{"id":2700,"date":"2022-06-20T10:54:20","date_gmt":"2022-06-20T13:54:20","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2700"},"modified":"2024-04-09T19:02:12","modified_gmt":"2024-04-09T22:02:12","slug":"a-russia-e-a-csto-entre-temores-e-aliancas-contra-as-ameacas-perenes-o-caso-do-conflito-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2700","title":{"rendered":"A R\u00fassia e a CSTO: entre temores e alian\u00e7as contra as amea\u00e7as perenes, o caso do conflito na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 9 | N\u00famero 91 | Jun. 2022<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1878\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Johny Santana de Ara\u00fajo<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Na pol\u00edtica, um governante capaz deve ser guiado <\/em><\/p><p><em>pelas&nbsp;circunst\u00e2ncias<a>,&nbsp;<\/a>conjecturas e conjun\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p><p><em>Catarina II<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A atual invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia permite-nos considerar sobre a possibilidade da CSTO alian\u00e7a militar liderada pela R\u00fassia tomar parte na contenda. O artigo pretende avaliar o quadro de for\u00e7as ucranianas e russas observando que a resist\u00eancia ucraniana&nbsp;tem demonstrado ser maior do que o previsto o que&nbsp;tornaria plaus\u00edvel estimar sobre o envolvimento ou n\u00e3o da&nbsp;CSTO&nbsp;no conflito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Possivelmente, o aforisma de Catarina II se aplique \u00e0 R\u00fassia dos dias atuais. Por mais simples que pare\u00e7a, ela traduz o qu\u00e3o pragmaticamente a pol\u00edtica externa do estado tem sido moldada no p\u00f3s-regime sovi\u00e9tico. Um pa\u00eds continental cujas invas\u00f5es se tornaram parte permanente da sua hist\u00f3ria n\u00e3o poderia responder de outra forma em rela\u00e7\u00e3o a Ucr\u00e2nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia historicamente tem uma rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil com o vizinho do Leste. Nos anos 90, quando a R\u00fassia come\u00e7ou a reaver a sua capacidade militar, um dos elementos chave nessa concep\u00e7\u00e3o se traduzia de alguma forma em manter influ\u00eancia sobre as antigas ex-rep\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do Pacto de Vars\u00f3via, a manuten\u00e7\u00e3o de um conceito para estabelecer fronteiras seguras voltou a fazer parte do horizonte dos arquitetos do poder militar russo, isso inclu\u00eda o estabelecimento de uma alian\u00e7a ou pacto que representasse tanto a coaliz\u00e3o de ideias e princ\u00edpios quanto a proje\u00e7\u00e3o de for\u00e7a militar. Assim surgiu a Collective Security Treaty Organization (CSTO), que nas crises envolvendo as ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, passaria a ter papel preponderante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a OTAN acabou sendo abordada por pa\u00edses que desejavam escapar da influ\u00eancia russa, que havia herdado o discurso anti-americano da antiga URSS (ALMEIDA,\u00a02002, p. 2). Essa aproxima\u00e7\u00e3o levou a uma complexidade de equil\u00edbrios que traria a R\u00fassia revitalizada militarmente ao cen\u00e1rio de contesta\u00e7\u00f5es.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais fontes de tens\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es EUA-Europa-R\u00fassia tem sido a quest\u00e3o do alargamento da OTAN para leste. A guerra com a Ge\u00f3rgia em 2008 foi percebida em Moscou como um sucesso para a R\u00fassia em termos pol\u00edticos, pois deu um golpe na perspectiva da ades\u00e3o da Georgia \u00e0 OTAN (MENKISZAK, 2012, p.73).