{"id":2757,"date":"2022-10-17T10:48:29","date_gmt":"2022-10-17T13:48:29","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2757"},"modified":"2024-04-09T18:26:49","modified_gmt":"2024-04-09T21:26:49","slug":"a-hospitalidade-brasileira-como-identidade-nacional-e-seu-desencontro-com-os-obstaculos-enfrentados-por-imigrantes-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2757","title":{"rendered":"A hospitalidade brasileira como identidade nacional e seu desencontro com os obst\u00e1culos enfrentados por imigrantes no pa\u00eds."},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 9 | N\u00famero 94 | Out. 2022<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2743\" width=\"512\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/baggage.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Dayane de Jesus Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar a hist\u00f3ria da humanidade, percebe-se que a migra\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento antigo, persistente dos prim\u00f3rdios, por\u00e9m, torna-se evidente que tal fen\u00f4meno sofreu diversas mudan\u00e7as ao longo dos anos. Em entrevista para a revista Galileu, o fil\u00f3sofo Zygmunt Bauman (2015) justifica que a principal diferen\u00e7a ocorrida com o decorrer do tempo se d\u00e1 pelos governantes dos pa\u00edses, os quais acreditam na supremacia de suas culturas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos imigrantes (BERNARDO apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019). Entretanto, cabe destacar que isso n\u00e3o se limita apenas aos governantes, mas tamb\u00e9m aos indiv\u00edduos das sociedades, pois, por vezes, ao presenciarem estrangeiros coabitando seus ambientes, os enxergam como amea\u00e7as tanto em rela\u00e7\u00e3o ao hibridismo cultural quanto \u00e0 disputa por emprego (MARTINS &amp; XAVIER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se ent\u00e3o a necessidade de reflex\u00e3o acerca das condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia e do apoio governamental aos imigrantes no territ\u00f3rio do pa\u00eds. Portanto, o presente artigo pretende analisar o fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o na conjuntura brasileira perante sua caracter\u00edstica mais popular: a hospitalidade. Levando ainda em considera\u00e7\u00e3o o contexto hist\u00f3rico e pol\u00edtico da migra\u00e7\u00e3o e a realidade enfrentada por imigrantes no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, evidencia-se a import\u00e2ncia de analisar o fluxo migrat\u00f3rio como uma din\u00e2mica geopol\u00edtica intensificada pela globaliza\u00e7\u00e3o. Deve-se ter em vista que, apesar da globaliza\u00e7\u00e3o ser um processo de hegemoniza\u00e7\u00e3o da ordem e da cultura norte-americana liberal, seus principais aspectos consistem na perda da ideia de na\u00e7\u00e3o e nacionalismo dos Estados (BRESSER-PEREIRA, 2018) e a desigualdade dos impactos entre os mais diversos pa\u00edses. O ge\u00f3grafo social David Harvey (apud PRADO, 2009, p. 2) destaca que:&nbsp;<em>\u201c[&#8230;] a ordena\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do espa\u00e7o e do tempo gera o cen\u00e1rio para as experi\u00eancias pelas quais aprendemos o que somos e onde estamos na sociedade.\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Consoante a essa defini\u00e7\u00e3o, pode-se afirmar que a estrutura do espa\u00e7o \u00e9 primordial para se estabelecer as mais distintas formas de rela\u00e7\u00f5es sociais. Desse modo, ao terem suas ambi\u00e7\u00f5es individuais e\/ou seus direitos fundamentais indeferidos, imigrantes partem de seus pa\u00edses de origem em busca de novas oportunidades e melhores condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia. Observando a dire\u00e7\u00e3o dos migrantes, refor\u00e7a-se, ent\u00e3o, que as bruscas demarca\u00e7\u00f5es (geogr\u00e1ficas, sociais, culturais e econ\u00f4micas, por exemplo) entre os Estados do norte e do sul global s\u00e3o causas elementares para o aumento do fluxo migrat\u00f3rio (CASTLES apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Mediante a an\u00e1lise da conjuntura hist\u00f3rica do Brasil, percebe-se que seu contexto \u00e9 marcado por um forte fluxo migrat\u00f3rio de refugiados. Primordialmente