{"id":3238,"date":"2024-08-19T09:00:00","date_gmt":"2024-08-19T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3238"},"modified":"2024-08-17T16:36:18","modified_gmt":"2024-08-17T19:36:18","slug":"dinamicas-internacionais-e-domesticas-na-politica-externa-do-ira-uma-perspectiva-neoclassica%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3238","title":{"rendered":"Din\u00e2micas Internacionais e Dom\u00e9sticas na Pol\u00edtica Externa do Ir\u00e3: Uma Perspectiva Neocl\u00e1ssica\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Marcos Andr\u00e9 Costa Fortunato<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-small-font-size wp-block-heading\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O regime teocr\u00e1tico isl\u00e2mico, que atualmente det\u00e9m as r\u00e9deas do pa\u00eds, ascendeu ao poder em 1979 com a Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana, derrubando o regime pr\u00f3-ocidental e secular liderado por Mohammed Reza Shah Pahlavi. Este regime havia conseguido, em meados da d\u00e9cada de 1950, a aquisi\u00e7\u00e3o de tecnologia nuclear atrav\u00e9s do programa estadunidense&nbsp;<em>Atoms for Peace<\/em>. Em 1973, o&nbsp;<em>Shah<\/em>&nbsp;instituiu a Organiza\u00e7\u00e3o de Energia At\u00f4mica do Ir\u00e3 (AEOI), visando supervisionar a implementa\u00e7\u00e3o do programa nuclear, investindo nos anos subsequentes na aquisi\u00e7\u00e3o de mais materiais e equipamentos, bem como na forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos especializados (NUCLEAR THREAT INITIATIVE, 2010, S\/P).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O principal \u00edmpeto da pol\u00edtica externa do L\u00edder religioso isl\u00e2mico Ruhollah Khomeini (1979-1989), ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o, foi o total abandono da orienta\u00e7\u00e3o pr\u00f3-ocidental do&nbsp;<em>Shah&nbsp;<\/em>Pahlavi e a ado\u00e7\u00e3o de uma postura de hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas superpot\u00eancias, os Estados Unidos (EUA) e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (RAMAZANI, 2013). Assim, como argumenta Patrikarakos (2020), o programa nuclear evoluiu em paralelo ao pr\u00f3prio Estado. Observa-se, portanto, que a Revolu\u00e7\u00e3o contribuiu de maneira significativa para moldar os objetivos da pol\u00edtica externa do pa\u00eds. As Reformas Constitucionais de 1989 estabeleceram o Conselho Supremo de Seguran\u00e7a Nacional, cujo chefe \u00e9 nomeado pelo presidente. Ao longo dos anos, o Conselho tem afirmado gradativamente sua posi\u00e7\u00e3o como \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por debater a pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 (RAMAZANI, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>O intento deste artigo \u00e9 analisar a pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 \u00e0 luz do arcabou\u00e7o te\u00f3rico do Realismo Neocl\u00e1ssico, ressaltando, em particular, a relev\u00e2ncia do programa nuclear iraniano entre 1979 e 2004. Para tal, tra\u00e7a-se brevemente a trajet\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds desde a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica em 1979 at\u00e9 2004, com \u00eanfase especial na g\u00eanese e motiva\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do programa nuclear. Ao empregar-se a perspectiva do Realismo Neocl\u00e1ssico, este artigo avalia a interconex\u00e3o entre o \u00e2mbito internacional e o dom\u00e9stico na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica exterior iraniana, examinando o impacto de vari\u00e1veis sist\u00eamicas e internas no processo de tomada de decis\u00e3o. Sendo assim, a pergunta que guia este artigo \u00e9: de que forma o sistema internacional e o cen\u00e1rio dom\u00e9stico influenciaram a pol\u00edtica externa iraniana e a retomada do seu programa nuclear?&nbsp;&nbsp;Como hip\u00f3tese, sustenta-se que ao longo dos anos, a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica experimentou flutua\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas nos objetivos de pol\u00edtica externa, que giram em torno da no\u00e7\u00e3o de que existem interesses concorrentes entre os do clero isl\u00e2mico e os da na\u00e7\u00e3o em geral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o, a lideran\u00e7a do Ir\u00e3 sob a influ\u00eancia do aiatol\u00e1 Khomeini procurou, por raz\u00f5es e vantagens ideol\u00f3gicas, perseguir o isolacionismo e reduzir o poder dos militares. No entanto, esses prismas ideol\u00f3gicos logo foram desafiados pelos proponentes do interesse nacional e, por vezes, estes \u00faltimos triunfaram sobre os cl\u00e9rigos ideol\u00f3gicos na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa (KRUSE, 1994, p. 10). Compreender a pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 \u00e9 a chave para elaborar pol\u00edticas sensatas e eficazes em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3 e requer, acima de tudo, uma an\u00e1lise atenta dos profundos contextos culturais e psicol\u00f3gicos do comportamento da pol\u00edtica externa iraniana (MEI, 2009). Para o Ir\u00e3, o passado est\u00e1 sempre presente. Concomitantemente, uma combina\u00e7\u00e3o paradoxal de orgulho pela cultura iraniana e um sentimento de \u2018vitimiza\u00e7\u00e3o\u2019 criaram um sentimento feroz de independ\u00eancia e uma cultura de resist\u00eancia ao ditado e domina\u00e7\u00e3o por qualquer pot\u00eancia estrangeira entre o povo iraniano. A pol\u00edtica externa iraniana est\u00e1 enraizada neste sentimento amplamente difundido (MEI, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca deste artigo, constitui-se como um estudo de caso e