{"id":2669,"date":"2022-05-24T17:05:36","date_gmt":"2022-05-24T20:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2669"},"modified":"2024-04-09T19:02:42","modified_gmt":"2024-04-09T22:02:42","slug":"entre-a-cientifizacao-e-a-cientificidade-o-problema-do-termo-%ef%bf%bc%ef%bf%bc%ef%bf%bc%ef%bf%bcciencia-militar%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2669","title":{"rendered":"Entre a cientifiza\u00e7\u00e3o e a cientificidade: o problema do termo\u00a0\u201cCi\u00eancia Militar\u201d"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2669\" class=\"elementor elementor-2669\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-68da34ba elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"68da34ba\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9cf9563\" data-id=\"9cf9563\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1aca5c09 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1aca5c09\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p class=\"has-small-font-size\">Volume 9 | N\u00famero 90 | Mai. 2022<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" class=\"wp-image-2015\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-1024x768.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-300x225.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-768x576.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964-720x540.jpg 720w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/plastic-toy-soldiers-1412964.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p><\/p>\n<figcaption>OLYMPUS DIGITAL CAMERA<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Diogo Calazans Corr\u00eaa<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 meados do s\u00e9culo XVII, o estudo e a pr\u00e1tica da guerra se davam basicamente atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica direta, identificando padr\u00f5es\/modelos de organiza\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de ex\u00e9rcitos que foram exitosos em experi\u00eancias passadas, bem como mimetizando estratagemas empregados por grandes comandantes e l\u00edderes militares da historiografia cl\u00e1ssica. Entretanto, sob a conjuntura do iluminismo franc\u00eas e do r\u00e1pido desenvolvimento das ci\u00eancias, seguido pela introdu\u00e7\u00e3o de novos recursos e meios de combate, a perspectiva sobre a exist\u00eancia de um ponto de inflex\u00e3o na hist\u00f3ria crescia, assim como a percep\u00e7\u00e3o sobre a relev\u00e2ncia e validade de tal enquanto conhecimento dali em diante (GAT, 1989).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em meio&nbsp;\u00e0 um contexto de turbul\u00eancia intelectual, transforma\u00e7\u00f5es bruscas da sociedade e influ\u00eancia geral das ci\u00eancias em todos os tipos de conhecimentos e campos de estudo, surge a concep\u00e7\u00e3o do que seria entendido enquanto&nbsp;<em>ci\u00eancia militar<\/em>. Os novos esfor\u00e7os empreendidos no sentido de categoriza\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos militares, semelhantes \u00e0queles das ci\u00eancias que vinham se estabelecendo, possivelmente resultaram na cria\u00e7\u00e3o do termo&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>. Este foi popularizado, talvez, pela tend\u00eancia supracitada, somada \u00e0s vicissitudes hist\u00f3rico-sociais que se seguiram, como a&nbsp;reforma do modelo organizacional&nbsp;das for\u00e7as&nbsp;prussianas&nbsp;(que foi copiado em larga escala por outros ex\u00e9rcitos)&nbsp;e&nbsp;da&nbsp;institucionaliza\u00e7\u00e3o e formaliza\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o militar&nbsp;(GAT, 1989).<\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo perdurou e persiste ainda hoje, em diversos ambientes. Tanto a academia quanto os percursos de forma\u00e7\u00e3o militar, em diversas regi\u00f5es e culturas, utilizam esta terminologia. Diante da realidade exposta, este artigo busca refletir sobre a seguinte quest\u00e3o: \u00e9 poss\u00edvel\/correto falar em uma&nbsp;<em>ci\u00eancia militar<\/em>?