{"id":2714,"date":"2022-07-04T10:00:00","date_gmt":"2022-07-04T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2714"},"modified":"2022-07-27T15:46:08","modified_gmt":"2022-07-27T18:46:08","slug":"a-china-como-credora-do-sri-lanka-e-a-falacia-da-armadilha-da-divida%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2714","title":{"rendered":"A China como credora do Sri Lanka e a fal\u00e1cia da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 9 | N\u00famero 92 | Jul. 2022<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2715\" width=\"675\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/money.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><figcaption>Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Aline Mendes<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O presente artigo discorre sobre o tema da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d no caso dos empr\u00e9stimos chineses para a constru\u00e7\u00e3o do porto&nbsp;Magampura Mahinda Rajapaksa, mais conhecido como porto de Hambantota, localizado no Sri Lanka. Para tanto, o trabalho divide-se em tr\u00eas partes. Na primeira, analisa os discursos pol\u00edticos cr\u00edticos aos acordos chineses com o Sri Lanka, especialmente aqueles proclamados por agentes pol\u00edticos e publicados em jornais. Na segunda parte, o texto explora o hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es comerciais e pol\u00edticas entre Sri Lanka e China. Por fim, discute-se o contexto da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, abordando o tema do endividamento do Sri Lanka com a China. Ao longo do texto, defende-se que os empr\u00e9stimos da China para o Sri Lanka n\u00e3o se constituem de uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/strong><a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn1\"><sup>[i]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, ocorreu o arrendamento do porto de Hambantota, localizado no Sri Lanka, em um acordo que d\u00e1 \u00e0 China o poder de administr\u00e1-lo por 99 anos. Ocorreu, ent\u00e3o, uma grande pol\u00eamica em torno do acordo, posto que o porto foi constru\u00eddo com dinheiro proveniente de empr\u00e9stimos chineses. Quando se come\u00e7ou a discutir o arrendamento em troca de uma minimiza\u00e7\u00e3o significativa da d\u00edvida, algumas an\u00e1lises passaram a interpretar esse investimento bilion\u00e1rio na constru\u00e7\u00e3o do porto como uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d criada pela China.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, de acordo com Chellaney (2017), \u00e9 usado para acusar a China de utilizar meios econ\u00f4micos para conseguir realizar seus interesses geoestrat\u00e9gicos. Nesse caso, os meios econ\u00f4micos s\u00e3o os empr\u00e9stimos fornecidos para a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas englobadas pela iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d. A China concederia empr\u00e9stimos de valores muito elevados para governos situados em localiza\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, por\u00e9m incapazes honrar com as d\u00edvidas, o que tornaria esses pa\u00edses vulner\u00e1veis \u00e0 influ\u00eancia chinesa. O autor ressalta que esses empr\u00e9stimos n\u00e3o objetivam ajudar as economias locais, mas sim dar \u00e0 China acesso aos seus recursos naturais, gerar abertura do mercado local para a entrada de produtos chineses e garantir \u00e0 China controle das infraestruturas concebidas com aux\u00edlio de seus empr\u00e9stimos. Em suma, para o autor, o Sri Lanka seria um exemplo de \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, pois o Estado estaria endividado com a China e vulner\u00e1vel \u00e0 sua influ\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fora da academia, o discurso acerca da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d passou a ser adotado tamb\u00e9m no cen\u00e1rio pol\u00edtico, principalmente por pol\u00edticos dos Estados Unidos. Tais pol\u00edticos argumentam que a China propositalmente provoca o endividamento de alguns pa\u00edses objetivando vantagens que fariam parte de um projeto de domina\u00e7\u00e3o global, representando com isso uma nova forma de colonialismo. Assim, haveria uma \u00eanfase sobre a forma predat\u00f3ria como a China agiria com seus parceiros econ\u00f4micos, o que representaria uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira solid\u00e1ria e respons\u00e1vel como os Estados Unidos tratariam os seus (HAMEIRI; JONES, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nisso, o principal objetivo desse artigo \u00e9 averiguar se as recentes rela\u00e7\u00f5es entre China e Sri Lanka para a constru\u00e7\u00e3o do Porto de Hambantota constituem uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d. Como argumento, contesta-se a exist\u00eancia de uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d a partir de tr\u00eas pontos: 1) O peso relativo representado pelos empr\u00e9stimos chineses para a d\u00edvida externa do Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 expressivo, quando comparado com outros pa\u00edses parceiros; 2) As rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses s\u00e3o antigas, sendo que os mencionados empr\u00e9stimos integram-se numa continuidade hist\u00f3rica das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre os pa\u00edses, n\u00e3o representando necessariamente uma ruptura com o que vinha ocorrendo; 3) Os projetos de infraestruturas s\u00e3o necess\u00e1rios para o Sri Lanka quando compreendemos que o pa\u00eds passa por um problema de restri\u00e7\u00e3o externa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O texto est\u00e1 dividido da seguinte forma: o primeiro t\u00f3pico aborda os discursos pol\u00edticos sobre o tema da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d nos Estados Unidos; o segundo recupera o hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es do Sri Lanka com a China e a partir do terceiro t\u00f3pico, o presente trabalho ingressa nas din\u00e2micas que ocorrem a partir do empr\u00e9stimo: o t\u00f3pico 3 aborda o papel do Sri Lanka na iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, o 4 explica a relev\u00e2ncia geopol\u00edtica do Porto de Hambantota e os dois t\u00f3picos seguintes, 5 e 6, dissertam sobre a \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, enquanto o t\u00f3pico 5 traz os argumentos que contestam a tese da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, o t\u00f3pico 6 traz a perspectiva do Sri Lanka sobre os empr\u00e9stimos. Por \u00faltimo, o t\u00f3pico 7 traz as considera\u00e7\u00f5es finais do artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>OS DISCURSOS SOBRE A \u201cARMADILHA DA D\u00cdVIDA\u201d NA POL\u00cdTICA DOS ESTADOS UNIDOS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tema da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d \u00e9 recorrente em discursos pol\u00edticos, principalmente nos \u00faltimos anos em que a disputa entre Estados Unidos e China t\u00eam se acirrado. Nem sempre abordam diretamente o Sri Lanka, mas seguem culpando a China. Existem v\u00e1rios