{"id":1683,"date":"2017-11-08T08:00:00","date_gmt":"2017-11-08T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1683"},"modified":"2022-12-30T16:39:57","modified_gmt":"2022-12-30T19:39:57","slug":"dossie-malvinas-as-ilhas-malvinas-antes-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1683","title":{"rendered":"Dossi\u00ea Malvinas: As Ilhas Malvinas antes da Guerra"},"content":{"rendered":"<p><b>Volume 4 | N\u00famero 42 | Nov. 2017<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Laura Emilse Brizuela, do blog <a href=\"https:\/\/pautaglobal.wordpress.com\/\">Pauta Global<\/a><\/p>\n<p><b><br \/>\nIntrodu\u00e7\u00e3o*<\/b><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/pautaglobal.files.wordpress.com\/2012\/04\/malvinas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pautaglobal.files.wordpress.com\/2012\/04\/malvinas.jpg\" width=\"400\" height=\"278\" border=\"0\" data-original-height=\"373\" data-original-width=\"535\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Passados j\u00e1 35 anos da guerra das Malvinas, muitas s\u00e3o as investiga\u00e7\u00f5es, disserta\u00e7\u00f5es e teses, debates e reflex\u00f5es em torno do conflito armado. As discuss\u00f5es com frequ\u00eancia alcan\u00e7am altos graus de paix\u00f5es e costumam se focar em 1982. Surpreende-me que acad\u00eamicos dos mais variados ramos da Ci\u00eancia, incluso das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, esque\u00e7am dos acontecimentos que deram lugar \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o argentina para se centrar (mais uma vez) no tr\u00e1gico enfrentamento militar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cPor que voc\u00eas, argentinos, querem tanto essas ilhazinhas?\u201d \u201cComo \u00e9 que pensaram que poderiam ganhar de uma pot\u00eancia naval como a Inglaterra?\u201d \u201cVoc\u00eas realmente acreditam que algum dia v\u00e3o t\u00ea-las de volta?\u201d \u201cVoc\u00ea iria pra guerra para recuper\u00e1-las?\u201d, me perguntam n\u00e3o poucas vezes. Para ser honesta, quase nunca respondo com seriedade. Trata-se de um tema longo, complicado, e que, queira ou n\u00e3o, me afeta. Como afeta a grande maioria dos argentinos. Isto, talvez se explique no que Molina (1995) chama de \u201csenso de continuidade hist\u00f3rica\u201d que n\u00f3s temos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><i>Se ha perdido una batalla, pero no la guerra, se ha dicho y repetido muchas veces en la historia, en algunos casos hasta por v\u00eda de consuelo. Pero la expresi\u00f3n, como otras de la misma \u00edndole e iguales intenciones, revelan cierto estado de continuidad hist\u00f3rica y cr\u00edtica. En la Argentina no hemos abandonado la idea de la recuperaci\u00f3n de las islas Malvinas como vibrante y permanente objetivo nacional. Este culto ya ha cumplido con exceso 150 a\u00f1os de ininterrumpida vigencia. El pueblo argentino no abandona ni abandonar\u00e1 su tesis reivindicatoria y la reciente guerra ha exaltado esos sentimientos. Es con mucha frecuencia que escuchamos en nuestros hogares, en las calles y las plazas, talleres y mercados, en todo tipo de reuni\u00f3n o simple encuentro: Otra vez ser\u00e1. Los padres dicen a sus hijos, y los futuros padres lo repetir\u00e1n a su debido tiempo. Yo no pude, pero mis hijos lo podr\u00e1n. O mis nietos o mis bisnietos. Pero un d\u00eda las islas volver\u00e1n a ser nuestras. Nadie lo dude, ya hemos dicho. (Molina, 1995, p.196)<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a><\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Certo \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica nos exige altas doses do outrora gabado objetivismo. Contudo, tamb\u00e9m \u00e9 certo que a impossibilidade de descartar absolutamente a subjetividade \u00e9 parte do caminho humano para se relacionar com a Ci\u00eancia. Ou seja, a conex\u00e3o entre o objeto de pesquisa e meu eu condicionar\u00e1 os resultados da investiga\u00e7\u00e3o e da reflex\u00e3o sobre os debates posteriores. Esta verdade est\u00e1 mais do que provada e discutida na nossa disciplina e me atrevo a dizer que nas Ci\u00eancias Sociais em geral. Em resumo, trata-se de um posicionamento pol\u00edtico que al\u00e9m de inevit\u00e1vel, considero honesto abra\u00e7ar, pois seria um contrassenso pensar na constru\u00e7\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sem admitir abertamente esse posicionamento pol\u00edtico. Por exemplo, o simples fato de escolher referir-se \u00e0s ilhas como Malvinas ou Falklands demonstra uma posi\u00e7\u00e3o, a priori, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania das mesmas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 ouvi ingleses que s\u00e3o favor\u00e1veis, se n\u00e3o \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o, pelo menos \u00e0 abertura do dialogo com a Argentina neste quesito, mas todos chamam as ilhas de Falklands. Isto poderia indicar: 1) a for\u00e7a do h\u00e1bito e do tempo, sendo que a apropria\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima inglesa j\u00e1 leva 184 anos; ou 2) apenas um discurso conciliador, mas que no fundo aceita o colonialismo ingl\u00eas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De todas formas, n\u00e3o \u00e9 nosso objetivo aqui pensar sobre tais quest\u00f5es e sim refletir sobre os caminhos hist\u00f3rico, econ\u00f4mico e pol\u00edtico que levaram a Inglaterra \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de 1833 e com ela, \u00e0 incans\u00e1vel reclama\u00e7\u00e3o argentina que tem lugar desde ent\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O artigo est\u00e1 organizado em tr\u00eas partes, na primeira, irei expor a import\u00e2ncia geopol\u00edtica da regi\u00e3o, com a ajuda de alguns mapas, e farei uma contagem cronol\u00f3gica sobre os primeiros navegantes que chegaram \u00e0s ilhas. Na segunda se\u00e7\u00e3o, me debru\u00e7arei sobre os problemas comerciais entre a Espanha e a Inglaterra por volta do ano 1700. Comentarei sobre a primeira col\u00f4nia de origem francesa, a retirada da Fran\u00e7a, a