<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Defini\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Antes de discutir propriamente a capacidade deste campo do conhecimento em fornecer par\u00e2metros e crit\u00e9rios suficientes, que denotem um claro progresso ou avan\u00e7o cient\u00edfico, para ent\u00e3o verificar o grau de coes\u00e3o da nomenclatura, \u00e9 necess\u00e1rio primeiro definir o que se entende por&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>. Para tanto, ser\u00e3o apresentadas perspectivas de alguns autores, no intuito de reconhecer pontos de aproxima\u00e7\u00e3o e distanciamento, circunscrevendo o que \u00e9 tido como consenso e eliminando particularidades.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Jordan (2013) define&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;como o estudo dos processos, institui\u00e7\u00f5es e comportamentos militares, acompanhados do estudo do \u201cfazer a guerra\u201d e da teoria e aplica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a coercitiva organizada. Voelz (2014), de forma mais sint\u00e9tica, define como o corpo te\u00f3rico, conceitual e metodol\u00f3gico de emprego das for\u00e7as armadas. O dicion\u00e1rio Merriam-Webster (2020), recorrendo \u00e0 uma das primeiras ocorr\u00eancias do termo, explica que este ramo de estudo trata sobre os \u201cprinc\u00edpios do conflito militar\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Pode parecer redundante atentar para este fato, mas todas as defini\u00e7\u00f5es possuem a palavra \u201cmilitar\u201d. Isto \u00e9 importante porque limita, j\u00e1 a priori, o escopo do que \u00e9 entendido como&nbsp;<em>ci\u00eancia militar<\/em>, diferenciando-a de outras disciplinas como os \u201cestudos de seguran\u00e7a\u201d, os \u201cestudos de defesa\u201d e os \u201cestudos estrat\u00e9gicos\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, ainda que se relacione com estas eventualmente. O que se quer dizer ent\u00e3o \u00e9 que, caso o assunto tratado n\u00e3o possua, integral ou parcialmente, como um dos objetos da an\u00e1lise, as For\u00e7as Armadas ou quaisquer um de seus componentes, esta pesquisa dificilmente se inserir\u00e1 no que \u00e9 chamado de&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cabe aqui um&nbsp;<em>caveat<\/em>. O desenvolvimento do conhecimento em \u00e1reas que abrangem temas como \u201cseguran\u00e7a\u201d, \u201cdefesa\u201d e \u201cestrat\u00e9gia\u201d, tem gerado um gloss\u00e1rio com grande varia\u00e7\u00e3o de designa\u00e7\u00f5es (MEDEIROS, 2015). Isto \u00e9 fruto de inconsist\u00eancias e irregularidades devido ao pouco rigor metodol\u00f3gico no emprego\/elabora\u00e7\u00e3o dos conceitos (DUARTE e MENDES, 2015) e aos interesses particulares de influenciar a agenda sob uma determinada perspectiva, ao inv\u00e9s de fomentar a reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o assunto que deseja-se discutir (RAZA, 2004).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a complexidade destes campos envolvem conhecimentos de natureza te\u00f3rica e t\u00e1cita, com alta diversidade de \u201cmolduras epist\u00eamicas\u201d. Estas \u201cmolduras\u201d identificam regularidades e proposi\u00e7\u00f5es de acordo com uma refer\u00eancia de entendimentos, resultado de um conjunto de arb\u00edtrios paradigm\u00e1ticos frente \u00e0 uma dada realidade. Nesse sentido, todas as solu\u00e7\u00f5es, conclus\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o contingenciais e temporais, com possibilidades consider\u00e1veis de sofrerem refuta\u00e7\u00f5es \u00e0 posteriori (RAZA, 2004).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este processo natural de matura\u00e7\u00e3o\/evolu\u00e7\u00e3o da grande \u00e1rea que incorpora elementos de \u201cseguran\u00e7a\u201d, \u201cdefesa\u201d e \u201cestrat\u00e9gia\u201d leva tamb\u00e9m \u00e0 uma s\u00e9rie de sobreposi\u00e7\u00f5es, interposi\u00e7\u00f5es e equ\u00edvocos conceituais, devido \u00e0 proximidade dos elementos que as comp\u00f5e. \u00c9 fato que as For\u00e7as Armadas t\u00eam lugar em debates sobre estrat\u00e9gia, defesa e seguran\u00e7a, mas se colocam de formas distintas dependendo do escopo e do enquadramento<a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Retomando o exame de delineamento das&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>, nota-se que o campo \u00e9 composto de conhecimentos mais relacionados \u00e0s ci\u00eancias sociais aplicadas (como a sociologia militar e as rela\u00e7\u00f5es civis-militares) e conhecimentos mais relacionados \u00e0s \u201cci\u00eancias do artificial\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;(SIMON, 1969), isto \u00e9, que buscam realizar interven\u00e7\u00f5es na realidade (como a estrutura\u00e7\u00e3o do aparato tecnol\u00f3gico de uma for\u00e7a e a administra\u00e7\u00e3o de tropas em combate). Esta constata\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para a reflex\u00e3o que se segue adiante.