{"id":2969,"date":"2023-08-01T10:34:51","date_gmt":"2023-08-01T13:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969"},"modified":"2024-03-29T19:34:26","modified_gmt":"2024-03-29T22:34:26","slug":"dr-strangelove-or-how-i-learned-to-stop-worrying-and-love-the-bomb-e-sua-incumbencia-na-cultura-da-tensao-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969","title":{"rendered":"\u201cDr Strangelove: or, How I Learned to stop worrying and love the bomb\u201d e sua incumb\u00eancia na Cultura da Tens\u00e3o Nuclear."},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 10 | N\u00famero 102 | Ago. 2023<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/explosion-67557_1280-1024x538.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2971\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/explosion-67557_1280-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/explosion-67557_1280-300x158.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/explosion-67557_1280-768x403.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/explosion-67557_1280.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Maria Ant\u00f4nia Neviani Gra\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo proponho uma an\u00e1lise da causalidade entre a obra cinematogr\u00e1fica \u201c<em>Dr Strangelove: or, How I Learned to stop worrying and love the bomb<\/em>\u201d de Stanley Kubrick e a cultura da tens\u00e3o nuclear na primeira metade da d\u00e9cada de 60 no cen\u00e1rio de cen\u00e1rio de Guerra Fria. A partir do estudo dos elementos simb\u00f3licos da obra, objetivo descrever a rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre o filme e a realidade, a partir da m\u00e1xima de que o filme surge como reflexo da pol\u00edtica externa estadunidense e a posteriori, contribuiu para o debate p\u00fablico sobre a Guerra Fria e a corrida armamentista nuclear. Em conjunto, busco descrever a cultura de tens\u00e3o nuclear como um fator estruturante e definitivo para o conflito da Guerra Fria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>1960 A 1964: O BER\u00c7O DA OBRA<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA economia de guerra proporciona abrigos confort\u00e1veis para dezenas de milhares de burocratas com e sem uniforme militar que v\u00e3o para o escrit\u00f3rio todo dia construir armas nucleares ou planejar uma guerra nuclear; milh\u00f5es de trabalhadores cujo emprego depende do sistema de terrorismo nuclear; cientistas e engenheiros contratados para buscar aquela \u201cinova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d final que pode oferecer seguran\u00e7a total; fornecedores que n\u00e3o querem abrir m\u00e3o de lucros f\u00e1ceis; intelectuais guerreiros que vendem amea\u00e7as e bendizem guerras.\u201d BARNET, Richard (1981,p. 97 apud HOBSBAWN, 1995)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para que seja poss\u00edvel compreender a relev\u00e2ncia da obra analisada, \u00e9 necess\u00e1rio nos debru\u00e7armos sobre o contexto pol\u00edtico-hist\u00f3rico em que foi concebida. O ano de 1960 marca quinze anos ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial, que designou o processo de disputa hegem\u00f4nica no sistema internacional entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ambas as grandes vitoriosas na Segunda Guerra. A disputa se dava na esfera ideol\u00f3gica, em que os EUA representam a preval\u00eancia de sociedades de livre mercado moldadas no sistema capitalista, com o centralismo da cristandade e a propriedade privada, ao passo que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica representa a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a economia planejada, o ate\u00edsmo e aos moldes comunistas, a universaliza\u00e7\u00e3o do sistema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse momento ambas as pot\u00eancias passam a disputar por zonas hegem\u00f4nicas ao redor do globo, os Estados Unidos iniciam pol\u00edticas externas intervencionistas que fomentam a instaura\u00e7\u00e3o de regimes militares nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina<span id='easy-footnote-1-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-1-2969' title=' Nos anos seguintes, a interven\u00e7\u00e3o americana se materializou na Opera\u00e7\u00e3o Condor (1968-1989).'><sup>1<\/sup><\/a><\/span>. Em 1961, \u00e9 constru\u00eddo o maior s\u00edmbolo materializado da Guerra Fria, o Muro de Berlim, na cidade repartida entre os aliados ap\u00f3s a Segunda Grande Guerra. A disputa orbita ao redor do campo cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, se estendendo \u00e0 corrida espacial. Em abril de 1960, os Estados Unidos lan\u00e7am o primeiro sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico e em abril de 1961 o sovi\u00e9tico Yuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a viajar ao espa\u00e7o sideral. Apenas em 1964 os Estados Unidos interv\u00eam no Vietn\u00e3, tornando-se protagonistas da guerra de escala global mais longa do s\u00e9culo XX <span id='easy-footnote-2-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-2-2969' title=' \u201cDepois que este, por sua vez, pareceu \u00e0 beira do colapso, os EUA travaram dez anos de uma grande guerra, at\u00e9 serem por fim derrotados e obrigados a retirar-se em 1975, depois de lan\u00e7ar sobre o infeliz pa\u00eds um volume de explosivos maior do que o empregado em toda a Segunda Guerra Mundial.\u201d (Hobsbawm, 1995, p. 215).'