{"id":1807,"date":"2014-11-12T19:17:00","date_gmt":"2014-11-12T21:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1807"},"modified":"2022-05-05T00:30:52","modified_gmt":"2022-05-05T03:30:52","slug":"quarta-do-especialista-os-brics-e-a-volatilidade-de-um-mundo-profanado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1807","title":{"rendered":":: Quarta do Especialista :: Os Brics e a volatilidade de um mundo profanado"},"content":{"rendered":"<p>Autor Convidado: Bernardo Salgado Rodrigues<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<table cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" style=\"float: right; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-C8oMSgpWQTU\/VGPcFSi2z7I\/AAAAAAAAAnQ\/jmlBHrGZZuQ\/s1600\/brics-intro.jpg\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"220\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-C8oMSgpWQTU\/VGPcFSi2z7I\/AAAAAAAAAnQ\/jmlBHrGZZuQ\/s320\/brics-intro.jpg\" width=\"320\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Brics.<br \/>Foto: <a href=\"http:\/\/brics.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IBGE<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A crise mundial do capitalismo de 2008, e ainda hoje em curso, aprofundou o processo de desenvolvimento desigual, refor\u00e7ando o deslocamento da produ\u00e7\u00e3o industrial do Ocidente para o Oriente e a necessidade objetiva de uma nova ordem internacional. Desde o estabelecimento do sistema internacional de Estados nacionais, logo ap\u00f3s a paz de Westfalia em 1648, as muta\u00e7\u00f5es na ordem internacional eram medidas praticamente em s\u00e9culos. Atualmente, in\u00fameras transforma\u00e7\u00f5es v\u00eam sendo registradas em apenas tr\u00eas d\u00e9cadas. Deste fato decorre a in\u00e9dita volatilidade e periculosidade da situa\u00e7\u00e3o atual.&nbsp;<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os Estados Unidos est\u00e3o enfrentando uma crise de lideran\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas com seus aliados e advers\u00e1rios, mas isso n\u00e3o significa uma diminui\u00e7\u00e3o do seu poder estrutural. A queda de seu poder relativo n\u00e3o deixar\u00e1 para segundo plano o seu protagonismo no s\u00e9culo XXI<span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%; text-indent: 35.4pt;\">. &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>\u201c<i>Es m\u00e1s, en un informe especial elaborado por el Pent\u00e1gono se apunta que en los pr\u00f3ximos a\u00f1os Washington deber\u00e1 prepararse para vivir en un mundo mucho m\u00e1s hostil y competitivo, e que tendr\u00e1 que lidiar con cinco categor\u00edas de actores nacionales: amigos, aliados, competidores, adversarios y enemigos, todos ellos midiendo sus fuerzas en la arena internacional<\/i>.\u201d (BORON, 2013, p.52)<\/p><\/blockquote>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a ascens\u00e3o dos pa\u00edses emergentes que n\u00e3o est\u00e3o no centro de gravidade da antiga ordem econ\u00f4mica mundial implica no estabelecimento de um mundo multipolar, no qual o surgimento dos Brics \u00e9 um movimento de subvers\u00e3o estrat\u00e9gica da ordem estabelecida, a m\u00e9dio e longo prazo. Assim, ao lado do crescimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e do modo com que o primeiro mundo vem enfrentando a crise, a necessidade de transi\u00e7\u00e3o a uma nova ordem mundial explica e justifica a unidade dos Brics.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os cinco pa\u00edses membros dos Brics \u2013 Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul \u2013 possuem uma \u00e1rea correspondente a mais de um quarto da superf\u00edcie terrestre, tendo quatro dos dez maiores pa\u00edses do mundo; 41% da popula\u00e7\u00e3o mundial, sendo a China e a \u00cdndia os pa\u00edses mais populosos; 27% do PIB\/PCC global, com economias emergentes em ascens\u00e3o e tomando lugar de antigas pot\u00eancias econ\u00f4micas; seu crescimento do PIB, impulsionado pela China, corresponde a m\u00e9dia global e um novo p\u00f3lo dinamizador de crescimento. Entretanto, vale ressaltar que esse crescimento econ\u00f4mico, em grande parte, n\u00e3o tem sido acompanhado de melhorias sociais na mesma velocidade, em que seus PIB\u2019s per capita ainda s\u00e3o baixos, apesar de acima da m\u00e9dia global; seus IDH\u2019s est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia global e demonstram pouca evolu\u00e7\u00e3o ao longo dos anos; e o GINI est\u00e1 acima da m\u00e9dia global, o que demonstra uma relativa concentra\u00e7\u00e3o de riqueza a partir desse crescimento econ\u00f4mico dos Brics.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Glauber\/Downloads\/Os%20Brics%20e%20a%20volatilidade%20de%20um%20mundo%20profanado%20(1).doc#_ftn1\">[1]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, entre os anos de 1970-2014, podem-se perceber cinco caracter\u00edsticas fundamentais: 1) a ascens\u00e3o econ\u00f4mica exponencial dos Estados Unidos a partir de 1970 e, principalmente, nos anos 1990, com o processo de liberaliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no \u00e2mbito da globaliza\u00e7\u00e3o e do neoliberalismo, onde tal crescimento e distanciamento ainda se faz presente, sobretudo se comparado aos demais pa\u00edses; 2) o \u201cdesenvolvimento \u00e0 convite\u201d das demais pot\u00eancias globais no s\u00e9culo XX, alinhadas com o crescimento dos Estados Unidos, em que o Jap\u00e3o apresenta um crescimento exponencial entre 1975-1995, e a Alemanha entre 1985-1995; 3) o aumento acelerado do PIB de todos os pa\u00edses dos Brics, principalmente na virada do s\u00e9culo XXI, com altas taxas de crescimento consecutivas at\u00e9 a crise de 2008, mas retomado seu crescimento econ\u00f4mico nos anos seguintes; 4) a discrep\u00e2ncia entre o \u201cl\u00edder do grupo\u201d e os demais pa\u00edses, tanto nos Brics, no caso da China, como entre os pa\u00edses desenvolvidos, com os Estados Unidos, ambos correspondendo a mais da metade dos PIB\u2019s agregados dos demais pa\u00edses; 5) ainda que com dois p\u00f3los de poder econ\u00f4micos muito mais elevados, constata-se a ascens\u00e3o de um mundo multipolar, numa nova ordem internacional composta por velhas e novas pot\u00eancias econ\u00f4micas.