{"id":3162,"date":"2024-05-16T17:49:04","date_gmt":"2024-05-16T20:49:04","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3162"},"modified":"2024-06-27T21:12:27","modified_gmt":"2024-06-28T00:12:27","slug":"a-geopolitica-do-narcotrafico-na-amazonia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3162","title":{"rendered":"A Geopol\u00edtica do narcotr\u00e1fico na Amaz\u00f4nia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 108 | Mai. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Beatriz Fontes dos Santos<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presente artigo concentra-se na an\u00e1lise da relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica para o narcotr\u00e1fico, destacando o seu impacto geopol\u00edtico sobre as atividades das organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Isso envolve uma avalia\u00e7\u00e3o da fragilidade da floresta, as complexidades socioecon\u00f4micas das cidades fronteiri\u00e7as e a proximidade com os principais produtores de coca na regi\u00e3o da Am\u00e9rica Andina. O artigo adota a t\u00e9cnica de pesquisa bibliogr\u00e1fica, abrangendo literatura relacionada \u00e0 Geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia e \u00e0s Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. O assunto tratado ganha relev\u00e2ncia ao contextualizar a Amaz\u00f4nia em um cen\u00e1rio de conflitos contempor\u00e2neos do s\u00e9culo XXI, que transcende as fronteiras nacionais e abrange uma variedade de atores envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Narcotr\u00e1fico; Amaz\u00f4nia; Geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fim da Guerra Fria desencadeou uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as no sistema internacional, como a percep\u00e7\u00e3o de novas amea\u00e7as \u00e0 paz e \u00e0 seguran\u00e7a internacional, tendo em vista o seu car\u00e1ter transnacional. Tradicionalmente, os Estudos de Seguran\u00e7a Internacional (ESI) abordavam quest\u00f5es como a seguran\u00e7a do Estado, temas militares, estrat\u00e9gicos e de defesa nacional. Ap\u00f3s a Guerra Fria, as perspectivas de seguran\u00e7a se diversificaram, levando a uma amplia\u00e7\u00e3o do conceito de seguran\u00e7a. Essa evolu\u00e7\u00e3o reflete o crescente debate sobre assuntos que podem ser considerados quest\u00f5es de seguran\u00e7a, incluindo temas sociais, econ\u00f4micos, de sa\u00fade, ambientais, desenvolvimento e g\u00eanero (BUZAN; HANSEN, 2012). Neste \u00e2mbito, destacam-se o tr\u00e1fico internacional de drogas, a pirataria, o terrorismo global, entre outros. Por ser uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica, a Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e1 inserida na organiza\u00e7\u00e3o espacial e territorial das redes ilegais de narcotr\u00e1fico da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, observa-se uma atua\u00e7\u00e3o cada vez maior das organiza\u00e7\u00f5es criminosas dos pa\u00edses andinos na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira, uma vez que s\u00e3o os maiores produtores de coca\u00edna do mundo \u2013 Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e Peru \u2013 e precisam manter o funcionamento de suas estrat\u00e9gias de produ\u00e7\u00e3o e consumo de drogas (COUTO, 2014). Com isso, a regi\u00e3o se converteu em uma rota central dos fluxos de drogas com destino aos mercados europeus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O narcotr\u00e1fico \u00e9 um crime transnacional que desafia os limites da fronteira brasileira e tem implica\u00e7\u00f5es negativas no \u00e2mbito pol\u00edtico, social e econ\u00f4mico para pa\u00edses que fazem parte dessa rota. Sendo um empreendimento il\u00edcito altamente lucrativo, o narcotr\u00e1fico representa uma manifesta\u00e7\u00e3o do crime organizado e, nesse sentido, deve ser percebido como uma forma de &#8220;continua\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio por vias ilegais&#8221; (WILLIAMS, 2001). Neste contexto, o tr\u00e1fico de drogas s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em decorr\u00eancia de um grande mercado consumidor, que est\u00e1 presente hoje na Europa e nos Estados Unidos al\u00e9m dos pr\u00f3prios pa\u00edses latino-americanos, como o Brasil. Dessa forma, o narcotr\u00e1fico junto com os problemas ambientais insere a Amaz\u00f4nia em novas conflitividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o processo de globaliza\u00e7\u00e3o, a Amaz\u00f4nia ganhou um novo significado para o Brasil e para o mundo. No cen\u00e1rio brasileiro, destaca-se a expans\u00e3o da infraestrutura, como transportes e energia el\u00e9trica, que contribuem no processo de integra\u00e7\u00e3o sul-americana, principalmente atrav\u00e9s da Iniciativa para a Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). J\u00e1 no \u00e2mbito mundial, evidencia-se a agenda ambiental, que tem atribu\u00eddo \u00e0 Amaz\u00f4nia um centro de preocupa\u00e7\u00f5es baseado na l\u00f3gica do desenvolvimento sustent\u00e1vel, visto que a regi\u00e3o \u00e9 rica em biodiversidade, reservas minerais, entre outros aspectos que fazem parte da geopol\u00edtica mundial e brasileira (COUTO, 2014).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presente artigo tem como objetivo principal analisar a import\u00e2ncia da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica para o narcotr\u00e1fico, ou seja, seu car\u00e1ter geopol\u00edtico para as organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Para isso, propomos como problema: por que a Amaz\u00f4nia brasileira tornou-se uma rota central dos fluxos de drogas na Am\u00e9rica do Sul? Parte-se da hip\u00f3tese de que a Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 uma rota prim\u00e1ria obrigat\u00f3ria dos fluxos de coca\u00edna que se direcionam para a Europa e a \u00c1frica. Al\u00e9m disso, a bacia amaz\u00f4nica alimenta o pr\u00f3prio mercado consumidor brasileiro de coca\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange a metodologia do artigo, adota-se uma abordagem de car\u00e1ter qualitativo. Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliogr\u00e1fica, baseada na revis\u00e3o de literatura sobre \u00e0 Geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia e \u00e0s Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Assim, foram utilizados, livros, trabalhos acad\u00eamicos, artigos cient\u00edficos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o tema \u00e9 pertinente ao evidenciar que a articula\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico na Amaz\u00f4nia n\u00e3o impacta somente o Brasil e os pa\u00edses vizinhos, trata-se tamb\u00e9m de uma quest\u00e3o de escopo global que tem impactado e pode causar mudan\u00e7as na vida de milhares de pessoas. Por isso, o tema abordado \u00e9 importante ao inserir a Amaz\u00f4nia em um contexto de novos conflitos do s\u00e9culo XXI, que perpassa as fronteiras nacionais e envolvem diversos atores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Amaz\u00f4nia brasileira e o narcotr\u00e1fico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 vista como um espa\u00e7o essencial para a consolida\u00e7\u00e3o do mercado de drogas, j\u00e1 que as particularidades da regi\u00e3o oferecem facilidades para a pr\u00e1tica de atividades ilegais. A por\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o amaz\u00f4nica corresponde as bacias dos rios Amazonas, Araguaia-Tocantins, Orenoco, Essequibo, entre outros. Al\u00e9m disso, a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma subregi\u00e3o sul-americana coberta predominantemente por florestas tropicais. No aspecto geogr\u00e1fico, possui uma \u00e1rea pouco maior que sete milh\u00f5es de km\u00b2, o que representa 5% da superf\u00edcie terrestre do globo. Mas, apesar da vasta extens\u00e3o, em termos populacionais, a regi\u00e3o apresenta apenas 30 milh\u00f5es de habitantes, tornando-a uma das \u00e1reas com menor densidade demogr\u00e1fica do planeta (ISHIDA, 2006).