{"id":3216,"date":"2024-08-07T09:00:00","date_gmt":"2024-08-07T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3216"},"modified":"2024-08-02T00:50:17","modified_gmt":"2024-08-02T03:50:17","slug":"o-smart-power-japones-na-pos-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3216","title":{"rendered":"O Smart Power Japon\u00eas na P\u00f3s-Modernidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Maria Luisa Maia Medeiros<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Jap\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>cool&nbsp;<\/em>e o Jap\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>pop<\/em>. \u00c9 dessa maneira que o pa\u00eds \u00e9 enxergado na P\u00f3s-Modernidade, a partir do fim dos anos 1980 com a globaliza\u00e7\u00e3o e homogeneiza\u00e7\u00e3o do modelo de produ\u00e7\u00e3o e crescimento capitalista. O pa\u00eds \u00e9 conhecido internacionalmente por ser a casa dos samurais, da culin\u00e1ria de qualidade, dos desenhos animados, da tradi\u00e7\u00e3o xinto\u00edsta, das novidades tecnol\u00f3gicas, dentre muitos outros elementos que pertencem \u00e0 esfera cultural. Desde o s\u00e9culo XX, o pa\u00eds \u00e9 definido como uma pot\u00eancia (regional e, mais tarde, internacional) que se diferencia daquelas do chamado Ocidente e, desse modo, se destaca por sua originalidade \u2013 conhecida tamb\u00e9m como&nbsp;<em>Nihonjinron<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, ou seja, \u201cjaponicidade\/japonesidade\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;(SASAKI, 2011). Ao mesmo tempo que o pa\u00eds cresceu no imagin\u00e1rio das demais pessoas pela sua influ\u00eancia no \u00e2mbito cultural, decorrente de investidas na \u00e1rea, o mesmo perpassou por momentos decisivos em anos mais recentes referente \u00e0 releitura da sua pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o de 1947 e seu nono artigo<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;(que define a ren\u00fancia japonesa de guerrear) com aprova\u00e7\u00f5es cada vez maiores de invers\u00f5es na \u00e1rea militar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho tem como intuito analisar como o Jap\u00e3o desenvolveu seu poder inteligente (<em>smart power<\/em>) atrav\u00e9s de suas t\u00e1ticas n\u00e3o-b\u00e9licas (estrat\u00e9gias nas quais as for\u00e7as empregadas n\u00e3o s\u00e3o de natureza coercitiva) nos \u00faltimos dez anos (entre 2013 e 2023), caracterizado pela promo\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds e simultaneamente pelo crescimento nos seus investimentos no campo b\u00e9lico. Este mostra-se relevante, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 uma das pot\u00eancias mais influentes no mundo desde a d\u00e9cada de 1980, de modos econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural, e pelo \u00eaxito do pa\u00eds em conseguir difundir seu modo de ser e viver em pa\u00edses que pouco possuem similaridades. Al\u00e9m disso, \u00e9 um dos pa\u00edses que ampliou de modo significativo seus investimentos militares nos \u00faltimos anos e pretende alcan\u00e7ar metas de investimentos em defesa como pa\u00edses-membros da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) (FOLHA DE S\u00c3O PAULO, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, este estudo ser\u00e1 realizado principalmente a partir da discuss\u00e3o e an\u00e1lise da constru\u00e7\u00e3o de algo que se mostra importante para a imagem mundial do pa\u00eds: a recente estrat\u00e9gia do&nbsp;<em>smart power<\/em>&nbsp;nacional, dirigido pelo plano pol\u00edtico e cultural nacional contempor\u00e2neo conhecida como \u201c<em>Cool Japan<\/em>\u201d e ao mesmo tempo pelas For\u00e7as de Autodefesa do Jap\u00e3o (JSDF). A primeira foi desenvolvida e institucionalizada nos \u00faltimos anos pelo Estado japon\u00eas para que o pa\u00eds pudesse disseminar a sua cultura e atratividade pelo mundo e, como consequ\u00eancia, conquistar olhares para o pa\u00eds de modo positivo e que permitissem o seu crescimento econ\u00f4mico e sua proje\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica (COOL JAPAN STRATEGY PROMOTION COUNCIL, 2015). Nesse sentido, a pesquisa enfatiza principalmente a \u00faltima d\u00e9cada, entre 2013 e 2023, j\u00e1 que a pol\u00edtica estatal do&nbsp;<em>Cool Japan<\/em>&nbsp;foi criada com a Lei n\u00ba 51 de 2013 \u2013 que determinou a cria\u00e7\u00e3o de um fundo pr\u00f3prio para o desenvolvimento da estrat\u00e9gia, chamado \u201c<em>Cool Japan Fund<\/em>\u201d. A segunda estrat\u00e9gia demonstra como o pa\u00eds, mesmo com suas limita\u00e7\u00f5es militares devido ao nono artigo de sua constitui\u00e7\u00e3o, consegue estabelecer uma estrat\u00e9gia de&nbsp;<em>smart power<\/em>, que envolve o&nbsp;<em>hard&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>soft power<\/em>, atrav\u00e9s da sua for\u00e7a militar de defesa e as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 A ESTRAT\u00c9GIA \u201cCOOL JAPAN\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2002, o jornalista estadunidense Douglas McGray escreveu uma mat\u00e9ria na revista&nbsp;<em>Foreign Policy<\/em>&nbsp;intitulada \u201c<em>Japan\u2019s Gross National Cool<\/em>\u201d, que abordava o aumento da popularidade e sucesso cultural do Jap\u00e3o no globo, chamando essa potente produ\u00e7\u00e3o cultural de \u201c<em>national cool<\/em>\u201d \u2013 algo imensur\u00e1vel e que pode servir para fins pol\u00edticos e econ\u00f4micos (MCGRAY, 2002). E em um momento no qual as