possess\u00e3o espanhola, a col\u00f4nia inglesa e a sua expuls\u00e3o. Mencionarei alguns Tratados e logo a problem\u00e1tica da rec\u00e9m-nascida \u201cProv\u00edncias Unidas do Rio da Prata\u201d, futura Argentina. Na terceira parte, refletirei sobre a fun\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos em favor dos interesses ingleses, a invas\u00e3o inglesa de 1833 e o come\u00e7o da reivindica\u00e7\u00e3o argentina. Finalmente, farei umas breves considera\u00e7\u00f5es finais, onde mencionarei algumas teorias das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais que mostram poss\u00edveis caminhos para que a queixa argentina encontre solu\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o muito aos colegas Glauber Cardoso Carvalho e Larissa Rosevics pelo convite para participar do Dossi\u00ea sobre as Malvinas. Espero, com este trabalho, homenagear ao povo argentino na sua luta pela devolu\u00e7\u00e3o das ilhas e em especial aos veteranos da guerra, ainda t\u00e3o maltratados e pouco reconhecidos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b><br \/>\nParte I: De geografia, economias e outras estrat\u00e9gias <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao falarmos da quest\u00e3o Malvinas, a geopol\u00edtica aparece como uma das disciplinas mais esclarecedoras para entendermos o reclamo argentino e o interesse ingl\u00eas nas ilhas. Molina (1995) explica que desde o ponto de vista mais estrito, o Atl\u00e2ntico Sul relaciona tr\u00eas continentes de forma direta, sendo estes: Am\u00e9rica, \u00c1frica e Ant\u00e1rtida, (marcados em vermelho no mapa mundi) e de forma indireta: a Europa, \u00c1sia e Oceania (em preto). <i>Adem\u00e1s tiene amplios accesos, el norte (Atl\u00e1ntico Norte \u2013 3.300 km), el oriental (\u00cdndico \u2013 3.900 km) y el occidental (Pac\u00edfico &#8211; 900 km). El acceso sur (Oc\u00e9ano Atl\u00e1ntico) es tambi\u00e9n amplio (Molina, 1995, p.12)<\/i>.<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/--sB4XuRsZ8s\/WfsPRlKWaJI\/AAAAAAAABIk\/c_LTKHOoaWYorDF8ounrU0gfQ_XsVCpwQCEwYBhgL\/s1600\/malvinas2.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/--sB4XuRsZ8s\/WfsPRlKWaJI\/AAAAAAAABIk\/c_LTKHOoaWYorDF8ounrU0gfQ_XsVCpwQCEwYBhgL\/s320\/malvinas2.jpg\" width=\"320\" height=\"201\" border=\"0\" data-original-height=\"372\" data-original-width=\"590\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Rela\u00e7\u00e3o das Malvinas com o mundo. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A extens\u00e3o atual da plataforma continental argentina inclui as ilhas Malvinas, Georgias e Sandwich do Sul, assim como as ilhas Orcadas do Sul e a plataforma correspondente \u00e0 Argentina na Ant\u00e1rtida, como vemos no seguinte mapa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"http:\/\/www.elterritorio.com.ar\/verimg.aspx?F=1&amp;A=810&amp;O=\/img\/1\/156\/0321695856635868_1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.elterritorio.com.ar\/verimg.aspx?F=1&amp;A=810&amp;O=\/img\/1\/156\/0321695856635868_1.jpg\" width=\"430\" height=\"640\" border=\"0\" data-original-height=\"800\" data-original-width=\"538\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Plataforma Argentina. Fonte: <a href=\"http:\/\/www.elterritorio.com.ar\/nota4.aspx?c=0989948472282109\">http:\/\/www.elterritorio.com.ar\/nota4.aspx?c=0989948472282109<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No seguinte mapa podemos ver mais claramente a conforma\u00e7\u00e3o espacial da parte sul da plataforma argentina.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"http:\/\/heraldicaargentina.com.ar\/1-TF-Georgiasmapaislas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/heraldicaargentina.com.ar\/1-TF-Georgiasmapaislas.jpg\" width=\"640\" height=\"284\" border=\"0\" data-original-height=\"275\" data-original-width=\"612\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Ilhas Malvinas, Georgias, Sandwich do Sul e espa\u00e7os mar\u00edtimos circundantes. Fonte: <a href=\"http:\/\/heraldicaargentina.com.ar\/3-TF-IslasGeorgias.htm\">http:\/\/heraldicaargentina.com.ar\/3-TF-IslasGeorgias.htm<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Toda essa regi\u00e3o caracteriza-se pela riqueza em recursos naturais: pesca, petr\u00f3leo e nas ilhas, a produ\u00e7\u00e3o de l\u00e3. Falamos, em suma, de import\u00e2ncia geogr\u00e1fica, hist\u00f3rica, jur\u00eddica, econ\u00f4mica e estrat\u00e9gica. Tudo extremamente atraente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a do \u201cdescobrimento\u201d do continente americano, nas ilhas Malvinas n\u00e3o havia popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias antes da chegada dos diferentes exploradores. As duras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a dist\u00e2ncia, e a falta de conhecimentos mar\u00edtimos das popula\u00e7\u00f5es continentais, mantiveram-nas desconhecidas at\u00e9 o s\u00e9culo XVI.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O primeiro em esbarrar com as Malvinas teria sido Am\u00e9rico Vespucci<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a>, quem em 1502 teria chegado \u00e0s ilhas depois de uma longa viagem desde Lisboa, a terceira dele, deveras. Aparentemente ele chegou \u00e0s ilhas no dia 07 de abril de 1502. Contudo, suas descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o pouco precisas e bastantes confusas. Apenas as descreve como \u201c\u00e1speras e n\u00e3o cultiv\u00e1veis\u201d (Molina, 1995, p. 129), o que \u2013 verdade seja dita \u2013 poderia ser o panorama de quaisquer das outras ilhas do arquip\u00e9lago. Estas descri\u00e7\u00f5es t\u00e3o pouco exatas, n\u00e3o lhe conferem a Am\u00e9rico (ou Alberico) o t\u00edtulo indiscut\u00edvel de primeiro descobridor. O mesmo acontece com Magalh\u00e3es (expedi\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da Espanha), que em 1520 faz alus\u00e3o a uma paragem hostil, sem dar muito mais detalhe.