{"id":1820,"date":"2014-09-24T09:00:00","date_gmt":"2014-09-24T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1820"},"modified":"2022-12-30T19:09:35","modified_gmt":"2022-12-30T22:09:35","slug":"quarta-do-especialista-o-papel-da-historia-nas-relacoes-internacionais-consideracoes-sobre-a-dialetica-da-duracao-braudeliana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1820","title":{"rendered":"O papel da Hist\u00f3ria nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais &#8211; considera\u00e7\u00f5es sobre a dial\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o braudeliana."},"content":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 4 | Set. 2014<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\">Por Jana\u00edna Br\u00e1s<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><i>Disse que os modelos eram de dura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel: valem o tempo que vale a realidade que eles registram. E esse tempo, para o observador do social, \u00e9 primordial, porque, mais significativos ainda que as estruturas profundas da vida, s\u00e3o seus pontos de ruptura, sua brusca ou lenta deteriora\u00e7\u00e3o sob o efeito de press\u00f5es contradit\u00f3rias<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/i><\/span><\/p>\n<div style=\"line-height: normal; margin-left: 144pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"line-height: normal; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\">Com o acirramento das animosidades entre R\u00fassia e Estados Unidos na Ucr\u00e2nia, o mundo vive o amargo d\u00e9j\u00e0 vu da amea\u00e7a de guerra entre pot\u00eancias. Os analistas internacionais, como \u00e9 praxe, dividem-se entre aqueles que profetizam a repeti\u00e7\u00e3o reformulada de antigos movimentos b\u00e9licos, t\u00e3o familiares \u00e0 hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es interestatais, e aqueles mais interessados em engrossar o coro dos engajados e em pavimentar o caminho das mudan\u00e7as pela paz internacional. Ser\u00e1 ingenuidade o esfor\u00e7o pela mudan\u00e7a?<\/span><\/span><\/p>\n<p>Quando, em 1958, escreveu Hist\u00f3ria e ci\u00eancias sociais. A longa dura\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn2\">[2]<\/a>, Fernand Braudel<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn3\">[3]<\/a> refletiu sobre ang\u00fastias persistentes tamb\u00e9m entre pesquisadores das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais: Como indiv\u00edduo e sociedade se relacionam na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria? Quem \u00e9 mestre dos rumos do mundo, a ag\u00eancia individual ou as tend\u00eancias de longo prazo? Se atores e eventos s\u00e3o capazes de transformar as tend\u00eancias hist\u00f3ricas, como explicar as mentalidades centen\u00e1rias, as grandes civiliza\u00e7\u00f5es, a recorr\u00eancia de guerras, territ\u00f3rios fechados e desigualdades sociais na hist\u00f3ria mundial? Se as tend\u00eancias hist\u00f3ricas t\u00eam mais for\u00e7a do que a ag\u00eancia individual, ent\u00e3o de onde surgem as mudan\u00e7as nos caminhos internacionais?<\/p>\n<p>Em torno dessas quest\u00f5es, muito j\u00e1 se escreveu sobre a natureza humana, a natureza da hist\u00f3ria, as estruturas permanentes do sistema internacional e a capacidade de constru\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Dentro e fora da academia, o homem est\u00e1 \u00e0s voltas com a d\u00favida inerente a todo aquele que se questiona sobre a sociedade atual: Mas, afinal, na hist\u00f3ria dos homens e dos movimentos globais do capitalismo, qual o papel dos indiv\u00edduos? O analista internacional tem diante de si essa pergunta sempre quando se lan\u00e7a na empreitada da investiga\u00e7\u00e3o de conjuntura. Por detr\u00e1s das v\u00e1rias linhas te\u00f3ricas das RI, est\u00e1 a escolha de uma resposta para ela. E \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que aprendeu a dar ao dilema que determina quais eventos a an\u00e1lise destaca, quais atores cita, de onde come\u00e7a a perscrutar o objeto de estudo.