{"id":3243,"date":"2024-08-21T09:00:00","date_gmt":"2024-08-21T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3243"},"modified":"2024-08-17T16:32:38","modified_gmt":"2024-08-17T19:32:38","slug":"movimento-anti-hallyu-e-a-resistencia-a-onda-coreana-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3243","title":{"rendered":"Movimento Anti-Hallyu e a Resist\u00eancia \u00e0 Onda Coreana no Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 11 | N\u00famero 110 | Ago. 2024<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Qu\u00e9zia Silva Costa<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Traduzida como Onda Coreana,&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;foi o nome dado pela m\u00eddia chinesa \u00e0 crescente expans\u00e3o da cultura popular sul-coreana, que se iniciou no final da d\u00e9cada de 1990 na China. Nos \u00faltimos anos, a Onda Coreana tem se consolidado como um fen\u00f4meno de car\u00e1ter global, com a expans\u00e3o da cultura sul-coreana para o mercado internacional, n\u00e3o se restringindo apenas aos seus pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ferramenta central da diplomacia p\u00fablica sul-coreana, a&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;tem sido respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o da cultura nacional, seja por meio da m\u00fasica, pela culin\u00e1ria ou pelo estilo de vida dos coreanos. O fen\u00f4meno cultural alcan\u00e7a o gosto popular japon\u00eas no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, mais especificamente em 2004, com a transmiss\u00e3o do drama&nbsp;<em>Winter Sonata<\/em>. O sucesso se deu majoritariamente pelas similaridades nos valores confucionistas que ambos os pa\u00edses carregam em sua cultura social, atraindo um forte p\u00fablico feminino e trazendo resultados positivos para o setor tur\u00edstico sul-coreano com o aumento do n\u00famero de turistas japoneses (BAUDINETTE, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;tenha alcan\u00e7ado resultados positivos no Jap\u00e3o, sua recep\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o s\u00e3o complexas, marcadas por uma resist\u00eancia significativa. A popularidade da Onda no Jap\u00e3o coincide com a ascens\u00e3o do nacionalismo de extrema-direita representado pelos&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>, com discursos xenof\u00f3bicos aos coreanos e \u00e0 pr\u00f3pria&nbsp;<em>Hallyu<\/em>. Nesse cen\u00e1rio, durante o s\u00e9culo XXI, a emerg\u00eancia da discuss\u00e3o de quest\u00f5es hist\u00f3ricas entre Jap\u00e3o e Coreia do Sul impactou a promo\u00e7\u00e3o da cultura coreana, afetada diretamente pela necessidade de resolu\u00e7\u00e3o das demandas relativas ao passado colonial japon\u00eas por parte do governo sul-coreano.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado da hist\u00f3ria colonial entre Coreia e Jap\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o da identidade do Estado sul-coreano \u00e9 influenciada pela lembran\u00e7a do passado, fazendo com que os assuntos mal resolvidos do per\u00edodo colonial sejam discutidos continuamente entre os dois pa\u00edses. Um dos principais debates gira em torno da repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e moral \u00e0s \u201cMulheres de Conforto\u201d, eufemismo utilizado para retratar mulheres que eram for\u00e7adas a manterem rela\u00e7\u00f5es sexuais com soldados japoneses durante o per\u00edodo de ocupa\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula coreana.