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Intui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Diniz (2015) oferece pistas iniciais interessantes ao explorar a natureza do arcabou\u00e7o de conhecimento que forma o campo dos \u201cEstudos de Defesa\u201d:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEm primeiro lugar, n\u00e3o se pode falar em uma&nbsp;\u2018Ci\u00eancia da Defesa\u2019&nbsp;no mesmo sentido em que se reconhecem ci\u00eancias como, por exemplo, F\u00edsica, Qu\u00edmica, Biologia, Sociologia. Estas s\u00e3o ci\u00eancias facilmente reconhec\u00edveis como tal: t\u00eam cara de ci\u00eancia, jeito de ci\u00eancia, nariz de ci\u00eancia, boca de ci\u00eancia, orelha de ci\u00eancia e andam como ci\u00eancia (\u2026)&nbsp;Em larga medida, os fen\u00f4menos e rela\u00e7\u00f5es que estudam s\u00e3o fundamentais, com fort\u00edssimas implica\u00e7\u00f5es&nbsp;sobre outros fen\u00f4menos, ou sobre outras rela\u00e7\u00f5es entre fen\u00f4menos, que eventualmente s\u00e3o estudados ou explorados em outras disciplinas, ou por outras disciplinas&nbsp;\u2014&nbsp;como no caso da depend\u00eancia das Engenharias principalmente, mas n\u00e3o apenas, para com a F\u00edsica, ou como da Medicina e da Veterin\u00e1ria para com a Biologia, por exemplo. Claramente, n\u00e3o vejo como falar apropriadamente de&nbsp;\u2018Ci\u00eancia da Defesa\u2019&nbsp;nesses mesmos termos\u201d (DINIZ, 2015, p. 22-23).&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>De forma semelhante \u00e0 descrita acima, n\u00e3o parece ser apropriado falar em uma&nbsp;<em>ci\u00eancia militar<\/em>. Ela n\u00e3o tem \u201ccara de ci\u00eancia, jeito de ci\u00eancia, nariz de ci\u00eancia, boca de ci\u00eancia, orelha de ci\u00eancia\u201d, nem \u201canda como ci\u00eancia\u201d. Diferente da atividade cient\u00edfica \u201cpadr\u00e3o\u201d, em&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;nem sempre \u00e9 poss\u00edvel elaborar hip\u00f3teses, testa-las, reformula-las e sistematiza-las em teorias de alcance mais amplos (DINIZ, 2015).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O argumento se estende tamb\u00e9m para as \u201cci\u00eancias do artificial\u201d, como as Engenharias e a Administra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cNesses ramos de atividade cient\u00edfica, trata-se em larga medida de integrar contribui\u00e7\u00f5es, abordagens, teorias, evid\u00eancias, conclus\u00f5es e insights provenientes muito frequentemente de outras disciplinas&nbsp;\u2014&nbsp;e particularmente daquelas mencionadas logo acima&nbsp;[<em>que se configuram enquanto ci\u00eancia<\/em>]&nbsp;\u2014, com o foco direcionado para o enfrentamento de problemas muito concretos, e que, por sua vez, gera muitos problemas novos em termos de conhecimento, o que as torna muito fecundas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas disciplinas, digamos, mais originais\u201d&nbsp;(DINIZ, 2015, p. 23).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>Os desafios que as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;precisam encarar nem sempre s\u00e3o \u201cmuito concretos\u201d, nem tem a \u201cfecundidade\u201d dos exemplos acima. Isso devido \u00e0 idiossincrasias do ambiente do fen\u00f4meno b\u00e9lico (como a&nbsp;<em>fric\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>) e do alvo de sua \u201cinterven\u00e7\u00e3o na realidade\u201d, que em geral se trata de um corpo animado&nbsp;que reage com vontade pr\u00f3pria&nbsp;(CLAUSEWITZ, 1984).