apresenta, para al\u00e9m desta introdu\u00e7\u00e3o, uma revis\u00e3o dos pressupostos centrais do Realismo Neocl\u00e1ssico e, em seguida, uma vis\u00e3o geral da hist\u00f3ria da pol\u00edtica iraniana ap\u00f3s os acontecimentos da Revolu\u00e7\u00e3o de 1979 a partir de uma an\u00e1lise baseada na vis\u00e3o da corrente realista neocl\u00e1ssica. Por fim, \u00e9 apresentada uma conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REALISMO NEOCL\u00c1SSICO E SEUS PRESSUPOSTOS CENTRAIS <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como arcabou\u00e7o te\u00f3rico para este artigo, utiliza-se a corrente te\u00f3rica do Realismo Neocl\u00e1ssico, tendo como base os textos de Rose (1998), Schweller (1994) e Ripsman et al (2016). Unir acima A previs\u00e3o central do realismo neocl\u00e1ssico \u00e9 que, a longo prazo, a quantidade relativa de recursos de poder material que os pa\u00edses possuem moldar\u00e1 a magnitude e a ambi\u00e7\u00e3o de suas pol\u00edticas externas. Destarte, \u00e0 medida que seu poder relativo aumenta, os Estados buscar\u00e3o mais influ\u00eancia no exterior e, \u00e0 medida que cai, suas a\u00e7\u00f5es e ambi\u00e7\u00f5es ser\u00e3o reduzidas de acordo (ROSE, 1998). No entanto, Rose (1998) explica que uma teoria de pol\u00edtica externa limitada apenas a fatores sist\u00eamicos est\u00e1 fadada a ser imprecisa na maior parte do tempo. Complementando, Schweller (1994) afirma que um dos maiores problemas de autores que escrevem sob o signo do realismo estrutural \u00e9 o fato de olhar o mundo apenas da perspectiva de Estados satisfeitos com o&nbsp;<em>status quo<\/em>. Para o autor, n\u00e3o pode ser entendido como verdadeiro que o objetivo primordial de todo Estado \u00e9 a sua seguran\u00e7a. Segundo ele, esta seria uma perspectiva t\u00edpica de Estados&nbsp;<em>pro-status quo<\/em>, uma vez que apenas Estados j\u00e1 satisfeitos teriam como objetivo manter suas posi\u00e7\u00f5es no sistema internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os neocl\u00e1ssicos concordem com os neorrealistas de que a pol\u00edtica deve se adequar ao ambiente estrat\u00e9gico internacional, os realistas neocl\u00e1ssicos observam que os Estados nem sempre podem adaptar suas pol\u00edticas \u00e0s circunst\u00e2ncias internacionais devido a percep\u00e7\u00f5es equivocadas dos est\u00edmulos sist\u00eamicos, procedimentos de tomada de decis\u00e3o que est\u00e3o aqu\u00e9m do racional ou obst\u00e1culos \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas causados pela falta de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos sociais (RIPSMAN et al., 2016). Essas falhas s\u00e3o frequentemente influenciadas por: imagens de l\u00edderes que interferem com percep\u00e7\u00f5es precisas; cultura estrat\u00e9gica, que molda as respostas do Estado; rela\u00e7\u00f5es Estado-sociedade, que afetam a capacidade do Estado de promulgar e implementar decis\u00f5es; e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas internas, que podem permitir ou restringir os l\u00edderes estatais quando enfrentam a oposi\u00e7\u00e3o social (RIPSMAN et al., 2016). Como resultado, esse ambiente de tomada de decis\u00e3o dom\u00e9stica mais complexo implica que os Estados n\u00e3o selecionam necessariamente a resposta pol\u00edtica ideal para satisfazer restri\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas; em vez disso, escolhem entre uma s\u00e9rie de alternativas pol\u00edticas para navegar entre restri\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas e imperativos pol\u00edticos dom\u00e9sticos&nbsp;(RIPSMAN et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lobell, Ripsman e Taliaferro (2016), o primeiro elemento do modelo realista neocl\u00e1ssico de pol\u00edtica externa diz respeito \u00e0s opini\u00f5es de um tomador de decis\u00e3o individual que ocupa uma posi\u00e7\u00e3o elevada na administra\u00e7\u00e3o central de um Estado, tamb\u00e9m chamado por Imagem dos L\u00edderes<a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. O segundo fator \u00e9 a Cultura Estrat\u00e9gica. A Cultura Estrat\u00e9gica refere-se a um conjunto de cren\u00e7as, suposi\u00e7\u00f5es e normas interconectadas que moldam a compreens\u00e3o estrat\u00e9gica dos tomadores de decis\u00e3o, das massas e da elite social<a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Um terceiro fator aborda a rela\u00e7\u00e3o Estado-Sociedade, e como seus cidad\u00e3os podem afetar a quantidade de poder que os tomadores de decis\u00e3o ou os estados t\u00eam. As rela\u00e7\u00f5es Estado-Sociedade s\u00e3o analisadas a partir de dois conceitos: grau de harmonia e tomada de decis\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos<a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. O quarto elemento, versa sobre as Institui\u00e7\u00f5es Dom\u00e9sticas<a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, relacionados com as ag\u00eancias do governo nacional, seus respectivos poderes e os interesses de sua pr\u00f3pria ag\u00eancia particular, buscando influenciar em favor da formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas dentro do governo central do estado. (LOBELL; RIPSMAN; TALIAFERRO, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Figura 1 &#8211; O Modelo Realista Neocl\u00e1ssico de Pol\u00edtica Externa<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"795\" height=\"414\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8A.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3239\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8A.png 795w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8A-300x156.