><sup>2<\/sup><\/a><\/span>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a corrida armamentista foi o principal conflito tecnol\u00f3gico respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do conflito, al\u00e9m de ser o precursor da cultura da tens\u00e3o nuclear. As armas tinham potencial de danos inimagin\u00e1veis, a radia\u00e7\u00e3o liberada pelas explos\u00f5es poderia impactar dist\u00e2ncias long\u00ednquas do foco de ataque, e se produzidas em grande escala, poderiam significar a extin\u00e7\u00e3o de todas as formas de vida no planeta terra. A primeira demonstra\u00e7\u00e3o emp\u00edrica do poderio nuclear estadunidense foi no ataque ao Jap\u00e3o em 1945, entretanto a amea\u00e7a se tornava cada vez mais palp\u00e1vel ao passo que no ano de 1962<span id='easy-footnote-3-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-3-2969' title=' \u201cA crise dos m\u00edsseis cubanos de 1962, um exerc\u00edcio de for\u00e7a desse tipo inteiramente sup\u00e9rfluo, por alguns dias deixou o mundo \u00e0 beira de uma guerra desnecess\u00e1ria, e na verdade o susto trouxe \u00e0 raz\u00e3o por algum tempo at\u00e9 mesmo os mais altos formuladores de decis\u00f5es\u201d (Hobsbawm, 1995, p. 227).'><sup>3<\/sup><\/a><\/span> foi o com mais registros de ensaios nucleares. Nos anos seguintes se sucederam centenas de testes em ilhas in\u00f3spitas do pac\u00edfico, em estados interioranos, na Sib\u00e9ria, Cazaquist\u00e3o, Ucr\u00e2nia, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>As demonstra\u00e7\u00f5es ostensivas do poderio nuclear por ambas as pot\u00eancias instalam nas popula\u00e7\u00f5es de ambos os pa\u00edses, por\u00e9m de maior envergadura nos Estados Unidos e no mundo ocidental, a cultura da tens\u00e3o nuclear. A popula\u00e7\u00e3o se v\u00ea constantemente sob o risco de um iminente ataque. O departamento de defesa estadunidense fomentava pol\u00edticas p\u00fablicas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre como agir sobre um ataque nuclear, dentre as quais o famoso v\u00eddeo institucional \u201cDuck and Cover\u201d de 1951 foi um exemplo. Tal conflu\u00eancia de fatores contribui para o sentimento de inseguran\u00e7a, que alimentava os discursos nacionalistas e ideol\u00f3gicos, com a relevante perpetua\u00e7\u00e3o do anticomunismo no mundo ocidental, fen\u00f4meno que remonta a Doutrina Truman de 1947.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura da tens\u00e3o nuclear tem sua origem no medo da \u201cdestrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua inevit\u00e1vel\u201d (MAD), caso ambas as pot\u00eancias concretizassem os ataques nucleares. O conceito \u00e9 descrito por Hobsbawm no seguinte trecho:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c0 medida que o tempo passava, mais e mais coisas podiam dar errado, pol\u00edtica e tecnologicamente, num confronto nuclear permanente baseado na suposi\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 o medo da \u201cdestrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua inevit\u00e1vel\u201d (adequadamente expresso na sigla MAD, das iniciais da express\u00e3o em ingl\u00eas \u2014 mutually assured destruction) impediria um lado ou outro de dar o sempre pronto sinal para o planejado suic\u00eddio da civiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o aconteceu, mas por cerca de quarenta anos pareceu uma possibilidade di\u00e1ria. (HOBSBAWM, 1995, p.224)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>DR STRANGELOVE E SEUS S\u00cdMBOLOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dado o entrecho de Guerra Fria, no in\u00edcio dos anos 1960, o cineasta nova-iorquino Stanley Kubrick interessa-se por criar um filme de terror a respeito do conflito. Em seu processo de pesquisa, opta pelo romance \u201c<em>Red Alert&#8221;<\/em> de autoria de Peter George (1958), ex-oficial da For\u00e7a A\u00e9rea estadunidense. O romance aborda a amea\u00e7a apocal\u00edptica da guerra nuclear e a facilidade em que uma destrui\u00e7\u00e3o em massa poderia ser desencadeada naquele momento. Kubrick, ao adaptar a obra para roteiro, considera toda a constru\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o nuclear como irris\u00f3ria, e as atitudes militares de ambos os oponentes como fruto de um del\u00edrio pol\u00edtico. Isso faz com que o diretor decida transformar a obra em um filme de humor \u00e1cido, uma s\u00e1tira e cr\u00edtica ao temor nuclear e \u00e0 possibilidade indecompon\u00edvel de aniquila\u00e7\u00e3o de tudo que constitui vida no planeta terra. Dessa vis\u00e3o do diretor, nasce o personagem central, o exc\u00eantrico Dr. Strangelove, que n\u00e3o existia no universo original do romance.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No document\u00e1rio \u201c<em>Stanley Kubrick Considers the Bomb\u201d<\/em> de 2019, o diretor brit\u00e2nico Matthew Wells re\u00fane uma curadoria de entrevistas do cineasta e depoimentos de amigos pr\u00f3ximos e familiares. Em suas entrevistas, demonstra uma despreocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a bomba at\u00f4mica, afirmando que era \u201co m\u00e1ximo de abstra\u00e7\u00e3o que se poderia ter\u201d<span id='easy-footnote-4-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-4-2969' title=' \u201cThe atomic bomb is as much of an abstraction as you can possibly have\u201d (Kubrick, Stanley 1960)&amp;nbsp;.'