{"id":3199,"date":"2024-08-05T09:00:00","date_gmt":"2024-08-05T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3199"},"modified":"2024-08-01T23:56:16","modified_gmt":"2024-08-02T02:56:16","slug":"belt-and-road-initiative-rotas-potencializadoras-do-soft-power-chines","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3199","title":{"rendered":"Belt and Road Initiative: Rotas Potencializadoras do Soft Power Chin\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Maria Clara Ribeiro Coutinho Caravana<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2012, com a ascens\u00e3o de Xi Jinping como Secret\u00e1rio-Geral do Partido Comunista Chin\u00eas e presidente da Rep\u00fablica Popular da China, encontra-se uma evidente transi\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa chinesa. Diferente de seus antecessores, que apostaram em uma estrat\u00e9gia de \u201c<em>Keep Low Profile<\/em>\u201d (KLP) e mantinham um perfil discreto focado no crescimento pac\u00edfico e cauteloso, Xi exibiu uma China \u201c<em>Striving for Achievement<\/em>\u201d (SFA) que busca por coopera\u00e7\u00e3o, estreitar as rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses e sair da postura de menor participa\u00e7\u00e3o internacional que se perpetuava nas governan\u00e7as anteriores (XUETONG, 2014). Em 2013, anunciava-se a cria\u00e7\u00e3o de uma iniciativa que visava a amplia\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o transcontinental, conectando a China com a \u00c1sia, \u00c1frica e Europa. Inicialmente chamada de \u201c<em>One Belt, One Road<\/em>\u201d, o projeto inspirado na restaura\u00e7\u00e3o da antiga Rota da Seda veio a se tornar a prioridade do governo chin\u00eas e busca por est\u00edmulos econ\u00f4micos, novas oportunidades de investimentos, desenvolvimento de infraestrutura, conectividade comercial, financeira e populacional, em uma rela\u00e7\u00e3o integrada e positiva para todas as partes (EBRD, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente rebatizada como \u201c<em>Belt and Road Initiative<\/em>\u201d (BRI), a iniciativa representa uma China assumindo uma nova postura no sistema internacional, saindo de uma pot\u00eancia regional para se reafirmar como uma superpot\u00eancia mundial (MA\u00c7\u00c3ES, 2018). Com o objetivo de promover a integra\u00e7\u00e3o regional, desenvolver o com\u00e9rcio e estimular o crescimento econ\u00f4mico (EBRD, 2020), a iniciativa visa o investimento em infraestrutura para a expans\u00e3o de vias terrestres e mar\u00edtimas, por meio do Cintur\u00e3o Econ\u00f4mico da Rota da Seda e da Rota da Seda Mar\u00edtima do S\u00e9culo XXI (BEITH, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos j\u00e1 concebidos, os resultados e impactos globais alcan\u00e7ados pela BRI, n\u00e3o podem ser ignorados (BEITH, 2022). A iniciativa possui uma abordagem m\u00faltipla que engloba a cria\u00e7\u00e3o de ferrovias, oleodutos, gasodutos e portos, mas os efeitos da BRI s\u00e3o vistos em diversos \u00e2mbitos, seja econ\u00f4mico, militar, cultural ou social.<\/p>\n\n\n\n<p>Para atingir as metas de conectividade e coopera\u00e7\u00e3o (OECD, 2018), a iniciativa define cinco prioridades: \u201ccoordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas; conectividade de infraestrutura; com\u00e9rcio livre; integra\u00e7\u00e3o financeira e conectar as pessoas\u201d (XI, 2016, p.549, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>&nbsp;<\/sup>. Em mar\u00e7o de 2022, quase dez anos ap\u00f3s o an\u00fancio da iniciativa, totalizavam 148 pa\u00edses na&nbsp;<em>Belt em Road<\/em>, evidenciando respostas e interesses internacionais positivos em rela\u00e7\u00e3o ao projeto chin\u00eas (NEDOPIL, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;n\u00e3o se trata apenas de um projeto, ela se comp\u00f5e de ideias, met\u00e1foras e processos (MA\u00c7\u00c3ES, 2018). A China criou uma estrat\u00e9gia de&nbsp;<em>smart<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;que, ao mesmo tempo em que garante seus objetivos de expans\u00e3o econ\u00f4mica, os alinha com o multilateralismo, a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua e o desenvolvimento pac\u00edfico. Nessa perspectiva, as expectativas em torno dos resultados da BRI v\u00e3o al\u00e9m do desenvolvimento econ\u00f4mico, sendo esperado que os recursos chineses de poder brando sejam proporcionalmente aumentados com o sucesso da iniciativa (LJUSLIN, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>O presente artigo busca analisar por quais meios a&nbsp;<em>Belt and Road Initiative<\/em>&nbsp;(BRI) vem agindo para potencializar os recursos de&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;chin\u00eas, sendo uma iniciativa que procura&nbsp;&nbsp;refor\u00e7ar a influ\u00eancia da China no panorama internacional. Por meio da metodologia explorat\u00f3ria e pesquisa bibliogr\u00e1fica, utilizamos os conceitos te\u00f3ricos desenvolvidos por Joseph Nye acerca de poder para explorar como o ambicioso projeto chin\u00eas cria mecanismos que podem&nbsp;&nbsp;permitir \u00e0 China a amplia\u00e7\u00e3o do seu poder \u201cbrando\u201d. Este \u00e9 um tema valioso para o entendimento de como a China pode&nbsp;&nbsp;utilizar a BRI como projeto para firmar-se como l\u00edder regional e global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CINTUR\u00c3O E ROTA: OS CAMINHOS PARA O&nbsp;<em>SOFT<\/em>&nbsp;<em>POWER<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;Joseph Nye, \u201co poder \u00e9 a habilidade de influenciar o comportamento dos outros para alcan\u00e7ar os resultados almejados\u201d (NYE, 2004, p. 2, tradu\u00e7\u00e3o nossa), sendo um conceito que recebe papel central para a compreens\u00e3o&nbsp;das rela\u00e7\u00f5es&nbsp;internacionais. Ao aplicarmos essa defini\u00e7\u00e3o dentro de um sistema internacional, veremos Estados em busca de maximizar seu poder&nbsp;para assegurar&nbsp;que seus objetivos sejam obtidos. Nesse vi\u00e9s, Nye aponta que h\u00e1 diversos meios de influenciar o comportamento, seja a partir da coer\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do&nbsp;<em>hard power<\/em>, ou da atra\u00e7\u00e3o, com o&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;(NYE, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>hard<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>, baseia-se em um poder de comando, sendo vinculado \u00e0 coer\u00e7\u00e3o e \u00e0 indu\u00e7\u00e3o (NYE, 2004). Esse, age normalmente atrav\u00e9s de recursos tang\u00edveis de poder, como as For\u00e7as Armadas ou meios econ\u00f4micos, sustentando-se a partir da for\u00e7a militar, na diplomacia coercitiva e nas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas (WAGNER, 2014).