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste \u00e2mbito, a enorme por\u00e7\u00e3o territorial, a baixa densidade demogr\u00e1fica e a escassez do Estado, facilitam a a\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es criminosas para se aproveitarem da densa floresta e acobertar suas atividades il\u00edcitas. Dessa forma, utilizam-se de rotas \u00e1reas, terrestres e fluviais clandestinas para transportar drogas, contrabando, armas e muni\u00e7\u00f5es. Logo, evidencia-se que o car\u00e1ter transnacional do narcotr\u00e1fico representa uma amea\u00e7a para as soberanias dos Estados, os quais compartilham fronteiras no espa\u00e7o amaz\u00f4nico (ISHIDA, 2006). Desse modo, a Pan-Amaz\u00f4nia \u2013 pa\u00edses que tem a floresta amaz\u00f4nica em seu territ\u00f3rio &#8211; e suas fronteiras internacionais adquirem uma nova relev\u00e2ncia geopol\u00edtica, uma vez que representam o marco pol\u00edtico divisor de oito diferentes soberanias territoriais (BECKER, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>O narcotr\u00e1fico representa o principal problema dos pa\u00edses andinos, especificadamente em sua faixa de fronteira entre o Peru, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia, por onde a coca\u00edna entra no Brasil (COUTO, 2011). Entre os anos de 2006 a 2008, houve um aumento da produ\u00e7\u00e3o de coca nestes pa\u00edses lim\u00edtrofes com a Amaz\u00f4nia brasileira, e que enfrentam problemas de instabilidade envolvendo o crime organizado (UNODC, 2009). Desde a d\u00e9cada de 1980, a Amaz\u00f4nia e o Centro-Oeste t\u00eam desempenhado um papel evidente no cen\u00e1rio de exporta\u00e7\u00e3o de coca\u00edna e fornecimento de produtos qu\u00edmicos, com o Brasil constantemente inserido na economia regional das drogas (MACHADO, 1998).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia brasileira passou a representar uma extensa \u00e1rea de escoamento da coca\u00edna, gerando conflitos entre as organiza\u00e7\u00f5es criminosas pelo monop\u00f3lio das principais rotas de distribui\u00e7\u00e3o. As principais organiza\u00e7\u00f5es presentes na estrutura do mercado da droga s\u00e3o:<sub> C<\/sub>omando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA), Terceiro Comando (TC), do Rio de Janeiro; Primeiro Comando da Capital (PCC), de S\u00e3o Paulo; e Fam\u00edlia do Norte (FDN), localizada no estado do Amazonas (COUTO, 2014). Essas fac\u00e7\u00f5es nacionais mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es com os principais fornecedores andinos, o que potencializa o crime organizado transnacional.&nbsp; Al\u00e9m disso, as organiza\u00e7\u00f5es criminosas atuantes no estado do Amazonas adaptaram suas estrat\u00e9gias de governo em uma regi\u00e3o no qual o Estado brasileiro enfrenta dificuldades para manter o controle devido fatores como a vastid\u00e3o territorial, dist\u00e2ncia e neglig\u00eancia (BERG, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, a rota da Amaz\u00f4nia destaca o Brasil como \u00e1rea de tr\u00e2nsito; os v\u00e1rios rios conectados \u00e0 bacia amaz\u00f4nica servem como vias para que a coca\u00edna seja transportada. As redes ilegais se aproveitam da dificuldade de fiscaliza\u00e7\u00e3o por parte de for\u00e7as da seguran\u00e7a p\u00fablica e da vulnerabilidade fronteiri\u00e7a que facilita o ass\u00e9dio de narcotraficantes a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, as quais servem como \u201cmulas\u201d para a passagem de drogas.