><sup>4<\/sup><\/a><\/span>. Todavia, sua enteada Katharina Kubrick no mesmo document\u00e1rio esclarece que ele verdadeiramente a temia tanto quanto todos que viviam o contexto<span id='easy-footnote-5-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-5-2969' title='\u201cHe was terrified like everybody was, which was why he chose to make a movie about this very terrifying subject which is a threat still,\u201d&amp;nbsp; (Kubrick, Katharina 2016).'><sup>5<\/sup><\/a><\/span> e essa tinha sido sua motiva\u00e7\u00e3o em transformar em uma obra de com\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de Janeiro de 1964, estreia \u201cDr Strangelove: or, How I Learned to stop worrying and love the bomb\u201d. Foi o d\u00e9cimo filme do diretor, e a com\u00e9dia sat\u00edrica conta com um dos mais influentes artistas da \u00e9poca, Peter Sellers, que interpretou tr\u00eas pap\u00e9is diferentes. O filme se trata de um longa de 102 minutos de dura\u00e7\u00e3o, em preto e branco, e discorre em 3 diferentes ambientes:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>O avi\u00e3o <em>Airborne B-52,<\/em> em que se encontram os<em> <\/em>soldados e o <em>Major \u2018King\u2019 Kong,<\/em> integrantes da for\u00e7a a\u00e9rea estadunidense. O personagem do Major Kong \u00e9 incorporado como uma caricata representa\u00e7\u00e3o do <em>red neck<\/em><span id='easy-footnote-6-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-6-2969' title=' G\u00edria popular norte-americana que faz refer\u00eancia ao estere\u00f3tipo dos estadunidenses brancos oriundos do interior e da regi\u00e3o sul dos Estados Unidos. Em maioria de baixa renda, conservadores e usualmente republicanos. (WENTWORTH, 1975, p. 424.)'><sup>6<\/sup><\/a><\/span> americano, se mostrando ao longo do filme muito fiel a causa nacionalista no contexto de conflito.&nbsp;<\/li><li>A sala de guerra do Pent\u00e1gono americano, em que se re\u00fanem os principais estadistas e oficiais do governo americano, com a presen\u00e7a do burlesco presidente americano, chamado de <em>Merkin Muffley, <\/em>o General americano <em>\u2018Buck\u2019 Turgidson, <\/em>o embaixador russo<em> Alexei de Sadesky <\/em>e o cientista g\u00earmanico <em>Dr. Strangelove&nbsp;<\/em><\/li><li>A base militar em que se encontram o capit\u00e3o de grupo<em> Lionel<\/em> <em>Mandrake <\/em>e<em> <\/em>o General Brigadeiro<em> Jack Ripper, <\/em>respons\u00e1vel pelo ponto central da trama, a bomba.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>A trama se inicia na base militar, com o General <em>Ripper<\/em> notificando <em>Mandrake<\/em> que havia recebido o informe pelo Telefone Vermelho <span id='easy-footnote-7-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-7-2969' title='Comunica\u00e7\u00e3o direta entre a Casa Branca e o Kremlin, seria o instrumento utilizado em caso de emerg\u00eancia nuclear. (RIBEIRA, 2012, p 87-106).'><sup>7<\/sup><\/a><\/span> de que estavam sob conduta do \u201cPlano R\u201d. A partir desse momento, os avi\u00f5es B-52 se posicionam a duas horas de dist\u00e2ncia de seu alvo, a URSS, cada um deles com bombas nucleares de rendimento de \u201c50 megatoneladas, 16 vezes o total da capacidade de todos os explosivos utilizados por todos os ex\u00e9rcitos na Segunda Guerra Mundial\u201d. Isso significaria a chegada do temido estopim da guerra nuclear mundial.&nbsp; Logo <em>Ripper<\/em> solicita que todos os r\u00e1dios sejam interceptados e transformam a sala de comando em um bunker para se defenderem das iminentes investidas. Entretanto, havia sido o pr\u00f3prio General o respons\u00e1vel por acionar o Plano R.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No <em>Airborne B-52, <\/em>ap\u00f3s um primeiro momento de espanto com as ordens de ataque, os soldados se entusiasmam com a enorme honra e dever a p\u00e1tria que significaria o ataque nuclear pelo qual estariam respons\u00e1veis. <em>Major Kong<\/em> discursa: \u201c<em>If this thing turns out to be half as important as I figure it just might be, I&#8217;d say that you&#8217;re all in line for some important promotions and personal citations when this thing&#8217;s over with.\u201d <span id='easy-footnote-8-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-8-2969' title=' &lt;em&gt;\u201cSe isso se mostrar ter metade da import\u00e2ncia que eu imagino, eu diria que voc\u00eas todos est\u00e3o direcionados para algumas promo\u00e7\u00f5es e cita\u00e7\u00f5es pessoais importantes quando isto acabar\u201d &lt;\/em&gt;(Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).'><sup>8<\/sup><\/a><\/span><\/em>. Em seguida, em seu chap\u00e9u de cowboy texano, se p\u00f5e a ler simb\u00f3lico kit de sobreviv\u00eancia equipado na aeronave, que conta com uma b\u00edblia em miniatura, sendo assim mais uma alus\u00e3o sat\u00edrica aos padr\u00f5es culturais americanos e ao centralismo do cristianismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o os estadistas se re\u00fanem na sala de guerra do Pent\u00e1gono para discutir a crise. O presidente <em>Muffley<\/em> e o General <em>Turgidson<\/em> debatem sobre as alternativas, j\u00e1 que o comando do Plano R era imposs\u00edvel de ser desativado devido ao rompimento de linhas de comunica\u00e7\u00e3o com as aeronaves e com a base militar de <em>Ripper<\/em>. O presidente afirma que a pol\u00edtica estadunidense era de nunca atacar primeiro com armas nucleares, o que pode ser interpretado como mais uma frase de cunho humor\u00edstico, considerando os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki em 1945.