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8A-768x400.png 768w\" sizes=\"(max-width: 795px) 100vw, 795px\" \/><figcaption>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir de Ripsman et al (2016).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O governo estabelecido ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1979 promoveu um afastamento radical do governo ocidentalizado de Mohammed Reza\u00a0<em>Shah<\/em>\u00a0Pahlavi<a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Sendo assim, todos os atributos internos que os neocl\u00e1ssicos argumentam serem decisivos na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa mudaram: a pol\u00edtica interna mudou, a lideran\u00e7a pol\u00edtica mudou e a ideologia do regime tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>POL\u00cdTICA EXTERNA IRANIANA \u00c0 LUZ DO REALISMO NEOCL\u00c1SSICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 \u00e9 influenciada e moldada pelo poder que possui. Como citado na se\u00e7\u00e3o anterior, alguns neocl\u00e1ssicos como Rose (1998) e Schweller (1994) definem o poder como o principal determinante da pol\u00edtica externa, pois molda os incentivos e as restri\u00e7\u00f5es impostas aos Estados. A pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 \u00e9 influenciada e moldada pelo poder que possui. O poder no contexto deste trabalho \u00e9 basicamente a capacidade de for\u00e7ar outros pa\u00edses a agir consoante os interesses do Ir\u00e3, a partir da extra\u00e7\u00e3o dos recursos totais da sociedade, ou seja, do poder nacional (RIPSMAN et al., 2016). Para os neocl\u00e1ssicos, o poder molda a gama de escolhas, mas n\u00e3o explica por que escolhas espec\u00edficas s\u00e3o feitas. Logo, essa \u00e9 a tarefa das vari\u00e1veis intervenientes: elas explicam escolhas dentro desses par\u00e2metros, especificando estrat\u00e9gias, t\u00e1ticas e explicando o conte\u00fado, o momento e as consequ\u00eancias das pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa nuclear iraniano foi lan\u00e7ado em 1957 com um acordo entre o Ir\u00e3 e os EUA sobre o uso pac\u00edfico da energia nuclear no \u00e2mbito do programa \u00c1tomos para Paz. O apoio de Washington surgiu em um contexto de crescentes la\u00e7os com Teer\u00e3, que via o pa\u00eds como um baluarte contra o radicalismo \u00e1rabe e os projetos sovi\u00e9ticos no Oriente M\u00e9dio (BURR, 2009). O Ir\u00e3 assinou o Tratado de N\u00e3o-Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TNP) em 1968 e o ratificou em 1970. O poder, em suma, \u00e9 uma causa necess\u00e1ria, mas insuficiente: as vari\u00e1veis \u200b\u200bintervenientes s\u00e3o explica\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas necess\u00e1rias para explicar como e por que as posi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias foram adotadas (ROSE, 1998). No contexto mencionado acima, havia um escopo significativo para o pa\u00eds: as press\u00f5es estruturais eram fortes, mas indeterminadas, portanto, n\u00e3o empurravam o Ir\u00e3 em dire\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de forma t\u00e3o convincente. Inicialmente, foi em busca de poder, seguran\u00e7a e influ\u00eancia que o Shah lan\u00e7ou o programa. Sob a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, o Ir\u00e3 se considerava uma grande pot\u00eancia; tem, portanto, perseguido a tecnologia nuclear consistente com esta autoimagem (GAIETTA, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>O poder crescente do Ir\u00e3 o leva a uma maior autoconfian\u00e7a no impasse nuclear com os Estados Unidos e as pot\u00eancias regionais. Por esse motivo, a discrep\u00e2ncia de&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;muda ent\u00e3o os par\u00e2metros nos quais sua pol\u00edtica externa opera, impulsionando seu revisionismo ao eliminar de considera\u00e7\u00e3o op\u00e7\u00f5es moderadas ou conciliat\u00f3rias e aumentar a probabilidade de pol\u00edticas de confronto e agress\u00e3o serem adotadas (SCHWELLER, 1994). E em um ambiente altamente inseguro, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que o Ir\u00e3 considere a possibilidade de desenvolver um programa nuclear. A barganha no centro do TNP exige que os Estados n\u00e3o nucleares renunciem \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de armas nucleares; em troca, os que t\u00eam energia nuclear se comprometem a apoiar os que n\u00e3o t\u00eam esfor\u00e7os para desenvolver a energia nuclear para fins pac\u00edficos. Para Teer\u00e3, os EUA n\u00e3o respeitaram essa barganha. Em vez disso, os EUA intimidam o Ir\u00e3 negando-lhe tecnologia e prendendo-o com um regime de san\u00e7\u00f5es cada vez mais paralisante para mant\u00ea-lo fraco, enquanto Israel e Paquist\u00e3o, n\u00e3o signat\u00e1rios do TNP, adquiriram armas nucleares (GAIETTA, 2015). A Rep\u00fablica Isl\u00e2mica v\u00ea-se assim como v\u00edtima de dois pesos e duas medidas. A busca da autossufici\u00eancia tamb\u00e9m foi importante para o programa nuclear do Ir\u00e3 (CHUBIN, 2006). O Ir\u00e3 insiste em alcan\u00e7ar autonomia no dom\u00ednio do ciclo do combust\u00edvel, como testemunham seus esfor\u00e7os para desenvolver uma ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio nativa e a infraestrutura necess\u00e1ria para treinar seu pr\u00f3prio quadro de engenheiros e cientistas (BOURESTON; FERGUSON, 2004). O regime tamb\u00e9m descreve o programa como essencial para o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds e seus esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar a autossufici\u00eancia cient\u00edfica (BAKTIARI, 2010).