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa quest\u00e3o, paralelo ao renascimento de sua estrutura militar, houve uma preocupa\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m manter antigos parceiros longe da esfera ocidental, isso se aplica \u00e0 S\u00e9rvia, que recebe investimentos e equipamento militar, e patroc\u00ednio pol\u00edtico, afastando-a de um poss\u00edvel ingresso na OTAN e garantindo a presen\u00e7a russa na pen\u00ednsula balc\u00e2nica (RAMANI, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos mecanismos mais importantes para manter a integra\u00e7\u00e3o e garantir a fidelidade de pa\u00edses simp\u00e1ticos a R\u00fassia \u00e9 a CSTO. No entanto, apesar da alian\u00e7a existir de fato, a ideia de que se trata de uma organiza\u00e7\u00e3o militar pensada aos moldes da OTAN \u00e9 contestada por parte de seus membros. Bobyshev Valery\u00a0Ivanovich, do Conselho de Seguran\u00e7a da Rep\u00fablica da Bielorr\u00fassia<em>,\u00a0<\/em>enfatizou que a CSTO n\u00e3o \u00e9 considerada pelo bielorussos como um bloco militar (IVANOVICH, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, a CSTO atua de duas maneiras no \u00e2mbito da coopera\u00e7\u00e3o combatendo as amea\u00e7as militares externas tradicionais e novas.&nbsp;Teoricamente, a sua fun\u00e7\u00e3o seria a de garantir os interesses dos Estados no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico, atuando como um dos elementos-chave na garantia da seguran\u00e7a regional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>MAS QUAL SERIA O PAPEL DA CSTO EM CASO DE ENVOLVIMENTO NA GUERRA COM A UCR\u00c2NIA?<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos tr\u00eas importantes considera\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia. A primeira delas \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da sua aproxima\u00e7\u00e3o com o ocidente, segundo o cotejamento para a OTAN, e por fim o interesse das regi\u00f5es de Donetsk e Luhansk de se unir a R\u00fassia<\/p>\n\n\n\n<p>Existem v\u00e1rios partidos pol\u00edticos e movimentos na Ucr\u00e2nia que defendem uma pol\u00edtica pr\u00f3-R\u00fassia moderada, mas tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o consideradas radicais, em grande medida sua exist\u00eancia deve a elevada demografia da popula\u00e7\u00e3o russa&nbsp;no Leste especialmente no Donbas (GALEOTTI, 2019). A radicaliza\u00e7\u00e3o acabou levando a luta armada, visando a independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise se iniciou em mar\u00e7o de 2014 ap\u00f3s meses de\u00a0protestos contra um governo que era visto como sendo\u00a0pr\u00f3-Moscou na Ucr\u00e2nia levando ao seu fim, em seguida a R\u00fassia invadiu e anexou a Pen\u00ednsula da Crimeia.\u00a0Um m\u00eas depois, separatistas pr\u00f3-R\u00fassia come\u00e7aram a lutar em\u00a0Donetsk e Luhansk, no leste da Ucr\u00e2nia. Com o conflito na regi\u00e3o do Donbas houve uma proposta\u00a0em 2015 para a CSTO enviar uma\u00a0miss\u00e3o de\u00a0paz a\u00a0Ucr\u00e2nia, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Visando&nbsp;acabar com a&nbsp;guerra&nbsp;na&nbsp;regi\u00e3o dois acordos foram estabelecidos, o&nbsp;protocolo de Minsk, elaborado em 2014 pelo&nbsp;Grupo de Contato Trilateral sobre a Ucr\u00e2nia, composto pela Ucr\u00e2nia,&nbsp;R\u00fassia&nbsp;e a&nbsp;Organiza\u00e7\u00e3o para a Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o na Europa&nbsp;(OSCE), com media\u00e7\u00e3o da&nbsp;Fran\u00e7a&nbsp;e da&nbsp;Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo foi assinado em 5 de setembro de 2014, em&nbsp;Minsk,&nbsp;Bielorr\u00fassia, sem reconhecimento dos l\u00edderes da autoproclamada&nbsp;Rep\u00fablica Popular de Donetsk&nbsp;(DPR) e&nbsp;da Rep\u00fablica Popular de Luhansk&nbsp;(LPR). O protocolo foi seguido por um acordo atualizado,&nbsp;chamado Minsk II, assinado em 12 de fevereiro de 2015.