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de um telefone, notificam o chefe de estado da URSS \u201c<em>Dimitri<\/em>\u201d, e o di\u00e1logo que o telespectador obt\u00e9m \u00e9 unilateral, apenas as falas do presidente <em>Muffley<\/em> s\u00e3o intelig\u00edveis e percebe-se que a comunica\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i em um tom apaziguante e cauteloso, como se fossem dois amigos de longa data, mas que a rela\u00e7\u00e3o se situasse em um verdadeiro campo minado, que qualquer passo incerto levaria a conflito. Mais uma alus\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o real entre URSS e EUA no momento. Para Hobsbawn, at\u00e9 1970 o conflito patinava sobre o gelo fino, em que \u201cna hora da decis\u00e3o, ambas confiavam na modera\u00e7\u00e3o uma da outra&#8221; (1995, p. 225)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entra em cena o embaixador sovi\u00e9tico <em>Sadesky, <\/em>informando a todos presentes que haviam acabado de engatilhar a \u201cArma do Apocalipse\u201d (<em>Doomsday Machine<\/em>), um dispositivo sovi\u00e9tico programado para o momento que o pa\u00eds estivesse sob ataque nuclear. O acionamento da arma era autom\u00e1tico e programado para explodir a partir de qualquer tentativa de desarma-lo. A arma significaria o fim de toda a vida humana e animal na terra e os efeitos radioativos s\u00f3 desvaneceriam ap\u00f3s 93 anos, devido ao seu componente <em>\u201ccobalt thorium G\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra cena emblem\u00e1tica do filme se d\u00e1 no di\u00e1logo entre o presidente estadunidense <em>Muffley,<\/em> o <em>Dr: Strangelove<\/em>, diretor de pesquisa e desenvolvimento em armamentos, e o embaixador <em>Sadesky<\/em>. O presidente questiona ao Dr. Strangelove, como \u00e9 poss\u00edvel uma arma ser acionada automaticamente e ao mesmo tempo, ser imposs\u00edvel de desativar. Strangelove responde que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 poss\u00edvel, como essencial: \u201c<em>Deterrence is the art of producing in the mind of the enemy..the fear to attack. And so, because of the automated and irrevocable decision making process which rules out human meddling, the doomsday machine is terrifying. It\u2019s simple to understand. And completely credible, and convincing\u201d<span id='easy-footnote-9-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-9-2969' title=' &amp;#8220;A dissuas\u00e3o \u00e9 a arte de produzir na mente do inimigo o medo de atacar. Assim, devido ao processo automatizado e irrevog\u00e1vel de tomada de decis\u00f5es que exclui a interfer\u00eancia humana, a m\u00e1quina do ju\u00edzo final \u00e9 aterrorizante. \u00c9 simples de entender. E totalmente confi\u00e1vel e convincente\u201d &lt;\/em&gt;(Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria)&lt;em&gt;.'><sup>9<\/sup><\/a><\/span>.<\/em> Nesta mesma cena, Strangelove questiona ao embaixador o porqu\u00ea de terem optado por n\u00e3o contar ao mundo sobre a Arma do Apocalipse: &#8220;<em>The whole point of the doomsday machine is lost if you keep it a secret!&#8221;<span id='easy-footnote-10-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-10-2969' title=' &amp;#8220;&lt;em&gt;Todo o objetivo da Arma do Apocalipse \u00e9 perdido se voc\u00ea a mant\u00eam sem segredo!\u201d&lt;\/em&gt;(Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria). '><sup>10<\/sup><\/a><\/span>. <\/em>Esse trecho mostra uma refer\u00eancia clara ao conceito de MAD e a cultura de tens\u00e3o nuclear, em que uma arma de destrui\u00e7\u00e3o em massa s\u00f3 cumpre o seu objetivo de dissuas\u00e3o do inimigo a partir do momento que este tenha conhecimento da exist\u00eancia da amea\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico comunicado de <em>Ripper <\/em>ao Pent\u00e1gono se deu da seguinte forma: \u201c<em>There&#8217;s no other choice. God willing, we will prevail in peace and freedom from fear and in true health through the purity and essence of our natural fluids. God bless you all.&#8221;<\/em><span id='easy-footnote-11-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-11-2969' title=' &lt;em&gt;&amp;#8220;N\u00e3o h\u00e1 outra escolha. Se Deus quiser, prevaleceremos em paz e liberdade do medo e em verdadeira sa\u00fade atrav\u00e9s da pureza e ess\u00eancia dos nossos fluidos naturais. Deus vos aben\u00e7oe a todos&amp;#8221;.&lt;\/em&gt;(Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria)'><sup>11<\/sup><\/a><\/span>.&nbsp; Na cena de retorno a base, <em>Mandrake<\/em> tenta persuadir <em>Ripper<\/em> de enviar um cessar-fogo aos avi\u00f5es nucleares, e <em>Ripper<\/em> elucida suas motiva\u00e7\u00f5es. Primeiramente afirma que a guerra era importante demais para ser deixada nas m\u00e3os dos pol\u00edticos, como General, via a necessidade de agir pessoalmente. Com a incapacidade de parar os avi\u00f5es, s\u00f3 haveria uma sa\u00edda \u201c<em>total commitment.&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, discursa sobre os \u201cfluidos corporais\u201d que faziam parte da conspira\u00e7\u00e3o comunista. <em>\u201cI will not sit back and allow Communist infiltration, Communist indoctrination, communist subversion, and the international Communist conspiracy to sap and impurify all of our precious bodily fluids.\u201d<\/em><span id='easy-footnote-12-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-12-2969' title=' \u201c&lt;em&gt;N\u00e3o me sentarei e permitirei a infiltra\u00e7\u00e3o comunista, a doutrina\u00e7\u00e3o comunista, a subvers\u00e3o comunista, e a conspira\u00e7\u00e3o comunista internacional para sugar e impurificar todos os nossos preciosos fluidos corporais\u201d. &lt;\/em&gt;(Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).'