{"id":3112,"date":"2024-04-09T18:17:49","date_gmt":"2024-04-09T21:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3112"},"modified":"2024-05-04T20:50:32","modified_gmt":"2024-05-04T23:50:32","slug":"a-cultura-de-massa-como-recurso-de-soft-power-nas-relacoes-internacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3112","title":{"rendered":"A cultura de massa como recurso de soft power nas rela\u00e7\u00f5es internacionais"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 107 | Abr. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Rubia Karla Oliota de Lima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Cristina Carvalho Pacheco<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A velocidade das transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, as trocas de informa\u00e7\u00f5es, o vasto interc\u00e2mbio entre povos e culturas, isto \u00e9, toda a cadeia de a\u00e7\u00f5es denominada de globaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, dos costumes e da tecnologia tem proporcionado um maior fluxo de trocas culturais. O que levou o homem \u00e0 necessidade de lidar e se relacionar com idiomas, costumes e h\u00e1bitos distintos. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse encurtar de dist\u00e2ncias entre pa\u00edses geograficamente afastados, que o componente cultural tem assumido maior relev\u00e2ncia na pol\u00edtica, levando as rela\u00e7\u00f5es entre os atores do sistema internacional a pautar-se pela necessidade de compreender e, de certa forma, assimilar a cultura do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o s\u00e9culo XX, os Estados valeram-se do fator cultural para criar uma tradi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio como pilar de suas pol\u00edticas externas. Em maior ou menor medida, na\u00e7\u00f5es utilizaram a cultura para propagar uma imagem positiva no estrangeiro, favorecer os neg\u00f3cios e investimentos, e alcan\u00e7ar prest\u00edgio no cen\u00e1rio mundial. Pa\u00edses como Estados Unidos, Fran\u00e7a, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Jap\u00e3o, entre outros, j\u00e1 reconheceram e trabalham no valor do uso da cultura como facilitador de sua inser\u00e7\u00e3o no sistema internacional. (BIJOS e ARRUDA, 2010, p.36)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a Coreia do Sul \u00e9 um exemplo de Estado que tamb\u00e9m tem investido e se destacado na expans\u00e3o cultural, mais especificamente na propaga\u00e7\u00e3o do que Theodor Adorno e Max Horkheimer conceituaram como cultura de massa<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. A difus\u00e3o cultural sul-coreana, que alcan\u00e7ou n\u00e3o s\u00f3 a Asia, mas tamb\u00e9m o Ocidente, \u00e9 apontada como um dos principais fatores respons\u00e1veis pelo crescimento do turismo no pa\u00eds, pelo aumento de buscas no aprendizado do idioma coreano e no n\u00famero de estudantes estrangeiros nas universidades nacionais, al\u00e9m de gerar anualmente bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao governo. (ORTEGA, 2019a; PICKLES, 2018; MARTINROLL, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso da promo\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o dos produtos culturais sul-coreanos \u00e9 resultado de investimentos de empresas privadas, mas tamb\u00e9m de uma aposta de 20 anos do Estado em cultura (ORTEGA, 2019a). Atua\u00e7\u00e3o que visou fomentar a economia, redefinir a imagem, a reputa\u00e7\u00e3o nacional e conquistar maior visibilidade internacionalmente, (LEAL, 2018) ampliando a influ\u00eancia da Coreia do Sul sobre o que acontece no mundo, caracterizando-se dessa forma como uma estrat\u00e9gia de&nbsp;s<em>oft power<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><em><strong>[2]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o valor simb\u00f3lico e econ\u00f4mico da cultura, se for considerado os investimentos p\u00fablicos no setor ao longo dos \u00faltimos anos, parece n\u00e3o ter sido devidamente reconhecido. As verbas do Fundo Nacional da Cultura (FNC), principal mecanismo governamental de apoio direto a projeto art\u00edsticos do pa\u00eds, foram sendo reduzidas, passando de R$ 344 milh\u00f5es em 2010 para 17 milh\u00f5es em 2018, tendo uma queda ainda maior para menos de um milh\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> em 2019, ano em que a pasta da Cultura foi rebaixada ao status de secretaria. (MORAIS, 2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro tamb\u00e9m estabeleceu cortes na Ag\u00eancia Nacional do Cinema (Ancine), reduzindo 43% do or\u00e7amento do Fundo Setorial do Audiovisual, principal fonte de fomento de produ\u00e7\u00f5es audiovisuais no Brasil. (BRANT e URIBE, 2019). Com a reelei\u00e7\u00e3o do atual presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, em 2023, o cen\u00e1rio parece dar sinais de mudan\u00e7as, tendo em vista a reabertura do Minist\u00e9rio da Cultura (MinC) e os investimentos, ainda nos tr\u00eas primeiros meses de mandato, de mais de 2 bilh\u00f5es de reais no setor cultural. (BRASIL, 2023a)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos aspectos observados, o presente trabalho tem por objetivo discorrer sobre a import\u00e2ncia da cultura, mais especificamente a cultura de massa, como recurso de <em>soft power<\/em> (poder brando) de um Estado, capaz de gerar, diretamente ou indiretamente, efeitos pol\u00edticos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, a pesquisa, caracterizada como bibliogr\u00e1fica, e de abordagem qualitativa, divide-se em 3 se\u00e7\u00f5es. A primeira se\u00e7\u00e3o confere o conceito de <em>soft power<\/em>, na vis\u00e3o do criador do termo Joseph Nye (2004) e trabalha a cultura enquanto recurso de <em>soft power<\/em> trazendo os exemplos do caso do cinema estadunidense e sua import\u00e2ncia na disputa ideol\u00f3gica dos EUA com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do <em>British Invasion<\/em> ao suavizar a imagem da Inglaterra no per\u00edodo de Guerra Fria.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda se\u00e7\u00e3o trata da rela\u00e7\u00e3o da cultura com a economia, pol\u00edtica e proje\u00e7\u00e3o internacional da Coreia do Sul, com a expans\u00e3o cultural dos K-drama (telenovelas) e K-pop (m\u00fasica pop sul-coreana). E a terceira e \u00faltima se\u00e7\u00e3o relaciona a cultura de massa brasileira enquanto recurso de <em>soft power<\/em> considerando produtos culturais como o carnaval, telenovelas, bossa nova e, atualmente o funk, apontando a potencialidade deste \u00faltimo g\u00eanero musical para a visibilidade nacional e diplomacia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A RELA\u00c7\u00c3O DA CULTURA DE MASSA E O <em>SOFT POWER<\/em> DO ESTADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, a cultura passa a ter um poder simb\u00f3lico mais expressivo. Em um contexto p\u00f3s duas grandes guerras mundiais, marcado pela Guerra Fria, globaliza\u00e7\u00e3o intensificada e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que encurtaram dist\u00e2ncias e promoveram maior integra\u00e7\u00e3o entre os Estados, o uso do fator cultural na pol\u00edtica passou a contribuir de certa forma para o equil\u00edbrio das tens\u00f5es geradas pelo uso da for\u00e7a, desempenhando \u201cum importante papel na supera\u00e7\u00e3o de barreiras entre pa\u00edses, na promo\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7as m\u00fatuas\u201d. (BIJOS e ARRUDA, 2010, p.36)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio, considerando a interdepend\u00eancia complexa<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> no sistema internacional, que Nye (2004, p.05-07) atenta para a constru\u00e7\u00e3o do conceito de s<em>oft power <\/em>(poder brando).Enquanto as ideias de <em>hard power<\/em> (poder duro) dominavam as tradicionais teorias das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, com foco nos recursos coercitivos militares e san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o conceito de <em>soft power<\/em> surge para ressaltar nesse campo de estudo novos fatores para a compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder entre os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Por poder, Nye (2004, p.02) entende como a habilidade de influenciar o comportamento de outros para obter resultados que se pretende, podendo ser alcan\u00e7ados de tr\u00eas formas, coagindo com amea\u00e7as, induzindo com pagamentos ou por meio da atra\u00e7\u00e3o. Ao passo que o <em>hard power<\/em> \u00e9 pautado pela imposi\u00e7\u00e3o da prefer\u00eancia particular de um dos lados, o <em>soft power<\/em> refere-se a \u201ca capacidade de conseguir resultados preferidos pela utiliza\u00e7\u00e3o dos meios cooptativos\u201d (NYE, 2012, p.38).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es exteriores, o <em>soft power<\/em> consiste na habilidade\/capacidade de os Estados influenciarem indiretamente o comportamento e as decis\u00f5es de outros, de obterem na pol\u00edtica mundial resultados desejados mediante o uso da atra\u00e7\u00e3o, persuas\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es. (NYE, 2004, p. 05-07)<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como o <em>soft power<\/em>, o <em>hard power<\/em> trabalha com o prop\u00f3sito de influ\u00eancia, a distin\u00e7\u00e3o entre ambos os tipos de poder estaria no grau, tanto na natureza do comportamento como na tangibilidade dos recursos. Por estar pautado na imposi\u00e7\u00e3o de prefer\u00eancias de um dos lados, a fonte de <em>hard power<\/em> \u00e9 baseada nos recursos tang\u00edveis, militares e econ\u00f4micos. Coagir, amea\u00e7ar, pagar, sancionar s\u00e3o comportamentos de <em>hard power<\/em>, e os recursos deste tipo de poder s\u00e3o todos aqueles que possibilitam agir de tal forma. (NYE, 2004, p.07-09, 31; 2012, p.68)<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>soft power<\/em>, no entanto, \u00e9 sutil, \u00e9 pautado na influ\u00eancia indireta, no uso da atra\u00e7\u00e3o, persuas\u00e3o e institui\u00e7\u00f5es como meio de alcan\u00e7ar os objetivos desejados. Sendo assim, esse tipo de poder baseia-se comumente em recursos intang\u00edveis; na cultura, ideias, as institui\u00e7\u00f5es, valores, e a legitimidade percebida das pol\u00edticas. (NYE, 2004, p.06; 2012, p.44)<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>soft power<\/em> \u00e9 mais do que simplesmente persuas\u00e3o ou a habilidade de convencer pessoas atrav\u00e9s de argumentos, embora seja uma parte importante da mesma. \u00c9 tamb\u00e9m a capacidade de atrair, e atra\u00e7\u00e3o frequentemente leva \u00e0 aquiesc\u00eancia. Simplificando, e colocando em termos comportamentais, <em>soft power<\/em> \u00e9 o poder de atra\u00e7\u00e3o. Em termos de recursos, s\u00e3o recursos de <em>soft power<\/em> os ativos capazes de produzir tal atra\u00e7\u00e3o.