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de ir direto \u00e0 an\u00e1lise, faz-se necess\u00e1rio identificar os atores que afetam a pol\u00edtica dom\u00e9stica do Ir\u00e3, portanto, a figura abaixo se prop\u00f5e a apresentar uma breve explica\u00e7\u00e3o da estrutura pol\u00edtica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Figura 2 &#8211; A estrutura pol\u00edtica do Ir\u00e3<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"447\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8b.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3240\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8b.png 800w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8b-300x168.png 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/EDESART8b-768x429.png 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir dos dados de PBS (2014).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Consoante ao que foi debatido sobre o Realismo Neocl\u00e1ssico, existem quatro fatores que explicam a pol\u00edtica externa de um pa\u00eds segundo o modelo realista neocl\u00e1ssico de Lobell, Ripsman e Taliaferro (2016). Para analisar o caso do Ir\u00e3, a imagem dos l\u00edderes pode ser utilizada sob o l\u00edder supremo do Ir\u00e3, Ali Khamenei (1989 \u2013 2024) e o ex-presidente Hassan Rouhani (2013 \u2013 2021). Sobretudo, o ex-presidente Hassan Rouhani, percebe que os est\u00edmulos sist\u00eamicos postulam a pol\u00edtica externa da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, para que o pa\u00eds se envolva em rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas construtivas e em jogos de soma positiva de constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, a fim de reduzir as press\u00f5es externas sobre o Ir\u00e3 (HAFEZI, 2014). Al\u00e9m disso, a identidade iraniana \u00e9 importante para entender suas demandas por uma maior posi\u00e7\u00e3o de poder no mundo. A identidade nacional e a hist\u00f3ria do pa\u00eds s\u00e3o percebidas como uma importante justificativa para sua posi\u00e7\u00e3o insatisfeita na regi\u00e3o. O mesmo racioc\u00ednio \u00e9 usado em rela\u00e7\u00e3o ao programa nuclear iraniano, que, segundo Rouhani (2013), \u00e9 um projeto pac\u00edfico que busca diversificar sua economia. Sendo assim, ele argumenta que a independ\u00eancia de um Estado \u00e9 uma parte essencial da identidade nacional, onde ele enfatiza que a soberania iraniana deve ser respeitada e a intromiss\u00e3o estrangeira deve ser uma prioridade a ser evitada (ROUHANI, 2013).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No geral, os valores centrais isl\u00e2micos tradicionalistas de Rouhani moldam a sua rela\u00e7\u00e3o internacional. Ele percebe os est\u00edmulos sist\u00eamicos como exigindo uma coopera\u00e7\u00e3o com pot\u00eancias regionais e ocidentais, uma reaproxima\u00e7\u00e3o com o Ocidente e um apelo mais amplo para com seus pa\u00edses vizinhos. Por outra perspectiva, Khamenei ocupa o cargo de L\u00edder Supremo do Ir\u00e3, e seu poder de decis\u00e3o anula todos os outros tomadores de decis\u00e3o governamentais. Naturalmente, dedicado ao Isl\u00e3 e tradicionalmente conservador, buscando garantir a sobreviv\u00eancia de seu estilo isl\u00e2mico de governo (SHANAHAN, 2015). No entanto, a necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o nos atores de pol\u00edtica externa \u00e9 altamente necess\u00e1ria para a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica. Sendo assim, Khamenei se v\u00ea insatisfeito com a posi\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 no Oriente M\u00e9dio e percebe que o sistema internacional nega as oportunidades de crescimento da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, j\u00e1 que as inten\u00e7\u00f5es do pa\u00eds s\u00e3o avaliadas por meio de uma percep\u00e7\u00e3o de soma zero (TABATABAI, 2019). Por um lado, o aiatol\u00e1 percebe as press\u00f5es externas como vindas principalmente dos pa\u00edses ocidentais. Suas percep\u00e7\u00f5es sobre um acordo nuclear multilateral mostraram reconhecimento dos esfor\u00e7os moderados de Rouhani para uma reaproxima\u00e7\u00e3o ocidental ligeiramente aumentada e algumas de suas declara\u00e7\u00f5es sobre o acordo consistiam em uma promessa de que seu pa\u00eds manteria seu compromisso (AKBARZADEH; CONDUIT 2016).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o L\u00edder Supremo \u00e9 visto, como um forte opositor do mundo ocidental e percebe com grande hesita\u00e7\u00e3o qualquer tipo de aproxima\u00e7\u00e3o. Seus valores centrais consistem em princ\u00edpios isl\u00e2micos e nas percep\u00e7\u00f5es negativas do Ocidente que existem desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1979 (RAMAZANI, 2001). Al\u00e9m disso, quando confrontado com uma oportunidade de reintegrar o Ir\u00e3 ao sistema internacional (a partir de um acordo nuclear), ele parece manter uma posi\u00e7\u00e3o bilateral, possivelmente para remover a probabilidade de ele perder prest\u00edgio caso a oportunidade e sua confian\u00e7a no Ocidente sejam em v\u00e3o e com o equil\u00edbrio da cena pol\u00edtica interna, de modo que sua Rep\u00fablica Isl\u00e2mica pare\u00e7a unida a atores estrangeiros e dom\u00e9sticos. Sendo assim, a incoer\u00eancia da pol\u00edtica externa iraniana est\u00e1 na abordagem amb\u00edgua dos seus l\u00edderes \u00e0 pol\u00edtica externa, a fim de diminuir as press\u00f5es sist\u00eamicas sobre o pa\u00eds (CLIFTON, 2014). Por fim, mesmo que seus valores centrais consistam em vis\u00f5es conservadoras antiocidentais, o apoio ao acordo nuclear e a confian\u00e7a em sua reaproxima\u00e7\u00e3o ocidental mant\u00e9m a pol\u00edtica externa do pa\u00eds bastante inconclusiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo fator do modelo realista