{"id":1768,"date":"2015-07-29T08:52:00","date_gmt":"2015-07-29T11:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1768"},"modified":"2024-03-27T16:52:19","modified_gmt":"2024-03-27T19:52:19","slug":"crise-da-grecia-e-produto-de-modelo-de-integracao-que-privilegiou-o-capital-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1768","title":{"rendered":"Crise da Gr\u00e9cia \u00e9 produto de modelo de integra\u00e7\u00e3o que privilegiou o capital \u00e0 sociedade"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Por: Luiz Felipe Os\u00f3rio<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Publicado originalmente no site Zero Hora de 18\/07\/2015. <a href=\"http:\/\/zh.clicrbs.com.br\/rs\/noticias\/proa\/noticia\/2015\/07\/crise-da-grecia-e-produto-de-modelo-de-integracao-que-privilegiou-o-capital-a-sociedade-4804360.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acesse o link aqui<\/a>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Muito se discutiu nos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o acerca da situa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia ap\u00f3s o referendo grego. Em sua maioria esmagadora, foi poss\u00edvel encontrar an\u00e1lises que enfocavam um ponto de vista espec\u00edfico, aquele dos consensos superficiais e das verdades convenientes. O conforto das certezas permite que perspectivas puristas das ci\u00eancias compartimentem os debates por \u00e1reas tem\u00e1ticas, quando, em verdade, o olhar sobre o complexo fen\u00f4meno social europeu precisa de um enfoque mais amplo que ultrapasse a apar\u00eancia e alcance a ess\u00eancia do objeto de estudo. Nesse sentido, retoma-se a li\u00e7\u00e3o que ensina que a cr\u00edtica requer ser radical, ou seja, ir \u00e0 raiz do problema.<br \/>\n<a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Munido dessa compreens\u00e3o, a observa\u00e7\u00e3o preliminar que pulula \u00e9 que a crise grega n\u00e3o \u00e9 meramente econ\u00f4mica nem, mesmo, se restringe \u00e0s fronteiras nacionais hel\u00eanicas. Entender esse processo \u00e9 resgatar os prim\u00f3rdios do regionalismo europeu do p\u00f3s-1945. As classes dominantes temiam, em fun\u00e7\u00e3o das vicissitudes da guerra, da ascens\u00e3o dos partidos comunistas ocidentais e do fortalecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a ocorr\u00eancia de processos revolucion\u00e1rios em suas estruturas estatais. Para evitar o ocaso, optaram por mudar para manter tudo inalterado. Aceitaram compor a nova ordem mundial emergente, capitaneada pela hegemonia estadunidense, por meio de uma reinser\u00e7\u00e3o internacional conjunta, ainda metropolitana (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 periferia) e, ao mesmo tempo, subordinada (no tocante aos Estados Unidos). A posi\u00e7\u00e3o \u00edmpar para o continente no sistema interestatal capitalista viabilizou a constru\u00e7\u00e3o do regionalismo europeu, sustentado em tr\u00eas pilares: o Estado de Bem-Estar Social, a Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica e a resolu\u00e7\u00e3o da Quest\u00e3o Alem\u00e3 via Parceria Estrat\u00e9gica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo vetor merece maior destaque nesta explana\u00e7\u00e3o. A import\u00e2ncia da Alemanha (RFA) para a estabiliza\u00e7\u00e3o da Europa (Ocidental) era nodal. Tanto que na economia alem\u00e3 foi ancorada a prosperidade regional. O arranjo envolvia a inje\u00e7\u00e3o de recursos financeiros diretos, a penetra\u00e7\u00e3o dos capitais estadunidenses no mercado europeu via fus\u00f5es corporativas e empr\u00e9stimos, a toler\u00e2ncia com o c\u00e2mbio desvalorizado e o rearmamento militar (a partir de 1955). As medidas, que, juntamente com outras, caracterizam o desenvolvimento a convite, impulsionaram o milagre alem\u00e3o e sua progressiva consolida\u00e7\u00e3o como locomotiva da economia continental. As diversas tentativas de concerto monet\u00e1rio finalmente atingiram seu \u00e1pice com a consolida\u00e7\u00e3o institucional do projeto comunit\u00e1rio, ap\u00f3s a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, em 1993, que trouxe a previs\u00e3o da moeda \u00fanica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Esse momento marcou o relan\u00e7amento da integra\u00e7\u00e3o europeia, que abandonou as preocupa\u00e7\u00f5es com pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o de assimetrias estruturais em favor do privil\u00e9gio quase que exclusivo das liberdades econ\u00f4micas: de mercadorias, servi\u00e7os, capitais e pessoas. Em outras palavras, a inflex\u00e3o marcou o aprofundamento da economia pol\u00edtica liberal (presente desde a g\u00eanese comunit\u00e1ria), legitimando e legalizando os c\u00e2nones neoliberais sob a lideran\u00e7a da Alemanha, cujo governo representa, em grande medida, os interesses dos capitais internacionais. A forma da Uni\u00e3o Europeia p\u00f3s-Maastricht (englobando notadamente a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica e Monet\u00e1ria e a \u00e1rea do Euro) condiciona a enorme heterogeneidade social e desigualdade material entre os membros camuflada pela homogeneidade das regras e a igualdade jur\u00eddica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se entre direitos iguais, a for\u00e7a decide, a Alemanha destaca-se. Todavia, \u00e9 preciso compreender a trajet\u00f3ria europeia para identificar o que se situa por detr\u00e1s do poderio germ\u00e2nico. \u00c9 por meio do entrela\u00e7amento financeiro e da parceira estrat\u00e9gica com a hegemonia estadunidense (que acontece repleta de contrapartidas), que o motor econ\u00f4mico tedesco destila a postura intransigente e prepotente de sua mandat\u00e1ria que imp\u00f5e e humilha as economias mais fracas, como a grega, asseverando clivagens pol\u00edticas e preconceitos de classe em nome dos interesses financeiros. Por tr\u00e1s da apar\u00eancia perdul\u00e1ria e irrespons\u00e1vel, a Gr\u00e9cia \u00e9 a v\u00edtima da ess\u00eancia da integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria que privilegia os grandes capitais em detrimento da sociedade. O referendo grego, com um poder simb\u00f3lico maior que transformador, vem para jogar luzes sobre os rumos da experi\u00eancia europeia e da atual forma de organiza\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto em que a d\u00edvida \u00e9 um imperativo e a democracia \u00e9 um mero detalhe, a indigna\u00e7\u00e3o popular necessita reverberar-se. H\u00e1 a imposi\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de d\u00e9bitos que n\u00e3o se sabe exatamente como foram adquiridos (se odiosos ou n\u00e3o), qual seu valor total (que cresce exponencialmente) e para quem ser\u00e1 pago (a identifica\u00e7\u00e3o dos credores). A \u00fanica certeza \u00e9 de que a sociedade arcar\u00e1 com os elevados custos, que n\u00e3o se restringem \u00e0 esfera cont\u00e1bil, mas que emperram por anos as vias do desenvolvimento socioecon\u00f4mico.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Luiz Felipe Os\u00f3rio Publicado originalmente no site Zero Hora de 18\/07\/2015. 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