{"id":1835,"date":"2014-08-01T22:24:00","date_gmt":"2014-08-02T01:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1835"},"modified":"2024-03-27T17:23:37","modified_gmt":"2024-03-27T20:23:37","slug":"em-terra-sem-teoria-quem-tem-um-ditado-faz-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1835","title":{"rendered":"Em terra sem teoria, quem tem um ditado faz lei"},"content":{"rendered":"<p><strong>Volume 1 | N\u00famero 3 | Ago. 2014<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Por Glauber Cardoso Carvalho<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i><br \/>\n<\/i><\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i>\u201cIn front of the conqueror and close to his enemy, there happen<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i>to be situated kings such as the conqueror&#8217;s friend, next to him, the<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i>enemy&#8217;s friend, and next to the last, the conqueror&#8217;s friend&#8217;s friend,<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i>and next, the enemy&#8217;s friend&#8217;s friend.\u201d<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Kautilya<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">A implica\u00e7\u00e3o do uso de conceitos criados desde fora para analisar situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em mat\u00e9rias pr\u00f3prias de outras realidades pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas pode encontrar muita resist\u00eancia no meio acad\u00eamico. \u00c9 pr\u00f3prio das teorias, entretanto, o papel de sintetizadoras de ideias e ideologias de seus formuladores, mas uma vez misturadas podem confundir ou, raras vezes, podem jogar novas luzes em velhas an\u00e1lises. <\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\">Este texto foi publicado no livro <i><b>&#8220;Di\u00e1logos Internacionais: reflex\u00f5es cr\u00edticas do mundo contempor\u00e2neo&#8221;<\/b><\/i>. Para baixar, ler e citar este e outros textos, acesse gratuitamente :<\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B0ohqhWTSmmIdjh2LTZUQndoc2M\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/--ULUcjoDAMc\/WUB4ir3RJnI\/AAAAAAAABcQ\/QoC02XSp928s0k4PEO7ittp0Wg4o2oRxgCLcBGAs\/s400\/Capa%2BDI_site.png\" width=\"292\" height=\"400\" border=\"0\" data-original-height=\"507\" data-original-width=\"371\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\">Baixe agora o livro:<\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B0ohqhWTSmmIdjh2LTZUQndoc2M\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CARVALHO, Glauber; ROSEVICS, Larissa (Orgs.). <b>Di\u00e1logos Internacionais: <\/b>reflex\u00f5es cr\u00edticas<br \/>\ndo mundo contempor\u00e2neo. Rio de Janeiro: PerSe, 2017.<\/a><\/div>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Uma recente leitura do livro \u201c<i>Checkerboards and Shatterbelts: the geopolitics of South America<\/i>\u201d, escrito por Philip Kelly em 1997, me conduziu a duas indaga\u00e7\u00f5es. A primeira est\u00e1 sinteticamente indicada no par\u00e1grafo acima, ou seja, como \u00e9 atrativo separar e qualificar fatos e n\u00fameros, agrupando-os por afinidade, encontrar uma l\u00f3gica estat\u00edstica e colocar no mesmo balaio, assim, alhos e bugalhos. Depois disso, usa-se para testar qualquer coisa e concluir que foge do padr\u00e3o. Se isso faz parte do \u201cser ci\u00eancia\u201d e funciona para os estudos da natureza, o mesmo \u00e9 complicado de ser feito com as ci\u00eancias sociais (apesar de largamente realizado e aprovado pelos c\u00edrculos mais avan\u00e7ados do pensamento humano). Como agrupar a\u00e7\u00f5es e expectativas esperar encontrar uma f\u00f3rmula m\u00e1gica de comportamento? Assim \u00e9 nossa vida. Deixarei essa discuss\u00e3o para outro momento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">A segunda indaga\u00e7\u00e3o \u00e9 da \u201creutiliza\u00e7\u00e3o de teorias\u201d em outros contextos. Apesar de n\u00e3o deixar claro, Kelly usa a Teoria da Mandala para explicar seu <i>checkerboard<\/i>. Ent\u00e3o, me perguntei o que seria? Comecemos com os conceitos de Kelly.