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Aqui devemos fazer uma parada. O capit\u00e3o do barco \u201cSantiago\u201d (da expedi\u00e7\u00e3o de Magalh\u00e3es), conhecido como Serrano, pode ter sido de fato o primeiro em avist\u00e1-las. Logo, Esteban G\u00f3mez, capit\u00e3o do barco \u201cSanto Antonio\u201d ou \u201cSan Ant\u00f3n\u201d, desertor de Magalh\u00e3es, n\u00e3o s\u00f3 as avistou como fez reconhecimento territorial das ilhas, segundo relat\u00f3rios de viagens da \u00e9poca. As ilhas come\u00e7aram a ser chamadas ent\u00e3o de \u201cSan Ant\u00f3n\u201d, em homenagem ao barco que as descobrira, como era costume. Por algum tipo de erro de escritura ou de tradu\u00e7\u00e3o, se conheceram depois como ilhas Sans\u00e3o (Sans\u00f3n em espanhol) (Molina, 1995, p.130).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mas s\u00f3 20 anos depois, em 1540 \u00e9 que os especialistas parecem concordar no autor do descobrimento. Trata-se de Alonso Camargo, capit\u00e3o da nave espanhola \u201cIncognita\u201d que partiu desde Sevilha e deu efetivas mostras de estar em frente das Malvinas. Segundo Goebel (1983) e Destefani (1982), Camargo \u00e9 sinalado como o mais prov\u00e1vel descobridor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por outra parte, em 1592, o ingl\u00eas John Davis, a mando do \u201cDesire\u201d autoproclamou-se tamb\u00e9m descobridor das ilhas. Essa vers\u00e3o de Davis \u00e9 duvidosa j\u00e1 que os detalhes das descri\u00e7\u00f5es da expedi\u00e7\u00e3o al\u00e9m de imprecisos s\u00e3o especialmente controversos, porque apareceram depois dos relatos do holand\u00eas Sebalt de Weert, que por cujos relatos de 1600 \u00e9 de fato, considerado como aquele que comprovou ser o primeiro em avistar as ilhas sem obje\u00e7\u00e3o de outros navegantes. Assim como Davis, outro ingl\u00eas assegurou ter descoberto as ilhas: Richard Hawkind disse ter chegado nelas em 1594, mas s\u00f3 foi contar o sucesso depois de 1600, usando curiosamente as mesmas palavras de Sebalt de Weert.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em um excelente trabalho de conclus\u00e3o de curso, Campanha (2014) descreve com luxo de detalhes todas as pugnas pelo t\u00edtulo de descobridor das Malvinas, que al\u00e9m do prestigio que significaria para o navegante e a sua trupe, evidencia a luta pela conquista dos mares das principais pot\u00eancias da \u00e9poca e a press\u00e3o competitiva, tamb\u00e9m produto das in\u00fameras inova\u00e7\u00f5es no continente europeu que foram fundamentais para a sua proje\u00e7\u00e3o no globo. Entre elas, Hooper e Bennett (1996) destacam as relacionadas com as armas, a organiza\u00e7\u00e3o militar: infantaria, cavalaria, as fortifica\u00e7\u00f5es, o canh\u00e3o, e muito importante para nosso trabalho: o entendimento da guerra naval e os instrumentos para navegar que possibilitaram chegar a todas as partes do globo. Se pensarmos, todos estes elementos configuram a geopol\u00edtica mercantil, monet\u00e1ria e financeira que permitiram a Europa transcender nos pr\u00f3ximos s\u00e9culos e levar adiante revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e industriais como n\u00e3o ter\u00e3o lugar em nenhum outro espa\u00e7o do mundo. As conquistas da \u00c1frica e da Am\u00e9rica tamb\u00e9m s\u00e3o produto destes avan\u00e7os. E nesse sentido, as Malvinas n\u00e3o escaparam a este palco de luta entre as pot\u00eancias.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Voltando ao assunto, Campagna (2014) assegura que:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>El descubridor puede haber sido Am\u00e9rico Vespucio en 1502, o Esteban Gomes en 1520, o la expedici\u00f3n del Obispo de Plascencia en 1540. Lo que es realmente importante para este estudio es dejar en claro que \u201cel hallazgo de las Malvinas fue hecho por los espa\u00f1oles, aunque falta determinar qui\u00e9n lo hizo\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn4\">[4]<\/a> (Campagna, 2014, p.28). <\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, as expedi\u00e7\u00f5es com diferentes bandeiras continuaram por 130 anos, at\u00e9 que em 1730 as ilhas se tornam, pela primeira vez, de uma enorme import\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Parte II: Disc\u00f3rdia entre Espanha e Inglaterra <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entrados os anos 1700, o Imp\u00e9rio espanhol e o brit\u00e2nico mantinham s\u00e9rios conflitos comerciais. Inglaterra no sua necessidade de melhorar a sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica preparou duas expedi\u00e7\u00f5es para Am\u00e9rica: uma destinada aos mares do sul, desde onde a pretens\u00e3o era atacar Buenos Aires (ideia que encontrou espa\u00e7o um s\u00e9culo depois, em 1806 e 1807), e outra foi enviada \u00e0s costas do Pac\u00edfico, desde onde se pretendia tomar Panam\u00e1. N\u00e3o obstante, as rotas foram muito dif\u00edceis e os barcos ingleses decidiram mudar os planos iniciar e ancorar nas Filipinas, da onde voltaram para Inglaterra com um suculento botim.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por esse ent\u00e3o, o almirante Anson enviou uma carta \u00e0 coroa inglesa, onde propunha como \u201cprioridade absoluta para Inglaterra possuir uma base naval em algum ponto ao sul do Brasil\u201d, pudendo ser este as ilhas Pepys ou Malvinas. Em 1749, Anson assume como Oficial executivo principal dos Almirantes e ordena imediatamente uma expedi\u00e7\u00e3o. O embaixador espanhol soube e protestou a Londres, sendo essa a primeira vez que as Malvinas entram em discuss\u00e3o diplom\u00e1tica. Pela sua vez, Inglaterra respondeu que a expedi\u00e7\u00e3o tinha apenas fins cient\u00edficos. De qualquer forma, a permiss\u00e3o foi negada e como Inglaterra passava por problemas internos, n\u00e3o insistiu.