a partir da Segunda Grande Guerra, legisla\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas migrat\u00f3rias come\u00e7aram a ser desenvolvidas e estabelecidas no Brasil, a fim de receber e integrar os migrantes \u00e0 sociedade (MARTINS &amp; XAVIER, 2019). Entretanto, tais instrumentos se mostraram escassos e ineficientes para o bem-estar geral dos mesmos. Como exemplo principal da persist\u00eancia de obst\u00e1culos na integra\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel citar o preconceito enfrentado cotidianamente, o qual interfere em todos os aspectos de suas vidas e contradiz a caracter\u00edstica de hospitalidade do povo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CARACTER\u00cdSTICAS PRIMORDIAIS DA IDENTIDADE NACIONAL BRASILEIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro plano, deve-se esclarecer os conceitos dos principais termos que ser\u00e3o abordados nesse t\u00f3pico: na\u00e7\u00e3o e nacionalismo, os quais s\u00e3o respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional. Por\u00e9m, salienta-se que tal identidade n\u00e3o consiste apenas pela generaliza\u00e7\u00e3o de seus aspectos sociais e culturais, mas tamb\u00e9m pela an\u00e1lise pol\u00edtica e hist\u00f3rica daquele lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o autor norte-americano Benedict Anderson (2008), o nacionalismo e a pr\u00f3pria nacionalidade s\u00e3o produtos culturais espec\u00edficos, tendo em vista que, apesar de suas origens hist\u00f3ricas, seus significados sofreram transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo at\u00e9 alcan\u00e7arem a legitimidade emocional tal qual conhecemos atualmente. O sentimento de uni\u00e3o e pertencimento estruturados entre os indiv\u00edduos de uma na\u00e7\u00e3o, onde, paradoxalmente, a maioria n\u00e3o se conhece e nunca se conhecer\u00e3o, justificam o porqu\u00ea de o autor nomear sua obra como \u201cComunidades Imaginadas\u201d. Ademais, Anderson (2008, p. 34) ainda observa:&nbsp;<em>\u201c[&#8230;] independentemente da desigualdade e da explora\u00e7\u00e3o efetivas que possam existir dentro dela, a na\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 concebida como uma profunda camaradagem horizontal.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a identidade nacional n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo apenas de qualidades positivas de uma na\u00e7\u00e3o. Um dos princ\u00edpios fundamentais das rela\u00e7\u00f5es sociais brasileiras \u00e9 a &#8220;cordialidade&#8221;, a qual S\u00e9rgio Buarque de Holanda (1995) definiu como a utiliza\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica de fundo emotivo em vez da racionalidade. Essa caracter\u00edstica consiste nas pr\u00e1ticas de favores e ajudas constantes entre os indiv\u00edduos mais distintos, que \u00e9 conhecida popularmente como o \u201cjeitinho brasileiro\u201d de se conseguir seus objetivos. A valer, a cordialidade exp\u00f5e a origem patrimonialista n\u00e3o somente nas a\u00e7\u00f5es de seus cidad\u00e3os, mas principalmente nas estruturas de poder brasileiras desde a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa em 1500 (SCHWARCZ, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O patrimonialismo gera ainda uma s\u00e9rie de empecilhos aos cidad\u00e3os brasileiros, tanto para o cumprimento de seus deveres, quanto para a execu\u00e7\u00e3o de seus direitos. Isso ocorre porque tal caracter\u00edstica faz com que o Estado e suas entidades coloquem os interesses privados acima dos p\u00fablicos e, consequentemente, do bem-estar geral da na\u00e7\u00e3o, nublando as rela\u00e7\u00f5es entre as esferas p\u00fablicas e privadas e seus limites (SCHWARCZ, 2019).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cNossa forma ordin\u00e1ria de conv\u00edvio social \u00e9, no fundo, justamente o contr\u00e1rio da polidez. Ela pode iludir na apar\u00eancia \u2014 e isso se explica pelo fato de a atitude polida consistir precisamente em uma esp\u00e9cie de m\u00edmica deliberada de manifesta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o espont\u00e2neas no \u201chomem cordial\u201d : \u00e9 a forma natural e viva que se converteu em f\u00f3rmula\u201d\u00a0<\/em>(HOLANDA, 1995 p. 147).