{"id":3090,"date":"2024-03-29T19:28:19","date_gmt":"2024-03-29T22:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3090"},"modified":"2024-04-09T18:41:43","modified_gmt":"2024-04-09T21:41:43","slug":"o-brexit-na-perspectiva-da-integracao-e-da-desintegracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3090","title":{"rendered":"O Brexit na perspectiva da integra\u00e7\u00e3o e da desintegra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 106 | Mar. 2024 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Filipe Philipps de Castilho<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Amanda Franco Grillo Zakir Jorge<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Reino Unido come\u00e7ou a fazer parte do bloco regional europeu em 1973, ap\u00f3s anos de recusa e de tratativas infundadas. Adentrar a comunidade europeia n\u00e3o significou um pertencimento de fato, visto o car\u00e1ter idiossincr\u00e1tico e particular da integra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica desde o in\u00edcio, de tom diferenciado. Ainda em 1975, insatisfeitos com os resultados econ\u00f4micos obtidos pela integra\u00e7\u00e3o, os brit\u00e2nicos realizam um primeiro referendo de perman\u00eancia ou sa\u00edda, mostrando desde o princ\u00edpio uma desconfian\u00e7a que seria a t\u00f4nica de todo o relacionamento entre o pa\u00eds e o bloco europeu. Se naquela altura o resultado foi favor\u00e1vel \u00e0 perman\u00eancia, em 2016 a conjuntura pol\u00edtica haveria de se coadunar com os anos de euroceticismo imiscu\u00eddos no imagin\u00e1rio popular, fazendo com que o segundo referendo tivesse outro resultado. O presente artigo pretende adentrar nas raz\u00f5es que levaram ao resultado final do referendo de 2016, analisando os antecedentes da rela\u00e7\u00e3o entre Reino Unido e Uni\u00e3o Europeia e fazendo uma leitura do processo de integra\u00e7\u00e3o diferenciado exercido pelos brit\u00e2nicos, bem como do processo de desintegra\u00e7\u00e3o resultante da sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. A INTEGRA\u00c7\u00c3O EUROPEIA (E A DESINTEGRA\u00c7\u00c3O)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de d\u00e9cadas, grande parte dos estudos europeus focou nas raz\u00f5es que ensejam a coopera\u00e7\u00e3o nos processos de integra\u00e7\u00e3o regional. A constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade do tipo \u00e9 descrita pensando basicamente em seus momentos de maior ou menor integra\u00e7\u00e3o, mas dificilmente uma eventual desintegra\u00e7\u00e3o \u00e9 aventada ou estudada (SZUCKO, 2020). &nbsp;A pol\u00edtica externa de integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 considerada como uma maneira de criar institui\u00e7\u00f5es multilaterais com o objetivo de estabelecer normas, criando assim estruturas no seio das quais acordos intergovernamentais podem ser concretizados (KEOHANE, 1989). Essas institui\u00e7\u00f5es multilaterais buscam promover coopera\u00e7\u00f5es entre os governos, com o intuito de aumentar a capacidade individual de cada um, fortalecendo os la\u00e7os para o enfrentamento dos novos conjuntos de problemas emergentes do cen\u00e1rio internacional (OLIVEIRA, 2002). J\u00e1 a desintegra\u00e7\u00e3o acontece quando um ou mais estados decidem se retirar do coletivo. H\u00e1 uma s\u00e9rie de raz\u00f5es pelas quais a desintegra\u00e7\u00e3o \u00e9 indesej\u00e1vel, pois a mesma afeta tanto o Estado que est\u00e1 de sa\u00edda quanto os membros restantes, dadas as barreiras comerciais, por exemplo, perturbando toda uma cadeia de abastecimento internacional (KRISTENSEN, 2019). De acordo com Heraclides (1994) a desintegra\u00e7\u00e3o resultar\u00e1 em maiores custos de transa\u00e7\u00e3o, distor\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e em riscos financeiros, que surgem com os agentes econ\u00f4micos se ajustando ao novo ambiente desintegrado (HERACLIDES, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, podemos pensar no bloco europeu. A Uni\u00e3o Europeia enfrenta instabilidades desde 2008, particularmente