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por seu turno, Fran\u00e7a tamb\u00e9m atravessava graves problemas econ\u00f4micos. A guerra dos Sete anos (1756-1763) havia custado muito caro. Sendo assim, a Fran\u00e7a tentava reconstruir seu imp\u00e9rio \u00e0s custas da Espanha, que tamb\u00e9m andava mal de contas: J\u00e1 tinha perdido Florida e o este do Mississipi. Vendo esta debilidade, a Fran\u00e7a desembarcou na ilha Soledad em janeiro de 1764, estabelecendo a primeira col\u00f4nia que chamaram de Porto Louis, em honra ao rei franc\u00eas Luis XV. Ali se instalaram 150 colonos. Como partiram do famoso porto franc\u00eas de Saint Mal\u00f3, os colonos foram logo conhecidos como os malouines, termo que rapidamente come\u00e7ou a ser usado popularmente e que por erro de tradu\u00e7\u00e3o ou de oralidade, acabou sendo modificado pelos espanh\u00f3is que chamavam os habitantes malvinenses e, portanto, as ilhas: Malvinas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Seis meses depois de saber da col\u00f4nia, a Espanha come\u00e7ou as negocia\u00e7\u00f5es com a Fran\u00e7a. O acordo resultou em uma indemniza\u00e7\u00e3o da Espanha \u00e0 Fran\u00e7a de 618 mil libras esterlinas em troca de eles abandonarem as ilhas. A partir de ent\u00e3o os franceses nunca mais reclamaram nenhum direito sobre as ilhas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, em 1767, o Imp\u00e9rio espanhol assume formalmente o controle sobre o Porto Louis, ao qual modifica o nome pelo de Porto Soledad, dependente agora da governa\u00e7\u00e3o de Buenos Aires, a cargo de Francisco Bucarelli. Como governador da col\u00f4nia foi nomeado Felipe Ruiz Puente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/8\/8c\/Mapa_de_Malvinas%2C_Felipe_Ruiz_Puente%2C_1768.jpg\/800px-Mapa_de_Malvinas%2C_Felipe_Ruiz_Puente%2C_1768.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/8\/8c\/Mapa_de_Malvinas%2C_Felipe_Ruiz_Puente%2C_1768.jpg\/800px-Mapa_de_Malvinas%2C_Felipe_Ruiz_Puente%2C_1768.jpg\" width=\"640\" height=\"475\" border=\"0\" data-original-height=\"595\" data-original-width=\"800\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">By Felipe Ruiz Puente (Biblioteca Nacional de Espa\u00f1a) [Public domain], via Wikimedia Commons.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Mapa das ilhas Malvinas criado no 1\u00ba de abril de 1768 quando Felipe Ruiz Puente exercia como primeiro governador espanhol das ilhas (1767-1773), como parte do Vice-reino do Rio da Prata. Mapa de dom\u00ednio p\u00fablico. Biblioteca Nacional da Espanha.<\/div>\n<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Apesar da tomada formal das ilhas por parte da Espanha, em 1764 a Inglaterra despachou em absoluto segredo, uma expedi\u00e7\u00e3o no mando do Comodoro John Byron, que um ano depois se estabeleceu no noroeste da ilha e a batizou como Porto Egmont. Byron escreveu: \u201cTomo possess\u00e3o deste porto e das ilhas adjacentes em nome da sua Majestade o rei Jorge III da Gr\u00e3 Bretanha e as nomeio Ilhas Falkland\u201d. At\u00e9 o momento, nada sabiam os ingleses sobre a col\u00f4nia francesa. Em 1766 chegou outra expedi\u00e7\u00e3o inglesa que no final desse ano se encontraria com os franceses.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em vista desse cen\u00e1rio, em 1768 a corte espanhola exigiu ao governador de Buenos Aires, Francisco Bucarelli, que expulsara imediatamente os ingleses. Desde Montevid\u00e9u, Bucarelli organizou sua frota e no dia 10 de junho de 1768 os expulsou. Este ato foi tomado pela Inglaterra como uma ofensa \u00e0 honra. Inglaterra e Espanha se prepararam ent\u00e3o para a guerra. Espanha contava com o apoio da Fran\u00e7a, que tr\u00e1s o Pacto de Fam\u00edlia, via-se obrigada a participar em favor. Mas, Fran\u00e7a n\u00e3o tinha nem interesse nem capacidade econ\u00f4mica para se envolver em outra guerra. Vendo estas d\u00favidas, Espanha decidiu negociar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O rei espanhol, Carlos III concordou ent\u00e3o devolver \u00e0 coroa inglesa o porto Egmont, se eles respeitavam a soberania espanhola nas ilhas. Tr\u00e1s a assinatura do Acordo, Espanha fixou a sua soberania. Todavia, os ingleses s\u00f3 foram embora tr\u00eas anos depois, e n\u00e3o exatamente por terem respeitado o Acordo, sen\u00e3o porque uma profunda crise econ\u00f4mica os obrigou. Antes de partirem deixaram a seguinte placa de chumbo: \u201cSaibam todas as na\u00e7\u00f5es, que as ilhas Falklands, com este forte, os armaz\u00e9ns, desembargadores, portos naturais, bahias e calhetas a ela pertencentes, s\u00e3o do exclusivo direito e propriedade de sua mais sagrada Majestade Jorge III, Rei da Gr\u00e3 Bretanha, Fran\u00e7a e Irlanda, defensor da f\u00e9, etc. Em testemunha pelo qual, se colocou aqui esta placa e as cores de sua Majestade Brit\u00e2nica que deixamos flameando como signo de possess\u00e3o por S. W. Clayton, Oficial Comandante das Ilhas Falklands. AD. 1774\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Esta plancha fue encontrada en 1775, por el piloto Juan Pascual Calleja, en una exploraci\u00f3n a Puerto Egmont. Seg\u00fan cuenta en su investigaci\u00f3n Paul Groussac, fue tra\u00edda a Buenos Aires y guardada en los archivos del gobierno. Pero en 1806, luego de la toma de la ciudad en la primera invasi\u00f3n inglesa, alguien debi\u00f3 se\u00f1al\u00e1rsela al general Beresford, quien la llev\u00f3 a Inglaterra<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn5\">[5]<\/a> (Campagna, 2014, p. 41). <\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Desde 1767 at\u00e9 1811, o Imp\u00e9rio espanhol exerceu a administra\u00e7\u00e3o absoluta e ininterrompida. Atuaram 18 governadores, anualmente enviava-se um barco com provis\u00f5es desde Montevid\u00e9u e embora n\u00e3o houvesse colonos, havia sim popula\u00e7\u00e3o militar: oficiais e tropas, al\u00e9m de prisioneiros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Resulta conveniente destacar que tr\u00e1s a Conven\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lourenzo ou Nootka Sound, de agosto de 1790, a Espanha e a Inglaterra p\u00f5em fim aos enfrentamentos coloniais, tratado que repercute no conflito pelas Malvinas. Mediante este, os ingleses tinham permiss\u00e3o de comercializar no Pac\u00edfico, poderiam navegar e pescar livremente depois de dez l\u00e9guas da costa. Ali\u00e1s, ambos os pa\u00edses se comprometiam a n\u00e3o formar novas col\u00f4nias e assumiam que aquilo ocupado, permaneceria em status quo. Portanto, a Inglaterra reconhece a soberania espanhola em todos os territ\u00f3rios americanos, por extens\u00e3o, nas Malvinas tamb\u00e9m.