{"id":1839,"date":"2014-07-04T19:05:00","date_gmt":"2014-07-04T22:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1839"},"modified":"2024-03-27T17:20:42","modified_gmt":"2024-03-27T20:20:42","slug":"liberdade-e-autonomia-temas-recorrentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1839","title":{"rendered":"Liberdade e autonomia&#8230; temas recorrentes"},"content":{"rendered":"<div><strong>Volume 1 | N\u00famero 2 | Jul. 2014<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; line-height: 17.1200008392334px; text-align: right;\">Por Glauber Cardoso Carvalho<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; line-height: 17.1200008392334px; text-align: right;\"><br \/>\n<\/span><\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\"><i>\u201cE a bandeira estrelada em triunfo tremular\u00e1<br \/>\nSobre a terra dos livres e o lar dos valentes!\u201d<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\"><i>Hino Nacional dos<br \/>\nEstados Unidos da Am\u00e9rica<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Prop\u00edcio o dia para um post sobre liberdade e autonomia, afinal em 4 de julho de 1776 a Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (as treze col\u00f4nias de ent\u00e3o) era apresentada ao mundo e separava os povos oprimidos do Norte da Am\u00e9rica da tirania do desp\u00f3tico governo ingl\u00eas. Sim. Assim os congressistas americanos apresentaram as justificativas para sua liberdade de a\u00e7\u00e3o, o que significava assumir \u201ctoda a compet\u00eancia para declarar guerra, assinar a paz, contrair alian\u00e7as, estabelecer rela\u00e7\u00f5es comerciais e levar a cabo quaisquer decis\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es, tal como compete aos Estados Independentes\u201d (Declara\u00e7\u00e3o, 1776). Come\u00e7ava a ser forjado o esp\u00edrito livre e valente, al\u00e9m de pavimentadas as condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddico-legais do povo que assumiria o lugar da antiga metr\u00f3pole em termos de poder.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">A Guerra Civil que tomou lugar quase cem anos depois conseguiu, conforme nos ensinou Aloisio Teixeira (1999, p.158), \u201cdefinir a quest\u00e3o interna do poder e a natureza do capitalismo americano, que permitiu ao pa\u00eds emergir, ao final do s\u00e9culo XIX, como a maior pot\u00eancia industrial do globo\u201d. Da\u00ed, seguiu-se a I Guerra Mundial que o colocou como centro c\u00edclico principal, ao impossibilitar a Inglaterra de recuperar sua hegemonia, e a II Guerra quando \u201cse criam as condi\u00e7\u00f5es, internas e externas, para que os Estados Unidos tornem-se polo hegem\u00f4nico da economia capitalista mundial, estabelecendo uma nova ordem econ\u00f4mica no planeta\u201d.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">A nova onda do novo imperador, benigno e estabilizador em seu discurso, desp\u00f3tico e intervencionista para suas \u201ccol\u00f4nias\u201d, logrou contudo permanecer e influenciar a vida de todos de tal forma que n\u00e3o parece que ainda estamos sob seu des\u00edgnio imperial, sob as movimenta\u00e7\u00f5es de suas frotas militares, ou que pedimos sua ajuda com problemas nacionais (o Iraque vale um post&#8230;). N\u00e3o se questiona definitivamente (apesar das diversas movimenta\u00e7\u00f5es em torno do tema), o uso do d\u00f3lar nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais, este lastreado hoje em dia apenas por Deus, j\u00e1 que \u201c<i>In God we Trust<\/i>\u201d&#8230; e tantos outros contra-exemplos que podemos sugerir.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Destaco duas quest\u00f5es para reflex\u00e3o, que obviamente n\u00e3o cabem nas linhas deste post. Primeiro que o poderio norte-americano est\u00e1 no cerne das preocupa\u00e7\u00f5es iniciais da disciplina Economia Pol\u00edtica Internacional, tal como concebida ainda na d\u00e9cada de 1970. Claro, tamb\u00e9m, que ele n\u00e3o deixou de assombrar especialistas das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, cuja evolu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e de projetos de pesquisa, se bem dividem quantitativamente e qualitativamente com a Europa, s\u00e3o os principais difusores neste campo. A segunda \u00e9 que ficou claro que o exerc\u00edcio da sua hegemonia (aqui usada apenas como superioridade) e sua influ\u00eancia continental t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com as op\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias de desenvolvimento que os povos livres (ao menos para a ONU) do Sul do mundo, t\u00e3o independentes e capazes como os EUA, adotaram em seus projetos nacionais. Segue-se que a imponente presen\u00e7a dos EUA como vizinhos do Norte teve direta influ\u00eancia nos caminhos que tomaram as rela\u00e7\u00f5es internacionais da Am\u00e9rica do Sul e Latina.