{"id":3228,"date":"2024-08-12T09:00:00","date_gmt":"2024-08-12T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3228"},"modified":"2024-08-12T00:02:25","modified_gmt":"2024-08-12T03:02:25","slug":"o-intervencionismo-russo-e-a-ascensao-da-extrema-direita-ucraniana-uma-analise-do-movimento-azov%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3228","title":{"rendered":"O INTERVENCIONISMO RUSSO E A ASCENS\u00c3O DA EXTREMA DIREITA UCRANIANA: Uma an\u00e1lise do Movimento\u00a0Azov\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Nathalia de Cassia Monteiro Nardelli<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o da extrema direita \u00e9 uma tend\u00eancia que vem ganhando for\u00e7a por todo o globo. No continente europeu, \u00e9 poss\u00edvel observar que, desde meados dos anos 1930, houve um aumento significativo da for\u00e7a de partidos da extrema direita nos governos europeus. Isto pode ser atribu\u00eddo a diversas raz\u00f5es: as crises econ\u00f4micas que assolam o territ\u00f3rio esporadicamente, as imigra\u00e7\u00f5es em massa no continente, ou at\u00e9 mesmo a antiga tradi\u00e7\u00e3o antissemita presente em diversos pa\u00edses europeus (L\u00d6WY, 2014). No entanto, quando se trata da Ucr\u00e2nia, a an\u00e1lise para entender o alarmante fortalecimento da extrema direita no pa\u00eds nos \u00faltimos 10 anos precisa compreender contornos espec\u00edficos, principalmente no que se refere ao intervencionismo russo em seu territ\u00f3rio (APRILE, 2023).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o que se passa na Ucr\u00e2nia, \u00e9 preciso olhar para o passado. R\u00fassia e Ucr\u00e2nia possuem uma hist\u00f3ria entrela\u00e7ada long\u00ednqua, ambos se originaram na primeira cidade-Estado eslava de Kiev. Em 1991, com o fim da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), foi quando a Ucr\u00e2nia enfim se estabeleceu como um Estado soberano e come\u00e7ou sua jornada tardia de constru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade independente, ap\u00f3s anos de condicionamento e praticamente nenhuma refer\u00eancia democr\u00e1tica, buscando uma reformula\u00e7\u00e3o dentro da nova ordem internacional e passando por dificuldades em afirmar sua soberania em rela\u00e7\u00e3o aos interesses russos (MARSHALL, 2018). Todo o hist\u00f3rico de domina\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia tardia, fomentou o desenvolvimento de um nacionalismo com forte sentimento anti-russo, que nunca deixou de estar presente nas bases ucranianas (LAZZAROTTO, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia conta ainda com uma forte polariza\u00e7\u00e3o interna: uma grande parcela de sua popula\u00e7\u00e3o tem descend\u00eancia russa, s\u00e3o os chamados russos \u00e9tnicos. Dos cerca de 50 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds, 25 milh\u00f5es falam russo como primeira l\u00edngua e mais de 10 milh\u00f5es s\u00e3o origin\u00e1rios da R\u00fassia (MIELNICZUK, 2006). Se de um lado, nas regi\u00f5es Leste e Sul, h\u00e1 uma forte presen\u00e7a dos russos \u00e9tnicos, por outro, especialmente no Centro e Oeste, se fortalecem os grupos nacionalistas ucranianos, que reivindicam, segundo Aprile (2023, p. 1037), a \u201cucraniza\u00e7\u00e3o\u201d do pa\u00eds contra a pol\u00edtica multicultural integrada ao centro russo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fica claro que a identidade nacional ucraniana foi forjada sob circunst\u00e2ncias de constante domina\u00e7\u00e3o, luta pela soberania e complexidade \u00e9tnica e cultural. Esse fator \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia para compreender a origem e o florescer do radicalismo na estrutura pol\u00edtica e nas massas populares ucranianas. Sempre foi imprescind\u00edvel para a R\u00fassia, a continuidade de um governo pr\u00f3-russo no pa\u00eds vizinho (PEREIRA, 2014). A fronteira ucraniana, al\u00e9m de ser a janela de entrada para Moscou, ainda abriga o porto de \u00e1guas mornas de Sebastopol, na Crimeia, regi\u00e3o de extrema import\u00e2ncia estrat\u00e9gica, visto que \u00e9 principal acesso russo para o Mar Negro (MARSHALL, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca por manter a OTAN e os Estados Unidos (EUA) longe de suas fronteiras, a pol\u00edtica russa se faz valer de trunfos para exercer controle sobre a Ucr\u00e2nia: mant\u00e9m tropas russas e apoia abertamente as mil\u00edcias pr\u00f3-R\u00fassia nas regi\u00f5es fronteiri\u00e7as, al\u00e9m de utilizar da depend\u00eancia ucr\u00e2nia de seus recursos energ\u00e9ticos como moeda de barganha. Mielniczuk (2006, p. 226) afirma que \u201caproximadamente 70% do petr\u00f3leo e 90% do g\u00e1s natural consumidos no pa\u00eds s\u00e3o fornecidos pela R\u00fassia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, Viktor Yanukovich foi eleito presidente da Ucr\u00e2nia. Aliado ao Kremlin<a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, o pol\u00edtico governava em meio a forte oposi\u00e7\u00e3o. Em 2013, a recusa em assinar um acordo de livre-com\u00e9rcio com Uni\u00e3o Europeia foi o estopim para eclos\u00e3o de ondas avassaladoras de protestos por Kiev, que logo se espalharam pelo pa\u00eds (OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2020). Os vigorosos protestos, que ficaram conhecidos como&nbsp;<em>Euromaidan,<\/em>&nbsp;rapidamente se tornaram violentas e geraram rea\u00e7\u00f5es do governo de semelhante barb\u00e1rie. L\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o, principalmente de partidos ultradireita nacionalista, e ativista de movimentos radicais, assumiram a lideran\u00e7a dos protestos. Ainda em 2013, Yanukovich foi destitu\u00eddo do cargo e os l\u00edderes da revolu\u00e7\u00e3o assumiram o governo ucraniano (APRILE, 2013).