exemplos disso, um deles foi o discurso de John R. Bolton, em 2017, quando ocupava o posto de Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos, abordou a rela\u00e7\u00e3o da China com Estados africanos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Bolton afirmou que a China \u2018usa subornos, acordos escusos e usa a d\u00edvida de maneira estrat\u00e9gica para manter os Estados africanos cativos aos desejos e demandas de Pequim\u2019. Bolton afirmou que a vis\u00e3o dos Estados Unidos para a \u00c1frica era de \u2018independ\u00eancia, autossufici\u00eancia e crescimento\u2019 ao inv\u00e9s de \u2018depend\u00eancia, domina\u00e7\u00e3o e d\u00edvida\u2019. No mesmo discurso, o mesmo afirmou que as \u2018a\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias\u2019 da China eram subcomponentes de iniciativas estrat\u00e9gicas, incluindo a \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, que \u00e9 descrita como \u2018um plano para desenvolver uma s\u00e9rie de rotas de com\u00e9rcio que levam da China e para a China e tendo o objetivo de avan\u00e7ar a lideran\u00e7a global chinesa\u2019. (BRAUTIGAM, 2009, p.4)&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2020, a pol\u00edtica Nikki Haley, que foi embaixadora dos Estados Unidos na ONU e tamb\u00e9m governadora da Carolina do Sul, comentou em uma rede social sobre uma not\u00edcia acerca do endividamento de Estados africanos com a China que \u201cEsse era o plano da China o tempo todo. Aumentar a d\u00edvida desses pa\u00edses em desenvolvimento e quando eles n\u00e3o pudessem pag\u00e1-los de volta, a China tomaria os seus ativos.&nbsp;N\u00f3s avisamos que isso aconteceria.\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a>&nbsp;. Em abril de 2020, j\u00e1 em um cen\u00e1rio da pandemia do Coronav\u00edrus, alguns senadores dos Estados Unidos enviaram uma carta conjunta para Mike Pompeo e o secret\u00e1rio do tesouro Steven Mnuchin mostrando preocupa\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d durante a pandemia do Coronav\u00edrus e apresentando recomenda\u00e7\u00f5es sobre como os Estados Unidos deveriam agir para ajudar tais Estados a se livrar dessa armadilha.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os senadores advertiram que os Estados Unidos deveriam ter cautela ao permitir a \u201cdiplomacia de armadilha da d\u00edvida\u201d chinesa em empr\u00e9stimos concedidos por institui\u00e7\u00f5es multilaterais de desenvolvimento, das quais os Estados Unidos s\u00e3o o principal financiador. \u201cN\u00f3s insistimos que o Departamento de Estado e o Tesouro considerem o impacto da iniciativa financiada pela China \u2018Cintur\u00e3o e Rota\u2019 no financiamento de muitos problemas econ\u00f4micos e implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de ajuda adicional no FMI e no Banco Mundial\u201d, escreveram os senadores. \u201cAs restri\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dom\u00e9sticas na China provenientes do Covid-19 provavelmente tornar\u00e3o a China menos disposta a prolongar os empr\u00e9stimos conforme vencem, o que pode exacerbar os desafios de liquidez dos mercados emergentes,\u201d os senadores continuam. \u201cEnquanto os projetos lutam em \u00e1reas de interesses estrat\u00e9gicos, a China ficar\u00e1 disposta a salvaguardar seus investimentos e influ\u00eancia pol\u00edtica.\u201d (CHUCK GRASSLEY, 2020).&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E isso n\u00e3o se resume no governo Trump porque, antes mesmo do termo \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d se tornar mais comum nos discursos pol\u00edticos, j\u00e1 se discursava contra os investimentos chineses com argumentos muito parecidos, mesmo sem utilizar esse termo. Como observado por Brautigam,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em 2011, a Secret\u00e1ria do Estado Hillary Clinton, foi para a \u00c1frica para alertar aos africanos sobre \u2018o novo colonialismo\u2019; e na c\u00fapula EUA-\u00c1frica de 2014, o Presidente Barack Obama paternalisticamente aconselhou os l\u00edderes africanos que eles \u2018deveriam se assegurar que se de fato a China estiver construindo estrada e pontes, em primeiro lugar, que estejam contratando trabalhadores africanos \u2018 repetindo outro mito: que a China n\u00e3o emprega trabalhadores africanos (BRAUTIGAM, 2019, p.4).&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn5\"><sup>[v]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O at\u00e9 ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estados dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em visita ao Sri Lanka em 2020, acusou a China estaria atacando ao Sri Lanka de pa\u00eds predador que agia de forma ilegal violando a soberania do Sri Lanka. Declarou ainda que os Estados Unidos agem de forma diferente, como um amigo e parceiro, promovendo a liberdade, a independ\u00eancia e o apoio ao desenvolvimento sustent\u00e1vel do Sri Lanka. Ele tamb\u00e9m declarou que o desejo do seu pa\u00eds para o Sri Lanka (SRINIVASAN, 2020).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso do vice-presidente do governo Trump, Mike Pence de 4 de outubro de 2018, abordou a China, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d e dentro disso citou o caso do Sri Lanka:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Apenas pergunte ao Sri Lanka, que tomou massivos empr\u00e9stimos de empresas estatais chinesas para construir um porto de valor comercial question\u00e1vel. Dois anos atr\u00e1s, o pa\u00eds n\u00e3o conseguiu lidar com os pagamentos \u2013 ent\u00e3o Pequim pressionou o Sri Lanka a entregar o novo porto diretamente para as m\u00e3os chinesas. O porto pode logo se tornar a frente de uma base militar para a marinha chinesa em mar aberto (HUDSON INSTITUTE, 2018).&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_edn6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos discursos citados, existem muitos outros que mostram a forma que \u00e9 um discurso recorrente na pol\u00edtica dos Estados Unidos. A tese da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d ganha cada vez mais apoio no discurso pol\u00edtico enquanto a China vai crescendo de import\u00e2ncia no cen\u00e1rio internacional. Especialmente a partir da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, os empr\u00e9stimos chineses ganharam corpo e, como consequ\u00eancia a tese da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d tornou-se corrente tantos nos discursos pol\u00edticos estadunidenses como em ve\u00edculos de imprensa ocidentais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Buscando discutir a aplica\u00e7\u00e3o do termo \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d para o Sri Lanka, o pr\u00f3ximo t\u00f3pico abordar\u00e1 o hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es de Sri Lanka e China, sendo esta uma quest\u00e3o que costuma aparecer negligenciada tanto pelos discursos pol\u00edticos quanto pela imprensa. Entretanto, enfatiza-se aqui sua import\u00e2ncia como elemento para melhor compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre esses dois pa\u00edses, pois evidencia o quanto s\u00e3o mais s\u00f3lidas e antigas do que normalmente se sabe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O HIST\u00d3RICO DAS RELA\u00c7\u00d5ES DE SRI LANKA E CHINA&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre Sri Lanka e China s\u00e3o muito antigas, de acordo com Bastiampillai (1990), elas iniciaram no s\u00e9culo I, a China recebeu visitas de embaixadas do Sri Lanka e isso se tornou ainda mais frequente depois do s\u00e9culo IV. Tamb\u00e9m ocorriam trocas comerciais e a quest\u00e3o comercial ficou ainda mais forte no s\u00e9culo VI quando o Porto do Sri Lanka por causa da posi\u00e7\u00e3o central se tornou um dos mais importantes do com\u00e9rcio mar\u00edtimo entre o Ocidente e o Extremo Oriente (BASTIAMPILLAI, 1990).