{"id":1831,"date":"2014-08-13T12:45:00","date_gmt":"2014-08-13T15:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1831"},"modified":"2024-03-27T17:24:47","modified_gmt":"2024-03-27T20:24:47","slug":"quarta-do-especialista-paradiplomacia-e-relacoes-internacionais-breve-abordagem-teorica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1831","title":{"rendered":"Paradiplomacia e rela\u00e7\u00f5es internacionais: breve abordagem te\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Volume 1 | N\u00famero 3 | Ago. 2014<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Leonardo Granato<\/p>\n<div style=\"line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: right;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As cidades e regi\u00f5es t\u00eam, atualmente, um crescente protagonismo no \u00e2mbito da teoria das rela\u00e7\u00f5es internacionais e da pol\u00edtica externa. As origens desse protagonismo podem ser encontradas nas perspectivas te\u00f3ricas transnacionalistas da d\u00e9cada de 70, representadas por autores como Keohane e Nye (1977). Estes autores reconheceram a presen\u00e7a de novos atores na arena internacional e a diversifica\u00e7\u00e3o dos canais a partir dos quais se transmitam tais rela\u00e7\u00f5es, em um contexto definido em termos de interdepend\u00eancia complexa, entendida esta como o conjunto de situa\u00e7\u00f5es caracterizadas por efeitos rec\u00edprocos entre pa\u00edses ou entre atores em diferentes pa\u00edses.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, Cox (1986), cr\u00edtico da ideia de um sistema internacional governado por uma l\u00f3gica que privilegia um pequeno n\u00famero de Estados poderosos que limitam as possibilidades de mudan\u00e7a, desenvolveu um modelo com tr\u00eas dimens\u00f5es b\u00e1sicas a fim de compreender a din\u00e2mica da pol\u00edtica mundial (a dimens\u00e3o vertical das rela\u00e7\u00f5es internacionais; a rela\u00e7\u00e3o entre Estado e sociedade civil; e a din\u00e2mica do processo produtivo), permitindo incorporar novos atores ao estudo das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora Keohane, Nye e Cox n\u00e3o tenham abordado o tema da natureza da a\u00e7\u00e3o internacional das unidades subnacionais, seus estudos contribu\u00edram para a abertura da perspectiva disciplinar rumo a novos cap\u00edtulos e problemas resultantes da intera\u00e7\u00e3o de atores de distinta natureza, em um cen\u00e1rio internacional em transforma\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 a partir dos anos 80 que o fen\u00f4meno subnacional ser\u00e1 tratado nos estudos internacionais, apresentando as burocracias locais como marginalmente afetadas pela pol\u00edtica mundial. Na \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o dos anos 90, surgia a ideia do poder pol\u00edtico \u201cde baixo para cima\u201d, em dire\u00e7\u00e3o a inst\u00e2ncias supranacionais (regionalismos), e \u201cde cima para baixo\u201d, at\u00e9 os n\u00edveis regionais e locais (por meio de processos de descentraliza\u00e7\u00e3o do poder no territ\u00f3rio), e \u201cfora do \u00e2mbito do Estado\u201d, rumo \u00e0 sociedade civil.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Observa-se, assim, a valoriza\u00e7\u00e3o de novas escalas geogr\u00e1ficas supranacionais e subnacionais, como \u00e2mbitos de intera\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00f5es de poder (sobre a ruptura generalizada e exclusiva da ideia de Estado e de sociedade nacional), a partir dos novos conflitos que surgem do entrecruzamento e da superposi\u00e7\u00e3o de atores, espa\u00e7os, situa\u00e7\u00f5es e processos, tanto transnacionais quanto locais, o que daria lugar \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de uma nova problem\u00e1tica que alguns autores identificam como \u2018interm\u00e9stica\u2019.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sob o termo \u2018paradiplomacia\u2019, encontra-se o marco te\u00f3rico para analisar, enquadrar e explicar o fen\u00f4meno da participa\u00e7\u00e3o das cidades e de outras unidades subnacionais no sistema internacional. Aguirre Zabala (2001) acentua que a origem da paradiplomacia pode ser encontrada nos escritos de Duchacek (1986) e Soldatos (1990), que, conscientes da necessidade de novos desenvolvimentos te\u00f3ricos, dedicam seus esfor\u00e7os metodol\u00f3gicos a construir tal conceito, baseando-se nos estudos de Keohane e Nye sobre a interdepend\u00eancia complexa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, Duchacek