&nbsp;Embora a luta tenha diminu\u00eddo, nunca cessou, e as disposi\u00e7\u00f5es do acordo nunca foram totalmente implementadas (KUZIO, 2017).&nbsp;Culminando com a invas\u00e3o da Ucrania por for\u00e7as russas em fevereiro de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o da CSTO nessa interven\u00e7\u00e3o, isso sempre foi uma inc\u00f3gnita, tendo em vista que a diverg\u00eancia de opini\u00f5es dentro da organiza\u00e7\u00e3o existia desde 2014. Para seu Secret\u00e1rio\u00a0Geral na \u00e9poca, a crise ucraniana \u00e9 uma consequ\u00eancia de um longo distanciamento do pa\u00eds para com a Comunidade de Estados Independentes (CEI) na tomada de decis\u00f5es coletivas sobre quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Segundo\u00a0Nikolai\u00a0Bordyuzha, o governo ucraniano sempre teve uma posi\u00e7\u00e3o especial nestas quest\u00f5es.\u00a0Mas houve \u201c[&#8230;] o desejo de certos estados de arquitetar uma divis\u00e3o entre os pa\u00edses eslavos [&#8230;]\u201d (BORDYUZHA, 2014). Ou seja, separar a Ucr\u00e2nia da CEI, estados com os quais compartilhou sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode se entender tamb\u00e9m, que uma das ra\u00edzes da crise adv\u00e9m da recusa da R\u00fassia em ver os ucranianos como um povo separado levando a uma relut\u00e2ncia em reconhecer a soberania e as fronteiras da Ucr\u00e2nia independente. (KUZIO, 2017)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 19 de fevereiro de 2022, poucos dias antes da R\u00fassia reconhecer a independ\u00eancia das duas regi\u00f5es separatistas de Luhansk e Donetsk na Ucr\u00e2nia, o atual secret\u00e1rio-geral da CSTO, Stanislav Zas, afirmou, tal como j\u00e1 havia sido proposto em 2014, que as for\u00e7as de paz da CSTO poderiam ser enviadas para a regi\u00e3o de Donbas sob mandato da ONU e com a autoriza\u00e7\u00e3o de Kiev (RUEHL, 2022). Nesse ponto seria uma a\u00e7\u00e3o equalizadora e n\u00e3o de apoio a R\u00fassia, o seu papel modificaria o prop\u00f3sito da utiliza\u00e7\u00e3o dessas for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o secret\u00e1rio do Conselho de Seguran\u00e7a e Defesa Nacional da Ucr\u00e2nia, Oleksiy Danilov, afirmou que Putin pretendia de alguma forma \u201cenvolver representantes dos estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Seguran\u00e7a Coletiva\u201d (RUEHL, 2022), no conflito russo-ucraniano.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a reuni\u00e3o de c\u00fapula da CSTO ocorrida em Moscou em 16 de maio de 2022, houve por parte do presidente Putin uma tentativa de coopta\u00e7\u00e3o dos demais pa\u00edses signat\u00e1rios da organiza\u00e7\u00e3o para participar das opera\u00e7\u00f5es militares na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da Bielorr\u00fassia, Alexander Lukashenko foi o \u00fanico dos l\u00edderes a se posicionar a favor da R\u00fassia afirmando que, \u201c\u00c9 absolutamente claro que, sem uma rea\u00e7\u00e3o unida dos aliados da CSTO e de outras associa\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico, o Ocidente coletivo aumentar\u00e1 sua press\u00e3o\u201d (BHADRAKUMAR, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Putin falou sobre a estrat\u00e9gia de expans\u00e3o da OTAN e suas implica\u00e7\u00f5es. Mas dentre os l\u00edderes da CSTO, entre os quais o do Cazaquist\u00e3o, vetou a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, os do Quirguist\u00e3o e Tajiquist\u00e3o e Arm\u00eania, n\u00e3o ficaram impressionados. Nenhum deles sequer se referiu publicamente \u00e0 guerra da Ucr\u00e2nia como um tema de preocupa\u00e7\u00e3o urgente para a CSTO.