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>p\u00f3s-euromaidan<a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftn2\"><sup><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>&nbsp;marcou uma grande mudan\u00e7a na pol\u00edtica ucraniana: o \u201csucesso\u201d da revolu\u00e7\u00e3o, somado \u00e0 escalada do intervencionismo russo e da impot\u00eancia das for\u00e7as armadas ucranianas, elevaram a influ\u00eancia fascista sob as lideran\u00e7as do governo ucraniano. O papel dos grupos ultranacionalistas na rebeli\u00e3o e na pol\u00edtica \u00e9 fonte de controv\u00e9rsias: muitos compartilham abertamente de ideais antissemitas e de uma Ucr\u00e2nia etnicamente \u201cpurificada\u201d (PEREIRA, 2014). Em rea\u00e7\u00e3o ao&nbsp;<em>Euromaidan<\/em>&nbsp;e a queda de Yanukovich, a presen\u00e7a militar russa na regi\u00e3o da Crimeia voltou a aumentar. O presidente russo Vladimir Putin, ent\u00e3o, aproveitou o momento de conflagra\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de um referendo que, por fim, resultou na anexa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o da Crimeia (OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Este epis\u00f3dio serviu de exemplo para inflar o sentimento pr\u00f3-Kremlin de identifica\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica, e grupos separatistas iniciaram revolu\u00e7\u00f5es em outras regi\u00f5es. Ainda em 2014, as cidades de Donetsk e Lugansk, na regi\u00e3o de Donbass, foram tomadas e declararam independ\u00eancia com o apoio de Moscou (MERCIER, 2022). A linguagem em torno do conflito \u00e9 fortemente politizada: Kiev rotula as for\u00e7as separatistas como \u201cinvasores\u201d e \u201cocupantes\u201d; j\u00e1 a m\u00eddia russa, chama as for\u00e7as separatistas de \u201cmil\u00edcias\u201d e seguem no argumento que s\u00e3o locais se defendendo do governo ucraniano (HODGE; KOTTASOV\u00c1; LISTER; QIBLAWI, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, come\u00e7am a se organizar os conhecidos batalh\u00f5es volunt\u00e1rios, popularmente chamados&nbsp;<em>dobrobaty&nbsp;<\/em>(UMLAND,2019).<em>&nbsp;<\/em>Esse novo tipo de \u201cex\u00e9rcito\u201d s\u00e3o unidades paramilitares inicialmente informais, mas que rapidamente conquistaram amplo apoio dos civis, e o apoio direto do governo ucraniano. Em face da inefic\u00e1cia do Ex\u00e9rcito Ucraniano, os batalh\u00f5es s\u00e3o criados para suprirem a necessidade de defesa contra os avan\u00e7os russos, e para oposi\u00e7\u00e3o aos grupos separatistas pr\u00f3-R\u00fassia dentro da Ucr\u00e2nia (LAZZAROTTO, 2021). Atualmente, na Ucr\u00e2nia, in\u00fameros batalh\u00f5es volunt\u00e1rios, sob o comando de l\u00edderes de diversos partidos e movimentos, atuam amparados pelo governo no conflito com a R\u00fassia. Atrav\u00e9s dos batalh\u00f5es, se concedeu poder a diversas figuras da extrema direita ucraniana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presente artigo foca no grupo conhecido em sua origem como Batalh\u00e3o<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;e, atualmente, como Regimento<em>Azov&nbsp;<\/em>(UMLAND,2019). Esse grupo se tornou muito mais do que apenas uma unidade militar, e se transformou em um movimento pol\u00edtico conhecido como Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>. Qualquer refer\u00eancia ao Batalh\u00e3o<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;diz respeito \u00e0 unidade volunt\u00e1ria original, antes da integra\u00e7\u00e3o na Guarda Nacional Ucraniana. Todas as refer\u00eancias ao Regimento<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;dizem respeito \u00e0 unidade ap\u00f3s a integra\u00e7\u00e3o oficial nas For\u00e7as Armadas ucranianas. E, por fim, as utiliza\u00e7\u00f5es de Movimento<em>Azov,<\/em>&nbsp;referem-se \u00e0 rede mais abrangente do Regimento, que envolve o movimento pol\u00edtico e ao partido integrado, o Corpo Nacional<a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma maneira que outros partidos e movimentos de extrema direita ao redor do mundo,&nbsp;<em>Azov<\/em>&nbsp;\u00e9 constantemente associado com a ideologia neonazista. Apesar de compartilharem algumas caracter\u00edsticas como a discrimina\u00e7\u00e3o racial e oposi\u00e7\u00e3o ao multiculturalismo, os grupos neonazistas est\u00e3o longe de serem homog\u00eaneos (SANTOS, 2018). Esta ideologia, que pode assumir diversas faces, ao analisarmos o Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>, h\u00e1 uma adapta\u00e7\u00e3o do discurso para a realidade da na\u00e7\u00e3o em que o movimento se propaga. Afirma-se, portanto, que o entendimento do termo neonazismo neste estudo ser\u00e1 entendido como uma \u201cadapta\u00e7\u00e3o de algumas das principais ideias nazistas originais a uma nova condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d (OLIVEIRA, 2015, p. 175-176).