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desse modo, forja-se no Brasil uma sociedade dual tomada pelo corporativismo pol\u00edtico e pela seletividade penal, na qual certos indiv\u00edduos s\u00e3o privilegiados em detrimento de muitos, tornando os c\u00f3digos e normas cab\u00edveis a certos cidad\u00e3os enquanto irrelevantes para outros.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONTEXTO HIST\u00d3RICO ENTRE BRASIL E IMIGRANTES <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 repleta de imigra\u00e7\u00f5es, especialmente for\u00e7adas, que originaram o pa\u00eds miscigenado em que se vive. \u00c9 fato que entre o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa (1500) e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura (1822), muitos africanos foram trazidos \u00e0 for\u00e7a para serem escravizados. Ademais, muitos europeus vieram ao Brasil para ocupar seu interior e litoral. De acordo com os pesquisadores Ver\u00e1n, Noal e Fainstat (2014), ap\u00f3s, o per\u00edodo da escravid\u00e3o, a \u00faltima grande onda de migra\u00e7\u00f5es ocorreu do final do s\u00e9culo XIX at\u00e9 meados de 1920.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se salientar que o crescimento do fluxo migrat\u00f3rio foi impulsionado em consequ\u00eancia da Pol\u00edtica do Caf\u00e9 com Leite, na qual S\u00e3o Paulo e Minas Gerais possu\u00edam a predomin\u00e2ncia do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico do pa\u00eds. Isso se deu gra\u00e7as \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 em S\u00e3o Paulo e a produ\u00e7\u00e3o de latic\u00ednios em Minas Gerais, ocasionando na centraliza\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es pol\u00edticas da Rep\u00fablica Olig\u00e1rquica nas m\u00e3os desses estados. Junto a tal momento, pol\u00edticas p\u00fablicas foram estabelecidas com o objetivo de facilitar e legalizar a entrada de imigrantes para preencher as necessidades de m\u00e3o-de-obra especialmente nas planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 em S\u00e3o Paulo. Entretanto, Ver\u00e1n, Noal e Fainstat (2014, p. 1007) ainda destacam:\u00a0<em>\u201cNessas migra\u00e7\u00f5es \u201cdesejadas\u201d, era privilegiada a \u201cascend\u00eancia europeia\u201d, tida como garantia de um povoamento compat\u00edvel com uma vis\u00e3o de civiliza\u00e7\u00e3o dominada pelo imagin\u00e1rio europeu.\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, j\u00e1 em 1933 foi estruturada uma s\u00e9rie de pol\u00edticas restritivas que dificultou a entrada de imigrantes no Brasil. Estabeleceu-se ent\u00e3o uma quantidade m\u00e1xima de 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade que haviam migrado nos 50 anos anteriores. Embora em 1988 tenha ocorrido mudan\u00e7as na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, as pol\u00edticas voltadas aos imigrantes e refugiados permanecem restritivas (VER\u00c1N et al, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>SITUA\u00c7\u00c3O MIGRAT\u00d3RIA ATUAL NO BRASIL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, \u00e9 de suma relev\u00e2ncia destacar a import\u00e2ncia dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o modernos para os deslocamentos entre os pa\u00edses a partir do s\u00e9culo XXI. Devido \u00e0 velocidade da tecnologia e das m\u00eddias, largas transforma\u00e7\u00f5es ocorreram impactando a maioria, sen\u00e3o, todos os pa\u00edses do sistema internacional. Como exemplo, pode-se citar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, econ\u00f4micas e geopol\u00edticas. Face a tal cen\u00e1rio, o Brasil se destaca como uma pot\u00eancia econ\u00f4mica politicamente equilibrada e diplomaticamente desafiadora \u00e0s legisla\u00e7\u00f5es restritivas disseminadas no Ocidente, as quais Ver\u00e1n, Noal e Fainstat (2014) ressaltam:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201c[&#8230;] coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, militante da quebra de algumas patentes m\u00e9dicas (por raz\u00f5es humanit\u00e1rias), protagonista da miss\u00e3o de paz no Timor e artes\u00e3o central da interven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Haiti. Nessa conjuntura, era de se esperar que o Brasil entraria na rota das migra\u00e7\u00f5es globalizadas.