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O mesmo ocorre quando se trata de ci\u00eancias sociais aplicadas:<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEm tais disciplinas, os fen\u00f4menos a serem estudados s\u00e3o articulados em torno dos processos a que se visa compreender: no caso da Economia, as intera\u00e7\u00f5es relacionadas aos processos de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o da riqueza socialmente produzida, enfim, processos pelos quais as sociedades produzem o atendimento de suas necessidades materiais; no caso da Ci\u00eancia Pol\u00edtica, intera\u00e7\u00f5es relacionadas&nbsp;\u00e0 produ\u00e7\u00e3o de regras e expectativas, formais ou informais, de gest\u00e3o da vida coletiva, de atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades e de prerrogativas, de divis\u00e3o de benef\u00edcios e custos das a\u00e7\u00f5es coletivas\u201d&nbsp;(DINIZ, 2015, p. 24).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>De forma semelhante \u00e0 explica\u00e7\u00e3o dada no caso anterior, as peculiaridades inerentes \u00e0 din\u00e2mica b\u00e9lica impossibilitam uma abordagem que tenha como premissa a articula\u00e7\u00e3o de processos fortemente estruturados, que respeitem e obede\u00e7am regras razoavelmente r\u00edgidas e pr\u00e9-estabelecidas. Como o general prussiano, Carl von Clausewitz, um dos grandes alicerces te\u00f3ricos do estudo da guerra, j\u00e1 apontava no s\u00e9culo XIX: \u201c(\u2026)&nbsp;a cria\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o no dom\u00ednio da arte; a ci\u00eancia dominar\u00e1&nbsp;onde o objeto&nbsp;\u00e9&nbsp;a investiga\u00e7\u00e3o e o conhecimento. Segue-se que o termo&nbsp;\u2018arte da guerra\u2019&nbsp;\u00e9 mais adequado do que&nbsp;\u2018ci\u00eancia da guerra\u2019 \u201d (CLAUSEWITZ, 1984, p. 148-149).<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Composi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em suma, as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;parecem n\u00e3o se enquadrar perfeitamente em nenhuma das categorias explicitadas no segmento anterior. Entretanto, isso n\u00e3o \u00e9 o mesmo que dizer que elas n\u00e3o perscrutam dos conhecimentos tidos como cient\u00edficos ou conduzidos sob arrimo cient\u00edfico. Medeiros (2015), sob a \u00f3tica da composi\u00e7\u00e3o disciplinar dos \u201cEstudos de Defesa\u201d, esclarece que:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c (\u2026)&nbsp;h\u00e1&nbsp;elementos de interdisciplinaridade que podem ser observados&nbsp;\u00e0&nbsp;luz das ci\u00eancias puras e aplicadas ou das ci\u00eancias humanas e sociais. \u00c9&nbsp;poss\u00edvel dizer-se, inclusive, que n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3&nbsp;estudo de defesa que n\u00e3o prescinda de teoria pol\u00edtica, das rela\u00e7\u00f5es internacionais ou da sociologia, em combina\u00e7\u00e3o com m\u00e9todos e objetos provenientes da economia, do estudo dos conflitos, da adminis- tra\u00e7\u00e3o&#8221;&nbsp;(MEDEIROS, 2015, p. 46).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p>O mesmo ocorre com as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>. Ainda aportado no que Medeiros (2015) coloca, a dificuldade de circunscri\u00e7\u00e3o reside na&nbsp;<em>multi-interdisciplinaridade<\/em>&nbsp;desta \u00e1rea, que se confunde com outros sub-campos disciplinares. \u00c0quelas disciplinas reconhecidas enquanto mais \u201ctradicionais\u201d ou \u201ccl\u00e1ssicas\u201d, possuem seus pr\u00f3prios recortes epistemol\u00f3gicos e metodol\u00f3gicos, e, por isso, s\u00e3o insuficientes para explicar os fen\u00f4menos concernentes \u00e0s&nbsp;<em>ci\u00eancias militares&nbsp;<\/em>em sua completude, fornecendo apenas respostas parciais.&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Valendo-se de mais um exemplo do desenvolvimento dos&nbsp;\u201cEstudos de Defesa\u201d, ressalta-se a sutileza de Raza (2004), que aponta a \u201ccientificidade&nbsp;<em>nos<\/em>&nbsp;Estudos de Defesa\u201d, e n\u00e3o a \u201ccientificidade&nbsp;<em>dos<\/em>&nbsp;Estudos de Defesa\u201d. H\u00e1 uma correspond\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>. \u201cN\u00e3o ser\u201d n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201cn\u00e3o ter\u201d. O que at\u00e9 agora se convencionou chamar de&nbsp;<em>ci\u00eancias militares&nbsp;<\/em>recorre ampla e reiteradamente aos conhecimentos cient\u00edficos de diversas \u00e1reas no processo de elabora\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio arcabou\u00e7o. Nesse sentido, o que se t\u00eam com as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;\u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o cientificamente instru\u00edda.