<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a> (Nye, 2004, p.06, tradu\u00e7\u00e3o e grifos da autora)<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com autor, o <em>soft power<\/em> \u00e9 uma importante realidade, e desconsiderar sua relev\u00e2ncia \u00e9 n\u00e3o reconhecer o poder da sedu\u00e7\u00e3o, e entender que a atra\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre mais eficiente que a coer\u00e7\u00e3o. Valores como democracia, direitos humanos e oportunidades individuais s\u00e3o profundamente sedutores, e aumentar a atra\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e cultural reduz os custos com puni\u00e7\u00f5es e recompensas. (NYE, 2004, p.05-07)<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os fatores citados por Nye (2004, p. 16 e 17) muito do <em>soft power<\/em> dos EUA \u00e9 gerado por sua sociedade civil, quando a atua\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es, a exemplo da Microsoft, Harvard, Michael Jordan e Hollywood, \u00e9 capaz de gerar atra\u00e7\u00e3o cultural, de refor\u00e7ar e exportar valores pol\u00edticos ditos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>N\u00e3o h\u00e1 como escapar \u00e0 influ\u00eancia de Hollywood, da CNN e da internet. Os filmes e a televis\u00e3o americana exprimem a liberdade, o individualismo e a mudan\u00e7a (tanto quanto o sexo e a viol\u00eancia). Geralmente, o alcance global da cultura dos Estados Unidos contribui para aumentar nosso <em>soft power<\/em>, ou seja, a atra\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e cultural que exercemos. (NYE, 2002, p. 14)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, pode-se entender que ser capaz de propagar uma imagem positiva, despertar a admira\u00e7\u00e3o internacional, disseminar valores culturais e ideol\u00f3gicos em concord\u00e2ncia com os valores pol\u00edticos e objetivos oficiais da pol\u00edtica externa s\u00e3o meios de fortalecer o <em>soft power<\/em> de um Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Nye (2004, p.11), o <em>soft power<\/em> de um pa\u00eds se fundamenta em tr\u00eas recursos: sua cultura (em locais que s\u00e3o atraente para outros), seus valores pol\u00edticos (quando ele depende deles no \u00e2mbito dom\u00e9stico e internacional) e sua pol\u00edtica externa (quando s\u00e3o vistos como leg\u00edtimos e com autoridade moral). Para fins desse artigo, ao utilizar o termo, fica impl\u00edcito a refer\u00eancia a elementos culturais como recurso de s<em>oft power<\/em>, delimitando ainda o conceito de cultura<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> \u00e0quilo que \u00e9 compreendido como cultura de massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o termo n\u00e3o tenha uma defini\u00e7\u00e3o clara e \u00fanica, por cultura Nye (2004, p.11; 2012, p.119) entende como \u201cum conjunto de valores e pr\u00e1ticas que criam significado para uma sociedade\u201d, ou como \u201cpadr\u00e3o de comportamentos sociais pelo qual os grupos transmitem conhecimento e valores\u201d. Pelas muitas formas de manifesta\u00e7\u00f5es, o autor (2004, p. 09) refere-se a cultura com a divis\u00e3o entre \u2018alta cultura\u2019 (literatura, artes e educa\u00e7\u00e3o); e \u2018cultura popular\u2019, isto \u00e9, cultura de massa (cinema, televis\u00e3o e m\u00fasica pop). Enquanto a alta cultura tem o aspecto de gerar um maior apelo entre as elites, a cultura popular (cultura de massa) se concentra no entretenimento do grande p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ainda que considere ambas importantes, Nye (2004, p. 46) afirma que \u00e9 mais f\u00e1cil tra\u00e7ar os efeitos pol\u00edticos de contatos da alta cultura do que correlacionar com a cultura popular. No primeiro caso, o autor exemplifica os interc\u00e2mbios acad\u00eamicos e cient\u00edficos, que normalmente envolvem elites, estudantes internacionais, que ao ocuparem posi\u00e7\u00f5es de destaque em seus pa\u00edses de origem, podem exportar ideias e valores ideol\u00f3gicos capazes de desencadear em resultados pol\u00edticos favor\u00e1veis ao pa\u00eds anfitri\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando da cultura popular, ainda que muito criticada por intelectuais devido seu comercialismo bruto, que a enxerga como um anest\u00e9sico, um narc\u00f3tico apol\u00edtico para as massas, Nye (2004, p.46 e 47) defende que tal generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa, pois no mundo atual de m\u00eddia de massa, a linha entre informa\u00e7\u00e3o e entretenimento nunca foi t\u00e3o acentuada. Desdenhar da cultura de massa \u00e9 desconsiderar a capacidade do entretenimento de propagar imagens e mensagens subliminares que ressaltam valores do pa\u00eds de origem, o que pode gerar efeitos pol\u00edticos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda durante o per\u00edodo de Guerra Fria, foi justamente a cultura de massa dos Estados Unidos, por meio da televis\u00e3o, cinema e m\u00fasica pop, o respons\u00e1vel por seduzir parte do mundo com o <em>american way of life, <\/em>exercendo importante atra\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, conquistando mentes de popula\u00e7\u00f5es em um contexto de bipolaridade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Muito antes da queda do Muro de Berlim em 1989, este tinha sido perfurado pela televis\u00e3o e pelo cinema. Os martelos e tratores n\u00e3o teriam funcionado sem os anos de transmiss\u00e3o de imagens da cultura popular do Oeste que atravessaram o Muro mesmo antes dele cair. (NYE, 2004, p.49, tradu\u00e7\u00e3o da autora <a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em se tratando da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica estadunidense, desde seu surgimento, \u00e9 tida como uma ferramenta de Estado utilizada para fins pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos, com o objetivo de glorificar o car\u00e1ter nacional e vilanizar a imagem de seus advers\u00e1rios ideol\u00f3gicos e inimigos de guerra. (GON\u00c7ALVES, 2016, p.17). Durante a Guerra Fria, at\u00e9 mesmo n\u00e3o intencionalmente, em filmes com tem\u00e1ticas aparentemente apol\u00edticas, o cinema projetava o <em>american way of life<\/em>, um modelo que refor\u00e7ava a ideia de um cotidiano desejado, associado a qualidade e superioridade, \u00e0 ess\u00eancia de uma vida boa e plena. (CUNHA, 2017, p.18) Tais cen\u00e1rios e mensagens subliminares apresentados nas telas serviam para confrontar a vis\u00e3o negativa do Ocidente promovida pela m\u00eddia sovi\u00e9tica e controlada pelo Estado. (NYE, 2004, p.49)<\/p>\n\n\n\n<p>Nye (2004, p.47 e 74) acredita que por meio do amplo alcance dos discursos imag\u00e9ticos e mensagens subliminares das produ\u00e7\u00f5es Hollywoodianas, os Estados Unidos atribu\u00edram sobre si valores sedutores como oportunidades individuais e liberdade. E diferentemente dos EUA, o sistema sovi\u00e9tico, afirma, n\u00e3o soube fomentar nem exportar sua cultura de massa, pelo contr\u00e1rio, esfor\u00e7ou-se em excluir as influ\u00eancias culturais burguesas, sem competir com as produ\u00e7\u00f5es de alcance global norte-americana no cinema, televis\u00e3o e m\u00fasica pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes da Guerra Fria, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, a cultura de massa estadunidense era difundida pelo mundo. Nessa \u00e9poca, o cinema de Hollywood j\u00e1 tinha come\u00e7ado a se tornar uma for\u00e7a pol\u00edtica consider\u00e1vel, e o presidente dos EUA da \u00e9poca, Woodrow Wilson, acreditava na import\u00e2ncia da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica e nos filmes como o melhor e menos custoso m\u00e9todo para veicular a propaganda nacional, capaz de difundir os valores que consideravam defender ao redor do mundo (GUEDERT, 2020, p. 57 e 58). De acordo com Guedert (2020, p.80), a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica foi fundamental na atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos EUA e agiu como um importante ve\u00edculo de propaganda na consolida\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como a principal pot\u00eancia no s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim da Guerra Fria, Hollywood continua a ser um dos principais protagonistas da identidade cultural estadunidense e um dos maiores recursos de <em>soft power<\/em> no campo das artes e do entretenimento. Em seus muitos anos de tradicionalismo, este tem uma contribui\u00e7\u00e3o important\u00edssima para a economia local, gerando bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao pa\u00eds todos os anos. (BALLERINI, 2017)<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, a difus\u00e3o da cultura de massa estadunidense ocorreu por meio de m\u00faltiplas camadas de produ\u00e7\u00e3o cultural, desde a distribui\u00e7\u00e3o de imagens, at\u00e9 a difus\u00e3o da m\u00fasica, com \u201csua poderosa influ\u00eancia capaz de impactar nos padr\u00f5es est\u00e9ticos das sociedades\u201d (GUEDERT 2020 p.74). A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, analisa Rocha (2019), tamb\u00e9m teve um significativo papel para a populariza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua inglesa, o que consequentemente trouxe e traz benef\u00edcios aos Estados Unidos e ao Reino Unido por contribuir para fortalecer a posi\u00e7\u00e3o do idioma como padr\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ballerini (2017, p.192), a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica tamb\u00e9m j\u00e1 contribuiu notadamente para o <em>soft power<\/em> da Inglaterra no s\u00e9culo passado. Se atualmente a fam\u00edlia real brit\u00e2nica seduz o mundo, durante a Guerra Fria, com o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e conflitos econ\u00f4micos, o <em>hard power<\/em> ingl\u00eas era latente, e um dos fatores que contribu\u00edram para suavizar a imagem do pa\u00eds deve-se \u00e0 m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica, al\u00e9m de contribuir para a internacionaliza\u00e7\u00e3o do idioma ingl\u00eas, tamb\u00e9m influenciou e influencia gera\u00e7\u00f5es. Um exemplo dessa influ\u00eancia se deu por bandas como os The Beatles, \u00edcones da cultura pop inglesa. Conforme Fern\u00e1ndez (2015, p.37) o grupo musical foi respons\u00e1vel por conquistar e influenciar jovens do mundo inteiro, sua forma de falar, vestir, atuar, e demonstraram \u201co poder transformador da m\u00fasica popular\u201d. Essa onda da m\u00fasica brit\u00e2nica iniciada pelos The Beatles, conhecida como <em>British Invasion<\/em>, foi respons\u00e1vel, afirma Ballerini (2017, p.192), por suavizar consideravelmente a imagem do <em>hard power<\/em> da Inglaterra, com suas invas\u00f5es e dom\u00ednios coloniais pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a Inglaterra, diferentes pa\u00edses da Europa t\u00eam grande influ\u00eancia cultural com sua literatura, m\u00fasica, design, comida, pintura, moda, e poder-se-ia tentar citar outros exemplos de <em>soft power<\/em> por meio da cultura europeia. Todavia na segunda se\u00e7\u00e3o, buscou-se discorrer a respeito de um pa\u00eds do continente asi\u00e1tico que tem chamado a aten\u00e7\u00e3o do campo acad\u00eamico e da m\u00eddia internacional por trabalhar deliberadamente para aumentar seu <em>soft power<\/em> por meio da expans\u00e3o cultural, a Coreia do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SOFT POWER E A CULTURA DE MASSA- O CASO DA COREIA DO SUL &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do governo sul-coreano em investir em cultura e na expans\u00e3o cultural teve in\u00edcio em meados da d\u00e9cada de 1990, em um per\u00edodo de crise financeira.