\u201d\u00a0<\/em>(VER\u00c1N et al, 2014, p. 1008)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A valer, segundo Hammar (apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019), as pol\u00edticas migrat\u00f3rias consistem na normatiza\u00e7\u00e3o dos direitos e deveres do imigrante ao entrar no Brasil, ou seja, a assegura\u00e7\u00e3o acerca do direito \u00e0 moradia ou estadia. Salomon (apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019) ainda exemplifica como gest\u00e3o da pol\u00edtica de migra\u00e7\u00f5es assuntos como a seguran\u00e7a nacional, o suprimento da m\u00e3o-de-obra, quest\u00f5es humanit\u00e1rias e o desempenho em meio aos tratados internacionais. Ademais, ressalta-se a necessidade n\u00e3o apenas de regularizar os imigrantes e refugiados no territ\u00f3rio brasileiro, mas tamb\u00e9m de integr\u00e1-los \u00e0 sociedade (HAMMAR apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda diante do cen\u00e1rio de escassez de pol\u00edticas que garantem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia e seguran\u00e7a a imigrantes em diversos pa\u00edses, criou-se, em 24 de maio de 2017, a Lei de Migra\u00e7\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o Federal do Brasil, lei no 13.445), (BEVILACQUA, 2019). De acordo com dados produzidos pelo Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais e divulgados pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica em dezembro de 2021, de 2011 a 2020 o n\u00famero anual de novos imigrantes reconhecidos cresceu 24,4%, sendo os maiores fluxos provenientes da Venezuela, Haiti e Col\u00f4mbia. Em 2011, o n\u00famero era apenas 86 enquanto em 2020 subiu para 26,5 mil. Consonantemente, as quantidades de solicita\u00e7\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es de refugiados aumentaram tamb\u00e9m de 1,4 mil em 2011 para 28,8 mil em 2020. Todavia, segundo os mesmos dados, cabe salientar ainda que a Pandemia da COVID-19 em 2020 acarretou na redu\u00e7\u00e3o de 50% dos registros de imigrantes em compara\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da Lei de Migra\u00e7\u00e3o garantir as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de subsist\u00eancia aos imigrantes e refugiados, \u00e9 not\u00e1vel a falha em m\u00e9todos de integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade tanto perante a falta de preparo das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, quanto dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, especialmente no Brasil. Mesmo com a amplitude da forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica no Brasil, a xenofobia \u00e9 um problema cotidiano e crescente dos estrangeiros que habitam o pa\u00eds. Essa quest\u00e3o \u00e9 grave e afeta primordialmente os migrantes do continente africano, os s\u00edrios, venezuelanos e, em especial ap\u00f3s o in\u00edcio da dissemina\u00e7\u00e3o do novo Coronav\u00edrus, os asi\u00e1ticos (AMORELLI, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A XENOFOBIA NO BRASIL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o brasileiro seja conhecido popularmente ao redor do mundo pela sua hospitalidade, deve-se levar em conta que as estruturas do pa\u00eds e seus cidad\u00e3os possuem origens enraizadas ao racismo. Segundo o pesquisador Gustavo Barreto (apud PUFF, 2015), os ve\u00edculos de midia s\u00e3o meios fundamentais para a dissemina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o e do racismo h\u00e1 s\u00e9culos. A valer, Barreto afirma:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cA imprensa parece n\u00e3o se preocupar com a figura do imigrante ou em discutir o tema imigra\u00e7\u00e3o em toda sua complexidade. Sobretudo dos anos 2000 em diante, o imigrante aparece nas p\u00e1ginas dos jornais brasileiros como explorado, submisso ou relacionado a den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Em geral os novos imigrantes est\u00e3o sempre sendo vistos como problem\u00e1ticos na sociedade. As not\u00edcias n\u00e3o est\u00e3o discutindo imigra\u00e7\u00e3o, problematizando o assunto, e n\u00e3o se v\u00ea discuss\u00f5es de pol\u00edtica imigrat\u00f3ria ou da legisla\u00e7\u00e3o em nenhum momento.