<\/p>\n\n\n\n<p>A dualidade da Onda Coreana no Jap\u00e3o se d\u00e1 especialmente por esses debates hist\u00f3ricos e \u00e9 ressaltada pelas buscas por repara\u00e7\u00e3o por parte do governo sul-coreano e das v\u00edtimas em rela\u00e7\u00e3o ao seu passado com o Jap\u00e3o. Nesse sentido, se torna fundamental explorar dois elementos: a identidade estatal japonesa e o nacionalismo de extrema-direita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Hagstr\u00f6m e Gustafsson (2014), a identidade do Estado japon\u00eas \u00e9 formada por camadas e entre elas h\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma clara separa\u00e7\u00e3o entre o \u201ceu\u201d e o \u201coutro\u201d, ligadas a quesitos de superioridade e inferioridade em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. O nacionalismo de extrema-direita refor\u00e7a essas ideias no \u00e2mbito social ao construir essa oposi\u00e7\u00e3o entre o \u201ceu\u201d e o \u201coutro\u201d, sob um discurso xenof\u00f3bico de uma sociedade japonesa homog\u00eanea, em que os&nbsp;<em>Zainichi<\/em>&nbsp;coreanos (coreanos residentes no Jap\u00e3o) se tornam uma amea\u00e7a \u00e0 cultura e \u00e0 identidade do pa\u00eds (KITAYAMA, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio da pol\u00edtica internacional, Wendt (1992), um dos principais autores da corrente construtivista das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, destaca os Estados como os principais atores, respons\u00e1veis por definir seus interesses com base em fatores materiais e identit\u00e1rios. Segundo o autor, as identidades s\u00e3o moldadas pelas intera\u00e7\u00f5es entre os pr\u00f3prios Estados e pela compreens\u00e3o que estes desenvolvem sobre si. Essa din\u00e2mica molda, por sua vez, os interesses dos Estados, que se ajustam consoante as rela\u00e7\u00f5es e aos contextos em que est\u00e3o inseridos. A identidade que cada Estado porta pode influenciar como este \u00e9 visto no sistema internacional e no seu processo de intera\u00e7\u00e3o com outros Estados, visto que toda a\u00e7\u00e3o exercida por um Estado passa por um processo de sinaliza\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e resposta do \u201coutro\u201d, podendo caracteriz\u00e1-lo como um aliado ou n\u00e3o (WENDT, 1992).<\/p>\n\n\n\n<p>Perante o exposto, o objetivo deste artigo \u00e9 analisar como o discurso&nbsp;<em>anti-Hallyu<\/em>, pautado em tens\u00f5es hist\u00f3ricas entre Coreia do Sul e Jap\u00e3o, tem gerado uma resist\u00eancia \u00e0 cultura coreana no Jap\u00e3o. Dessa forma, parte-se da seguinte quest\u00e3o: de que forma a constru\u00e7\u00e3o da identidade estatal japonesa e a ascens\u00e3o do nacionalismo de extrema-direita impactam na difus\u00e3o do discurso&nbsp;<em>anti-Hallyu<\/em>?&nbsp;&nbsp;A fim de responder esta pergunta, o trabalho parte da hip\u00f3tese de que a resist\u00eancia cultural \u00e0&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;parte de um discurso nacionalista anti-Coreia e de um reflexo da pr\u00f3pria identidade estatal que se baseiam em um sentimento de superioridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Coreia do Sul e \u00e0s quest\u00f5es hist\u00f3ricas existentes entre os dois pa\u00edses, gerando um impacto direto na percep\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>Hallyu<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, o procedimento utilizado \u00e9 o levantamento bibliogr\u00e1fico, a partir da coleta e an\u00e1lise de fontes variadas e atualizadas sobre o t\u00f3pico de interesse desta pesquisa. O levantamento bibliogr\u00e1fico inclui uma variedade de materiais, como livros, peri\u00f3dicos acad\u00eamicos e mat\u00e9rias jornal\u00edsticas de cunho n\u00e3o acad\u00eamico para o melhor entendimento acerca de quest\u00f5es mais atuais que concernem \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses (GIL,2002).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCENS\u00c3O E DECL\u00cdNIO DA&nbsp;<em>HALLYU<\/em>: O CRESCIMENTO DO SENTIMENTO<em>&nbsp;ANTI-HALLYU<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cnascimento\u201d da&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;se contextualiza em um momento de mudan\u00e7as internas na Coreia do Sul e de altera\u00e7\u00f5es no sistema internacional, que impactaram o pa\u00eds. Internamente, o pa\u00eds passava por um est\u00e1gio de alto investimento em suas produ\u00e7\u00f5es culturais. Durante o per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, as duras taxas impostas a produtos estrangeiros tornaram-se mais