neocl\u00e1ssico, a cultura estrat\u00e9gica, no caso do Ir\u00e3, tem suas ra\u00edzes em cren\u00e7as arraigadas da independ\u00eancia hist\u00f3rica do imp\u00e9rio persa de pot\u00eancias estrangeiras, por volta de 1979 (RAMAZANI, 2001). Nesse contexto, uma parte cada vez maior da popula\u00e7\u00e3o compartilhava da opini\u00e3o das elites cl\u00e9rigos de que o Shah e o Ir\u00e3 estavam sob controle estrangeiro e que o interesse nacional iraniano e a pol\u00edtica externa eram dirigidos pelas pot\u00eancias ocidentais (ABRAHAMIAN, 2007). Logo, essa consci\u00eancia coletiva evoluiu para cren\u00e7as comuns e inter-relacionadas sobre anti-imperialismo e antiamericanismo, fortemente apoiadas pela elite clerical. Al\u00e9m disso, estes viram uma demanda generalizada por independ\u00eancia nos processos de tomada de decis\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o central e um desejo de interesse nacional definido por sua longa hist\u00f3ria, experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es culturais persas e isl\u00e2micas (KURZMAN, 2004). O estilo isl\u00e2mico de governan\u00e7a, sua constitui\u00e7\u00e3o e aspectos revolucion\u00e1rios ainda definem o nacionalismo, a independ\u00eancia e a desconfian\u00e7a de pot\u00eancias estrangeiras como o n\u00facleo de como os tomadores de decis\u00e3o e l\u00edderes iranianos percebem o sistema internacional e as amea\u00e7as ao pa\u00eds atualmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maneira comum de pensar sobre o ambiente de seguran\u00e7a \u00e9 fortemente influenciada pelo Ex\u00e9rcito dos Guardi\u00e3es da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica (IRGC). Isso mudou algumas das percep\u00e7\u00f5es dos iranianos sobre os ambientes de seguran\u00e7a externa e dom\u00e9stica e os oponentes da cultura estrat\u00e9gica revolucion\u00e1ria est\u00e3o lentamente acumulando apoio (HASHEMI, 2014).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro fator, aborda as Rela\u00e7\u00f5es Estado-Sociedade que pode exemplificado a partir do baixo grau de harmonia durante a Dinastia Pahlavi, ocasionando a revolu\u00e7\u00e3o de 1979, que, em contrapartida, trouxe um alto grau de harmonia nesta rela\u00e7\u00e3o. No entanto, as lideran\u00e7as pol\u00edticas exploraram esse ambiente de interesses harmoniosos entre as vontades do Estado e da sociedade; assumiram o controle da cria\u00e7\u00e3o do novo contrato social e deram a si direitos exclusivos e monop\u00f3lio sobre a tomada de decis\u00f5es e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas no Ir\u00e3 (HASHEMI, 2014).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, isso gerou uma muta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica externa inspirada e favor\u00e1vel ao Ocidente, para uma pol\u00edtica externa que consiste em princ\u00edpios e ideias isl\u00e2micas, revolucion\u00e1rias e antiocidentais. A popula\u00e7\u00e3o insatisfeita com as press\u00f5es sist\u00eamicas descontruiu a harmonia estabelecida anteriormente, o que obrigou os l\u00edderes iranianos a responderem \u00e0s press\u00f5es dom\u00e9sticas elegendo um dirigente moderado como Rouhani. Sob ele, a pol\u00edtica externa viu mais aproxima\u00e7\u00e3o ocidental que satisfez as press\u00f5es dom\u00e9sticas e aumentou a harmonia (HASHEMI, 2014). Contudo, Rouhani conseguiu trazer um alto grau de harmonia e reduzir a press\u00e3o interna conduzindo uma reaproxima\u00e7\u00e3o com o Ocidente; melhorando a economia e abrindo o Ir\u00e3 ao sistema internacional sem amea\u00e7ar o poder da lideran\u00e7a clerical (ROSS, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto e \u00faltimo fator do modelo realista neocl\u00e1ssico, s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. Primeiro, desde o estabelecimento da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, a lideran\u00e7a pol\u00edtica iraniana precisava do IRGC para reduzir as press\u00f5es dom\u00e9sticas e estrangeiras sobre o pa\u00eds. Os Guardi\u00f5es, portanto, mant\u00eam a responsabilidade de proteger o pa\u00eds contra amea\u00e7as internas e externas (BOROUJERDI; RAHIMKANI, 2011). Ao longo dos anos, o IRGC usou a constitui\u00e7\u00e3o e o apoio \u00e0 lideran\u00e7a da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica para legitimar e expandir seu papel de seguran\u00e7a amplamente definido na Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e acumular excesso de poder que os incorporam nas principais \u00e1reas de onde o pa\u00eds extrai seu poder e seguran\u00e7a (ALFONEH, 2011).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, o poder do IRGC tem dois aspectos no Ir\u00e3 contempor\u00e2neo. Seu poder econ\u00f4mico decorre da reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ap\u00f3s a guerra Ir\u00e3-Iraque e aumentou constantemente a um n\u00edvel que faz com que eles controlem um vasto imp\u00e9rio comercial. At\u00e9 agora, os membros da IRGC usam seu imenso poder militar em conjunto com seu poder econ\u00f4mico para salvaguardar seus interesses comerciais (ALEMZADEH, 2018). Semelhantemente, o vasto poder que o grupo ganhou ao longo dos anos protegendo a integridade da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e sua lideran\u00e7a clerical, incorporou-o na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e na tomada de decis\u00f5es no Ir\u00e3. Os Guardas podem dirigir grande parte da pol\u00edtica interna e externa da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e s\u00e3o capazes de ditar o que s\u00e3o considerados interesses e amea\u00e7as nacionais (RAHIMI, 2009). Al\u00e9m disso, este papel embutido, os torna um ator indispens\u00e1vel