<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Glauber\/Downloads\/Os%20Brics%20e%20a%20volatilidade%20de%20um%20mundo%20profanado%20(1).doc#_ftn2\">[2]<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ainda, a rela\u00e7\u00e3o desde 1970 entre o somat\u00f3rio do PIB entre os Brics e das tr\u00eas maiores pot\u00eancias no final do s\u00e9culo XX (Estados Unidos, Jap\u00e3o e Alemanha) possui dois pontos distintos: o primeiro, em que a maior dist\u00e2ncia entre o somat\u00f3rio dos PIB\u2019s entre os dois grupos foi constatada no ano de 1995, com uma rela\u00e7\u00e3o G3\/Brics de 6,44, enquanto que a menor rela\u00e7\u00e3o foi, justamente, no \u00faltimo ano da s\u00e9rie, 2013, com uma rela\u00e7\u00e3o G3\/Brics de 1,60.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Assim, constata-se que a mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre a \u00c1sia, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina \u00e9 um fato novo e de enorme import\u00e2ncia para o redesenho da geometria econ\u00f4mica internacional. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do sistema mundial, as rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses emergentes adquirem uma intensidade e dinamismo direto e expressivo.<\/div>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\"><p>\u201cAl\u00e9m disto, o crescimento da economia mundial e desses fluxos e conex\u00f5es econ\u00f4micas aumentam a \u2018press\u00e3o competitiva\u2019 sobre esses continentes e sobre seus principais pa\u00edses, envolvendo-os de forma definitiva no sistema interestatal capitalista.\u201d (FIORI, 2008, p.60)<\/p><\/blockquote>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A crise \u00e9 um momento de dificuldades, mas tamb\u00e9m de transforma\u00e7\u00e3o, de novas oportunidades; \u00e9 o tempo hist\u00f3rico de apagar inc\u00eandios e de construir novas estrat\u00e9gias. Uma das sa\u00eddas apresentadas para um enfrentamento eficiente da quest\u00e3o \u00e9 o refor\u00e7o da integra\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul. De acordo com Marx (2010, p.43), \u201ctudo o que era s\u00f3lido e est\u00e1vel se desmancha no ar, tudo o que era sagrado \u00e9 profanado.\u201d Desta forma, os Brics no s\u00e9culo XXI possuem a capacidade e a necessidade de profanar os ares instaurados pela crescente volatilidade da economia mundial, ocupando uma posi\u00e7\u00e3o similar na ordem mundial em transi\u00e7\u00e3o a fim de consolidar sua posi\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 multipolaridade, a uma reforma multilateral de \u201cgovernan\u00e7a\u201d, reivindicando mudan\u00e7as nas regras da \u201cgest\u00e3o\u201d do sistema mundial e na sua distribui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e desigual de poder e riqueza.<\/p>\n<p> [1] Fonte: CIA World Factbook, Human Development Report (United Nations), Banco Mundial. <\/p>\n<p>[2] Fonte: Banco Mundial.<\/div>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/b><\/p>\n<p>BORON, Atilio. <b>Am\u00e9rica Latina en la geopol\u00edtica del imperialismo.<\/b> Buenos Aires: Ediciones Luxemburg, 2013.<\/p>\n<p>FIORI, Jos\u00e9 Lu\u00eds. O sistema interestatal capitalista no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. In: FIORI, Jos\u00e9 Lu\u00eds; SERRANO, Franklin; MEDEIROS, Carlos Aguiar de. <b>O mito do colapso do poder americano. <\/b>Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 11-70.<\/p>\n<p>MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. <b>Manifesto Comunista. <\/b>S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>Banco Mundial.<br \/>CIA World Factbook.<br \/>Human Development Report (United Nations).<\/p>\n<div style=\"line-height: 150%; text-align: justify;\"><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\n<div>\n<div><span style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;,serif;\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b><i><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3190936777214537\">Bernardo Salgado Rodrigues<\/a> <\/i><\/b><i>\u00e9 mestrando em Economia Pol\u00edtica Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-PEPI). Graduando em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ-FCE). Possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-IFCS). Foi bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica CNPq\/PIBIC. Atualmente \u00e9 integrante do Laborat\u00f3rio de Estudos de Hegemonia e Contrahegemonia (LEHC-UFRJ) e membro do Grupo de Trabalho de Integraci\u00f3n y Unidad Latinoamericana y Caribe\u00f1a do CLACSO (Conselho Latino-americano de Ci\u00eancias Sociais).<\/i><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor Convidado: Bernardo Salgado Rodrigues Brics.Foto: IBGE A crise mundial do capitalismo de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[652],"tags":[],"class_list":["post-1807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1807"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2120,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions\/2120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}