na zona do euro e no aumento no fluxo de imigrantes; aliado \u00e0 isso, temos a expans\u00e3o de movimentos nacionalistas e euroc\u00e9ticos na regi\u00e3o, tanto no \u00e2mbito dom\u00e9stico dos Estados-Membros como no pr\u00f3prio Parlamento Europeu (SZUCKO, 2020). Portanto, enquanto a integra\u00e7\u00e3o significa um processo de coopera\u00e7\u00e3o profunda por meio de regras e institui\u00e7\u00f5es comuns, a desintegra\u00e7\u00e3o refere-se ao retrocesso em rela\u00e7\u00e3o a um grau de integra\u00e7\u00e3o anteriormente alcan\u00e7ado. Ou seja: a integra\u00e7\u00e3o refere-se a um aumento no n\u00edvel de centraliza\u00e7\u00e3o, no escopo da pol\u00edtica e na participa\u00e7\u00e3o no bloco regional, com a desintegra\u00e7\u00e3o sendo a redu\u00e7\u00e3o desses fatores (LEUFFEN, RITTBERGER, SCHIMMELFENNIG, 2013). No \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia, o Reino Unido foi o primeiro pa\u00eds a sair. Podemos entender essa sa\u00edda analisando o hist\u00f3rico do processo da rela\u00e7\u00e3o entre brit\u00e2nicos e Europa integrada, aliado \u00e0 conjuntura da \u00e9poca do referendo.<\/p>\n\n\n\n<p>2.1 A INTEGRA\u00c7\u00c3O E OS BRIT\u00c2NICOS<\/p>\n\n\n\n<p>A integra\u00e7\u00e3o europeia se d\u00e1 ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. O continente, ainda sob as marcas do conflito, busca meios de evitar novos conflitos e de impulsionar a econ\u00f4mica desgastada nos anos anteriores. Em 1950, por meio da Declara\u00e7\u00e3o de Schuman, estabelece-se o marco inicial da integra\u00e7\u00e3o, cristalizado em 1951, por meio do Tratado de Paris, com a cria\u00e7\u00e3o da Comunidade Europeia de Carv\u00e3o e A\u00e7o (CECA) o primeiro est\u00e1gio de integra\u00e7\u00e3o de fato, com o objetivo de unir os mercados de carv\u00e3o e a\u00e7o de seus primeiros estados membros. O Reino Unido incentiva a integra\u00e7\u00e3o, mas se abst\u00e9m, visto que haviam acabado de estatizar suas ind\u00fastrias de base (SCHUTTE, 2017). Aliado a isto, a heran\u00e7a dos tempos de imp\u00e9rio soberano ainda ressoava na opini\u00e3o p\u00fablica e na classe pol\u00edtica brit\u00e2nica. A integra\u00e7\u00e3o, sem os brit\u00e2nicos, se solidifica de maneira pungente. Em 1948, para alocar os fundos do Plano Marshall, \u00e9 criada a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica Europeia (OCEE), o est\u00e1gio mais delineado do bloco at\u00e9 ent\u00e3o (COSTA, 2017). O Reino Unido, por sua vez, tamb\u00e9m opta por n\u00e3o participar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1961, com a piora das condi\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio tanto com a Commonwealth como com os Estados Unidos, seu grande parceiro nos anos p\u00f3s-guerra, os brit\u00e2nicos finalmente iniciam tratativas para sua ades\u00e3o ao bloco. Seu ingresso seria vetado pelo presidente da Fran\u00e7a (e homem forte da OCEE), Charles de Gaulle. Somente ap\u00f3s a sa\u00edda do presidente franc\u00eas em 1969 as negocia\u00e7\u00f5es seriam retomadas, para que em 1\u00ba de janeiro de 1973 os brit\u00e2nicos finalmente finalizassem sua entrada, com algumas particularidades no acordo (SZUCKO, 2018). Tais percal\u00e7os demonstram e corroboram n\u00e3o apenas a integra\u00e7\u00e3o em tom diferenciado dos brit\u00e2nicos, mas tamb\u00e9m a caminhada sempre errante e marcada por impasses do Reino Unido dentro das rela\u00e7\u00f5es com a integra\u00e7\u00e3o europeia. Os brit\u00e2nicos sempre fizeram quest\u00e3o de deixar clara sua inten\u00e7\u00e3o de evitar a constru\u00e7\u00e3o de um grande bloco europeu unit\u00e1rio; al\u00e9m disso, a mem\u00f3ria da centralidade e import\u00e2ncia mundial do Reino Unido entre os s\u00e9culos XVIII e XIX, do vasto e poderoso imp\u00e9rio brit\u00e2nico e da expans\u00e3o colonialista nos s\u00e9culos anteriores sempre exerceu grande influ\u00eancia na vis\u00e3o das elites pol\u00edticas brit\u00e2nicas acerca da posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dentro da Europa (PERISIC, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Os ganhos econ\u00f4micos advindos da entrada n\u00e3o seriam os esperados, o que resultaria em 1975 em um primeiro referendo por parte dos brit\u00e2nicos, acerca da continuidade ou n\u00e3o no bloco. Tal referendo seria solicitado pelo Primeiro Ministro brit\u00e2nico Harold Wilson, do Partido Trabalhista. 