><sup>12<\/sup><\/a><\/span> A conspira\u00e7\u00e3o comunista aludida por <em>Ripper<\/em> se encontrava no imagin\u00e1rio de um grande contingente dos estadunidenses e do mundo ocidental no per\u00edodo, sendo os \u201cflu\u00eddos corporais\u201d inspirados em eventos ver\u00eddicos, descritos a seguir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1945 nos Estados Unidos surge a discuss\u00e3o sobre a fluoreta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua como pol\u00edtica p\u00fablica sanit\u00e1ria, para impedir o desenvolvimento de c\u00e1ries e demais complica\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias. Entretanto, foi motivo de um longo debate pol\u00edtico e cient\u00edfico em torno da medida. O grupo conservador anticomunista \u201cJohn Birch Church\u201d havia teorizado que a fluoreta\u00e7\u00e3o se tratava de um plano subversivo de corrup\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o estadunidense, afirmando que a ingest\u00e3o da \u00e1gua p\u00fablica estaria corrompendo os \u201cfl\u00faidos corporais\u201d e amea\u00e7ando a integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica da popula\u00e7\u00e3o, com a risco final de convers\u00e3o das &#8220;v\u00edtimas&#8221; em comunistas. Em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, a \u00e1gua fluoretada foi banida e os defensores da pr\u00e1tica amea\u00e7ados de encarceramento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento do filme, a interrup\u00e7\u00e3o do Plano R \u00e9 dada como uma op\u00e7\u00e3o obsoleta a partir do su\u00edcidio do General <em>Ripper<\/em>. As tentativas de decodifica\u00e7\u00e3o de <em>Mandrake<\/em> s\u00e3o falhas, seu palpite era que o c\u00f3digo surgiria a partir de anagramas das express\u00f5es \u201c<em>Peace On Earth\u201d, <\/em>e <em>\u201cPurity Of Essence\u201d<\/em><em>. <\/em>Ap\u00f3s cogitadas as alternativas de destrui\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es, o <em>Airborne B-42 <\/em>permanece em sua rota, com o alvo sendo o complexo de <em>&nbsp;ICBM <\/em><em><\/em>em<em> Kodlosk. <\/em>As bombas levam o nome de \u201c<em>Hi there\u201d e \u201cDear John\u201d <\/em>e no momento de libera\u00e7\u00e3o, Major Kong monta em uma das bombas fazendo alus\u00e3o a um rodeio, e desce em queda livre com seu chap\u00e9u de cowboy estendido ao ar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sala de guerra, o personagem <em>Dr.Strangelove<\/em> surge sentado em uma cadeira de rodas, em sua m\u00e3o direita porta uma luva negra, e tem sua fala marcada pelo sotaque alem\u00e3o e constantes tentativas de conter movimentos involunt\u00e1rios, com uma particular dificuldade em manter a m\u00e3o enluvada em repouso. Ele sugere sua solu\u00e7\u00e3o final \u00e0 trama: um bunker subterr\u00e2neo para que se preservasse a ra\u00e7a humana nos 100 anos em que a vida na superf\u00edcie estaria impossibilitada pela radia\u00e7\u00e3o da bomba. Quando confrontado com dilema de quem seriam os selecionados para sobreviv\u00eancia, ele sugere uma programa\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica que determinaria os fatores de juventude, sa\u00fade, fertilidade, intelig\u00eancia e habilidades necess\u00e1rias, com os cargos altos do governo e militares inclu\u00eddos para que sejam mantidas as no\u00e7\u00f5es de \u201clideran\u00e7a e tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse momento \u00e9 poss\u00edvel observar a alus\u00e3o a eugenia nazista, pol\u00edtica racial formulada por Hitler na Segunda Guerra mundial, objetivando a supremacia da ra\u00e7a ariana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Figura 1:<\/strong> Dr. Strangelove na Sala de Guerra&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/R-kFg0rH5JaNVQ9KPKgCmM6WtNzzDrUj1hPEE8hqVnxgA-Jt_1vYiLEk3HnxaceFgDngOlNKKgHPD88Bg6ZLaZFz4HJbbzwQcw2yj3J1TJylbGexrhgLRPiW4BdH1j12hY39CpgMLdsaNhkY-Rqp-Q\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">(Fonte: DR. STRANGELOVE: or, How I stopped Worrying and Love the Bomb, 1964)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que os movimentos involunt\u00e1rios de Strangelove n\u00e3o conseguem mais ser reprimidos, ele levanta de sua cadeira de rodas estendendo o bra\u00e7o direito com a m\u00e3o enluvada em uma sauda\u00e7\u00e3o nazista, exclamando \u201c<em>Mein Fuhrer, I can walk!<\/em>\u201d<span id='easy-footnote-13-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-13-2969' title=' \u201c&lt;em&gt;Meu Fuhrer, eu posso andar!&lt;\/em&gt;\u201d (Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).'><sup>13<\/sup><\/a><\/span>.<em> <\/em>Em seguida, a \u201cArma do Apocalipse\u201d sovi\u00e9tica \u00e9 acionada, e o filme termina com diversas imagens de explos\u00f5es nucleares, coreografadas ao som de \u201c<em>We&#8217;ll Meet Again.&#8221;<\/em><span id='easy-footnote-14-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-14-2969' title=' Interpretada por Dame Vera Lynn, lan\u00e7ada em 1939 e escrita por Ross Parker and Hughie Charles.'