&nbsp;Em contrapartida, o conceito de&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>, \u00e9 definido por Nye como \u201ca habilidade de moldar a prefer\u00eancia de outros\u201d (NYE, 2004, p. 5). Este, est\u00e1 conectado com a coopta\u00e7\u00e3o, que funciona atrav\u00e9s da capacidade de atra\u00e7\u00e3o e fundamenta-se fortemente em tr\u00eas recursos b\u00e1sicos: sua cultura (em locais onde ela \u00e9 atraente), seus valores pol\u00edticos (a forma como voc\u00ea vive no \u00e2mbito dom\u00e9stico e como voc\u00ea comporta-se no exterior) e sua pol\u00edtica externa (quando os outros enxergam os como leg\u00edtimos e dotados de autoridade moral).<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de um projeto centralizado e coordenado pela lideran\u00e7a pol\u00edtica chinesa (ROLLAND, 2019), encontra-se a busca de uma pot\u00eancia regional em se reafirmar como global. Dessa forma, a China almeja atuar atrav\u00e9s de uma estrat\u00e9gia de&nbsp;<em>smart<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>, ou seja, combinando recursos de&nbsp;<em>hard<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;para o alcance de resultados efetivos. Assim, ao enquadrar no\u00e7\u00f5es vistas como leg\u00edtimas no sistema internacional, como paz, coopera\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o, aprendizado m\u00fatuo e ganho universal em sua iniciativa, a reputa\u00e7\u00e3o chinesa tende a se fortalecer positivamente, de maneira a agir como uma ferramenta de expans\u00e3o do&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;chin\u00eas&nbsp;(BEITH, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Joseph Nye (2020), a China ainda est\u00e1 longe de igualar-se aos EUA ou \u00e0 Europa em quesito de&nbsp;<em>soft<\/em><em>power<\/em>, mas seria tolice ignorar os importantes ganhos que ela est\u00e1 obtendo. Nesse sentido, a BRI \u00e9 mais que um projeto, mais do que componentes mar\u00edtimos e terrestres, mais do que uma iniciativa de infraestrutura ou coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ela \u00e9 um movimento que representa a expans\u00e3o da influ\u00eancia chinesa e a busca da maximiza\u00e7\u00e3o do poder chin\u00eas dentro do sistema internacional&nbsp;(MA\u00c7\u00c3ES, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, a China vem se ajustando principalmente atrav\u00e9s da BRI para incorporar o&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;em sua estrat\u00e9gia nacional e internacional (BEITH, 2022), com o objetivo de possibilit\u00e1-los a utiliza\u00e7\u00e3o da atra\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o para atingir seus prop\u00f3sitos.&nbsp;Conforme exposto por Xi Jinping em discurso, a estrat\u00e9gia de aumentar o&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;e a influ\u00eancia da cultura chinesa no mundo faz parte de sua pol\u00edtica externa para garantir que a voz da China seja ouvida internacionalmente (2018, p. 365).<\/p>\n\n\n\n<p>Ignorar ou negligenciar o&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;\u00e9 um erro estrat\u00e9gico (NYE, 2022), isso porque para conquistar influ\u00eancia internacional, a utiliza\u00e7\u00e3o apenas do&nbsp;<em>hard power<\/em>&nbsp;n\u00e3o se sustenta. Nas formula\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas externas, o conceito de&nbsp;<em>soft<\/em><em>power<\/em>&nbsp;recebe destaque pelos l\u00edderes globais (NYE, 2011), sendo parte estrat\u00e9gica na constru\u00e7\u00e3o de projetos eficazes,&nbsp;quea China n\u00e3o ir\u00e1 ignorar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXPORTA\u00c7\u00c3O CULTURAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa chinesa n\u00e3o se guiou por uma coincid\u00eancia ao definir como base a restaura\u00e7\u00e3o da antiga Rota da Seda, a&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;firmou-se como um projeto que busca conectar o presente, o passado e o futuro (MCBRIDE, BERMAN e CHATZKY, 2023). A antiga Rota da Seda possui uma hist\u00f3ria marcada n\u00e3o s\u00f3 pelo sucesso comercial, mas foi respons\u00e1vel tamb\u00e9m por realizar um interc\u00e2mbio cultural de forma harm\u00f3nica entre as na\u00e7\u00f5es envolvidas (WINTER, 2016).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Nye (2004), se um pa\u00eds possui uma cultura e sistema ideol\u00f3gico admir\u00e1vel, os outros pa\u00edses tendem a segui-lo, sem necessidade de utilizar-se<em>&nbsp;hard power<\/em>. Conforme defini\u00e7\u00e3o de Nye (2011), cultura \u00e9 o conjunto de valores e pr\u00e1ticas que criam significado para uma sociedade, ela \u00e9 respons\u00e1vel por criar o padr\u00e3o de comportamento social pelo qual os grupos transmitem conhecimento e valores.