67% da popula\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica votaria pela perman\u00eancia (SCOFIELD, 2018), ocasionando uma mudan\u00e7a de tom no posicionamento dos trabalhistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o supranacional, que assumiria ao longo dos anos um tom mais conciliat\u00f3rio para com o bloco (PERISIC, 2010). Mas a desconfian\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica permaneceria, principalmente no Partido Conservador p\u00f3s-Margaret Thatcher. Se Thatcher havia defendido a ades\u00e3o ao bloco nos primeiros momentos, sua postura mudaria radicalmente como primeira-ministra. O estreitamento cada vez maior do projeto de integra\u00e7\u00e3o desagradaria profundamente os conservadores, e a figura de Thatcher tornar-se-ia basilar para a solidifica\u00e7\u00e3o do euroceticismo brit\u00e2nico. Seu discurso em Bruges em 1988 seria simb\u00f3lico para a postura de grande parte dos partid\u00e1rios da desintegra\u00e7\u00e3o, desejosos de uma sa\u00edda brit\u00e2nica (WESTLAKE, 2017). Ao longo do referendo, n\u00e3o seriam todos os conservadores que seriam favor\u00e1veis ao Brexit; no entanto, os partid\u00e1rios (barulhentos) da sa\u00edda seriam frutos do pontap\u00e9 iniciado por Thatcher nos anos 80 (BULLER, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 1992, o Tratado de Maastricht estabeleceria o que hoje conhecemos como Uni\u00e3o Europeia, em uma evolu\u00e7\u00e3o do processo das d\u00e9cadas passadas, contando agora com coopera\u00e7\u00e3o intergovernamental em pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a, de justi\u00e7a e assuntos dom\u00e9sticos, al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o da moeda \u00fanica, o Euro, lan\u00e7ado em 1999 e implementado em 2002 (CAMARGO, 2018). Essa, talvez uma das mudan\u00e7as mais importantes, n\u00e3o contou com a ades\u00e3o dos brit\u00e2nicos mais uma vez, que continuariam a utilizar a Libra. O Espa\u00e7o Schengen, baseado na livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, tamb\u00e9m n\u00e3o foi adotado pelo Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Costa (2018) nesse per\u00edodo vemos uma renova\u00e7\u00e3o dos debates dentro das grandes teorias sobre a integra\u00e7\u00e3o europeia, que veem o per\u00edodo p\u00f3s-Maastricht de maneira peculiar, ao enxergarem o nascimento de uma politiza\u00e7\u00e3o acerca da integra\u00e7\u00e3o. O contexto p\u00f3s-Maastricht seria caracterizado como um per\u00edodo de dissenso restritivo, pois os governos nacionais estariam sem saber o que fazer acerca da solu\u00e7\u00e3o de algumas quest\u00f5es europeias, visto que agora precisariam considerar mais a opini\u00e3o p\u00fablica euroc\u00e9tica (COSTA, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Entedemos, portanto, que o padr\u00e3o de auto-organiza\u00e7\u00e3o do relacionamento entre o Reino Unido e o bloco europeu foi marcado pela integra\u00e7\u00e3o diferenciada. Essa diferencia\u00e7\u00e3o seria respons\u00e1vel por harmonizar o car\u00e1ter particular da rela\u00e7\u00e3o mediante trocas que resultaram na concess\u00e3o de revoga\u00e7\u00f5es aos brit\u00e2nicos em diversos momentos-chave do processo de integra\u00e7\u00e3o do bloco europeu (SZUCKO, 2020). O fato de o Reino Unido optar por n\u00e3o participar do Sistema Monet\u00e1rio Europeu, por exemplo, e n\u00e3o ter feito parte do Espa\u00e7o Schengen, pode ser considerado um dos primeiros exemplos da integra\u00e7\u00e3o diferenciada (BRUNAZZO, 2019) Os maiores exemplos da integra\u00e7\u00e3o diferenciada do Reino Unido seriam as aquisi\u00e7\u00f5es de derroga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (opt-outs) nas tratativas do bloco a partir da