><sup>14<\/sup><\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>No geral, todos os personagens estadunidenses s\u00e3o dotados de personalidades que glorificam \u00e0 virilidade, a defesa militar dos Estados Unidos, e apresentam desconfian\u00e7a caracter\u00edstica em rela\u00e7\u00e3o ao personagem russo e ao emblem\u00e1tico personagem germ\u00e2nico. \u00c9 poss\u00edvel notar diversos elementos na constru\u00e7\u00e3o caricata dos personagens, moldada em cima dos estere\u00f3tipos atrelados \u00e0s nacionalidades no contexto analisado. Um exemplo \u00e9 a recusa do embaixador sovi\u00e9tico <em>Sadesky<\/em> aos charutos jamaicanos que lhe foram oferecidos na Sala de Guerra, afirmando que n\u00e3o apoia o trabalho de \u201cfantoches imperialistas\u201d. Essa cena em seguida leva a uma discuss\u00e3o e embate f\u00edsico entre este e o <em>Gen. Turgidson, <\/em>que o chama de \u201ccomunista, ate\u00edsta, degenerado!\u201d. Esse momento rende a uma das mais c\u00e9lebres falas do filme:<em> \u201cYou can\u2019t fight in here, this is the war room!<\/em>\u201d<span id='easy-footnote-15-2969' class='easy-footnote-margin-adjust'><\/span><span class='easy-footnote'><a href='https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969#easy-footnote-bottom-15-2969' title=' &amp;nbsp;\u201c&lt;em&gt;Voc\u00eas n\u00e3o podem brigar aqui, esta \u00e9 a sala de guerra!&lt;\/em&gt;\u201d (Strangelove, 1964. Tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).'><sup>15<\/sup><\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das informa\u00e7\u00f5es que ilustra a transla\u00e7\u00e3o entre a linha t\u00eanue que divide a fic\u00e7\u00e3o da realidade, \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do ator Slim Pickens. Int\u00e9rprete do personagem Major \u2018King\u2019 Kong, Pickens n\u00e3o havia sido informado de que o roteiro se tratava de uma com\u00e9dia de sat\u00edrica pol\u00edtica, e sua constru\u00e7\u00e3o como personagem n\u00e3o se distanciou de como ele era pessoalmente e de como se posicionava na Guerra Fria como cidad\u00e3o, de tal forma que Slim Pickens e Major Kong eram ambos dotados do nacionalismo, temor nuclear e o esp\u00edrito persecut\u00f3rio ao comunismo.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Figura 2 e 3<\/strong>: Imagem da explos\u00e3o e Major Kong sobre a bomba&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignleft has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/PTuQEDWgh8PYEqRI58dhmCu7hGPrT1w-RiFgfbsg2kUR6kbFyZ0yckvSiLx9rTs2pv4e3tL6JTNcnNiaPhlLqxJeWSApPCes9bHcfMeBb4Gip5Pq5IO2ShG4xbRqbpb1qcyt_SNBG4X-a_H_KtfQnw\" alt=\"\" width=\"374\" height=\"280\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/1OewWwP9heHPcQI0Gd-YQD-waOc_VA-NblgV81yXfW0YASNKHwgEVjr1HMZv1CDO6pnAfBF2aYcnOnVr7Lz8DufmNkx7Sy1ZdJvT8oVtc_KD7D57ItQbVvp7jiEkgZAJ7_HXX0dyTg_HdRY3wJ1eSw\" alt=\"\"\/><\/figure>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">(Fontes: DR. STRANGELOVE: or, How I stopped Worrying and Love the Bomb, 1964)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A REALIDADE P\u00d3S-ESTREIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com uma bilheteria de 9,4 milh\u00f5es de d\u00f3lares, \u2018Dr: Strangelove\u2019 tornou-se um dos maiores cl\u00e1ssicos do cinema americano do s\u00e9culo XX, sendo indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor dire\u00e7\u00e3o, melhor ator e melhor roteiro adaptado no ano seguinte da estreia. Entretanto, sua recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi positiva em todos os setores da sociedade estadunidense. Cr\u00edticos, pol\u00edticos e militares ufanistas da causa estadunidense na Guerra Fria afirmavam que o enredo era falso e falacioso. O Instituto de Estudos Estrat\u00e9gico manifestou que os eventos do filme seriam impratic\u00e1veis, enfatizando a impossibilidade de acionamento de tais armas sem a aprova\u00e7\u00e3o do presidente. Entretanto, a repercuss\u00e3o do filme levanta novos questionamentos no \u00e2mbito da cultura de tens\u00e3o nuclear. Seria poss\u00edvel que uma falha de fiscaliza\u00e7\u00e3o militar levasse ao ataque \u00e0 URSS? Se sim, ocorreria uma retalia\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica atrav\u00e9s de algo semelhante a \u201cArma do Apocalipse\u201d?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, durante o governo Eisenhower (1953-1961), os oficiais americanos tinham o acesso ao disparo de armas nucleares em casos de emerg\u00eancia, caso n\u00e3o conseguissem contatar ao Presidente. No governo Kennedy (1961-1963), \u00e9 determinado atrav\u00e9s do National Security Action Memorandum (1963) que todas as armas nucleares da OTAN deveriam ter Permissive Action Links (PALS<sup>)<\/sup>, c\u00f3digos para acionamento em que seriam necess\u00e1rios no m\u00ednimo dois oficiais para obter o c\u00f3digo completo. Em conjunto, foi criado o Human Reliability Program, para evitar que pessoas com \u201cintemp\u00e9ries psicol\u00f3gicas\u201d e abuso de subst\u00e2ncias tivessem contato com as armas nucleares. Tamb\u00e9m em 1963, ap\u00f3s a Crise dos M\u00edsseis Cubana e a Crise de Berlim, o secret\u00e1rio Robert S. McNamara argumenta que o presidente deveria ser a \u00fanica pessoa com autoridade, receoso da falibilidade de outros oficiais militares, sendo este mais um elemento abordado na obra de Kubrick.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 1983, o ent\u00e3o presidente estadunidense Ronald Reagan (1981-1989) a partir do Strategic Defense Initiative (SDI) lan\u00e7ou o infame \u201cProjeto Guerra nas Estrelas\u201d, que objetivava, entre outras medidas, a instala\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites que interceptariam poss\u00edveis m\u00edsseis sovi\u00e9ticos. Isso desestabilizou o conceito de MAD elucidado anteriormente, j\u00e1 que significaria uma capacidade suprema de destrui\u00e7\u00e3o e ataque pelo lado estadunidense. Entretanto, tais sat\u00e9lites nunca chegaram \u00e0 \u00f3rbita.