esferas econ\u00f4mica e pol\u00edtica do pa\u00eds n\u00e3o eram favor\u00e1veis<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, pois ainda sofriam com as casualidades da longa recess\u00e3o da d\u00e9cada anterior, ele aponta o impacto do sucesso da influ\u00eancia cultural criado por essas produ\u00e7\u00f5es, que puderam trazer ganhos para a economia, e como esta vis\u00e3o remodelada pode contribuir com a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional (ARA\u00daJO; OLIVEIRA, 2020, p. 171):<\/p>\n\n\n\n<p><em>Instead of collapsing beneath its political and economic misfortunes, Japan\u2019s global cultural influence has only grown. In fact, from pop music to consumer electronics, architecture to fashion, and food to art, Japan has far greater cultural influence now than it did in the 1980s, when it was an economic superpower<\/em>&nbsp;(MCGRAY, 2002, p. 46).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso, o ent\u00e3o primeiro-ministro Koizumi cria a o Conselho de Promo\u00e7\u00e3o da Diplomacia Cultural e a Estrat\u00e9gia da Diplomacia Cultural e das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Exterior em conjunto com o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o (MOFA), em 2004, a fim de fortalecer a diplomacia cultural nacional e promover a compreens\u00e3o e confian\u00e7a do p\u00fablico estrangeiro com o Jap\u00e3o (BELINI, 2019). Tal estrat\u00e9gia foi criada principalmente para ser direcionada aos pa\u00edses com quem n\u00e3o possuem uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, ou seja, os que foram mais afetados pelo imperialismo japon\u00eas no passado, como a China e a Coreia do Sul (considerando-se que n\u00e3o h\u00e1 contato direto significativo com a Coreia do Norte), e tamb\u00e9m devido \u00e0s decis\u00f5es, discursos e disputas pol\u00edticas e territoriais controversas contempor\u00e2neas (IBID.). Em face desse impulso tomado para fortalecer a imagem do Jap\u00e3o, foi recomendado em 2005, em uma reuni\u00e3o do Conselho citado, que o pa\u00eds utilizasse o interesse da cultura pop japonesa no mundo como uma oportunidade para encorajar o interesse em demais pontos da cultura do Jap\u00e3o (OGAWA, 2009, apud TRAVASSOS; LIMA, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Ara\u00fajo (2020, p. 106) afirma que \u201ca coopta\u00e7\u00e3o da diplomacia cultural como ferramenta de&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;<em>vis-\u00e0-vis<\/em>&nbsp;ao pop japon\u00eas foi produto somente da estrat\u00e9gia japonesa no s\u00e9culo XXI\u201d e foi s\u00f3 a partir desse s\u00e9culo que o governo japon\u00eas identificou que era necess\u00e1rio investir mais na exporta\u00e7\u00e3o da sua ind\u00fastria cultural e tecnol\u00f3gica (considerados estrat\u00e9gicos para diplomacia) para que pudesse ascender no seu status mundial. \u00c0 vista disso, em 2006, o MOFA lan\u00e7a oficialmente a diplomacia pop cultural, cujo prop\u00f3sito \u00e9 \u201cpromover a compreens\u00e3o e confian\u00e7a do Jap\u00e3o atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o da cultura pop e artes tradicionais como suas principais ferramentas para a diplomacia cultural\u201d (MOFA, 2017,sd). Esse movimento ocorreu gra\u00e7as \u00e0 alta aceita\u00e7\u00e3o de produtos midi\u00e1ticos japoneses no mundo e \u00e0 ind\u00fastria cultural, que fomenta essa aceita\u00e7\u00e3o. Ademais, tamb\u00e9m ocorreu uma movimenta\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica na \u00c1sia contra a inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fado \u201cocidental\u201d nos pa\u00edses, j\u00e1 que era vista como uma forma de imperialismo, o que possibilitou ao Jap\u00e3o conduzir essa tend\u00eancia e exportar seus conte\u00fados midi\u00e1ticos nacionais, com apelo regional \u2013 expandindo sua economia e seu&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;(ARA\u00daJO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>A institucionaliza\u00e7\u00e3o desse movimento alcan\u00e7ou o n\u00edvel estatal ao ponto de n\u00e3o depender de governos, visto que essas decis\u00f5es foram tomadas em governos diferentes ao longo do tempo e se tornaram uma ideia de estrat\u00e9gia intr\u00ednseca ao Estado nacional japon\u00eas contempor\u00e2neo e \u00e0 sua diplomacia. Os esfor\u00e7os iniciados na d\u00e9cada de 2000 se estenderam at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o oficial de institui\u00e7\u00f5es na d\u00e9cada de 2010. No documento nomeado&nbsp;<em>Cool Japan Strategy<\/em>, de 2012, \u00e9 poss\u00edvel perceber a preocupa\u00e7\u00e3o estatal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia do pa\u00eds, visto que a popula\u00e7\u00e3o idosa cresce desde os anos 1990 cada vez mais em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 natalidade dom\u00e9stica, o que causa um desequil\u00edbrio no pa\u00eds e na sua contribui\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, que perder\u00e1 gradativamente mais trabalhadores. A estrat\u00e9gia institu\u00edda, seria capaz de atrair turistas, garantir o emprego e revitalizar comunidades locais nacionais atrav\u00e9s no seu n\u00edvel atrativo e propagand\u00edstico (METI, 2012). Al\u00e9m disso, no documento oficial \u201c<em>Declaration of Cool Japan\u2019s Mission<\/em>\u201d, do Minist\u00e9rio da Estrat\u00e9gia do&nbsp;<em>Cool Japan<\/em>&nbsp;de agosto de 2014, \u00e9 afirmado que a miss\u00e3o do&nbsp;<em>Cool Japan<\/em>&nbsp;\u00e9 tornar o Jap\u00e3o um l\u00edder mundial, capaz