&nbsp;Para a China, a cultura \u00e9 vista como um instrumento fundamental para a expans\u00e3o do&nbsp;<em>soft power<\/em>, que atrav\u00e9s de interc\u00e2mbios busca mostrar ao mundo ser uma na\u00e7\u00e3o civilizada, respons\u00e1vel e confi\u00e1vel (LAI, 2012). Conforme dito por Lai (2012), a China tem a oferecer ao mundo n\u00e3o apenas produtos manufaturados, mas tamb\u00e9m valores e produtos culturais atraentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O interc\u00e2mbio cultural e a conex\u00e3o das pessoas s\u00e3o uma das prioridades da BRI (XI, 2016). Diante de uma multiplicidade cultural, \u00e9tnica, religiosa e lingu\u00edstica, a BRI age tamb\u00e9m como uma plataforma que busca conectar as na\u00e7\u00f5es, compreendendo suas diferen\u00e7as, mas construindo uma rela\u00e7\u00e3o de respeito e confian\u00e7a m\u00fatua (XI, 2017). Dessa forma, dentro da iniciativa encontram-se diversos projetos no qual buscam promover as trocas culturais entre os pa\u00edses por meio da arte, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, m\u00eddia, esportes, turismo, sa\u00fade e outros (BUSH, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, as rela\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas entram como um recurso fundamental na dissemina\u00e7\u00e3o da for\u00e7a cultural e expans\u00e3o do&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;chin\u00eas. Sendo uma ferramenta capaz de difundir culturas e influenciar os valores pessoais, a m\u00eddia exerce um papel importante nas rela\u00e7\u00f5es internacionais de modo a moldar as prefer\u00eancias de outros e permitir que pol\u00edticas internacionais sejam aceitas mais facilmente (OURIVEIS, 2013). Conforme dito por Nye (2011), a m\u00eddia de massa possui uma grande for\u00e7a pois ela \u00e9 capaz de gerar conscientiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e definir agendas p\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria cultural criam um ambiente prop\u00edcio para que os pa\u00edses da BRI entendam a cultura um dos outros (HONGXIU, 2018). De acordo com Li Hongxiu (2018), os interc\u00e2mbios e a coopera\u00e7\u00e3o de m\u00eddias realizadas com a BRI s\u00e3o uma forma de &#8220;<em>soft infrastructure<\/em>\u201d para conectar os povos de diferentes na\u00e7\u00f5es, sendo um aspecto importante para o interc\u00e2mbio cultural. Esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m permite o progresso do setor industrial midi\u00e1tico-cultural, al\u00e9m de construir um desenvolvimento econ\u00f4mico com base em parcerias e coopera\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas (HONGXIU, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A China reconhece a import\u00e2ncia de explorar esses recursos de&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;diante da&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;e investe ativamente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa (LJUSLIN, 2021). O Governo chin\u00eas tamb\u00e9m se dedicou a criar fontes oficiais de informa\u00e7\u00f5es e not\u00edcias para a BRI, com o prop\u00f3sito de divulgar os resultados da iniciativa, seu andamento e seus ganhos. Dessa maneira, pode-se citar o&nbsp;<em>Belt and Road Portal<\/em>&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>(<em>yidaiyilu<\/em>), site oficial que possui not\u00edcias atualizadas, base de dados, documentos oficiais, fotos, v\u00eddeos e detalhes sobre as pol\u00edticas de coopera\u00e7\u00e3o da iniciativa em seis idiomas. Al\u00e9m desse, o&nbsp;<em>Xinhua<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;disponibiliza uma p\u00e1gina dedicada para a BRI dispon\u00edvel em 10 l\u00ednguas e o&nbsp;<em>Xinhua Silk Road Information Service<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, que divulga informa\u00e7\u00f5es sobre as principais not\u00edcias relacionadas a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e interc\u00e2mbio cultural do projeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ao entrar nessas p\u00e1ginas, identifica-se uma predomin\u00e2ncia de not\u00edcias focadas apenas na perspectiva chinesa e em apenas resultados positivos angariados pela iniciativa. Linda Ljuslin (2021) aponta como esta a\u00e7\u00e3o pode ser utilizada para a China assumir ainda mais o controle e impactar o fluxo de informa\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses, influenciando os canais midi\u00e1ticos de modo a preservar sua imagem e reputa\u00e7\u00e3o, promovendo seu poder de forma branda. Bush (2021), aponta essa atitude tamb\u00e9m como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cguerra de discurso\u201d, com Pequim buscando combater o sentimento anti-China presente no ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro ponto peculiar utilizado pela China para promover a iniciativa, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Cultural, como filmes, programas de televis\u00e3o e m\u00fasicas para abordar a BRI (OURIVEIS, 2013). A&nbsp;<em>New China TV<\/em>, lan\u00e7ou no youtube e em outras plataformas&nbsp;uma s\u00e9rie de v\u00eddeos denominados \u201cGLOBALink<a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u201d, que aborda os resultados da coopera\u00e7\u00e3o, dos projetos de infraestrutura e conta relatos de pessoas reais que s\u00e3o ativamente beneficiadas pela&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>. Em 2016, a CGTN lan\u00e7ou um document\u00e1rio de seis epis\u00f3dios com legendas em ingl\u00eas<a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, com entrevistas e hist\u00f3rias de pessoas que vivem ao longo das rotas da BRI e como o projeto teve um impacto positivo em suas vidas (BEITH, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a narrativa que a m\u00eddia e a ind\u00fastria cultural&nbsp;exploram&nbsp;\u00e9 a do benef\u00edcio m\u00fatuo trazido pela iniciativa, sendo moldada pela lideran\u00e7a chinesa para alcan\u00e7ar os objetivos de forma positiva para todas as partes (ZHANG;WU, 2017). Assim, refor\u00e7ando uma reputa\u00e7\u00e3o positiva para a China de modo a expandir sua influ\u00eancia internacional de maneira branda.