d\u00e9cada de 1990. J\u00e1 acerca do Tratado de Maastricht, os brit\u00e2nicos obtiveram a derroga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terceira fase da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica e Monet\u00e1ria, bem como sobre o cap\u00edtulo social, assinado, posteriormente, no mandato de Tony Blair. Na sequ\u00eancia, no Tratado de Amsterd\u00e3, o Reino Unido garantiu derroga\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao Espa\u00e7o Schengen e \u00e0 \u00c1rea de Liberdade, de Seguran\u00e7a e de Justi\u00e7a (SZUCKO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. O BREXIT E A DESINTEGRA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, o Primeiro-Ministro David Cameron declarou que o povo brit\u00e2nico deveria &#8220;se pronunciar&#8221; na Europa, ao prometer um referendo de entrada\/sa\u00edda caso os conservadores vencessem a elei\u00e7\u00e3o. O primeiro-ministro deixaria clara a inten\u00e7\u00e3o de renegociar o relacionamento e perman\u00eancia do Reino Unido com a UE para depois dar aos brit\u00e2nicos a escolha entre permanecer ou sair da UE. A not\u00edcia seria bem recebida pelos euroc\u00e9ticos. <a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>David Cameron exigiria uma s\u00e9rie de demandas visando um fortalecimento da soberania brit\u00e2nica perante o bloco, como o Reino Unido impondo limites nos benef\u00edcios sociais obtidos pelos imigrantes, maiores poderes ao Parlamento brit\u00e2nico (para que ele pudesse ter a prerrogativa de impedir a internaliza\u00e7\u00e3o de qualquer legisla\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria), e que a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o tivesse uma pol\u00edtica negativa para com os Estados Membros que n\u00e3o adotassem o Euro (KRISTENSEN, 2019). As negocia\u00e7\u00f5es de fevereiro de 2016 foram uma tentativa de acomodar as demandas brit\u00e2nicas dentro do quadro institucional do bloco europeu, refor\u00e7ando a ideia de integra\u00e7\u00e3o diferenciada interna, com o objetivo de impedir uma demanda, por parte do Reino Unido, de uma desintegra\u00e7\u00e3o diferenciada externa (SZUCKO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com as negocia\u00e7\u00f5es (e com Cameron defendendo a perman\u00eancia), em 23 de junho de 2016 seria realizado o referendo, contando com uma participa\u00e7\u00e3o de 71,8% (30 milh\u00f5es de pessoas) de eleitores, trazendo como resultado a confirma\u00e7\u00e3o de que a maioria dos cidad\u00e3os do Reino Unido de fato optava por abandonar a Uni\u00e3o Europeia. O Brexit recebeu 51,9% dos votos, enquanto 48,1% votaram pela perman\u00eancia no bloco. Inglaterra e Gales apoiaram majoritariamente a sa\u00edda, enquanto Londres, na Inglaterra, e os pa\u00edses da Esc\u00f3cia e da Irlanda do Norte optaram pela perman\u00eancia. Por conta do resultado e da crise iniciada no pa\u00eds, como uma queda vertiginosa da Libra Esterlina imediatamente ap\u00f3s o resultado, o primeiro-ministro David Cameron anunciaria a ren\u00fancia do cargo (GUIMON, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>O referendo revelaria uma profunda divis\u00e3o de interesses nas diferentes regi\u00f5es do Reino Unido. Al\u00e9m de a Esc\u00f3cia votar majoritariamente pela perman\u00eancia, junto com a Irlanda do Norte e a regi\u00e3o de Londres, outros fatores correlacionariam os votos, com destaque para o grau de escolaridade e a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas com mais de 65 anos tiveram duas vezes mais chances de votar pela sa\u00edda da Uni\u00e3o Europeia do que as pessoas com menos de 25 anos, mostrando uma tend\u00eancia dos votos favor\u00e1veis \u00e0 sa\u00edda dentro de faixas et\u00e1rias mais elevadas. 70% dos eleitores cuja escolaridade com ensino b\u00e1sico ou menos votaram pela sa\u00edda, enquanto 68% dos eleitores com um diploma universit\u00e1rio votaram para permanecer na UE, mostrando uma tend\u00eancia de avers\u00e3o \u00e0 sa\u00edda nas faixas com maior escolaridade.