de prover solu\u00e7\u00f5es criativas aos desafios globais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos seguintes, foram criadas outras iniciativas e institui\u00e7\u00f5es culturais sob o governo de Shinzo Abe e seu financiamento, como o Projeto \u201cWA\u201d (2013), a \u201c<em>Japan House<\/em>\u201d (2014), a \u201c<em>Japan Brand<\/em>\u201d (2015), e o \u201cJaponismes\u201d (2018). Segundo o MOFA (2016; 2023), os projetos foram elaborados a fim de estabelecer a proje\u00e7\u00e3o cultural japonesa e taymb\u00e9m a troca cultural entre os pa\u00edses para promover melhor entendimento entre os pa\u00edses e a fim de alimentar a compreens\u00e3o e o interesse pelo Jap\u00e3o (MOFA, 2016). Os projetos foram iniciativas para difundir elementos da cultura japonesa e sua diversidade na comunidade internacional atrav\u00e9s de diversas exposi\u00e7\u00f5es (THE JAPAN FOUNDATION, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os, a estrat\u00e9gia estatal do&nbsp;<em>Cool Japan<\/em>, que impulsionaria o&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;japon\u00eas, demonstra ter falhas. Alguns estudiosos da \u00e1rea, como o escritor e tradutor Matt Alt (2023), criticam que, nos dez anos de implementa\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia, os resultados ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o expressivos quanto poderiam ser pelo fato de o projeto n\u00e3o aparentar ter objetivos espec\u00edficos tra\u00e7ados, al\u00e9m do fato de existirem problemas de legitimidade e moral ao Estado se envolver na produ\u00e7\u00e3o da cultura. No entanto, os produtos japoneses e a imagem do pa\u00eds n\u00e3o parecem ser prejudicados por isso, visto que possuem resultados e proje\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3rios, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 SMART POWER JAPON\u00caS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Criado por Joseph Nye, o conceito do \u201c<em>smart power<\/em>\u201d (poder inteligente) combina o uso de&nbsp;<em>hard<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>soft power<\/em>(poder duro e poder brando) na mesma estrat\u00e9gia. Nesse contexto, cita-se o fato de que, ao mesmo tempo que o Jap\u00e3o investe massivamente na sua proje\u00e7\u00e3o cultural para que obtenha uma imagem positiva no exterior, o pa\u00eds vem realizando maiores investimentos militares e um revisionismo hist\u00f3rico acerca do nono artigo de sua constitui\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. Dados do&nbsp;<em>World Bank Open Data<\/em>&nbsp;(2022) apontam que os gastos militares do Jap\u00e3o desde os anos 1960 representam algo em torno de 1% do PIB, variando entre 0,8% e 1%. Os investimentos militares, direcionados ao setor de defesa do pa\u00eds, correspondiam a cerca de meio bilh\u00e3o de d\u00f3lares americanos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 e no fim da mesma j\u00e1 havia crescido para um bilh\u00e3o. Os valores saltaram nos anos seguintes de acordo com o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds: em 1971, os investimentos totais na \u00e1rea eram de US$ 1,9 bilh\u00f5es, e antes mesmo de adentrar uma nova d\u00e9cada, j\u00e1 correspondiam a US$ 9,1 bilh\u00f5es, em 1979. Na d\u00e9cada de 1980, o valor investido triplica para US$ 27,9 bilh\u00f5es em 1989.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com as d\u00e9cadas perdidas, os investimentos desaceleram, mas n\u00e3o deixam de crescer, ao ponto de somarem um total de US$ 43 bilh\u00f5es, em 1999, e US$ 51 bilh\u00f5es em 2009. Ao adentrar a d\u00e9cada de 2010, \u00e9 registrado o investimento de 60 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2011, que diminui ao longo do tempo para um valor m\u00e9dio de 46 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (MACROTRENDS, 2022). Portanto, \u00e9 poss\u00edvel verificar que, mesmo que o pa\u00eds buscasse pela proje\u00e7\u00e3o cultural internacional, ele n\u00e3o deixou de investir na sua esfera militar, mesmo possuindo somente uma For\u00e7a de Defesa e n\u00e3o For\u00e7as Armadas \u201ctradicionais\u201d, como estabelecido na sua constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores voltaram a crescer no fim do mandato de Shinzo Abe, a partir de 2018, com um investimento anual de US$ 48,5 bilh\u00f5es, tendo um aumento de 7,72% em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior (US$ 45 bilh\u00f5es); US$ 50,9 bilh\u00f5es em 2019, 5,02% a mais que o referente ao ano anterior; e US$ 51,9 bilh\u00f5es em 2020, 1,96% maior que no ano anterior. Mesmo com o fim do governo Abe, a tend\u00eancia de aumento dos investimentos continuou: foram direcionados US$ 54 bilh\u00f5es para o setor militar em 2021, com um aumento de 4,14% do ano anterior (MACROTRENDS, 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o Jap\u00e3o \u00e9 um dos pa\u00edses que mais investe na \u00e1rea militar em termos internacionais. Em 2021, por exemplo, o Jap\u00e3o estava em sexto lugar, atr\u00e1s dos Estados Unidos, Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha e Ar\u00e1bia Saudita. Houve uma deca\u00edda dos investimentos em 2022, com uma aloca\u00e7\u00e3o de US$ 40 bilh\u00f5es no ano, por\u00e9m, o governo do atual primeiro-ministro Fumio Kishida elaborou um novo Programa de Defesa para os anos de 2023 a 2027, que estabelece um plano de 321 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (43,5 trilh\u00f5es de ienes) \u2013 que culminaria em um or\u00e7amento de