&nbsp; Entre as iniciativas, foi criado, em 1994, o Escrit\u00f3rio de Ind\u00fastria Cultural, subordinado ao Minist\u00e9rio da Cultura, e em 1999, promulgada a lei de promo\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural e criada a campanha \u201c<em>Dynamic Korea<\/em>\u201d para preparar a divulga\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ainda antes da Copa do Mundo de futebol masculino, sediado pelo Estado em 2002 em parceria com o Jap\u00e3o. (LEAL, 2018, p.295)<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do desenvolvimento da economia, com o fim da ditadura e redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na d\u00e9cada de 1980, a Coreia do Sul objetivava tamb\u00e9m com a difus\u00e3o cultural redefinir a reputa\u00e7\u00e3o nacional, tornando pol\u00edtica de Estado a proje\u00e7\u00e3o de uma imagem nacional favor\u00e1vel no cen\u00e1rio mundial.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, o grande desafio era promover a Coreia do Sul como unidade, apenas como Coreia ou em ingl\u00eas Korea.Tamb\u00e9m era necess\u00e1rio tornar o pa\u00eds efetivamente l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de bens culturais (&#8230;) promover grandes investimentos para melhorar a imagem do pa\u00eds e valorizar as marcas atreladas ao K (K-culture, K-drama, K-pop). (LEAL ,2018 p.299)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A promo\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural demonstrou sinais de que a estrat\u00e9gia poderia ser eficiente logo nos primeiros anos. Em 2000, devido \u00e0 popularidade conquistada pelos K-dramas (novelas sul-coreanas) na China, foi nomeada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o chinesa de <em>Korean Wave<\/em> (Onda Coreana). (REIS, 2018, p. 14).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ainda no in\u00edcio dos anos 2000, o fen\u00f4meno do<em> Korean Wave<\/em> ou <em>Hallyu<\/em>, como passou a ser chamada pela pr\u00f3pria m\u00eddia nacional, tamb\u00e9m ganhou for\u00e7a no Jap\u00e3o, Indon\u00e9sia, Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3, que passaram a agregar os produtos sul-coreanos, como as telenovelas, m\u00fasicas, filmes, games, comidas, modas, produtos de tecnologia digital, \u00e0 din\u00e2mica de suas pr\u00f3prias culturas. (SOUZA, 2015, p.298)<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, ao passo que a Coreia do Sul trabalhava para crescer economicamente e projetar imagens favor\u00e1veis do pa\u00eds, tamb\u00e9m difundia sua cultura para diferentes povos asi\u00e1ticos, como chineses e japoneses, auxiliando dessa forma na aproxima\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es provindas de conflitos hist\u00f3ricos, a exemplo da Guerra da Coreia (1950-1953), que resultou na divis\u00e3o da pen\u00ednsula.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A crescente presen\u00e7a sul-coreana na televis\u00e3o e no cinema tem estimulado os asi\u00e1ticos a comprarem produtos sul-coreanos e a viajarem para a Coreia do Sul, tradicionalmente n\u00e3o sendo considerado um destino tur\u00edstico popular. As imagens que os asi\u00e1ticos tradicionalmente t\u00eam associado ao pa\u00eds &#8211; marchas estudantis violentas, zona desmilitarizada, divis\u00e3o &#8211; t\u00eam dado lugar aos artistas da atualidade&#8230; (ONISHI, 2005, tradu\u00e7\u00e3o da autora)[8]<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ap\u00f3s anos de investimento massivo do setor p\u00fablico e privado, a Coreia do Sul n\u00e3o s\u00f3 conseguiu se destacar na \u00c1sia, mas ganhou espa\u00e7o no cen\u00e1rio internacional. Produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, telenovelas, mas principalmente a sua m\u00fasica pop, denominada K-pop, tornaram-se um grande fen\u00f4meno no Ocidente e \u00e9 respons\u00e1vel por levar anualmente bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao pa\u00eds. Atualmente h\u00e1 32 Centros Culturais Coreanos para promover o \u201c<em>Hallyu\u201d<\/em>, distribu\u00eddos em 28 pa\u00edses, incluindo a \u00c1frica, \u00c1sia-Pac\u00edfico, Europa e Am\u00e9rica. (MARTINROLL, 2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 15 anos, o turismo triplicou, e segundo o Instituto Hyundai, um a cada treze turistas citou a banda pop sul-coreana BTS como motivo da visita. (ORTEGA, 2019a). Al\u00e9m disso, aumentou o n\u00famero de estudantes nas universidades nacionais e o interesse por estudar o idioma do pa\u00eds, sendo aberto pelo governo 130 institutos para ensinar coreano em 50 pa\u00edses. (PICKLES, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso do K-pop sozinho rende mais de 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano, e fez sua ind\u00fastria da m\u00fasica, que ocupava o 28\u00ba lugar no mundo em 2004, subir para a 6\u00b0 posi\u00e7\u00e3o em 2018, e em menos de 15 anos, ultrapassar o Brasil , que no mesmo per\u00edodo subiu duas posi\u00e7\u00f5es, de 12\u00b0 para 10\u00b0 lugar.<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;&nbsp;Muito mais do que um estilo musical lucrativo, o K-pop \u201cbusca firmar-se como mais um movimento gerador de conceitos, moda e forma de viver\u201d (DOMINGOS e SOUZA, 2016, p.12), para isso, utiliza-se do poder visual, dos v\u00eddeos musicais altamente produzidos, em termos cinematogr\u00e1ficos, para cativar o p\u00fablico, principalmente os n\u00e3o falantes do idioma. (FLOR, 2020, p.241). Assim, por meio dos seus v\u00eddeoclipes, popularizados pelas plataformas on-line de <em>streaming<\/em>, o K-pop e seus \u00eddolos com os discursos, imagem, ritmos, coreografias, figurinos, maquiagens, tem gerado bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao governo, influenciado e unido jovens em diferentes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Kpoppers, como s\u00e3o assim denominados, j\u00e1 chamaram a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional com a\u00e7\u00f5es ativistas na internet. De acordo com a BBC NEWS, estiveram engajados em causas sociais e pol\u00edticas, como doa\u00e7\u00f5es a uma institui\u00e7\u00e3o de caridade londrina, apelos a estradas mais seguras em Bangladesh, responsabilizados por influenciarem protestos dom\u00e9sticos no Chile. Foram tamb\u00e9m apontados como poss\u00edveis agentes que boicotaram o com\u00edcio de Donald Trump, organizaram-se no Twitter para protestarem na campanha #Blacklivesmatter (Vidas Negras Importam) e agiram contra um aplicativo criado pela pol\u00edcia da cidade de Dallas, com a inten\u00e7\u00e3o de evitar que protestos fossem denunciados. (REDDY, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2021, os f\u00e3s do grupo BTS, chamados de <em>Armys<\/em> (ex\u00e9rcitos), uniram-se contra o racismo a asi\u00e1tico feitos por um programa de TV no Chile. O epis\u00f3dio gerou revolta, manifesta\u00e7\u00f5es na internet e mais de mil den\u00fancias ao Conselho Nacional de Televis\u00e3o (CNTV) chileno. Em maio do mesmo ano, no Brasil, a <em>fanbase<\/em> do BTS, a <em>Army Help The Planet<\/em>, voltada para apoiar causas sociais e ambientais, promoveu em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) uma campanha para combater a fome, visando arrecadar recursos ao programa <em>Unidos contra a Covid-19<\/em>. (QUEIROGA, 2021; GOLDMAN, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como os f\u00e3s espalhados por diferentes pa\u00edses, os \u00eddolos do K-pop est\u00e3o se destacando no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Em 2017, o grupo BTS foi convidado para se tornar parceiro do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) e nos anos de 2018 e 2020, discursaram na Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Em 2021, a banda foi escolhida pelo pr\u00f3prio presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in para representar a diplomacia p\u00fablica do pa\u00eds em eventos oficiais internacionais. (THE KOREAN TIMES, 2020; 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirma Leal (2018, p.301) o K-pop \u00e9 tratado como quest\u00e3o de identidade nacional, e seus \u00eddolos s\u00e3o colocados \u00e0 frente de diversas campanhas p\u00fablicas e eventos diplom\u00e1ticos. Em 2019, por exemplo, Moon Jae-in recepcionou o ex-presidente norte-americano Donald Trump em seu gabinete presidencial ao lado da banda EXO.