&nbsp; Os menores de 25 anos tinham duas vezes mais chances de votar em permanecer (71%) do que em deixar (29%). Entre os maiores de 65 anos, o quadro \u00e9 quase exatamente o oposto, j\u00e1 que 64% dos maiores de 65 anos votaram por sair da Uni\u00e3o Europeia, enquanto apenas 36% votaram por permanecer. Entre as outras faixas et\u00e1rias, os eleitores de 24 a 49 anos optaram por permanecer (54%) contra deixar (46%) o bloco europeu, enquanto 60% dos eleitores entre 50 e 64 anos optaram pela sa\u00edda (YOUGOV, 2016). Esse cen\u00e1rio mostra uma clara dicotomia geracional: os mais jovens optando pela Uni\u00e3o Europeia, e os mais velhos optando pela sa\u00edda. Fora da Inglaterra, o resultado do Brexit apresentou cen\u00e1rios d\u00edspares em diferentes regi\u00f5es. Na Esc\u00f3cia, 62% dos eleitores votaram pela perman\u00eancia e apenas 38% pela sa\u00edda, o que acabaria por dar ensejo ao \u00edmpeto pela independ\u00eancia entre muitos escoceses. A Esc\u00f3cia acabara de passar por um plebiscito em 2014 que acabaria decidindo a perman\u00eancia no Reino Unido, com um dos argumentos principais da campanha contra a independ\u00eancia sendo o acesso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia via Reino Unido. A Irlanda do Norte tamb\u00e9m votou pela perman\u00eancia (55% contra 44%), enquanto Gales votou pela sa\u00edda (52,5% contra 47,5%) (YOUGOV, 2016). De acordo com estudo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, \u00e1reas com menor concentra\u00e7\u00e3o de imigrantes tiveram uma tend\u00eancia pelo voto favor\u00e1vel a deixar a Uni\u00e3o Europeia. Ao isolar o quartil das \u00e1reas com maior crescimento da propor\u00e7\u00e3o de imigrantes entre 2010 e 2014, nota-se uma predomin\u00e2ncia do voto por deixar: 76,3% das \u00e1reas do quartil opinaram a favor da sa\u00edda, assim como o quartil das \u00e1reas com maior desemprego, no qual 67,6% delas votaram pelo Brexit. Os dados indicariam que a presen\u00e7a recente de imigrantes, conjuntamente com o baixo dinamismo do mercado de trabalho, pode ter contribu\u00eddo para a posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 sa\u00edda da UE.&nbsp; <a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O contraste entre Londres e a maior parte da Inglaterra foi consider\u00e1vel, visto que na capital 60% votaram pela perman\u00eancia e 40% pela sa\u00edda. Essa diferen\u00e7a se explicaria em parte pela forte economia da cidade e pela maior presen\u00e7a de estrangeiros. Londres e as outras grandes cidades (como Liverpool e Manchester) tenderiam a aceitar e a valorizar mais a globaliza\u00e7\u00e3o e a diversidade, estando mais acostumados a seus efeitos, positivos ou negativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2016, ap\u00f3s a ren\u00fancia de David Cameron, a tamb\u00e9m conservadora Theresa May assume o cargo de Primeiro-Ministra, A partir de ent\u00e3o, diversos imbr\u00f3glios desenrolariam um processo extremamente conturbado e denso para os brit\u00e2nicos. Theresa May aciona o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, mecanismo para a sa\u00edda do bloco europeu, em 29 de mar\u00e7o de 2017, iniciando as tormentosas negocia\u00e7\u00f5es acerca da sa\u00edda. O Reino Unido manteve o t\u00f4nus de integra\u00e7\u00e3o diferenciada interna at\u00e9 acionar o artigo 50\u00b0. Ap\u00f3s essa data, iniciou-se um per\u00edodo de desintegra\u00e7\u00e3o diferenciada de interna para externa, durante o qual o pa\u00eds negociou os termos de sa\u00edda do bloco europeu em um processo de secess\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 acess\u00e3o \u2013 que ocorre em um contexto de encolhimento da integra\u00e7\u00e3o (SZUCKO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 24 de maio de 2019, ap\u00f3s diversas atribula\u00e7\u00f5es nas negocia\u00e7\u00f5es, Theresa May renuncia ao cargo, ao se ver incapaz de conduzir o Reino Unido para fora da Uni\u00e3o Europeia. Seu sucessor seria o tamb\u00e9m conservador Boris Johnson, defensor de um Hard Brexit (uma sa\u00edda sem adiamentos ou novas