{"id":1775,"date":"2015-06-15T23:42:00","date_gmt":"2015-06-16T02:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1775"},"modified":"2022-05-05T00:30:51","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:51","slug":"a-importancia-de-uma-reconstrucao-plural-e-critica-da-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1775","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de uma reconstru\u00e7\u00e3o plural e cr\u00edtica da regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt;\">Por Glauber Cardoso Carvalho<\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.congresso2015.fomerco.com.br\/resources\/content\/conteudoimagem_1431794812_1_1_XVFoMerco2015-Faixa-menor.png\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.congresso2015.fomerco.com.br\/resources\/content\/conteudoimagem_1431794812_1_1_XVFoMerco2015-Faixa-menor.png\" height=\"161\" width=\"640\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: small;\">Novo encontro do FoMerco. Inscri\u00e7\u00f5es abertas para submiss\u00e3o de resumo.<br \/>Confira a programa\u00e7\u00e3o no site <a href=\"http:\/\/www.congresso2015.fomerco.com.br\/\">www.congresso2015.fomerco.com.br<\/a>.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12pt; line-height: 115%; text-align: justify;\">H\u00e1 uma constata\u00e7\u00e3o de que o projeto integracionista faz parte do acervo hist\u00f3rico consolidado das rela\u00e7\u00f5es internacionais sul-americanas. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o deve ocultar as caracter\u00edsticas e graus distintos que distinguem a longa travessia composta de diferentes concep\u00e7\u00f5es de desenvolvimento e de autonomia nas estrat\u00e9gias de pol\u00edtica internacional do continente.<\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\"><\/span><br \/><a name='more'><\/a><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Se \u00e9 poss\u00edvel perceber que a autonomia do conhecimento se viu limitada primeiro pela ditadura militar e depois pela ditadura do mercado, com incr\u00edvel tend\u00eancia a individualiza\u00e7\u00e3o a compartimentaliza\u00e7\u00e3o, como comentou Daniela Perrotta (para todas a pessoas citadas, ver seus textos no link do livro abaixo), tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel entender que o<\/span><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"><span style=\"font-family: inherit;\"> quadro come\u00e7ou a se transformar diante da conjuntura das retomadas democr\u00e1ticas na Am\u00e9rica do Sul, quando, a despeito da manuten\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da abertura comercial, os governos conferiram prioridade \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grandes blocos econ\u00f4micos no projeto de integra\u00e7\u00e3o.<\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">A forma\u00e7\u00e3o do Mercosul, com a aproxima\u00e7\u00e3o entre Argentina e Brasil se enquadra nesse momento no qual se privilegiou a aproxima\u00e7\u00e3o comercial, embora, no caso do Cone Sul, as defini\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas em torno da Bacia do Prata e a coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria nuclear tamb\u00e9m tenham exercido forte influ\u00eancia no que tange \u00e0 nova inser\u00e7\u00e3o internacional da regi\u00e3o. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">No eixo do Cone Sul as pol\u00edticas nacionais buscaram atualizar as agendas e agir de forma a atender ao novo cen\u00e1rio internacional, ascender ao rol dos chamados desenvolvidos e eliminar o seu car\u00e1ter, visto como pejorativo de \u201cTerceiro Mundo\u201d. Assim, a estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o internacional passou pela tentativa de aumento da credibilidade econ\u00f4mica com a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa e a ades\u00e3o aos princ\u00edpios internacionais ditados desde as pot\u00eancias, como a ades\u00e3o aos regimes multilaterais, especialmente os de controle de tecnologia sens\u00edvel, de direitos humanos, com\u00e9rcio e meio-ambiente, consolidando o processo democr\u00e1tico. (<span style=\"font-variant: small-caps;\">hirst; pinheiro<\/span>, 1995) <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">No eixo andino, os pa\u00edses que j\u00e1 haviam buscado a integra\u00e7\u00e3o a partir da forma\u00e7\u00e3o do Grupo Andino, de 1969, continuavam na depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es de <i>commodities <\/i>\u00e0s economias desenvolvidas. Assim tamb\u00e9m ocorreu com a Venezuela e o petr\u00f3leo no processo de utiliza\u00e7\u00e3o da farta entrada de divisas dessa <i>commodity <\/i>como indutora de um desenvolvimento, o que ao mesmo tempo dificultou a diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e facilitou a concentra\u00e7\u00e3o de renda no setor (<span style=\"font-variant: small-caps;\">medeiros<\/span>, 2008). Cabe constatar que por toda a Am\u00e9rica Latina o pensamento neoliberal foi transformador e se associou a uma nova formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina &#8211; Cepal, \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 ONU \u2013 sobre os processos de regionalismo (considerado \u201caberto\u201d) e fortaleceu o arraso dos projetos desenvolvimentistas.