{"id":1797,"date":"2014-12-26T08:10:00","date_gmt":"2014-12-26T10:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1797"},"modified":"2024-03-27T17:31:49","modified_gmt":"2024-03-27T20:31:49","slug":"a-construcao-de-mais-uma-versao-do-oriente-pelo-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1797","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o de mais uma vers\u00e3o do Oriente pelo Ocidente"},"content":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Enquanto a China expande seu poder e nos lembra o porqu\u00ea dela ser um <i>player<\/i> fundamental do tabuleiro geopol\u00edtico mundial, a ind\u00fastria cultural do ocidente se entrega \u00e0 tarefa de criar as suas pr\u00f3prias vers\u00f5es dos costumes e da cultura dos povos asi\u00e1ticos, guardando mais semelhan\u00e7as com seus pr\u00f3prios c\u00f3digos culturais do que com a realidade dos povos que se prop\u00f5e a retratar.<\/p>\n<p><a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Marco Polo&#8221;, a recente produ\u00e7\u00e3o do Netflix lan\u00e7ada neste m\u00eas de dezembro \u00e9 mais um exemplo deste tipo de produto da ind\u00fastria cultural ocidental. A primeira temporada da s\u00e9rie ambiciosa, que custou 90 milh\u00f5es de d\u00f3lares ao Netflix, procura contar, em 10 epis\u00f3dios, o in\u00edcio da jornada do jovem veneziano Marco Polo, que junto com seu pai e tio, desbravaram a Rota da Seda no s\u00e9culo XIII.<\/p>\n<p>As narrativas do veneziano e a \u00e9poca em que ele viveu servem de inspira\u00e7\u00e3o, e nada mais, para uma trama repleta de conchavos, viol\u00eancia, sexo e trai\u00e7\u00f5es. Alguns cr\u00edticos a comparam a Game of Thrones, meio pretensioso talvez. Do ritmo da narrativa ao idioma falado pelos personagens, tudo parece muito ocidental. \u00c9 claro que para o consumo de massa, uma l\u00f3gica hollywoodiana e o ingl\u00eas s\u00e3o muito mais palit\u00e1veis e comercializ\u00e1vel nas bandas de c\u00e1 do que o mandarim ou os saltos suspensos no ar dos filmes de Xangai.<\/p>\n<p>Portanto, internacionalista de plant\u00e3o, n\u00e3o esperem aprender muito sobre a hist\u00f3ria da \u00c1sia, da cultura dos mong\u00f3is ou dos costumes chineses em &#8220;Marco Polo&#8221;. Ainda que a s\u00e9rie tenha sido realizada com boas tintas e um colorido art\u00edstico de qualidade, restam poucas semelhan\u00e7as com a realidade dos fatos al\u00e9m dos nomes dos personagens e alguns eventos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Guardadas as devidas ressalvas, destaco tr\u00eas elementos que movem a trama, e segundo alguns analistas, o mundo: o poder, a expans\u00e3o territorial e as finan\u00e7as. Do lado chin\u00eas, a amea\u00e7a mongol \u00e9 o que mant\u00e9m o chanceler Jia Sidao no poder, mesmo contra a vontade da rainha. Do lado mongol, a l\u00f3gica expansionista de Kublai Khan est\u00e1 ao centro da narrativa. E as finan\u00e7as, os impostos e as moedas, s\u00e3o a chave que desencadeia os principais eventos, inclusive os da pr\u00f3xima temporada.<\/p>\n<p>Sem mais<i> spoilers,<\/i> recomendo aos aficionados por s\u00e9ries que assistam &#8220;Marco Polo&#8221;, que a despeito das falhas hist\u00f3ricas traz um bom exemplo de como as rela\u00e7\u00f5es entre poder e riqueza funcionam.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo post do ano, agrade\u00e7o as visitas constantes e a leitura atenta de todos.<\/p>\n<p>Nos vemos em 2015.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Marco Polo <\/b>(Dez. 2014)<b> <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Onde enco<\/b><b>ntrar:<\/b> Netflix<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Temporadas:<\/b> 1<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Epis\u00f3dios:<\/b> 10<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Criador:<\/b> John Fusco<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Elenco:<\/b> Lorenzo Richelmy; Benedict Wong; Joan Chen; Rick Yune; Amr Waked; Remy Hii; Zhu Zhu; Tom Wu; Mahesh Jadu; Olivia Cheng; Uli Latukefu; Chin Han; Pierfrancesco Favino.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Larissa Rosevics Enquanto a China expande seu poder e nos lembra o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[652],"tags":[],"class_list":["post-1797","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1797"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3031,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1797\/revisions\/3031"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}