flex\u00edveis e uma onda de importa\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00f5es culturais de outros pa\u00edses intensificou-se. Como efeito, o mercado cultural interno buscou maneiras de se diversificar, resultando em um maior investimento em produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado nacional. Internacionalmente, as Olimp\u00edadas de 1988 e a crise financeira asi\u00e1tica de 1997 foram dois eventos que marcaram o processo de estrutura\u00e7\u00e3o do que seria denominado Onda Coreana, pois marcou o estado sul-coreano como um \u201cprodutor transnacional de cultura pop\u201d&nbsp;<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>(KOCIS, 2011, p.11, tradu\u00e7\u00e3o nossa). A realiza\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas na Coreia do Sul foi fundamental para a mudan\u00e7a da imagem internacional do pa\u00eds, devastado e dividido durante a Guerra Fria, para a imagem de um Estado moderno e pac\u00edfico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As circunst\u00e2ncias que acompanharam a crise financeira de 1997 no Leste e Sudeste asi\u00e1tico resultaram na fal\u00eancia gradual de grandes conglomerados da ind\u00fastria sul-coreana e, consequentemente, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos investimentos no mercado. Por outro lado, tamb\u00e9m serviu como um ponto de partida para a&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;ao iniciar uma fase de abertura comercial do pa\u00eds visto as dificuldades internas (PAIK; JANG, 2012; SOUZA, 2015). Durante o per\u00edodo da crise, assim como outros pa\u00edses que enfrentavam o mesmo cen\u00e1rio, a Coreia do Sul recorreu \u00e0 ajuda do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), no qual a liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica foi um dos termos do acordo de aux\u00edlio financeiro da organiza\u00e7\u00e3o. A concess\u00e3o de cr\u00e9dito, alinhada ao trabalho conjunto entre o governo e empresas privadas, foi fundamental para a restaura\u00e7\u00e3o da economia naquele momento, com o eixo central da inje\u00e7\u00e3o de dinheiro localizado na ind\u00fastria de entretenimento coreana com foco na sua exporta\u00e7\u00e3o para os seus vizinhos, especialmente pa\u00edses como a China e o Jap\u00e3o (COE; KIM, 2002; LEE, 2002; SOUZA,2015).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A positiva comercializa\u00e7\u00e3o de produtos culturais com a China no final da d\u00e9cada de 1990 resultou na expans\u00e3o do mercado cultural sul-coreano para outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, como o Jap\u00e3o em 2004. Naquele momento, o nome<em>&nbsp;Hallyu&nbsp;<\/em>referia-se \u00e0 imediata e crescente \u201cpopularidade dos dramas, m\u00fasica e filmes no Leste Asi\u00e1tico\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;(UGN\u00c9, 2015, tradu\u00e7\u00e3o nossa, p. 5). Nesse cen\u00e1rio, no qual a rela\u00e7\u00e3o entre China e Coreia do Sul se favoreceu de um momento de crise e de demanda por parte do governo chin\u00eas, a importa\u00e7\u00e3o dos produtos foi bem-vinda por apresentarem um baixo custo. Essa primeira fase \u00e9 denominada como a Primeira Onda, evidente n\u00e3o s\u00f3 na China como no Jap\u00e3o. A expans\u00e3o internacional da Onda para al\u00e9m dos pa\u00edses asi\u00e1ticos marcou a segunda e terceira fase, ampliando o conceito de<em>&nbsp;Hallyu<\/em>, que agora engloba tudo relacionado \u00e0 Coreia do Sul e \u00e0 sua cultura, n\u00e3o se restringindo apenas ao sucesso de dramas, m\u00fasica e filmes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como exposto anteriormente, a&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;chega ao Jap\u00e3o na sua primeira fase com o sucesso do drama&nbsp;<em>Winter Sonata<\/em>, em 2004, atraindo um p\u00fablico majoritariamente feminino e \u201cdesempenhou um papel importante na produ\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00e3o pela Coreia (do Sul) entre os consumidores japoneses\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;(BAUDINETTE, 