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, os membros da CSTO n\u00e3o reproduzem o mesmo comportamento de seus an\u00e1logos da OTAN, mas obviamente n\u00e3o deixar\u00e3o os eventos em andamento na Ucr\u00e2nia sem aten\u00e7\u00e3o. Alguns estados membros&nbsp;mantem dist\u00e2ncia&nbsp;do conflito, a ponto de a organiza\u00e7\u00e3o&nbsp;declarar formalmente&nbsp;que os aliados da R\u00fassia n\u00e3o seriam for\u00e7ados a lutar na Ucr\u00e2nia, embora sabe-se que a CSTO tem capacidade de intervir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ativar o CSTO para intervir em um pa\u00eds europeu fora do territ\u00f3rio da alian\u00e7a tamb\u00e9m aumentaria as tens\u00f5es em todo o continente e quase certamente envolveria uma forte implanta\u00e7\u00e3o da OTAN no B\u00e1ltico e o risco de novas san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>FOR\u00c7AS RUSSAS DESDOBRADAS NA FRONTEIRA DA UCR\u00c2NIA&nbsp;<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As unidades russas estacionadas na fronteira da Ucr\u00e2nia que invadiram o pa\u00eds eram compostas por&nbsp;mais de 100.000 soldados, com 20.000 pr\u00f3ximos \u00e0s prov\u00edncias de Donetsk e Luhansk.&nbsp;Foram realizados exerc\u00edcios entre as tropas russas e bielorrussas, e enviados ainda dois batalh\u00f5es de m\u00edsseis terra-ar S-400 para a Bielorr\u00fassia.&nbsp;Naquela ocasi\u00e3o, o&nbsp;vice-ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, disse que \u201cO objetivo do exerc\u00edcio era ajustar as tarefas de suprimir e repelir a agress\u00e3o externa durante uma opera\u00e7\u00e3o defensiva [&#8230;]\u201d (DUGAL, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o que Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos (CSIS) havia previsto, a R\u00fassia avan\u00e7ou por tr\u00eas caminhos.&nbsp;Ao Norte,&nbsp;as for\u00e7as russas tentaram seguir em dire\u00e7\u00e3o a Kiev, na ocasi\u00e3o a Bielorr\u00fassia, que \u00e9 um estado membro do CSTO, concordou com o uso de seus sistemas rodovi\u00e1rios e ferrovi\u00e1rios, por onde as tropas russas puderam avan\u00e7ar para a Ucr\u00e2nia a partir de Mazyr, na Bielorr\u00fassia&nbsp;<a>(<\/a>JONES; WASIELEWSKI, 2022). Mas a dura resist\u00eancia das for\u00e7as ucranianas, levaram os russos a repensar os seus objetivos, e acabaram abandonando a ofensiva, alegando que os objetivos ali haviam sido atingidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo do centro, a&nbsp;R\u00fassia tentou enviar tropas da \u201crep\u00fablica\u201d de Donetsk para Zaporizhzhia e Dnipro para expandir suas fronteiras para o oeste.&nbsp;E em uma rota pelo Sul,&nbsp;a R\u00fassia tentou bloquear o acesso da Ucr\u00e2nia ao mar, ao avan\u00e7ar do Sul em dire\u00e7\u00e3o a Kherson, enquanto suas tropas avan\u00e7aram em dire\u00e7\u00e3o a Melitopol (JONES; WASIELEWSKI, 2022). Na tentativa da R\u00fassia em estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o terrestre para a Crimeia acabou envolvendo tamb\u00e9m a tomada do porto de Mariupol, cujos esfor\u00e7os ucranianos acabaram os isolando na sider\u00fargica de Azovstal at\u00e9 ser tomada pelos russos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito foi falado pela m\u00eddia sobre o quanto o conflito se desenvolveria de forma r\u00e1pida, no entanto o peso da resist\u00eancia ucraniana \u00e9 algo que deve ser pensado. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o que a Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds grande e que disp\u00f5e de razo\u00e1vel capacidade de resist\u00eancia. Foi falado que a R\u00fassia teria feito um erro de c\u00e1lculo, o que \u00e9 question\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Os russos n\u00e3o conseguiram efetuar todas as manobras como plenamente planejado, uma situa\u00e7\u00e3o adversa que pode acabar trazendo consequ\u00eancias, a curto e m\u00e9dio prazo para al\u00e9m das san\u00e7\u00f5es internacionais, e estaria circunscrita no pr\u00f3prio campo de batalha, pois virtualmente a Ucr\u00e2nia n\u00e3o est\u00e1 tornando a invas\u00e3o de seu pa\u00eds t\u00e3o f\u00e1cil, e muitos erros ocorridos quando da ocupa\u00e7\u00e3o da Crimeia n\u00e3o se repetiram mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela ocasi\u00e3o em 2014 as mil\u00edcias pr\u00f3-russas e outros grupos paramilitares apoiaram os militares russos que demonstraram seu alto n\u00edvel de profissionalismo e treinamento subjugando as for\u00e7as ucranianas na Crim\u00e9ia. Por fim, enquanto o governo ucraniano esperava problemas das mil\u00edcias pr\u00f3-R\u00fassia, eles n\u00e3o tinham ideia de que uma invas\u00e3o completa era iminente. (WOOD; POMERANZ; MERRY; TRUDOLYUBOV, 2016, p. 16).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas atualmente \u00e9 poss\u00edvel observar que os russos podem tamb\u00e9m pretender cobrar um pesado tributo de sangue dos ucranianos, em parte se justificaria uma longa dura\u00e7\u00e3o do conflito, e o fato de que a R\u00fassia estaria preparada economicamente para resistir as san\u00e7\u00f5es impostas pelo ocidente. Dentro dessa l\u00f3gica a cobran\u00e7a pelo fornecimento de g\u00e1s em rublos e o aporte econ\u00f4mico fornecido pela China garantiriam um impacto menos doloroso aos russos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>FOR\u00c7AS UCRANIANAS E SUAS CAPACIDADES<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A tomada russa da Crimeia e a interven\u00e7\u00e3o no Donbas proporcionaram um choque, a cadeia de comando praticamente entrou em colapso. Assim, o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio foi restabelecido em maio de 2014, e uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o levaram os reservistas de volta \u00e0s fileiras. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de jovens oficiais apareceu, substituindo uma velha guarda; mais verbas come\u00e7aram a ser investidos no Ex\u00e9rcito, e os resultados segundo Galeotti, \u201c[&#8230;]foram surpreendentes\u201d (2019, 45-46).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Grosso modo&nbsp;os esfor\u00e7os financeiros de Kiev para modernizar suas for\u00e7as armadas nos \u00faltimos sete anos foram significativos, segundo consta, or\u00e7amento de defesa da Ucr\u00e2nia para 2021 \u00e9 de US$ 4,2 bilh\u00f5es, US$ 4,6 milh\u00f5es a menos que o or\u00e7amento de 2020. O que pode ser considerado muito baixo diante das necessidades reais, mesmo assim o ex\u00e9rcito ucraniano havia crescido de cerca de 6.000 soldados prontos para o combate para quase 150.000,&nbsp;(BOWEN, 2022).&nbsp;Essa parcela dos gastos com defesa \u00e9 maior do que a maioria dos pa\u00edses da OTAN sendo proporcionalmente semelhante aos gastos militares da R\u00fassia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma for\u00e7a de 6.500, a marinha ucraniana n\u00e3o era antes da invas\u00e3o mais do que uma flotilha, com uma \u00fanica fragata classe&nbsp;<em>Krivak III<\/em>&nbsp;sobrevivente, o navio capit\u00e2nia&nbsp;<em>Hetman Sahaydachny<\/em>; uma corveta da classe&nbsp;<em>Grisha III<\/em>, a&nbsp;<em>Vinnytsia<\/em>; um barco lan\u00e7a m\u00edsseis, um ca\u00e7a-minas e diversas embarca\u00e7\u00f5es menores. Tendo perdido seu QG em Sebastopol, os russos tamb\u00e9m apreenderam as corvetas&nbsp;<em>Ternopil<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Lutsk<\/em>&nbsp;quando tomaram a Crimeia, al\u00e9m de sofrer a perda de duas canhoneiras e um rebocador para os russos em uma escaramu\u00e7a perto do Estreito de Kerch em novembro de 2018 (GALEOTTI, 2019, pp. 48-49). Agora a marinha da Ucr\u00e2nia est\u00e1 baseada em Odessa.