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">Contudo, o modelo cepalino do regionalismo aberto escolhido pelos sul-americanos manteve-se nos marcos da redu\u00e7\u00e3o do Estado e de sua soberania, promovendo a integra\u00e7\u00e3o comercial centrada na liberaliza\u00e7\u00e3o crescente de tarifas, mercadorias e do capital, tal como recomendava a cartilha neoliberal dos noventa. \u00c0 crise e \u00e0 fal\u00eancia do modelo neoliberal se adiciona \u201co esgotamento de forma de organiza\u00e7\u00e3o estatal, domina\u00e7\u00e3o social, baixa inclus\u00e3o pol\u00edtico-social e monop\u00f3lio partid\u00e1rio\u201d (<span style=\"font-variant: small-caps;\">silva<\/span>, 2011: 265)<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">No in\u00edcio deste s\u00e9culo, por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel pensar que houve uma satura\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o vigente e um novo desabrochar da consci\u00eancia popular. Esse momento marcou a regi\u00e3o tanto nos contextos nacionais quanto no contexto internacional. Nos \u00e2mbitos nacionais, as for\u00e7as das mudan\u00e7as propagadas pela distor\u00e7\u00e3o dos anos de pol\u00edticas neoliberais no conjunto das sociedades aproximaram os Estados em sua concep\u00e7\u00e3o de futuro. No campo internacional, fatores como a melhoria dos pre\u00e7os das <i>commodities<\/i>, um ajuste na estrat\u00e9gia da pol\u00edtica externa norte-americana, assim como as potencialidades de novos jogadores na arena internacional contribu\u00edram para favorecer o \u00e2nimo dos pa\u00edses.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">O reordenamento das rela\u00e7\u00f5es internacionais da regi\u00e3o a partir das renovadas concep\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, e que acrescentavam a quest\u00e3o da autonomia, ganhou o impulso regional necess\u00e1rio com a chegada ao poder de governos que possu\u00edam como interesse o fortalecimento regional e comum. Eles estipularam um novo consenso e novas formas e temas de atua\u00e7\u00e3o, incluindo a esfera institucional, com bases outras que apenas o econ\u00f4mico-comercial. <\/span><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">A amplia\u00e7\u00e3o do rol de itens em debate nos organismos do processo integrativo sul-americano foi um dos fatores mais importantes. O foco que os novos governos da regi\u00e3o conferiram \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o setorial extracomercial foi condizente com os discursos que ressaltavam a necessidade do entendimento e do fortalecimento social. Nesse contexto est\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para articula\u00e7\u00e3o de novos atores que tinham como circunst\u00e2ncia a formata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento regional voltado para o aprofundamento integra\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\"><span style=\"font-family: inherit;\">A perspectiva foi a reconstru\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o para que passasse a representar de forma efetiva a sua pluralidade e originalidade. Essa quest\u00e3o, dada pelos temas culturais e educacionais, os quais incluem produ\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de novos saberes, tamb\u00e9m giram em torno de quest\u00f5es como as garantias para as liberdades fundamentais e a possibilidade de uma gest\u00e3o democr\u00e1tica do conhecimento.<\/span><span style=\"font-family: Garamond, serif;\"><o:p><\/o:p><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><b><i><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Desde sur y para sur<\/span><\/i><\/b><b><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">: as redes para um conhecimento continental<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">De acordo com Daniela Perrotta, a Am\u00e9rica Latina tomou parte da internacionaliza\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias nos anos sessenta e se consolidou como produtora de conhecimento em sua condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, criando epicentros de irradia\u00e7\u00e3o como o caso do Chile. Para a pesquisadora, devemos reconhecer que estamos vivendo novos tempo que exigem, por sua vez, a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o de uma nova regi\u00e3o e de uma nova forma de produzir conhecimento. Perrotta indaga quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o desse conhecimento, que tipo de conhecimento \u00e9 esse e como ele \u00e9 criado de fato. Essa provoca\u00e7\u00e3o, sem o intuito de esgotar o tema, encontrou no painel algumas pistas de respostas.