{"id":1821,"date":"2014-09-19T20:00:00","date_gmt":"2014-09-19T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1821"},"modified":"2022-12-30T19:07:16","modified_gmt":"2022-12-30T22:07:16","slug":"fazendo-o-dever-de-casa-3-o-que-os-candidatos-a-presidencia-programaram-para-a-area-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1821","title":{"rendered":"O que os candidatos \u00e0 presid\u00eancia programaram para a \u00e1rea internacional? Parte 3"},"content":{"rendered":"<div>Volume 1 | N\u00famero 4 | Set. 2014<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Por: Glauber Cardoso Carvalho e Larissa Rosevics<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Caros leitores, no in\u00edcio de nossa empreitada, hav\u00edamos prometido que far\u00edamos 3 posts sobre os Programas de Governo dos candidatos melhores colocados na campanha presidencial brasileira (A\u00e9cio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva). No entanto, a riqueza de informa\u00e7\u00f5es encontradas nos fez repensar o n\u00famero de postagens e, por receio de deixar nossos textos longos demais ou acabar suprimindo alguma quest\u00e3o importante, resolvemos ampliar a quantidade de posts. Esta semana, trataremos das propostas dos candidatos para as rela\u00e7\u00f5es com os EUA, Europa e Jap\u00e3o. Na pr\u00f3xima semana, trabalharemos como ser\u00e3o conduzidas as rela\u00e7\u00f5es com o Sul do Mundo e no dia 03 de outubro, as v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o, abordaremos como se dar\u00e1 o relacionamento do pa\u00eds no \u00e2mbito multilateral e de governan\u00e7a global.Para relembrar algumas caracter\u00edsticas principais que rondam os programas. A coliga\u00e7\u00e3o do PSDB tem por base o retorno a uma situa\u00e7\u00e3o anterior da pol\u00edtica e da economia brasileira, que em sua vis\u00e3o seria mais adequada, ou como dissemos uma nova \u201ccorre\u00e7\u00e3o de rumos\u201d, parafraseando os professores Cervo e Bueno. Para a coliga\u00e7\u00e3o do PT importa mais a defesa do que j\u00e1 aconteceu do que a explica\u00e7\u00e3o do que pode vir a acontecer. O plano destes tra\u00e7am linhas gerais, sem uma preocupa\u00e7\u00e3o maior em aprofundar algumas quest\u00f5es. No plano da coliga\u00e7\u00e3o do PSB h\u00e1 a incorpora\u00e7\u00e3o do discurso do \u201cnovo\u201d, inserido, por\u00e9m, em velhas f\u00f3rmulas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma explica\u00e7\u00e3o mais prolongada de cada item, ainda que pouco se some em termos de atitudes concretas.<\/p>\n<p>Voltamos tamb\u00e9m a lembrar aos interessados na leitura dos Programas aqui referidos, que acessem o site do TSE, no qual se encontram todos os dados da disputa eleitoral e os Programas de Governo de todos os candidatos, ou ainda o site oficial das campanhas.<\/p>\n<p><b>Rela\u00e7\u00f5es com EUA, Europa e Jap\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es do Governo Lula da Silva em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio exterior brasileiro foi encontrar meios para diminuir a vulnerabilidade comercial do pa\u00eds \u00e0s poss\u00edveis crises econ\u00f4micas do sistema internacional. Naquele momento, o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras (em volume e valores) eram os EUA, pa\u00eds com o qual o Brasil e seus vizinhos vinham tendo atritos por conta do projeto ALCA.<\/p>\n<p>Seguindo a l\u00f3gica de que n\u00e3o se devem colocar todos os ovos na mesma cesta, ao longo de seu governo, a pol\u00edtica externa de Lula da Silva buscou diversificar os parceiros econ\u00f4micos do pa\u00eds, procurando novos mercados consumidores, principalmente entre os pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento. A estrat\u00e9gia ocorreu em um momento de grande expans\u00e3o da economia chinesa o que tornou a China o principal pa\u00eds consumidor de bens prim\u00e1rios brasileiros em 2009, seguida dos EUA e da Argentina, principal pa\u00eds consumidor de manufaturas nacionais.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 ineg\u00e1vel a import\u00e2ncia tanto da China para a economia brasileira, quanto do projeto de diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros econ\u00f4micos. Quanto maior a rela\u00e7\u00e3o do Brasil com um determinado parceiro econ\u00f4mico, maior a sua vulnerabilidade em caso de mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia do mesmo ou de crise sist\u00eamica. Dentro dessa l\u00f3gica, as quest\u00f5es que se imp\u00f5em aos programas s\u00e3o: Qual a posi\u00e7\u00e3o e o foco dos candidatos sobre a busca por novas parcerias comerciais? Seria no mundo emergente e em desenvolvimento ou entre as grandes pot\u00eancias internacionais?