&nbsp;Um segredo sovi\u00e9tico como a \u201cArma do Apocalipse\u201d chegou a existir na realidade. A \u201cM\u00e3o da Morte\u201d <em>Mertvaya Ruka<\/em>, criada em 1985, poderia ser ativada sem o mando oficial do l\u00edder sovi\u00e9tico, lan\u00e7ando m\u00edsseis de longo alcance em territ\u00f3rio americano. Os EUA s\u00f3 tomaram conhecimento da exist\u00eancia de tal dispositivo anos ap\u00f3s o fim da Guerra Fria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A CULTURA DE TENS\u00c3O DE GUERRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Guerra Fria baseava-se em uma cren\u00e7a ocidental, em que gera\u00e7\u00f5es inteiras se criaram \u00e0 sombra de batalhas nucleares globais que, acreditava-se firmemente, podiam estourar a qualquer momento e devastar a humanidade (HOBSBAWM, 1995). \u00c9 poss\u00edvel ent\u00e3o tecer uma rela\u00e7\u00e3o entre a cultura de tens\u00e3o nuclear e os fen\u00f4menos que se desencadeiam no Sistema Internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lente anal\u00edtica construtivista oferece a perspectiva de que as din\u00e2micas no Sistema Internacional se originam de forma significativa nas ideologias e no conceito consci\u00eancia coletiva compartilhada. A cultura e a identidade s\u00e3o fatores de extrema relev\u00e2ncia na defini\u00e7\u00e3o de interesses e constitui\u00e7\u00e3o dos atores que moldam pol\u00edticas de seguran\u00e7a e inseguran\u00e7as globais (KATZENSTEIN, 1996).<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo do pressuposto de que tudo que envolve o mundo social da humanidade \u00e9 criado pela mesma, o Sistema Internacional de seguran\u00e7a e defesa se constitui materialmente de popula\u00e7\u00f5es, armas (no contexto analisado, as nucleares) e outros aspectos f\u00edsicos. Mas s\u00e3o as ideias e os entendimentos que levam \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, uso e organiza\u00e7\u00e3o de tais elementos que t\u00eam maior relev\u00e2ncia (JACKSON e S\u00d8RENSEN, 2015). Neste contexto, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a cultura de tens\u00e3o nuclear se mostra ainda mais poderosa que a bomba de forma material, sendo fabricada a partir de entendimentos coletivos que podem corresponder ou n\u00e3o \u00e0 uma amea\u00e7a real. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel perceber que a no\u00e7\u00e3o de MAD foi um fator definitivo para a constitui\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, e foi representada de forma precisa no universo cinematogr\u00e1fico de Kubrick.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a intera\u00e7\u00e3o com os demais em um contexto internacional que cria e instaura uma estrutura de identidades e interesses em vez de outra; a estrutura n\u00e3o tem exist\u00eancia ou poderes causais para al\u00e9m do processo (WENDT, 1992: 394). Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel deliberar que a cren\u00e7a coletiva da amea\u00e7a nuclear fabricou nas popula\u00e7\u00f5es e nos estadistas a pr\u00f3pria legitimidade do conflito. Portanto, nota-se que a cr\u00edtica de Kubrick atingiu um aspecto central das pol\u00edticas de guerra, ao abordar as diferentes percep\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es de forma caricata nos personagens do filme, e a forma que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em cadeia \u2013 os agentes, URSS e EUA, agem em resposta \u00e0s suas pr\u00f3prias intera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o mergulhadas na cultura de tens\u00e3o nuclear.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a cultura de tens\u00e3o nuclear se mostra n\u00e3o s\u00f3 como um produto da Guerra Fria, mas como um fator edificante da mesma. A partir do projeto Guerra nas Estrelas, elucidado no t\u00f3pico anterior, o conflito passa a caminhar para seu fim. A mudan\u00e7a no imagin\u00e1rio da amea\u00e7a nuclear a partir da destitui\u00e7\u00e3o do conceito de MAD, impacta significativamente a configura\u00e7\u00e3o da disputa. Em s\u00edntese, o fim do conflito nos anos seguintes n\u00e3o se daria apenas pelas crises materiais ligadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e econ\u00f4mica da URSS, mas pelo fato de que a credibilidade coletiva na tens\u00e3o nuclear havia se esvaziado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos simb\u00f3licos da obra, a rela\u00e7\u00e3o do seu criador com ela e a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico estabelecem uma interdepend\u00eancia not\u00e1vel entre o universo ficcional retratado e a realidade. Stanley Kubrick materializa a cultura de tens\u00e3o nuclear em sua obra, ao concentrar as intera\u00e7\u00f5es entre os principais estadistas no conflito ao redor da \u201cArma do Apocalipse\u201d e traz diversos elementos caracter\u00edsticos e construtores desta cultura no contexto do conflito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a estreia, a repercuss\u00e3o do filme despertou receios nos militares estadunidenses pela sua possibilidade de influ\u00eancia \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, e possivelmente, contribuiu para um ambiente mais cauteloso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corrida armamentista. Esses elementos podem ser considerados comprova\u00e7\u00f5es emp\u00edricas dos efeitos da cultura de tens\u00e3o nuclear.