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim como na dualidade f\u00edsica\/engenharia e biologia\/medicina, a ci\u00eancia e os aspectos mais pr\u00e1ticos do que se coloca como&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;seguem percursos diferentes e pr\u00f3prios de ac\u00famulo do conhecimento. Ocorre com as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;o mesmo que ocorre com o campo de conhecimento em \u201cgest\u00e3o\u201d (<em>management<\/em>): h\u00e1 um paradigma&nbsp;<em>explanat\u00f3rio<\/em>, preocupado em oferecer descri\u00e7\u00f5es, explica\u00e7\u00f5es e predi\u00e7\u00f5es, e um paradigma de&nbsp;<em>projeta\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, que possui como objetivo central fornecer prescri\u00e7\u00f5es em como projetar e gerir organiza\u00e7\u00f5es (SILVA e PROEN\u00c7A J\u00daNIOR, 2012).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Diante do segundo paradigma mencionado, as&nbsp;<em>ci\u00eancias militares&nbsp;<\/em>(nos termos comumente dispostos) n\u00e3o podem ser enquadradas como quaisquer tipos de ci\u00eancias. Isso porque incorpora elementos de disciplinas cient\u00edficas e disciplinas de&nbsp;<em>projeta\u00e7\u00e3o<\/em>, e os crit\u00e9rios para a produ\u00e7\u00e3o, uso e ac\u00famulo de conhecimento nelas s\u00e3o completamente distintos. A n\u00e3o pondera\u00e7\u00e3o deste entendimento leva \u00e0 uma confus\u00e3o epistemol\u00f3gica que resulta no pr\u00f3prio equ\u00edvoco denominativo do corpo de conhecimento que aqui se discute (SILVA e PROEN\u00c7A J\u00daNIOR, 2012; 2015).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O cuidado sint\u00e1tico de Raza (2014) a respeito do papel da ci\u00eancia nas&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;remete \u00e0 declara\u00e7\u00e3o feita por Silva e Proen\u00e7a J\u00fanior (2015) no caso das atividades que conformam o acervo de conhecimentos da engenharia, que ser\u00e1 parafraseada de forma adaptada ao contexto deste artigo: o que se chama de&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, nem mesmo ci\u00eancia aplicada. Logo, a express\u00e3o&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>&nbsp;trata-se de um ox\u00edmoro. A pergunta que se segue \u00e9 natural: se n\u00e3o pode-se falar em&nbsp;<em>ci\u00eancias militares<\/em>, qual seria a denomina\u00e7\u00e3o mais apropriada?<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Proposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma express\u00e3o que vem sendo utilizada por alguns te\u00f3ricos, na busca por uma nomenclatura mais coerente, \u00e9 \u201cTeoria de Projeto de Ex\u00e9rcito\u201d (ou \u201cTeoria de Projeto de For\u00e7a Armada\u201d) (VOELZ, 2014). Entretanto, esta escolha restringe demasiadamente o escopo de investiga\u00e7\u00e3o, se aproximando do que mais comumente \u00e9 conhecido como Planejamento de For\u00e7a (<em>Force Planning<\/em>) ou Projeto de For\u00e7a (<em>Force Design<\/em>), que se debru\u00e7a&nbsp;sobre os meios que instrumentalizam, viabilizam,&nbsp;possibilitam e otimizam&nbsp;o uso da for\u00e7a&nbsp;(RAZA, 2004).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta perspectiva imputa a exclus\u00e3o de muitos componentes disciplinares do que se pretende com este campo de estudos. Isso acontece por conta da distin\u00e7\u00e3o de n\u00edveis de conhecimento. Quanto mais \u201ct\u00e9cnico\u201d o conhecimento, mais determinado por fronteiras observ\u00e1veis ele \u00e9, ainda que possua grau consider\u00e1vel de interdisciplinaridade (MEDEIROS, 2015). Tal fato n\u00e3o condiz com o que se ambiciona o campo do conhecimento discutido ao longo desta inquiri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o relativamente simples, adotada inclusive por disciplinas j\u00e1 citadas ao longo deste artigo, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201cestudos\u201d ao inv\u00e9s de \u201cci\u00eancias\u201d. \u201cEstudos\u201d denota um esfor\u00e7o de aplica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia