{"id":1841,"date":"2014-06-21T11:53:00","date_gmt":"2014-06-21T14:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1841"},"modified":"2022-12-30T19:01:13","modified_gmt":"2022-12-30T22:01:13","slug":"fifa-pra-la-fifa-pra-ca-fifa-pra-tudo-que-e-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=1841","title":{"rendered":"FIFA pra l\u00e1, FIFA pra c\u00e1, FIFA pra tudo que \u00e9 lugar"},"content":{"rendered":"<div style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;\" align=\"right\">\n<div style=\"text-align: left;\"><strong>Volume 1 | N\u00famero 1 | Jun. 2014<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por Suellen de Lannes<\/div>\n<p>\u201c<i>Eu n\u00e3o posso esconder meus sentimentos pessoais e<\/i><\/p>\n<p><i>meu apoio \u00e0 equipe sul-coreana<\/i>\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><i>Ban Ki-moon, Secret\u00e1rio-Geral da ONU<\/i><\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A Copa do Mundo no Brasil trouxe uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que foram sendo revistas ao longo da competi\u00e7\u00e3o. Em um curto espa\u00e7o de tempo o evento passou de algo problem\u00e1tico para a maior copa de todos os tempos. O futebol, as goleadas e a anima\u00e7\u00e3o de brasileiros e turistas fizeram com que a Copa se tornasse a principal conversa do dia. In\u00fameros s\u00e3o os acontecimentos que explicam essa mudan\u00e7a de comportamento, mas darei destaque a um (n\u00e3o digo que \u00e9 o mais importante) que liga diretamente o futebol ao sistema interestatal.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O poder de uma institui\u00e7\u00e3o internacional pode ser caracterizado de diversas maneiras, como, por exemplo o poder militar da OTAN.&nbsp; Por\u00e9m, existe uma outra faceta, que engloba a legitimidade conquistada por meio de bens imateriais. Partindo desse pensamento pode-se refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o da FIFA com o nacionalismo. Relacionando os conceitos de Benedict Anderson, Eric Hobsbawn e Ernest Gellner podemos compreender o nacionalismo como algo idealizado, \u201cimaginado\u201d, que tem respaldo na comunidade. Essas idealiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o compreendidas pela comunidade como algo pertencente a ela e que tem uma rela\u00e7\u00e3o com a sua vida cotidiana. No Brasil, como em outros pa\u00edses, o futebol \u00e9 um dos palcos onde esse imagin\u00e1rio \u00e9 criado e refor\u00e7ado. Vide os holandeses com os seus chifres vikings e os mexicanos com os seus grandes chap\u00e9us. Os s\u00edmbolos nacionais saltam aos olhos de qualquer telespectador ou andarilho nas ruas do pa\u00eds.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fugindo de um cosmopolitismo habermasiano, no qual as organiza\u00e7\u00f5es internacionais podem ser compreendidas como algo al\u00e9m das soberanias nacionais, a FIFA vem na contram\u00e3o e legitima a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais consistente no sistema interestatal, o Estado-Na\u00e7\u00e3o. Ao atuar refor\u00e7ando o imagin\u00e1rio do nacionalismo e fortalecendo as disputas nacionais, a FIFA consolida o seu poder no cen\u00e1rio interestatal e transforma a sua imagem, de uma institui\u00e7\u00e3o corrupta para a respons\u00e1vel pela maior copa de todos os tempos. Al\u00e9m disso, nessa copa, especificamente, a FIFA proporciona uma relativa justi\u00e7a hist\u00f3rica, ao promover que os historicamente vencedores, como os europeus brancos ocidentais possam ser derrotados e humilhados, \u201cvingando\u201d os s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o muda o sistema interestatal, a sede da institui\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 sendo na Su\u00ed\u00e7a, mas proporciona um destaque para os historicamente derrotados, como a Am\u00e9rica Latina, solidificando n\u00e3o s\u00f3 as identidades nacionais dos \u201cderrotados\u201d, mas refor\u00e7ando ainda mais a identidade latino-americana.<\/div>\n<div>Pois \u00e9, Ban Ki-moon, n\u00e3o posso esconder: <i>\u00a1Arriba, muchachos!<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 1 | N\u00famero 1 | Jun. 2014 Por Suellen de Lannes \u201cEu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[686,652],"tags":[],"class_list":["post-1841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-v1n1","category-volume1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1841"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2826,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1841\/revisions\/2826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}