2019, p. 6, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Esse crescente interesse do p\u00fablico japon\u00eas \u00e0 cultura coreana p\u00f4de ser visto no aumento de visitas \u00e0&nbsp;<em>Shin Okubo<\/em>, bairro coreano em T\u00f3quio, com o intuito de experienciar a cultura e interagir com os coreanos. O setor tur\u00edstico sul-coreano tamb\u00e9m se beneficiou desses resultados com o crescimento do n\u00famero de turistas vindos do Jap\u00e3o interessados em conhecer locais relacionados ao drama. No entanto, Baudinette (2019) menciona que, apesar dos resultados positivos e da atra\u00e7\u00e3o de um forte p\u00fablico feminino, no lado conservador, fortemente representado por homens, crescia uma resist\u00eancia ao sucesso da Onda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, em 2005 \u00e9 publicado no Jap\u00e3o um mang\u00e1 de autoria an\u00f4nima, que se tornaria&nbsp;<em>best seller<\/em>&nbsp;no mesmo ano, chamado \u201c<em>Hating the Korean Wave<\/em>\u201d (Manga Kenkanryu), que demonstrava forte sentimento contra a Coreia e o seu povo, trazendo na hist\u00f3ria uma retrata\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses com uma narrativa positiva sobre o passado colonial japon\u00eas na pen\u00ednsula coreana, ao afirmar, por exemplo, que este per\u00edodo trouxe benef\u00edcios \u00e0 economia coreana, assim como ao negar a exist\u00eancia da escraviza\u00e7\u00e3o sexual das mulheres coreanas (SAKAMOTO; ALLEN, 2007; BAUDINETTE, 2019).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do cont\u00ednuo progresso da Onda nos anos seguintes, migrando para um p\u00fablico consumidor de m\u00fasicas sul-coreanas, seu processo de expans\u00e3o no gosto popular continua entrela\u00e7ada a uma vis\u00e3o negativa (hist\u00f3rica) por parte dos japoneses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade coreana, como visto na tentativa de um \u201crevisionismo hist\u00f3rico\u201d atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Manga Kenkanryu<\/em>. A ascens\u00e3o do discurso conservador, que se propagou rapidamente em f\u00f3runs&nbsp;<em>on-line<\/em>, refor\u00e7ou a animosidade dos japoneses em rela\u00e7\u00e3o aos coreanos, direcionando-se igualmente \u00e0 Onda Coreana e introduzindo uma nova ideia, a&nbsp;<em>Anti-Hallyu<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REMINISC\u00caNCIA DO PASSADO COLONIAL JAPON\u00caS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A lembran\u00e7a do passado \u00e9 um fator fundamental na constru\u00e7\u00e3o da identidade do Estado sul-coreano e, desta forma, na condu\u00e7\u00e3o das suas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Jap\u00e3o, algo que dialoga com o conceito de Wendt (1992) de que as ideias que fundamentam a estrutura social s\u00e3o essenciais para a constru\u00e7\u00e3o das identidades estatais e a constru\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre Estados. Nesse sentido, o per\u00edodo de coloniza\u00e7\u00e3o japonesa na pen\u00ednsula coreana continua colocando em debate assuntos mal resolvidos que envolvem diretamente a identidade nacional, fazendo com que a Coreia do Sul se posicione de maneira assertiva frente a falta de um posicionamento concreto por parte do Jap\u00e3o (HUNDT; BLEIKER, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo colonial japon\u00eas se iniciou em 1910 e seguiu at\u00e9 o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com a derrota japonesa. A invas\u00e3o da pen\u00ednsula coreana fez parte de um plano de expans\u00e3o japon\u00eas, especialmente pelo fato de a regi\u00e3o ser um ponto estrat\u00e9gico no Leste Asi\u00e1tico devido a sua aproxima\u00e7\u00e3o territorial com China e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica,&nbsp;&nbsp;resultando nas guerras de 1894-1895 com os chineses e a de 1904-1905, com a R\u00fassia Czarista. Ap\u00f3s sair como vencedor nas duas batalhas, a invas\u00e3o do territ\u00f3rio coreano foi facilitada e com isso se iniciou um per\u00edodo colonial