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es historicamente constitu\u00eddas, n\u00e3o se resumiam ao lado comercial. Fortes intera\u00e7\u00f5es culturais e religiosas existiram por v\u00e1rios s\u00e9culos at\u00e9 a coloniza\u00e7\u00e3o do Sri Lanka pela Inglaterra (1815). Quando o Sri Lanka retoma sua independ\u00eancia no final da d\u00e9cada de 1940, a China foi um dos primeiros Estados a restabelecer as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. De acordo com Arangalla (2017), Mao queria restaurar o antigo lugar da China no mundo e o Sri Lanka poderia ajudar a China neste projeto por dois motivos: 1) O Sri Lanka n\u00e3o estava alinhado a nenhum dos blocos de poder da Guerra Fria, e; 2) por conta da proximidade geogr\u00e1fica do Sri Lanka com a \u00cdndia, poderia servir como ponte para uma maior aproxima\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica entre China e \u00cdndia, vantajoso em caso de conflitos sino-indianos. O papel do Sri Lanka na organiza\u00e7\u00e3o da segunda confer\u00eancia afro-asi\u00e1tica&nbsp; (1965) tamb\u00e9m contribuiu muito para ampliar a rela\u00e7\u00e3o entre a China e o Sri Lanka no in\u00edcio do per\u00edodo p\u00f3s-independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Arangalla (2017) explica que os Estados tiveram fortes rela\u00e7\u00f5es bilaterais, a China em v\u00e1rios momentos estabeleceu acordos comerciais e cedeu empr\u00e9stimos ao Sri Lanka principalmente para o desenvolvimento de infraestruturas. O Sri Lanka foi o segundo Estado n\u00e3o-comunista que mais recebeu investimentos da China, apenas atr\u00e1s do Paquist\u00e3o. Os empr\u00e9stimos eram em condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis, muitos sequer cobravam juros e os acordos comerciais costumavam ser mais vantajosos para o Sri Lanka do que para a China, um exemplo foi o acordo em torno do arroz da China e da borracha do Sri Lanka em que a China oferecia ao Sri Lanka 40% a mais pelo pre\u00e7o da borracha em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o de mercado e vendia o arroz por menos de um ter\u00e7o do valor de mercado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Sri Lanka passou por uma guerra civil que come\u00e7ou em 1983 e terminou apenas em 2009. Anandakugan (2020) explica que a guerra foi um confronto entre o governo do Sri Lanka contra o grupo separatista Tigres da Liberta\u00e7\u00e3o da Tamil Eelam (LTTE) que tinha o objetivo de conseguir um Estado separado para a minoria tamil principalmente pelas tens\u00f5es \u00e9tnicas que aconteciam entre esse grupo e os cingaleses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse per\u00edodo de guerra, a China apoiou o Sri Lanka fornecendo armas e muni\u00e7\u00f5es para a luta contra o LTTE. Entretanto, a parte mais relevante dessa guerra para a rela\u00e7\u00e3o desses Estados foi o endividamento que causou ao Sri Lanka que saiu dessa guerra muito fragilizado economicamente. A situa\u00e7\u00e3o foi pior porque a guerra terminou em um momento onde o mundo estava passando por uma crise econ\u00f4mica e isso dificultou que o Sri Lanka conseguisse empr\u00e9stimos das formas mais usuais, al\u00e9m disso, o governo do presidente Mahinda Rajapaska estava sob a acusa\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos durante a guerra civil e isso n\u00e3o repercutiu bem internacionalmente. Ferchen e Perera (2019), explicam que o Sri Lanka passou por um isolamento econ\u00f4mico e diplom\u00e1tico no per\u00edodo p\u00f3s-guerra que tornou o pa\u00eds ainda mais pr\u00f3ximo da China.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m durante o governo de Rajapaska (2005-2015), o Sri Lanka fortaleceu muito as rela\u00e7\u00f5es bilaterais com a China e antes mesmo do fim da guerra, a China j\u00e1 estava fornecendo mais empr\u00e9stimos ao Sri Lanka. E como n\u00e3o havia muitas possibilidades de empr\u00e9stimos no p\u00f3s-guerra o Sri Lanka acabou recorrendo mais ainda \u00e0 China para conseguir dinheiro. Dentre esses empr\u00e9stimos concedidos ao Sri Lanka durante o governo Rajapaska, alguns foram para a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas, o que inclui o Porto de Hambantota.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, as rela\u00e7\u00f5es entre esses dois pa\u00edses s\u00e3o muito antigas e mesmo durante as primeiras d\u00e9cadas ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, em que a China n\u00e3o era t\u00e3o relevante economicamente quanto na atualidade, j\u00e1 era uma grande credora do Sri Lanka. Segundo Ferchen e Perera (2019), desde a d\u00e9cada de 1950, a China \u00e9 uma das principais parceiras comerciais e investidoras do Sri Lanka, al\u00e9m de ter sido uma credora muito importante durante o per\u00edodo da Guerra Civil. Portanto, a import\u00e2ncia da China para a economia do Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 recente, por\u00e9m \u00e9 potencializada por uma China mais forte economicamente e por um Sri Lanka mais fragilizado em decorr\u00eancia das d\u00e9cadas de Guerra Civil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto do Porto de Hambantota existe desde a d\u00e9cada de 1970, entretanto \u00e9 durante o governo Mahinda Rajapaska que foram realizados os esfor\u00e7os para que o projeto sa\u00edsse do papel, o que em parte explica o porto levar o seu nome. O porto \u00e9 inaugurado dentro da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, que \u00e9 um dos maiores projetos da China. O seguinte t\u00f3pico vai abordar sobre o Porto de Hambantota dentro dessa iniciativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O SRI LANKA NA INICIATIVA \u201cCINTUR\u00c3O E ROTA\u201d&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A China \u00e9 um dos Estados mais relevantes no cen\u00e1rio internacional e tem o potencial de se tornar ainda mais relevante pelo projeto \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d. O autor Li Xing (2019), explica que o projeto trata de uma iniciativa que cobre cerca de 65% da popula\u00e7\u00e3o mundial e um ter\u00e7o do PIB mundial, sendo o principal objetivo dessa iniciativa criar cintur\u00f5es econ\u00f4micos vi\u00e1veis: 1) Um cintur\u00e3o por terra que inclui os pa\u00edses vizinhos em torno da China, principalmente os pa\u00edses da Rota de Seda original atrav\u00e9s da \u00c1sia Central, \u00c1sia Ocidental, Oriente