{"id":2706,"date":"2022-06-27T10:49:08","date_gmt":"2022-06-27T13:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2706"},"modified":"2024-04-09T19:02:02","modified_gmt":"2024-04-09T22:02:02","slug":"o-rock-no-contexto-da-guerra-fria-uma-ponte-entre-dois-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2706","title":{"rendered":"O Rock no contexto da Guerra Fria: Uma ponte entre dois mundos"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 9 | N\u00famero 91 | Jun. 2022<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2707\" width=\"650\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-300x169.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-768x432.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock-800x450.jpg 800w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/rock.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><figcaption>Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Maria Vit\u00f3ria Elicher Alentejano<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo buscou entender o papel do g\u00eanero musical Rock \u00b4n\u00b4 Roll no contexto da Guerra Fria, nas d\u00e9cadas de 1960 e 1980. A perspectiva em voga entende este estilo musical enquanto movimento cultural e pol\u00edtico, a partir do conceito de Revolu\u00e7\u00e3o Cultural, de Eric Hobsbawm. O objetivo foi analisar o rock enquanto elemento de contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-cultural, desestabilizador dos governos e da coes\u00e3o interna buscada, analogamente, pelos dois lados na Guerra Fria. Entendeu-se que o rock n\u00e3o esteve alheio \u00e0s din\u00e2micas pol\u00edticas da \u00e9poca e que se tornou um elemento aprofundador de instabilidades internas aos dois lados da disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica da Guerra Fria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O uso do termo \u201cCortina de Ferro\u201d por Winston Churchill ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) anunciou o advento de uma nova configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica que definiria o sistema internacional nos pr\u00f3ximos 45 anos: a Guerra Fria. Esta foi caracterizada pela oposi\u00e7\u00e3o entre socialismo e capitalismo, representados, respectivamente, pela Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) e pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), as duas grandes pot\u00eancias vencedoras da Segunda Guerra. Este processo n\u00e3o se restringiu \u00e0 disputas de&nbsp;<em>hard power<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, mas pelo contr\u00e1rio, tamb\u00e9m influenciou e foi influenciado por profundas transforma\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter cultural, social, pessoal e geracional.<\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da relev\u00e2ncia desses elementos para o que foi a Guerra Fria, levou o historiador Eric Hobsbawm a afirmar que \u201c[&#8230;] o que realmente transformou o mundo foi a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural da d\u00e9cada de 60\u201d (HOBSBAWM, 2002, p. 290). Segundo ele a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural foi um processo de profunda transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre os g\u00eaneros e entre gera\u00e7\u00f5es com impactos socioculturais profundos. Focaremos aqui na crise geracional que se dava em raz\u00e3o do advento de uma cultura jovem forte e aut\u00eantica que se tornou um agente social independente (HOBSBAWM, 1995, p. 137), dotada tamb\u00e9m de um potente car\u00e1ter internacionalista. Esta juventude protagonizou os mais diversos movimentos pol\u00edticos da segunda metade do s\u00e9culo (FRIDMAN, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, na estrutura interna de cada um dos \u2018mundos\u2019 deste per\u00edodo (capitalismo e socialismo), buscava-se construir uma estabilidade que garantisse sua legitimidade enquanto modelo. Logo, era primordial zelar pela manuten\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas culturais, pol\u00edticas e morais pr\u00f3prias, tradicionais e constitutivas daquelas identidades. Nos EUA imperavam os valores e preceitos do livre mercado capitalista, e das tradi\u00e7\u00f5es jud\u00e1ico-crist\u00e3s. Na URSS, a manuten\u00e7\u00e3o da coletiviza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, da centraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e do ate\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p>No bojo da Guerra Fria, houve o advento de um novo tipo de juventude e de movimentos pol\u00edtico-culturais internacionais. Um fator de destaque foi a ascens\u00e3o do Rock \u00b4n\u00b4 Roll, estilo musical estadunidense, derivado da mistura do jazz com o rhythm-blues, o gospel e o country (FRIDMAN, 2021). Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980 o rock alcan\u00e7ou o mundo, ganhando novas vers\u00f5es, influenciando movimentos pol\u00edticos e, sobretudo, sendo, ao mesmo tempo, cria\u00e7\u00e3o e criador da nova juventude que emergia (HOBSBAWM, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, a partir do entendimento de que &#8220;o rock n\u00e3o restou \u00e0 margem do que acontecia em outras esferas da sociedade&#8221; (FRIDMAN, 2021, p. 316), este artigo buscar\u00e1 analisar como as duas pot\u00eancias (EUA e URSS) lidaram com o rock em seus territ\u00f3rios, considerando converg\u00eancias e diverg\u00eancias, e ademais, analisar o rock como elemento de contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-cultural, sendo entendido como desestabilizador dos governos e da coes\u00e3o interna buscada, analogamente, pelos dois lados na Guerra Fria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese deste trabalho se organiza a partir de dois eixos: (a) o rock teve o papel de contestador dos<em>establishments<\/em>&nbsp;(socialista e capitalista) devido aos s\u00edmbolos sociais e pol\u00edticos que construiu, ao mesmo tempo em que (b), como g\u00eanero musical e express\u00e3o cultural desempenhou papel de elo conector entre as duas realidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ROCK GANHA O MUNDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1950 surgia nos EUA um novo ritmo musical que mudaria o mundo. As letras embaladas por ritmos dan\u00e7antes e animados, heran\u00e7as da m\u00fasica africana, em sua origem expressavam a dor e a luta da popula\u00e7\u00e3o negra dos EUA contra a escravid\u00e3o, a segrega\u00e7\u00e3o e o preconceito, ao mesmo tempo em que celebravam a f\u00e9 e a import\u00e2ncia da comunidade e das origens. Na d\u00e9cada de 50, as obras de pioneiros do rock como Muddy Waters, Chuck Berry e Little Richard come\u00e7aram a ser eternizadas pelos est\u00fadios das gravadoras negras americanas: Motown, Sun, Stax e Chess Records. Aos poucos, ultrapassaram as fronteiras da segrega\u00e7\u00e3o racial ganhando as lojas de discos de cidades como Chicago e Nova York, sob o nome de \u201cblack music\u201d, sem, entretanto, deixar de ser alvo constante de preconceitos e apropria\u00e7\u00f5es (FRIDMAN, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1953, surgia na cena musical um jovem cantor branco nascido no sul dos EUA: Elvis Presley. \u201c<em>Elvis, the Pelvis<\/em>\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;como era chamado em homenagem a seus movimentos de dan\u00e7a, foi o grande respons\u00e1vel por popularizar o rock entre os brancos o que, nas palavras do produtor Quincy Jones, significou \u201c<em>The emotional revolution of young white america\u201d<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn3\"><em><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o \u201cembranquecimento\u201d da m\u00fasica e a populariza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do r\u00e1dio, da televis\u00e3o e da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica estadunidense que, ao mesmo tempo, se internacionalizava, o Rock rapidamente ganhou a juventude de todo o mundo. Nos anos 1960, de 70% a 80% da produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica era vendida a jovens de 14 a 25 anos, predominantemente LPs de rock (HOBSBAWM, 1995, p. 317\/318). Este, portanto, se tornou tamb\u00e9m um fen\u00f4meno comercial, al\u00e9m de sociocultural (GEBHARDT, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>O rock adquiriu novas dimens\u00f5es transformadoras quando alcan\u00e7ou a juventude europeia. Sua populariza\u00e7\u00e3o, principalmente na Gr\u00e3-Bretanha, deu origem ao fen\u00f4meno que ficou conhecido como \u201cinvas\u00e3o brit\u00e2nica\u201d. Este designa o momento em que bandas como The Beatles e Rolling Stones se apropriaram do rock, do blues e do country estadunidense, misturando as mais diversas influ\u00eancias para criar algumas das m\u00fasicas mais emblem\u00e1ticas da hist\u00f3ria como&nbsp;<em>Yesterday,<\/em>&nbsp;dos Beatles e&nbsp;<em>Satisfaction,<\/em>&nbsp;dos Stones. Na Europa, as letras exaltavam o esp\u00edrito de uma juventude euf\u00f3rica que buscava viver vidas mais felizes que as de seus pais, marcados por todos os traumas das d\u00e9cadas anteriores, como a Grande Depress\u00e3o e da Segunda Guerra Mundial (FRIDMAN, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante mencionar que o rock enquanto nicho comercial s\u00f3 floresceu devido a caracter\u00edsticas que marcaram a juventude que surgia (GEBHARDT, 2013). Os Anos Dourados do capitalismo, permitiram pela primeira vez que, nas fam\u00edlias pertencentes \u00e0 emergente classe m\u00e9dia, os pais destinassem aos filhos um excedente da renda familiar (HOBSBAWM, 1995). Assim, \u201cvestidos de autonomia e independ\u00eancia das gera\u00e7\u00f5es passadas\u201d (Hobsbawm, 1995), esta nova juventude se tornou um grupo consumidor particular.<\/p>\n\n\n\n<p>As ind\u00fastrias da moda e fonogr\u00e1fica, por sua vez, souberam explorar gostos, desejos e sentimentos que mobilizavam tal juventude (HOBSBAWM, 1995). Os \u201cideais t\u00edpicos\u201d e os s\u00edmbolos pr\u00f3prios do rock foram tamb\u00e9m explorados comercialmente. O uso do&nbsp;<em>blue jeans,&nbsp;<\/em>os novos cortes de cabelo e fumar cigarro&nbsp;<em>Marlboro&nbsp;<\/em>s\u00e3o alguns dos elementos que se tornaram s\u00edmbolos materiais de pertencimento ao universo do rock. Assim, o rock tamb\u00e9m se tornou aos poucos uma mercadoria do capital, vide a rela\u00e7\u00e3o natural entre cultura e consumo de massa que \u00e9 estrutural da chamada sociedade p\u00f3s-industrial ou sociedade de consumo (JAMESON, 1981).