na compreens\u00e3o de um determinado assunto, sem no entanto exigir os&nbsp;&nbsp;requisitos pr\u00f3prios do enquadramento epistemol\u00f3gico da ci\u00eancia. Assim sendo, considera-se como op\u00e7\u00e3o mais adequada, diante de tudo que foi exposto at\u00e9 aqui, o termo \u201cEstudos Militares\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como j\u00e1 aferido em se\u00e7\u00f5es deste trabalho, a evolu\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica das palavras que constituem um campo do saber acompanham o progresso do pr\u00f3prio saber. N\u00e3o ocasionalmente, confunde-se ci\u00eancia com atividade cient\u00edfica, que s\u00e3o particularmente diferentes. Assim sendo, \u201cEstudos Militares\u201d traduz de maneira mais coerente o conjunto de atividades cientificamente informadas, voltadas a compreens\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o de problemas conexos \u00e0s For\u00e7as Armadas, que, para tanto, recorrem de forma vigorosa \u00e0 diversas disciplinas do saber humano, s\u00f3 que com foco particular \u00e0s atividades militares.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>BARTHOLO, Roberto. Apresenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;In:&nbsp;Adriano&nbsp;Proen\u00e7a et al. (Eds.),&nbsp;<strong>Gest<\/strong><strong>\u00e3o da Inova\u00e7\u00e3o e Competitividade no Brasil<\/strong>. Bookman: Porto Alegre,&nbsp;pp.&nbsp;XI\u2013XIII, 2015.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>CLAUSEWITZ, Carl&nbsp;von.&nbsp;<strong>On War<\/strong>. Princeton: Princeton University Press, 1984.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>DINIZ, Eug\u00eanio.&nbsp;<strong>Breve Ensaio sobre Estudos de Defesa como Atividade Cient<\/strong><strong>\u00edfica<\/strong>. Revista Brasileira de Estudos de Defesa,&nbsp;v. 2, n\u00ba&nbsp;2, jul\/dez,&nbsp;p. 21-28, 2015.<\/p>\n<p>DUARTE, \u00c9rico Esteves; MENDES, Fl\u00e1vio Pedroso.&nbsp;<strong>A Ci<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>ncia da Guerra: Epistemologia e Progresso nos Estudos Estrat<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>gicos<\/strong>.&nbsp;Revista Brasileira de Estudos de Defesa,&nbsp;v. 2, no 2, jul.\/dez.,&nbsp;p. 129-150, 2015.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>GAT, Azar.&nbsp;<strong>The origins of military thought: from the enlightenment to Clausewitz<\/strong>. Oxford: Clarendon Press, 1989.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>JORDAN, Kelly C. Military Science.&nbsp;In:&nbsp;PIEHLER,&nbsp;Kurt&nbsp;G.&nbsp;(Ed.).&nbsp;<strong>Encyclopedia of Military Science<\/strong><em>.<\/em>&nbsp;SAGE Reference, Volume, 2. pp.&nbsp;880\u2013885, 2013.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>MEDEIROS, Sabrina Evangelista.&nbsp;<strong>Da Epistemologia dos Estudos de Defesa e os seus Campos H<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>bridos<\/strong>.&nbsp;Revista Brasileira de Estudos de Defesa,&nbsp;v. 2, no 2, jul.\/dez., p. 43-55, 2015.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>MERRIAM-WEBSTER.&nbsp;<strong>Military Science<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.merriam-webster.com\/dictionary\/military%20science\">https:\/\/www.merriam-webster.com\/dictionary\/military%20science<\/a>&gt; Acesso em: 28 de novembro de 2020.<\/p>\n<p>RAZA, Salvador Ghelfi .&nbsp;<strong>A Quest<\/strong><strong>\u00e3o da Cientificidade nos Estudos de Defesa<\/strong>. Pol\u00edtica Externa (USP) , S\u00e3o Paulo, v. 12, n.Dez\/Jan\/Fe, p. 91-110, 2004.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>SILVA,&nbsp;\u00c9dison Renato;&nbsp;PROEN\u00c7A J\u00daNIOR, Dom\u00edcio.&nbsp;<strong>Simon Meets Koen and Van Aken: Management as Engineering and its Philosophy<\/strong>.&nbsp;Apresenta\u00e7\u00e3o no&nbsp;fPET 2012 Forum on Philosophy, Engineering, and Technology, 2012.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>SILVA, \u00c9dison Renato; PROEN\u00c7A J\u00daNIOR, Dom\u00edcio.&nbsp;N\u00e3o ser n\u00e3o&nbsp;\u00e9&nbsp;n\u00e3o ter: Engenharia n\u00e3o&nbsp;\u00e9&nbsp;Ci\u00eancia (nem mesmo ci\u00eancia aplicada). In:&nbsp;Adriano&nbsp;Proen\u00e7a et al. (Eds.),&nbsp;<strong>Gest<\/strong><strong>\u00e3o da Inova\u00e7\u00e3o e Competitividade no Brasil<\/strong>. Bookman: Porto Alegre,&nbsp;pp. 197\u2013218, 2015.