<\/span><\/p>\n<div style=\"line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<table style=\"float: right; margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Para Kelly, na Am\u00e9rica do Sul foi importante a atua\u00e7\u00e3o do conceito de balan\u00e7a de poder, onde se tem que no momento em que um Estado decida se expandir, os outros Estados v\u00e3o se rearrumar para manter o equil\u00edbrio da balan\u00e7a. Isso teria sido o maior motivo para que neste subcontinente n\u00e3o tenha ocorrido uma guerra hegem\u00f4nica regional. Assim, na hist\u00f3ria, o que marcou a Am\u00e9rica do Sul teriam sido conflitos pequenos, de curta dura\u00e7\u00e3o, baseados em fronteira e em recursos naturais, em geral com inger\u00eancia de pot\u00eancia externa para sua finaliza\u00e7\u00e3o. Esse quadro foi conceituado de <i>Checkerboard<\/i>, que se revela como uma estrutura de balan\u00e7a de poder multipolar, na qual alian\u00e7as estrat\u00e9gicas s\u00e3o formadas seguindo um padr\u00e3o no qual prevalece o ditado <u>\u201cMeu vizinho \u00e9 meu inimigo, mas o vizinho do meu vizinho \u00e9 meu amigo\u201d<\/u>. \u00c9 um modelo de equil\u00edbrio no qual nenhuma for\u00e7a preponderante individualmente, de dentro da regi\u00e3o, ou nenhum alinhamento teria a capacidade de controlar os outros pa\u00edses. O mapa do <i>checkerboard <\/i>acompanha o post.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao termo <i>shatterbelts<\/i>, s\u00e3o regi\u00f5es onde as rivalidades militares entre pot\u00eancias estrangeiras se vinculam \u00e0s disputas locais e trazem a possibilidade de uma escalada de conflitos. Kelly aplica o conceito na regi\u00e3o e explica seu uso quando visualiza momentos espec\u00edficos da hist\u00f3ria da regi\u00e3o, como o <i>shatterbelt <\/i>dos estu\u00e1rios do Amazonas e da Prata durante o per\u00edodo colonial e ap\u00f3s a independ\u00eancia, que ajudou a prevenir que Brasil e Argentina estendessem seus territ\u00f3rios para o Pac\u00edfico, e que gerou um desenho de <i>checkerboard<\/i>, ou seja, impediu a expans\u00e3o de ambos.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Ao que tudo indica, Kelly reuniu e aplicou diversos conceitos geopol\u00edticos na Am\u00e9rica do Sul. At\u00e9 a\u00ed, ok. Mas e a Mandala que ele n\u00e3o fala, mas coloca no mapa? Bandyopadhyaya (1993) explicando modelos de controle e conflito no sistema interestatal, nomeia cinco deles: a balan\u00e7a de poder e os modelos de \u201cdeten\u00e7\u00e3o\u201d, que para o autor foram amplamente discutidos em todos os livros de teoria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais; um modelo de corrida armamentista, de Lewis Richardson, que n\u00e3o \u00e9 amplamente conhecido; o que chama de modelo gandhiano, n\u00e3o conhecido fora da \u00cdndia; e, o modelo da Mandala, conhecido apenas por especialistas. Kelly certamente conhece.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Kautilya, indiano, pode ter escrito muitas outras coisas, mas \u00e9 dada a ele a autoria do Arthashastra (<a href=\"http:\/\/www.pdf-archive.com\/2013\/08\/16\/3060-kautilya-arthashastra\/3060-kautilya-arthashastra.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: blue;\">link para o livro<\/span><\/a>) feito, provavelmente, entre 321 e 296 a.c., teve como objetivo o aconselhamento ao seu rei, Chandragupta M\u00e1uria, para a constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio M\u00e1uria, tra\u00e7ando um modelo no qual um rei conquistador teria que operar, utilizando todos os seus recursos ao seu favor. Pois \u00e9, o \u201cditado\u201d grifado acima est\u00e1 no Arthashastra. Weber (2002, p.118) escreveu que \u201cem compara\u00e7\u00e3o com esse documento (Arthashastra), O Pr\u00edncipe, de Maquiavel, \u00e9 um livro inofensivo\u201d.