que duraria mais de trinta anos (LIMA, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado do dom\u00ednio f\u00edsico e cultural, o Jap\u00e3o havia incorporado a pen\u00ednsula coreana ao seu territ\u00f3rio. Al\u00e9m do cerceamento do direito dos cidad\u00e3os, o processo de coloniza\u00e7\u00e3o contou com um cen\u00e1rio no qual mulheres coreanas foram for\u00e7adas ao trabalho escravo sexual. Apenas com o in\u00edcio dos anos 1990 que v\u00edtimas sobreviventes do passado colonial obtiveram apoio de movimentos feministas que reconheceram a necessidade de relatar esta quest\u00e3o hist\u00f3rica (MIN, 2003; HUNDT; BLEIKER, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Min (2003), estas mulheres, que ficaram historicamente conhecidas como \u201cMulheres de Conforto\u201d, reivindicam uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e moral, uma vez que seus direitos foram violados e continuam n\u00e3o sendo reconhecidos pelo governo japon\u00eas atualmente. O \u2018Sistema de Conforto\u2019 foi financiado pelo Imp\u00e9rio japon\u00eas como uma forma de evitar que uma onda de viola\u00e7\u00f5es sexuais se iniciasse nos pa\u00edses que estavam ocupando, al\u00e9m de tratar como uma forma de apoio e aumento da moral dos combatentes na guerra. Sua formaliza\u00e7\u00e3o se concretizou em 1937 com a ocupa\u00e7\u00e3o de Nanquim, na China, e se expandiu para outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, em especial para a Coreia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O debate central em torno deste caso, segundo Min (2003), gira em torno da compreens\u00e3o de como este sistema foi estruturado. Um dos fatores apontados \u00e9 o preconceito profundo contra os coreanos enraizado na sociedade japonesa, elemento fundamental da identidade nacional. Essa vis\u00e3o, \u00e9 somada \u00e0 constante falta de posicionamento oficial por parte dos japoneses e seus governos em rela\u00e7\u00e3o aos pedidos de repara\u00e7\u00e3o e \u00e0 recusa em admitir seus crimes de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria coletiva do passado colonial japon\u00eas continuava forte ap\u00f3s sua sa\u00edda da pen\u00ednsula, dificultando a aproxima\u00e7\u00e3o entre os Estados. Nesse sentido, h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o pelas partes sovi\u00e9tica e norte-americana no territ\u00f3rio ap\u00f3s o fim da ocupa\u00e7\u00e3o, significativas para que houvesse o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica bem estabelecida posteriormente, que resultou na divis\u00e3o do territ\u00f3rio em Norte e Sul a partir do Paralelo 38 e com o intuito de estabelecer elei\u00e7\u00f5es livres e democr\u00e1ticas. Em 1948, a divis\u00e3o do lado Sul \u00e9 denominada oficialmente como Rep\u00fablica da Coreia e o Norte, como Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Coreia (MASIERO, 2010; HUNDT; BLEIKER, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Somente em 1965 a Rep\u00fablica da Coreia estabelece oficialmente suas rela\u00e7\u00f5es com o Jap\u00e3o, sob coordena\u00e7\u00e3o norte-americana. Al\u00e9m da estreita proximidade de ambos os pa\u00edses com o governo de Washington, a previs\u00e3o de ganhos econ\u00f4micos foi determinante para a concretiza\u00e7\u00e3o do relacionamento, visto que o Jap\u00e3o, aliado aos Estados Unidos, foi fundamental para a diversifica\u00e7\u00e3o do mercado sul-coreano devido \u00e0 troca de&nbsp;<em>know-how&nbsp;<\/em>vinda de um Estado j\u00e1 industrializado naquele momento (MASIERO, 2010; HUNDT; BLEIKER, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da proximidade, o fator hist\u00f3rico \u00e9 determinante na intera\u00e7\u00e3o entre os dois Estados. Um dos pontos abordados pelo governo sul-coreano \u00e9 de revis\u00e3o hist\u00f3rica em livros did\u00e1ticos japoneses que contam a hist\u00f3ria do pa\u00eds erroneamente, sendo este um dos pontos de sua diplomacia p\u00fablica. Os pedidos de revis\u00e3o se iniciaram na d\u00e9cada de 1990, quando o governo japon\u00eas adotou um