conversa\u00e7\u00f5es) e not\u00f3rio por uma fala algo populista e caricata. Johnson dizia acreditar ser poss\u00edvel alcan\u00e7ar um entendimento sem o envolvimento de controles alfandeg\u00e1rios na fronteira irlandesa, visto que a do Norte \u00e9 parte do Reino Unido, e a Rep\u00fablica ao sul, separada, seria pa\u00eds-membro da UE. Essa quest\u00e3o seria fundamental ao longo de todas as tratativas (ROBERTS, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com diversos percal\u00e7os, como o acionamento de um mecanismo para encerrar o per\u00edodo de sess\u00f5es do Parlamento, visando tirar o tempo para os grupos de oposi\u00e7\u00e3o conseguirem bloquear via parlamento a possibilidade de sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia sem acordo (CUSHION, 2020) al\u00e9m da convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es (e conseguindo uma vit\u00f3ria expressiva contra a oposi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>), em 31 de janeiro de 2020&nbsp; o pa\u00eds oficialmente abandona sua participa\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia, com Boris Johnson declarando ser um &#8220;come\u00e7o de uma nova era&#8221; para o pa\u00eds e prometendo uma &#8220;verdadeira renova\u00e7\u00e3o nacional&#8221; depois de 47 anos como membros do bloco europeu. <a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, o pa\u00eds permaneceu em um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o at\u00e9 31 de dezembro de 2020, durante o qual ainda esteve esteve submetido \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, mesmo sem ser um Estado-Membro efetivo com poder de voz e voto dentro do bloco. Esse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o simboliza a fase de desintegra\u00e7\u00e3o diferenciada de interna para externa, dado que o pa\u00eds continuou vinculado \u00e0s normas da Uni\u00e3o Europeia. Esse movimento contrap\u00f5e-se a ao paralelo de integra\u00e7\u00e3o diferenciada de externa para interna, na qual os pa\u00edses candidatos passam a incorporar parte da legisla\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria sem ainda integrarem de fato o bloco como pa\u00edses-membros (SZUCKO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o do processo n\u00e3o encerrou os traumas e problemas. O aumento de movimentos separatistas vindos de Esc\u00f3cia e Irlanda do Norte, que votaram contra o Brexit, tornou-se expressivo. Um pedido do Reino Unido para suspender temporariamente a implementa\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es aduaneiras espec\u00edficas acordadas para a Irlanda do Norte ap\u00f3s a sa\u00edda foi negada pela Uni\u00e3o Europeia em julho de 2021<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. As dicotomias sociais e culturais aprofundaram uma grande divis\u00e3o dentro do pa\u00eds, visto nas antinomias de opini\u00e3o e nos votos, com os mais jovens optando pela Europa, e os mais velhos rejeitando-a. Outro imbr\u00f3glio de propor\u00e7\u00f5es pungentes seria visto com a chegada da crise sanit\u00e1ria da Covid-19; com todo o continente afetado pela pandemia, os impactos seriam fortemente sentidos no pa\u00eds (DRINOT, 2021). Al\u00e9m, disso, a sa\u00edda do Reino Unido deu origem \u00e0 categoria de ex-Estado-Membro. Com sua retirada, o governo brit\u00e2nico passou a n\u00e3o ter mais uma representa\u00e7\u00e3o formal nas institui\u00e7\u00f5es do bloco comunit\u00e1rio, que tamb\u00e9m precisaram ser adaptadas ao novo cen\u00e1rio de integra\u00e7\u00e3o regional (SZUCKO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O papel sempre idiossincr\u00e1tico do Reino Unido dentro da integra\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 de grande import\u00e2ncia para entendermos como a sa\u00edda definitiva se deu. Desde a g\u00eanese da integra\u00e7\u00e3o, os brit\u00e2nicos optaram por se manter \u00e0 parte, seja n\u00e3o participando do Plano Schumann em 1950, ou mesmo n\u00e3o participando da cria\u00e7\u00e3o do Tratado de Paris e da Comunidade Europeia de Carv\u00e3o e