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a partir dos anos 1960, devido \u00e0 simbiose entre o rock e os movimentos de insurg\u00eancia da d\u00e9cada (FRIDMAN, 2021), o conte\u00fado pol\u00edtico se torna parte essencial das letras das can\u00e7\u00f5es. Soma-se \u00e0s j\u00e1 presentes refer\u00eancias \u00e0 liberdade sexual e a outros tipos de irrever\u00eancia juvenil, e assim consagra seu car\u00e1ter&nbsp;<em>underground<\/em>&nbsp;e rebelde, refor\u00e7ando-se enquanto movimento sociocultural revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a nova cultura jovem, contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o rock tamb\u00e9m existia do outro lado da Cortina de Ferro. Desde o come\u00e7o dos anos 1960, o consumo do rock ocidental&nbsp;<em>mainstream<\/em>&nbsp;alcan\u00e7ou os jovens sovi\u00e9ticos de toda a Europa Oriental por meio de um vasto mercado clandestino. Surgiam ao mesmo tempo na Alemanha Ocidental a \u201cNeue Deutsche Welle\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;(Nova Onda Alem\u00e3), na Pol\u00f4nia, o jazz-rock polon\u00eas, na Hungria o rock sinf\u00f4nico h\u00fangaro e na Tchecoslov\u00e1quia um tipo de rock com acentos eslavos e forte influ\u00eancia do free jazz (COSTA, 2010). Neste \u00faltimo, um importante acontecimento pol\u00edtico, a Revolu\u00e7\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia (1989), teve forte influ\u00eancia da banda de rock tcheca &#8220;Plastic People of the Universe\u201d como demonstra Costa (2010).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ROCK COMO ELEMENTO POL\u00cdTICO-CULTURAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Hobsbawm (1995), apesar da ret\u00f3rica de disputa por supremacia ou aniquila\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica do per\u00edodo da Guerra Fria, o confronto direto entre as duas superpot\u00eancias era descartado pelo c\u00e1lculo de que a coexist\u00eancia pac\u00edfica era a melhor estrat\u00e9gia a longo prazo, principalmente a partir da emerg\u00eancia da MAD<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;(<em>Mutually Assured Destruction)&nbsp;<\/em>que perdurou at\u00e9 os anos 1980. Para o autor, o \u00e2mbito da Guerra Fria onde a luta pela supera\u00e7\u00e3o do outro realmente teria se dado, n\u00e3o teria sido dentro das decis\u00f5es oficiais dos governos, mas sim nos servi\u00e7os secretos (HOBSBAWM, 1995), e nas disputas pol\u00edtico-culturais sutis e disfar\u00e7adas, internamente ou nas \u00e1reas sob disputa ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o aqui em voga busca mostrar que o rock foi crucial neste contexto, \u00e0 medida que foi uma &#8220;(&#8230;) arte que expressou mais que revoltas juvenis ou identidades associadas a inquieta\u00e7\u00f5es adolescentes.&#8221; (FRIDMAN, 2021, p. 316). J\u00e1 a m\u00fasica enquanto elemento sociocultural, possui elementos psicol\u00f3gicos e simb\u00f3licos relevantes para a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de grupos e lugares na medida em que se caracteriza como uma importante express\u00e3o da sociedade (CARNEY, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Fridman (2021), lembra que muitos consideram o rock individualista, hedonista e descolado de projetos e propostas pol\u00edticas concretas. De fato, n\u00e3o \u00e9 equivocado dizer que o g\u00eanero possui um aspecto individual, ao tratar do prazer e da felicidade, principalmente considerando m\u00fasicas de d\u00e9cadas como as de 1950 e 1990. Por\u00e9m, \u00e9 mister considerar que o rock tamb\u00e9m tem uma dimens\u00e3o de expans\u00e3o do individual para o coletivo (GIDDENS, 2002). Um dos slogans de maio de 1968, &#8220;<em>O pessoal \u00e9 pol\u00edtico<\/em>\u201d, expressa com exatid\u00e3o este pensamento. Assim sendo, \u00e9 poss\u00edvel argumentar que confrontos intelectuais e morais e as ang\u00fastias individuais foram combust\u00edvel para alterar os cen\u00e1rios sociais, principalmente em 1960 (HOBSBAWM, 1995).&nbsp;A letra da can\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Imagine<\/em>&nbsp;de John Lennon tamb\u00e9m \u00e9 emblem\u00e1tica neste sentido: \u201c<em>You may say I&#8217;m a dreamer\/But I&#8217;m not the only one\/I hope someday you&#8217;ll join us\/And the world will be as one<\/em>\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta perspectiva, principalmente por meio da juventude, este estilo musical foi instrumento essencial para a contesta\u00e7\u00e3o dos efeitos do&nbsp;<em>establishment<\/em>&nbsp;gerontocr\u00e1tico (\u201cgoverno de velhos\u201d) em ambos os mundos do p\u00f3s-guerra (HOBSBAWM, 1995). \u00c9 poss\u00edvel mencionar rapidamente o movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, os movimentos Pacifistas em todo o mundo, as Primaveras de 1968 e o movimento&nbsp;<em>hippie<\/em>&nbsp;na d\u00e9cada 1960, todos sob forte influ\u00eancia do rock e de seus protagonistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que este configurou um elo entre ang\u00fastias individuais e coletivas, das juventudes dos dois lados da \u2018Cortina de Ferro\u2019. Fosse nos EUA, na Europa Ocidental, na URSS ou nas periferias do sistema, cada regi\u00e3o com suas contradi\u00e7\u00f5es e disputas pol\u00edticas espec\u00edficas. Ademais, em toda parte onde o rock encontrou oposi\u00e7\u00e3o das autoridades, acabou adquirindo um tipo diferente de valor e significado para aqueles cidad\u00e3os (CARNEY, 2007), conforme discutiremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ROCK NO MUNDO SOVI\u00c9TICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O rock esteve efervescente na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, principalmente, na cena&nbsp;<em>underground<\/em>&nbsp;e