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao considerar a cultura de tens\u00e3o nuclear como um componente fundamental, percebe-se que sua influ\u00eancia vai al\u00e9m dos fatores puramente materiais e abrange as din\u00e2micas sociais e psicol\u00f3gicas que moldam as rela\u00e7\u00f5es internacionais. Assim, compreende-se que a cultura de tens\u00e3o nuclear e a MAD n\u00e3o apenas contribu\u00edram para a perpetua\u00e7\u00e3o do conflito, mas tamb\u00e9m desempenharam um papel na sua determina\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DALL\u2019AGNOL, Gustavo. A Economia Pol\u00edtica da Guerra nas Estrelas: As Elites Econ\u00f4micas e a Elite Governamental na Defini\u00e7\u00e3o da Agenda de Seguran\u00e7a Sob o Governo Ronald Reagan. PEPI, Rio de Janeiro, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/PEPI\/disserta%C3%A7%C3%B5es\/2017\/Gustavo%20Fornari%20Dall%20Agnol.pdf\">https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/PEPI\/disserta%C3%A7%C3%B5es\/2017\/Gustavo%20Fornari%20Dall%20Agnol.pdf<\/a>&gt; Acesso em Junho de 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>DR. STRANGELOVE: or, How I stopped Worrying and Love the Bomb. Stanley Kubrick. Estados Unidos: Hawk Films e Columbia Pictures, 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>DUCK AND COVER. US Federal Civil Defense Administration. Raymond J. Mauer e Anthony Rizzo. Archer Productions, 1951.<\/p>\n\n\n\n<p>HICKS, Jesse. Pipe Dreams: America &#8216;s Fluoride Controversy. Science History Institute. 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.sciencehistory.org\/distillations\/pipe-dreams-americas-fluoride-controversy\">https:\/\/www.sciencehistory.org\/distillations\/pipe-dreams-americas-fluoride-controversy<\/a>&gt;&nbsp; Acesso em: Junho, 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: O breve s\u00e9culo XX. 1914-1991. Editora Companhia das Letras, 2a edi\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>JACKSON, Robert e S\u00f8RENSEN, Georg. Introduction to International Relations: Theories and Approaches. Oxford University Pressprint, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2015.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>KATZENSTEIN, Peter J. The Culture of National Security. Editora Columbia Press, Nova York, 1996.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RIBEIRA, Ricardo \u201cA guerra fria: breves notas para um debate\u201d Novos Rumos, Mar\u00edlia, v.49, n 1, p 87-106, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/novosrumos\/article\/view\/2374\/1934\">https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/novosrumos\/article\/view\/2374\/1934<\/a>&gt; Acesso em Junho de 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MAUERS, Raymond J e RIZZO, Anthony. Archer Productions, Estados Unidos, 1951. Dispon\u00edvel em<strong>: &lt;<\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IKqXu-5jw60\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IKqXu-5jw60<\/a>&gt;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MCNEIL, Donald R. The Wilson Quarterly (1976-) Vol. 9, No. 3, Wilson Quarterly 1985., pp. 140-153. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/40256913?seq=1\">https:\/\/www.jstor.org\/stable\/40256913?seq=1<\/a>&gt; &nbsp; Acesso em: Junho, 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RIBEIRA, Ricardo \u201cA guerra fria: breves notas para um debate\u201d 2012, p 87-106)<\/p>\n\n\n\n<p>STANLEY KUBRICK CONSIDERS THE BOMB. Matt Wells. Reino Unido: Park Circus e Sony Pictures Entertainment, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHLOSSER, Eric. Command and Control: Nuclear Weapons, the Damascus Accident, and the Illusion of Safety. Penguin Press, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>THOMSON, Nicholas. Inside the Apocalyptic Soviet Doomsday Machine. Wired, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.wired.com\/2009\/09\/mf-deadhand\/?currentPage=all\">https:\/\/www.wired.com\/2009\/09\/mf-deadhand\/?currentPage=all<\/a>&gt; Acesso em: Junho, 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>WENDT, Alexander (1992) \u2018Anarchy is What States Make of It: The Social Construction of Power Politics\u2019. International Organization 2.<\/p>\n\n\n\n<p>WENDT, Alexander (1999) Social Theory of International Politics First Edition. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>WENTWORTH, Harold; FLEXNER, Stuart Berg. Dictionary of American Slang. 3. ed. New York: HarperCollins, 2000.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Como citar:<br>GRA\u00c7A, Maria Ant\u00f4nia Neviani. <strong><strong>Dr Strangelove: or, How I Learned to stop worrying and love the bomb\u201d e sua incub\u00eancia na Cultura da Tens\u00e3o Nuclear<\/strong>.<\/strong><em> Di\u00e1logos Internacionais<\/em>, vol. 10, n. 102, Ago. 2023. Dispon\u00edvel em:<em>&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2969\">https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=2869<\/a><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 10 | N\u00famero 102 | Ago. 2023 Por Maria Ant\u00f4nia Neviani Gra\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2971,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[651,691],"tags":[],"class_list":["post-2969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicoes-anteriores","category-volume10"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2969"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3097,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2969\/revisions\/3097"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}