A\u00e7o. Quando adentraram, o fizeram de maneira particular e pr\u00f3pria, em seus pr\u00f3prios termos, como na Comunidade Econ\u00f4mica Europeia em 1973 e posteriormente nas tratativas com a Uni\u00e3o Europeia. O papel hist\u00f3rico do Reino Unido na geopol\u00edtica mundial \u00e9 elucidativo para entendermos essa integra\u00e7\u00e3o diferenciada, pois o car\u00e1ter de protagonista global que o antigo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico exerceu ao longo de s\u00e9culos deixou como legado uma no\u00e7\u00e3o de soberania e particularidade pol\u00edtica exacerbada nas institui\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas e no imagin\u00e1rio popular, que acabou se refletindo nas negocia\u00e7\u00f5es com o bloco europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso, aliado \u00e0 conjuntura do referendo de 2016, atrav\u00e9s do crescimento de pautas euroc\u00e9ticas alinhados \u00e0 quest\u00f5es versando sobre imigra\u00e7\u00e3o, xenofobia, controle de fronteiras e insatisfa\u00e7\u00e3o para com a economia, fez com que o processo de desintegra\u00e7\u00e3o se a\u00e7odasse de maneira pungente. Entendemos, portanto, que o Brexit representou um p\u00e9riplo entre uma integra\u00e7\u00e3o diferenciada para uma desintegra\u00e7\u00e3o de fato, que se iniciou com as primeiras tratativas de fevereiro de 2016, mas que se consolidou apenas com o resultado do referendo e com a sa\u00edda definitiva. Se para o Reino Unido o Brexit significou desintegra\u00e7\u00e3o, para a Uni\u00e3o Europeia (e para todos os outros blocos regionais, como o Mercosul) o processo ensejou debates e reflex\u00f5es acerca dos rumos e dos relacionamentos supracionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BBC BRASIL. Crescimento de euroc\u00e9ticos \u00e9 &#8216;terremoto pol\u00edtico&#8217;, diz primeiro-ministro franc\u00eas. 26 de maio de 2014. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2014\/05\/140526_eleicoes_ue_ms &gt;. Acesso em 11 de abril de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC. David Cameron promises in\/out referendum on EU. 23 de janeiro de 2013. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-politics-21148282 &gt;. Acesso em 12 de maio de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>BRUNAZZO, Marco. The Evolution of EU Differentiated Integration between Crises and Dilemmas. EU IDEA Research Papers, no. 1, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BULLER, J. Understanding contemporary conservative Euro-scepticism: statecraft and the problem of governing autonomy. Polit Q 71(3):319\u2013327, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMARGO, S. de. A Uni\u00e3o Europeia: uma comunidade em constru\u00e7\u00e3o. Contexto Internacional, 30(2), 467\u201352, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Olivier. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e a sua pol\u00edtica exterior. Bras\u00edlia, FUNAG, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>CUSHION, S. Neoliberalism and trade unions in Britain. Tempo soc. Jan;32(1):11\u201328, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>FGV. Propor\u00e7\u00e3o de Imigrantes no territ\u00f3rio influenciou voto pelo Brexit. 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/repositorio.fgv.br\/items\/dd826626-b0c3-4c72-898a-aad999322d5d.<\/p>\n\n\n\n<p>HERACLIDES, A. From autonomy to secession: Building down. In Groom, A. e Taylor, P. (ed.). Frameworks for International Co-operation. London, Pinter Publishers, pp. 185-197, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>KEOHANE, Robert O. \u201cNeoliberal institutionalism: a perspective on world politics\u201d. International Institutions and State Power, Westview Press, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>KRISTENSEN, Michelle. Understanding the Choice of Brexit A case of Disintegration<em>. <\/em>, Master Thesis, Development &amp; International Relations, Aalborg University, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>LEUFFEN, Dirk; RITTBERGER, Berthold; SCHIMMELFENNIG, Frank. Differentiated