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Durante esses anos come\u00e7aram a se gestar os movimentos que propiciaram a Revolu\u00e7\u00e3o de Maio de 1810 e posteriormente a independ\u00eancia das Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata em 1816. Foi por esse motivo que o governador de Montevid\u00e9u chamou as tropas malvinenses para lutar contra os rebeldes, deixando as ilhas vazias logo de 37 anos de ocupa\u00e7\u00e3o indiscutida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Parte III: A m\u00e3o de Estados Unidos <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 1820 o governo das Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata deu a sua primeira mostra de soberania nas ilhas. Enviou a fragata \u201cHero\u00edna\u201d a cargo do coronel Daniel Jewett, quem formalizou a possess\u00e3o evocando o principio Uti Possidetis, que define a soberania territorial em base aos antigos limites administrativos coloniais. Por este principio ficava proibida a ca\u00e7a, pesca e extra\u00e7\u00e3o de quaisquer recursos por buques ou entidades estrangeiras. Caso contrario, os infratores seriam levados para Buenos Aires.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Este decreto foi publicado nos Estados Unidos, na Espanha, Fran\u00e7a e Reino Unido, quem n\u00e3o protestou. Ali\u00e1s, em 1825 v\u00e1rios pa\u00edses firmaram com as Prov\u00edncias Unidas, Tratados de Amizade, de Comercio e Navega\u00e7\u00e3o, onde reconheciam a independ\u00eancia da jovem Argentina e de todos os territ\u00f3rios soberanos, incluindo as ilhas. Aqui tamb\u00e9m n\u00e3o houve queixas nem protestos brit\u00e2nicos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 1823 foi designado como governador Pablo Arigueti, quem concedeu os direitos de explora\u00e7\u00e3o de animais e de pesca a Jorge Pacheco e Luis Vernte. Pacheco desistiu de viver na ilha enquanto Vernet, um franc\u00eas nacionalizado argentino, estabeleceu-se nelas e foi nomeado o Primeiro Comandante Pol\u00edtico e Militar das ilhas Malvinas.<\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Cuando por la gloriosa revoluci\u00f3n del 25 de mayo de 1810 se separaron estas provincias de la dominaci\u00f3n de la Metr\u00f3poli, la Espa\u00f1a ten\u00eda una posesi\u00f3n material en las islas Malvinas, y de todas las dem\u00e1s que rodean al Cabo de Hornos, incluso la que se conoce bajo la denominaci\u00f3n de Tierra del Fuego, hall\u00e1ndose justificada aquella posesi\u00f3n por el derecho del primer ocupante, por el consentimiento de las principales potencias mar\u00edtimas de Europa y por la cercan\u00eda de estas islas al Continente que formaba el Virreynato de Buenos Aires, de cuyo Gobierno depend\u00edan. Por esta raz\u00f3n, habiendo entrado el Gobierno de la Rep\u00fablica en la sucesi\u00f3n de todos los derechos que ten\u00eda sobre estas Provincias la antigua metr\u00f3poli, y de que gozaban sus virreyes, ha seguido ejerciendo actos de dominio en dichas islas, sus puertos y costas a pesar de que las circunstancias no han permitido ahora dar a aquella parte del territorio de la Rep\u00fablica, la atenci\u00f3n y cuidados que su importancia exige, pero siendo necesario no demorar por m\u00e1s tiempo las medidas que pueden poner a cubierto los derechos de la Rep\u00fablica, haci\u00e9ndole al mismo tiempo gozar de las ventajas que pueden dar los productos de aquellas islas, y asegurando la protecci\u00f3n debida a su poblaci\u00f3n; el Gobierno ha acordado y decreta: <\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Art\u00edculo 1\u00b0: Las islas Malvinas y las adyacentes al Cabo de Hornos en el Mar Atl\u00e1ntico, ser\u00e1n regidas por un Comandante Pol\u00edtico y Militar, nombrado inmediatamente por el Gobierno de la Rep\u00fablica<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn6\">[6]<\/a> (\u2026) (Arquivo Geral da Na\u00e7\u00e3o Argentina, 1829) <\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tr\u00e1s esse Decreto ressurge o interesse ingl\u00eas nas ilhas encarnado na protesta do C\u00f4nsul Geral, Woodbine Parish.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesse \u00ednterim, os pesqueiros n\u00e3o levaram \u00e0 serio o aviso argentino que proibia a pesca para estrangeiros. Destarte, o governo das Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata capturou tr\u00eas barcos de bandeira estadunidense: o Harriet, o Superior e o Breakwater. Esta a\u00e7\u00e3o teve consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para os interesses argentinos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7ar o C\u00f4nsul estadunidense, George w. Slacum reclamou ferventemente. Disse n\u00e3o reconhecer a autoridade de Vernet, desconhecer a soberania argentina na ilha e por isso recha\u00e7ava terminantemente a proibi\u00e7\u00e3o de pesca e ca\u00e7a. Ali\u00e1s, Slacum tinha pouco respeito pela nova na\u00e7\u00e3o. Prova disso \u00e9 a correspond\u00eancia que manteve com os ingleses onde se refere pejorativamente ao governo argentino, que chama de piratas e \u00edndios, entre outros termos. Ainda, recomenda a Inglaterra nunca renunciar a seus \u201cleg\u00edtimos\u201d direitos e por \u00faltimo aconselha a seu pr\u00f3prio governo \u201caumentar imediatamente nossas for\u00e7as neste Rio\u201d (do Prata).