nas universidades (COSTA, 2010). Para grande parte da juventude da URSS, a liberdade cantada pelas letras de rock refor\u00e7ava a aus\u00eancia de sua pr\u00f3pria liberdade. Compartilhavam dos mesmos sentimentos de rebeli\u00e3o, insatisfa\u00e7\u00e3o e descontentamento com as regras e limitantes sociais que os jovens do ocidente. Neste sentido, Gilmore (1960), expressa de maneira simples:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nos anos 1960, enquanto os f\u00e3s se esbaldavam com o rock, partilhavam uma experi\u00eancia est\u00e9tica que os transportava para outro terreno, em que \u201c[&#8230;] a m\u00fasica era uma for\u00e7a unificadora [&#8230;] ela tinha um peso pol\u00edtico porque havia demarcado um idioma popular, encarnava o debate nacional e tinha o poder de convencer. (GILMORE, 2010, apud FRIDMAN, 2021, p. 329)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Costa (2010) ressalta que o interc\u00e2mbio entre jovens ocidentais e sovi\u00e9ticos foi essencial para a explos\u00e3o do rock na URSS. O ativista e poeta Beatnik Allen Ginsberg, o l\u00edder da&nbsp;<em>Students for a Democratic Society<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;de Chicago, Tom Hayden, e o m\u00fasico canadense Paul Wilson, por exemplo, visitaram pa\u00edses da esfera de influ\u00eancia sovi\u00e9tica na d\u00e9cada de 1960 onde inspiraram a juventude e influenciaram a expans\u00e3o da cena<em>&nbsp;underground<\/em>. Centenas de conjuntos de beat, pop, rock, folk e country, surgiram nos sub\u00farbios prolet\u00e1rios de Praga e em aldeias rurais, influenciados por bandas como The Beatles, The Doors e Velvet Underground (COSTA, 2010). A Primavera de Praga (1968) foi em grande parte produto desta efervesc\u00eancia cultural que, depois do per\u00edodo reformista sob a lideran\u00e7a de Alexander Dubcek, foi reprimida violentamente por Moscou, \u201ccom a invas\u00e3o dos tanques sovi\u00e9ticos contra os cabelos compridos e o rock\u2018n roll\u201d (COSTA, 2010, p. 01).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9&nbsp;importante ressaltar que a contesta\u00e7\u00e3o por meio do rock dentro da URSS n\u00e3o era o equivalente a anticomunismo ou anti-socialismo. Pelo contr\u00e1rio, muitos artistas sovi\u00e9ticos eram convictos do socialismo e fizeram parte de movimentos que buscavam transformar aquilo que havia se tornado o socialismo da URSS, tais como Alexander Dubcek e o fil\u00f3sofo Egon Bondy. Ademais, nos movimentos de 1968, dos quais a Primavera de Praga foi um dos mais fortes, as propostas se voltavam de modo geral contra totalitarismos, pr\u00e1ticos e simb\u00f3licos, onde se questionava, inclusive, a esquerda tradicional e suas r\u00edgidas hierarquias, o amortecimento de suas aspira\u00e7\u00f5es, as no\u00e7\u00f5es consagradas de representa\u00e7\u00e3o e a incapacidade de transformar a vida imediata das pessoas (FRIDMAN, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Havia na URSS um entendimento de que as can\u00e7\u00f5es faziam apologia ao individualismo, \u00e0 promiscuidade e \u00e0s drogas. De fato, o rock n\u00e3o deixa de ser algo que exacerba a experi\u00eancia individual, a felicidade, os prazeres, a consci\u00eancia e um \u201cutopismo individual da liberdade do ser e da mente\u201d (FRIDMAN, 2010). Por\u00e9m, tais elementos s\u00e3o sempre conjugados com uma contesta\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter social: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver verdadeira liberdade do ser sem mudan\u00e7a social e cultural mediante a transgress\u00e3o de padr\u00f5es estabelecidos da ordem vigente. Desta forma, entre os anos 1950 e 1970, o rock era expressamente proibido na URSS, apesar das liberaliza\u00e7\u00f5es da era do \u201cDegelo de Kruschev\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, pela conjuga\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter comercial e de inspirador de contesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, o rock sofreu persegui\u00e7\u00e3o na URSS. Can\u00e7\u00f5es eram censuradas e artistas perseguidos e o estilo era proibido nas r\u00e1dios oficiais, al\u00e9m de ser banido de casas de show e de dan\u00e7a, onde era trilha sonora para dan\u00e7as como o boogie woogie e o twist. A Cl\u00e4rchens Ballhaus, casa de dan\u00e7a mais famosa de Berlim Oriental \u00e0 \u00e9poca, por exemplo, tocava rock clandestinamente (Deutsche Welle, 2019). Cantores e bandas eram vigiadas por organiza\u00e7\u00f5es estatais, pela KGB (a pol\u00edcia secreta sovi\u00e9tica) e por gravadoras oficiais. Os LPs dos Beatles, dos Stones, de Ella Fitzgerald, de Elvis, dos Beach Boys e de diversos outros artistas eram proibidos de serem vendidos e os instrumentos musicais, em sua maioria eram doados pelos governos (COSTA, 2010), restringindo a autonomia das bandas sovi\u00e9ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos tamb\u00e9m foram sendo desenvolvidas estrat\u00e9gias de controle via adapta\u00e7\u00e3o do estilo para os moldes aceitos pelo governo. Por exemplo, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3, t\u00e3o pr\u00f3xima do enclave capitalista ultra-moderno de Berlim Ocidental e de outras cidades como Hamburgo e Leipzig<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>, uma pol\u00edtica de Estado come\u00e7ou em um esfor\u00e7o para desenvolver estrelas musicais equivalentes \u00e0s da Rep\u00fablica Federal Alem\u00e3, fomentando