posicionamento neutro sobre o per\u00edodo colonial na Coreia. Essas omiss\u00f5es foram usadas como meio de amenizar e ocultar partes do passado imperial do Jap\u00e3o ao tentar apagar as rela\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio Japon\u00eas com a estrutura\u00e7\u00e3o do &#8220;Sistema de Conforto&#8221;, que afirmava ser resultado da voluntariedade das v\u00edtimas(CASANOVA, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no que concerne o per\u00edodo da Segunda Guerra Mundial, outra quest\u00e3o que se tornou um ponto de atrito entre o governo japon\u00eas e o sul-coreano foram as visitas ao Templo&nbsp;<em>Yasukuni<\/em><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, que ocorrem at\u00e9 hoje. Este templo foi criado pelo Jap\u00e3o em homenagem aos mortos durante a guerra e vem sendo visitado por primeiros-ministros japoneses e recebendo protestos por parte dos governos sul-coreano e chin\u00eas desde 1985. Para a Coreia do Sul e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos que sofreram com a viol\u00eancia japonesa durante esse per\u00edodo, \u201cas visitas s\u00e3o uma tentativa altamente p\u00fablica e simb\u00f3lica de legitimar as agress\u00f5es do Jap\u00e3o ap\u00f3s e durante a guerra\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;(HUNDT; BLEIKER, 2007, p. 77, tradu\u00e7\u00e3o nossa).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, ao refor\u00e7ar, por meio destas visitas, o agradecimento aos soldados japoneses mortos em conflito, o governo deslegitima a dor das v\u00edtimas e desassocia de sua imagem uma quest\u00e3o fundamental que molda as suas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses diretamente relacionados ao processo de expans\u00e3o japon\u00eas naquele per\u00edodo (HUNDT; BLEIKER, 2007). Hundt e Bleiker (2007, p. 79, tradu\u00e7\u00e3o nossa) apontam que \u201ca insist\u00eancia em manter essas visitas est\u00e1 relacionado a necessidade de estabelecer um senso de nacionalidade mais confiante, ligado ao orgulho de lideran\u00e7a japonesa sob a regi\u00e3o e o mundo todo\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Desta forma, entende-se que ao refor\u00e7ar estas quest\u00f5es sob uma perspectiva de orgulho nacional, invalidando automaticamente o lado do &#8220;outro\u201d, o governo japon\u00eas demonstra a falta de sensibilidade quanto ao entendimento da perspectiva das v\u00edtimas sobre o acontecimento, pois, apesar do providenciamento de um pedido de desculpas oficial que legitima os danos causados pelo pa\u00eds, posicionamentos recentes por parte do governo contribuem para que a Coreia do Sul se mantenha com um posicionamento revisionista (PARK, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1993, Yohei Kono (1994-1995), ex-Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o, refor\u00e7ou em seu discurso o envolvimento direto do Imp\u00e9rio japon\u00eas na regulariza\u00e7\u00e3o de um sistema de viol\u00eancia sexual contra as mulheres. J\u00e1 no ano de 1995, o ex-Primeiro-Ministro japon\u00eas, Tomiichi Murayama (1994-1996), reconheceu os crimes de guerra e declarou um pedido oficial de desculpas aos afetados. No entanto, essas tentativas de reconhecimento e de reconcilia\u00e7\u00e3o com o povo coreano foram invalidadas pelas constantes a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s palavras ditas pelos primeiros-ministros que assumiram o cargo posteriormente, em especial Shinzo Abe, sendo um dos pontos tratados diante do caso, a nova revis\u00e3o liter\u00e1ria entregue pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o que novamente tentava criar uma imagem favor\u00e1vel ao Jap\u00e3o em livros did\u00e1ticos frente o seu passado colonial (CASANOVA, 2022; DUJARRIC, 2013).