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 antes da guerra a marinha da Ucr\u00e2nia passava por um programa de aquisi\u00e7\u00f5es de pelo menos 4 modernas corvetas da classe\u00a0<em>Volodymyr Velykyi,<\/em>\u00a0das quais est\u00e3o com entrega prevista at\u00e9 2028, h\u00e1 ainda as duas corvetas encomendadas da classe\u00a0<em>Ada<\/em>, a Turquia, que tamb\u00e9m se tornou grande fornecedora dos drones TB2.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a de capacidade das for\u00e7as a\u00e9reas \u00e9 imensa, tendo a for\u00e7a a\u00e9rea da Ucr\u00e2nia, a sua disposi\u00e7\u00e3o antes do ataque russo de pouco mais do que a 69 aeronaves de combate, das quais s\u00e3o 43 &#8211; MiG-29; 12 &#8211; Su-24, 17 &#8211; Su-25 e 26 &#8211; Su-27 e cerca de 60 helic\u00f3pteros. (WORLD AIR FORCES, 2022, p. 32). As demais aeronaves n\u00e3o contabilizadas s\u00e3o de apoio ou transporte, e com as perdas desconhecidas n\u00e3o se pode estimar com precis\u00e3o a real quantidade de ca\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca em que as for\u00e7as armadas russas realizaram as ofensivas em agosto de 2014 e janeiro de 2015, eles dispunham de uma grande capacidade para mobilizar combatentes. Essas opera\u00e7\u00f5es ofereceram \u00e0 R\u00fassia condi\u00e7\u00f5es vantajosas para o cessar-fogo. As tropas envolvidas concentraram-se principalmente em destruir as unidades ucranianas com artilharia pesada \u00e0 dist\u00e2ncia. Aliados separatistas foram usados \u200b\u200bna vanguarda para manter baixas russas ao m\u00ednimo e reconhecer alvos de artilharia. O n\u00facleo das for\u00e7as regulares russas s\u00f3 foi mobilizado contra os principais alvos ucranianos (MASUHR, 2019, p.2).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais a ajuda externa em termos econ\u00f4micos e de equipamentos militares tem mantido a Ucr\u00e2nia viva e respirando enquanto resiste as investidas russas. Quando a invas\u00e3o iniciou n\u00e3o parecia t\u00e3o claro os objetivos da R\u00fassia, mas as manobras para tentar tomar Kiev, que n\u00e3o se concretizaram e resultaram no recuo das for\u00e7as russas deixou claro que o real objetivo se concentraria no Sul e na regi\u00e3o do Donbas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a R\u00fassia, que historicamente sofreu invas\u00f5es, a possibilidade de perder o controle sobre os antigos pa\u00edses parceiros os fizeram crer que isso representaria um caos, da\u00ed a import\u00e2ncia da CSTO.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a silenciada resposta militar ocidental at\u00e9 agora pode ter incentivado a R\u00fassia a tentar o apoio da CSTO. Ainda n\u00e3o se sabe se os estados membros podem ser convencidos ou coagidos pela R\u00fassia a intervir na Ucr\u00e2nia. Com a negativa de alguns entre eles o Cazaquist\u00e3o, \u00e9 muito prov\u00e1vel que o presidente Putin n\u00e3o consiga de fato convergir todos os membros da organiza\u00e7\u00e3o a tomar parte na interven\u00e7\u00e3o caso seja necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe tamb\u00e9m deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o, a agress\u00e3o a Ucr\u00e2nia acabou atraindo outros pa\u00edses do entorno da R\u00fassia para dentro OTAN robustecendo da alian\u00e7a. e legitimando a sua exist\u00eancia&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o pragmatismo do presidente Vladimir Putin n\u00e3o se justifique, ou a lembran\u00e7a do que a velha Czarina falou sobre pol\u00edtica seja recorrente agora, por outro lado a resist\u00eancia militar ucraniana \u00e9 forte o suficiente para negar aos russos uma vit\u00f3ria t\u00e3o f\u00e1cil, provavelmente nesse tempo os aliados russos da CSTO tamb\u00e9m se manifestar\u00e3o.&nbsp;Resta a comunidade internacional aguardar os desdobramentos do conflito e as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALMEIDA, Paulo Roberto de. OTAN e o fim da Guerra Fria.