na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, sugere-se que o restante do corpo pol\u00edtico iraniano v\u00ea provavelmente o poder dos Guardi\u00f5es como um jogo de soma zero, onde Hassan Rouhani foi eleito para garantir que o poder de tomada de decis\u00e3o no Ir\u00e3 permane\u00e7a nas m\u00e3os dos cl\u00e9rigos (RAHIMI, 2009). De fato, Rouhani reduziu o poder e a influ\u00eancia do IRGC na tomada de decis\u00f5es no Ir\u00e3 por meio da pol\u00edtica externa moderada que conduziu: reaproxima\u00e7\u00e3o com o Ocidente, uma pol\u00edtica externa diplom\u00e1tica e menos conflituosa com os pa\u00edses vizinhos e o mundo ocidental e, o mais importante; seu apoio \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o da economia do pa\u00eds diminuiu coletivamente o poder do IRGC (HASHEMI, 2014). No entanto, como o IRGC conseguiu se inserir na Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, sua exist\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada (AKBARZADEH; CONDUIT 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a diplomacia iraniana se distingue por uma complicada intera\u00e7\u00e3o entre os valores isl\u00e2micos ancestrais, a necessidade imperativa de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e as press\u00f5es sist\u00eamicas tanto regionais quanto globais. A lideran\u00e7a do Ir\u00e3, fracionada entre figuras como Rouhani e Khamenei, espelha enfoques divergentes que englobam a busca por soberania e autonomia com um esfor\u00e7o adaptativo ao cen\u00e1rio mundial. Rouhani tem adotado uma atitude mais conciliat\u00f3ria, almejando reaproxima\u00e7\u00e3o com o Ocidente e melhorias econ\u00f4micas, enquanto Khamenei sustenta uma postura mais conservadora e antag\u00f4nica ao Ocidente, moldada por uma longa hist\u00f3ria de desconfian\u00e7a e resist\u00eancia \u00e0s pot\u00eancias estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O IRGC desempenha um papel preponderante, exercendo enorme influ\u00eancia tanto na seguran\u00e7a quanto na economia nacional. A din\u00e2mica entre a lideran\u00e7a pol\u00edtica e o IRGC molda a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internas e externas, revelando um equil\u00edbrio delicado entre manter a integridade da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e responder \u00e0s demandas de moderniza\u00e7\u00e3o e abertura internacional (ALEMZADEH, 2018). Todavia, a diplomacia iraniana permanece marcada por incoer\u00eancias e desafios, com suas institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas desempenhando um papel crucial na manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade e no direcionamento das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme apresentado, este artigo teve como prop\u00f3sito analisar a pol\u00edtica externa do Ir\u00e3 de 1979 a 2004 com \u00eanfase em seu programa nuclear, por meio da \u00f3tica do Realismo Neocl\u00e1ssico. O caso do Ir\u00e3 demonstra a complexidade e a multidimensionalidade de sua pol\u00edtica externa. Em primeiro lugar, os fatores apresentados por Ripsman, Lobell e Taliaferro (2016) \u2014 imagem dos l\u00edderes, cultura estrat\u00e9gica, rela\u00e7\u00f5es estado-sociedade e institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas \u2014 oferecem uma compreens\u00e3o aprofundada das decis\u00f5es e das estrat\u00e9gias adotadas pelo pa\u00eds. A lideran\u00e7a iraniana, dividida entre figuras como Hassan Rouhani e Ali Khamenei, refletem abordagens contrastantes. Podemos ver que enquanto Rouhani buscou uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com o Ocidente e melhorias econ\u00f4micas, Khamenei manteve uma postura conservadora e desconfiada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias ocidentais. Frequentemente, essa dicotomia resulta em uma pol\u00edtica externa amb\u00edgua e incoerente, que busca equilibrar a soberania nacional com a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a cultura estrat\u00e9gica do Ir\u00e3, enraizada em sua hist\u00f3ria de resist\u00eancia ao imperialismo e ao controle estrangeiro, continua a influenciar significativamente suas decis\u00f5es. Tamb\u00e9m a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica de 1979 e a subsequente desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao Ocidente moldaram a percep\u00e7\u00e3o iraniana de amea\u00e7as e oportunidades no sistema internacional. Em virtude disso, as rela\u00e7\u00f5es estado-sociedade no Ir\u00e3 passaram por transforma\u00e7\u00f5es significativas desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1979. Por conseguinte, a harmonia inicial, baseada em interesses comuns entre o Estado e a sociedade, foi corro\u00edda por press\u00f5es sist\u00eamicas e internas, levando \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de l\u00edderes mais moderados como Rouhani, que tentou satisfazer essas press\u00f5es por meio de uma pol\u00edtica externa mais conciliat\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, as institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, particularmente o Ex\u00e9rcito dos Guardi\u00e3es da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica (IRGC), desempenham um papel crucial na defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa iraniana. Logo, o poder econ\u00f4mico e militar do IRGC, juntamente com seu apoio \u00e0 lideran\u00e7a clerical, lhe confere uma influ\u00eancia substancial na tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas e de seguran\u00e7a. Contudo, embora Rouhani tenha tentado reduzir essa influ\u00eancia por meio de pol\u00edticas de reaproxima\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o IRGC continua sendo um ator