<\/p>\n\n\n\n<p>O Batalh\u00e3o<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;ganhou notoriedade rapidamente atrav\u00e9s de sua participa\u00e7\u00e3o nos conflitos na regi\u00e3o de Donbass, e permaneceu com&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;de grupo paramilitar por pouco tempo. Ainda em 2014, foi incorporado a uma unidade da Guarda Nacional ucraniana e passou a ser conhecido como Regimento<em>&nbsp;Azov<\/em>. De acordo com o Centro de Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o Internacional da Universidade de Stanford (CISAC), o grupo \u201cpromove o nacionalismo e o neonazismo ucraniano por meio de sua organiza\u00e7\u00e3o paramilitar Mil\u00edcia Nacional e sua ala pol\u00edtica Corpo Nacional\u201d (LISTER, 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia pode ser considerada um Estado soberano relativamente novo, que tem uma hist\u00f3ria repleta de grandes guerras e subjuga\u00e7\u00e3o em seu passado recente. A resposta que tais prova\u00e7\u00f5es gerou na mem\u00f3ria nacional e identidade do povo ucraniano \u00e9 complexa e controversa. Apesar do pa\u00eds ter sofrido nas m\u00e3os dos dois regimes mais cru\u00e9is da Europa, os bolcheviques e os nazistas da Alemanha, as ideologias totalit\u00e1rias t\u00eam se tornado cada vez mais populares na Ucr\u00e2nia (UMLAND, 2016). Isto posto, soma-se a fragilidade e incapacidade do governo ucraniano de representar sua pr\u00f3pria sociedade e resistir aos avan\u00e7os russos contra sua soberania, sendo tais fatores o pontap\u00e9 para a ascens\u00e3o r\u00e1pida das mil\u00edcias e grupos paramilitares ucranianos (LAZZAROTTO, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, delimita-se como objetivo do presente artigo analisar a cria\u00e7\u00e3o, institucionaliza\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o do controverso Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>, mostrando como o fortalecimento da extrema direita na Ucr\u00e2nia se relaciona com a postura intervencionista russa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ataque de Moscou sobre a na\u00e7\u00e3o ucraniana \u00e9 executado com instrumentos militares e n\u00e3o militares, em uma base di\u00e1ria. A mem\u00f3ria nacional e as rela\u00e7\u00f5es inter\u00e9tnicas s\u00e3o propositalmente manipuladas como manobras da chamada guerra h\u00edbrida<a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;da R\u00fassia contra Kiev (UMLAND, 2016). Sendo assim, a pergunta que o presente trabalho busca responder \u00e9: de que modo o intervencionismo russo contribui para a populariza\u00e7\u00e3o do extremismo na Ucr\u00e2nia, principalmente no que diz respeito ao poder e&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;alcan\u00e7ados pelo Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do nacionalismo anti-R\u00fassia estar presente nas bases da identidade ucranianas, a hip\u00f3tese defendida pela presente pesquisa \u00e9 que a inger\u00eancia russa nos assuntos internos da Ucr\u00e2nia, assim como o intervencionismo no Leste do pa\u00eds podem ser considerados diretamente respons\u00e1veis pela populariza\u00e7\u00e3o do ultranacionalismo e de ideologias fascistas na Ucr\u00e2nia. Isto porque, no geral, desde a independ\u00eancia ucraniana, tanto os movimentos, quanto os partidos de extrema direita do pa\u00eds estavam enfraquecidos e atuavam de maneira debilitada, sem ter muita representa\u00e7\u00e3o no parlamento e com fraco apoio eleitoral. Isso pode ser atribu\u00eddo \u00e0 falta de lideran\u00e7as carism\u00e1ticas e a estrutura\u00e7\u00f5es internas inst\u00e1veis (LIKHACHEV, 2016). Somente ap\u00f3s eventos como a Revolu\u00e7\u00e3o Laranja e o&nbsp;<em>Euromaidan,&nbsp;<\/em>em que a atua\u00e7\u00e3o da R\u00fassia foi uma das principais motivadoras, que a extrema-direita come\u00e7ou a se movimentar, mas foi de fato, ap\u00f3s 2014 que ganhou larga e r\u00e1pida notoriedade no pa\u00eds, fortalecendo-se ainda mais com a eclos\u00e3o da Guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia no contexto atual.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>O<em>&nbsp;<\/em>MOVIMENTO<em>&nbsp;AZOV<\/em><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, os batalh\u00f5es militares rapidamente se popularizaram e ganharam notoriedade na sociedade ucraniana. Essas unidades volunt\u00e1rias ajudaram a preencher as lacunas nas defesas militares e o Minist\u00e9rio da Defesa ucraniano passou a apoiar e incentivar abertamente a mobiliza\u00e7\u00e3o dos batalh\u00f5es a estabeleceram campanhas de resist\u00eancia contra os separatistas apoiados pela R\u00fassia na regi\u00e3o de Donbass (LISTER, 2022). Paralelamente, em fevereiro de 2014, na fase final do&nbsp;<em>Euromaidan<\/em>, foi aprovado no parlamento ucraniano um projeto de lei que concedia a anistia e exonera\u00e7\u00e3o de prisioneiros pol\u00edticos. Andriy Biletsky e outros dirigentes da organiza\u00e7\u00e3o ultranacionalista Patriota da Ucr\u00e2nia (PU) foram cinco destes prisioneiros libertados que formaram rapidamente a espinha dorsal do Batalh\u00e3o<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;(UMLAND, 