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Nosso momento hist\u00f3rico tem exigido o repensar da regi\u00e3o e a sua reconstru\u00e7\u00e3o a partir de marcos sociopol\u00edticos e culturais diferentes. O campo do conhecimento exige, portanto, m\u00faltiplas vis\u00f5es que s\u00f3 podem ser criadas pelo incentivo de um ambiente plural. As universidades e centros de pesquisa, focos de excel\u00eancia desse projeto de cria\u00e7\u00e3o de saberes, apresentam idiossincrasias quando se analisa o ambiente nacional e quando se amplia a vis\u00e3o para o n\u00edvel regional. Cita-se de um modo pr\u00e1tico, por exemplo, a burocratiza\u00e7\u00e3o como um dos fatores determinantes em que um pesquisador consome seu tempo. Soma-se a isso um velado nivelamento ou uniformiza\u00e7\u00e3o de atividades quando da libera\u00e7\u00e3o de financiamentos para determinadas atividades, que, quando ocorre, segue com uma densa presta\u00e7\u00e3o de contas. O incentivo \u00e0 pesquisa \u00e9 um item que tamb\u00e9m assume import\u00e2ncia no contexto dos desenvolvimentos nacionais, mas que em diversos momentos parece negligenciado e, novamente, altamente burocratizado para sua efetiva\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1rio suplantar essas quest\u00f5es para avan\u00e7armos em uma efetiva coopera\u00e7\u00e3o interuniversit\u00e1ria. <o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">O tipo de conhecimento que se prop\u00f5e criar quando se trata da integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 algo que consiga conjugar uma vis\u00e3o plural e ao mesmo tempo \u00fanica e continental. \u00c9 importante salientar que j\u00e1 houve diversos pensadores em distintos momentos da hist\u00f3ria com esse tipo de vis\u00e3o, entretanto, como o tema sempre surgiu como ondas recorrentes, o problema foi que na maioria das vezes as quest\u00f5es encontravam pouco eco nas sociedades. Para Geronimo de Sierra, em algumas oportunidades essa vis\u00e3o teve maior abrang\u00eancia, com produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que se voltava na forma\u00e7\u00e3o de quadros para a integra\u00e7\u00e3o, como no Instituto Latino-americano y del Caribe de Planificaci\u00f3n Econ\u00f3mica y Social &#8211; Ilpes, da Cepal. Para De Sierra, o marco deve ser a educa\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o, ou seja, a constru\u00e7\u00e3o de um horizonte de reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m de a\u00e7\u00e3o, de problemas da regi\u00e3o e de solu\u00e7\u00f5es para a regi\u00e3o por meio da educa\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">A percep\u00e7\u00e3o de que apesar do tema ser recorrente, ele n\u00e3o conseguiu se consolidar, ou se aprofundar de forma pr\u00e1tica, demonstra tanto sua complexidade quanto a dificuldade de pensar a regi\u00e3o como uma unidade. A constru\u00e7\u00e3o desse conhecimento continental, subcontinental, regional, se bem deve passar pelo saber formal acad\u00eamico, tem sido beneficiada pelas novas tecnologias.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt; text-align: justify;\"><span style=\"color: windowtext; font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Como explicam Hern\u00e1n Thomas <i>et alii<\/i> &#8211; a seguir &#8211; quando nos relatam experi\u00eancias de campo na aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias sociais, percebe-se que h\u00e1 quest\u00f5es que ultrapassam o mero formalismo cient\u00edfico e que devem ser aprofundadas com o contato com o p\u00fablico alvo. Os autores advogam, assim, a necessidade de constru\u00e7\u00e3o coletiva do conhecimento entre a comunidade acad\u00eamico-cient\u00edfica e os atores locais, que ser\u00e3o os beneficiados da aplica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, uma vez que estes possuem demandas espec\u00edficas e contam com um <i>know-how<\/i>local. Assim, o processo de desenvolvimento de tecnologias apropriadas e cuja aplica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 bem-sucedida passa, certamente, pelo que prop\u00f4s o pr\u00f3prio congresso do FoMerco, a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento e viv\u00eancia cultural regional.