fundamental na pol\u00edtica iraniana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O programa nuclear do Ir\u00e3, originalmente apoiado pelos Estados Unidos, evoluiu para uma manifesta\u00e7\u00e3o de autossufici\u00eancia e resist\u00eancia contra press\u00f5es externas. A autoimagem do Ir\u00e3 como uma grande pot\u00eancia e a busca por seguran\u00e7a e influ\u00eancia na regi\u00e3o impulsionaram seu desenvolvimento nuclear. Assim, sob a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, a ret\u00f3rica antiocidental e a necessidade de autonomia tecnol\u00f3gica consolidaram o programa como um elemento central de sua pol\u00edtica externa. Embora apresentado como uma iniciativa pac\u00edfica para diversificar a economia, o programa nuclear iraniano \u00e9 tamb\u00e9m uma resposta \u00e0s percep\u00e7\u00f5es de amea\u00e7as e press\u00f5es sist\u00eamicas. Logo, a insist\u00eancia do Ir\u00e3 em desenvolver autonomia no ciclo do combust\u00edvel nuclear e a busca por autossufici\u00eancia cient\u00edfica s\u00e3o reflexos de uma pol\u00edtica externa que equilibra a busca por seguran\u00e7a e soberania com as complexas din\u00e2micas regionais e globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, a diplomacia iraniana \u00e9 caracterizada por uma intera\u00e7\u00e3o complexa entre valores isl\u00e2micos tradicionais, a necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e as press\u00f5es sist\u00eamicas regionais e globais. Com efeito, a lideran\u00e7a fracionada e as institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas desempenham pap\u00e9is cruciais na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, refletindo um equil\u00edbrio delicado entre a manuten\u00e7\u00e3o da integridade da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e a resposta \u00e0s demandas de moderniza\u00e7\u00e3o e abertura internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ABRAHAMIAN, Ervand,&nbsp;<em>A History of Modern Iran,<\/em>&nbsp;Cambridge: Cambridge University Press, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>AKBARZADEH, S; CONDUIT, D. Iran in the World President Rouhani\u2019s Foreign Policy. [s.l.] New York, Palgrave Macmillan, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>ALEMZADEH, M. The Islamic Revolutionary Guards Corps in the Iran\u2013Iraq war: an unconventional military\u2019s survival. British Journal of Middle Eastern Studies, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>ALFONEH, A. Iran\u2019s Secret Network.&nbsp;American Enterprise Institute, 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.aei.org\/research-products\/report\/irans-secret-network\/. Acesso em: 06 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>BOROUJERDI, M; RAHIMKHANI, K. Revolutionary Guards Soar in Parliament. Iran Primer, 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/iranprimer.usip.org\/blog\/2011\/sep\/19\/revolutionary-guards-soar-parliament.&nbsp;Acesso em: 07 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>CLIFTON, W. Why Hassan Rouhani Won Iran\u2019s 2013 Presidential Election,&nbsp;<em>Middle East Policy<\/em>, 2014. Vol. XXI, No. 2. pp. 64-75.<\/p>\n\n\n\n<p>HASHEMI, N.&nbsp;<em>Renegotiating Iran&#8217;s Post-Revolutionary Social Contract in Kamrava<\/em>, Mehran 2014: Beyond the Arab Spring: The Evolving Ruling Bargain in the Middle East. Oxford Scholarship Online, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>KURZMAN, C.<em>&nbsp;The Unthinkable Revolution in Iran<\/em>, Cambridge, MA: Harvard University Press, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>KRUSE, James H.&nbsp;<em>Determinants of Iranian foreign policy :<\/em>&nbsp;the impact of systemic, domestic and ideologic factors. Tese (Mestrado em Seguran\u00e7a Nacional) \u2013 Naval Postgraduate School. Michigan, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>NUCLEAR THREAT INITIATIVE.&nbsp;<em>Country Overviews: Iran:<\/em>&nbsp;Nuclear Chronology.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/web.archive.org\/web\/20100910142612\/http:\/\/www.nti.org\/e_research\/profiles\/1825_1826.html. Acesso em: 9 jun. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>PATRIKARAKOS, D.&nbsp;<em>Nuclear Iran.<\/em>&nbsp;London: I. B. Tauris &amp; Company, Limited, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>RAHIMI, B. The Role of the Revolutionary Guards and Basij Militia in Iran\u2019s \u2018Electoral Coup.&nbsp;<em>Terrorism Monitor<\/em>. V: 7 Issue: 21, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>RAMAZANI, R. K.&nbsp;<em>Reflections on Iran\u2019s Foreign Policy:<\/em>&nbsp;Defining the National Interests, em Esposito, J., and Ramazani, R. K. (eds.) Iran at the Crossroads. New York: Palgrave, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>REICHWEIN, Alexander<em>. The tradition of neoclassical realism<\/em>. In: TOJE, Asle; KUNZ, Barbara. Neoclassical Realism in European Politics: Bringing Power Back in. Manchester, England: Manchester University Press, 2012. p. 30-51.<\/p>\n\n\n\n<p>RIPSMAN, N. M.; TALIAFERRO, J. W.; LOBELL, S. E.&nbsp;<em>Neoclassical realist theory of international politics.&nbsp;<\/em>New York, Ny: Oxford University Press, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>ROSE, Gideon. Neoclassical Realism and Theories of Foreign Policy.&nbsp;<em>World Politics<\/em>, v. 51, n. 1, p. 144\u2013172, out. 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>ROSS, D. Iranians Are Mad as Hell About Their Foreign Policy.<em>&nbsp;<\/em><em>Foreign Policy,<\/em>&nbsp;2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/foreignpolicy.com\/2018\/01\/02\/iranians-are-mad-as-hell-about-their-foreign-policy\/.