2019). O primeiro ataque do grupo ocorreu pouco depois da sua forma\u00e7\u00e3o, quando ajudaram a reconquistar a cidade de Mariupol, no sudeste do pa\u00eds, das for\u00e7as separatistas apoiadas pela R\u00fassia. A recupera\u00e7\u00e3o de Mariupol por Kiev foi crucial para a Guerra de Donbass, devido \u00e0 sua liga\u00e7\u00e3o terrestre e mar\u00edtima com a Crimeia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O papel do Batalh\u00e3o<em>&nbsp;Azov&nbsp;<\/em>nesse conflito lhes garantiu credibilidade internacional. Durante a Batalha de Mariupol, o grupo chamou a aten\u00e7\u00e3o pela sua iconografia neonazista, especialmente por conta do emblema usado pelo Batalh\u00e3o, que apresentava um s\u00edmbolo invertido do&nbsp;<em>Wolfsangel<\/em>&nbsp;sobreposto a um Sol Negro. Em novembro de 2014, o Batalh\u00e3o&nbsp;<em>Azov<\/em>&nbsp;foi designado como um &#8220;Regimento para fins especiais&#8221;, e integrado \u00e0 Guarda Nacional ucraniana, se tornando o temido Regimento<em>&nbsp;Azov.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Biletsky, por sua vez, deixou a unidade e lan\u00e7ou uma campanha pol\u00edtica para concorrer a um assento no Parlamento da Ucr\u00e2nia como candidato independente, garantindo um lugar que manteve at\u00e9 2019 (MILLER, 2018). Entretanto, a sa\u00edda de Biletsky n\u00e3o significou um afastamento do Regimento; na verdade, a sua lideran\u00e7a mudou o foco do campo de batalha para a arena pol\u00edtica. Com o PU formalmente dissolvido em 2014, Biletsky fundou em 2016 o partido Corpo Nacional, integrado ao Regimento<em>&nbsp;Azov<\/em>, e atua como representante da ala pol\u00edtica da unidade (MILLER, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente<em>, Azov<\/em>&nbsp;\u00e9 muito mais que uma unidade militar, se tornou um ambicioso movimento pol\u00edtico. Apesar do Regimento funcionar sob uma autoridade legal diferente e ser oficialmente parte do Minist\u00e9rio do Interior da Ucr\u00e2nia, na pr\u00e1tica, \u00e9 explicitamente descrito como a &#8220;ala militar&#8221; do Movimento<em>&nbsp;Azov.<\/em>&nbsp;Em 2018, possu\u00edam cerca de 45 projetos em desenvolvimento, segundo Olena Semenyaka (2018, s.p, apud SECKER, 2022, s.p, tradu\u00e7\u00e3o nossa), Secret\u00e1ria Internacional do partido de extrema direita Corpo Nacional, e principal figura de lideran\u00e7a feminina do Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>: \u201cEsta \u00e9 a nossa forma de criar um Estado dentro do Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Oficialmente,&nbsp;<em>Azov<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 um movimento anti-semita e, surpreendentemente, grande parte de seus adeptos s\u00e3o russ\u00f3fanos (SECKER, 2022). Entretanto, seus l\u00edderes n\u00e3o fazem esfor\u00e7os para esconder seus posicionamentos eugenistas.Semenyaka (2018, s.p, apud SECKER, 2022, s.p, tradu\u00e7\u00e3o nossa), em uma entrevista a uma organiza\u00e7\u00e3o neo-nazista, afirmou que &#8220;o fato de haver uma minoria de judeus envolvido na nossa esfera pol\u00edtica nacionalista prejudicou a nossa reputa\u00e7\u00e3o&#8221;. Semenyaka afirmou ainda que judeus ligados \u00e0 pol\u00edtica ucraniana seriam expulsos da Ucr\u00e2nia, se&nbsp;<em>Azov<\/em>ascendesse ao poder (NONJON, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas urnas, o Corpo Nacional se provou um fracasso. Biletsky acabou se retirando das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2019 meses antes da vota\u00e7\u00e3o ap\u00f3s pesquisas de sondagem o apontarem em 20\u00ba lugar, com embara\u00e7osos 0,2% de potenciais votos (COLBORNE, 2022). O partido, que alega possuir cerca de dez mil membros, apesar de ter fracassos em suas ambi\u00e7\u00f5es eleitorais, \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o de contato direto com o p\u00fablico de todo o Movimento<em>&nbsp;Azov<\/em>. No geral, o partido \u00e9 apresentado de forma a ser mais aceit\u00e1vel para o p\u00fablico geral: os s\u00edmbolos de extrema direita n\u00e3o fazem parte do seu imagin\u00e1rio p\u00fablico (REPORTING RADICALISM, 2021). Fracassos eleitorais \u00e0 parte, Biletsky tem uma plataforma de grande alcance na m\u00eddia, \u00e9 frequentemente convidado para os populares&nbsp;<em>talk shows&nbsp;<\/em>pol\u00edticos nas principais redes de televis\u00e3o do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acredita-se que uma das principais raz\u00f5es pelas quais a extrema direita, especialmente<em>&nbsp;Azov<\/em>, recebe uma cobertura midi\u00e1tica t\u00e3o neutra na Ucr\u00e2nia, \u00e9 devido ao receio nacional de alimentar a narrativa explorada por Moscou sobre o \u201cfascismo desenfreado\u201d no pa\u00eds. Essa associa\u00e7\u00e3o favorece um padr\u00e3o em que toda cr\u00edtica \u00e0 extrema direita ucraniana \u00e9 um posicionamento pr\u00f3-Moscou (COLBORNE, 2022). Criou-se um grande receio, por parte da imprensa ucraniana, das poss\u00edveis repercuss\u00f5es e retalia\u00e7\u00f5es que cr\u00edticas a<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;e grupos similares poderiam acarretar. Dessa forma, a atua\u00e7\u00e3o desses grupos acaba sendo \u201cnormalizada\u201d: em 2019, quando um grupo de pol\u00edticos estadunidenses se