M\u00e9dio e Europa e 2) Um cintur\u00e3o mar\u00edtimo que conecta as instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias da China \u00e0 costa africana, subindo atrav\u00e9s do Canal de Suez para o Mediterr\u00e2neo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa foi inaugurada oficialmente em 2013 e \u00e9 muito importante para a configura\u00e7\u00e3o da Eur\u00e1sia, o projeto atinge muito al\u00e9m desse territ\u00f3rio. De acordo com Nascimento e Maynetto (2019), a expans\u00e3o que a China pode alcan\u00e7ar por meio desse projeto \u00e9 essencial para o futuro da pol\u00edtica internacional na Eur\u00e1sia, principalmente pelas novas configura\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-econ\u00f4micas geradas por este fen\u00f4meno. E por ser um projeto importante para a Eur\u00e1sia, o Sri Lanka n\u00e3o ficou de fora e a localiza\u00e7\u00e3o foi essencial para os grandes investimentos que recebeu da China dentro dessa iniciativa. O Sri Lanka se localiza na \u00c1sia Meridional e faz parte da Rota da Seda, que \u00e9 um dos principais focos desse projeto. Os investimentos da China em infraestruturas no Sri Lanka foram bastante expressivos e isso inclui o empr\u00e9stimo bilion\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o do porto de Hambantota.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O porto de Hambantota \u00e9 um projeto que se inicia em 2007 quando a China come\u00e7a a conceder empr\u00e9stimos para a constru\u00e7\u00e3o. Segundo Moramudali (2020), ocorreram cinco empr\u00e9stimos para a constru\u00e7\u00e3o do porto durante o per\u00edodo entre 2007 e 2014. E a soma desses empr\u00e9stimos ultrapassa um bilh\u00e3o e meio de d\u00f3lares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante compreender que mesmo o porto sendo inaugurado antes da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d ser oficializada, \u00e9 considerado um investimento dentro dessa iniciativa. Primeiramente, porque ocorreram obras no porto ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o oficial que ocorreram ap\u00f3s 2013. Em segundo lugar, como lembra Abi-Habib (2018), a pr\u00f3pria ag\u00eancia de not\u00edcias estatal da China lan\u00e7ou um v\u00eddeo ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do porto celebrando a realiza\u00e7\u00e3o de mais uma etapa da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O porto tem um papel de destaque dentro da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d por estar em uma localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e dotada de grande relev\u00e2ncia geopol\u00edtica. Este \u00faltimo aspecto ser\u00e1 abordado a seguir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A RELEV\u00c2NCIA GEOPOL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar a relev\u00e2ncia geopol\u00edtica do porto de Hambantota. Por se localizar no extremo Sul do Sri Lanka, possui conex\u00e3o para v\u00e1rias das rotas mais importantes do Sul da \u00c1sia. Isso torna o porto um ponto importante no cen\u00e1rio do Oceano \u00cdndico (KANNAN, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a localiza\u00e7\u00e3o do porto de Hambantota \u00e9 muito estrat\u00e9gica, principalmente para o com\u00e9rcio mundial e, portanto \u00e9 muito not\u00e1vel para a iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d. O Sri Lanka se torna muito importante dentro da iniciativa porque o papel geopol\u00edtico do pa\u00eds na regi\u00e3o \u00e9 tornar-se um importante elo para os circuitos comerciais mar\u00edtimos do Oceano \u00cdndico. Foi essa fun\u00e7\u00e3o central dentro da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d que justificou, aos olhos da China, os altos investimentos no pa\u00eds. Como consequ\u00eancia, a narrativa da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d causada pela China foi imediatamente aventada pelos cr\u00edticos dos arranjos entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cARMADILHA DA D\u00cdVIDA\u201d CHINESA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A inaugura\u00e7\u00e3o do Porto de Hambantota ocorreu em 2010, estimava-se que o porto geraria 10 mil novas oportunidades de emprego diretas e 50 mil indiretas e que seria um projeto importante para o crescimento econ\u00f4mico do Sri Lanka por se localizar em uma zona estrat\u00e9gica integrada aos circuitos comerciais mar\u00edtimos entre o Canal de Suez e o Estreito de Malaca. Por\u00e9m, a realidade do porto acabou sendo muito diferente do que era estimado. Nos primeiros anos de funcionamento, um n\u00famero muito baixo de embarca\u00e7\u00f5es gerou um grande preju\u00edzo econ\u00f4mico, fazendo com que o porto fosse&nbsp; chamado de \u201co elefante branco de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares\u201d. O arrendamento feito em 2017 definiu que a China ser\u00e1 respons\u00e1vel por administrar o porto por 99 anos em troca de uma redu\u00e7\u00e3o significativa da d\u00edvida que o Sri Lanka. Al\u00e9m disso, a China se comprometeu em fazer investimentos para o desenvolvimento do porto e em n\u00e3o utiliz\u00e1-lo como base militar (GREY, 2018;&nbsp;MUKHERJEE, 2022;&nbsp;PATRANOBIS, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo de arrendamento foi o principal motivo a gerar como\u00e7\u00e3o internacional e acusa\u00e7\u00f5es da China produzir uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d. O caso passou a ser usado como exemplo para mostrar como a China era inconfi\u00e1vel e escondia ambi\u00e7\u00f5es imperialistas. Os Estados, portanto, deveriam recusar grandes empr\u00e9stimos da China para n\u00e3o ca\u00edrem nessa mesma armadilha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os acusadores, um dos argumentos mais fortes defendia que a l\u00f3gica econ\u00f4mica do porto era fraca desde o in\u00edcio, especialmente porque j\u00e1 existia um plano de expans\u00e3o do Porto de Colombo, que \u00e9 o maior e mais movimentado do Sri Lanka. Sendo assim, n\u00e3o seria necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de um novo porto, posto que o Porto de Hambantota foi constru\u00eddo para ser um local para reparos, abastecimentos e para facilitar a troca de tripula\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m poderia ser realizado no Porto do Colombo (GREY, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, tal cr\u00edtica n\u00e3o se sustenta. Primeiramente, deve-se conhecer o volume total do endividamento do Sri Lanka para compreender o papel ocupado pela China. Dados do final de 2017 do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as do Sri Lanka mostram que a d\u00edvida com a China representava apenas cerca de 10% do seu endividamento.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/v.9n.92im1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2716\" width=\"753\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/v.9n.92im1.png 927w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/v.9n.92im1-300x187.