\u201d\u00a0<\/em>(BARRETO apud PUFF, 2015)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desse modo, pode-se afirmar que os brasileiros recebem muito bem os estrangeiros majoritariamente brancos e oriundos do norte global, por\u00e9m, quando se trata de refugiados e imigrantes negros proveniente, em especial, de pa\u00edses do sul global, o contexto se torna outro. Evidenciando, portanto, uma hospitalidade seletiva (BARRETO apud PUFF, 2015)<\/p>\n\n\n\n<p>Um recente exemplo de ataque xenof\u00f3bico, o qual chocou a sociedade brasileira, que condenou o ato como b\u00e1rbaro &#8211; que se pode citar, foi o assassinato brutal do congol\u00eas Mo\u00efse Mugenyi Kabagambe em 24 de janeiro de 2022. Ao cobrar R$200 de pagamento do trabalho que havia exercido no quiosque Tropical localizado na praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, Mo\u00efse foi cruelmente assassinado por 5 homens em plena orla do bairro &#8211; conhecido pelos moradores da cidade por ser elitista. As imagens da c\u00e2mera de seguran\u00e7a do estabelecimento foram divulgadas em hor\u00e1rio nobre na televis\u00e3o aberta, expondo ainda um not\u00e1vel descaso e desrespeito com o congol\u00eas, sua fam\u00edlia e com corpos pretos no geral. Milhares de pessoas se reuniram em diversas cidades brasileiras para exigir justi\u00e7a para Mo\u00efse, entretanto, alguns de seus assassinos, embora identificados, continuam em liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo ocorreu em agosto de 2017, Mohamed Ali, um refugiado s\u00edrio que vendia esfirras em Copacabana, sofreu ataques xenof\u00f3bicos de outro vendedor ambulante. No v\u00eddeo, pode-se ver o brasileiro segurando um peda\u00e7o de pau e gritando ofensas contra o s\u00edrio, exigindo que o mesmo sa\u00edsse do pa\u00eds e o chamando de homem-bomba. A repercuss\u00e3o do v\u00eddeo nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o causou grande mobiliza\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o acontecimento, cerca de 30 pessoas fizeram quest\u00e3o de comprar esfihas com Mohamed e forjou-se uma arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para que o s\u00edrio pudesse realizar seu sonho de montar um food truck. Em entrevista para a Ag\u00eancia Brasil (2017), o pesquisador em imigra\u00e7\u00f5es s\u00edrio-libanesas, Guilherme Curi, explica que grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 descendente de s\u00edrios e libaneses e que os \u00e1rabes sempre conseguiram se socializar com os cidad\u00e3os do Brasil. Entretanto, a partir do ataque \u00e0s Torres G\u00eameas em 2001, a imagem \u00e1rabe foi contorcida a um terrorista em potencial. Ademais, Guilherme (2017) afirma que, perante crises econ\u00f4micas e incertezas pol\u00edticas, \u00e9 comum que o estrangeiro seja visto como amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dado o exposto, pode-se concluir que, embora a globaliza\u00e7\u00e3o tenha promovido pontos positivos na economia, tecnologia e nas rela\u00e7\u00f5es interestatais, o fen\u00f4meno gerou tamb\u00e9m diversos pontos negativos. Em especial, pode-se destacar o fato da globaliza\u00e7\u00e3o influenciar na perda da ideia de na\u00e7\u00e3o tanto nos pa\u00edses em desenvolvimento, perif\u00e9ricos, quanto dos centrais. Ademais, tal influ\u00eancia faz ainda com que os pa\u00edses perif\u00e9ricos desacreditem at\u00e9 mesmo de seu pr\u00f3prio nacionalismo econ\u00f4mico (BRESSER-PEREIRA, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, observa-se que esse fen\u00f4meno acarreta tamb\u00e9m na dissemina\u00e7\u00e3o das culturas, primordialmente, da norte-americana. Desse modo, enraiza-se a supremacia dos valores oriundos do norte global, acentuando ainda mais as bruscas demarca\u00e7\u00f5es entre os hemisf\u00e9rios, as quais s\u00e3o respons\u00e1veis por intensificar o fluxo migrat\u00f3rio ao redor do mundo (CASTLES apud MARTINS &amp; XAVIER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ordem global manifesta e aprofunda o preconceito estrutural aos indiv\u00edduos provenientes do sul do mundo, em especial, de origem latino-americana, \u00e1rabe, do continente africano e at\u00e9 mesmo asi\u00e1tico. Assim, nos pa\u00edses centrais permanecem uma s\u00e9rie de legisla\u00e7\u00f5es restritivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Brasil, apesar de ser mundialmente conhecido por sua caracter\u00edstica de hospitalidade e por possuir em sua Constitui\u00e7\u00e3o uma norma espec\u00edfica sobre a recep\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de imigrantes, Lei de Migra\u00e7\u00e3o n. 13.445 (CONSTITUI\u00c7\u00c3O FEDERAL DO BRASIL, 1988), s\u00e3o not\u00e1veis os empecilhos cotidianos enfrentados por esses indiv\u00edduos. Pode-se citar como principal exemplo a dificuldade de integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, tendo em vista a relut\u00e2ncia de se conseguir empregos e moradias e, quando conseguem, permanecem sendo alvos de inj\u00farias e viol\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora exista o mito da democracia racial no Brasil, cabe ressaltar ainda que grande parte da xenofobia \u00e9 procedente do racismo. Todavia, Guilherme Curi (apud Ag\u00eancia Brasil, 2017) afirma tamb\u00e9m que face a crises econ\u00f4micas e incertezas, por vezes, estrangeiros s\u00e3o vistos como amea\u00e7as devido \u00e0 concorr\u00eancia por postos de emprego e pelo hibridismo cultural. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o justifica e nunca justificar\u00e1 o preconceito sofrido pelos refugiados e imigrantes atrav\u00e9s de atos violentos, frases de \u00f3dio e empecilhos para sua subsist\u00eancia. Desse<\/p>\n\n\n\n<p>modo, conv\u00e9m refletir acerca da escassez da coopera\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro para mudar essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cN\u00e3o podemos mais aceitar as condi\u00e7\u00f5es em que se vive o homem negro, sendo discriminado da vida social do pa\u00eds, vivendo no desemprego, subemprego e nas favelas. N\u00e3o podemos mais consentir que o negro sofra persegui\u00e7\u00f5es constantes da pol\u00edcia, sem dar uma resposta.\u201d\u00a0<\/em>(GONZALEZ &amp; HASENBALG, 1982, p. 44).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Conclui-se, portanto, a necessidade de abordar as quest\u00f5es migrat\u00f3rias com o intuito de se elaborar solu\u00e7\u00f5es para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia dos imigrantes. Isto \u00e9, desenvolvendo pol\u00edticas p\u00fablicas e antirracistas que assegurem a sa\u00fade, moradia e trabalho dos imigrantes, al\u00e9m de sensibilizar o povo brasileira acerca desse cen\u00e1rio visando diminuir os constantes casos de xenofobia e racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ABDALA, Vitor. Cariocas se mobilizam em defesa de s\u00edrio v\u00edtima de xenofobia no Rio.&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Rio de Janeiro, 12 ago. 2017. Dispon\u00edvel em: https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2017-08\/cariocas-se-mobilizam-em-defesa-de-s irio-vitima-de-xenofobia-no-rio. Acesso em: 12 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>AMORELLI, Naiara. A xenofobia no Brasil e no mundo.&nbsp;<strong>Laborat\u00f3rio de Demografia e Estudos Populacionais<\/strong>, Universidade Federal de Juiz de Fora, 29 jun. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufjf.br\/ladem\/2020\/06\/29\/a-xenofobia-no-brasil-e-no-mundo\/. Acesso em: 12 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSON, Benedict.&nbsp;<strong>Comunidades imaginadas<\/strong>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>BEVILACQUA, Janaina Grazielli. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e a defesa dos direitos fundamentais dos imigrantes.&nbsp;<strong>Jusbrasil<\/strong>, 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/janainabevilacqua.jusbrasil.com.br\/artigos\/630354440\/a-constituicao-federal-de-1988- e-a-defesa-dos-direitos-fundamentais-dos-imigrantes. Acesso em: 11 fev. 2022<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o (1988). Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil. Bras\u00edlia, DF: Senado Federal: Centro Gr\u00e1fico, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Nacionalismo econ\u00f4mico e desenvolvimentismo.