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Seu pressuposto b\u00e1sico \u00e9 que dois reis com territ\u00f3rios cont\u00edguos s\u00e3o inimigos naturais. Seguindo a l\u00f3gica, o pr\u00f3ximo rei, inimigo do anterior, \u00e9 amigo do primeiro. Outros des\u00edgnios, inclusive geopol\u00edticos e de condu\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica externa, s\u00e3o retirados de seus ensinamentos, mas o ponto principal \u00e9 que todo reinado \u00e9 um poder expansivo por natureza e por isso \u00e9 importante a prepara\u00e7\u00e3o constante para a guerra (constata-se que isso foi amplamente revitalizado por outros pensadores ocidentais, com muito mais difus\u00e3o).<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Segundo Boesche (2003), <i>\u201cKautilya assumed that he lived in a world of foreign relations in which one either conquered or suffered conquest. He did not say to himself, \u2018prepare for war, but hope for peace\u2019, but instead, \u2018prepare for war, and plan to conquer\u2019.\u201d\u00a0<\/i><\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">\u00a0Ele continua explicando que o indiano:<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote><p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><i>[&#8230;] was not offering a modern balance of power argument. In the twentieth century, international relations theorists have defended the doctrine of the balance of power, because equally armed nations will supposedly deter each other, and therefore no war will result. One does find this argument occasionally in Kautilya: \u201cIn case the gains [of two allies of equal strength] are equal, there should be peace; if unequal, fight\u201d or \u201cthe conqueror should march if superior in strength, otherwise stay quiet\u201d. Whereas these balance of power theorists suggest that a nation arm itself so that it can ensure peace, Kautilya wanted his king to arm the nation in order to find or create a weakness in the enemy and conquer, even to conquer the world, or at least the subcontinent of India<\/i>.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Assim, \u00e9 poss\u00edvel criticar n\u00e3o somente o uso da Mandala incorporada \u00e0 conceitua\u00e7\u00e3o de Kelly, como tamb\u00e9m, a aplica\u00e7\u00e3o da teoria da Mandala para o caso da Am\u00e9rica do Sul, ou inserida em uma conceitua\u00e7\u00e3o do tipo balan\u00e7a de poder, \u00e9 que aquela teoria n\u00e3o se baseia no equil\u00edbrio multipolar que leva \u00e0 paz. Se na nossa regi\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o da paz \u00e9 dada pela constante da conten\u00e7\u00e3o de poderes, ent\u00e3o, o espectro do tabuleiro conforme a Mandala n\u00e3o explica a aus\u00eancia de conflitos cont\u00ednuos de conquista, uma vez que nossos pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam igual poderio.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Igualmente, a aus\u00eancia de <i>shatterbelts<\/i> atualmente tende a demonstrar que o \u00edmpeto da aproxima\u00e7\u00e3o entre Brasil e Argentina, associado aos constrangimentos internos e externos e, com base no cen\u00e1rio internacional, dos regimes internacionais, tende \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o de uma zona de subcontinental que se bem guarda aproxima\u00e7\u00e3o com os desejos regionais de manuten\u00e7\u00e3o de status quo, revela duas caracter\u00edsticas principais: a primeira \u00e9 a impossibilidade concreta de um conflito apenas entre membros da regi\u00e3o, tanto por suas caracter\u00edsticas militares, quanto pelas suas capacidades industriais e produtivas; a segunda \u00e9 o interesse das pol\u00edticas da pot\u00eancia continental em n\u00e3o existir zonas de alta tens\u00e3o na sua periferia imediata, lidando com essas tens\u00f5es em outros lados do planeta.