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/v.9n.92im1-768x480.png 768w\" sizes=\"(max-width: 753px) 100vw, 753px\" \/><figcaption>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o Pr\u00f3pria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com base nesse diagrama, consegue-se notar que, por exemplo, o Sri Lanka deve mais ao Jap\u00e3o que \u00e0 China. As d\u00edvidas de mercado somadas ao Banco Mundial representam metade da d\u00edvida do Sri Lanka. Sobretudo, \u00e9 imprescind\u00edvel considerar a natureza dos empr\u00e9stimos chineses. A maioria dos empr\u00e9stimos chineses ao Sri Lanka s\u00e3o de concess\u00e3o, sendo este um tipo de empr\u00e9stimo possuidor de melhores condi\u00e7\u00f5es de pagamento. Como observa Moramudali,&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A por\u00e7\u00e3o mais larga das d\u00edvidas externas do Sri Lanka s\u00e3o t\u00edtulos internacionais soberanos, compondo 39% da d\u00edvida externa total em 2017. S\u00e3o empr\u00e9stimos comerciais obtidos dos mercados de capital internacionais desde 2007, esses t\u00edtulos resultaram em um aumento do servi\u00e7o da d\u00edvida externa em raz\u00e3o da natureza da d\u00edvida. Ao contr\u00e1rio dos empr\u00e9stimos de concess\u00e3o obtidos para a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto espec\u00edfico, esses empr\u00e9stimos comerciais n\u00e3o possuem um grande per\u00edodo de pagamento ou a op\u00e7\u00e3o de pagar em pequenas parcelas. Quando os empr\u00e9stimos soberanos vencem, resultam em um crescimento significativo dos custos da d\u00edvida externa, uma vez que todo o valor do t\u00edtulo deve ser pago de uma vez ao inv\u00e9s de pagar as presta\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos concession\u00e1rios (MORAMUDALI, 2019).&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/E645941B-89F0-46A4-8BFE-5F3E6981050D#_edn1\"><sup>[i]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sendo assim, levando em considera\u00e7\u00e3o que os empr\u00e9stimos chineses representavam 10% da d\u00edvida do Sri Lanka, e que dentro dessa d\u00edvida a maior parte dos empr\u00e9stimos ocorria por concess\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como sustentar tratar-se de uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d. A maior parte do endividamento do Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 causado pela China e, se a China quisesse causar uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, poderia empurrar para o Sri Lanka empr\u00e9stimos em condi\u00e7\u00f5es mais desfavor\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Brautigam e Rithmire (2021), explicam que dois estudos de viabilidade do porto foram realizados nos anos de 2003 e 2006. O que foi realizado em 2006 apresentou resultados otimistas sobre o potencial do porto, principalmente a partir do ano de 2030 quando o porto come\u00e7aria a entrar no tr\u00e1fego de cont\u00eaineres, sendo que a estimativa do estudo \u00e9 que em 2040 o porto movimentaria um n\u00famero bastante elevado de cont\u00eaineres, quase tanto quanto o quinto porto mais movimentado do mundo em 2015. Tamb\u00e9m \u00e9 ressaltado que, na \u00e9poca do projeto do porto, a regi\u00e3o do Oceano \u00cdndico apresentava um potencial econ\u00f4mico enorme por conta do crescimento tanto do PIB de pa\u00edses da regi\u00e3o como tamb\u00e9m de suas respectivas classes m\u00e9dias, o que gera padr\u00f5es de consumo mais elevados. Portanto, se o Sri Lanka conseguisse garantir que apenas uma pequena parcela da carga que passava pelo porto de Singapura, que \u00e9 um dos mais movimentados do mundo, passasse por Hambantota, j\u00e1 estaria justificada a exist\u00eancia do porto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro empr\u00e9stimo realizado foi de 307 milh\u00f5es de d\u00f3lares, a ser pago em 15 anos, com 4 anos de car\u00eancia. Al\u00e9m disto, o Sri Lanka&nbsp;&nbsp;definiu-se uma taxa de juros fixa de 6,3% ao ano. Como a primeira fase do porto foi realizada enquanto o Sri Lanka ainda passava pela Guerra Civil, as condi\u00e7\u00f5es do empr\u00e9stimo foram consideradas razo\u00e1veis. Entretanto, mesmo ap\u00f3s o fim da guerra, o cen\u00e1rio econ\u00f4mico seguiu com muitos problemas e precisou de mais empr\u00e9stimos para as outras fases de constru\u00e7\u00e3o do porto (BRAUTIGAM; RITHMIRE, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Os estudos econ\u00f4micos sobre o porto apresentavam n\u00fameros favor\u00e1veis e, considerando que um porto bem-sucedido pode gerar bilh\u00f5es em um ano, se os primeiros anos do porto houvessem sido favor\u00e1veis, possivelmente a dificuldade em pagar a d\u00edvida poderia ter sido reduzida. Ocorre que este n\u00e3o foi o caso, e o porto se tornou um dos mais vazios do mundo, gerando grande preju\u00edzo nos primeiros anos. Entretanto a causa da desocupa\u00e7\u00e3o inicial deve-se ao per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o das rotas mar\u00edtimas \u00e0 nova infraestrutura, o que tende a ocorrer no m\u00e9dio prazo&nbsp;(BRAUTIGAM; RITHMIRE, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Mesmo n\u00e3o sendo dif\u00edcil encontrar dados que mostram que os empr\u00e9stimos chineses n\u00e3o se configuram em uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, n\u00e3o \u00e9 incomum encontrar quem defenda essa teoria. O analista e professor de estudos estrat\u00e9gicos e pol\u00edtica Brahma Chellaney publicou, em 2017, uma an\u00e1lise que foi republicada em ve\u00edculos jornal\u00edsticos de v\u00e1rias partes do mundo.&nbsp;&nbsp;Nessa an\u00e1lise, o autor defendia que a postura da China com o arrendamento do porto poderia ser considerada uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d e tamb\u00e9m a comparava com o imperialismo europeu:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim como os poderosos imp\u00e9rios europeus empregaram a diplomacia canhoneira, a China est\u00e1 utilizando o d\u00e9bito soberano para dobrar outros Estados aos seus interesses. Como a entrega pelo Sri Lanka do estrat\u00e9gico porto de Hambantota mostra, Estados apanhados na escravid\u00e3o de d\u00edvida do novo gigante imperial sofrem o risco de perder tanto seus ativos naturais quanto a sua soberania.