US$ 66 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para 2027, isto \u00e9, 65% a mais do que o investido em 2022 e equivalente a 2% do PIB de 2023. Ademais, o plano de cinco anos tamb\u00e9m ultrapassa o plano anterior constru\u00eddo para os anos de 2019 a 2023 em 56%<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;(LIFF, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>No documento anual japon\u00eas \u201c<em>White Paper<\/em>\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;de 2023, disponibilizado pelo Minist\u00e9rio da Defesa, o Jap\u00e3o mostra-se preocupado com o seu entorno pela posi\u00e7\u00e3o militar e nuclear da Coreia do Norte, pelas atividades militares e a\u00e9reas da R\u00fassia na regi\u00e3o do Oceano Indo-Pac\u00edfico e pela presen\u00e7a regional chinesa \u2013 que justificariam o refor\u00e7o \u00e0s capacidades de defesa e seguran\u00e7a nacional do pa\u00eds. Esta preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorre desde o in\u00edcio da d\u00e9cada anterior. O novo plano para a defesa do pa\u00eds, que pretende aumentar os gastos em 2\/3 em meia d\u00e9cada, possui diversas \u00e1reas onde os investimentos militares ser\u00e3o alocados e disp\u00f5e de uma significativa import\u00e2ncia para o Jap\u00e3o e seu maior aliado, os Estados Unidos (IBID., 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos acontecimentos preocuparam o Estado japon\u00eas referente \u00e0 sua seguran\u00e7a desde a d\u00e9cada passada. A Coreia do Norte lan\u00e7ou dezenas de m\u00edsseis bal\u00edsticos pr\u00f3ximos \u00e0 regi\u00e3o do arquip\u00e9lago, de modo a atingir um recorde em 2022 com mais de 23 lan\u00e7amentos no ano (CHA; KIM; LIM, 2022). A R\u00fassia realizou a\u00e7\u00f5es navais e a\u00e9reas no mar japon\u00eas, al\u00e9m de ter aliado sua atua\u00e7\u00e3o com a pot\u00eancia chinesa (TAJIMA, 2023). E finalmente, as atividades recentes que mais preocupam o Jap\u00e3o s\u00e3o as atividade militares chinesas interpretadas como de car\u00e1ter expansionista, principalmente a sua atua\u00e7\u00e3o no entorno das Ilhas Senkaku\/Ilhas Diaoyu, que s\u00e3o reivindicadas pelos dois pa\u00edses, visto que elas possuem valor geopol\u00edtico estrat\u00e9gico e reservas petrol\u00edferas (BORGES, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o Estado criou em 2013 o Conselho de Seguran\u00e7a Nacional, coordenado pelas a\u00e7\u00f5es de diferentes minist\u00e9rios, e a Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional durante o Governo Abe, a fim de promover discuss\u00f5es estrat\u00e9gicas sobre as quest\u00f5es de seguran\u00e7a nacional (SINGH, 2023). No documento de 2022 disponibilizado pelo MOFA, \u201c<em>National Security Strategy of Japan<\/em>\u201d, os tr\u00eas pa\u00edses continuam a representar mesmo dez anos depois, os maiores desafios no setor da seguran\u00e7a na regi\u00e3o do Indo-Pac\u00edfico para o Jap\u00e3o, visto que eles n\u00e3o deixaram de desenvolver suas atividades e for\u00e7as militares (CABINET SECRETARIAT, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>O novo plano or\u00e7ament\u00e1rio militar do Jap\u00e3o supera qualquer um j\u00e1 feito anteriormente desde a Segunda Guerra Mundial. O aumento dos investimentos direcionado para \u00e1reas diferentes das For\u00e7as de Autodefesa do Jap\u00e3o impressiona. Como apresentado na Figura 1, \u00e9 poss\u00edvel calcular que os investimentos que mais aumentaram foram direcionados os para a \u00e1rea de capacidade de defesa, que cresceu vinte e cinco vezes; para a \u00e1rea de capacidade de defesa n\u00e3o tripulada, que cresceu dez vezes; para a \u00e1rea a\u00e9rea e de capacidade de defesa por m\u00edsseis, que triplicou; e para a \u00e1rea de capacidade de opera\u00e7\u00e3o entre dom\u00ednios, que quase triplicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Figura 1 &#8211; Plano Financeiro de Defesa para os anos de 2023 a 2027 (2023)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"762\" height=\"1008\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3A.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3217\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3A.png 762w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3A-227x300.png 227w\" sizes=\"(max-width: 762px) 100vw, 762px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: Livro Branco de Defesa do Minist\u00e9rio da Defesa do Jap\u00e3o (2023)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014 houve uma reinterpreta\u00e7\u00e3o oficial do nono artigo constitucional no governo de Shinzo Abe. Por conseguinte, a partir deste ano as estimativas das pesquisas dos jornais mostraram o aumento para quase 50% de japoneses contra o revisionismo acerca deste artigo \u2013 para que n\u00e3o fosse mudada a cl\u00e1usula que definia constitucionalmente o pa\u00eds como pacifista. O contexto japon\u00eas vivido entre 2014 e 2016 era de mudan\u00e7a: o pa\u00eds permitiu a participa\u00e7\u00e3o de suas For\u00e7as de Autodefesa em conflitos estrangeiros atrav\u00e9s de uma nova legisla\u00e7\u00e3o militar. Esta deu mais poder \u00e0s JSDF e substituiu a pol\u00edtica de lutar somente em leg\u00edtima defesa, que proibia a atua\u00e7\u00e3o militar de modo internacional, para uma que permitisse atuar em conflitos externos pela \u201cleg\u00edtima defesa coletiva\u201d de aliados sob ataque (BBC NEWS, 2015). O Primeiro-Ministro justificou a mudan\u00e7a como uma necessidade para proteger o Jap\u00e3o, por\u00e9m esta causou protestos de milhares de japoneses a favor do pacifismo contido na constitui\u00e7\u00e3o nacional de 1947 (IBID.).