&nbsp;Acesso em 07 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>ROUHANI, H: President of Iran Hassan Rouhani: Time to engage.&nbsp;<em>Washington Post<\/em>, set. 2013. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.washingtonpost.com\/opinions\/president-of-iran-hassan-rouhani-time-to-engage\/2013\/09\/19\/4d2da564-213e-11e3-966c-9c4293c47ebe_story.html. Acesso em: 06 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWELLER, R. L. Bandwagoning for Profit: Bringing the Revisionist State Back In.&nbsp;<em>International Security,<\/em>&nbsp;v. 19, n. 1, p. 72\u2013107, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>SHANAHAN, R.&nbsp;<em>Iranian Foreign Policy under Rouhani.<\/em>&nbsp;Lowy Institute, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>TABATABAI, A.&nbsp;<em>The Islamic Republic&#8217;s Foreign Policy at Forty.<\/em>&nbsp;RAND Corporation, 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.rand.org\/blog\/2019\/02\/the-islamic-republics-foreign-policy-at-forty.html. Acesso em: 24\/06\/2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Essa vari\u00e1vel pode ter uma influ\u00eancia significativa na pol\u00edtica externa de um Estado, pois \u00e9 capaz de impactar um dos tr\u00eas processos intervenientes cr\u00edticos: a percep\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos sist\u00eamicos. Sendo os outros: a tomada de decis\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica (LOBELL; RIPSMAN; TALIAFERRO, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;Essas suposi\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as conjuntas se tornam uma maneira coletiva de pensar em uma cultura estrat\u00e9gica arraigada, restringindo possivelmente o comportamento e a liberdade de a\u00e7\u00e3o de um estado, tornando-o propenso a falhar na ado\u00e7\u00e3o de sua pol\u00edtica externa para responder adequadamente \u00e0s press\u00f5es sist\u00eamicas (LOBELL; RIPSMAN; TALIAFERRO, p.66-70, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Um alto grau de harmonia \u00e9 percebido quando o povo, de modo geral, apoia a administra\u00e7\u00e3o central e concorda com a dire\u00e7\u00e3o geral da pol\u00edtica externa do pa\u00eds, dando ao Estado mais liberdade para conduzir a pol\u00edtica externa que julgar mais adequada para reduzir ou se adequar \u00e0s press\u00f5es sist\u00eamicas. Um baixo grau de harmonia \u00e9 visto como, por exemplo, quando h\u00e1 falta de confian\u00e7a na administra\u00e7\u00e3o central e falta de apoio \u00e0s suas pol\u00edticas interna e externa, o que gera o risco de as pol\u00edticas conduzidas pelo governo responderem \u00e0s necessidades dom\u00e9sticas e n\u00e3o \u00e0s sist\u00eamicas, colocando o Estado em desvantagem estrat\u00e9gica. (LOBELL; RIPSMAN; TALIAFERRO, p. 61-71, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Al\u00e9m disso, entende-se que as institui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas determinam a autoridade da administra\u00e7\u00e3o e o grau em que os principais tomadores de decis\u00e3o, os l\u00edderes estaduais ou os executivos de pol\u00edtica externa devem consultar e seguir os requisitos dos principais atores sociais, que podem ser militares, governantes clericais ou poderosas elites empresariais (LOBELL; RIPSMAN; TALIAFERRO, p. 75, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/5575B096-1AE0-4EA5-B69D-377DB19787E6#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Monarca derrubado pela Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica, foi criado por seu pai para ser o primeiro e principal comandante-em-chefe das for\u00e7as armadas. Ascendendo ao trono em 1941, ele repeliu com sucesso generais \u200b\u200bque tentaram ganhar o controle das for\u00e7as. Consolidando o poder ap\u00f3s o golpe da CIA de 1953, ele governou como seu pai, usando as receitas do petr\u00f3leo para expandir drasticamente o Estado. Ele morreu logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 do c\u00e2ncer que ele manteve em segredo at\u00e9 mesmo de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia para n\u00e3o p\u00f4r em perigo o seu regime (ABRAHAMIAN, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Marcos Andr\u00e9 Costa Fortuna<\/strong> tem interesse em pol\u00edtica externa de defesa, programa nuclear brasileiro e realismo nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Bacharel em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Unilasalle-RJ e atualmente realizando Mestrado em Ci\u00eancias Militares na Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME). Entre as disciplinas j\u00e1 cursadas durante o Mestrado, destacam-se: Fundamentos de Pesquisa Cient\u00edfica, Estudos de Seguran\u00e7a e Defesa, Log\u00edstica de Defesa, Economia de Defesa, T\u00f3picos Introdut\u00f3rios nas Ci\u00eancias Militares (TICM), Teoria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Defesa em Desastres Qu\u00edmicos, Biol\u00f3gicos, Radiol\u00f3gicos e Nucleares.Lattes: <a href=\"https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do;jsessionid=A2F658477C65533A1835F0FEBBFBA1A2.buscatextual_0\">https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do;jsessionid=A2F658477C65533A1835F0FEBBFBA1A2.buscatextual_0<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024 Por Marcos Andr\u00e9 Costa Fortunato<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3211,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3238","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3238"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3249,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3238\/revisions\/3249"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}