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano anterior, em 2018, como gesto de aproxima\u00e7\u00e3o entre as duas Coreias, ap\u00f3s trocaram amea\u00e7as em 2017 por quest\u00f5es de testes com m\u00edsseis na Coreia do Norte, um show de cantores de K-pop foi promovido na capital norte-coreana, Pyongang, onde estava presente o Ministro da Cultura da Coreia do Sul , Do Jong-Hwan, ao lado do l\u00edder do pa\u00eds, Kim Jong-un, o primeiro l\u00edder norte-coreano a assistir uma apresenta\u00e7\u00e3o musical na capital do pa\u00eds. (ANDREW e GRAY, 2019; SANG-HUN, 2018)<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esse evento tenha simbolizado uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o entre as duas coreias, segundo o jornal <em>The New York<\/em>, em dezembro de 2020, o l\u00edder Kim Jong-un aumentou a puni\u00e7\u00e3o para quem fosse flagrado consumindo qualquer tipo de entretenimento relacionado ao K-pop. A inten\u00e7\u00e3o seria eliminar da sociedade norte-coreana qualquer influ\u00eancia da cultura pop sul-coreana, que chegou ao pa\u00eds por meio de pen-drives vindos da China. Kim Jong-un acusa o K-pop de corromper os trajes, estilos de cabelo, discursos e comportamentos da juventude de seu pa\u00eds, e teme o que essa influ\u00eancia poderia fazer. (SANG-HUN, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>As can\u00e7\u00f5es de K-pop tamb\u00e9m j\u00e1 foram tocadas em alt\u00edssimos volumes atrav\u00e9s de alto-falantes instalados na fronteira com a Coreia do Norte, na regi\u00e3o como DMZ, ou zona desmilitarizada. Especula-se que o governo sul-coreano seja guiado pelo racioc\u00ednio da sedu\u00e7\u00e3o, com letras repletas de express\u00f5es em ingl\u00eas, japon\u00eas e chin\u00eas, as m\u00fasicas acabariam por sugerir a ideia de um ambiente cosmopolita e globalizado na Coreia do Sul, em oposi\u00e7\u00e3o ao imagin\u00e1rio de um regime fechado e tradicionalista da Coreia do Norte. (PICCININI, 2019, p.7)<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o entrem em conflito direto, radicalmente diferentes, as duas coreias vivem em disputa ideol\u00f3gica, e ambos os lados buscam demonstrar a primazia de seus sistemas de governo. Segundo Nye (2004, p.12) n\u00e3o h\u00e1 como negar a influ\u00eancia da cultura popular como recurso de <em>soft power<\/em>, mas a efetividade de um recurso de poder depende sempre do contexto. O fato de Kim Jong-un comparecer a um evento de K-pop n\u00e3o afeta nos seus programas nucleares, nem seu posicionamento ideol\u00f3gico como governante, pois a influ\u00eancia e atra\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds sobre outro resulta do grau de respeito e admira\u00e7\u00e3o que sua cultura, valores e a pol\u00edtica s\u00e3o capazes de inspirar.<\/p>\n\n\n\n<p>Um filme norte-americano pode provocar atra\u00e7\u00e3o na China ou Am\u00e9rica Latina, mas ter um efeito contr\u00e1rio e reduzir o <em>soft power<\/em> dos Estados Unidos na Ar\u00e1bia Saudita ou Paquist\u00e3o. Entretanto, como defende Nye (2004), os valores sedutores da democracia, dos direitos humanos e das oportunidades individuais embora n\u00e3o sejam atraentes ou persuasivos para os l\u00edderes e governantes de um Estado, como o citado Kim Jong-un, pode influenciar nos interesses e percep\u00e7\u00f5es dos governados. Abrindo dessa forma, caminhos para mudan\u00e7as, para poss\u00edveis movimentos sociais capazes de ditar novos rumos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, alterando, com a chegada de perspectivas e gest\u00f5es diferentes, o comportamento do governo do pa\u00eds no cen\u00e1rio internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na atual sociedade interconectada, globalizada, integrada por princ\u00edpios compartilhados, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer a import\u00e2ncia da difus\u00e3o cultural e ideol\u00f3gica. Foram os discursos e mensagens subliminares de amplo alcance do cinema hollywoodiano, da m\u00fasica e da televis\u00e3o que contribu\u00edram para a dissemina\u00e7\u00e3o de ideais capitalistas e democr\u00e1ticas, e influenciaram pensamentos e comportamentos de popula\u00e7\u00f5es de todo o mundo em um per\u00edodo de bipolaridade, contribuindo assim para o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma imagem tornada vis\u00edvel comunica-se com os espectadores e estimula representa\u00e7\u00f5es de sentidos que trabalham no imagin\u00e1rio das pessoas. Assim como o cinema de Hollywood foi fundamental ferramenta estadunidense durante a Guerra Fria, os K-dramas e K-pop s\u00e3o percebidos tamb\u00e9m como instrumento de Estado capaz de dialogar com as mentes de jovens norte-coreanos. A partir da atra\u00e7\u00e3o pela K-culture (cultura de massa sul-coreana), seus filmes, s\u00e9ries, telenovelas, m\u00fasicas, v\u00eddeoclipes e \u00eddolos, a juventude da Coreia do Norte podem passar a almejar e lutar por outro estilo de vida, por reproduzir discursos capitalistas e democr\u00e1ticos, seduzidos pelos valores defendidos e difundidos por seus irm\u00e3os do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investimentos e atua\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul para expandir sua cultura de massa e os reflexos na pol\u00edtica, economia e imagem do pa\u00eds tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores acad\u00eamicos e da m\u00eddia mundial. Um pa\u00eds, cuja extens\u00e3o territorial poderia ser comparada a apenas um \u00fanico estado brasileiro, destaca-se por trabalhar deliberadamente com a cultura como meio de fortalecer seu <em>soft power<\/em> e de projetar-se no cen\u00e1rio internacional. No pr\u00f3ximo t\u00f3pico, buscar-se-\u00e1 discorrer sobre o caso do Brasil, a relev\u00e2ncia da cultura de massa para o <em>soft power <\/em>do pa\u00eds, apontando a potencialidade do funk, g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido no exterior, para a visibilidade nacional e diplomacia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A POTENCIALIDADE DA CULTURA DE MASSA BRASILEIRA PARA O <em>SOFT POWER<\/em> E POL\u00cdTICA EXTERNA DO PA\u00cdS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil construiu ao longo do tempo a imagem de um destino ex\u00f3tico, marcado pela riqueza natural, por um povo pac\u00edfico, amig\u00e1vel e alegre. (SILVA, 2005, p.138). Para Kotler e Gertner (2004, p.05) a imagem positiva do Brasil est\u00e1 associada \u00e0 atributos como: o carnaval, belezas naturais, futebol e m\u00fasica, ou pessoas, como Pel\u00e9, Gisele B\u00fcndchen, Ronaldo; mas tamb\u00e9m \u00e0 aspectos negativos como: crime, viol\u00eancia, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, fome e mis\u00e9ria.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ter uma imagem positiva do pa\u00eds \u00e9 importante para suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas no cen\u00e1rio mundial. Despertar o respeito e admira\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 uma maneira de aumentar a capacidade de atra\u00e7\u00e3o, de influenciar comportamentos e cren\u00e7as de terceiros, aumentando dessa forma o <em>soft power<\/em><em> <\/em>nacional. Na opini\u00e3o de Joseph Nye, o Brasil exerce o <em>soft power<\/em> naturalmente e sua imagem favor\u00e1vel estaria muito relacionado \u00e0 cultura. Em entrevista \u00e0 BBC Brasil em 2012, o cientista pol\u00edtico norte-americano tamb\u00e9m considera importante a associa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a valores como toler\u00e2ncia, pois segundo ele, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que o Estado brasileiro lidou bem com quest\u00f5es caras a outras na\u00e7\u00f5es, como a racial. (PINTO, 2012)<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tais considera\u00e7\u00f5es sejam contra-argumentadas, a imagem de uma na\u00e7\u00e3o, conforme defende Ballerini (2017), pode ou n\u00e3o representar a realidade, mas \u00e9 preciso entender que a percep\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 importante para o <em>soft power<\/em> do Estado. Em seu livro intitulado <em>Poder Suave (Soft Power)<\/em>, o autor aponta o carnaval, a bossa nova e as telenovelas como tr\u00eas importantes produtos culturais brasileiros e relata diferentes fatos hist\u00f3ricos que demonstraram sua influ\u00eancia pelo mundo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval, por exemplo, ao se transformar em um produto que atinge grandes massas, seduz n\u00e3o s\u00f3 o povo brasileiro, mas atrai o p\u00fablico internacional, e traz divisas tang\u00edveis (turismo) e intang\u00edveis (a maior festa do mundo, a alegria do brasileiro etc.) para o Brasil. Este carnaval \u2013 Sapuca\u00ed, Anhembi e Barra-Ondina \u2013 \u00e9 o que d\u00e1 notoriedade tamb\u00e9m ao samba, e por meio de coberturas midi\u00e1ticas \u00e9 capaz de vender a imagem do Brasil para outras na\u00e7\u00f5es. (BALLERINI, 2017, p.129)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A bossa nova tamb\u00e9m foi e \u00e9 parte da representa\u00e7\u00e3o do Brasil no exterior. Esse ritmo, que nos anos 1950 come\u00e7ou a encontrar espa\u00e7o no ambiente internacional, passou a fazer parte da cultura estadunidense, principalmente no mundo do Jazz, na d\u00e9cada de 1960, quando Jo\u00e3o Gilberto e Ant\u00f4nio Carlos Jobim realizaram um concerto no Carnegie Hall em Nova York. Enquanto o samba, na figura de Carmem Miranda, \u201crepresentavam algo de \u00e9tnico, algo de dif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o na cultura fortemente racista dos E.U.A\u201d (SCARABELOT, 2004 <em>apud<\/em> GOMES 2017, p.61) a bossa nova penetrou mais facilmente e representou para a sociedade norte-americana certo <em>status<\/em>, no que tange a inteirar-se \u00e0s elites, assim como no Brasil (GOMES, 2017, p.61). D\u00e9cadas ap\u00f3s seu surgimento, a bossa nova continua a ser gravada, recantada e admirada no estrangeiro, suas m\u00fasicas como Garota de Ipanema s\u00e3o usadas em filmes, telenovelas e shows at\u00e9 hoje.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As telenovelas brasileiras se configuram como outro grande exemplo de recurso de <em>soft power<\/em>. Bem como o cinema, as telenovelas desempenham expressivo papel na constru\u00e7\u00e3o da imagem de um pa\u00eds, tanto para sua popula\u00e7\u00e3o nacional, quanto para a internacional. Esse tipo de produ\u00e7\u00e3o audiovisual, ainda que estruturalmente melodram\u00e1tica e sujeita a variedade de interpreta\u00e7\u00f5es \u201c\u00e9 aceita como veross\u00edmil, vista e apropriada como leg\u00edtima e objeto de credibilidade\u201d (LOPES, 2003, p.32). O Brasil, por meio do <em>Grupo Globo<\/em>, maior conglomerado de&nbsp;<em>m\u00eddia<\/em>&nbsp;e comunica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica&nbsp;<em>Latina,<\/em> distribui telenovelas para mais de 100 pa\u00edses desde 1980, e continua a fazer hist\u00f3ria e conquistar telespectadores em diferentes partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A novela&nbsp;<em>A Escrava Isaura<\/em>, por exemplo, foi vista por 450 milh\u00f5es de chineses. A atriz uruguaia Natalia Oreiro \u00e9 considerada uma das mulheres mais admiradas na R\u00fassia e em Israel por conta de suas novelas. O maior mercado de rua que Luanda (Angola) j\u00e1 teve se chamava Roque Santeiro por conta do sucesso da novela brasileira no pa\u00eds. Paladar, o restaurante que Raquel (Regina Duarte) tinha na novela&nbsp;<em>Vale Tudo<\/em>&nbsp;virou tamb\u00e9m o nome dos pequenos restaurantes privados autorizados a funcionar ap\u00f3s a abertura econ\u00f4mica de Cuba, nos anos 1990. H\u00e1 relatos jornal\u00edsticos de que a primeira vers\u00e3o da novela&nbsp;<em>Sinh\u00e1 Mo\u00e7a&nbsp;<\/em>(1986) interrompeu os conflitos b\u00e9licos na B\u00f3snia, Cro\u00e1cia e Nicar\u00e1gua. (BALLERINI, 2017, p. 109).