<\/p>\n<p>Come\u00e7aremos com o que cada programa planeja para o relacionamento com as grandes pot\u00eancias, para na pr\u00f3xima semana analisaremos o que eles pensam sobre as rela\u00e7\u00f5es com o Sul do Mundo:<\/p>\n<p>A\u00e9cio Neves:<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><i>\u201cReavalia\u00e7\u00e3o das prioridades estrat\u00e9gicas \u00e0 luz das transforma\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio internacional no s\u00e9culo XXI. Devem merecer aten\u00e7\u00e3o especial a \u00c1sia, em fun\u00e7\u00e3o de seu peso crescente, os EUA e outros pa\u00edses desenvolvidos, pelo acesso \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e tecnologia, ao mesmo tempo em que dever\u00e1 ser ampliada e diversificada a rela\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses em desenvolvimento.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>\u00a0<i>\u201cConclus\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es comerciais, em curso, com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, sendo o bloco o principal mercado para as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Al\u00e9m disso, lan\u00e7aremos as bases para um acordo preferencial com os Estados Unidos, mercado tradicionalmente relevante para as exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados brasileiros.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O foco de A\u00e9cio \u00e9 claro: \u00e9 preciso \u201cretomar as rela\u00e7\u00f5es com as grandes pot\u00eancias. Ao entender que o momento atual \u00e9 de volta do crescimento da Europa e dos EUA, o projeto de A\u00e9cio prev\u00ea o reestabelecimento das negocia\u00e7\u00f5es do Mercosul com o bloco europeu, bem como a busca por acordos preferenciais com os norte-americanos.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas implica\u00e7\u00f5es nesta estrat\u00e9gia. A primeira \u00e9 que as negocia\u00e7\u00f5es entre os dois blocos regionais (Mercosul e UE) precisam avan\u00e7ar em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o agr\u00edcola, caso contr\u00e1rio, os acordos comerciais que delas surgirem n\u00e3o ser\u00e3o economicamente vantajosos para os pa\u00edses sul-americanos. Essas negocia\u00e7\u00f5es abrir\u00e3o invariavelmente o caminho para a retomada das negocia\u00e7\u00f5es comerciais com os EUA.<\/p>\n<p>Durante o governo FHC, um dos principais instrumentos de negocia\u00e7\u00e3o da ALCA foi o Mercosul. A d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o a A\u00e9cio \u00e9 se ele seguir\u00e1 o modelo de negocia\u00e7\u00e3o em bloco com os norte-americanos, ou se abrir\u00e1 m\u00e3o do Mercosul em prol de acordos preferenciais bilaterais.<\/p>\n<p>Finalmente, a coliga\u00e7\u00e3o de A\u00e9cio n\u00e3o pareceu muito preocupada com a revis\u00e3o e manteve a grafia antiga da Uni\u00e3o \u201cEurop\u00e9ia\u201d com acento, talvez para se manter na demonstra\u00e7\u00e3o do \u201cretorno\u201d \u00e0s origens (esquecendo que o acordo ortogr\u00e1fico \u00e9 de 1990).<\/p>\n<p>Dilma Rousseff<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><i>\u201c[&#8230;] \u00e9 de grande relev\u00e2ncia nosso relacionamento com os Estados Unidos, por sua import\u00e2ncia econ\u00f4mica, pol\u00edtica cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, sem falar no volume de nosso com\u00e9rcio bilateral. Crit\u00e9rio semelhante \u00e9 v\u00e1lido para nossas rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia e com o Jap\u00e3o.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No programa de Dilma n\u00e3o h\u00e1 nenhum indicativo de mudan\u00e7a no relacionamento do Brasil com as grandes pot\u00eancias. Sua pol\u00edtica externa aponta para a continuidade nas rela\u00e7\u00f5es \u201csadias\u201d e \u201cequilibradas\u201d com Estados Unidos, Jap\u00e3o e Uni\u00e3o Europeia, sem apresentar interesse e\/ou inova\u00e7\u00e3o para as negocia\u00e7\u00f5es comerciais. A prioridade do governo de Dilma seguir\u00e1 sendo as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul, especialmente com a Am\u00e9rica do Sul e com os pa\u00edses do Brics, como ser\u00e1 observado no item seguinte.