mobilizou para demandar que o&nbsp;<em>Regimento Azov<\/em>&nbsp;fosse designado como uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, a popula\u00e7\u00e3o ucraniana, mesmo aqueles que n\u00e3o s\u00e3o da extrema direita nem adeptos do Movimento<em>&nbsp;Azov,<\/em>&nbsp;o defenderam energicamente (COLBORNE, 2019). Para muitos, n\u00e3o importa o que o&nbsp;<em>Azov<\/em>&nbsp;simboliza \u2014 ultranacionalismo, neonazismo, antisemitismo ou o que seja \u2014 e sim que lutam contra a agress\u00e3o russa e est\u00e3o do lado do povo ucraniano (MONTAGUE, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>A GUERRA ATUAL E O MOVIMENTO AZOV<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes da eclos\u00e3o da guerra, a Ucr\u00e2nia possu\u00eda cerca de 45 milh\u00f5es de habitantes, hoje, estima-se que o n\u00famero se aproxima de 30 milh\u00f5es, a maior parte emigrando para a R\u00fassia ou para pa\u00edses da Europa, em fuga do conflito. Calcula-se que, aproximadamente, 300 mil pessoas j\u00e1 tenham perdido a vida no conflito (MIELNICZUK, 2023). \u00c9 evidente que a superioridade militar da R\u00fassia \u00e9 esmagadora, mas a Ucr\u00e2nia conta com a ajuda dos mais poderosos aliados: Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia. A assist\u00eancia financeira \u00e0 Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 novidade: desde 2014 at\u00e9 2021, a UE j\u00e1 havia concedido cerca de 15 milh\u00f5es de euros em subs\u00eddios e empr\u00e9stimos \u00e0 Ucr\u00e2nia. J\u00e1 os EUA, prestavam \u00e0 Ucr\u00e2nia uma assist\u00eancia estimada em 400 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano (PRINCE, 2021).<strong>&nbsp;<\/strong>Com a eclos\u00e3o do conflito, essa ajuda se intensificou: para 2023, estima-se que foram cerca de 2,2 bilh\u00f5es de euros em ajuda militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra deu novo prest\u00edgio \u00e0 ala militar de&nbsp;<em>Azov;&nbsp;<\/em>resgatando a reputa\u00e7\u00e3o her\u00f3ica conquistada na defesa obstinada de Mariupol ao lado de militares ucranianos, o Regimento se tornou pe\u00e7a importante no&nbsp;<em>front<\/em>&nbsp;e se expandiu rapidamente. Uma nova unidade de for\u00e7as especiais foi criada em Kiev, onde Biletsky segue ativamente respons\u00e1vel por aspectos da defesa da capital ucraniana (COLBORNE, 2022).&nbsp;<em>Azov,<\/em>&nbsp;em conjunto com outros grupos de extrema direita, como o grupo neonazista C14 e a mil\u00edcia&nbsp;<em>Freikorps,<\/em>&nbsp;est\u00e3o na linha de frente da guerra. Em janeiro de 2023, o Regimento<em>&nbsp;Azov<\/em>&nbsp;foi promovido a Terceira Brigada de Assalto separada das for\u00e7as terrestres das For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia, a&nbsp;<em>Brigada Azov<\/em>(MAZURENKO, 2023).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio financeiro do Ocidente vem alimentando&nbsp;<em>Azov<\/em>&nbsp;e grupos similares desde 2014, agora mais do que nunca. N\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es por parte dos EUA e da UE sobre o or\u00e7amento repassado \u00e0 Ucr\u00e2nia contribuir para o crescimento de grupos supremacistas no pa\u00eds (MIELNICZUK, 2023). Em 2019, quando a primeira-ministra da Nova Zel\u00e2ndia, Jacinda Ardern, tornou de conhecimento p\u00fablico que um grupo ucraniano estava, por meio de um canal no&nbsp;<em>Telegram<\/em>, vendendo vers\u00f5es traduzidas do manifesto de Brenton Tarrant<a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, o governo ucraniano rapidamente se manifestou e decretou a pris\u00e3o dos envolvidos (COLBORNE, 2022). Este epis\u00f3dio evidencia a voz ativa que a comunidade internacional&nbsp;\u2014principalmente os Estados que fornecem ajuda financeira&nbsp;\u2014<strong>&nbsp;<\/strong>carrega no posicionamento do governo ucraniano diante da onda ultranacionalista no pa\u00eds e de epis\u00f3dios de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, em meados de 2022, o Supremo Tribunal russo rotulou o&nbsp;<em>Regimento Azov<\/em>&nbsp;como uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista. Ao chamar a invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia de uma &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial para desmilitarizar e \u2018desnazificar\u2019 a Ucr\u00e2nia&#8221;, Putin leva esta narrativa ao extremo (RUSSIA DESIGNATES, 2022). A utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201cdesnazifica\u00e7\u00e3o\u201d mostra perfeitamente a rela\u00e7\u00e3o que o l\u00edder russo pretende firmar com a mem\u00f3ria do sofrimento do povo eslavo na Segunda Guerra Mundial.