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O governo estadunidense ouviu e em dezembro de 1831 chegou \u00e0s Malvinas no buque Lexington ostentando bandeira francesa. Fez prisioneiros e os deixou em Montevid\u00e9u, declarando as ilhas Res Nullis, ou seja, livre de todo governo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O protesta de Buenos Aires n\u00e3o demorou. Exigiu que Slucum fosse substitu\u00eddo e suspendeu qualquer contato com ele. Estados Unidos mudou de representante. Colocou em seu lugar a Frances Baylies, cujo m\u00e9rito foi agravar os erros de seu predecessor. Isto levou \u00e0 ruptura das rela\u00e7\u00f5es entre Argentina e Estados Unidos por 11 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Resulta interessante saber o qu\u00ea pensava o governo estadunidense da Argentina por aqueles anos. Assim, por exemplo, escrevia Baylies ao Secret\u00e1rio Livingston em uma carta do dia 24 de julho de 1832, com o selo \u201cPRIVADO &amp; CONFIDENCIAL\u201d:<\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Senhor, \u00e9 uma verdade e uma tristeza que as pessoas destas regi\u00f5es n\u00e3o tenham ideia desse sentimento que n\u00f3s chamamos de amor pelo pa\u00eds. A tarefa do governo \u00e9 um trabalho e os cargos s\u00e3o considerados como uma classe de emprego feito para se enriquecer, uma sorte de licencia para receber propinas. N\u00e3o h\u00e1 nem consist\u00eancia, nem estabilidade, ou liberdade alguma nesta Rep\u00fablica Argentina. As revolu\u00e7\u00f5es destas gentes s\u00e3o insurg\u00eancias. Seus saberes s\u00e3o as chicanas e o engano (chicanery and trick), seu patriotismo uma fanfarronice, sua liberdade uma farsa; uma tribo de \u00edndios bem organizada tem melhores no\u00e7\u00f5es de lei nacional, direitos populares e pol\u00edtica interna<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn7\">[7]<\/a> (Manning, 1925, p.135). <\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Enquanto essas confid\u00eancias davam volta, Argentina tentava organizar a sua vida pol\u00edtica e econ\u00f4mica e exercer a sua soberania nas ilhas. Em 1832 mandou ao Major Esteban Mestivier \u00e0 bordo do \u201cSarand\u00ed\u201d, como novo governador das Malvinas. Estados Unidos opinou que este era um ato de \u201cnega\u00e7\u00e3o direta\u201d dos direitos ingleses e ademais muito \u201cineficaz\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Realmente, foi muito ineficaz. Uma rebeli\u00e3o das tropas argentinas acabou no assassinato do Major Mestivier. Em seu lugar foi enviado Jos\u00e9 Maria Pinedo, que uma vez que instaurou a ordem foi nomeado governador.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Toda esta situa\u00e7\u00e3o de instabilidade da Argentina era propicia para Inglaterra. Argentina era um pa\u00eds novo, desorganizado, com in\u00fameros problemas internos. As ilhas estavam ocupadas por uns poucos argentinos, cuja capacidade defensiva n\u00e3o poderia jamais lidar com a ofensiva inglesa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, em dezembro de 1833, Pinedo e os habitantes argentinos foram expulsos tr\u00e1s o arribo a Porto Egmont da corveta Clio e mais tarde do Tyne.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesse mesmo momento come\u00e7a o reclamo argentino. O representante nacional perante o governo ingl\u00eas, Manuel Moreno formalizou a Protesta, datada em 17 de junho de 1833.<\/div>\n<blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Las Provincias Unidas del R\u00edo de la Plata, como comunidad pol\u00edtica independiente, reconocida por Gran Breta\u00f1a y otros estados, sucedi\u00f3 a Espa\u00f1a en los derechos territoriales de \u00e9sta en esa jurisdicci\u00f3n. Las Malvinas hab\u00edan sido claramente patrimonio de la Corona espa\u00f1ola. Por lo tanto, dado que la soberan\u00eda espa\u00f1ola sobre las islas hab\u00eda cesado por la independencia de sus territorios en Am\u00e9rica, Gran Breta\u00f1a no ten\u00eda derecho a reclamo alguno, por derechos ya extinguidos<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn8\">[8]<\/a> (Pearl, 1983, p.318). <\/i><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nenhum dos reclamos que a Argentina levou adiante desde ent\u00e3o, conseguiram que cessasse a ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, que desde 1833 \u00e9 ininterrompida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As teorias mainstream das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais podem nos guiar para pensar rapidamente sobre o conflito das ilhas Malvinas. Por exemplo, desde a perspectiva realista hobbesiana poder\u00edamos argumentar que \u201cganhou\u201d o mais forte. Inglaterra sem duvida conta n\u00e3o s\u00f3 com uma capacidade b\u00e9lica e organizativa muit\u00edssimo superior \u00e0 Argentina, mas, al\u00e9m disso, com a simpatia dos EUA, que desde o primeiro momento do conflito se mostrou defensor dos interesses ingleses. De fato, a rela\u00e7\u00e3o da Argentina com os EUA sempre foi problem\u00e1tica. Os \u00fanicos momentos da historia em que n\u00e3o foram t\u00e3o inst\u00e1veis, se deveu \u00e0s praticas de governos argentinos super neoliberais, que n\u00e3o demoraram em levar o pa\u00eds \u00e0s crises mais profundas e violentas da sua historia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 desde a perspectiva construtivista poderia se pensar que o reclamo argentino, a sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, poderia gerar aliados (como foi o Brasil e outros pa\u00edses latino-americanos durante a Guerra de 1982, com a exce\u00e7\u00e3o do Chile provavelmente) para que pelo menos se abra o dialogo em quest\u00f5es pr\u00e1ticas, como a explora\u00e7\u00e3o de recursos. A problem\u00e1tica das Malvinas geraria, assim, uma raz\u00e3o a mais para enla\u00e7ar sentimentos regionalistas, pois se entende que a perman\u00eancia de uma pot\u00eancia como Inglaterra e seu aliado, os EUA, s\u00e3o uma amea\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 para a Argentina, mas para os interesses de soberania da Am\u00e9rica do Sul. Neste sentido, separo Am\u00e9rica do Sul de Am\u00e9rica Latina pelo \u00f3bvio poder que os EUA det\u00eam na sua \u00e1rea de influencia: M\u00e9xico e Caribe.