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Marina Silva<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><i>\u201cOs Estados Unidos d\u00e3o sinais de reativa\u00e7\u00e3o de sua capacidade produtiva, reorientando gradualmente a matriz energ\u00e9tica. [&#8230;] Afastado o risco de colapso de sua franja mediterr\u00e2nea, a Uni\u00e3o Europeia v\u00ea-se defrontada com o \u00e1rduo desafio da integra\u00e7\u00e3o fiscal. O Jap\u00e3o persiste na busca de f\u00f3rmulas para romper uma d\u00e9cada e meia de estagna\u00e7\u00e3o com vultosos pacotes de est\u00edmulo \u00e0 atividade produtiva \u00e0 custa de desvaloriza\u00e7\u00e3o do iene.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><i>\u201cAs rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos carecem de atualiza\u00e7\u00e3o. Sofreu queda nossa participa\u00e7\u00e3o relativa no mercado norte-americano, que tem sido, ao lado da Am\u00e9rica Latina, um dos principais destinos das manufaturas brasileiras. O desafio de reverter essa tend\u00eancia cresce em import\u00e2ncia com a reativa\u00e7\u00e3o em curso do consumo e da produ\u00e7\u00e3o nos EUA\u201d<\/i><\/p>\n<p><i> <\/i><i>\u201c\u00c9 tamb\u00e9m largo o potencial para o adensamento da rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com a Uni\u00e3o Europeia. Precisamos resolver as pend\u00eancias para a formaliza\u00e7\u00e3o do acordo de associa\u00e7\u00e3o com o Mercosul.\u201d<\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A cren\u00e7a na retomada do crescimento do Ocidente (e do Jap\u00e3o) vem acompanhada no programa de Marina Silva pelo descr\u00e9dito nos pa\u00edses emergentes (como ser\u00e1 visto na pr\u00f3xima semana). A sa\u00edda encontrada para o crescimento brasileiro \u00e9 a mesma apresentada pelo PSDB: retomar as rela\u00e7\u00f5es com EUA, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Os programas dos dois candidatos de oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito pr\u00f3ximos quanto ao foco centrado nas grande pot\u00eancias, por\u00e9m, a d\u00favida que paira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es comerciais (em bloco ou individuais) de A\u00e9cio se dissipa\u00a0 Marina. Em um texto contradit\u00f3rio e pass\u00edvel de muitas cr\u00edticas, o programa do PSB destaca a necessidade de avan\u00e7os nas negocia\u00e7\u00f5es entre UE e Mercosul, ao mesmo tempo que desacredita a clausula mercosulina que imp\u00f5e ao Brasil negociar acordos comerciais em bloco, abrindo espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00f5es bilaterais do pa\u00eds, com \u00e9 poss\u00edvel observar a seguir:<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><i>\u201cA exig\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o conjunta \u2212 em bloco \u2212 consta apenas de uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, n\u00e3o sujeita a ratifica\u00e7\u00e3o pelos parlamentos nacionais e, dessa forma, pass\u00edvel de pronta revoga\u00e7\u00e3o. A negocia\u00e7\u00e3o em \u2018dupla velocidade\u2019 \u2212 que permite a um pa\u00eds fechar acordo num cronograma distinto do bloco \u2212 n\u00e3o \u00e9 vedada pelo Tratado de Assun\u00e7\u00e3o nem pelos acordos posteriores\u201d <\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Como aponta o <a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/Samuel-Pinheiro-Guimaraes-EUA-apostam-em-Marina\/4\/31754\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">Embaixador Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es, em entrevista a Carta Maior (06\/09\/2014<\/span>)<\/a>, o programa de Marina pode levar ao desmantelamento definitivo do Mercosul.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 4 | Set. 2014 Por: Glauber Cardoso Carvalho e<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[649,689,652],"tags":[],"class_list":["post-1821","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-v1n4","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1821"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2843,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1821\/revisions\/2843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}