{"id":1779,"date":"2015-05-18T13:11:00","date_gmt":"2015-05-18T16:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1779"},"modified":"2024-03-27T17:47:25","modified_gmt":"2024-03-27T20:47:25","slug":"perspectiva-tradicional-de-seguranca-internacional-e-a-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1779","title":{"rendered":"Perspectiva tradicional de Seguran\u00e7a Internacional e a Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics<\/p>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, a capacidade explicativa das abordagens te\u00f3ricas tradicionais de Seguran\u00e7a Internacional oscilou da inefici\u00eancia \u00e0 renova\u00e7\u00e3o com os eventos que sucederam a fragmenta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em 1989, e os ataques terroristas nos Estados Unidos em 2001. Isso se deve, de maneira geral, \u00e0 centralidade do Estado, da guerra interestatal e da defesa militar como fundamentos das abordagens tradicionais.<br \/>\n<a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">Para a Am\u00e9rica do Sul, o quadro explicativo tradicional da Seguran\u00e7a Internacional teve sua complexidade ampliada j\u00e1 na d\u00e9cada de 1980. A posi\u00e7\u00e3o norte-americana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra das Malvinas provocou nas For\u00e7as Armadas sul-americanas, especialmente na argentina e na brasileira, o descr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o ao sistema de seguran\u00e7a coletiva continental institucionalizado pelo TIAR e ao apoio militar dos Estados Unidos \u00e0 regi\u00e3o. O novo contexto fez com que Brasil e Argentina fossem da rivalidade em rela\u00e7\u00e3o aos seus projetos de desenvolvimento de tecnologia nuclear \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o que, expandida para \u00e1reas pol\u00edticas e econ\u00f4micas com a redemocratiza\u00e7\u00e3o nos dois pa\u00edses, culminou com a cria\u00e7\u00e3o do Mercosul.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">Ao longo da d\u00e9cada de 1990, a definitiva ades\u00e3o de ambos os pa\u00edses ao regime internacional de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de armas nucleares proporcionou \u00e0 regi\u00e3o o status de zona livre de armas nucleares. O restabelecimento das democracias na Am\u00e9rica do Sul consolidou o uso do di\u00e1logo como instrumento de supera\u00e7\u00e3o das rivalidades e disputas entre os Estados, o que tornou cada vez mais remota a possibilidade do uso da for\u00e7a como meio de solu\u00e7\u00e3o das controv\u00e9rsias e viabilizou o t\u00edtulo de Zona de Paz para a regi\u00e3o. Contribui para esse contexto os esfor\u00e7os da diplomacia brasileira que, ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, procuraram consolidar as fronteiras do pa\u00eds com os demais vizinhos sul-americanos pela via diplom\u00e1tica.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">\u00c9 interessante notar que, mesmo com a retomada dos gastos militares para reequipamento das For\u00e7as Armadas e o restabelecimento das ind\u00fastrias de defesa nos pa\u00edses da regi\u00e3o neste in\u00edcio de s\u00e9culo XXI, n\u00e3o h\u00e1 qualquer ind\u00edcio de uma corrida armamentista na Am\u00e9rica do Sul (BARTOLOM\u00c9, 2013). Pelo contr\u00e1rio, a coopera\u00e7\u00e3o crescente entre os Estados e o projeto de integra\u00e7\u00e3o regional em curso, com destaque para a Unasul, t\u00eam estimulado parcerias importantes na \u00e1rea de defesa (SOARES, 2015).<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">Se por um lado a amea\u00e7a de guerra entre os Estados da Am\u00e9rica do Sul \u00e9 improv\u00e1vel em um futuro pr\u00f3ximo, por outro, a possibilidade de ataques aos Estados da regi\u00e3o por outros Estados do sistema internacional exige uma reflex\u00e3o mais apurada.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">De fato, desde a inaugura\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1, em 1914, a Am\u00e9rica do Sul vem perdendo sua import\u00e2ncia geopol\u00edtica enquanto rota de navega\u00e7\u00e3o, o que tende a afastar o Atl\u00e2ntico Sul e o Pac\u00edfico Sul das disputas por pontos estrat\u00e9gicos em alto mar. As Malvinas s\u00e3o um dos \u00faltimos resqu\u00edcios desse tipo de dom\u00ednio na Am\u00e9rica do Sul, relevante, sem d\u00favida, quando colocamos as ilhas na rota rumo ao continente gelado da Ant\u00e1rtica.