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Seguindo nas nossas elucubra\u00e7\u00f5es, provavelmente as diferentes vers\u00f5es do institucionalismo liberal concordariam na recomenda\u00e7\u00e3o de que Argentina use os mecanismos do Direito Internacional para tentar chegar a um avan\u00e7o. Nesse sentido, as Organiza\u00e7\u00f5es Governamentais Internacionais (OIGs) seriam o melhor palco para a solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia. Contudo, j\u00e1 sabemos que neste \u00e2mbito Argentina tem poucas chances (sen\u00e3o nenhuma) de que alguma vez, haja alguma resolu\u00e7\u00e3o em seu favor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, existe uma quest\u00e3o fundamental, da qual ainda nada mencionamos, mas que \u00e9 uma das grandes cartas que a Inglaterra usa para tentar legitimar a sua tradi\u00e7\u00e3o usurpadora. Os habitantes das Malvinas, os kelpers, n\u00e3o querem ser argentinos (a maioria at\u00e9 os despreza abertamente), s\u00e3o a favor da soberania inglesa e tem ra\u00edzes profundas com a cultura e vis\u00e3o de mundo da Inglaterra. Destarte, a rama das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais que preza pelo valor da cultura e liberdade dos povos diria que os kelpers t\u00eam direito a decidir se querem ser argentinos, ingleses, ou livres dos dois. O argumento da Argentina \u00e9 que os kelpers n\u00e3o podem ser considerados imparciais, nem justos, j\u00e1 que s\u00e3o filhos, netos e bisnetos dos usurpadores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos seguir pensando em outras teorias, como as latino-americanas, que pensam sobre a estrutura das nossas sociedades e a nossa inser\u00e7\u00e3o no mundo; poder\u00edamos pensar nas teorias da Economia Pol\u00edtica Internacional, que focam mais no triangulo entre comercio, finan\u00e7as e guerra; poder\u00edamos pensar nas teorias que explicam o avan\u00e7o do capitalismo e com isso as rela\u00e7\u00f5es de propriedade e viol\u00eancia no Sistema Internacional, chegar\u00edamos provavelmente \u00e0s teses sobre o Imperialismo, onde encontrar\u00edamos v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para o conflito das Malvinas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em todas estas teorias (e desafio o leitor a pensar uma em que n\u00e3o) os interesses da Argentina n\u00e3o encontrariam um caminho para ganhar essa luta. Incluso j\u00e1 existem alguns trabalhos de intelectuais argentinos que nos aconselham esquecer as Malvinas argumentando com a pergunta: \u201co que faremos com as ilhas se as tivermos de volta?\u201d Ou seja, seria mais um problema para a nossa j\u00e1 problem\u00e1tica exist\u00eancia como pa\u00eds.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Contudo, e trazendo novamente as palavras do genial Gilberto Molina (1995), o sentido de consci\u00eancia hist\u00f3rica permeia o povo argentino. As Malvinas continuar\u00e3o a ser vistas como uma causa nacional, uma for\u00e7a que nos une. Tal vez, os argentinos estamos precisando de um l\u00edder que saiba avan\u00e7ar na causa.<\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">* O seguinte artigo est\u00e1 baseado no texto publicado em 2012 no blog Pauta Global <a href=\"https:\/\/pautaglobal.wordpress.com\/2012\/04\/01\/las-islas-malvinas-antes-de-la-guerra\/\">https:\/\/pautaglobal.wordpress.com\/2012\/04\/01\/las-islas-malvinas-antes-de-la-guerra\/<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CAMPAGNA, Juan Cruz. <i>Valor geoestrat\u00e9gico de las Islas Malvinas en la distribuci\u00f3n de poder a principios del siglo XXI. <\/i>Tesina de Grado. Universidad Nacional de Cuyo. Facultad de Ciencias Pol\u00edticas y Sociales, Ciencia Pol\u00edtica y Administraci\u00f3n P\u00fablica. Mendoza, 2014. Disponible: <a href=\"http:\/\/bdigital.uncu.edu.ar\/objetos_digitales\/6135\/tesis-fcpys-campagna.pdf\">http:\/\/bdigital.uncu.edu.ar\/objetos_digitales\/6135\/tesis-fcpys-campagna.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CISNEROS, Andr\u00e9s. ESCUD\u00c9, Carlos. <i>Historia General de las Relaciones Exteriores de la Argentina. <\/i>Editorial Iberoam\u00e9rica, pp 41<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Decreto de creaci\u00f3n de la Comandancia Civil y Militar, Buenos Aires, 10 de junio de 1829. Archivo General de la Naci\u00f3n. Disponible en: <a href=\"http:\/\/servicios.abc.gov.ar\/docentes\/efemerides\/2deabril\/descargas\/historia\/decreto_comandancia.pdf\">http:\/\/servicios.abc.gov.ar\/docentes\/efemerides\/2deabril\/descargas\/historia\/decreto_comandancia.pdf<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">DESTEFANI, Laurio H. Malvinas Georgias Y Sandwich Del Sur ante el Conflicto con Gran Breta\u00f1a. Buenos Aires 1982, pp 80-81<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">GOEBEL, Julius (hijo). <i>La pugna por las Islas Malvinas.<\/i> Un estudio de la historia legal y diplom\u00e1tica Editorial: Municipalidad de la Ciudad de Buenos Aires, Secretar\u00eda de Cultura; Buenos Aires, 1983.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">HOOPER, Nicholas; BENNETT, Matthews. <i>The Cambridge illustrated Atlas: <\/i>Warfare The Middle Age 768-1487. Cambridge: University of Cambridge, 1996.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MANNING, William Ray. <i>Diplomatic Correspondence of the United States Concerning the independence of the Latin-American nations.<\/i> New York: Oxford University Press, 1925. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/diplomaticcorres01mann\">https:\/\/archive.org\/details\/diplomaticcorres01mann<\/a> Citado tamb\u00e9m em <a href=\"http:\/\/www.argentina-rree.com\/3\/3-039.htm\">http:\/\/www.argentina-rree.com\/3\/3-039.htm<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">MOLINA, Gilberto. <i>Reflexiones sobre la Guerra de Malvinas.<\/i> C\u00f3rdoba: Editorial Pampa de Ola\u00e9n, 1995.