&nbsp;<strong>Economia e Sociedade<\/strong>, Campinas, v. 27, n. 64, ed. 3, p. 853-874, 2018. Dispon\u00edvel em: http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1982-3533.2018v27n3art06. Acesso em: 11 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>DADOS consolidados da imigra\u00e7\u00e3o no Brasil. Brasil, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/portaldeimigracao.mj.gov.br\/images\/dados\/relatorios_conjunturais\/2020\/Dados_Conso lidados_da_Imigra%C3%A7%C3%A3o_no_Brasil_-_2020.pdf. Acesso em: 11 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o,&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. N\u00famero de novos imigrantes cresce 24,4% no Brasil em dez anos. A, Bras\u00edlia, 7 dez. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-12\/numero-de-novos-imigrantes-cresce-2 44-no-brasil-em-dez-anos#:~:text=Atualmente%201%2C3%20milh%C3%A3o%20de%20im igrantes%20residem%20no%20Brasil.,26%2C5%20mil%20em%202020. Acesso em: 12 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>GONZALEZ, L\u00e9lia; HASENBALG, Carlos.&nbsp;<strong>Lugar de Negro<\/strong>. Rio de Janeiro: Editora Marco Zero, 1982. v. 3.<\/p>\n\n\n\n<p>HOLANDA, S\u00e9rgio Buarque de.&nbsp;<strong>Ra\u00edzes do Brasil<\/strong>. 26. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINS, Andreia de F\u00e1tima Hoelzle; XAVIER, Wescley Silva. O direito ao trabalho para refugiados: caracter\u00edsticas das pol\u00edticas migrat\u00f3rias brasileiras do p\u00f3s-guerra at\u00e9 2019.&nbsp;<strong>Cadernos EBAPE.BR<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, p. 325-337, 2021. Dispon\u00edvel em: http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1679-395120200028. Acesso em: 11 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>PRADO, L. C. D. (2009).&nbsp;<strong>Globaliza\u00e7\u00e3o: notas sobre um conceito controverso<\/strong>. Encontra-se publicado no site do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>PUFF, Jefferson. Racismo contra imigrantes no Brasil \u00e9 constante, diz pesquisador.&nbsp;<strong>BBC News Brasil<\/strong>, 26 ago. 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/08\/150819_racismo_imigrantes_jp_rm. Acesso em: 18 fev. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWARCZ, Lilia M.&nbsp;<strong>Sobre o autoritarismo brasileiro<\/strong>. 1a ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>SUAREZ, Marcial A. Garcia. Terrorismo e Pol\u00edtica Internacional: uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica do Sul.&nbsp;<strong>Contexto Internacional<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 34, n. 2, p. 363-396, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00c9RAN, Jean-Fran\u00e7ois; NOAL, D\u00e9bora da Silva; FAINSTAT, Tyler. Nem Refugiados, nem Migrantes: a chegada dos haitianos \u00e0 cidade de Tabatinga (Amazonas).\u00a0<strong>Dados<\/strong>&#8211; Revista de Ci\u00eancias Sociais, Rio de Janeiro, v. 57, n. 4, p. 1007-1041, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Dayane de Jesus Barbosa<\/strong> \u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela UFRJ. Durante o ensino m\u00e9dio, adquiriu experi\u00eancia no meio acad\u00eamico atrav\u00e9s do PIBIC Jr (Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica de Ensino M\u00e9dio) do CNPq. <\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Trabalho desenvolvido sob a supervis\u00e3o do professor Fernando Luz Brancoli (IRID\/UFRJ)<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como citar:<\/p><p>BARBOSA, Dayane de Jesus. <strong>A hospitalidade brasileira como identidade nacional e seu desencontro com os obst\u00e1culos enfrentados por imigrantes no pa\u00eds.<\/strong><em> Di\u00e1logos Internacionais, vol.9, n.94, out.2022. Dispon\u00edvel em: \u00a0<\/em>https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2757<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 9 | N\u00famero 94 | Out. 2022 Por Dayane de Jesus Barbosa<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2743,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,651,660],"tags":[681,680,679],"class_list":["post-2757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicoes-anteriores","category-volume9","tag-brasil","tag-identidade-nacional","tag-imigracao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2757"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2758,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions\/2758"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}