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">Contudo, prevalece a sua import\u00e2ncia como fornecedora de mat\u00e9rias-primas para as grandes pot\u00eancias e como mercado consumidor de produtos industrializados. Enquanto a maior parte dos Estados da regi\u00e3o seguir cumprindo com este papel secund\u00e1rio e subalterno dentro da economia global, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que qualquer pot\u00eancia tenha o interesse em empreender uma guerra contra um pa\u00eds sul-americano. Tamb\u00e9m \u00e9 pouco prov\u00e1vel que qualquer pot\u00eancia tenha o interesse em atacar uma na\u00e7\u00e3o sul-americana em que a democracia, o livre com\u00e9rcio, a defesa dos direitos humanos e do meio ambiente prevale\u00e7am. Ou seja, enquanto jogarem o jogo das grandes pot\u00eancias e seguirem a cartilha dos valores universais\/ocidentais, poucas ser\u00e3o as chances de guerra (no sentido tradicional do termo) na Am\u00e9rica do Sul.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">O problema \u00e9 que dentro deste jogo as possibilidades reais de desenvolvimento tamb\u00e9m s\u00e3o restritas. Conforme aponta Ha Joo Chang, o protecionismo foi um instrumento largamente utilizado pelas grandes pot\u00eancias em seus processos de desenvolvimento econ\u00f4mico e expans\u00e3o comercial. A China, o grande motor atual do crescimento mundial, n\u00e3o \u00e9 exatamente um pa\u00eds democr\u00e1tico e a postura dos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o ao Protocolo de Quioto, por exemplo, n\u00e3o foi das mais ecol\u00f3gicas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que os pa\u00edses sul-americanos devam abandonar as conquistas alcan\u00e7adas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como a democracia ou o projeto de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Essa reflex\u00e3o evidencia as contradi\u00e7\u00f5es do mundo capitalista atual e por isso se faz necess\u00e1rio pensar a quest\u00e3o da Seguran\u00e7a Internacional a partir de outra \u00f3tica que n\u00e3o seja a das grandes pot\u00eancias.<\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\">Refer\u00eancias:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 150%; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">BARTOLOM\u00c9, Mariano C\u00e9sar. Una visi\u00f3n de Am\u00e9rica Latina desde la perspectiva de la agenda de la Seguridad Internacional Contempor\u00e1nea. <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Relaciones Internacionales,<\/i> n.23, Madri, set.2013.p.35-64.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 150%; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">CHANG, Ha Joo. <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Chutando a escada: <\/i>a estrat\u00e9gia do desenvolvimento em perspectiva hist\u00f3rica. S\u00e3o Paulo: Ed. Unesp, 2004.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 150%; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">SARFATI, Gilberto. Estudos de Seguran\u00e7a Internacional: de Tuc\u00eddides aos novos conceitos. In: BRIGAG\u00c3O, Cl\u00f3vis; PROEN\u00c7A JR. Dom\u00edcio. <em>Panorama Brasileiro de paz e seguran\u00e7a<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 2004.p.153-189.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 150%; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-size: 12.0pt;\">SOARES, Rodrigo de Lima Baena. A base industrial de defesa brasileira e a pol\u00edtica externa. <i style=\"mso-bidi-font-style: normal;\">Cadernos de Pol\u00edtica Exterior,<\/i> v., n.1, Rio de Janeiro, p.47-62, 2015.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, a capacidade explicativa das abordagens te\u00f3ricas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[653],"tags":[],"class_list":["post-1779","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1779"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3049,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1779\/revisions\/3049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}