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>SIMON, Herbert A.&nbsp;<strong>The sciences of the artificial<\/strong>. Cambridge, MA: The MIT Press, 1969.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>VOELZ, Glenn.&nbsp;<strong>Is Military Science&nbsp;<\/strong><strong>\u201c<\/strong><strong>Scientific\u201d<\/strong><strong>?<\/strong>. Joint Force Quarterly 75,&nbsp;4th&nbsp;Quarter, 2014.&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\">\n<p><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Ver nota de rodap\u00e9 n\u00famero 2 a respeito da abrang\u00eancia de cada uma destas disciplinas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;Em \u201cEstudos de Seguran\u00e7a\u201d, s\u00e3o abordados assuntos diversos que possam resultar em amea\u00e7as para a sociedade, como \u201cseguran\u00e7a energ\u00e9tica\u201d e \u201cseguran\u00e7a alimentar\u201d, n\u00e3o se restringindo \u00e0 aspectos unicamente ligados \u00e0s FFAA. Em \u201cEstudos de Defesa\u201d h\u00e1 uma proximidade maior com o aspecto militar, mas, ainda assim, discutem-se outros elementos essenciais para provimento da defesa de um Estado, que n\u00e3o s\u00e3o diretamente responsabilidade daquelas, como a economia e a pol\u00edtica de defesa. Os \u201cEstudos Estrat\u00e9gicos\u201d tamb\u00e9m se aproximam bastante do segmento militar, por tratar da utiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a para obrigar um advers\u00e1rio \u00e0 fazer a sua vontade, mas at\u00e9 mesmo a pesquisa neste campo pode tratar do emprego da viol\u00eancia organizada de outros grupos que n\u00e3o \u00e0queles que se conformem enquanto for\u00e7as profissionais institucionalizadas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Emprega-se esta express\u00e3o por se tratar da terminologia usada originalmente por Simon (1969), sabendo no entanto que esta n\u00e3o figura enquanto escolha taxon\u00f4mica apropriada, como explicam Silva e Proen\u00e7a J\u00fanior (2012; 2015) ao atentar para as diferen\u00e7as de natureza dos conhecimentos produzido pelas ci\u00eancias e por disciplinas como a engenharia e arquitetura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Para uma explica\u00e7\u00e3o minuciosa sobre o conceito de&nbsp;<em>fric\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;na guerra, veja Clausewitz,&nbsp;Carl&nbsp;von.&nbsp;<em>On War<\/em>. Princeton: Princeton University Press, 1984, [Livro I, Cap\u00edtulo 7, p. 119].<\/p>\n<p><\/p>\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/1C22B9BA-68EF-42E0-8DB2-9D32AB7EA023#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Utilizo este termo sob a perspectiva de Bartholo (2015) como alternativa ao termo em ingl\u00eas&nbsp;<em>\u201cdesign\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em><strong>Diogo Calazans Corr\u00eaa&nbsp;<\/strong>\u00e9&nbsp;bacharel em Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre&nbsp;em Ci\u00eancias Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME).&nbsp;Atualmente trabalha como consultor em projetos nas \u00e1reas de intersec\u00e7\u00e3o entre gest\u00e3o, estrat\u00e9gia e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Como citar este artigo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-style: normal;\">CORR\u00caA, Diogo Calazans. Estre a cientifiza\u00e7\u00e3o e a cientificidade: o problema do termo &#8220;Ci\u00eancia Militar&#8221;, <\/span>Di\u00e1logos Internacionais<span style=\"font-style: normal;\">, vol.9, n.90, mai.2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2669\">https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2669<\/a><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 9 | N\u00famero 90 | Mai. 2022 Por Diogo Calazans Corr\u00eaa Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2015,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,660],"tags":[],"class_list":["post-2669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume9"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2669"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3130,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2669\/revisions\/3130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}