&nbsp; Para os trabalhadores informais, o narcotr\u00e1fico \u00e9 visto como uma forma de ascens\u00e3o social com retorno r\u00e1pido de lucros e bens. Ademais, a densa floresta possibilita que o narcotr\u00e1fico crie seus laborat\u00f3rios, que s\u00e3o utilizados tamb\u00e9m para camuflar e esconder a droga em caso de amea\u00e7a (COUTO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1reas escolhidas pelos narcotraficantes t\u00eam um aspecto geogr\u00e1fico e geopol\u00edtico particular, que favorece o transporte das drogas at\u00e9 as principais rotas e cidades estrat\u00e9gicas (COUTO, 2020). Nesse contexto, torna-se evidente como os grupos de narcotraficantes tamb\u00e9m adotam uma perspectiva geopol\u00edtica em sua atua\u00e7\u00e3o. Eles se aproveitam dos vastos vazios demogr\u00e1ficos ao longo das fronteiras amaz\u00f4nicas, especialmente pr\u00f3ximos aos produtores de coca, para estabelecer seus laborat\u00f3rios de processamento de drogas e, posteriormente, escoar essa produ\u00e7\u00e3o pelos rios. Al\u00e9m dos rios, utilizam-se rotas a\u00e9reas e terrestres, evidenciando a estrat\u00e9gia multimodal das redes ilegais, que s\u00e3o altamente m\u00f3veis para evitar a repress\u00e3o estatal (ISHIDA, 2006). Assim, o conceito de geopol\u00edtica amplia seu escopo al\u00e9m do entendimento centrado no Estado ao considerar outros atores em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s percorrer uma vasta regi\u00e3o, os criminosos se aproximam das principais \u00e1reas urbanas, com Manaus figurando como o primeiro ponto crucial para a distribui\u00e7\u00e3o de entorpecentes, voltados ao consumo local. A cidade de Manaus tamb\u00e9m desempenha um papel na complexa rede log\u00edstica do tr\u00e1fico de drogas em \u00e2mbito nacional e internacional (SOUSA, 2021). Ademais, destaca-se o papel desempenhado pelo estado do Par\u00e1, como parte das redes de narcotr\u00e1fico. O Par\u00e1 faz parte da por\u00e7\u00e3o oriental da Amaz\u00f4nia, tendo como capital Bel\u00e9m. O Estado tornou-se rota obrigat\u00f3ria para os mercados consumidores de coca\u00edna no Brasil, principalmente a coca\u00edna de origem colombiana. Percebe-se, assim, como as cidades da Amaz\u00f4nia v\u00e3o sendo incorporadas nas redes de a\u00e7\u00e3o dos traficantes. No aspecto geopol\u00edtico, reitera-se, portanto, que a regi\u00e3o \u00e9 importante devido sua localiza\u00e7\u00e3o e particularidades que fazem o com\u00e9rcio funcionar e continuar gerando lucros, fato que desafia o poder estatal e mant\u00e9m o mercado clandestino de coca\u00edna (COUTO, 2011).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na escala global, evidencia-se o papel do rio Amazonas, visto que \u00e9 um importante meio de liga\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico ao Pac\u00edfico. Couto (2011), observa que pela bacia Amaz\u00f4nica o narcotr\u00e1fico encontra um meio mais seguro de transportar a coca\u00edna. Contudo, h\u00e1 toda uma estrat\u00e9gia das redes que utilizam os sistemas multimodais para isso. Conforme evidenciado, \u00e9 poss\u00edvel empregar tanto as vias terrestres quanto o transporte a\u00e9reo, que faz uso de pistas clandestinas para transportar a coca\u00edna proveniente dos pa\u00edses andinos at\u00e9 a regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, o reflexo da atua\u00e7\u00e3o das redes ilegais \u00e9 o crescimento do tr\u00e1fico de drogas em escala local, regional e global, onde a rota obrigat\u00f3ria pela Amaz\u00f4nia leva os fluxos em dire\u00e7\u00e3o aos mercados internacionais, seja por avi\u00e3o ou por navio. Como mencionado, os principais destinos s\u00e3o os mercados europeus e norte-americanos, evidenciando ainda o mercado africano e o sudeste brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Mapa 1\u2013&nbsp;Rotas internacionais do tr\u00e1fico de coca\u00edna<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Imagem1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3164\" width=\"590\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Imagem1.png 937w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Imagem1-300x185.