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, o interc\u00e2mbio cultural-educacional entra tamb\u00e9m como uma estrat\u00e9gia da BRI para promover a conex\u00e3o entre as pessoas, fortalecendo a compreens\u00e3o m\u00fatua e troca de ideias, conhecimentos, experi\u00eancias e valores entre na\u00e7\u00f5es. De acordo com Nye (2008), a diplomacia p\u00fablica possui uma longa hist\u00f3ria de resultados positivos como fomentador de&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;e para faz\u00ea-la de maneira eficiente, \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es duradouras com indiv\u00edduos chaves, seja por meio de bolsas de estudos, interc\u00e2mbios, treinamento, semin\u00e1rios e canais de m\u00eddia.A BRI instituiu a&nbsp;<em>Belt and Road Scholarship<a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn6\"><sup><strong><sup>[6]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, o programa de bolsas de estudos para estudantes dos pa\u00edses ao longo da BRI estudarem em universidades renomadas na China. As bolsas cobrem todos os custos do ensino e perman\u00eancia e oferecem a oportunidades de os alunos estrangeiros terem uma experi\u00eancia imersiva na cultura chinesa com contato direto com estudantes locais (BELT AND ROAD SCHOLARSHIP, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o&nbsp;<em>Belt And Road Portal<\/em>&nbsp;(2019), at\u00e9 2017, 38.700 estudantes de pa\u00edses membros da BRI estudavam na China por meio de bolsas de estudos oferecidas pelo governo chines. Al\u00e9m disso, a \u201c<em>Chinese Academy of Sciences<\/em>\u201d oferece programas de mestrado e doutorado, al\u00e9m de j\u00e1 terem realizado treinamentos de ci\u00eancia e tecnologia em mais de 5.000 alunos dos pa\u00edses da BRI. Estes programas representam os enormes investimentos chineses em&nbsp;poder brando, visto que a atra\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros pode facilitar a exporta\u00e7\u00e3o cultural e criam narrativas de&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>positivas (NYE, 2011), al\u00e9m de permitir que os valores e ideias sejam transmitidos por meio desses estudantes ao retornar para seus pa\u00edses de origem (NYE, 2004).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, foi&nbsp;ap\u00f3s a&nbsp;ascens\u00e3o de Xi Jinping ao poder que o Instituto Conf\u00facio (CI) recebeu maior notoriedade no cen\u00e1rio internacional.&nbsp;O Instituto que objetiva promover a l\u00edngua e cultura chinesa,&nbsp;transforma-se tamb\u00e9m em um valioso recurso de&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;visto que glorifica e difunde a cultura chinesa para o mundo (BEITH, 2022). De acordo com Beith (2022), um dos m\u00e9todos dos hegem\u00f4nicos para refor\u00e7ar seu prest\u00edgio cultural e garantir sua posi\u00e7\u00e3o na ordem mundial, \u00e9 espalhar seu idioma para se estabelecer como l\u00edngua franca. Em dezembro de 2018, cerca de 548 Institutos Conf\u00facio e 1.193&nbsp;<em>Confucius Classroom<\/em>&nbsp;j\u00e1 haviam sido criados em 154 pa\u00edses (JUNG; WANG;CHO, 2020).Dentro da BRI, em 2019, a China j\u00e1 havia aberto 153 Institutos Conf\u00facio e 149&nbsp;<em>Classrooms&nbsp;<\/em>em 54 pa\u00edses da iniciativa (BELT AND ROAD PORTAL, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia de incluir a diplomacia p\u00fablica desempenha um importante papel nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e pode ser \u00fatil para a cria\u00e7\u00e3o de uma imagem atraente do pa\u00eds, facilitando o alcance dos resultados almejados atrav\u00e9s desses recursos (NYE, 2008).&nbsp;&nbsp;A China sempre teve uma cultura tradicional atraente (NYE, 2020) e por meio de oportunidades educacionais, produz um cen\u00e1rio de atra\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros para e amplia\u00e7\u00e3o da propaganda externa, baseada em uma diplomacia branda (NYE, 2011).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VALORES POL\u00cdTICOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um outro importante recurso de&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;relaciona-se com os valores pol\u00edticos dom\u00e9sticos e externos de um pa\u00eds, que quando alinhados de maneira positiva no cen\u00e1rio internacional, podem gerar aceita\u00e7\u00e3o e legitimidade perante outras na\u00e7\u00f5es. Conforme dito por Nye (2004), \u201cse um l\u00edder representa valores que os outros desejam seguir, ser\u00e1 mais f\u00e1cil lider\u00e1-los\u201d (NYE, 2004, p. 6, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Assim, atrav\u00e9s da BRI, a China transmite para o mundo seus valores de desenvolvimento pac\u00edfico, seus alinhamentos com a governan\u00e7a global e seu&nbsp;modelo de prosperidade econ\u00f4mica(RAHMAN, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>A credibilidade \u00e9 uma parte essencial do&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>, quando os governos s\u00e3o percebidos como manipuladores e a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como propaganda, a credibilidade \u00e9 destru\u00edda (NYE, 2011). Dessa forma, as virtudes demonstradas no Governo chin\u00eas e na Iniciativa&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;n\u00e3o podem estar desalinhadas, devendo elas seguirem o mesmo vi\u00e9s para n\u00e3o ca\u00edrem em contradi\u00e7\u00e3o. Para formar e manter a imagem internacional de um pa\u00eds amante da paz, cooperador internacional, for\u00e7a anti-hegem\u00f4nica e grande pot\u00eancia&nbsp;(ZHANG;WU, 2017), \u00e9 essencial realizar um trabalho em parceria com a governan\u00e7a global e suas Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais (OIs).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a China tem realizado diversos esfor\u00e7os para mostrar que seus valores seguem lineares com aONU e&nbsp;suas OIs,&nbsp;e est\u00e1&nbsp;disposta a contribuir efetivamente com os objetivos e metas firmadas (BEITH, 2022). A China tem se provado como exemplo internacional em multilateralismo e&nbsp;<em>a Belt and Road&nbsp;<\/em>enfatiza o interesse chin\u00eas em criar uma estrat\u00e9gia positiva e de ganho m\u00fatuo para o globo (LINYAN, 2017).