{"id":1741,"date":"2016-04-25T09:17:00","date_gmt":"2016-04-25T12:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1741"},"modified":"2024-03-27T17:55:58","modified_gmt":"2024-03-27T20:55:58","slug":"desenvolvimento-e-politica-externa-reflexoes-sobre-o-governo-de-juscelino-kubitschek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1741","title":{"rendered":"Desenvolvimento e Pol\u00edtica Externa: reflex\u00f5es sobre o governo de Juscelino Kubitschek"},"content":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">\u00a0 <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">H\u00e1 quem afirme que a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa em prol do crescimento econ\u00f4mico brasileiro tornou-se eixo central da a\u00e7\u00e3o internacional do Brasil ainda na d\u00e9cada de 1930, com Vargas. J\u00e1 para Cervo &amp; Bueno (2010), \u00e9 a pol\u00edtica externa de Juscelino Kubitschek aquela que inaugura a pol\u00edtica externa contempor\u00e2nea, que tem por caracter\u00edstica central, perceber no internacional, possibilidades e impasses para o desenvolvimento do pa\u00eds. A quest\u00e3o estrat\u00e9gica que se coloca a partir de ent\u00e3o \u00e9 como utilizar os instrumentos de pol\u00edtica externa para superar o subdesenvolvimento do pa\u00eds.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">No final d\u00e9cada de 1950, crescia entre os pa\u00edses latino-americanos o sentimento de desprestigio por parte dos Estados Unidos. Enquanto a Europa recebera vultosas somas atrav\u00e9s do Plano Marshall, aos latino-americanos, eram imputadas as regras para empr\u00e9stimos do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Grupo Banco Mundial. A postura estadunidense com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina, p\u00f3s Segunda Guerra Mundial, foi a de garantir sua hegemonia sobre a regi\u00e3o, atrav\u00e9s de instrumentos de seguran\u00e7a coletiva, tais como o TIAR (Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca) assinado em 1947. A maior preocupa\u00e7\u00e3o era manter as ideias e os perigos comunistas longe da regi\u00e3o atrav\u00e9s da seguran\u00e7a, e n\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Do ponto de vista do com\u00e9rcio internacional, as criticas seguiam a l\u00f3gica da deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca, em que os pa\u00edses subdesenvolvidos, produtores de mat\u00e9rias primas e produtos agr\u00edcolas, viam seus pre\u00e7os no mercado internacional se deteriorar em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os dos produtos industrializados. Desde o governo de Get\u00falio Vargas, a industrializa\u00e7\u00e3o era uma necessidade para a manuten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como um ator competitivo no mercado internacional, e para isso era necess\u00e1rio importar m\u00e1quinas e outros bens de produ\u00e7\u00e3o. <\/span><i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\"><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\"><span style=\"mso-tab-count: 1;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal; margin-left: 4.0cm; text-align: justify;\"><i><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">O nacional-desenvolvimentismo, n\u00edtido a partir da gest\u00e3o de JK, passou a informar e a ser, portanto, a chave para a compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais do Brasil. Com maior ou menor \u00eanfase, avan\u00e7os e recuos, assim tem sido a pol\u00edtica exterior do Brasil desde a segunda metade da d\u00e9cada de 1950 at\u00e9 os nossos dias. (CERVO &amp; CLODOALDO, 2010, p.288)<\/span><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">No setor exportador, a estrat\u00e9gia escolhida foi \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da propagando no exterior dos produtos brasileiros, especialmente o caf\u00e9, a amplia\u00e7\u00e3o de mercados e parceiros comerciais, via assinatura de tratados. Nos anos de 1954 e 1955, o caf\u00e9 teve seu pre\u00e7o reduzido no mercado internacional e outros produtos prim\u00e1rios, como algod\u00e3o e cacau, tamb\u00e9m sofreram com a concorr\u00eancia dos produtos oriundos das col\u00f4nias europeias na \u00c1frica, e mais tarde com a cria\u00e7\u00e3o do Mercado Comum Europeu.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">A proposta de JK de \u201c50 anos em 5\u201d era ambiciosa e precisava de grandes quantias de investimento para poder ser concretizada. Ciente da pouca capacidade interna de gera\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a e de desenvolvimento tecnol\u00f3gico, os estrategistas do governo de JK viam no internacional, o espa\u00e7o ideal para angariar recursos e tecnologia, atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no com\u00e9rcio internacional e da aquisi\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Dentre as mudan\u00e7as internas realizadas por Juscelino, a mais significativa foi \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, nova capital federal projetada pelo arquiteto Oscar Niermayer e pelo urbanista Lucio Costa, localizada planalto brasileiro, longe do fr\u00e1gil litoral fluminense. A constru\u00e7\u00e3o planejada possibilitou um importante investimento infraestrutural do governo federal na economia.