<\/p>\n\n\n\n<p>Frente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o civil ao revisionismo, o Minist\u00e9rio da Defesa lan\u00e7ou em 2015 uma anima\u00e7\u00e3o de dezoito minutos chamada de \u201c<em>Bo-Emon\u2019s Defense Lecture \u2013 ABC of Self Defense Forces<\/em>\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;sobre os pap\u00e9is e as atividades das JSDF, feita atrav\u00e9s do personagem \u201cBo-Emon\u201d a partir da hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia cujo pai \u00e9 um piloto da For\u00e7a de Autodefesa A\u00e9rea. O v\u00eddeo real\u00e7a que as JSDF n\u00e3o objetivam invadir outros pa\u00edses, mas proteger o pa\u00eds da amea\u00e7a externa por meio da dissuas\u00e3o (\u201c<em>deterrence<\/em>\u201d). De acordo com a anima\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que a JSDF tenha for\u00e7a \u2013 principalmente em meio \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o militar dos pa\u00edses vizinhos. Sendo assim, percebe-se que a cultura pop e seus elementos n\u00e3o s\u00e3o utilizados somente para a proje\u00e7\u00e3o cultural, mas parecem poder ser utilizados com intuitos propagand\u00edsticos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Institui\u00e7\u00f5es estatais japonesas exercem tal atividade de empregar imagens e est\u00e9ticas nacionais (como de mang\u00e1s e anim\u00eas) em duas frentes: o pa\u00eds utiliza a cultura pop em contextos humanit\u00e1rios, para aumentar sua imagem positiva e tamb\u00e9m em ambientes militares, a fim de reduzir a imagem e amea\u00e7adora. As Figuras 2 e 3 representam a utiliza\u00e7\u00e3o de personagens de mang\u00e1 e anime famosos em a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. A Figura 2 diz respeito \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o em Samawah, no Iraque, com a entrega de caminh\u00f5es pipa pelas JSDF com a imagem do personagem conhecido internacionalmente. E a Figura 3 apresenta caminh\u00f5es de lixo no Sud\u00e3o com o mesmo personagem como parte do projeto da Ag\u00eancia de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional do Jap\u00e3o (JICA) para atrair aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es ambientais e conscientizar e melhorar a coleta de lixo. De acordo com o MOFA e a JICA, o personagem utilizado nos caminh\u00f5es \u00e9 reconhecido nos dois pa\u00edses, o que aproximaria os cidad\u00e3os das iniciativas e de uma imagem positiva do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Figura 2 &#8211; Personagem &#8220;Capit\u00e3o Tsubasa&#8221; em um caminh\u00e3o pipa pelo Grupo Japon\u00eas de Apoio e Reconstru\u00e7\u00e3o do Iraque e crian\u00e7as locais do Clube de Futebol de Samawah (2004)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"818\" height=\"491\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3B.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3218\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3B.png 818w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3B-300x180.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3B-768x461.png 768w\" sizes=\"(max-width: 818px) 100vw, 818px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: P\u00e1gina oficial do Facebook do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o (2019)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Figura 3 &#8211; Personagem japon\u00eas &#8220;Capit\u00e3o Tsubasa&#8221; em um caminh\u00e3o de lixo no Sud\u00e3o em 2016<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"627\" height=\"627\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3C.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3219\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3C.png 627w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3C-300x300.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART3C-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: P\u00e1gina oficial do Facebook do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o (2019)<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse contexto, aponta-se o poder inteligente do Jap\u00e3o. As miss\u00f5es das JSDF demonstram o poder inteligente do pa\u00eds, j\u00e1 que elas operam de modo auxiliar e n\u00e3o amea\u00e7ador \u2013 como seria no poder duro. Al\u00e9m disso, a institui\u00e7\u00e3o e seus recursos militares podem n\u00e3o somente gerar atra\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m podem ser utilizadas ao lado de instrumentos de&nbsp;<em>soft power<\/em>, como em atividades de desenvolvimento, de ONGs, da diplomacia e da cultura (HENG, 2015). Hideki Wakabayashi (2008 apud HENG, 2015), argumenta que as capacidades da JSDF precisam ser fortalecidas especialmente por a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias e de&nbsp;<em>peacekeeping&nbsp;<\/em>para que o poder duro possa ser usado para apoiar objetivos do poder brando \u2013 e fazer com que as a\u00e7\u00f5es japonesas sejam vistas de modo n\u00e3o coercivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos que s\u00e3o comumente associados ao poder duro, como nesse caso seriam as For\u00e7as de Autodefesa do Jap\u00e3o, podem tamb\u00e9m produzir poder brando dependendo do contexto em que est\u00e3o inseridos e como eles s\u00e3o utilizados (NYE, 2011, p. 21):<\/p>\n\n\n\n<p>A tangible hard power resource such as a military unit can produce both command behavior (by winning a battle) and co-optive behavior (by attracting) depending on how it is used.