&nbsp;A mem\u00f3ria coletiva, nesse caso, \u00e9 utilizada como recurso de mobiliza\u00e7\u00e3o, o&nbsp;lugar do nazismo no imagin\u00e1rio comum \u00e9 um meio de atacar o mundo ocidental em termos de valores (WENDT, 1992). Isto porque o nazismo \u00e9 visto, de certa forma, como uma consequ\u00eancia da decad\u00eancia moral da Europa, e carrega um forte sentimento de vergonha, que \u00e9 compartilhado por grande parte da popula\u00e7\u00e3o europeia (NONJON, 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o posicionamento e opini\u00e3o p\u00fablica acerca da guerra tomou contornos manique\u00edstas: criticar ou defender qualquer aspecto dos envolvidos \u00e9 automaticamente interpretado como defesa do \u201cputinismo\u201d ou posicionamento pr\u00f3-ocidente (MIELNICZUK, 2023). A partir disso, cresce no Ocidente a \u201crussofobia\u201d, em um fen\u00f4meno semelhante ao que a comunidade mu\u00e7ulmana vivenciou, e ainda vivencia, ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro (COHEN, 2023). A narrativa divulgada diariamente na grande m\u00eddia Ocidental mostra-se aliada ideologicamente \u00e0 Casa Branca, objetivamente buscando aumentar progressivamente aliados pr\u00f3-Ucr\u00e2nia e, em consequ\u00eancia, incentivando processos discriminat\u00f3rios contra os russos (CAVALCANTI, 2022). Os Estados que tomam um posicionamento contradit\u00f3rio, correm o risco de se tornar uma p\u00e1ria, ou, pelo menos, de ser recha\u00e7ado pela m\u00eddia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a R\u00fassia, cada vez mais isolada do Ocidente, vem construindo uma improv\u00e1vel alian\u00e7a com seu vizinho, a China. As duas na\u00e7\u00f5es v\u00eam se aproximando em uma parceria que foi rotulada como \u201csem limites\u201d pelos dois governos (BRAUN, 2023). O alinhamento sino-russo parece ser o futuro, e pode acelerar as tend\u00eancias para o estabelecimento de uma nova ordem global e o fim da long\u00ednqua hegemonia ocidental (DUNFORD, 2022). A velha narrativa de que Moscou&nbsp;\u2014&nbsp;dessa vez, em conjunto com a China&nbsp;&nbsp;\u2014&nbsp;seriam os grandes &#8220;vil\u00f5es&#8221; do Sistema Internacional, vem sendo resgatada, e alguns estudiosos j\u00e1 se referem ao atual cen\u00e1rio como \u201cuma nova Guerra Fria\u201d (ORLOVAS, 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do que a propaganda russa tenta evidenciar, a Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 um Estado fascista. Entretanto, um movimento que ganhou tanta repercuss\u00e3o, como o&nbsp;<em>Azov,<\/em>&nbsp;n\u00e3o vai desaparecer espontaneamente. Pode n\u00e3o estar em posi\u00e7\u00e3o de desestabilizar sozinho a Ucr\u00e2nia, mas sua presen\u00e7a cont\u00ednua na cena social e pol\u00edtica ucraniana, juntamente com outros partidos e movimentos da extrema direita, representa uma amea\u00e7a para a democracia liberal&nbsp;\u2014&nbsp;j\u00e1 question\u00e1vel&nbsp;\u2014&nbsp;do Estado, especialmente em tempos de guerra. L\u00edderes carism\u00e1ticos, como Andriy Biletsky, s\u00e3o um perigo potencial, principalmente combinados a um Estado com suas institui\u00e7\u00f5es, infraestruturas e sociedade civil abaladas, podendo representar terreno f\u00e9rtil para as a\u00e7\u00f5es de grupos que s\u00e3o altamente disciplinados, armados, propensos \u00e0 viol\u00eancia e ideologicamente determinados. Apesar de seu baixo apoio eleitoral, o partido&nbsp;<em>Svoboda,<\/em>&nbsp;por exemplo, se encontra bem integrado nas institui\u00e7\u00f5es governamentais, e est\u00e1 bem-posicionado para construir uma for\u00e7a pol\u00edtica complementar (BILSKY; CABRERA; MURATORE, 2023). Desvalorizar a urg\u00eancia desta quest\u00e3o ou adiar a sua resolu\u00e7\u00e3o \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, fazer um grande favor a estes nocivos grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Adicionalmente, as negocia\u00e7\u00f5es de cessar-fogo entre Kiev e Moscou n\u00e3o t\u00eam evolu\u00eddo e o conflito passa por uma fase de inflex\u00e3o, onde nenhuma das partes tem interesse em recuar. O financiamento e armamento da Ucr\u00e2nia por parte do Ocidente vem aumentando, e o conflito cada vez mais adquire potencial de se tornar nuclear. A OTAN, como uma das pe\u00e7as centrais catalisadoras deste conflito, seria a op\u00e7\u00e3o mais coerente para atuar como mediadora nas negocia\u00e7\u00f5es de um eventual acordo de cessar fogo, mas n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que a posi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o tomar\u00e1 tais rumos t\u00e3o cedo, visto que, no geral, os lucros da guerra t\u00eam sido maiores que o da paz. A possibilidade de enfraquecer a dupla sino-russa faz com que o Ocidente siga financiando e possibilitando que o conflito se torne cada vez mais intenso, al\u00e9m de refor\u00e7ar esse padr\u00e3o de comportamento normativo a ser seguido pela comunidade internacional no que se refere \u00e0 guerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro \u00e9 incerto, muito depender\u00e1 da natureza dos termos de um eventual acordo e, fundamentalmente, da dimens\u00e3o e termos dos empr\u00e9stimos para a reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e como a R\u00fassia responder\u00e1 a isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>APRILE, C\u00e9sar Alexandre da Silva. A reacionariza\u00e7\u00e3o do Estado ucraniano.&nbsp;<strong>Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 9, n. 23, p.1036-1056, 28 fev. 2023. DOI:&nbsp;https:\/\/doi.org\/10.51891\/rease.v9i2.8604. Dispon\u00edvel em: https:\/\/periodicorease.pro.br\/rease\/article\/view\/8604 . Acesso em: 22 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>BILSKY, Mariela; CABRERA Juan; MURATORE, Francisco. Grupos neonazis en Ucrania: rol, importancia y perspectivas en el marco del conflicto en el este ucraniano.&nbsp;<em>In<\/em>: A un a\u00f1o de la Guerra en Ucrania.