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, a UNDESA (Departamento das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais) lan\u00e7ou o relat\u00f3rio&nbsp;<em>\u201cPartnering for a Brighter Shared Future: Progress Report on the Belt and Road Initiative (BRI) in Support of the United Nations 2030 Agenda\u201d<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;, que analisa a sinergia entre a iniciativa e a Agenda 2030, al\u00e9m dos esfor\u00e7os chineses para implementar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel) na BRI (UN, 2022). O relat\u00f3rio tamb\u00e9m apresenta dados que demonstram como essa coopera\u00e7\u00e3o tem criado diversas oportunidades e resultados positivos no alcance dos ODS (UN, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com&nbsp;Ant\u00f3nio&nbsp;Guterres (2017), secret\u00e1rio-geral da ONU, a BRI pode ser tornar um instrumento muito importante para atender a Agenda 2030 da ONU e acredita que ambas seguem na mesma dire\u00e7\u00e3o (LINYAN, 2017). Segundo Nye (2011), quando um governo se preocupa com metas estruturais, o resultado ser\u00e1 o aumento de seu&nbsp;<em>soft<\/em><em>power<\/em>, visto que o sistema internacional valoriza os valores de diplomacia cooperativa. Nesse vi\u00e9s, por meio da promo\u00e7\u00e3o de uma iniciativa que se alinha com os valores cooperativos bem-quistos no sistema internacional, a China fortalece sua imagem positivamente e expande seu&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;dentro do sistema internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, conforme dito por Nye (2011), \u201cos recursos econ\u00f4micos tamb\u00e9m podem produzir comportamentos de poder brandos e duros. Eles podem ser usados tanto para atrair quanto para coagir. \u00c0s vezes, em situa\u00e7\u00f5es do mundo real, \u00e9 dif\u00edcil distinguir qual parte de uma rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 composta de&nbsp;<em>hard power<\/em>&nbsp;e qual \u00e9 composta de&nbsp;<em>soft power<\/em>\u201d (NYE, 2011, p. 85, tradu\u00e7\u00e3o nossa<sup>)<\/sup>. Assim, a&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;pode sofrer diversas interpreta\u00e7\u00f5es diante do modo que gera poder para a China. O desenvolvimento e a expans\u00e3o das infraestruturas facilitadas pela BRI permitem que ocorra o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o s\u00f3 para a China, mas tamb\u00e9m para as outras na\u00e7\u00f5es presentes na iniciativa (BUSH, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados, em uma perspectiva tradicional, s\u00e3o geralmente associados com a coer\u00e7\u00e3o, entretanto, a iniciativa pode projetar o sistema econ\u00f4mico chin\u00eas para um p\u00fablico global sendo capaz de atra\u00ed-lo, portanto, n\u00e3o podendo seus ganhos serem restringidos ao&nbsp;<em>hard<\/em>. Nesse vi\u00e9s, por meio da BRI, al\u00e9m de atingir influ\u00eancia econ\u00f4mica, a China exporta um modelo de desenvolvimento a ser seguido pelos outros l\u00edderes e pa\u00edses, para atingir o sucesso econ\u00f4mico (DUARTE, 2012).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de um triunfo econ\u00f4mico de crescente progresso, conforme Figura&nbsp;2, o modelo&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;chin\u00eas&nbsp;se torna muito atraente para muitos pa\u00edses em desenvolvimento (NYE, 2005). Como forma de refor\u00e7ar essa atra\u00e7\u00e3o, a China oferece aos pa\u00edses ajuda econ\u00f4mica e acesso ao seu mercado atrav\u00e9s da BRI, na qual oportuna outras na\u00e7\u00f5es a seguirem os valores chineses com o objetivo de&nbsp;fortalecer&nbsp;sua economia.&nbsp;Ademais, sendo a segunda maior economia do mundo, ela possui capacidade de estabelecer padr\u00f5es para o mercado, sendo uma fonte significativa de influ\u00eancia pol\u00edtica (NYE, 2020)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura&nbsp;1. Crescimento econ\u00f4mico da China 1960-2023 em USD<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"789\" height=\"477\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/EEASar1im1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3200\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/EEASar1im1.png 789w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/EEASar1im1-300x181.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/EEASar1im1-768x464.png 768w\" sizes=\"(max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><figcaption>Fonte: WORLD BANK. CHINA Economic Growth 1960-2023.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Rahman, \u201ca ajuda financeira para o BRI est\u00e1 estabelecendo projetos de maneira persuasiva e n\u00e3o coercitiva, com san\u00e7\u00f5es ou embargos no crescimento nas na\u00e7\u00f5es participantes, funcionando ao mesmo tempo como&nbsp;<em>soft<\/em><em>power<\/em>\u201d (RAHMAN, 2019, p. 319, tradu\u00e7\u00e3o nossa).&nbsp;Nessa \u00f3tica, a prosperidade econ\u00f4mica alcan\u00e7ada pela China gera atra\u00e7\u00e3o aos seus valores, com outros Estados buscando replicar o \u00eaxito alcan\u00e7ado aos moldes chineses (NYE, 2020) e encontrando a oportunidade de faz\u00ea-lo diante da BRI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>POL\u00cdTICA EXTERNA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Joseph Nye (2004), pol\u00edticas governamentais internas e externas s\u00e3o outra potencial fonte de&nbsp;<em>soft power<\/em>. A&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;em si j\u00e1 \u00e9 o mais ambicioso projeto de pol\u00edtica externa promovido pela China, sua abrang\u00eancia geogr\u00e1fica e impacto econ\u00f4mico gerar\u00e1 resultados al\u00e9m das fronteiras chinesas (MA\u00c7\u00c3ES, 2018). As pol\u00edticas governamentais, quando utilizadas adequadamente, podem refor\u00e7ar o&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;de um pa\u00eds, contudo, quando feitas de maneira hip\u00f3crita, arrogante ou indiferentes \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, pode abalar sua imagem (NYE, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Beith (2022), o Partido Comunista Chin\u00eas (PCC) \u00e9 conhecido por formular suas pol\u00edticas externas