/a>Ibid., p.101.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref24\">[24]<\/a>Ibid., p.70<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"applewebdata:\/\/519ef242-31fb-4cc7-b767-c2ef68bd1e81#_ftnref25\">[25]<\/a>Ibid., p.105<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><i><br \/><b>Matheus Moraes Alves Marreiro<\/b> \u00e9 p\u00f3s-graduando em Seguran\u00e7a Internacional e Defesa na Escola Superior de Guerra. Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Cat\u00f3lica de Petr\u00f3polis.  E-mail: mathmarreiro@hotmail.com<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 5 | N\u00famero 55 | Dez. 2018 Por Matheus Moraes Alves Marreiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[656],"tags":[],"class_list":["post-1658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume5"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2240,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1658\/revisions\/2240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}