\u2019 Context then is everything. To sum up the distinction, \u2018fighting and threatening are hard power behaviors; protecting and assisting are soft power behaviors\u2019 (NYE, 2011 apud HENG, 2015, p. 286).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as for\u00e7as militares japonesas fazem parte da abordagem estrat\u00e9gica do poder inteligente nacional. Uma iniciativa que representa a utiliza\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>smart power<\/em>, que combina a\u00e7\u00f5es militares, culturais e de desenvolvimento, \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o das JSDF no Iraque (HENG, 2015). O Grupo de Apoio e Reconstru\u00e7\u00e3o do Iraque pelas JSDF tinha como objetivo reconstruir e restabelecer institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ap\u00f3s a invas\u00e3o estadunidense ao pa\u00eds em 2003 e realizar a revitaliza\u00e7\u00e3o de bases das condi\u00e7\u00f5es de vida para a popula\u00e7\u00e3o iraquiana, como a purifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua (KANTEI, 2003) \u2013 focado em Samawah, entre 2004 e 2006. O MOFA atuou junto com institui\u00e7\u00f5es de entretenimento do setor privado para promover o produto cultural japon\u00eas, o anime, e adaptou o contexto cultural \u00e1rabe para que a popula\u00e7\u00e3o fosse mais receptiva \u00e0 imagem \u201camig\u00e1vel\u201d e \u201c\u00fatil\u201d que as JSDF estavam tentando projetar (IBID.).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 vista disso, a movimenta\u00e7\u00e3o de investimentos e moderniza\u00e7\u00e3o das JSDF, desde os anos 2010, tamb\u00e9m faz parte do desenvolvimento do poder inteligente do pa\u00eds. Singh (2023) utiliza a ideia do&nbsp;<em>smart power<\/em>&nbsp;japon\u00eas para explicar a estrat\u00e9gia nacional em garantir a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos frente ao crescimento da China desde 2010. O Jap\u00e3o ocupa um espa\u00e7o estrat\u00e9gico entre os EUA e a China: o pa\u00eds \u00e9 o maior aliado da pot\u00eancia estadunidense e detentor de uma base militar do pa\u00eds no Oceano Indo-Pac\u00edfico e, ao mesmo tempo, desenvolveu uma interdepend\u00eancia econ\u00f4mica com a pot\u00eancia chinesa, apesar dos desafios bilaterais. O arquip\u00e9lago tamb\u00e9m det\u00e9m de uma posi\u00e7\u00e3o mais fraca quanto a recursos e ativos em rela\u00e7\u00e3o aos dois pa\u00edses \u2013 o que o impede de determinar por si uma balan\u00e7a de poder regional e, como consequ\u00eancia, precisa buscar outras op\u00e7\u00f5es para gerir a competi\u00e7\u00e3o e a balan\u00e7a de poder (IBID.).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a cultura antimilitarista desenvolvida no Jap\u00e3o restringe a dimens\u00e3o militar na pr\u00e1tica da pol\u00edtica externa do pa\u00eds e que o faz depender de uma gama de outros recursos, como a economia, valores, elementos culturais, e outros elementos para alcan\u00e7ar seus interesses. Por isso, diante disso e do contexto da piora das rela\u00e7\u00f5es e tens\u00e3o entre China e EUA, o Jap\u00e3o pode fazer uso integrado das suas ferramentas de hard e soft power como a melhor forma de atingir seus objetivos da pol\u00edtica externa sem causar rea\u00e7\u00f5es negativas (SINGH, 2023). A estrat\u00e9gia japonesa de<em>&nbsp;smart power&nbsp;<\/em>teria duas vertentes: a material, que foca nos recursos do poder duro para assegurar a balan\u00e7a de poder na regi\u00e3o a favor da ordem estadunidense, envolvendo iniciativas como a moderniza\u00e7\u00e3o militar do pa\u00eds e amplia\u00e7\u00e3o de seus parceiros; e a normativa, que foca nas medidas de poder brando para assegurar o status quo e a ordem multilateral no Leste da \u00c1sia (e impedir uma dirigida pela China), baseada na promo\u00e7\u00e3o de normas para reafirmar a ordem a favor dos EUA (IBID.).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Singh (2023, p. 16), o uso da estrat\u00e9gia do poder inteligente japon\u00eas vem sendo um \u00eaxito: \u201c<em>Its smart power strategy, which utilises both material and normative means, have turned out to be relatively successful in achieving its preferred vision of regional order and gaining legitimacy from regional states<\/em>\u201d.&nbsp;A abordagem pragm\u00e1tica de pol\u00edtica externa do Jap\u00e3o, que utiliza da gama de seus recursos de poder duro e brando de modo conjunto, mas ainda conforme suas limita\u00e7\u00f5es da estrutura pol\u00edtica constitucional, tem sido essencial para o sucesso da garantia de seus interesses nacionais e da ordem liderada pelos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O poder inteligente do pa\u00eds demonstra ter aumentado o n\u00edvel de apoio e confian\u00e7a da sua lideran\u00e7a regional, principalmente gra\u00e7as \u00e0 sua abordagem n\u00e3o confrontante que inclui interesses de outros Estados e constr\u00f3i consenso entre os aliados e parceiros (SINGH, 2023). Pesquisas de 2020 e 2021 da&nbsp;<em>State of Southeast Asia Survey Reports<\/em>&nbsp;demonstram que o Jap\u00e3o se posicionou como um dos pa\u00edses que mais se t\u00eam confian\u00e7a na regi\u00e3o para uma parceria, em compara\u00e7\u00e3o com os EUA e a China, com mais de 61,2% em 2020 e 67,1% em 2021 \u2013 o que mostra uma melhoria expressiva em como o pa\u00eds \u00e9 visto, mesmo com suas quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas do passado imperial (IBID.).