&nbsp;<strong>An\u00e1lisis CIPEI<\/strong>, Ros\u00e1rio, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/rephip.unr.edu.ar\/bitstream\/handle\/2133\/25335\/An%C3%A1lisis%2032%20Edici%C3%B3n%20Especial%20A%20un%20a%C3%B1o%20de%20la%20Guerra%20en%20Ucrania.pdf?sequence=3#page=18. Acesso em 10 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>BRAUN, Julia. O que est\u00e1 por tr\u00e1s da alian\u00e7a entre China e R\u00fassia.&nbsp;<strong>BBC News Brasil<\/strong>, 23 mar. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c1dxekp22peo. Acesso em: 06 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CAVALCANTI, Silvia Diener. 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Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais) \u2013 Universidade Federal do Pampa, Santana do Livramento, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>LIKHACHEV, Viacheslav. The far right in the conflict between Russia and Ukraine.&nbsp;<strong>Russie.Nei.Visions<\/strong>, Ifri, n. 95, 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ifri.org\/en\/publications\/notes-de-lifri\/russieneivisions\/far-right-conflict-between-russia-and-ukraine. Acesso em: 16 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>LISTER, Tim. Un batall\u00f3n de ultraderecha juega un papel fundamental en la resistencia de Ucrania. Sus v\u00ednculos neonazis le dan argumentos a Putin.&nbsp;<strong>CNN Espan\u00f5l<\/strong>, 22 mar. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/cnnespanol.cnn.com\/2022\/03\/29\/batallon-azov-ultraderecha-ucrania-orix\/. Acesso em: 24 mar. 2023.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00d6WY, Michael. Dez&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;teses sobre a ascens\u00e3o&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;da extrema direita europeia: O novo fascismo espreita o Velho Continente.&nbsp;<strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 15 jun. 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/bresserpereira.org.br\/terceiros\/2014\/junho\/14.06.Teses-ascens%C3%A3o-extrema-direita-europeia.pdf. Acesso em: 22 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>MARSHALL, Tim.&nbsp;<strong>Prisioneiros da Geografia<\/strong>:&nbsp;10 mapas que explicam tudo o que voc\u00ea precisa saber sobre pol\u00edtica global. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>_____<\/strong>. R\u00fassia.&nbsp;<em>In:<\/em>&nbsp;MARSHALL, Tim.&nbsp;<strong>Prisioneiros da Geografia<\/strong>:&nbsp;10 mapas que explicam tudo o que voc\u00ea precisa saber sobre pol\u00edtica global. Rio de Janeiro: Zahar, 2018. p. 17-44.<\/p>\n\n\n\n<p>MAZURENKO, Alona. 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Acesso em 28 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>MIELNICZUK, Fabiano.&nbsp;Identidade como fonte de conflito: Ucr\u00e2nia e R\u00fassia no p\u00f3s-URSS.<strong>&nbsp;<\/strong><strong>Contexto Internacional<\/strong>,&nbsp;Rio de Janeiro,&nbsp;v. 28,&nbsp;n. 1,&nbsp;p. 223-258, jan.\/jun. 2006. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-85292006000100004. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-85292006000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso.&nbsp;Acesso em: 18 abr. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Christopher. Azov, Ukraine&#8217;s Most Prominent Ultranationalist Group, Sets Its Sights On U.S., Europe.&nbsp;<strong>Radio Free Europe\/Radio Liberty<\/strong>, 14 nov. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.rferl.org\/a\/azov-ukraine-s-most-prominent-ultranationalist-group-sets-its-sights-on-u-s-europe\/29600564.html. Acesso em: 15 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>MONTAGUE, James.&nbsp;<strong>1312<\/strong>: Among the Ultras: A journey with the world\u2019s most extreme fans. Random House, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>NONJON, Adrien. Olena Semenyaka, the \u201cFirst Lady\u201d of Ukrainian Nationalism.&nbsp;<strong>Illiberalism Studies Program Working Papers<\/strong>, 2020, p. 1-14. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.illiberalism.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Nonjon-Olena-Semenyaka-The-First-Lady-of-Ukrainian-Nationalism.pdf. Acesso em: 13 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Eric Monn\u00e9 Fraga de. Blood &amp; Honour: Neonazismo e teoria dos movimentos sociais.<strong>&nbsp;Enfoques<\/strong>&nbsp;&#8211; Revista dos estudantes do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia e Antropologia IFCS-UFRJ, Rio de Janeiro, v. 1, n. 14,&nbsp;&nbsp;2015. p. 159-179. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/enfoques\/article\/view\/12735\/8897. Acesso em: 20 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Marina; SILVA, Pedro; SOUZA, La\u00eds Eduarda de. Crimeia: uso da identidade como estrat\u00e9gia.&nbsp;<strong>Fronteira: Revista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica,&nbsp;<\/strong>30 dez. 2020. Dispon\u00edvel em: http:\/\/periodicos.pucminas.br\/index.php\/fronteira\/article\/view\/21498. Acesso em: 27 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>ORLOVAS, Paola. Nova Guerra Fria? Pesquisadores estudam a atual postura internacional norte-americana.