Integration: Explaining Variation in the European Union. New York: Palgrave Macmillan, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Marcelo Fernandes. Teorias Contempor\u00e2neas sobre as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Estudos de Sociologia, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>PERISIC, Bojana. Britain and Europe: a history of difficult relations. Institute for Cultural Diplomacy, Berlin, March 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>ROBERTS, S. Fireworks, flags and signs: voices from the streets of post-brexit. Trabalhos Em Lingu\u00edstica Aplicada, <em>59<\/em>(1), 491\u2013506, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHUTTE, Giorgio Romano. Brexit na perspectiva do Path Dependency, Plural &#8211; Revista de Ci\u00eancias Sociais, vol. 24, n\u00fam. 2 , Junho-Dezembro, pp. 114-134, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>SCOFIELD, Ana Clara Balda. As especificidades da rela\u00e7\u00e3o entre o Reino Unido e a Uni\u00e3o Europeia: desde a ades\u00e3o ao bloco \u00e0s suas futuras rela\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o Brexit. FGV, Rio de Janeiro, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>SZUCKO, A. S. A ilha e o continente: Brexit e o relacionamento entre o Reino Unido e a Uni\u00e3o Europeia no processo de integra\u00e7\u00e3o regional. Tese de doutorado. Bras\u00edlia. Universidade de Bras\u00edlia, Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>SZUCKO, A. S. Percep\u00e7\u00f5es Identit\u00e1rias no Reino Unido: Antes e depois do referendo Brit\u00e2nico. Carta Internacional, v. 13, n. 1, 16 maio 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>WESTLAKE, M (2017) The inevitability of gradualness: the longer-term origins of the 23 June 2016 \u2018Brexit\u2019 referendum. Bruges Political Research Papers 5, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>YOUGOV. How Britain voted at the EU referendum. 27 de junho de 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/yougov.co.uk\/topics\/politics\/articles-reports\/2016\/06\/27\/how-britain-voted.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <sup>[1]<\/sup> https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-politics-21148282<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> http:\/\/dapp.fgv.br\/proporcao-de-imigrantes-no-territorio-influenciou-voto-pelo-brexit\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/12\/13\/internacional\/1576215795_050013.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-51335145<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> https:\/\/istoe.com.br\/ue-rejeita-pedido-do-reino-unido-de-novo-acordo-pos-brexit-para-a-irlanda-do-norte\/<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Filipe Philipps de Castilho<\/em><\/strong> \u00e9 doutorando e mestre do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Paran\u00e1. Bacharel em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Paran\u00e1. Integrante do N\u00facleo de Pesquisa em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (NEPRI) da UFPR<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amanda Franco Grillo Zakir Jorge<\/strong> \u00e9 mestranda do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas P\u00fablicas e em Direito pela Universidade Federal do Paran\u00e1. Bacharel em Direito pelo Centro Universit\u00e1rio Curitiba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 106 | Mar. 2024 Filipe Philipps de Castilho Amanda<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3102,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,710],"tags":[706,709,708,707],"class_list":["post-3090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-volume-11-2024","tag-brexit","tag-desintegracao","tag-reino-unido","tag-uniao-europeia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3090"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3111,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3090\/revisions\/3111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}