o crescente movimento que ficou conhecido como Ostrock (rock do leste). O Ostrock era predominantemente mais conservador, entretanto, a cena&nbsp;<em>underground<\/em>&nbsp;n\u00e3o deixou de existir dentro do movimento. O estilo, at\u00e9 certo ponto, era aceito nos&nbsp;<em>Festivais da Juventude<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn10\"><sup><strong><sup>[10]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>&nbsp;<\/em>e os governos incentivam os artistas a n\u00e3o cantarem em ingl\u00eas, e sim na l\u00edngua de seus pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessas medidas, a m\u00fasica ocidental conseguia chegar via mercados clandestinos<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>, interc\u00e2mbios entre estudantes e artistas e, dependendo da efic\u00e1cia das interfer\u00eancias, atrav\u00e9s da capta\u00e7\u00e3o de sinais de r\u00e1dios ocidentais como a R\u00e1dio Liberty, a BBC e a Voice of America. Na segunda metade dos anos 80, com o come\u00e7o da abertura sovi\u00e9tica por meio da&nbsp;<em>Perestroika<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn12\"><sup><strong><sup>[12]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>&nbsp;e da<em>&nbsp;Glasnost<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn13\"><sup><strong><sup>[13]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>,&nbsp;<\/em>LPs passaram a ser lan\u00e7ados, artistas ocidentais foram chamados para shows e a repress\u00e3o diminuiu.<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ROCK NO MUNDO CAPITALISTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De maneira an\u00e1loga, no mundo ocidental, mesmo sendo cantado e tocado por jovens brancos, o rock ainda era estigmatizado e alvo de persegui\u00e7\u00f5es. O estilo era considerado sin\u00f4nimo de &#8220;obscenidade e vulgaridade&#8221; e de desobedi\u00eancia \u00e0s hierarquias e valores tradicionais da fam\u00edlia. At\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970, o g\u00eanero era recha\u00e7ado pelos mais velhos e foi pe\u00e7a chave para alargar o abismo entre as gera\u00e7\u00f5es que caracterizou a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural da d\u00e9cada de 1960 (HOBSBAWM, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns elementos que foram mobilizados neste quesito foram o preconceito racial contra a popula\u00e7\u00e3o negra e social contra os mais pobres. Ainda, conven\u00e7\u00f5es e proibi\u00e7\u00f5es expressas sobre comportamento corporal, como \u00e9 emblem\u00e1tica a quest\u00e3o sexual, al\u00e9m da chamada \u201conda do medo vermelho\u201d, que caracterizou a pol\u00edtica de propaganda anticomunista durante a primeira parte da Guerra Fria.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, conforme aponta Fridman (2021), diversas for\u00e7as conservadoras se uniam para se opor \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-art\u00edsticas do rock. Cl\u00e9rigos, psiquiatras e pol\u00edticos buscaram o banimento do novo estilo denunciando-o enquanto incitador de delinqu\u00eancia juvenil, viol\u00eancia, do uso de drogas e de sexo. Discos foram queimados por DJs contra a &#8216;degenera\u00e7\u00e3o&#8217; da m\u00fasica estadunidense. As for\u00e7as policiais eram mobilizadas contra f\u00e3s, clubes, casas de show, festivais e artistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de que os jovens de classes m\u00e9dia e alta, pela primeira vez, come\u00e7aram a aceitar e at\u00e9 a se apropriar da m\u00fasica, da linguagem falada e corporal, da dan\u00e7a e da moda das classes baixas urbanas tamb\u00e9m foi fator que mobilizou preconceitos hist\u00f3ricos das sociedades ocidentais (HOBSBAWM, 1995). Nos EUA, ber\u00e7o original do rock, este componente era muito presente. As classes baixas das grandes cidades deram em grande parte compostas por negros descendente das pessoas escravizadas apenas um s\u00e9culo antes, e eram ainda v\u00edtimas da segrega\u00e7\u00e3o racial formal que persistiu nos EUA at\u00e9 os anos 1964 e 1965, quando foram revogadas as Leis Jim Crow e promulgadas a Lei dos Direitos Civis e a Lei do Direito de Voto.<\/p>\n\n\n\n<p>O rock tamb\u00e9m estava ligado \u00e0 crescente busca pela liberta\u00e7\u00e3o corporal e sexual. O slogan de maio de 1968, \u201c<em>Quanto mais eu fa\u00e7o amor, mais tenho vontade de fazer a revolu\u00e7\u00e3o, quanto mais fa\u00e7o a revolu\u00e7\u00e3o, mais tenho vontade de fazer amo<\/em>r\u201d, \u00e9 lembrado por Eric Hobsbawm (1995), para expressar a liga\u00e7\u00e3o destes elementos com os movimentos de insurg\u00eancia da \u00e9poca. Segundo o autor, o poder das lutas envoltas em<em>&nbsp;sexo, drogas e rock n\u2019 roll<\/em>&nbsp;eram \u201cas maneiras mais \u00f3bvias de despeda\u00e7ar as cadeias do Estado, dos pais e do poder dos vizinhos, da lei e da conven\u00e7\u00e3o\u201d (HOBSBAWM, 1995, p. 326).