<\/p>\n<p>Braudel, no que compete ao exerc\u00edcio do historiador, apontou como trilha a dial\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn4\">[4]<\/a>. Nem tanto ao c\u00e9u nem tanto ao mar, poderia dizer. Embora seja ineg\u00e1vel o peso dos movimentos de longo prazo, o tempo est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dos problemas da hist\u00f3ria, e o tempo \u00e9 o campo das mudan\u00e7as. \u201cAlcan\u00e7\u00e1-las-ia [as profundezas da hist\u00f3ria] ainda melhor se a ampulheta fosse inclinada nos dois sentidos &#8211; do evento para a estrutura, depois das estruturas e modelos para o evento\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn5\">[5]<\/a>. E, no entanto, ele pr\u00f3prio teve dificuldades em manter a arte desse equil\u00edbrio. Embora o historiador busque identificar rupturas e aspectos in\u00e9ditos nas conjunturas estudadas, ele disse, sempre se depara com continuidades muito mais perenes do que as revolu\u00e7\u00f5es e do que as a\u00e7\u00f5es individuais<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso evitar jogar fora o beb\u00ea junto com a \u00e1gua suja. A provoca\u00e7\u00e3o feita pela dial\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o permanece pertinente e elementar. O predom\u00ednio da longue dur\u00e9e sobre os eventos \u00e9 como uma n\u00e9voa diante dos olhos de quem procura compreender as mudan\u00e7as poss\u00edveis dentro dos arranjos internacionais. Seu reinado \u00e9 excelente narrador dos fatos acontecidos, mas mal conselheiro daqueles que trabalham pela normatiza\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es globais mais \u00edntegras e menos desiguais. Ainda quando se trata de analisar o mundo, amenizar os c\u00e2mbios constantes em favor das repeti\u00e7\u00f5es \u00e9 tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico de coniv\u00eancia. Beneficia a multiplica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias voltadas para a estagna\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e subestima a capacidade humana de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p><b>Refer\u00eancias <\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref1\">[1]<\/a> BRAUDEL, Fernand. Hist\u00f3ria e ci\u00eancias sociais. A longa dura\u00e7\u00e3o. In: BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a hist\u00f3ria. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013, pp. 68.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref2\">[2]<\/a> Ibid, pp. 41-78.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref3\">[3]<\/a> Historiador franc\u00eas cujo artigo, que procurou definir o papel da hist\u00f3ria frente \u00e0s ci\u00eancias sociais, foi publicado pela revista dos Annales, na se\u00e7\u00e3o Debates e combates. Marcou assim a tomada de consci\u00eancia da historiografia francesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 virada estruturalista das ci\u00eancias. L\u00e9vi-Strauss, o pai da antropologia estrutural, foi o interlocutor m\u00e1ximo do texto, e o advers\u00e1rio imediato \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o de forjar para a hist\u00f3ria a lideran\u00e7a sobre as demais ci\u00eancias humanas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref4\">[4]<\/a> Ibid.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref5\">[5]<\/a> Ibid, p. 75.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=2974965557809810859#_ftnref6\">[6]<\/a> Ibid, pp. 41-78.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif;\"><i><b>Jana\u00edna Pinto<\/b> \u00e9 graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Universidade Federal do Cear\u00e1, UFC, mestranda em Economia Pol\u00edtica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, e pesquisadora em Planejamento Urbano no projeto Megaeventos, uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense, UFF, e a UFRJ. Contato: janaina.pinto@pepi.ie.ufrj.br.<\/i><\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<blockquote>\n<div>Como citar:<\/div>\n<div>PINTO, Jana\u00edna. O papel da Hist\u00f3ria nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais &#8211; considera\u00e7\u00f5es sobre a dial\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o braudeliana. <strong>Di\u00e1logos Internacionais<\/strong>, vol.1, n.4, set.2014. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1820\">https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1820(abrir em uma nova aba)<\/a><\/div>\n<\/blockquote>\n<div style=\"mso-element: footnote;\">\n<div style=\"line-height: normal; margin-top: 10.0pt; text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 4 | Set. 2014 Por Jana\u00edna Br\u00e1s Disse que<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[689,652],"tags":[],"class_list":["post-1820","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-v1n4","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1820"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2845,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1820\/revisions\/2845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}