\u201d (CHELLANEY, 2017)<a href=\"applewebdata:\/\/E645941B-89F0-46A4-8BFE-5F3E6981050D#_edn2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um argumento como esse gera muita preocupa\u00e7\u00e3o porque fala de perda de soberania. Esse \u00e9 um risco que os Estados n\u00e3o querem correr, e se a China for considerada uma amea\u00e7a \u00e0 soberania, alguns Estados poderiam evit\u00e1-la, mesmo que isso significasse perder empr\u00e9stimos mais favor\u00e1veis e um parceiro comercial importante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Arangalla (2017) defendeu a tese da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d chinesa ao mesmo tempo em que recomendou ao Sri Lanka refor\u00e7ar sua rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos e a \u00cdndia. Segundo o autor,&nbsp; se esses dois pa\u00edses se envolverem mais nos projetos do Sri Lanka, o pa\u00eds lograria incrementar sua estatura geopol\u00edtica. \u00c9 importante ressaltar que a \u00cdndia \u00e9 alinhada aos Estados Unidos e, no recente contexto da disputas comerciais entre a China e os Estados Unidos, a \u00cdndia proibiu empresas chinesas de atuarem no pa\u00eds (como de aplicativos) alegando poss\u00edveis amea\u00e7as \u00e0 soberania do Estado. Como se v\u00ea, o tema da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d \u00e9 evocado em um contexto de nova &#8220;Guerra Fria&#8221; entre Estados Unidos e China, no qual estrat\u00e9gias de difama\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o da imagem dos pa\u00edses aos olhos do mundo s\u00e3o postas em pr\u00e1tica. Trata-se de um instrumento ret\u00f3rico para pressionar o Sri Lanka a escolher um lado da disputa global entre as pot\u00eancias do que tratar dos potenciais ganhos do pa\u00eds com a parceria chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a perspectiva do Sri Lanka n\u00e3o costuma ser abordada. Por isso, o pa\u00eds \u00e9 sempre colocado na posi\u00e7\u00e3o de coadjuvante, apesar de ser o protagonista dessa hist\u00f3ria. Acordos com a China e com outros pa\u00edses fazem parte da proje\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e diplom\u00e1tica do Sri Lanka no sistema internacional. \u00c9 necess\u00e1rio compreender como o Sri Lanka enxerga os acordos com a China.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A PERSPECTIVA DO SRI LANKA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Waidyatilake (2018), \u00e9 preciso compreender que o Sri Lanka est\u00e1 seguindo um plano para maximizar as oportunidades e minimizar os riscos que percebe na regi\u00e3o. A primeira parte do plano \u00e9 seguir uma diplomacia econ\u00f4mica. Existe um antigo objetivo no Sri Lanka que \u00e9 torna-se um eixo comercial e mar\u00edtimo importante da regi\u00e3o do \u00cdndico. Para tanto, precisa expandir suas rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos, atualizar sua infraestrutura e estar melhor conectado aos mercados regionais e&nbsp; \u00e0s cadeias globais de valor. Para conseguir realizar tal objetivo, o Sri Lanka tem buscado, desde 2015, refor\u00e7ar la\u00e7os econ\u00f4micos com pa\u00edses da \u00c1sia, principalmente aqueles que est\u00e3o em ascens\u00e3o. O regionalismo competitivo de m\u00faltiplas camadas \u00e9 visto pelo Sri Lanka como uma oportunidade de engajamento. O autor ressalta que os acordos que o Sri Lanka fez com grandes pot\u00eancias como a China, faz parte da busca por incrementar as rela\u00e7\u00f5es com os parceiros internacionais do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do autor fazer seus apontamentos principalmente a partir de 2015, \u00e9 preciso compreender que, para o Sri Lanka, tornar-se um eixo importante do \u00cdndico \u00e9 um objetivo antigo, como se verifica nos empreendimentos de infraestrutura realizados&nbsp; em um per\u00edodo anterior, durante o governo de Mahinda Rajapaksa. Segundo Brautigam e Rithmire (2021), o Sri Lanka buscou, naquela ocasi\u00e3o, os Estados Unidos e a \u00cdndia requerendo empr\u00e9stimos para a constru\u00e7\u00e3o do Porto de Hambantota. Por\u00e9m, os pa\u00edses recusaram e, posteriormente, a China aceitou. Sendo assim, o Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds que negligencie outros pa\u00edses, mas sim aceita a assist\u00eancia dos pa\u00edses que est\u00e3o dispostos a oferecer condi\u00e7\u00f5es interessantes para a formaliza\u00e7\u00e3o de acordos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o financiamento chin\u00eas \u00e9 importante tamb\u00e9m porque o Sri Lanka \u00e9 um pa\u00eds com problemas da restri\u00e7\u00e3o externa, isto \u00e9, quando o pa\u00eds sofre uma escassez de divisas para pagar pelas importa\u00e7\u00f5es. O problema do Sri Lanka se torna maior quando consideramos que o pa\u00eds possui uma d\u00edvida externa elevada denominada em d\u00f3lar. Em suma, quando o pa\u00eds tomou empr\u00e9stimos elevados na constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas como o Porto de Hambantota, tinha como um dos principais objetivos impulsionar as exporta\u00e7\u00f5es do Sri Lanka que, por sua vez, iriam gerar maior volume de divisas \u00e0 economia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que o Porto de Hambantota, na atualidade, ainda n\u00e3o se mostrou um empreendimento lucrativo. Entretanto, existe a possibilidade que, por conta da consolida\u00e7\u00e3o da iniciativa \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d e da gradual incorpora\u00e7\u00e3o de Hambantota aos principais circuitos mar\u00edtimos, o porto passe a se tornar uma fonte econ\u00f4mica relevante para o Sri Lanka.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As complica\u00e7\u00f5es internas do Sri Lanka<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas proximidades do Porto de Hambantota, moradores locais apresentaram descontentamento pela situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pela constru\u00e7\u00e3o do porto em si ou pelos empr\u00e9stimos chineses, muitos deles inclusive apontaram n\u00e3o ver problemas em torno do arrendamento do porto. A reivindica\u00e7\u00e3o dos mesmos era sobre o uso do dinheiro do empreendimento, pois acusaram os l\u00edderes do pa\u00eds envolvidos no projeto de constru\u00e7\u00e3o do porto de utilizar o dinheiro recebido para benef\u00edcios pr\u00f3prios e n\u00e3o para o desenvolvimento da \u00e1rea, culpando assim, o governo do pa\u00eds e n\u00e3o a China (JALHOTRA, 2022). Portanto, uma quest\u00e3o que pode ser considerada como uma oposi\u00e7\u00e3o ao porto ou aos empreendimentos com empr\u00e9stimos chineses no pa\u00eds, na verdade \u00e9 uma insatisfa\u00e7\u00e3o do povo que deveria se sentir contemplado com os investimentos chineses, mas acabam percebendo esses investimentos sendo mal utilizados pelos pol\u00edticos do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naughton (2020), ao abordar sobre os investimentos da China em infraestrututras, apresenta uma vers\u00e3o semelhante aos moradores da \u00e1rea de Hambantota, pois menciona que os investimentos no Sri Lanka teriam servido mais para beneficiar a corrup\u00e7\u00e3o interna do que \u00e0s infraestruturas em si. A China nessas perspectivas n\u00e3o \u00e9 questionada por fazer esses investimentos, o questionamento \u00e9 sobre a integridade dos pol\u00edticos do Sri Lanka em como utilizam tais investimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um ponto relevante de ser abordado porque o cen\u00e1rio pol\u00edtico interno do Sri Lanka \u00e9 muito conturbado e contribui para munir este tipo de questionamento. O ex-presidente Mahinda Rajapaska, respons\u00e1vel pelos acordos que levaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Porto de Hambantota, ao perder as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2015 para a oposi\u00e7\u00e3o liderada por Maithripala Sirisena, tornou-se l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o aos termos do acordo de arrendamento negociado pelo governo de Sirisena (SIRILAL; ANEEZ, 2017). Ainda que o acordo do arrendamento j\u00e1 houvesse sido assinado, essa oposi\u00e7\u00e3o gerou perturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que criou barreiras para a China iniciar o investimento previsto no acordo de arrendamento e as obras que estavam envolvidas no acordo (SIRILAL; ANEEZ, 2017). Essa situa\u00e7\u00e3o exp\u00f5e que at\u00e9 mesmo pol\u00edticos \u201cpr\u00f3-China\u201d como \u00e9 o caso de\u00a0Mahinda Rajapaska, podem se posicionar contra o pa\u00eds para atingir os seus objetivos pol\u00edticos espec\u00edficos.