e agenda pol\u00edtica n\u00e3o por si s\u00f3, mas para servir a objetivos dom\u00e9sticos espec\u00edficos. Nesse vi\u00e9s, as atividades promovidas no sistema internacional pela China, atrav\u00e9s da&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>, surgem por um interesse chin\u00eas de refor\u00e7ar seu poder, seja ele&nbsp;<em>hard&nbsp;<\/em>ou&nbsp;<em>soft<\/em>, e para isso suas pol\u00edticas externas s\u00e3o constru\u00eddas para atrair outros pa\u00edses para sua \u00f3rbita (MA\u00c7\u00c3ES, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Como o poder sempre depende do contexto (NYE, 2004), para uma pol\u00edtica externa se tornar atraente para certo Estado, \u00e9 necess\u00e1rio que seja&nbsp;analisada&nbsp;qual \u00e9 a prioridade deste Estado (RAHMAN, 2019). Dessa forma, um importante pilar para a iniciativa \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de coopera\u00e7\u00e3o de investimento e financiamento para os pa\u00edses da iniciativa. Conforme detalhado por Haralambides e Merk (2020), os projetos de infraestrutura da BRI j\u00e1 est\u00e3o em andamento e at\u00e9 2020, o&nbsp;<em>China Development Bank&nbsp;<\/em>j\u00e1 havia apoiado 400 projetos em 37 economias no valor de $110 bilh\u00f5es, o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) estava envolvido em 212 projetos no valor de $67 bilh\u00f5es, com expectativa de chegar a cerca de $159 bilh\u00f5es e o&nbsp;<em>Export\u2013Import Bank of China<\/em>&nbsp;havia dado suporte em cerca de 1.000 projetos em 49 economias no valor de $80 bilh\u00f5es (HARALAMBIDES; MERK, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a iniciativa conta com o apoio do&nbsp;<em>China Construction Bank<\/em>&nbsp;e trabalha com outras institui\u00e7\u00f5es em cons\u00f3rcios, como o&nbsp;<em>Silk Road Fund<\/em>&nbsp;que at\u00e9 o final de 2022, j\u00e1 havia se comprometido mais de US$ 20 bilh\u00f5es em investimentos que abrangem mais de 60 pa\u00edses e regi\u00f5es em setores de infraestrutura, recursos energ\u00e9ticos, coopera\u00e7\u00e3o financeira e industrial (SILK ROAD FUND, s.d).Nessa perspectiva, a assist\u00eancia financeira promovida pela&nbsp;<em>Belt and Road<\/em>&nbsp;se torna uma pol\u00edtica externa extremamente atrativa aos pa\u00edses, principalmente os subdesenvolvidos (RAHMAN, 2019). Essa assist\u00eancia para projetos de desenvolvimento e infraestrutura, podem se tornar uma ferramenta estrat\u00e9gica para influenciar e direcionar pol\u00edticas e atitudes de outros pa\u00edses, ou seja, permite a manifesta\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>soft power<\/em>(RAHMAN, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme dito por Xi Jinping, a&nbsp;China convida seus vizinhos para embarcar no trem do desenvolvimento chin\u00eas (2014, p. 543), contudo, n\u00e3o enfatiza como essa rela\u00e7\u00e3o se torna m\u00fatua diante dos recursos estrat\u00e9gicos que a BRI pode proporcionar \u00e0 China. De acordo com Rahman (2019), \u00e0 medida que o outro lado ganha infraestrutura, a China ganha acesso a diversos recursos que s\u00e3o encontrados ao decorrer da rota, mais prosperidade econ\u00f4mica e exp\u00f5e internacionalmente sua for\u00e7a capaz de angariar recursos valiosos do campo geopol\u00edtico. Com in\u00fameros pa\u00edses dentro do projeto, temos uma grande extens\u00e3o rica em recursos energ\u00e9ticos, minerais, mar\u00edtimos, terrestres e de \u00f3leo e g\u00e1s (MA\u00c7\u00c3ES, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O escopo geogr\u00e1fico da BRI \u00e9 um de seus principais recursos de poder. Ao aumentar sua presen\u00e7a e influ\u00eancia ao longo das rotas terrestres e mar\u00edtimas da BRI, a China ganha reconhecimento diante ao sistema internacional (BEITH, 2022) e tem um cen\u00e1rio facilitador de ac\u00famulo de poder brando e coercitivo necess\u00e1rio para defender os \u201cinteresses centrais\u201d da China (THORNE;SPEVACK, 2017). Portanto, ao mesmo tempo em que a BRI \u00e9 atraente para outras na\u00e7\u00f5es devido ao seu potencial de crescimento econ\u00f4mico, a imagem da China \u00e9 refor\u00e7ada como l\u00edder internacional, que demonstra em suas pol\u00edticas externas sua cren\u00e7a nos valores de coopera\u00e7\u00e3o mutuamente ben\u00e9fica e desenvolvimento pac\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante das an\u00e1lises expostas, \u00e9 evidente o esfor\u00e7o chin\u00eas em potencializar seu poder no cen\u00e1rio internacional e a BRI recebe destaque central no alcance desse objetivo. \u00c9 importante a compreens\u00e3o da iniciativa e suas estrat\u00e9gias, visto que seu impacto global auxilia na constru\u00e7\u00e3o de um futuro onde a China se firma, definitivamente, como uma superpot\u00eancia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental ressaltar que a&nbsp;<em>Belt<\/em>&nbsp;<em>and Road<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma iniciativa de rotas ou corredores, mas se trata de uma estrat\u00e9gia de&nbsp;<em>smart power<\/em>, que combina fontes tipicamente&nbsp;<em>soft<\/em>, diante da promo\u00e7\u00e3o da cultura, valores e pol\u00edticas externas chinesas constru\u00eddas para melhorar a imagem da China e faz\u00ea-la atrativa diante ao sistema internacional, e&nbsp;<em>hard<\/em>, com m\u00faltiplos investimentos econ\u00f4micos ao longo da iniciativa e fortalecimento de suas for\u00e7as armadas diante de sua prosperidade econ\u00f4mica (BR\u00ceNZ\u0102, 2018). De acordo com Nye (2011),&nbsp;\u201ca China est\u00e1 tentando usar o&nbsp;<em>smart power<\/em>&nbsp;para transmitir a ideia de sua \u201cascens\u00e3o pac\u00edfica\u201d e, assim, evitar um equil\u00edbrio de poder compensat\u00f3rio\u201d (NYE, 2011, p. 105, tradu\u00e7\u00e3o nossa).