{"id":1688,"date":"2017-09-25T10:00:00","date_gmt":"2017-09-25T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1688"},"modified":"2022-05-05T00:30:49","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:49","slug":"o-legado-de-poder-e-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1688","title":{"rendered":"O legado de &#8220;Poder e dinheiro&#8221;"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1688\" class=\"elementor elementor-1688\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-163d3159 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"163d3159\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-735de224\" data-id=\"735de224\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-782086a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"782086a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><b>Volume 4 | N\u00famero 40 | Set. 2017<\/b><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0ac7912 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0ac7912\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div>Por Bernardo Salgado Rodrigues<\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a75dc9c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"a75dc9c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"196\" height=\"300\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/931183-196x300.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-2050\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/931183-196x300.jpg 196w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/931183.jpg 392w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-78b657c5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"78b657c5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div>No \u00faltimo dia 14 de setembro de 2017, por iniciativa da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional\/PEPI-UFRJ, foi celebrada a comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos de lan\u00e7amento do livro &#8220;Poder e dinheiro&#8221;, em 1997, com a participa\u00e7\u00e3o de organizadores e autores, como Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori, Carlos Aguiar de Medeiros, Franklin Serrano, Luiz Eduardo Melin e Ernani Teixeira<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>.<br \/><br \/>O debate sobre a conforma\u00e7\u00e3o do livro surge da releitura de um cl\u00e1ssico texto de Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares, escrito em 1985, intitulado &#8220;A retomada da hegemonia norte-americana&#8221;. Nele, Tavares criticava o consenso intelectual \u00e0 \u00e9poca referente \u00e0 crise da hegemonia norte-americana, uma vez que a desregula\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica eram parte de um projeto estrat\u00e9gico de restaura\u00e7\u00e3o do poder americano. Tais cr\u00edticas, alinhadas ao esgotamento do desenvolvimentismo brasileiro, conformam a combina\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es que ser\u00e3o o ponto de partida do Grupo em seu marco inicial no final da d\u00e9cada de 1980. Entre 1994-1997, os desafios pol\u00edticos e intelectuais se modificam: a euforia com a globaliza\u00e7\u00e3o, o \u201cfim da historia\u201d, a vit\u00f3ria neoliberal (sintetizado no Consenso de Washington) realizam uma mudan\u00e7a qualitativa na trajet\u00f3ria do Grupo: de somente pesquisadores para militantes combatentes, uma luta militante intelectual compactuada com uma atividade acad\u00eamica editorial, cujo esfor\u00e7o faz surgir \u201cPoder e dinheiro&#8221;.<br \/><a name=\"more\"><\/a><br \/>O livro \u00e9 composto por um conjunto de ensaios cuja diversidade intelectual convergia para quest\u00f5es fundamentais, que se propunham a debater criticamente a economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel que possu\u00eda uma l\u00f3gica e uma din\u00e2mica peculiar. Fundamentalmente, os autores realizaram seus estudos partilhando uma vis\u00e3o cr\u00edtica tanto da globaliza\u00e7\u00e3o como das pol\u00edticas neoliberais da d\u00e9cada de 1980-90 e se basearam em tr\u00eas consensos: &#8220;poder e dinheiro&#8221;, cuja &#8220;din\u00e2mica capitalista fica completamente incompreens\u00edvel se n\u00e3o levarmos em conta o movimento simult\u00e2neo de suas determina\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas&#8221; (TAVARES; FIORI, 2017, p.9); &#8220;dinheiro e riqueza&#8221;, em que a inova\u00e7\u00e3o da &#8220;nova etapa da internacionaliza\u00e7\u00e3o capitalista se concentra no campo financeiro, no qual se desfizeram as fronteiras entre as moedas e os capitais, permitindo uma verdadeira universaliza\u00e7\u00e3o do capital financeiro&#8221; (TAVARES; FIORI, 2017, p.10); e &#8220;espa\u00e7os e hierarquias&#8221;, onde a &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica do capitalismo est\u00e1 passando por um processo de re-hierarquiza\u00e7\u00e3o de poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos regionalizados e assim\u00e9tricos&#8221; (TAVARES; FIORI, 2017, p.11)<br \/><br \/>Um dos questionamentos principais do livro seria como um poder rival (Jap\u00e3o na d\u00e9cada de 1980, e, por infer\u00eancia, China na atualidade) poderia contrastar o poder americano. Desde o padr\u00e3o d\u00f3lar-flex\u00edvel at\u00e9 a atualidade, os Estados Unidos tem a domin\u00e2ncia monet\u00e1ria do sistema internacional nunca antes vista na hist\u00f3ria. Eles t\u00eam a capacidade de possuir d\u00e9ficit em conta corrente e variar a taxa de c\u00e2mbio nominal sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o externa. \u00c9 a m\u00e1xima do ex-secret\u00e1rio do Tesouro americano no governo Nixon, John Connally: \u201c<i>The dollar is our currency but your problem<\/i>.\u201d<br \/><br \/>No sistema internacional, o dinheiro tem dono, e seu dono busca defender os interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e financeiros de sua matriz. Ou seja, mesmo com as crises de 2001 e 2008 nos Estados Unidos, e de 2008-2012 na Uni\u00e3o Europeia, ratifica-se a fal\u00e1cia do colapso do d\u00f3lar, cuja participa\u00e7\u00e3o vem crescendo nos anos recentes (em termos de circula\u00e7\u00e3o e lastreamento do sistema, tanto pelo valor como pelo volume) em compara\u00e7\u00e3o com o euro, libra e outras moedas, chegando a 80% das transa\u00e7\u00f5es inter-regionais (excluindo fluxos dom\u00e9sticos e intra-regionais). O d\u00f3lar \u00e9 a moeda de refer\u00eancia nos fluxos internacionais e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 uma fuga do d\u00f3lar, mas uma fuga para o d\u00f3lar.<br \/><br \/>Este livro se tornou um cl\u00e1ssico uma vez que sobreviveu \u00e0s mudan\u00e7as conjunturais e estruturais vivenciadas pelo sistema internacional (ainda que o ano de 2008 consista numa mudan\u00e7a brutal na estrutura do sistema, cujas previs\u00f5es da dimens\u00e3o dessa crise e das mudan\u00e7as posteriores ainda s\u00e3o impercept\u00edveis na longa dura\u00e7\u00e3o). \u00c9 a recupera\u00e7\u00e3o de um livro que se mostrou correto em suas reflex\u00f5es vinte anos atr\u00e1s, e que possui, ainda assim, um respaldo na atualidade, com in\u00fameros paralelos entre 1997 e 2017, tais como a cr\u00edtica ao pensamento neoliberal, a condena\u00e7\u00e3o da crise da hegemonia norte-americana, a preval\u00eancia do d\u00f3lar, a continuidade da globaliza\u00e7\u00e3o financeira, o poder global estruturado na hierarquia pol\u00edtica e econ\u00f4mica, no poder e no dinheiro.<br \/><br \/>Entretanto, no retorno da geopol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es, a guerra volta ao centro do jogo na arena internacional, cuja sistematiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de parte do Grupo atualmente busca pensar o desafio contempor\u00e2neo de multiplica\u00e7\u00e3o das guerras e as suas prerrogativas \u00e9ticas e filos\u00f3ficas. Como brilhantemente descreveu Fiori no encerramento do evento, h\u00e1 o retorno do sistema westfaliano, um sistema internacional que gira em torno de uma regra e no qual todos os pa\u00edses est\u00e3o inseridos: cada um por si, e na diverg\u00eancia, a guerra.<br \/><br \/><b><br \/>Refer\u00eancia<\/b><\/div><div><br \/>TAVARES, Maria da Concei\u00e7\u00e3o; FIORI, Jos\u00e9 Lu\u00eds (Org.).\u00a0<i>Poder e dinheiro:<\/i>\u00a0uma economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o. 7. ed. Petr\u00f3polis, Rj: Vozes, 2017.<br \/><br \/><br \/><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Este texto \u00e9 fruto do evento em comemora\u00e7\u00e3o aos 20 anos da publica\u00e7\u00e3o do livro &#8220;Poder e dinheiro: uma economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, realizado pela P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional\/PEPI, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 14 de setembro de 2017. O livro foi laureado com o Pr\u00eamio Jabuti de 1998, na categoria Economia, administra\u00e7\u00e3o, neg\u00f3cios e direito.<\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 4 | N\u00famero 40 | Set. 2017 Por Bernardo Salgado Rodrigues No<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2050,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[650,655],"tags":[],"class_list":["post-1688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensaios","category-volume4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1688"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1688\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2060,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1688\/revisions\/2060"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}