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Imagem1-768x473.png 768w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><figcaption>Fonte:&nbsp;Couto (2020).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Assim, percebe-se como a regi\u00e3o amaz\u00f4nica pode ser considerada uma \u00e1rea de tr\u00e2nsito, tendo em vista que suas particularidades geogr\u00e1ficas possibilitam a articula\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico. De acordo com Sousa (2021), a bacia Amaz\u00f4nica \u00e9 um caso exemplar, de como essas redes do tr\u00e1fico foram as primeiras a obterem \u00eaxito na &#8216;integra\u00e7\u00e3o&#8217; territorial. As cidades ou metr\u00f3poles da regi\u00e3o amaz\u00f4nica tornaram-se espa\u00e7os essenciais para o narcotr\u00e1fico constituir rela\u00e7\u00f5es de poder sobre as suas periferias, comunidades, baixadas etc. Dessa forma, o narcotr\u00e1fico no Brasil estabelece sua reprodu\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o, em detrimento do poder do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A articula\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico na Amaz\u00f4nia brasileira causa impactos econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos. O Estado \u00e9 fragilizado ao n\u00e3o conseguir conter as rela\u00e7\u00f5es locais e internacionais que constituem a organiza\u00e7\u00e3o espacial do crime organizado. Logo, reflexos negativos s\u00e3o evidenciados nas pol\u00edticas de defesa e seguran\u00e7a do territ\u00f3rio brasileiro, que n\u00e3o conseguem desarticular as in\u00fameras redes ilegais presentes na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e1 relacionada a sua fun\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a qual permite a conectividade do narcotr\u00e1fico em v\u00e1rias escalas. A coca\u00edna produzida nos pa\u00edses andinos \u00e9 levada para o Brasil, que se constitui como uma rota necess\u00e1ria para o escoamento da droga, depois direcionada para os principais mercados consumidores no mundo. Acentuou-se a inseguran\u00e7a das fronteiras da Amaz\u00f4nia com a presen\u00e7a do narcotr\u00e1fico. Com isso, observa-se a potencializa\u00e7\u00e3o de novos crimes, como o tr\u00e1fico de armas que precisa da presen\u00e7a do crime organizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A geopol\u00edtica do narcotr\u00e1fico, portanto, confronta as soberanias dos Estados, atuando em diversas \u00e1reas do globo. Com isso, evidencia-se a necessidade de solu\u00e7\u00f5es em n\u00edvel de defesa nacional, e tamb\u00e9m para a prote\u00e7\u00e3o ambiental da Amaz\u00f4nia, que \u00e9 explorada para a manuten\u00e7\u00e3o do crime. Neste sentido, destacam-se alguns projetos do governo brasileiro, como o SIPAM (Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia), que tamb\u00e9m foi idealizado para o combate ao tr\u00e1fico de drogas nas fronteiras e o SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), associado ao combate de crimes na regi\u00e3o. O desenvolvimento dessas iniciativas ressalta a import\u00e2ncia de proteger o espa\u00e7o amaz\u00f4nico e continuar trabalhando no combate ao narcotr\u00e1fico. \u00c9 indubit\u00e1vel, desse modo, que haja uma maior coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses da Pan-Amaz\u00f4nia, visando o fortalecimento das fronteiras e a ades\u00e3o de pol\u00edticas conjuntas que enfraque\u00e7am o narcotr\u00e1fico na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BECKER, Bertha K. <strong>Geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia<\/strong>. Estudos Avan\u00e7ados, v.19, n.53, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>BERG, Ryan. <strong>La lucha por el Amazonas: Nuevas fronteras en el panorama del crimen organizado en Brasil. <\/strong>Di\u00e1logo Am\u00e9ricas, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialogo-americas.com\/es\/articles\/la-lucha-por-el-amazonas-nuevas-fronteras-en-el-panorama-del-crimen-organizado-en-brasil\/#.ZD7DUHbMLre\">https:\/\/dialogo-americas.com\/es\/articles\/la-lucha-por-el-amazonas-nuevas-fronteras-en-el-panorama-del-crimen-organizado-en-brasil\/#.ZD7DUHbMLre<\/a>. Acesso em: 17 ago. 2023. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>BUZAN, Barry; HANSEN, Lene.<strong> A evolu\u00e7\u00e3o dos Estudos de Seguran\u00e7a Internacional<\/strong>. S\u00e3o Paulo, Ed. UNESP, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>COUTO, Aiala. <strong>Amea\u00e7a e car\u00e1ter transnacional do narcotr\u00e1fico na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/strong> Revista Franco-Brasileira de Geografia, 44, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.4000\/confins.25852. Acesso em: 03 jan 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>COUTO, Aiala. <strong>Geopol\u00edtica, fronteira e redes ilegais na Amaz\u00f4nia. <\/strong>Anais do I Congresso Brasileiro de Geografia Pol\u00edtica, Geopol\u00edtica e Gest\u00e3o do Territ\u00f3rio, 2014. Rio de Janeiro. Porto Alegre: Editora Letra1; Rio de Janeiro: REBRAGEO, 2014, p. 807-815.<\/p>\n\n\n\n<p>COUTO, Aiala. <strong>Um problema de fronteiras: a Amaz\u00f4nia no contexto das redes ileais de narcotr\u00e1fico.<\/strong> Revista Perspectiva Geogr\u00e1fica, Unioeste, v. 6, n.7, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>ISHIDA, Eduardo. <strong>Pol\u00edtica de seguran\u00e7a integrada da Amaz\u00f4nia: utopia ou realidade?<\/strong> Santiago Dantas: [s.n.], 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>MACHADO, Lia Osorio. Notas sobre o complexo coca \u2013 coca\u00edna na Amaz\u00f4nia sul \u2013 Americana. In: <strong>RELAT\u00d3RIO CNPQ; FINEP<\/strong>. [S.l.]: [s.n.], 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>SOUSA, Micheline. <strong>O Narcotr\u00e1fico, o Crime Organizado Internacional, a seguran\u00e7a das hidrovias e recursos estrat\u00e9gicos na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica<\/strong>. <strong>O que as FA t\u00eam a ver com isso? <\/strong>Anais Eletr\u00f4nicos, XI Encontro Nacional da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos de Defesa, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>UNODC. <strong>O Relat\u00f3rio Mundial sobre Drogas 2009<\/strong>. Washington: UNODC, 2009<\/p>\n\n\n\n<p>WILLIAMS, Phil. <strong>Crime, Illicit Markets, and Money Laundering<\/strong>. In: SIMONS, P. J.; JONGE OUDRAAT, C. D. (Eds). <em>Managing Global Issues<\/em>: Lesson Learned. Washington, DC: Carnegie Endowment for International Peace, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Beatriz Fontes Santos<\/strong> \u00e9 mestranda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Foi estagi\u00e1ria no Escrit\u00f3rio Nacional da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) em Belize. Participou do Projeto de Extens\u00e3o do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FURG no Consulado do Uruguai na Cidade do Chu\u00ed\/BR. Possui como \u00e1reas de interesse: Crime Organizado Trasnacional, Seguran\u00e7a Internacional e Am\u00e9rica Latina.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 108 | Mai. 2024 Beatriz Fontes dos Santos Resumo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3165,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,710],"tags":[724,725,723],"class_list":["post-3162","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-volume-11-2024","tag-amazonia","tag-geopolitica","tag-narcotrafico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3162"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3177,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3162\/revisions\/3177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}