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho procurou investigar como o Jap\u00e3o consegue articular seu&nbsp;<em>smart power<\/em>&nbsp;na atualidade, associando seus poderes culturais e b\u00e9licos em contextos diferentes para conceber uma imagem positiva internacional. Foi constatado que o pa\u00eds n\u00e3o adquire influ\u00eancia somente pelo desenvolvimento e investimento em seu poder brando, mas pelo seu poder inteligente, que articula seu poder brando e duro ao mesmo tempo, ampliando sua influ\u00eancia ao utilizar estrategicamente de meios militares em contextos que beneficiem sua imagem. Portanto, a estrat\u00e9gia estatal analisada, que projetaria o poder brando japon\u00eas, demonstra ser insuficiente. No entanto, quando a estrat\u00e9gia de poder brando \u00e9 articulada junto \u00e0 estrat\u00e9gia da esfera militar, isto \u00e9, ao que seria utilizado em prol de seu poder duro, forma-se um poder inteligente promissor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O poder inteligente do pa\u00eds aparenta funcionar de forma pr\u00f3spera, ao combinar as atividades elaboradas no campo diplom\u00e1tico e aquelas na esfera militar \u2013 usadas estrategicamente para fins humanit\u00e1rios. Em decorr\u00eancia da proibi\u00e7\u00e3o constitucional do pa\u00eds em utilizar sua for\u00e7a militar para fins que n\u00e3o de Autodefesa, o Jap\u00e3o passou a investir nos setores da diplomacia e da cultura. Concomitantemente, tamb\u00e9m passou a utilizar as suas For\u00e7as de Autodefesa em a\u00e7\u00f5es de cunho humanit\u00e1rio no ambiente internacional, a fim de demonstrar seu comprometimento com a democracia e projetar uma imagem \u201camig\u00e1vel\u201d, al\u00e9m do objetivo de manter a ordem mundial liderada pela pot\u00eancia estadunidense na regi\u00e3o, afetada pela ascens\u00e3o chinesa, e tamb\u00e9m a sua influ\u00eancia regional e prote\u00e7\u00e3o auxiliada pelos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALT, M. <strong>Japan\u2019s Cute Army.<\/strong> Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.newyorker.com\/culture\/culturedesk\/japans-cute-army. The New Yorker, 30 nov. 2015. Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>ARA\u00daJO, Mayara. Al\u00e9m do anim\u00ea: Reality TV e o Soft Power japon\u00eas. <strong>revista Fronteiras \u2013 estudos midi\u00e1ticos<\/strong>, v. 22, n. 2, p. 103-113, mai.\/ago. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>ARA\u00daJO, Mayara; OLIVEIRA, Alana. &#8220;Construindo o amanh\u00e3\u201d. <strong>Compol\u00edtica,<\/strong> v. 10, n. 3, p. 163-188, dez. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BELINI, Lais S.&nbsp;A Diplomacia Pop-cultural Japonesa de 2004 a 2014: motiva\u00e7\u00f5es e antagonismos.&nbsp;Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) &#8211; Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BORGES, Marcos A. S. B. Seguran\u00e7a Energ\u00e9tica no Mar da China: o Caso das Ilhas Senkaku\/Diaoyu. <strong>Revista de Geopol\u00edtica, Natal<\/strong>, v. 5, n. 1, p. 15-30, jan.\/jun. 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>CABINET OFFICE OF JAPAN.&nbsp;Cool Japan Strategy Public-Private Collaboration Initiative.&nbsp;<strong>Cool Japan Strategy Promotion Council,<\/strong> 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cao.go.jp\/cool_japan\/english\/pdf\/published_document2.pdf. Acesso em: 7 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CHA, V.; KIM, E.; LIM, A. North Korea Tests Missile over Japan. <strong>Center for Strategic and International Studies<\/strong>, 5 out. 2022.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.csis.org\/analysis\/north-korea-tests-missile-over-japan-0.&nbsp;Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>FORD, Matt. Japan Curtails Its Pacifist Stance.&nbsp;<strong>The Atlantic,<\/strong> 2015. 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Japan\u2019s Gross National Cool. <strong>Foreign Policy, <\/strong>2002.<\/p>\n\n\n\n<p>MINISTRY OF ECONOMY, TRADE AND INDUSTRY OF JAPAN (METI). Cool Japan Strategy. <strong>Creative Industries Division Ministry of Economy, Trade and Industry<\/strong>, 2012.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.meti.go.jp\/english\/policy\/mono_info_service\/creative_industries\/pdf\/120116_01a.pdf. Acesso em: 7 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>______________________________________________. Cool Japan Strategy (Modified version of the Interim Report submitted to the Cool Japan Advisory Council).&nbsp;2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.meti.go.jp\/english\/policy\/mono_info_service\/creative_industries\/pdf\/121016_01a.pdf. Acesso em: 7 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>WB. Military expenditure (% of GDP) &#8211; Japan. <strong>The World Bank Open Data<\/strong>, 2022.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/MS.MIL.XPND.GD.ZS?locations=JP.&nbsp;Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>MINISTRY OF FOREIGN AFFAIRS OF JAPAN (MOFA).&nbsp;#HEISEIandJapan vol.4. 12 abr. 2019. Facebook: @Mofa.Japan. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.facebook.com\/Mofa.Japan.en\/posts\/heiseiandjapan-vol4-for-people-around-the-world-anime-and-manga-immediately-come\/2461553550562397\/.&nbsp;Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>_____________________________________. Joint Statement Committee Members of the Japan Foundation Asia Center.