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Kelly ainda vai dizer outras coisas, pr\u00f3prias de seu tempo, como a inevitabilidade da Alca, dada a incontest\u00e1vel atra\u00e7\u00e3o norte-americana, e a constata\u00e7\u00e3o do caminho de fortalecimento que surgiu da aproxima\u00e7\u00e3o de Brasil e Argentina, que, para ele, cambiaria a fei\u00e7\u00e3o do <i>checkerboard<\/i> pelo regionalismo. Ou seja, ele faz e desfaz sua pr\u00f3pria teoria&#8230; Para corroborar com tudo ele ainda explica v\u00e1rios autores geopol\u00edticos da regi\u00e3o e fala de todos os pa\u00edses e conflitos que j\u00e1 surgiram por aqui.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Se a configura\u00e7\u00e3o de <i>checkerboard<\/i> for, de fato, aplicada \u00e0 regi\u00e3o, e a Mandala for pendurada na parede de enfeite, h\u00e1 que se considerar que o cen\u00e1rio das idas e vindas das pol\u00edticas sul-americanas foi marcado mais pelos debates sobre desenvolvimento, autonomia e vulnerabilidade econ\u00f4mica, integra\u00e7\u00e3o, desarmamento, direitos humanos, meio-ambiente e tantos outros, do que pelos problemas militares diretos.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Embora seja certo analisar que foi essa conjuntura renovada do momento pol\u00edtico que fez predominar entre os diversos governos da Am\u00e9rica do Sul a perspectiva de que em grupo as reivindica\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es ficam mais fortes e com mais efetividade, \u00e9 tamb\u00e9m preciso notar nela a vulnerabilidade de projetos de governos com mandatos estipulados.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">A pr\u00e1tica pol\u00edtica de aproxima\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada n\u00e3o perdeu, contudo, o cerne da diversidade, ao manter rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com diversos centros econ\u00f4micos, al\u00e9m do engajamento efetivo nas quest\u00f5es Sul-Sul. Portanto, quando se pensa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 proje\u00e7\u00e3o e ao fortalecimento das posi\u00e7\u00f5es negociadoras sul-americanas no cen\u00e1rio regional e internacional, se est\u00e1 traduzindo, ao mesmo tempo, o desejo de revis\u00e3o da estrutura de poder imposta desde cima, denunciando a forma\u00e7\u00e3o injusta e antidemocr\u00e1tica do velho sistema tal como concebido pelas grandes pot\u00eancias.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">Quanto ao livro do Kelly (esse post n\u00e3o \u00e9 uma resenha), \u00e9 bom e vale a leitura de qualquer forma, mas uma leitura sem muitos questionamentos. Algo do tipo \u201caceita que d\u00f3i menos\u201d&#8230; tal como os pa\u00edses desenvolvidos gostariam de falar para os atrasados&#8230; ou ser\u00e1 que esta frase est\u00e1 mudando de boca?<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">BANDYOPADHYAYA, Jayantanuja. <i>A General Theory of International Relations.<\/i> New Delhi: Allied Publishers Limited, 1993.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">BOESCHE, Roger. <i>Kautilya\u2019s Arthasastra on War and Diplomacy in Ancient India.<\/i> Defence Jounal. 2003. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.defencejournal.com\/2003\/mar\/kautilya.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.defencejournal.com\/2003\/mar\/kautilya.htm <\/a>Acesso em: 28\/05\/2014.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">KELLY, Philip. <i>Checkerboards and Shatterbelts: <\/i>The Geopolitics of South America. Austin: University of Texas Press, 1997.<\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: 'trebuchet ms' , sans-serif;\">WEBER, Max. <i>Ci\u00eancia e Pol\u00edtica. Duas voca\u00e7\u00f5es.<\/i> Tradu\u00e7\u00e3o: Jean Melville. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2002.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 3 | Ago. 2014 Por Glauber Cardoso Carvalho \u201cIn<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[650,688,652],"tags":[],"class_list":["post-1835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensaios","category-v1n3","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1835"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3009,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1835\/revisions\/3009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}