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Destacam-se nesse tema, as redes de coopera\u00e7\u00e3o, universit\u00e1rias e de pesquisa, que n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos de todo novos, mas mudaram sua intensidade, abrang\u00eancia e alcance. Para Perrota, falta para os pesquisadores atuais a realiza\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo dinamizador de conhecimento cr\u00edtico como foi o Chile nos anos sessenta.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">A pulveriza\u00e7\u00e3o das redes simplesmente baseada no crescente uso da internet, embora tenha a capacidade de ampliar a discuss\u00e3o em termos quantitativos, pode n\u00e3o ser capaz de aprofundar propostas concretas. Para a pesquisadora, as redes podem ser tem\u00e1ticas, generalistas, e estar ligadas a universidades ou n\u00e3o, mas dois itens importantes devem ser levados em conta quando pensamos nesse assunto, primeiro \u00e9 que os princ\u00edpios que est\u00e3o presentes em qualquer rede s\u00e3o a solidariedade, a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento e o apoio m\u00fatuo de pesquisa; segundo, que uma rede sobre integra\u00e7\u00e3o regional dever\u00e1 considerar as assimetrias na educa\u00e7\u00e3o superior dos participantes e agir para a sua supera\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Perrotta indica tr\u00eas formas das assimetrias que definem as diferen\u00e7as entre os pa\u00edses do Mercosul: estruturais, regulat\u00f3rias e culturais. Para ela, \u00e9 muito vis\u00edvel a quest\u00e3o estrutural uma vez analisado o tamanho dos sistemas universit\u00e1rios, por exemplo, entre o Brasil que possui 6 milh\u00f5es de estudantes de ensino superior, contra 131 mil do Uruguai. Em termos regulat\u00f3rios, ao contr\u00e1rio, a maioria dos estudantes brasileiros est\u00e1 em universidades privadas e no Uruguai na universidade p\u00fablica, na \u00fanica existente. O que gera uma importante discuss\u00e3o sobre se as pesquisas acad\u00eamicas e sua destina\u00e7\u00e3o social: o conhecimento \u00e9 p\u00fablico ou pode ser privatizado?<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: inherit; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">A terceira quest\u00e3o assim\u00e9trica s\u00e3o as diferentes culturas e sobretudo, as culturas acad\u00eamicas. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de cada pa\u00eds e de cada centro acad\u00eamico, \u00e9 importante verificar, por exemplo, que as universidades brasileiras s\u00e3o do s\u00e9culo XX, enquanto em outros pa\u00edses h\u00e1 universidades ainda da \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o, assim, fica claro que a coopera\u00e7\u00e3o de universidades em termos intrazona s\u00e3o favorecidas pelos acordos regionais que levam em conta as assimetrias e tentam compatibiliz\u00e1-las. Ao mesmo tempo, torna-se um passo importante a tentativa de fazer com que a academia escape de tens\u00f5es pol\u00edticas entre pa\u00edses e a qualquer movimento pendular de suas pol\u00edticas externas, fortalecendo, por interm\u00e9dio da integra\u00e7\u00e3o dos saberes, la\u00e7os mais profundos e duradouros.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: inherit;\"><br \/><\/span><\/p>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt; text-align: justify;\"><span style=\"color: windowtext; font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\"><span style=\"font-family: inherit;\">A percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se tenha avan\u00e7ado na tomada consci\u00eancia na regi\u00e3o, mas que todo processo educacional tem em seu cerne uma tens\u00e3o, entre a universaliza\u00e7\u00e3o do saber e do conhecimento e a elitiza\u00e7\u00e3o, o privil\u00e9gio de saber.<\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt; text-align: justify;\"><span style=\"color: windowtext; font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt; text-align: justify;\"><span style=\"color: windowtext; font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\">Refer\u00eancias<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 6.0pt; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; font-variant: small-caps; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">HIRST, M.; PINHEIRO, L.<\/span><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\"> A pol\u00edtica externa do Brasil em dois tempos. <i>Revista Brasileira de Pol\u00edtica Internacional. <\/i>Bras\u00edlia: v. 38, n. 1, 1995: 5-23<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 6.0pt; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; font-variant: small-caps; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">MEDEIROS, C<\/span><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">. Celso Furtado na Venezuela. Introdu\u00e7\u00e3o. In: <span style=\"font-variant: small-caps;\">furtado, c<\/span>. <i>Ensaios sobre a Venezuela. <\/i>Subdesenvolvimento com abund\u00e2ncia de divisas. Rio de Janeiro: Contraponto\/ Centro Celso Furtado, 2008.