&nbsp;<em>Revista Espa\u00e7o acad\u00eamico<\/em>. Ano I, n\u00ba 09 de fevereiro 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>BHADRAKUMAR, M.K. \u201cCSTO won\u2019t be drawn into Ukraine war\u201d 2022.&nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/peoplesdispatch.org\/2022\/05\/24\/csto-wont-be-drawn-into-ukraine-war\/\">https:\/\/peoplesdispatch.org\/2022\/05\/24\/csto-wont-be-drawn-into-ukraine-war\/<\/a>&nbsp;Acesso em: 12 jun 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>BORDYUZHA, Nikolai,&nbsp;2014,&nbsp;<a href=\"https:\/\/tass.com\/world\/729025\">https:\/\/tass.com\/world\/729025<\/a>&nbsp;, Acesso em: 25 jan. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>BOWEN, Andrew S. Congressional Research Service (CRS). 2022.&nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/crsreports.congress.gov\/product\/pdf\/IF\/IF11862\">https:\/\/crsreports.congress.gov\/product\/pdf\/IF\/IF11862<\/a>&nbsp;Acesso em: 12 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>DUGAL, Hanna. \u201cMilitary capabilities of Russia and Ukraine.\u201d, 2022,&nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2022\/1\/25\/infographic-military-capabilities-of-russia-and-ukraine-interactive\">https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2022\/1\/25\/infographic-military-capabilities-of-russia-and-ukraine-interactive<\/a>, Acesso em: 27 jan. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>GALEOTTI,&nbsp;Mark.&nbsp;<em>Armies of Russia\u2019s War in Ukraine<\/em>.<strong>&nbsp;<\/strong>Oxford &amp; New York, NY: Osprey Publishing, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>IVANOVICH, Bobyshev Valery,&nbsp;2010,&nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20101124223014\/http:\/ru.forsecurity.org\/\">https:\/\/web.archive.org\/web\/20101124223014\/http:\/\/ru.forsecurity.org\/<\/a>, Acesso em 23 jan. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>KUZIO, Taras.&nbsp;Putin\u2019s&nbsp;<em>War against Ukraine Revolution, Nationalism, and Crime<\/em>. Toronto: Create Space Independent Publishing Platform, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>JONES, Seth G.; WASIELEWSKI, Philip G. \u201cRussia\u2019s Possible Invasion of Ukraine\u201d In:&nbsp;<em>Center for Strategic and International Studies CSIS<\/em>, 2022. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.csis.org\/analysis\/russias-possible-invasion-ukraine\">https:\/\/www.csis.org\/analysis\/russias-possible-invasion-ukraine<\/a>&nbsp;Acesso em: 27 jan. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>MENKISZAK, Marek. \u201cRussian policy towards NATO in a broader European security contexto\u201d In: MCDERMOTT, Roger N.; NYGREN, Bertil; PALLIN, Carolina Vendil.&nbsp;<em>The Russian Armed Forces in Transition Economic, geopolitical and institutional uncertainties<\/em>, New York: Routledge, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>MASUHR, Niklas. La guerre en Ukraine et la strat\u00e9gie militaire occidentale.&nbsp;<em>Politique de s\u00e9curit\u00e9: analyses du CSS<\/em>. No 242, Avril 2019, Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3929\/ethz-b-000335677\">https:\/\/doi.org\/10.3929\/ethz-b-000335677<\/a>&nbsp;Acesso em: 11 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>RAMANI, Samuel. \u201cWhy Serbia is Strengthening its Alliance with Russia\u201d 2016. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.huffpost.com\/entry\/why-russia-is-tightening-_b_9218306\">Why Serbia is Strengthening its Alliance with Russia | HuffPost null<\/a>&nbsp;.&nbsp;Acesso em: 28 jan. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>RUEHL,&nbsp;John P. \u201cWhat would a CSTO intervention in Ukraine look like?\u201d&nbsp;2022.