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim como as telenovelas, bossa nova, carnaval e samba, tamb\u00e9m o ritmo funk alcan\u00e7ou proje\u00e7\u00e3o internacional. De acordo com o estudo do Jornal Folha de S.Paulo, o funk se transformou no g\u00eanero brasileiro mais ouvido internacionalmente, estando entre as 200 m\u00fasicas mais tocadas em 51 pa\u00edses. De 2016 a 2018, um levantamento da <em>Spotify <\/em>constatou o aumento de mais de 3000% do consumo de <em>playlists <\/em>de funk brasileiro fora do pa\u00eds e em 2019, ainda de acordo com a plataforma de <em>streaming<\/em>, o g\u00eanero musical cresce, em m\u00e9dia, 51% ao ano desde 2014. (BR\u00caDA e MARIANI, 2019; PRADO, 2018; BALBINO, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Adicionado recentemente \u00e0s categorias de premia\u00e7\u00e3o do Grammy Latino, o funk possui um dos maiores canais do <em>youtube<\/em> de m\u00fasica no mundo, o KonZilla, com mais de 60 milh\u00f5es de inscritos. O funkeiro MC Fioti, que alcan\u00e7ou 1,6 bilh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es do v\u00eddeo \u201cBum Bum Tam Tam\u201d pelo canal KonZilla, gravou em janeiro de 2021 uma nova vers\u00e3o do sucesso para promover a vacina\u00e7\u00e3o para o Covid 19, descrito como o \u2018hino da vacina\u2019 na sede do instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo. A ideia do KonZilla \u00e9 utilizar o seu canal para se comunicar com os jovens de comunidade do Brasil, e tornar-se um \u2018<em>lifestyle\u2019<\/em> que tem o funk como ess\u00eancia. Para alcan\u00e7ar maior aceita\u00e7\u00e3o e investimento no mercado, a empresa, que fatura milh\u00f5es, tamb\u00e9m estabeleceu um \u2018filtro\u2019 para os palavr\u00f5es, cenas de sexo e viol\u00eancia nos clipes. (SENRA, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por meio do \u2018filtro\u2019, com letras mais suaves e ritmo mel\u00f3dico, que se originou a vertente que busca maior proje\u00e7\u00e3o nacional e internacional, o funk pop, representado por cantoras como Anitta e Ludmilla. Ambas as funkeiras fizeram parte da abertura<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a> dos Jogos Ol\u00edmpicos em 2016 cantando samba e o sucesso da trilha sonora do filme Tropa de Elite o \u201cRap da felicidade\u201d, m\u00fasica conhecida por fazer parte do denominado funk consciente. O ritmo tamb\u00e9m d\u00e1 origem a diferentes coreografias e passos, como o conhecido \u2018passinho\u2019, considerado patrim\u00f4nio cultural imaterial do Rio de Janeiro em 2018, e apresentado na trilha sonora \u201cTodo mundo aperta o play\u201d<a id=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\">[11]<\/a> da Copa do Mundo FIFA de 2014. Al\u00e9m dos subg\u00eaneros funk pop e funk consciente, o funk possui diferentes vertentes como o funk ostenta\u00e7\u00e3o, o funk 150 bpm, o funk proibid\u00e3o, e outros. (BALBINO,2021; ORTEGA, 2017; ORTEGA, 2019b)<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da popularidade, dinamismo, versatilidade, da viabilidade mercadol\u00f3gica, e das possibilidades do som e artistas de ocuparem diversos espa\u00e7os, em 2017, um projeto de lei prop\u00f4s a criminaliza\u00e7\u00e3o do Funk como crime de sa\u00fade p\u00fablica a crian\u00e7a aos adolescentes e a fam\u00edlia (MACHADO, 2017). Assim como qualquer outro, o g\u00eanero funk, provindo da periferia e associada a classe negra e pobre, traz mensagens inspiradas no meio em que est\u00e1 inserido. Por vezes \u00e9 acusado pelo teor das mensagens, por fazer apologia a condutas reprov\u00e1veis (pornografia, erotiza\u00e7\u00e3o infantil, drogas, \u00e1lcool, crime etc). Na vis\u00e3o de Macri e Macri jr (2017 p.392) o projeto de lei \u00e9 considerado \u201cuma tentativa, inadequada dogm\u00e1tica e pol\u00edtico-criminalmente, de racionaliza\u00e7\u00e3o de um preconceito social\u201d, e repete a hist\u00f3ria do samba.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o desse epis\u00f3dio, a cientista social Debora Faria (2018) afirma que a valoriza\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica cultural entendida como \u2018perif\u00e9rica\u2019 tem sido revelada e intensificada ao longo dos \u00faltimos anos. Diferentemente do Brasil, o ritmo Kuduro, tamb\u00e9m de periferia, parece ocupar papel privilegiado pelo Governo angolano, que embora cr\u00edticas quanto ao envolvimento do \u201cgoverno com artistas do g\u00eanero, seus usos pol\u00edticos, al\u00e9m de sua precoce ascens\u00e3o como um g\u00eanero musical representativo da cultura nacional\u201d (MOORMAN s.d <em>apud<\/em> FARIA,2018 p.37) objetiva tornar o kuduro vitrine de uma nova Angola. A aproxima\u00e7\u00e3o do Estado indica uma tentativa de \u201creorienta\u00e7\u00e3o, de reformula\u00e7\u00e3o (<em>rebranding<\/em>) do kuduro, de modo que suas imagens substituam as percep\u00e7\u00f5es negativas que se tem do pa\u00eds e, ademais, com o intuito de torn\u00e1-lo uma marca (original e rent\u00e1vel) de Angola\u201d (FARIA, 2018 p.40). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foram os pa\u00edses como a Angola, considerados emergentes e que possuem alguma identidade cultural com o Brasil, que de acordo com Bijus e Arruda (2010, p.51), fizeram parte de uma abordagem de aproxima\u00e7\u00e3o empreendida pelo Governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva entre 2003 e 2011, visando ocupar a posi\u00e7\u00e3o de ator Global nos foros Sul-Sul. A aproxima\u00e7\u00e3o, inser\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o internacional foram apoiados principalmente pelos Minist\u00e9rios da Cultura e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Durante o Governo Lula, a diplomacia cultural foi utilizada como importante instrumento para que o Brasil exercesse o poder brando (\u201c<em>soft power\u201d)<\/em> e assumisse um papel de lideran\u00e7a na pol\u00edtica internacional. O n\u00famero de parceiros do Brasil no campo da diplomacia cultural foi ampliado, enquanto suas rela\u00e7\u00f5es com o Sul global e o continente africano se expandiram, como parte de uma estrat\u00e9gia mais abrangente em assuntos globais. (CHATIN, 2019 p.37) &nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 significativo, considera Chatin (2019, p.38), que a internacionaliza\u00e7\u00e3o da cultura tenha sido uma das tr\u00eas prioridades adotadas pelo Minist\u00e9rio da Cultura no governo Lula. A conduta de pol\u00edtica cultural na administra\u00e7\u00e3o Lula no exterior prop\u00f5e o aumento da presen\u00e7a na \u00c1frica, e o refor\u00e7o dos la\u00e7os Sul-Sul. A diplomacia cultural em \u00c1frica mostra como o pa\u00eds se lan\u00e7a no <em>soft power<\/em> para ganhar estatura internacional, exercer maior influ\u00eancia global e se posicionar como pot\u00eancia emergente. (CHATIN, 2029, p. 38). Historicamente, considera o porta voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Tovar Nunes da Silva,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Optamos conscientemente pela n\u00e3o militariza\u00e7\u00e3o. Basta ver que somos um dos poucos pa\u00edses do mundo em que o her\u00f3i nacional \u00e9 um diplomata (Bar\u00e3o do Rio Branco) e n\u00e3o um general. N\u00e3o temos escolha, nossa hist\u00f3ria \u00e9 de <em>soft power<\/em>. (PINTO, 2012)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Embora muito importante, estudos apontam a perda do <em>soft power<\/em> brasileiro nos \u00faltimos anos, como sinaliza o relat\u00f3rio de consultoria inglesa, o \u00cdndice Global de <em>Soft Power<\/em> (GSPI), que mede a percep\u00e7\u00e3o da marca-pa\u00eds de mais de 100 pa\u00edses, por meio de indicadores como reputa\u00e7\u00e3o, reconhecimento e governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela &#8211; Posi\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking dos relat\u00f3rios do \u00cdndice Global de <em>Soft Power<\/em> (GSPI)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Ano<\/strong><\/td><td><strong>2015<\/strong><\/td><td><strong>2016<\/strong><\/td><td><strong>2017<\/strong><\/td><td><strong>2018<\/strong><\/td><td><strong>2019<\/strong><\/td><td><strong>2020<\/strong><\/td><td><strong>2021<\/strong><\/td><td><strong>2022<\/strong><\/td><td><strong>2023<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Posi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td>23\u00b0<\/td><td>24\u00b0<\/td><td>29\u00b0<\/td><td>29\u00b0<\/td><td>26\u00b0<\/td><td>29\u00b0<\/td><td>35\u00b0<\/td><td>28\u00b0<\/td><td>31\u00b0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <em>BrandFinance <\/em>(elaborado pela autora)<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o \u00edndice, desde 2015, primeiro ano do levantamento, o Brasil caiu da 23\u00b0 posi\u00e7\u00e3o para 26\u00b0 em 2019, considerada, entre outros fatores, a pol\u00edtica externa do pa\u00eds uma das causas para o acontecido (DALDEGAN, 2021, p.213 e 225). J\u00e1 de 2020 para 2021, o Brasil passou de 29\u00b0 para o 35\u00b0 lugar, sendo apontados pelo relat\u00f3rio da consultoria inglesa <em>Brand Finance<\/em>, a gest\u00e3o da crise da Covid-19 e a fuga de investidores estrangeiros como fatores chaves para o decl\u00ednio das 6 posi\u00e7\u00f5es. (MENEZES, 2021)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora no <em>ranking<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a> <\/em>do GSPI 2021 o Brasil tenha tido a segunda pior avalia\u00e7\u00e3o no quesito de <em>performance<\/em> dos pa\u00edses no enfrentamento da pandemia do Covid 19, na categoria heran\u00e7a cultural, que mede as refer\u00eancias de arte, entretenimento, culin\u00e1ria e esporte, o pa\u00eds ocupou a 8\u00b0 melhor posi\u00e7\u00e3o. Para o diretor-geral da <em>Brand Finance<\/em> no Brasil, Eduardo Chaves, \u201co mundo v\u00ea com bons olhos a m\u00fasica brasileira, que tem como representante desde Tom Jobim at\u00e9 a cantora como Anitta\u201d (MENEZES, 2021).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A percep\u00e7\u00e3o da cultura brasileira \u2013 que \u00e9 geralmente positiva- na vis\u00e3o dos estrangeiros \u00e9 um trunfo para se aproximar de outros pa\u00edses e abrir portas como inser\u00e7\u00e3o internacional do pa\u00eds. Os efeitos da presen\u00e7a do Brasil no imagin\u00e1rio de outros povos por meio da cultura espalharam-se a outros dom\u00ednios. A cultura est\u00e1 assim diretamente ligada e insepar\u00e1vel do <em>soft power<\/em>, a capacidade de influ\u00eancia do Brasil no \u00e2mbito internacional deve levar a cultura em considera\u00e7\u00e3o<a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\">[13]<\/a> &nbsp;(CHATIN, 2019, p.42, tradu\u00e7\u00e3o da autora <a id=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\">[14]<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao considerar a relev\u00e2ncia da cultura para as rela\u00e7\u00f5es exteriores, em 2023, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, retomando a posi\u00e7\u00e3o de presidente do Brasil, reabre o Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), rebaixada ao status de secretaria pelo governo anterior de Jair Bolsonaro, e investe, ainda nos tr\u00eas primeiros meses de mandato, mais de 2 bilh\u00f5es de reais no setor cultural. (BRASIL, 2023a) O atual presidente, assim como nas gest\u00f5es anteriores entre 2003 e 2011, tamb\u00e9m prop\u00f5e o aumento da presen\u00e7a na \u00c1frica e o refor\u00e7o dos la\u00e7os Sul-Sul.