&nbsp;<strong>Opera Mundi<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 01 out. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/operamundi.uol.com.br\/politica-e-economia\/76930\/nova-guerra-fria-pesquisadores-estsantosudam-a-atual-postura-internacional-norte-americana. Acesso em: 06 jun. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>PEREIRA, Carlos Santos dos. Ucr\u00e2nia: cr\u00f3nica de uma crise anunciada.&nbsp;<strong>Revista de Ci\u00eancias Militares<\/strong>, v. 2, n. 2, 2014. p. 337-359. Dispon\u00edvel em: http:\/\/hdl.handle.net\/10400.26\/36396.&nbsp;Acesso em: 23 mar. 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PRINCE. Todd. As Washington Summit Nears, Disappointment Looms Over Ukraine-U.S. Relations.&nbsp;<strong>Radio Free Europe\/Radio Liberty<\/strong>, 29 ago. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.rferl.org\/a\/biden-zelenskiy-ukraine-meeting\/31433599.html. Acesso em: 21 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>RUSSIA DESIGNATES Ukraine\u2019s Azov Regiment a \u2018terrorist\u2019 group.&nbsp;<strong>Al Jazeera<\/strong>, 2 ago. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2022\/8\/2\/russia-designates-ukraines-azov-regiment-a-terrorist-group. Acesso em: 13 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Luan Nogueira.&nbsp;<strong>Movimentos neonazistas na Su\u00e9cia e na Finl\u00e2ndia<\/strong>: O caso do Nordic Resistance Movement. 2018. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais) \u2013 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>SECKER, Glyn. Neo-fascism, Nato and Russian imperialism: An overview of left perspectives on Ukraine \u2013 part 2.&nbsp;<strong>Counterfire<\/strong>, 30 jun. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.counterfire.org\/article\/neo-fascism-nato-and-russian-imperialism-an-overview-of-left-perspectives-on-ukraine-part-2\/.&nbsp;Acesso em: 13 mai. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>UMLAND, Andreas. Irregular Militias and Radical Nationalism in Post-Euromaydan Ukraine: The Prehistory and Emergence of the \u201cAzov\u201d Battalion in 2014.&nbsp;<strong>Terrorism and Political Violence<\/strong>, v. 31, 2019. p. 105-131. DOI: 10.1080\/09546553.2018.1555974. Dispon\u00edvel em: https:\/\/sci-hub.hkvisa.net\/10.1080\/09546553.2018.1555974. Acesso em: 22 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>_____. Uma vis\u00e3o do Leste: autoritarismo e conservadorismo na Ucr\u00e2nia e na R\u00fassia [Entrevista concedida a] Vin\u00edcius Liebel e Odilon Caldeira Neto.\u00a0<strong>Revista Hist\u00f3ria e Cultura<\/strong>, Franca, v. 5 n. 3, 2016.\u00a0\u00a0p. 388-401. DOI: https:\/\/doi.org\/10.18223\/hiscult.v5i3.2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/seer.franca.unesp.br\/index.php\/historiaecultura\/article\/view\/2007. Acesso em: 26 mar. 2023.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>WENDT, Alexander.<strong>\u00a0Anarquia \u00e9 o que os Estados fazem dela<\/strong>: a constru\u00e7\u00e3o social da pol\u00edtica de poder. 1992<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Um kremlin \u00e9 um complexo fortificado encontrado em cidades hist\u00f3ricas russas. Esse termo \u00e9 usado para se referir ao mais famoso, o Kremlin de Moscou, onde fica a sede do Governo da R\u00fassia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;P\u00f3s-euromaidan \u00e9 um termo que se refere ao per\u00edodo que sucedeu as vigorosas manifesta\u00e7\u00f5es populares ucranianas que ocorreram entre 2013 e 2014.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cCorpo Nacional\u201d \u00e9 um partido pol\u00edtico de extrema-direita ucraniano, originado em 2016, e \u00e9 considerado a ala pol\u00edtica do Regimento Azov. Foi fundado e \u00e9 liderado por Andriy Biletsky.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;Estrat\u00e9gia de guerra na qual os agressores exploram todos os modos de guerra simultaneamente, incluindo capacidades&nbsp;convencionais, t\u00e1ticas, forma\u00e7\u00f5es irregulares, al\u00e9m de outros m\u00e9todos de influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/8FA1CE7C-19FE-4D42-924E-55696A58639A#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0Atirador que assassinou 49 frequentadores de uma mesquita em Christchurch, na Nova Zel\u00e2ndia, e publicou em suas redes sociais um manifesto extremista e xen\u00f3fobo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nathalia de Cassia Monteiro Nardelli <\/strong>\u00e9 graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Unilasalle-RJ, recebeu o pr\u00eamio de melhor monografia no primeiro semestre de 2023 pelo seu trabalho de conclus\u00e3o de curso. Atualmente, atua como consultora na \u00e1rea de mobilidade global. Lattes:\u00a0<a href=\"https:\/\/wwws.cnpq.br\/cvlattesweb\/PKG_MENU.menu?f_cod=817C025C3D8D3B8F324545A13416EA03\">https:\/\/lattes.cnpq.br\/1378962863521458<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024 Por Nathalia de Cassia Monteiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3211,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3228"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3229,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3228\/revisions\/3229"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}