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos de contesta\u00e7\u00e3o das guerras imperialistas por procura\u00e7\u00e3o dos anos da Guerra Fria tamb\u00e9m tiveram grande rela\u00e7\u00e3o com o mundo do rock. Em 1960, esses movimentos se encontravam em com\u00edcios, shows, festivais de m\u00fasica, marchas anti-guerra, protestos, entre outras manifesta\u00e7\u00f5es. Estes contavam com o apoio, participa\u00e7\u00e3o e contribui\u00e7\u00e3o de diversos astros do rock como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bob Dylan, Eric Clapton e George Harrison. Muitos protestos e manifesta\u00e7\u00f5es eram respondidos com extrema viol\u00eancia policial. O caso da repress\u00e3o aos protestos contra a Conven\u00e7\u00e3o Nacional Democrata no ver\u00e3o de 1968, em Chicago, que resultou na pris\u00e3o e no espancamento de centenas de manifestantes, foi emblem\u00e1tico desta pr\u00e1tica do Estado norte-americano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a URSS combatia o rock por consider\u00e1-lo individualista e consumista, paradoxalmente, no Ocidente ele era atacado pela propaganda anticomunista. Exemplo emblem\u00e1tico foi o panfleto \u201c<em>Communism, hypnotism, and The Beatles<\/em>\u201d lan\u00e7ado em 1965, pelo pastor evang\u00e9lico David A. Noebel. O pastor defendia que o rock havia sido uma inven\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica para produzir uma lavagem cerebral nos adolescentes (JACKSON, 2016 apud FRIDMAN, 2021, p. 327). Outro pastor evang\u00e9lico, Jack Van Impe declarava: \u201cA m\u00fasica que eles (sovi\u00e9ticos) planejam usar para demolir a moral dos Estados Unidos \u00e9 esse lixo p\u00fatrido, obsceno, imundo, lascivo e devasso que se chama rock \u2018n\u2019 roll [&#8230;]\u201d (MITCHELL, 2015, apud FRIDMAN, 2021, p. 328).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lido reafirmar que, no mundo capitalista, o rock foi inserido nos movimentos de cultura pop atrav\u00e9s de meios privados (GEBHARDT, 2013), pela grande m\u00eddia e pelos produtores de bens de consumo. Na&nbsp;&nbsp;segunda metade do s\u00e9culo XX passou fortemente a fazer parte do entretenimento de massa e alguns de seus s\u00edmbolos se tornaram mercadorias para a nova juventude. A absor\u00e7\u00e3o do rock pela m\u00e1quina capitalista tamb\u00e9m servia para tentar tirar deste seu car\u00e1ter de rebeldia e contesta\u00e7\u00e3o (FRIDMAN, 2021). Um importante exemplo disto era o h\u00e1bito de filmar Elvis Presley apenas da cintura para cima em programas de televis\u00e3o, evitando mostrar os movimentos de dan\u00e7a que este fazia com a cintura e a regi\u00e3o da p\u00e9lvis, considerados obscenos pelos grupos conservadores e tradicionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gebhardt (2013) ainda aponta para o fato de que raramente o rock \u00b4n\u00b4 roll foi usado de maneira formal e evidente para instrumentaliza\u00e7\u00e3o de uma diplomacia cultural estadunidense<a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. \u00c9 poss\u00edvel perceber, portanto, que apesar de ter sofrido algum grau de apropria\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria cultural, o rock n\u00e3o perdeu seu car\u00e1ter irreverente e contestador das normas sociais e do&nbsp;<em>establishment&nbsp;<\/em>ocidental, que foi extremamente forte na \u00e9poca em an\u00e1lise neste texto.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O temor ao rock, portanto, esteve associado aos dois lados da Cortina de Ferro da Guerra Fria. Dada a riqueza de elementos que este conseguia mobilizar: ao mesmo tempo representava um utopismo individual da liberdade do ser e da mente e um \u00e2nimo social e cultural de transgress\u00e3o de padr\u00f5es estabelecidos, da ordem vigente e do inconformismo, articulados para construir um mundo melhor. Como afirmou a soci\u00f3loga B\u00e1rbara Ehrenreich o rock encarnou \u201c[&#8230;] o ponto de converg\u00eancia de uma cultura alternativa inteiramente apartada das estruturas dominantes do governo, das corpora\u00e7\u00f5es, da Igreja e da fam\u00edlia\u201d (EHRENREICH, 2010, apud FRIDMAN, 2021, p. 318).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O rock, portanto, foi a trilha sonora intelectual e cultural de uma \u00e9poca, sendo elemento de uni\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o que vivia em um mundo ideologicamente polarizado, aterrorizado pela amea\u00e7a nuclear e calcado em pensamentos, valores e convic\u00e7\u00f5es tradicionais e conservadores. Diante disso, foi o instrumento pelo qual se expressaram muito mais do que apenas desejos individuais de jovens inquietos. Efetivamente trazia ideais e sentimentos de liberdade, rebeldia, f\u00faria, paix\u00e3o e irrever\u00eancia direcionados para a experi\u00eancia coletiva no mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto para os EUA quanto para a URSS, o rock foi um elemento aprofundador de instabilidades e de contesta\u00e7\u00f5es internas ao poder estabelecido, em um momento em que estas pot\u00eancias lutavam pela supremacia no \u00e2mbito externo. Ressaltamos, portanto, com as emblem\u00e1ticas palavras de Pete Townshend, guitarrista, compositor e cantor da banda The Who: &#8220;Os jovens, no entanto, herdeiros do justificado comedimento e da conten\u00e7\u00e3o de tempos t\u00e3o duros, ousaram resgatar [&#8230;] a alegria e a raiva de uma gera\u00e7\u00e3o que lutava pela vida e pela liberdade.