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 6.0pt; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;\"><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; font-variant: small-caps; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">SILVA, F.P.<\/span><span style=\"font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;\">&nbsp;<i>Vit\u00f3rias na crise: <\/i>trajet\u00f3ria das esquerdas latino-americanas contempor\u00e2neas<i>. <\/i>Rio de Janeiro: Ponteio, 2011.<o:p><\/o:p><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%; margin-bottom: 6.0pt; text-align: justify;\"><span style=\"color: windowtext; font-family: &quot;Garamond&quot;,serif; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 6pt;\">\n<div style=\"text-align: justify;\">Extrato do texto: CARVALHO, Glauber. &#8220;A integra\u00e7\u00e3o sul-americana: coopera\u00e7\u00e3o, redes e produ\u00e7\u00e3o do conhecimento&#8221; In: SARTI, I.; MARTINS, J.; LESSA, M.; CARVALHO, G. (Org.) <b>Os desafios da integra\u00e7\u00e3o sul-americana: <\/b>autonomia e desenvolvimento. [livro eletr\u00f4nico]. Rio de Janeiro: FoMerco \/ Folio Digital, 2014. pp. 79-85<\/div>\n<div style=\"line-height: 115%;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Garamond, serif; line-height: 18.3999996185303px;\"><br \/><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Garamond, serif; line-height: 18.3999996185303px;\"><br \/><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: 115%;\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Garamond, serif; line-height: 18.3999996185303px;\">&nbsp;Leia o livro completo.<\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-bottom: 6pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\"><span style=\"line-height: 18.3999996185303px;\"><br \/><\/span><\/span><\/div>\n<table align=\"center\" border=\"0\" cellpadding=\"1\" cellspacing=\"1\" style=\"background-color: white; color: black; font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 18px; width: 750px;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href=\"http:\/\/www.fomerco.com.br\/download\/download?ID_DOWNLOAD=29\" style=\"border: 0px; color: black; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; text-decoration: none; vertical-align: baseline;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" border=\"0\" class=\"imageContent \" src=\"http:\/\/www.fomerco.com.br\/resources\/content\/conteudoimagem_1427121333_1_1_capa_livro_fomerco_2014_med.png\" hspace=\"0\" id=\"htmlimage3\" style=\"border: none; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px 10px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\" title=\"\" vspace=\"0\" \/><\/a><\/td>\n<td><\/p>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><strong>Os desafios da integra\u00e7\u00e3o sul-americana: autonomia e&nbsp;<\/strong><span style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; line-height: 1.5em; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><strong>desenvolvimento.<\/strong>&nbsp;[livro eletr\u00f4nico]<\/span><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><span style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; line-height: 1.5em; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\">Organiza\u00e7\u00e3o: Ingrid Sarti, Jos\u00e9 Renato Vieira Martins, Monica Leite Lessa e Glauber Cardoso Carvalho<\/span><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\">Rio de Janeiro: FoMerco \/ Folio Digital, 2014.<\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><a href=\"http:\/\/www.fomerco.com.br\/download\/download?ID_DOWNLOAD=31\" style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; text-decoration: none; vertical-align: baseline;\"><span style=\"color: blue;\">Baixe aqui o livro eletr\u00f4nico formato&nbsp;PDF<\/span><\/a><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><\/div>\n<div style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\"><a href=\"http:\/\/www.fomerco.com.br\/download\/download?ID_DOWNLOAD=29\" style=\"border: 0px; font-family: inherit; font-style: inherit; font-weight: inherit; margin: 0px; padding: 0px; text-decoration: none; vertical-align: baseline;\"><span style=\"color: blue;\">Baixe aqui o livro eletr\u00f4nico formato E-pub<\/span><\/a><\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Glauber Cardoso Carvalho Novo encontro do FoMerco. 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