et al. (1988) expressam que no \u00e2mbito internacional n\u00e3o somente se escuta a voz dos governos centrais, sobretudo no caso dos Estados federais, mas tamb\u00e9m a voz de outros protagonistas da vida pol\u00edtica nacional, tais como a oposi\u00e7\u00e3o, as comunidades etnoterritoriais, os grupos de interesse e as partes componentes dos Estados (prefeituras ou munic\u00edpios, departamentos, prov\u00edncias ou estados, regi\u00f5es ou seus equivalentes). De tal maneira, a pol\u00edtica internacional resultava em uma esp\u00e9cie de \u2018polifonia\u2019. J\u00e1 em seus primeiros estudos, Duchacek prestava particular aten\u00e7\u00e3o aos atores governamentais subnacionais, os quais consideraria como entes que erosionam o controle e a autonomia estatal central.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O certo \u00e9 que o conceito de paradiplomacia, em termos de participa\u00e7\u00e3o dos governos n\u00e3o centrais nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, foi um dos que mais se generalizou para dar conta dessa nova realidade. Caber\u00e1 aos pesquisadores discutir, em debates futuros, de que modo tal conceito \u00e9 capaz de abordar plenamente o fen\u00f4meno complexo da atua\u00e7\u00e3o internacional das unidades subnacionais, que continuar\u00e1 cada vez sendo difundido e aprofundado.<\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/div>\n<p>Aguirre Zabala, I\u00f1aki (2001). \u00bfQu\u00e9 sentido tiene hablar de paradiplomacia? Una encuesta intertextual entorno a un neologismo polis\u00e9mico. In: Aldecoa Luzarraga, F.; Keating, M. <i>Paradiplomacia: las relaciones internacionales de las regiones.<\/i> Madrid: Marcial Pons.<\/p>\n<p>Cox, Robert (1986). Social Forces, States and World Orders: Beyond International Relations Theory. In: Keohane, R. (Ed.), <i>Neorealism and its critics.<\/i> Nova York: Columbia University Press.<\/p>\n<p>Duchacek, Ivo (1986). <i>The Territorial Dimension of Politics: Within, Among and Across Nations.<\/i> London: Westview Press.<\/p>\n<p>Duchacek, Ivo et al. (1988). P<i>erforated Sovereignties and International Relations: Trans-Sovereign Contacts of Subnational Governments.<\/i> New York: Greenwood Press.<\/p>\n<p>Keohane, Robert; Nye, Joseph ([1977], 2001). <i>Power and Interdependence: World Politics in Transition. <\/i>Nova York: Longman.<\/p>\n<p>Soldatos, Panayotis (1990). An Explanatory Framework of the Study of Federal States as Foreign-Policy Actors. In: Michelman, H. J., Soldatos, P. <i>Federalism and International Relations: The Role of Subnational Units.<\/i> New York: Oxford University Press.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4898022507881895\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4898022507881895\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Leonardo Granato<\/b><\/a> \u00e9 Doutor em Economia Pol\u00edtica Internacional pela UFRJ. Professor adjunto dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e em Ci\u00eancia Pol\u00edtica na Universidade Aberta Interamericana\/UAI (Argentina), e professor do curso de Desenvolvimento, Pol\u00edticas P\u00fablicas e Integra\u00e7\u00e3o Regional, em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, na Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais Sede Argentina. Pesquisador do Departamento de Economia Pol\u00edtica e Sistema Mundial do Centro Cultural da Coopera\u00e7\u00e3o\/CCC (Argentina) e do Centro de Estudos em Geopol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\/Cenegri (RJ, SP). Codiretor executivo da revista acad\u00eamica Sociedade Global\/UAI.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<blockquote>\n<div>Como citar:<\/div>\n<div>GRANATO, Leonardo. Paradiplomacia e rela\u00e7\u00f5es internacionais: breve abordagem te\u00f3rica. <strong><em>Di\u00e1logos Internacionais,<\/em><\/strong> vol1, n.3, ago.2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1831\">https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1831(abrir em uma nova aba)<\/a><\/div>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 3 | Ago. 2014 Por Leonardo Granato As cidades<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[688,652],"tags":[],"class_list":["post-1831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-v1n3","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1831"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3012,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1831\/revisions\/3012"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}