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Ap\u00f3s a vit\u00f3ria nas urnas, JK fez uma longa viagem, passando pelos Estados Unidos e pela Europa, destacando o compromisso do Brasil com os valores ocidentais e de combate ao comunismo, como destaca Penna Filho (2002). Para Juscelino, a melhor forma de impedir a propaga\u00e7\u00e3o das ideias comunistas nos pa\u00edses subdesenvolvidos era lev\u00e1-los ao desenvolvimento, via investimento internacional. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">A Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana de 1958 surgiu como uma alternativa de manuten\u00e7\u00e3o dos interesses estadunidenses na regi\u00e3o, n\u00e3o apenas a partir de instrumentos de seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m de desenvolvimento. Atrav\u00e9s de diversas cartas trocadas entre o presidente Juscelino e o ent\u00e3o presidente estadunidense Eisenhower, havia uma clara postura brasileira de apoio aos Estados Unidos, especialmente com rela\u00e7\u00e3o as cr\u00edticas que recebera vice-presidente Richard Nixon em sua viagem pela Am\u00e9rica Latina.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Os protestos durante as viagens de Nixon a Venezuela e ao Peru, indicavam um descontentamento com a postura de seu pa\u00eds para com a regi\u00e3o. Para Juscelino, o combate ao antiamericanismo deveria se dar atrav\u00e9s de uma revis\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es dos EUA com a regi\u00e3o, especialmente suas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">O projeto da Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana visava a cria\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os EUA e os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, para o desenvolvimento e combate, na regi\u00e3o, ao comunismo e o antiamericanismo. O meio para a proposi\u00e7\u00e3o e debate da OPA foi a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), no ano de 1958. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">O ator central para que a OPA pudesse funcionar, os EUA, pouca aten\u00e7\u00e3o deram a proposta de Juscelino. Mesmo assim, da OPA, resultaram tr\u00eas iniciativas: a do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de 1959, uma institui\u00e7\u00e3o financeira que, assim como o FMI e o Grupo Banco Mundial, funciona como um intermedi\u00e1rio regulador entre os interesses dos EUA e o financiamento dos pa\u00edses latino-americanos; a Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Livre Com\u00e9rcio (ALALC) de 1960 que tinha o objetivo de desenvolver a integra\u00e7\u00e3o comercial dos pa\u00edses, apoiada pela CEPAL e que pouca efetividade teve; e a Alian\u00e7a para o Progresso (1961), um programa dos Estados Unidos de desenvolvimento da regi\u00e3o mediante ajuda t\u00e9cnica e financeira, que duraria por dez anos e no total de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, mas extinta em 1969.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Ao governo brasileiro, restava a busca de novos parceiros para o seu projeto de desenvolvimento, encontrando-os na Europa, especialmente na Alemanha (com a implanta\u00e7\u00e3o da Volkswagem), e no Jap\u00e3o (com a instala\u00e7\u00e3o da Usiminas). A busca pela diversifica\u00e7\u00e3o dos parceiros econ\u00f4micos brasileiros na d\u00e9cada de 1960 encontraria, no pragmatismo e na independ\u00eancia, um rumo e uma sina. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b style=\"mso-bidi-font-weight: normal;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">Refer\u00eancias<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: normal; text-align: justify; margin: 12.0pt 0cm 12.0pt 0cm;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">CERVO, Amado; BUENO, Clodoaldo. <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Hist\u00f3ria da Pol\u00edtica Externa Brasileira.<\/i>3.ed.rev.ampl. Bras\u00edlia: UNB, 2010.<\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal; text-align: justify; margin: 12.0pt 0cm 12.0pt 0cm;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">LANNES, Suellen Borgens de. O batalh\u00e3o de Suez e a pol\u00edtica externa de JK: um caso de alinhamento? Disserta\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica. Niter\u00f3i: UFF, 2009.<\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal; text-align: justify; margin: 12.0pt 0cm 12.0pt 0cm;\"><span style=\"mso-ansi-language: PT-BR;\">PENNA FILHO, Pio. Pol\u00edtica externa e desenvolvimento: o Brasil de JK. In: <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Revista Cena Internacional, <\/i>UNB, ano 4, n.1, jul.2002.<\/span><\/div>\n<div><span lang=\"EN-US\">SILVA, Alexandra de Mello. A pol\u00edtica externa de JK: Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana. Disserta\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria. Rio de Janeiro: CPDOC, 1992.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics \u00a0 H\u00e1 quem afirme que a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[654],"tags":[],"class_list":["post-1741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1741"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3081,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1741\/revisions\/3081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}