&nbsp;T\u00f3quio, 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mofa.go.jp\/files\/000212879.pdf. Acesso em: 9 dez. 2023<\/p>\n\n\n\n<p>MINISTRY OF DEFENSE OF JAPAN (MOD). White Paper &#8211; Defense of Japan 2023.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mod.go.jp\/en\/publ\/w_paper\/wp2023\/DOJ2023_Digest_EN.pdf. Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>NYE JR, Joseph. <strong>The Future of Power.<\/strong> New York: Public Affairs, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>PRIME MINISTER\u2019S OFFICE OF JAPAN (KANTEI). Statement by Chief Cabinet Secretary Yasuo Fukuda on Japan\u2019s Preparedness to Respond to National Emergencies.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/japan.kantei.go.jp\/tyokan\/2003\/1015press_e.html. Acesso em: 8 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>SASAKI, Elisa M. Estudos de Japonologia no Per\u00edodo Meiji. <strong>Estudos Japoneses<\/strong>, [S. l.], n. 37, p. 19-32, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>SINGH, Bhubhindar. Japan\u2019s smart power strategy and securing the US-led order. <strong>Contemporary Politics<\/strong>, v. 29, jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>TAJIMA, Y. China and Russia kick off military exercises in Sea of Japan.&nbsp;<strong>Nikkei Asia<\/strong>, 21 jul. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/asia.nikkei.com\/Politics\/International-relations\/Indo-Pacific\/China-and-Russia-kick-off-military-exercises-in-Sea-of-Japan. Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>TRAVASSOS, Bruna R.; Lima, Leticia C. S. de M. O Poder da Cultura Pop no Soft Power Japon\u00eas e Sul-Coreano. In: Gon\u00e7alves, Fernanda N.; Lima, Let\u00edcia C. S. de M. <strong>Rela\u00e7\u00f5es Internacionais em Perspectiva<\/strong>, v. 11. Rio de Janeiro: Lemos M\u00eddia, 2022, p. 215-248.<\/p>\n\n\n\n<p>White paper | Definition, Meaning, Examples, &amp; Facts Definition | <strong>Britannica Money<\/strong>, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.britannica.com\/money\/white-paper. Acesso em: 9 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cNihonjinron\u201d (traduzido como estudos sobre os japoneses) \u00e9 um conceito desenvolvido durante a Era Meiji para caracterizar um g\u00eanero de textos e estudos focados na identidade nacional e cultural do Jap\u00e3o. O conceito foi difundido principalmente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e foi utilizado para analisar, explorar e explicar as diferen\u00e7as e peculiaridades do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua cultura e mentalidade (SASAKI, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;A defini\u00e7\u00e3o do conceito ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o por tratar de algo t\u00e3o complexo e dif\u00edcil de se definir na P\u00f3s-Modernidade, mas a professora Elisa Massae Sasaki (2011) discorre sobre como o conceito serve para diferenciar a unidade japonesa das demais unidades nacionais, a partir da sua singularidade cultural e social nip\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Para mais informa\u00e7\u00f5es, acesse: https:\/\/www.theatlantic.com\/international\/archive\/2015\/09\/japan-pacifism-article-nine\/406318\/.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;McGray (2002) explica que, em 2001, o PIB do pa\u00eds tinha decrescido, a moeda desvalorizado, o \u00cdndice de A\u00e7\u00f5es Nikkei havia atingido o menor n\u00edvel em dezessete anos e o pleno emprego, praticamente um direito natural nacional, foi substitu\u00eddo por um quase recorde de taxas de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;O plano or\u00e7ament\u00e1rio tra\u00e7ado para os anos de 2019 a 2023 era equivalente a 17,2 trilh\u00f5es de ienes (117 bilh\u00f5es de d\u00f3lares americanos), como poder ser visto nos dados do Minist\u00e9rio da Defesa na Figura 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;O \u201c<em>White Paper<\/em>\u201d \u00e9 um relat\u00f3rio anual disponibilizado geralmente pelo Minist\u00e9rio da Defesa dos pa\u00edses e que procura explicar com transpar\u00eancia a situa\u00e7\u00e3o da defesa dom\u00e9stica dos pa\u00edses, com as atividades, preocupa\u00e7\u00f5es, os gastos e investimentos de defesa (BRITANNICA MONEY, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/A7B49BE5-E004-4FE2-991A-19AFA3EC0CD2#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;\u00c9 poss\u00edvel assistir \u00e0 anima\u00e7\u00e3o na p\u00e1gina oficial do Minist\u00e9rio da Defesa do Jap\u00e3o: https:\/\/www.mod.go.jp\/j\/kids\/bo-emon\/e\/index.html.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Maria Luisa Maia Medeiros <\/strong>\u00e9 Graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela UFF, estagiou na \u00e1rea de Gest\u00e3o de Projetos e Mobilidade Internacional, na Superintend\u00eancia de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFF e tamb\u00e9m com a \u00e1rea de Documenta\u00e7\u00e3o. Participou de diversas atividades acad\u00eamicas, incluindo inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, monitoria e Enactus. Atualmente, atua como Secret\u00e1ria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais no Conselho Indiano de Rela\u00e7\u00f5es Culturais em S\u00e3o Paulo, em prol da internacionaliza\u00e7\u00e3o da cultura indiana e promo\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es culturais. Seus interesses incluem estudos da \u00c1sia, ci\u00eancia pol\u00edtica, diplomacia e m\u00eddia e comunica\u00e7\u00e3o. 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