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO relan\u00e7amento da rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica \u00e9 tamb\u00e9m um reencontro do Brasil consigo mesmo. Reafirmamos nosso profundo orgulho do papel central do continente na identidade nacional. Reconhecer o valor de nossas ra\u00edzes africanas passa por celebrar a contribui\u00e7\u00e3o da \u00c1frica em nossa cultura, seja em pol\u00edticas nacionais, seja em a\u00e7\u00f5es de difus\u00e3o da cultura brasileira no exterior\u201d, declarou Lula. (BRASIL, 2023b)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Enquanto g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido internacionalmente, e por ter suas ra\u00edzes entrela\u00e7adas com a cultura afro-brasileira, o funk, nascido na favela, assim como o samba, projeta a imagem do Brasil internacionalmente. Embora pol\u00eamico, por fazer apologia a condutas reprov\u00e1veis, \u00e9 tamb\u00e9m um ritmo vers\u00e1til, din\u00e2mico, com viabilidade mercadol\u00f3gica, e proje\u00e7\u00e3o mundial, utilizado como express\u00e3o social e pol\u00edtica de luta e resist\u00eancia da classe negra e pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s de tentar criminalizar e desvalorizar um g\u00eanero musical, que naturalmente tem gerado o interesse do p\u00fablico estrangeiro, pode-se buscar uma reorienta\u00e7\u00e3o, <em>rebranding<\/em> do ritmo, a exemplo do que faz a Angola com rela\u00e7\u00e3o ao kuduro, e utilizar o funk estrategicamente com um meio de aproxima\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica, e com pa\u00edses que t\u00eam o idioma e hist\u00f3rias compartilhas com o Brasil, como os da Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDARA\u00c7\u00d5ES FINAIS &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A difus\u00e3o cultural, principalmente da cultura de massa, com o advento da internet, da facilidade de populariza\u00e7\u00e3o dos produtos por meio de plataformas on-line de <em>streaming<\/em>, quando bem trabalhada por atores estatais e n\u00e3o estatais, podem contribuir para apresentar o pa\u00eds como um ator que se destaca culturalmente e economicamente na sociedade global. No entanto, exportar um produto cultural \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil, pois o sucesso, entre outros fatores, depende das prefer\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 consumi-la, sendo \u00e0s vezes por isso necess\u00e1rio que haja mudan\u00e7as para que tenha maior inser\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No presente artigo, ao apoiar-se no conceito de <em>soft power<\/em>, a partir das concep\u00e7\u00f5es do autor Joseph Nye (2004), ressaltou-se a relev\u00e2ncia da cultura de massa nas rela\u00e7\u00f5es exteriores, n\u00e3o s\u00f3 apontando o envolvimento da cultura e seus efeitos pol\u00edticos mais percept\u00edveis, a exemplo da rela\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica estadunidense na disputa ideol\u00f3gica e fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Destacou-se tamb\u00e9m o movimento do <em>British Invasion<\/em> ao suavizar a imagem da Inglaterra durante a Guerra Fria, e o atual papel da cultura pop sul-coreana na disputa ideol\u00f3gica com a Coreia do Norte, demonstrando a relev\u00e2ncia e capacidade da cultura de provocar influ\u00eancia de comportamentos e cren\u00e7as mesmo que esta seja despercebida ou n\u00e3o imediata.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por frequentemente ter um efeito difuso, e dificilmente ser poss\u00edvel estabelecer a rela\u00e7\u00e3o direta entre um ativo de <em>soft power<\/em> e uma consequ\u00eancia espec\u00edfica observ\u00e1vel, Nye (2004) defende que esse tipo de \u2018poder suave\u2019 se prop\u00f5e na verdade a projetar uma imagem favor\u00e1vel para favorecer objetivos mais gerais que um Estado possa almejar. Dessa forma, considerando tais concep\u00e7\u00f5es, seja gerando efeitos pol\u00edticos diretamente ou indiretamente, observ\u00e1veis ou n\u00e3o, pode-se ressaltar que a cultura de massa trabalhada enquanto recurso de <em>soft power<\/em> \u00e9 capaz de promover ideologias, influenciar comportamentos, fortalecer a reputa\u00e7\u00e3o e identidade nacional, difundir o idioma, fomentar a economia, favorecer o turismo e o investimento estrangeiro. Assim como tamb\u00e9m provocar maior envolvimento afetivo de um povo para com outra na\u00e7\u00e3o, despertando emo\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es daqueles que ouvem o nome da Inglaterra dos Beatles; do Jap\u00e3o dos animes, mang\u00e1s e games; os Estados Unidos de Hollywood ou Disney; a Fran\u00e7a da moda; a Coreia do K-pop e K-drama; o Brasil do carnaval, das telenovelas, do samba, da bossa nova, do funk, um lugar tropical de uma cultura rica que naturalmente desperta o interesse estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecer o valor da expans\u00e3o cultural para as rela\u00e7\u00f5es exteriores \u00e9 fundamental, pois na\u00e7\u00f5es e povos se manifestam e se reconhecem por meio de suas express\u00f5es culturais e aproxima\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e lingu\u00edsticas, sendo os fatores culturais e lingu\u00edsticos aquilo que nos separa, mas tamb\u00e9m aquilo que tem for\u00e7a capaz de unir, de conectar, e de contribuir nas atua\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es dos Estados no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><a><\/a><a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>ALVES, Ana Rosa. Com animes e mang\u00e1s, Jap\u00e3o aposta na cultura pop como pol\u00edtica de Estado e conquista gera\u00e7\u00f5es de f\u00e3s. <strong>O GLOBO<\/strong>. 11 jul 2021. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/com-animes-mangas-japao-aposta-na-cultura-pop-como-politica-de-estado-conquista-geracoes-de-fas-25101334\">https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/com-animes-mangas-japao-aposta-na-cultura-pop-como-politica-de-estado-conquista-geracoes-de-fas-25101334<\/a> &gt; . Acessado em 26 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>ANDREW, Scottie e GRAY , Melissa. K-pop star power kicks off Trump\u00b4s visit to South Korea. <strong>CNN<\/strong>. 2019. Dispon\u00edvel em : &lt;<a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/06\/29\/us\/trump-met-kpop-group-in-south-korea-trip-trnd\/index.html%20\">https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/06\/29\/us\/trump-met-kpop-group-in-south-korea-trip-trnd\/index.html <\/a>&nbsp;&gt;. Acessado em 03 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BALBINO, Jessica. Funk \u00e9 cultura: o maior movimento da juventude perif\u00e9rica do Brasil. <strong>UOL<\/strong>. 17 mar 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/reportagens-especiais\/funk-estetica-do-caos\/&gt; Acessado em 27 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BALLERINI, F.&nbsp;<strong>Poder Suave (soft power)<\/strong>. Summus Editorial, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>BIJOS, L, e ARRUDA V. &#8220;A diplomacia cultural como instrumento de pol\u00edtica externa brasileira.&#8221;&nbsp;<strong>Revista Di\u00e1logos: a cultura como dispositivo de inclus\u00e3o<\/strong><em>. <\/em>Bras\u00edlia&nbsp;13, no. 1 (2010): 33.<\/p>\n\n\n\n<p>BRANT, Danielle e URIBE, Gustavo. Em ofensiva contra a Ancine Bolsonaro corta 43% de fundo do audiovisual. <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>. 11 set 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2019\/09\/em-ofensiva-contra-ancine-bolsonaro-corta-43-de-fundo-do-audiovisual.shtml . Acessado em 9 agosto de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Em 100 dias, investimentos na Cultura ultrapassam R$ 2 bilh\u00f5es. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, 10 set 2023a. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.gov.br\/cultura\/pt-br\/assuntos\/noticias\/em-100-dias-investimentos-na-cultura-ultrapassam-r-2-bilhoes &gt; Acessado em 28 de setembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Lula: \u201cO relan\u00e7amento da rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica \u00e9 um reencontro do Brasil consigo mesmo\u201d. Bras\u00edlia, DF: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, 25 maio 2023b. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/noticias\/2023\/05\/lula-201co-relancamento-da-relacao-com-a-africa-e-um-reencontro-do-brasil-consigo-mesmo201d &gt; Acessado em 28 setembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BR\u00caDA, Luca e MARIANI, Daniel. Funk \u00e9 o g\u00eanero musical brasileiro mais ouvido em pa\u00edses estrangeiros. <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>. 22 out. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2019\/10\/funk-e-o-genero-musical-brasileiro-mais-ouvido-em-paises-estrangeiros.shtml &gt; Acessado em 27 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>BTS to deliver \u00b4message of hope\u00b4 at 75<sup>th<\/sup> UN General Assembly. <strong>The Korean Times<\/strong>. 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.koreatimes.co.kr\/www\/art\/2021\/04\/732_296467.html &gt; Acessado em 26 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>CHATIN, Mathilde. Lula\u2019s Brazil in Africa: cultural diplomacy as an instrument of soft power.&nbsp;<strong>Revista Estudos Culturais<\/strong>, n. 4, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>CUNHA, Paulo Roberto Ferreira da. American way of life: representa\u00e7\u00e3o e consumo de um estilo de vida modelar no cinema norte-americano dos anos 1950. 2017 246 f. Tese (Doutorado em COMUNICA\u00c7\u00c3O E PR\u00c1TICAS DE CONSUMO) &#8211; ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING, S\u00e3o Paulo, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>DALDEGAN, William; DE SOUSA, Ana Tereza Lopes Marra. Soft power brasileiro: uma an\u00e1lise da pol\u00edtica externa em tempos pand\u00eamicos.&nbsp;<strong>Conjuntura Global<\/strong>, v. 10, n. 1, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>DOMINGOS, Amauri, e SOUZA RMV . K-Pop: A propaga\u00e7\u00e3o mundial da cultura sul-coreana.\u200b\u200b&nbsp;<strong>Intercom-Sociedade Brasileira de estudos interdisciplinares da comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;(2016).<\/p>\n\n\n\n<p>DOS SANTOS, J. L..