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 poss\u00edvel concluir que essa tese de \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d \u00e9 pautada por argumentos que visam sobressair a imagem dos Estados Unidos como o lado justo dessa nova Guerra Fria, enquanto a China \u00e9 representada como a vil\u00e3 que causa endividamentos propositais e amea\u00e7a a soberania dos Estados. Enquanto o debate gira em torno dessa narrativa, a situa\u00e7\u00e3o do Sri Lanka acaba n\u00e3o sendo analisada da forma mais adequada. Uma an\u00e1lise mais detida mostra que a China n\u00e3o \u00e9 culpada pelo grande endividamento do Estado, principalmente por oferecer condi\u00e7\u00f5es de pagamentos de empr\u00e9stimos muito mais favor\u00e1veis. Al\u00e9m disso, o porto de Hambantota \u00e9 um projeto com grande potencial para impulsionar as exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, diminuindo os problemas gerados pela restri\u00e7\u00e3o externa. Por fim, o hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es entre China e Sri Lanka \u00e9 muito longo, sendo que as rela\u00e7\u00f5es positivas mant\u00eam-se por muitos s\u00e9culos e muito antes do atual crescimento econ\u00f4mico excepcional, a China j\u00e1 cedia empr\u00e9stimos para a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas no Sri Lanka.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, a principal mudan\u00e7a que fez os empr\u00e9stimos do passado n\u00e3o serem considerados uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d \u00e9 a nova import\u00e2ncia da China no cen\u00e1rio internacional, posto que atualmente amea\u00e7a a hegemonia dos Estados Unidos. Se esse empr\u00e9stimo ocorresse nas mesmas condi\u00e7\u00f5es em um cen\u00e1rio em que os Estados Unidos n\u00e3o percebesse a China como uma amea\u00e7a, provavelmente a repercuss\u00e3o teria sido muito menor e a tese da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d n\u00e3o seria aventada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos tamb\u00e9m que \u00e9 percept\u00edvel a exist\u00eancia da inten\u00e7\u00e3o por parte de pol\u00edticos dos Estados Unidos de \u201cdemonizar\u201d a China e os seus acordos econ\u00f4micos e comerciais com outros pa\u00edses, principalmente se considerarmos a desinforma\u00e7\u00e3o presente nos discursos destes pol\u00edticos. E alguns ve\u00edculos da m\u00eddia acabam sendo porta-voz destes discursos ao tamb\u00e9m acusar a China de realizar uma \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, ainda com a exist\u00eancia de argumentos expondo o contr\u00e1rio. Estes ve\u00edculos da m\u00eddia, n\u00e3o trazem somente visibilidade para uma fal\u00e1cia, como tamb\u00e9m promovem que a opini\u00e3o p\u00fablica seja moldada com base na desinforma\u00e7\u00e3o. Portanto, o caso dos empr\u00e9stimos do Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 relevante somente para a compreens\u00e3o dos empr\u00e9stimos chineses e da iniciativa do \u201cCintur\u00e3o e Rota\u201d, sendo do mesmo modo, pertinente para a compreens\u00e3o de como em per\u00edodos de rivalidade entre Estados, a pol\u00edtica e a m\u00eddia de um pa\u00eds podem agir para afetar aos projetos e na opini\u00e3o p\u00fablica sobre outro pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ABI-HABIB, Maria.&nbsp;How China Got Sri Lanka to Cough Up a Port.&nbsp;<strong>The New York Times.&nbsp;<\/strong>Nova Iorque, 25 jun. 2018.Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/06\/25\/world\/asia\/china-sri-lanka-port.html. Acesso em: 23 abr. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>ANANDAKUGAN, Nithyani. The Sri Lankan Civil War and Its History, Revisited in 2020.&nbsp;<strong>Harvard International Review<\/strong>, Cambridge, 31 ago. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/hir.harvard.edu\/sri-lankan-civil-war\/. Acesso em: 4 fev. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>ARANGALLA, Chandana Priyantha.&nbsp;<strong>Nonalignment to balance China&#8217;s influence on Sri Lanka: negotiating China&#8217;s &#8220;string of pearls&#8221; strategy for the Pearl of the Indian Ocean<\/strong>.&nbsp;2017. 97 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) &#8211; Curso de Artes em Estudos de Seguran\u00e7a, Nacional de Neg\u00f3cios de Seguran\u00e7a, Escola de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Naval, Monterey, 2017. Dispon\u00edvel em: https:\/\/calhoun.nps.edu\/bitstream\/handle\/10945\/56751\/17Dec_Arangalla_Chandana.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y. Acesso em: 25 jun. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BASTIAMPILLAI, B. E. S. J. 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Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.aninews.in\/news\/world\/asia\/sri-lankan-leaders-use-chinese-money-for-personal-benefit-say-locals-around-hambantota-port20220410235110\/.&nbsp;Acesso em: 17 jun. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>KANNAN, Saikiran. Exclusive: Revival of Hambantota port in Sri Lanka may strengthen China\u2019s position in Indian Ocean.&nbsp;<strong>India Today.&nbsp;<\/strong>Nova Delhi. 19 mar. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.indiatoday.in\/world\/story\/revival-hambantota-port-sri-lanka-strengthen-china-position-indian-ocean-1781171-2021-03-19.&nbsp;Acesso em: 5 maio 2021.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>PATRANOBIS, Sutirtho.&nbsp;<strong>China will not be allowed to set up military facility at Hambantota port<\/strong>: sri lanka.&nbsp;Sri Lanka. 2017. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.hindustantimes.com\/world-news\/china-will-not-be-allowed-to-set-up-military-facility-at-hambantota-port-sri-lanka\/story-jgC8hakkj2ihPhNK48B8TN.html. Acesso em: 04 ago. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MUKHERJEE, Andy.&nbsp;<strong>The Great Chinese White Elephant of Sri Lanka<\/strong>.&nbsp;2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.washingtonpost.com\/business\/the-great-chinese-white-elephant-of-sri-lanka\/2022\/04\/13\/c105e21c-bb81-11ec-a92d-c763de818c21_story.html. Acesso em: 08 jun. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>NASCIMENTO, Lucas; MAYNETTO, M\u00f4nica. As rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas China-Am\u00e9rica Latina: O giro ao pac\u00edfico.&nbsp;<strong>Mundo e Desenvolvimento<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 1, n. 2, p. 194-210, 2 jun. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ieei.unesp.br\/index.php\/IEEI_MundoeDesenvolvimento\/article\/view\/45.&nbsp;Acesso em: 23 abr. 2021<\/p>\n\n\n\n<p>NAUGHTON, Barry. 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Acesso em: 06 set. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vice president Mike Pence\u2019s remarks on the administration&#8217;s policy towards China.&nbsp;<\/strong>Pennsylvania, 4 out. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.hudson.org\/events\/1610-vice-president-mike-pence-s-remarks-on-the-administration-s-policy-towards-china102018.&nbsp;Acesso em: 6 fev. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>WAIDYATILAKE, Barana. A New Role for Sri Lanka in Asia\u2019s Changing Geopolitics?&nbsp;<strong>Stiftung Wissenschaft Und Politik<\/strong>, Berlim, 27 ago. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.swp-berlin.org\/publications\/products\/projekt_papiere\/Waidyatilake_BCAS_2018_Sri_Lanka_geopolitics_7.pdf. Acesso em: 1 jan. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>XING, Li. China\u2019s Pursuit of the \u201cOne Belt One Road\u201d Initiative: A New World Order with Chinese Characteristics? In: XING, Li (org.).&nbsp;<strong>Mapping China\u2019s \u2018One Belt One Road\u2019 Initiative<\/strong>.&nbsp;Londres: Palgrave Macmillan, 2019. Cap. 1, p. 27.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_ednref1\"><sup>[i]<\/sup><\/a>&nbsp;Agrade\u00e7o aos meus orientadores Pedro Curado e Eduardo Crespo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[ii]<\/sup>&nbsp;China, he claimed, \u2018uses bribes, opaque agreements, and the strategic use of debt to hold states in Africa captive to Beijing\u2019s wishes and demands\u2019. Bolton went on to claim that the US vision for Africa was \u2018of independence, self-reliance and growth\u2019 rather than \u2018dependency, domination and debt\u2019. In the same speech he claimed that China\u2019s \u2018predatory actions\u2019 were subcomponents of broader strategic initiatives including the Belt and Road Initiative (BRI), which was described as \u2018a plan to develop a series of trade routes leading to and from China with the ultimate goal of advancing Chinese global dominance\u2019 (BRAUTIGAM, 2019, p.4).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_ednref3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a>&nbsp;This was China\u2019s plan all along. To run up the debt of these developing countries and when they couldn\u2019t pay them back, China would take their assets. We warned them this would happen.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[iv]<\/sup>&nbsp;The senators cautioned that the U.S. must be wary of enabling China\u2019s debt-trap diplomacy in loans provided by multilateral development institutions for which the United States is the main funder. &nbsp;\u201cWe urge the State Department and the Treasury to consider the impact of the Chinese-financed Belt and Road Initiative (BRI) on the finances of many troubled economies and policy implications of additional International Monetary Fund (IMF) or World Bank support,\u201d&nbsp;wrote the senators.&nbsp;\u201cDomestic economic constraints in China stemming from COVID-19 will likely make China less willing to roll over debts as they mature, which could exacerbate emerging-market liquidity challenges,\u201d&nbsp;the senators continued.&nbsp;\u201cAs projects struggle in areas of strategic interest, China will be tempted to safeguard its investments and political influence.\u201d (CHUCK GRASSLEY, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_ednref5\"><sup>[v]<\/sup><\/a>&nbsp;In 2011, Secretary of State Hillary Clinton went to Africa to warn Africans against \u2018the new colonialism\u2019; and at the 2014 US\u2013Africa summit, President Barack Obama\u2019s paternalistic advice to African leaders that they \u2018make sure that if, in fact, China is putting in roads and bridges, number one, that they\u2019re hiring African workers\u2019 repeated another myth: that China does not employ African workers (BRAUTIGAM, 2019, p.4).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/7D2E3624-31DC-4A5A-AD78-F180857F56F2#_ednref6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a>&nbsp;Just ask Sri Lanka, which took on massive debt to let Chinese state companies build a port with questionable commercial value. Two years ago, that country could no longer afford its payments \u2013 so Beijing pressured Sri Lanka to deliver the new port directly into Chinese hands. It may soon become a forward military base for China\u2019s growing blue-water navy (HUDSON INSTITUTE, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E645941B-89F0-46A4-8BFE-5F3E6981050D#_ednref1\"><sup>[i]<\/sup><\/a>&nbsp;The largest portion of Sri Lanka\u2019s foreign debt was international sovereign bonds, which amounted to 39 percent of the total foreign debt as of 2017. These are commercial borrowings obtained from international capital markets since 2007, and such bonds have resulted in soaring external debt servicing due to the nature of the debt. Unlike in concessionary loans obtained to carry out a specific development project, these commercial borrowings do not have a long payback period or the option of payment in small installments. When sovereign bonds mature, it results in a significant increase of external debt servicing costs, as the entire face value of the bond should be paid once as opposed to paying installments for concessionary loans (MORAMUDALI, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/E645941B-89F0-46A4-8BFE-5F3E6981050D#_ednref2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a>&nbsp;<sup>[ii]<\/sup>&nbsp;\u201cJust as European imperial powers employed gunboat diplomacy, China is using sovereign debt to bend other states to its will. As Sri Lanka&#8217;s handover of the strategic Hambantota port shows, states caught in debt bondage to the new imperial giant risk losing both natural assets and their very sovereignty.\u201d&nbsp;(CHELLANEY, 2017).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Aline Mendes <\/strong>\u00e9 mestranda nos programas de Comunica\u00e7\u00e3o, da Universidade Federal Fluminense e de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bacharel em Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua nos grupos de pesquisa Geopol\u00edtica da Eur\u00e1sia (LESD\/UFRJ), NEMACS e TeleVis\u00f5es (PPGCOM\/UFF).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como citar esse artigo:<\/p><p>MENDES, Aline. A China como credora do Sri Lanka e a fal\u00e1cia da \u201carmadilha da d\u00edvida\u201d, <em>Di\u00e1logos Internacionais,<\/em> <em>vol.9, n.92, jun.2022.<\/em>, Dispon\u00edvel em: https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2714<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 9 | N\u00famero 92 | Jul. 2022 Por Aline Mendes O presente<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2715,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,660],"tags":[671,668,670,669],"class_list":["post-2714","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-volume9","tag-armadilha-da-divida","tag-china","tag-iniciativa-cinturao-e-rota","tag-siri-lanka"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2714"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2740,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2714\/revisions\/2740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}