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, considerando o impacto da Belt and Road Initiative em diversos \u00e2mbitos e suas diversas interpreta\u00e7\u00f5es de poder, os projetos estabelecidos sob a iniciativa n\u00e3o apenas expandem interesses m\u00fatuos, fortalecem a confian\u00e7a pol\u00edtica e garantem a coopera\u00e7\u00e3o entre os membros, mas tamb\u00e9m asseguram a legitimidade da China no sistema internacional. Esses&nbsp;fatores maximizam&nbsp;os recursos do poder brando chin\u00eas e refor\u00e7am sua influ\u00eancia no cen\u00e1rio global. Portanto, al\u00e9m do desenvolvimento econ\u00f4mico, infraestrutural e diplom\u00e1tico promovido pela BRI, a iniciativa tamb\u00e9m estabelece rotas de potencializa\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BEITH, Taylor D.&nbsp;<strong>The Dragon&#8217;s Silver Tongue: Chinese&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>&nbsp;in the Age of Xi Jinping.<\/strong>&nbsp;2022.<\/p>\n\n\n\n<p>BELT AND ROAD PORTAL.<strong>&nbsp;<\/strong>The Belt and Road Initiative Progress, Contributions and Prospects<strong>.&nbsp;<\/strong><strong>Foreign Languages Press<\/strong>, 22 fev. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/eng.yidaiyilu.gov.cn\/p\/86739.html. Acesso em: 17 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Belt and Road Scholarship: Opportunities for International Students<\/strong>.&nbsp;2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.chinesescholarshipcouncil.com\/belt-and-road-scholarship.html. 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Public Diplomacy in the Belt and Road Initiative within the New Media: Theories and Practices.&nbsp;<strong>Athens Journal of Mass Media and Communications<\/strong>, jul. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.athensjournals.gr\/media\/2018-4-3-4-Hongxiu.pdf. Acesso em: 25 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>JUNG, Jin-Young; WANG, Wei; CHO, Sung-Woo. The Role of Confucius Institutes and One Belt, One Road Initiatives on the Values of Cross-Border M&amp;A: Empirical Evidence from China<strong>. College of Business Administration<\/strong>, 9 dec. 2020. DOI https:\/\/doi.org\/10.3390\/su122410277.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mdpi.com\/2071-1050\/12\/24\/10277. Acesso em: 16 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>LAI, H. (2012).&nbsp;<strong>China\u2019s&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>&nbsp;and International Relations.<\/strong>&nbsp;doi:10.4324\/9780203122099<\/p>\n\n\n\n<p>LINYAN, Wang. Secretary-General sees key Belt &amp; Road role in Agenda 2030.&nbsp;<strong>China\u2019s Approach to Global Governance<\/strong>, 5 set. 2017. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.chinadaily.com.cn\/world\/2017-05\/09\/content_29263086.htm. Acesso em: 4 jul. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>LJUSLIN, Linda. China\u2019s use of&nbsp;<em>soft<\/em>&#8211; and&nbsp;<em>hard<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;under the leadership of Xi Jinping.<strong>&nbsp;<\/strong><strong>UPPSALA UNIVERSITET<\/strong>, 12 ago. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.diva-portal.org\/smash\/get\/diva2:1629476\/FULLTEXT01.pdf. Acesso em: 22 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>MA\u00c7\u00c3ES, Bruno.&nbsp;<strong>Belt and Road: A Chinese World Order.<\/strong>&nbsp;&nbsp;2018.<\/p>\n\n\n\n<p>MCBRIDE, James et al. China\u2019s Massive Belt and Road Initiative.&nbsp;<strong>Council on Foreign Relations<\/strong>, 2 fev. 2023.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cfr.org\/backgrounder\/chinas-massive-belt-and-road-initiative. Acesso em: 9 maio 2023<\/p>\n\n\n\n<p>MERICS. Mapping the Belt and Road initiative: this is where we stand. 07 Jun. 2018.&nbsp;<strong>Mercator Institute for China Studies (MERICS)<\/strong>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/merics.org\/en\/tracker\/mapping-belt-and-road-initiative-where-we-stand\">https:\/\/merics.org\/en\/tracker\/mapping-belt-and-road-initiative-where-we-stand<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>NEDOPIL, Christoph (2023): \u201cCountries of the Belt and Road Initiative\u201d;&nbsp;<strong>Shanghai, Green Finance &amp; Development Center, FISF Fudan University<\/strong>,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.greenfdc.org\/\">www.greenfdc.org<\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nye, J. S. (2008).&nbsp;<strong>Public Diplomacy and&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em><\/strong>. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science, 616(1), 94\u2013109. doi:10.1177\/0002716207311699<\/p>\n\n\n\n<p>NYE, J.S. (2023).&nbsp;<strong><em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>. In:&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>&nbsp;and Great-<em>Power<\/em>&nbsp;Competition.<\/strong>&nbsp;China and Globalization. Springer, Singapore.&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-981-99-0714-4_1\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/978-981-99-0714-4_1<\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NYE, Joseph S. (2012)&nbsp;<strong>China and&nbsp;<em>soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em><\/strong>, South African Journal of International Affairs, 19:2, 151-155, DOI: 10.1080\/10220461.2012.706889<\/p>\n\n\n\n<p>NYE, Joseph S. Jr.&nbsp;<strong>The Future of&nbsp;<em>Power<\/em><\/strong>. New York, NY: Public Affairs, February 1, 2011.&nbsp;320<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NYE, JOSEPH S. Whatever Happened to&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>?.&nbsp;<strong>Project Syndicate<\/strong>, 11 jan. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/whatever-happened-to-<em>soft<\/em>&#8211;<em>power<\/em>-by-joseph-s-nye-2022-01.&nbsp;Acesso em: 16 abr. 2023<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NYE, Joseph.&nbsp;<strong><em>Soft<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>: The Means to Success in World Politics.