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">PERL, Raphael. <i>The Falklands Islands Dispute in International Law and Politics: <\/i>A Documentary Sourcebook. Dobbs Ferry, New York: Oceana Publications, 1983, pp 318-319<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: Perdemos uma batalha, n\u00e3o a guerra, tem se dito e repetido muitas vezes na hist\u00f3ria, em alguns casos por via do consolo. Mas, a express\u00e3o, como outras da mesma \u00edndole e igual nas inten\u00e7\u00f5es, revela certo grau de um estado de continuidade hist\u00f3rica e cr\u00edtica. Na Argentina n\u00e3o temos abandonado a ideia da recupera\u00e7\u00e3o das ilhas Malvinas como um vibrante e permanente objetivo nacional. Este culto j\u00e1 tem cumprido com muito 150 anos de ininterrompida vig\u00eancia. O povo argentino n\u00e3o abandona nem abandonar\u00e1 sua tese reivindicat\u00f3ria e a recente guerra tem exaltado esses sentimentos. \u00c9 com muita frequ\u00eancia que escutamos em nossos lares, nas ruas e nas pra\u00e7as, nas oficinas e nos mercados, em todo tipo de reuni\u00e3o ou em um simples encontro: Outra vez ser\u00e1. Os pais dizem a seus filhos, e os futuros pais repetiram o mesmo no seu tempo certo. Eu n\u00e3o consegui, mas meus filhos conseguiram. Ou meus netos ou meus bisnetos. Mas um dia as ilhas voltaram a ser nossas. Ningu\u00e9m duvide, j\u00e1 temos falado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: Ali\u00e1s, tem amplos acessos: o norte (Atl\u00e2ntico Norte \u2013 3.300 km), o oriental (\u00cdndico \u2013 3.900 km) e o ocidental (Pac\u00edfico \u2013 900 km). O acesso sul (Oceano Atl\u00e2ntico) \u00e9 tamb\u00e9m amplo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a> Dado curioso: Molina (1995) revela tr\u00e1s uma fascinante pesquisa, que o verdadeiro nome do navegante teria sido Alberico e n\u00e3o Am\u00e9rico, como passou \u00e0 imortalidade (Ou seja, nosso continente deveria se chamar Alb\u00e9rica e n\u00e3o Am\u00e9rica).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref4\">[4]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: O descobridor pode ter sido Am\u00e9rico Vespucio em 1502, ou Esteban Gomes em 1520, ou mesmo a expedi\u00e7\u00e3o do Obispo Plascencia em 1540. O que realmente \u00e9 importante \u00e9 deixar em claro que \u2018o descobrimento das Malvinas foi feito pelos espanholes, embora ainda falte determinar por quem deles\u2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref5\">[5]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: Esta placa foi encontrada em 1775 pelo piloto Juan Pascual Calleja, em uma explora\u00e7\u00e3o a Porto Egmont. Segundo Paul Groussac conta na sua investiga\u00e7\u00e3o, foi levada para Buenos Aires e guardada nos arquivos do governo. Mas em 1806, logo da tomada da cidade na primeira invas\u00e3o inglesa, algu\u00e9m deve t\u00ea-la assinalado para o general Beresford, quem levou a placa para Inglaterra.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref6\">[6]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: Quando pela gloriosa Revolu\u00e7\u00e3o de Maio de 1810 separaram-se estas prov\u00edncias da domina\u00e7\u00e3o da Metr\u00f3pole, a Espanha tinha a possess\u00e3o material das Ilhas Malvinas e de todas as demais que rodeiam o Cabo de Fornos, incluso aquela que \u00e9 conhecida como a Terra do Fogo, tendo-se justificado por isto a possess\u00e3o pelo direito do primeiro ocupante, pelo consentimento das principais pot\u00eancias mar\u00edtimas da Europa e pela cercania destas ilhas ao Continente que formava o Vice-Reino de Buenos Aires, de cujo governo dependia. Por esta raz\u00e3o, e tendo o governo da Rep\u00fablica entrado na sucess\u00e3o de todos os direitos que tinha sobre estas Prov\u00edncias a antiga Metr\u00f3pole, e de que gozavam seus vice-reis, tem seguido exercendo atos de dom\u00ednio em ditas ilhas, seus portos e costas, apesar de que as circunst\u00e2ncias n\u00e3o t\u00eam permitido dar a aquela parte do territ\u00f3rio da Rep\u00fablica, a aten\u00e7\u00e3o e cuidados que sua import\u00e2ncia exigem, mas sendo necess\u00e1rio n\u00e3o demorar por mais tempo nas medidas que podem expor os direitos da Rep\u00fablica, fazendo-o ao mesmo tempo desfrutar das vantagens que podem das os produtos de aquela ilha, e assegurando a prote\u00e7\u00e3o devida a sua popula\u00e7\u00e3o; o Governo tem acordado e decreta: Articulo 1\u00ba: As ilhas Malvinas e as adjacentes ao Cabo de Fornos no Mar Atl\u00e2ntico, ser\u00e3o regidas por um Comandante Pol\u00edtico e Militar, nomeado imediatamente pelo Governo da Rep\u00fablica (&#8230;).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref7\">[7]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa do espanhol ao portugu\u00eas. Fonte primaria cartas desde Argentina para EUA: MANNING, W. (1925). Fonte secundaria: Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Rep\u00fablica Argentina (2017).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref8\">[8]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: As Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata, como comunidade pol\u00edtica independente, reconhecida por Gr\u00e3 Bretanha e outros estados, sucedeu a Espanha nos direitos territoriais desta jurisdi\u00e7\u00e3o. As Malvinas haviam sido claramente patrim\u00f4nio da Coroa espanhola. Portanto, como a soberania espanhola sobre as ilhas cessou pela independ\u00eancia de seus territ\u00f3rios em Am\u00e9rica, Gr\u00e3 Bretanha n\u00e3o tinha direito a reclamo algum, pelos direitos j\u00e1 extinguidos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>Laura Emilse Brizuela <\/b>\u00e9 doutoranda em Economia Pol\u00edtica Internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro (PEPI-UFRJ), mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade do Estado de Rio de Janeiro (PPGRI-UERJ) e jornalista pela Universidad de Palermo (UP), Buenos Aires. Laura Brizuela \u00e9 argentina com resid\u00eancia permanente no Brasil, investiga a rela\u00e7\u00e3o Argentina-Brasil, a quest\u00e3o sul-americana e a inser\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o no Sistema Internacional. <\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 4 | N\u00famero 42 | Nov. 2017 Por Laura Emilse Brizuela, do<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2783,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[685,655],"tags":[],"class_list":["post-1683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-especial","category-volume4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1683"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2786,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1683\/revisions\/2786"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}