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Depois da virada para o XXI, a retomada de projetos voltados para o desenvolvimento conjunto das sociedades sul-americanas fez voltar a aten\u00e7\u00e3o ao interesse nacional constru\u00eddo internamente e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de uma inser\u00e7\u00e3o internacional aut\u00f4noma. Assim, o grande foco das pol\u00edticas externas de cunho autonomista tem sido como atuar e modificar a atual estrutura internacional mantida \u201cdesde cima\u201d. A inser\u00e7\u00e3o internacional conjunta tende a estimular as f\u00f3rmulas regionais que buscam resguardar as independ\u00eancias econ\u00f4micas e assegurar as vantagens competitivas. Os pa\u00edses da regi\u00e3o, entretanto, n\u00e3o conseguiram superar o lugar de exportador de mat\u00e9rias-primas e a reduzida capacidade estatal de promover um desenvolvimento inclusivo. Incentivados pelo aumento nos pre\u00e7os das <i>commodities<\/i> na primeira d\u00e9cada do novo s\u00e9culo, n\u00e3o conseguiram formar um sistema integrado e competitivo de Estados nacionais. A despeito disso, esse crescimento foi acompanhado de um processo de revis\u00e3o do desenvolvimento regional por meio da subida democr\u00e1tica ao poder de mandat\u00e1rios cujos programas de governo se baseavam na melhoria geral de suas sociedades, tendo como um dos instrumentos para tal fim, a realiza\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica externa condizente e altiva.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Essa mudan\u00e7a de rumo destacou que existe uma velha geografia do poder baseada na estrutura delineada pelo menos desde meados do s\u00e9culo passado e que foi fortalecida com as sucessivas crises que abalaram a periferia do sistema. Mostrou tamb\u00e9m que a essa realidade se contrapunha uma nova geografia, que envolve necessariamente mudan\u00e7as na estrutura de poder global e que, por isso, tamb\u00e9m envolve crises financeiras, guerras localizadas, ascens\u00e3o de novos atores de outras regi\u00f5es como a China e uma crise de blocos regionais, assim como, a forma\u00e7\u00e3o de novas organiza\u00e7\u00f5es.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Pra que exatamente nos serve pensar nisso agora? Serve para lan\u00e7armos um olhar \u201cdesde baixo\u201d, para reivindicarmos a qualidade de nossa an\u00e1lise regional, para assumirmos nossas pesquisas e alcan\u00e7armos nossa teoria, validando nossas hip\u00f3teses a partir de nossas verdades. Sim, muitos possessivos. H\u00e1 diferentes verdades e a hist\u00f3ria nos ensina que quem a conta \u00e9 quem vence. Temos que escrever nossa hist\u00f3ria&#8230; certo, que seja, reescrev\u00ea-la. Promover uma internacionaliza\u00e7\u00e3o que sirva para nos conhecermos e fortalecermos o pensamento integracionista cr\u00edtico latino-americano. Com a clareza de que as discuss\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o devem estar fechadas sempre em n\u00f3s mesmos, mas incorporar a necessidade de unir agendas com as experi\u00eancias de todo o Sul, um aprofundamento do conhecimento do Sul de uma forma global.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">Passou da hora de uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia final, para \u201clevar a cabo quaisquer decis\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es, tal como compete aos Estados Independentes\u201d. Se eles j\u00e1 ressignificaram o 11 de setembro apagando a lembran\u00e7a da morte de Allende, quem sabe n\u00e3o tiramos o 4 de julho deles. Liberdade e autonomia&#8230; esses temas v\u00e3o voltar&#8230;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif;\">P.S.: O Brasil acaba de ganhar da Col\u00f4mbia nas Quartas de Final da Copa do Brasil!<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif; line-height: 107%;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif;\">Refer\u00eancias:<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; line-height: 107%;\">&#8211; EUA. Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia. 4 de julho de 1776.<\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Trebuchet MS, sans-serif;\">&#8211;\u00a0<\/span><span style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; text-align: justify;\">TEIXEIRA, Alo\u00edsio. Estados Unidos: a \u201ccurta marcha\u201d para a hegemonia. In: FIORI, Jos\u00e9 Lu\u00eds (Org.). <\/span><i style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; text-align: justify;\">Estados e Moedas no Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es.<\/i><span style=\"font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; text-align: justify;\"> Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 2 | Jul. 2014 Por Glauber Cardoso Carvalho \u201cE<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[687,652],"tags":[],"class_list":["post-1839","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-v1n2","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1839"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3007,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1839\/revisions\/3007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}