<\/strong>&nbsp;Public Affairs, 2004<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>OECD Business and Finance Outlook, &#8220;The Belt and Road Initiative in the global trade, investment and finance landscape<strong>&#8220;,&nbsp;<\/strong>2018,&nbsp;<strong>OECD<\/strong>&nbsp;<strong>Publishing<\/strong>, Paris,&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1787\/bus_fin_out-2018-6-en\">https:\/\/doi.org\/10.1787\/bus_fin_out-2018-6-en<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>OURIVEIS, Ma\u00edra. 2013.&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;<em>power<\/em>&nbsp;e ind\u00fastria cultural: A pol\u00edtica externa norte-americana presente no cotidiano do indiv\u00edduo.&nbsp;<strong>Revista Acad\u00eamica de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/strong>, n. 4, v. II, pp. 168 &#8211; 196.<\/p>\n\n\n\n<p>ROLLAND, Nad\u00e8ge.&nbsp;A Concise Guide to the Belt and Road Initiative.&nbsp;<strong>National Bureau of Economic Research<\/strong>, 11 abr. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nbr.org\/publication\/a-guide-to-the-belt-and-road-initiative\/.&nbsp;Acesso em: 4 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>SILK ROAD FUND.&nbsp;<strong>Silk Road Fund &#8211; Investment Portfolio<\/strong>. s.d. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.silkroadfund.com.cn\/enweb\/tzdt\/tzgl\/index.html. Acesso em: 9 jul. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>THORNE, Devin; SPEVACK, Ben.&nbsp;<strong>Harbored Ambitions. How China\u2019s Port Investments are strategically reshaping the Indo-Pacific.<\/strong>&nbsp;2017. Dispon\u00edvel em https:\/\/static1.squarespace.com\/static\/566ef8b4d8af107232d5358a\/t\/5ad5e20ef950b777 a94b55c3\/1523966489456\/Harbored+Ambitions.pdf . Acesso em: 15 de Junho de 2023.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>UNITED NATIONS. 2022.&nbsp;<em>SDG Progress Report 2019<\/em>.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;https:\/\/www.un.org\/sites\/un2.un.org\/files\/progress_report_bri-sdgs_english-final.pdf.&nbsp;Acesso em: 06 jul. 2024<\/p>\n\n\n\n<p>WAGNER, Jan-Philipp N E. The Effectiveness of&nbsp;<em>Soft<\/em>&nbsp;&amp;&nbsp;<em>Hard<\/em>&nbsp;<em>Power<\/em>&nbsp;in Contemporary International Relations.&nbsp;<strong>E-International Relations<\/strong>, p. 1-5, 14 maio 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.e-ir.info\/2014\/05\/14\/the-effectiveness-of-<em>soft<\/em>&#8211;<em>hard<\/em>&#8211;<em>power<\/em>-in-contemporary-international-relations\/. Acesso em: 9 jul. 2023.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>WINTER, Tim. One Belt, One Road, One Heritage: Cultural Diplomacy and the Silk Road<strong>.&nbsp;<\/strong><strong>The Diplomat<\/strong>, 29 mar. 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/thediplomat.com\/2016\/03\/one-belt-one-road-one-heritage-cultural-diplomacy-and-the-silk-road\/. Acesso em: 28 jun. 2023<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>XI Jinping:&nbsp;<strong>The Governance of China Volume One<\/strong>. 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>XI Jinping:&nbsp;<strong>The Governance of China Volume Three<\/strong>. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>XI Jinping:&nbsp;<strong>The Governance of China Volume Two<\/strong>. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>YAN, Xuetong. From Keeping a Low Profile to Striving for Achievement<strong>.<\/strong>&nbsp;<strong>The Chinese Journal of International Politics<\/strong>. 2014. 153-184. 10.1093\/cjip\/pou027<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ZHANG, Lejin; WI, Doreen.&nbsp;<strong>Media Representations of China: A Comparison of China Daily and Financial Times in Reporting on the Belt and Road Initiative<\/strong>, 2017.&nbsp;Critical Arts, 31:6, 29-43, DOI: 10.1080\/02560046.2017.1408132<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/544D8402-9199-4EE4-948D-ED561173C7CC#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.macrotrends.net\/countries\/CHN\/china\/economic-growth-rate\">https:\/\/www.macrotrends.net\/countries\/CHN\/china\/economic-growth-rate<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais sobre o&nbsp;<em>Belt and Road Portal<\/em>, acesse: https:\/\/eng.yidaiyilu.gov.cn<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais sobre a p\u00e1gina dedicada do&nbsp;<em>Xinhua<\/em>, acesse: https:\/\/english.news.cn\/silkroad<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais sobre o&nbsp;<em>Xinhua Silk Road Information<\/em>&nbsp;<em>Service<\/em>, acesse: https:\/\/en.imsilkroad.com\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais sobre o GLOBALink, acesse: https:\/\/www.youtube.com\/@ChinaViewTV<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais sobre os epis\u00f3dios do document\u00e1rio, acesse: https:\/\/www.youtube.com\/@cgtn<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;Para saber mais detalhes do \u201c<em>Belt and Road Scholarship\u201d,&nbsp;<\/em>acesse: https:\/\/www.chinesescholarshipcouncil.com\/belt-and-road-scholarship.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/219189E6-0290-4983-9F69-AB83272357C8#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o: Parceria para um Futuro Compartilhado mais Brilhante: Relat\u00f3rio de Progresso da Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota (BRI) em Apoio \u00e0 Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Para saber mais: https:\/\/www.un.org\/sites\/un2.un.org\/files\/progress_report_bri-sdgs_english-final.pdf<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Maria Clara Ribeiro Coutinho Caravana<\/strong> \u00e9 internacionalista, Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos (INEST\/UFF).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024 Por Maria Clara Ribeiro Coutinho<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3211,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3199","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3199"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3215,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3199\/revisions\/3215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}