\u201d (TOWNSHEND, 2013 apud FRIDMAN, 2021, p. 320). Nessa perspectiva, buscamos mostrar como o rock \u00b4n\u00b4 roll teve um papel fundamental em um momento revolucion\u00e1rio na hist\u00f3ria contempor\u00e2nea mundial. Ao mesmo tempo, foi capaz de promover o resgate de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es perdidas pelas gera\u00e7\u00f5es endurecidas e traumatizadas pelas guerras da primeira metade do s\u00e9culo, e, indo al\u00e9m, logrou inspirar as mentes e a a\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que contribu\u00edram substancialmente para os avan\u00e7os de direitos sociais e pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CARNEY, George O. M\u00fasica e Lugar. In LOBATO, Roberto Corr\u00eaa &amp; ROSENDAHL, Zeny. <em>Literatura, M\u00fasica e Espa\u00e7o<\/em>. Rio de Janeiro, Eduerj, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Mauro Jos\u00e9 S\u00e1 Rego. A Gente Pl\u00e1stica do Universo. Rock\u00b4n roll e Revolu\u00e7\u00e3o na Tchecoslov\u00e1quia. Caxias do Sul\/RS, <em>XXXIII Congresso Brasileiro de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o<\/em>, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>DEUTSCHE WELLE. Como se dan\u00e7ava o \u201crock proibido\u201d em Berlim Oriental. Alemanha, 2019. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/p.dw.com\/p\/3SeSb\">https:\/\/p.dw.com\/p\/3SeSb<\/a>&nbsp;; Acesso&nbsp;em 4 de Junho de 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>FRIDMAN, Luis Carlos. Rock e insurg\u00eancias nos anos 1960. <em>Revista Antropol\u00edtica,<\/em> n. 51, Niter\u00f3i, p. 315-334, 1. quadri., 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>GEBHARDT, Matheus Schneider. <em>O Rock\u2019n\u2019roll como fonte de soft power: an\u00e1lise do papel da m\u00fasica na constru\u00e7\u00e3o do prest\u00edgio externo dos Estados Unidos.<\/em> Porto Alegre, UFRGS, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>GIDDENS, Anthony. <em>Modernidade e identidade.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM, Eric. <em>A Era dos Extremos: O breve s\u00e9culo XX. 1914-1991<\/em>. Editora Companhia das Letras, 2a edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM,&nbsp;&nbsp;Eric&nbsp;&nbsp;J. <em>Tempos&nbsp;&nbsp;interessantes: uma&nbsp;&nbsp;vida&nbsp;&nbsp;no&nbsp;&nbsp;s\u00e9culo&nbsp;&nbsp;XX.&nbsp;<\/em>&nbsp;S\u00e3o&nbsp;&nbsp;Paulo: Companhia das Letras, 2002<\/p>\n\n\n\n<p>JACOB, Leonardo Maur\u00edcio. <em>Rock em l\u00edngua alem\u00e3<\/em>: A Neue Deutsche Welle na Alemanha Ocidental (1979-1985). Londrina, UEL, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>JAMESON, Fredic. P\u00f3s-modernidade e sociedade de consumo. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2918778\/mod_resource\/content\/1\/516_13_base_JAMESON_%20pos%20modernidade%20e%20sociedade%20de%20consumo_novos%20estudos.pdf\">https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/2918778\/mod_resource\/content\/1\/516_13_base_JAMESON_%20pos%20modernidade%20e%20sociedade%20de%20consumo_novos%20estudos.pdf<\/a>; Acesso em 6 de Junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MANRIQUE, Diego. A grande hist\u00f3ria secreta entre o rock e o comunismo. <em>El Pa\u00eds, <\/em>Brasil, 2016. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/04\/01\/cultura\/1459516339_893184.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/04\/01\/cultura\/1459516339_893184.html<\/a>&nbsp;;&nbsp;Acesso&nbsp;em 4 de Junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINELLI, Caio Barbosa. O Jogo Tridimensional: o Hard Power, o Soft Power e a Interdepend\u00eancia Complexa, segundo Joseph Nye. <em>Revista Conjuntura Global<\/em>, vol. 5 n. 1, jan.\/abr., 2016, p. 65-80.<\/p>\n\n\n\n<p>PUBLICATIONS, Genesis (autor).&nbsp;<em>The Beatles &#8211; Antologia.<\/em> Cosac &amp; Naif, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>SOLT, Andrew. Document\u00e1rio \u2018The History of Rock &#8211; Rock \u2018n\u2019 Roll Explodes\u2019.&nbsp;<em>Time Life Video &amp;&nbsp;&nbsp;Television<\/em>, 1995. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U2Ptv_7VqO4\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U2Ptv_7VqO4<\/a>&nbsp;; Acesso em 30 de Maio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Conceito formulado pela primeira vez pelo estadunidense Joseph Nye, pertencente \u00e0 corrente realista das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Designa a capacidade de um corpo pol\u00edtico (geralmente, um Estado) de influenciar ou exercer poder sobre o comportamento de outro, mediante o emprego de recursos militares e econ\u00f4micos. (MARTINELLI, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cElvis, a p\u00e9lvis\u201d (tradu\u00e7\u00e3o da autora).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cA revolu\u00e7\u00e3o emocional da juventude branca estadunidense.\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o da autora). Depoimento do produtor musical Quincy Jones no document\u00e1rio \u2018The History of Rock &#8211; Rock \u2018n\u2019 Roll Explodes\u2019, de dire\u00e7\u00e3o de Andrew Solt.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;A \u201cNeue Deutsche Welle\u201d, em portugu\u00eas \u2018A Nova Onda Alem\u00e3&#8217;, \u00e9 um g\u00eanero musical derivado do&nbsp;<em>punk rock<\/em>&nbsp;e do&nbsp;<em>new wave<\/em>&nbsp;que surgiu na Rep\u00fablica Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) em meados dos anos 1950, a partir do interc\u00e2mbio com artistas estadunidenses e brit\u00e2nicos. (Jacob, 2013)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Em portugu\u00eas, \u201cdestrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua inevit\u00e1vel\u201d era a ideia predominante na Guerra Fria de que, a eventual eclos\u00e3o de um confronto nuclear entre EUA e URSS significaria o fim da vida na terra como a conhecemos (Hobsbawm, 1995, p\u00e1g 224)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cVoc\u00ea pode dizer que eu sou um sonhador\/Mas eu n\u00e3o sou o \u00fanico\/Espero que um dia voc\u00ea se junte a n\u00f3s\/E o mundo ser\u00e1 como um\u201d (<em>Imagine<\/em>&nbsp;&#8211; John Lennon) &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o da autora<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;Na sigla ingl\u00eas SDS, Students for a Democratic Society (Estudante por uma Sociedade Democr\u00e1tica) foi uma organiza\u00e7\u00e3o de estudantes estadunidenses que surgiu nos anos 1960 como um dos principais representantes da Nova Esquerda no pa\u00eds. Tinha como uma de suas principais bandeiras uma nova concep\u00e7\u00e3o de democracia participativa. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Students_for_a_Democratic_Society\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Students_for_a_Democratic_Society<\/a>&gt;.&nbsp;Acesso em 04 de junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;O chamado \u201cDegelo Sovi\u00e9tico de Kruschev\u201d designa o per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade sovi\u00e9tica provocadas pelas pol\u00edticas de relativo relaxamento da&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Repress%C3%A3o_pol%C3%ADtica_na_Uni%C3%A3o_Sovi%C3%A9tica\">repress\u00e3o pol\u00edtica<\/a>&nbsp;e da&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Censura\">censura<\/a>&nbsp;em meio \u00e0s pol\u00edticas de &#8220;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Desestaliniza%C3%A7%C3%A3o\">desestaliniza\u00e7\u00e3o<\/a>&#8221; implementadas pelo novo l\u00edder sovi\u00e9tico&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nikita_Khrushchev\">Nikita Khrushchev<\/a>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Degelo_de_Kruschev\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Degelo_de_Kruschev<\/a>&gt;. Acesso em 04 de junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;Nestas cidades se localizavam famosos clubes como o The Star-Club e o Indra Club que receberam m\u00fasicos como Jimi Hendrix, The Beatles, Black Sabbath, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Bo Diddley e Ray Charles durante os anos 1960. (The Beatles &#8211; Antologia, 2013)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>&nbsp;Os<em>&nbsp;Festivais da Juventude<\/em>&nbsp;eram eventos de interc\u00e2mbio entre as juventudes dos pa\u00edses da zona de influ\u00eancia sovi\u00e9tica,<em>&nbsp;<\/em>frutos das leis da solidariedade que obrigavam as na\u00e7\u00f5es do Pacto de Vars\u00f3via a realizar trocas culturais entre grupos. (MANRIQUE, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>&nbsp;Por exemplo, atrav\u00e9s dos roentgenizdat, em ingl\u00eas Rock on Ribs, t\u00e9cnica de grava\u00e7\u00e3o fonogr\u00e1fica feita sobre raios-X, que ficaram conhecidos como \u201cm\u00fasica de osso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>&nbsp;Em portugu\u00eas \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201creestrutura\u00e7\u00e3o\u201d, a Perestroika foi uma pol\u00edtica de reformas econ\u00f4micas de abertura da URSS para o mundo capitalista introduzida por&nbsp;Mikhail Gorbachev, em 1986.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>&nbsp;A Glasnost (\u201ctranspar\u00eancia\u201d) foi um processo de abertura pol\u00edtica que acompanhou a reforma econ\u00f4mica na era Gorbachev.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>&nbsp;Mikhail&nbsp;Sergeyevich&nbsp;Gorbatchov foi o \u00faltimo l\u00edder da URSS, entre os anos de 1985 e 1991, quando a URSS se dissolveu. Foi respons\u00e1vel pelas reformas de abertura e democratiza\u00e7\u00e3o da URSS: a<em>&nbsp;Glasnost,&nbsp;<\/em>que permitiu mais liberdade de express\u00e3o e de imprensa, e a&nbsp;<em>Perestroika<\/em>, reforma pol\u00edtica e econ\u00f4mica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/02294455-8A3D-4A9B-BEB5-B89A983F8A8D#_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>&nbsp;Exemplo emblem\u00e1tico deste tipo de pol\u00edtica foi a dos \u201cembaixadores do jazz\u201d, que ocorreu entre os anos 1950 e 1960.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Maria Vit\u00f3ria Elicher Alentejano<\/strong> \u00e9 graduanda de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadora de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pelo LEMADRIN &#8211; Laborat\u00f3rio de Estudos em Meio Ambiente, Desenvolvimento e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais &#8211; IRID\/UFRJ.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como citar esse artigo:<\/p><p>ALENTEJANO, Maria Vit\u00f3ria Elicher. O Rock no contexto da Guerra Fria: uma ponte entre dois mundos,<em> Di\u00e1logos Internacionais<\/em>, vol.9, n.91, jun.2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2706<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 9 | N\u00famero 91 | Jun. 2022 Por Maria Vit\u00f3ria Elicher Alentejano<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2707,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,660],"tags":[666,665,664],"class_list":["post-2706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume9","tag-cultura","tag-guerra-fria","tag-rock"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2706"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3129,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2706\/revisions\/3129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}