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/asiatimes.com\/2022\/03\/what-would-a-csto-intervention-in-ukraine-look-like\/\">https:\/\/asiatimes.com\/2022\/03\/what-would-a-csto-intervention-in-ukraine-look-like\/<\/a>&nbsp;Acesso em: 12 jun 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>WOOD, Elizabeth A.; POMERANZ, William E.; MERRY, E. Wayne; TRUDOLYUBOV, Maxim.&nbsp;<em>Roots of Russia\u2019s War in Ukraine<\/em>, Washington, D.C.: Woodrow Wilson, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>WORLD AIR FORCES, 2022, Ukraine: Ukraine Air Force. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.flightglobal.com\/reports\/world-air-forces-directory-2022\/146695.article\">https:\/\/www.flightglobal.com\/reports\/world-air-forces-directory-2022\/146695.article<\/a>&nbsp;Acesso em: 12 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Johny Santana de Ara\u00fajo<\/strong> possui gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Bacharelado (2001) e gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Licenciatura Plena (2003) ambas pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o &#8211; UFMA, Mestrado em Hist\u00f3ria do Brasil pela Universidade Federal do Piau\u00ed &#8211; UFPI (2005), Doutorado em Hist\u00f3ria Social pela Universidade Federal Fluminense &#8211; UFF (2009), P\u00f3s doutorado em Hist\u00f3ria pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo &#8211; PUC-SP. \u00c9 Professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Piau\u00ed, \u00e9 Membro do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria do Brasil e do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, ambos da mesma Universidade. \u00c9 S\u00f3cio Honor\u00e1rio do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro &#8211; IHGB. \u00c9 Miembro Correspondiente del Instituto de Investigaciones Hist\u00f3ricas e Culturales de Corrientes, Argentina. Desenvolve pesquisas com \u00eanfase em Hist\u00f3ria do Brasil. Atuando principalmente nos seguintes temas: Forma\u00e7\u00e3o do Estado Na\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria Militar, For\u00e7as Armadas do s\u00e9culo XIX ao XXI, Hist\u00f3ria Pol\u00edtica e Hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Rela\u00e7\u00f5es Sociais, Politicas e Econ\u00f4micas no Piau\u00ed do s\u00e9culo XIX, Escravid\u00e3o no Brasil do s\u00e9culo XIX, Imprensa no Brasil do s\u00e9culo XIX. . \u00c9 l\u00edder do Grupo de Pesquisa: N\u00facleo de Hist\u00f3ria, Memoria, Sociedade e Politica e do N\u00facleo de Estudo e Pesquisa em Hist\u00f3ria do Piau\u00ed Oitocentista, ambos cadastrados junto ao CNPq. \u00c9 tutor do Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutorial\/PET, do Curso de Licenciatura em Hist\u00f3ria\/UFPI.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como citar esse artigo:<\/p><p>ARA\u00daJO, Johny Santana de. A R\u00fassia e a CSTO: entre temores e alian\u00e7as contra as amea\u00e7as perenes, o caso do conflito na Ucr\u00e2nia, <em>Di\u00e1logos Internacionais, vol.9, n.91, jun.2022. Dispon\u00edvel em:<\/em> <a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2700\">https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2700<\/a><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 9 | N\u00famero 91 | Jun. 2022 Por Johny Santana de Ara\u00fajo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1878,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,660],"tags":[663,190,662],"class_list":["post-2700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume9","tag-csto","tag-russia","tag-ucrania"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2700"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2734,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2700\/revisions\/2734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}