&nbsp;<strong>O que \u00e9 cultura<\/strong>. Brasiliense, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>FARIA, D\u00e9bora Costa de. Narrativas musicais contempor\u00e2neas entre o local e o global: os casos do funk brasileiro e do kuduro angolano.&nbsp;<strong>Cadernos de Arte e Antropologia<\/strong>, v. 7, n. 1, p. 27-46, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>FERN\u00c1NDEZ, J. M. P. Industrias culturales, medios de comunicaci\u00f3n y fen\u00f3meno fan: el particular caso de los Beatles. Monografia em Publicidade e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Universidade de Valladolid, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>FLOR, A. F. A. A cultura do K-Pop: uma investiga\u00e7\u00e3o sociocultural da Coreia do Sul, da sua ind\u00fastria musical e dos produtos audiovisuais do grupo BTS entre 2013-2020. (2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Global Soft Power Index. <strong>BrandFinance<\/strong>. 2023. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/brandirectory.com\/softpower\/report\">https:\/\/brandirectory.com\/softpower\/report<\/a> &gt;&nbsp; Acessado em 27 de setembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>GOLDMAN, Russell. When Anti-Asian Parody Targeted BTS, the Boy Band\u00b4s Fan Army Mobilized. <strong>The New York Times<\/strong>. 12 abril 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/04\/12\/world\/asia\/chile-bts-racism-comedy.html &gt; Acessado em 09 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>GOMES, L. F. S . <strong>Stan Getz e a Bossa Nova (1962-1964) : Uma an\u00e1lise estil\u00edstica<\/strong>. Universidade do Estado de Santa Catarina, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES, B. B. M. D. A gera\u00e7\u00e3o de soft power americano durante a guerra fria: a vilaniza\u00e7\u00e3o da URSS a partir de Hollywood. <strong>Revista Novas Fronteiras<\/strong>&nbsp;3, no. 1 (2016)<\/p>\n\n\n\n<p>GUEDERT, H. S. C. <strong>Hollywood e soft power: como os Estados Unidos se utilizaram do cinema para influenciar<\/strong> . Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Florian\u00f3polis&nbsp;(2020).&nbsp;<em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>HORKHEIMER, Max &amp; ADORNO, Theodor. <strong>A ind\u00fastria cultural: o iluminismo como mistifica\u00e7\u00e3o de massas<\/strong>. Pp. 169 a 214. In: LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 2002. 364p.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00daNIOR, Jos\u00e9 Roberto Macri; MACRI, Bianka Jaquetti. CRIMINALIZA\u00c7\u00c3O DO FUNK: CONSIDERA\u00c7\u00d5ES CR\u00cdTICAS. In:&nbsp;<strong>Anais do Congresso Brasileiro de Processo Coletivo e Cidadania<\/strong>. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Korean Wave (Hallyu) \u2013 The Rise of Korea\u2019s Cultural Economy &amp; Pop Culture. MartinRoll. Out 2021. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/martinroll.com\/resources\/articles\/asia\/korean-wave-hallyu-the-rise-of-koreas-cultural-economy-pop-culture\/ &gt; Acessado em 02 de agosto de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>KOTLER, P.; GERTNER, D. O estrat\u00e9gico marketing de lugares. <strong>Dossi\u00ea HSM Management.<\/strong> v. 44, 2004 , 62-93.<\/p>\n\n\n\n<p>LEAL, L. F. Imagens e sons da Coreia do Sul em espa\u00e7os transnacionais.&nbsp;<strong>Ci\u00eancias Sociais Unisinos&nbsp;<\/strong>54, no. 3 (2018): 294-304.<\/p>\n\n\n\n<p>LOPES, M. I. V. Telenovela brasileira: uma narrativa sobre a na\u00e7\u00e3o.&nbsp;<strong>Comunica\u00e7\u00e3o &amp; Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, 26, (2003):17-34.<\/p>\n\n\n\n<p>MACHADO, Leandro. Projeto de lei de criminaliza\u00e7\u00e3o do funk repete hist\u00f3ria do samba, da capoeira e do rap. <strong>BBC NEWS<\/strong>. 29 jul 2017. Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40598774 &gt; Acessado em 27 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>MENEZES, Carla. \u00b4 Marca Brasil\u00b4 perde seis posi\u00e7\u00f5es em \u00edndice de percep\u00e7\u00e3o global, diz estudo. <strong>O Estado de S.Paulo<\/strong>. 25 fev 2021. Dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,marca-brasil-perde-seis-posicoes-em-indice-de-percepcao-global-diz-estudo,70003627348\">https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,marca-brasil-perde-seis-posicoes-em-indice-de-percepcao-global-diz-estudo,70003627348<\/a> &gt; Acessado em: 29 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>MORAIS, Gabriel. Em 10 anos, verba do Fundo Nacional da Cultura foi R$ 344 milh\u00f5es para menos de R$1 milh\u00e3o. <strong>O Globo<\/strong>. 19 fev 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/em-10-anos-verba-do-fundo-nacional-da-cultura-foi-de-344-milhoes-para-menos-de-1-milhao-24256797\">https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/em-10-anos-verba-do-fundo-nacional-da-cultura-foi-de-344-milhoes-para-menos-de-1-milhao-24256797<\/a> &gt; Acessado em 04 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>NYE Jr., Joseph S. <strong>O paradoxo do poder americano<\/strong>. S\u00e3o Paulo: UNESP, 2002<\/p>\n\n\n\n<p>NYE, Jr, Joseph S. <strong>Soft Power: The Means to Success in World Politics<\/strong>. New York, Public Affairs, 2004<\/p>\n\n\n\n<p>NYE, Jr. <strong>O Futuro do poder<\/strong>. (M.Lopes, trad). S\u00e3o Paulo. Benvir\u00e1. 2012<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/by\/norimitsu-onishi\">ONISHI<\/a> , Norimitsu. Roll Over, Godzilla: Korea Rules. <strong>The New York Time<\/strong>. 2005. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2005\/06\/28\/world\/asia\/roll-over-godzilla-korea-rules.html\">https:\/\/www.nytimes.com\/2005\/06\/28\/world\/asia\/roll-over-godzilla-korea-rules.html<\/a> &gt; Acessado em 02&nbsp; julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>ORTEGA ,Rodrigo. Kondzilla vira maior canal do youtube no Brasil e quer dominar funk al\u00e9m de clipes. <strong>Globo.com<\/strong>. 11 abr 2017. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/musica\/noticia\/kondzilla-vira-maior-canal-do-youtube-no-brasil-e-quer-dominar-funk-alem-de-clipes.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/musica\/noticia\/kondzilla-vira-maior-canal-do-youtube-no-brasil-e-quer-dominar-funk-alem-de-clipes.ghtml<\/a> &gt; Acessado em 27 julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>ORTEGA, Rodrigo. Kondizilla em queda: Porque o canal de funk perdeu audi\u00eancia e a lideran\u00e7a nas paradas?. 04 jun 2019b. <strong>Globo.com<\/strong>. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/06\/04\/kondzilla-em-queda-por-que-o-canal-de-funk-perdeu-audiencia-e-a-lideranca-nas-paradas.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/06\/04\/kondzilla-em-queda-por-que-o-canal-de-funk-perdeu-audiencia-e-a-lideranca-nas-paradas.ghtml<\/a> &gt; Acessado em 27 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>ORTEGA, Rodrigo. K-pop \u00e9 poder: Como Coreia do Sul investiu em cultura e colhe lucro e prest\u00edgio de \u00eddolos como BTS. <strong>Globo.com. <\/strong>2019a. Dispon\u00edvel em: <a>&lt; <\/a><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/05\/23\/k-pop-e-poder-como-coreia-do-sul-investiu-em-cultura-e-colhe-lucro-e-prestigio-de-idolos-como-bts.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/05\/23\/k-pop-e-poder-como-coreia-do-sul-investiu-em-cultura-e-colhe-lucro-e-prestigio-de-idolos-como-bts.ghtml<\/a> &gt; Acessado em: 02 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>PICCININI, Augusto. K-pop: propaganda pol\u00edtica na fronteira entre Coreias. In XXIX Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica. Pelotas. 2019<\/p>\n\n\n\n<p>PICKLES, Matt. K-pop drives boom in Korean language lessons. <strong>BBC NEWS<\/strong>. 2018 .Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/business-44770777\">https:\/\/www.bbc.com\/news\/business-44770777<\/a> &gt; Acessado em : 05 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>PINTO, Rodrigo. Interesse por cultura brasileira cria chance de fortalecer economia via \u2018soft power\u2019. <strong>BBC NEWS<\/strong>. 22 mar 2012. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2012\/04\/040423_brazilian_softpower01_rp &gt; Acessado em 21 agosto 2023<\/p>\n\n\n\n<p>PRADO, Carol. Funk cresceu mais de 3.000% no streaming fora do Brasil desde 2016. <strong>Globo.com.<\/strong> 30 maio 2018. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/funk-cresceu-mais-de-3000-no-streaming-fora-do-brasil-desde-2016.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/funk-cresceu-mais-de-3000-no-streaming-fora-do-brasil-desde-2016.ghtml<\/a>. &gt; Acessado em 28 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>President names BTS as Korean\u00b4s special envoys for public diplomacy. <strong>The Korean Times.<\/strong> 2021.Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.koreatimes.co.kr\/www\/art\/2021\/07\/398_312511.html &gt; . Acesso em 26 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>QUEIROGA, Louise. Par\u00f3dia sobre BTS feita por TV chilena gera protestos online contra racismo a asi\u00e1tico. <strong>Globo.com<\/strong>. 13 maio 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/k-pop\/parodia-sobre-bts-feita-por-tv-chilena-gera-protestos-online-contra-racismo-asiaticos-24969562.html &gt; Acessado em de 09 julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>REDDY, Shreyas. K-pop fans emerge as a powerful force in US protests. <strong>BBC NEWS<\/strong>. 2020. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-52996705\">https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-52996705<\/a> &gt; Acessado em: 07 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>REIS, R. M. de P. <strong>A onda coreana: um levantamento sobre o k-pop no Brasil e o kpopper brasileiro<\/strong>. Niteroi. 2018 51p. Monografia (Sociologia da Universidade Federal Fluminense)<\/p>\n\n\n\n<p>ROCHA, Thiago Santo. A m\u00fasica enquanto estrat\u00e9gia de soft power: uma an\u00e1lise da influ\u00eancia do pop norte-americano na difus\u00e3o da l\u00edngua inglesa nos anos 90. Monografia em L\u00ednguas estrangeiras aplicadas \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es internacionais. Universidade Federal da Para\u00edba, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>SANG-HUN, Cloe . Kim Jong-un calls K-pop a \u201cvicious cancer\u201d. <strong>The New York Times<\/strong>. 2021. Dispon\u00edvel em : &lt; <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/06\/11\/world\/asia\/kim-jong-un-k-pop.html\">https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/06\/11\/world\/asia\/kim-jong-un-k-pop.html<\/a> &gt; Acessado em 05 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>SANG-HUN, Cloe . Onstage, South Korean K-pop Star. In the Bolcony, Kim Jong-un, Clapping. <strong>The New York Times<\/strong>. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/04\/01\/world\/asia\/kim-jong-un-north-korea-k-pop-concert.html\">https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/04\/01\/world\/asia\/kim-jong-un-north-korea-k-pop-concert.html<\/a> &gt; Acessado em 06 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>SENRA, Ricardo. \u00b4\u00c9 o funk unido \u00e0 medicina\u00b4: MC Fioti grava novo v\u00eddeo de \u00b4Bum Bum Tam Tam\u00b4 na sede do Butantan. <strong>BBC NEWS<\/strong>. 15 jan 2021. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-55675024\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-55675024<\/a> &gt; Acessado em 27 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Sandra R\u00fabia da. As representa\u00e7\u00f5es do Brasil e dos brasileiros na internet: a constru\u00e7\u00e3o da brasilidade nos sites estangeiros. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>SOUZA, Marco Andr\u00e9 Vinhas de. Os novos fluxos midi\u00e1ticos da cultura pop coreana. <strong>Gal\u00e1xia<\/strong>, v. 15, n.29, p. 297-300, 2015.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> O termo \u2018cultura de massa\u2019 refere-se \u00e0 produtos culturais de f\u00e1cil compreens\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o, originados e subordinados \u00e0 \u00f3tica da ind\u00fastria cultural. A ind\u00fastria cultural \u00e9 respons\u00e1vel por se apropriar de manifesta\u00e7\u00f5es e elementos culturais, seja popular ou erudito, com o intuito adapt\u00e1-los e transform\u00e1-los em produtos racionalmente fabricados para o consumo do maior n\u00famero de pessoas, das massas, seguindo a l\u00f3gica da lucratividade e padr\u00f5es do mercado de consumo. (HORKHEIMER e ADORNO, 2002) Embora cr\u00edticas, a cultura de massa tem maior potencialidade para chegar a um grande p\u00fablico heterog\u00eaneo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Elaborado por Nye (2004), o conceito de <em>soft power<\/em> (poder brando) consiste na capacidade de os Estados influenciarem indiretamente o comportamento e as decis\u00f5es de outros por meio da atra\u00e7\u00e3o cultural, valores pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos. O conceito ser\u00e1 discutido mais adiante, e ao longo do trabalho, ser\u00e1 adotada a express\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Os dados s\u00e3o da Secretaria Especial da Cultura via Lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o apresentado na tabela elaborada pelo canal de not\u00edcias O Globo. Dispon\u00edvel em: https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/em-10-anos-verba-do-fundo-nacional-da-cultura-foi-de-344-milhoes-para-menos-de-1-milhao-24256797<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp; A interdepend\u00eancia significa a depend\u00eancia m\u00fatua entre os Estados, seja de ordem militar, econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica etc. O termo \u2018interdepend\u00eancia complexa\u2019foi criado na d\u00e9cada de 70 por Robert O. Keohane e Joseph S. Nye, que apresentou a ideia de que o poder nas rela\u00e7\u00f5es internacionais tem m\u00faltiplas dimens\u00f5es e n\u00e3o se refere exclusivamente ao poder militar e a seguran\u00e7a dos Estados. O conceito considera a redu\u00e7\u00e3o do papel do uso for\u00e7a militar entre os pa\u00edses, a exist\u00eancia de outros atores internacionais, n\u00e3o somente os Estados, e a n\u00e3o hierarquia entre os assuntos a serem tratados internacionalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Soft power is not merely the same as influence. After all, influence can also rest on the hard power of threats or payments. And soft power is more than just persuasion or the ability to move people by argument, though that is an important part of it. It is also the ability to attract, and attraction often leads to acquiescence. Simply put, in behavioral terms soft power is attractive power. In terms of resources, soft-power resources are the assets that produce such attraction.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> A cultura \u00e9 um conceito amplo com diversas defini\u00e7\u00f5es. Segundo Dos Santos (2017) a cultura est\u00e1 muito associada a estudo, educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o escolar, ao se referir \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, como teatro, m\u00fasica, pintura, escultura, ou aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, com ampla difus\u00e3o, tais como r\u00e1dio, cinema, televis\u00e3o. Outras vezes est\u00e1 relacionada \u00e0s festas e cerim\u00f4nias tradicionais, \u00e0s lendas e cren\u00e7as de um povo, ou a seu modo de se vestir, \u00e0s suas comidas ao seu idioma entre outros. Ou seja, pode-se compreender a cultura como um conjunto de h\u00e1bitos, cren\u00e7as, costumes e conhecimentos de determinado grupo social.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Long before the Berlin Wall fell in 1989, it had been pierced by television and movies. The hammers and bullzoners would not have worked without the years-long transmission of images of the popular culture of the West that breached the Wall before it fell.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> The booming South Korean presence on television and in the movies has spurred Asians to buy up South Korean goods and to travel to South Korea, traditionally not a popular tourist destination. The images that Asians traditionally have associated with the country \u2014 violent student marches, the demilitarized zone, division \u2014 have given way to trendy entertainers&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a>&nbsp; Os dados s\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Industria Fonogr\u00e1fica retirados do infogr\u00e1fico elaborado em 2019 pelo canal de not\u00edcias G1 na Globo.com. Dispon\u00edvel em : <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/05\/23\/k-pop-e-poder-como-coreia-do-sul-investiu-em-cultura-e-colhe-lucro-e-prestigio-de-idolos-como-bts.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2019\/05\/23\/k-pop-e-poder-como-coreia-do-sul-investiu-em-cultura-e-colhe-lucro-e-prestigio-de-idolos-como-bts.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=N_qXm9HY9Ro<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Dispon\u00edvel em : https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rrtFy5C02Pc<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Cabe ressaltar que assim como qualquer <em>ranking<\/em>, os <em>rankings<\/em> de <em>soft power<\/em> s\u00e3o subjetivos. No caso do \u00cdndice Global de Soft Power da companhia Brand <em>Finance <\/em>\u00e9 um estudo anual inteiramente baseado em pesquisas sobre as percep\u00e7\u00f5es das marca-na\u00e7\u00e3o, capturando as opini\u00f5es de mais de 100.000 entrevistados em todo o mundo. \u00c9 um \u00edndice composto calculado a partir de extensas pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica e avalia\u00e7\u00f5es de especialistas, que avalia o <em>soft power <\/em>de 60 pa\u00edses, principalmente economias de alta e m\u00e9dia renda, ao longo de sete pilares: neg\u00f3cios e com\u00e9rcio, governan\u00e7a, rela\u00e7\u00f5es internacionais, cultura e patrim\u00f4nio, m\u00eddia e comunica\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia, pessoas e valores.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Afirma um diplomata do Departamento de Rela\u00e7es Internacionais do Minist\u00e9rio da Cultura do Brasil entrevistado em junho 2018 pela autora.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn14\" href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> \u201cThe perception of Brazil&#8217;s culture &#8211; that is generally positive in- the foreigner&#8217;s eye is an asset to get closer to other countries and to open doors as a platform for the country&#8217;s internaltional insertion. The effects of Brazil\u00b4s presence in the imaginary of other peoples through culture spread to other domains. Culture is thus directly linked to and inseparable from soft power, Brazil\u00b4s capacity of influence in the international ambit must take culture into consideration\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Rubia Karla Oliota de Lima<\/em><\/strong> possui gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social- Jornalismo pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o (2012), e atualmente est\u00e1 cursando p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Estadual da Para\u00edba. \u00c9 professora de ingl\u00eas desde 2016, e tem experi\u00eancia tamb\u00e9m na \u00e1rea de endomarketing, comunica\u00e7\u00e3o interna, produ\u00e7\u00e3o e locu\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica e reportagem televisiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Cristina Carvalho Pacheco<\/em><\/strong> possui gradua\u00e7\u00e3o em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1997), mestrado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica (2000) e doutorado em Ci\u00eancias Sociais (2006), ambos pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). \u00c9 Professora Associada na Gradua\u00e7\u00e3o e no Mestrado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, ambos na Universidade Estadual da Para\u00edba, e Conselheira Acad\u00eamica do INCT-INEU. Entre 2013 e 2014 realizou seu pos doutorado na American University (CLALS), com bolsa CAPES- Fulbright. Em 2019 realizou seu segundo p\u00f3s doc no Programa Santiago Dantas, UNESP, em S\u00e3o Paulo. Coordena o MettRIca: Laborat\u00f3rio de M\u00e9todos e T\u00e9cnicas de Ensino em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Atualmente coordena o Mestrado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (2022-2023) e coordena a \u00c1rea Tem\u00e1tica de Ensino Pesquiso e Extensao da ABRI (2021-2023). Tem experi\u00eancia de pesquisa e ensino nos seguintes temas: Teoria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Pol\u00edtica Externa dos EUA, An\u00e1lise de Pol\u00edtica Externa, Grande Estrat\u00e9gia e Pot\u00eancias M\u00e9dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 107 | Abr. 2024 Rubia Karla Oliota de Lima<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3113,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,710],"tags":[717,716,715],"class_list":["post-3112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-volume-11-2024","tag-cultura-de-massa","tag-poder-suave","tag-soft-power"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3112"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3152,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3112\/revisions\/3152"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}