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o in\u00edcio das discuss\u00f5es sobre as mulheres de conforto na Coreia do Sul entre 1987-1988, com o apoio de movimentos feministas em ascens\u00e3o no pa\u00eds, o&nbsp;&nbsp;ano de 1996 marca a condena\u00e7\u00e3o oficial do Jap\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a este crime de guerra pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas (SOH, 1996). Desde ent\u00e3o, o governo japon\u00eas tem se mobilizado para reparar as v\u00edtimas do sistema de conforto, ainda que de forma controversa em certos momentos. No caso de Abe, ex Primeiro-Ministro do Jap\u00e3o, houve a mobiliza\u00e7\u00e3o para a concretiza\u00e7\u00e3o de um acordo entre os dois pa\u00edses, o qual estipulava, al\u00e9m de um pedido de desculpas oficial, o pagamento de 1 bilh\u00e3o de yen, considerada uma resposta positiva pelo governo sul-coreano. No entanto, Shinzo Abe apresentou pouco tempo depois da formaliza\u00e7\u00e3o do acordo uma resposta controversa a dada anteriormente, ao declarar a falta de documentos hist\u00f3ricos que provem que estas mulheres, v\u00edtimas do Imp\u00e9rio japon\u00eas, foram realmente for\u00e7adas a prestar tal servi\u00e7o (HOSAKA, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre as &#8220;mulheres de conforto&#8221; e a busca por repara\u00e7\u00e3o do governo japon\u00eas ganhou destaque em 2015. Neste ano, os governos de Shinzo Abe (Jap\u00e3o) e Park Geun Hye (Coreia do Sul) firmaram o Acordo sobre Mulheres de Conforto. O acordo previa um pedido de desculpas oficial do primeiro-ministro japon\u00eas, indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas e a remo\u00e7\u00e3o da est\u00e1tua de Kim Hak-Sun, em mem\u00f3ria das v\u00edtimas do imp\u00e9rio japon\u00eas na Segunda Guerra Mundial. Em 2018, o ex-presidente sul-coreano Moon Jae-In, defensor das causas feministas, criticou o acordo. Ele alegou que o caso n\u00e3o foi resolvido de forma oficial e que o governo japon\u00eas deveria reconhecer a verdade e trabalhar com a comunidade internacional para evitar que tais atrocidades se repitam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar a busca por uma repara\u00e7\u00e3o por parte do governo sul-coreano frente ao seu passado com o Jap\u00e3o, sob a \u00f3tica Construtivista, essa a\u00e7\u00e3o foi estruturada como resposta ao posicionamento contradit\u00f3rio do governo japon\u00eas&nbsp;&nbsp;durante os anos quanto ao tema debatido, algo que al\u00e9m de amea\u00e7ar diretamente a identidade nacional, fundamentada pelo passado hist\u00f3rico entre os pa\u00edses, amea\u00e7a os interesses nacionais, visto que a falta de um posicionamento claro por parte do Jap\u00e3o tem impactado suas rela\u00e7\u00f5es com o pa\u00eds frente \u00e0s discuss\u00f5es sobre quest\u00f5es hist\u00f3ricas (PARK, 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O NACIONALISMO DE EXTREMA DIREITA NO DISCURSO&nbsp;<em>ANTI-HALLYU<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Formado em 2007,&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>&nbsp;\u00e9 a abrevia\u00e7\u00e3o do nome \u201c<em>Zainichi Tokken wo Yurusanai Shimin no Kai<\/em>\u201d (\u5728\u65e5\u7279\u6a29\u3092\u8a31\u3055\u306a\u3044\u5e02\u6c11\u306e\u4f1a),&nbsp;traduzido como Associa\u00e7\u00e3o Civil Contra os Privil\u00e9gios dos Residentes Coreanos (UGN\u00c9, 2015). Como j\u00e1 expl\u00edcito em seu nome,&nbsp;o<em>&nbsp;Zaitokukai<\/em>&nbsp;\u00e9 um grupo de ideologia de extrema-direita com suas bases no Jap\u00e3o, que defende a ideia de que os residentes coreanos (<em>Zainichi<\/em>) no pa\u00eds n\u00e3o deveriam ser contemplados com certos direitos, como o de voto, bem como outras pol\u00edticas que garantam direitos b\u00e1sicos aos&nbsp;<em>Zainichi<\/em>, que vivem, trabalham e estudam no Jap\u00e3o, muitas vezes sob a necessidade de esconder suas origens pelo preconceito que sofrem (SHIBUICHI, 2015; BAUDINETTE, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo e xenofobia dos japoneses contra os coreanos data desde o per\u00edodo colonial, quando a ideia de superioridade&nbsp;<em>versus<\/em>&nbsp;inferioridade e a dicotomia entre o \u201ceu\u201d e o \u201coutro\u201d j\u00e1 marcava a percep\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o dos japoneses com os coreanos. O recente crescimento do \u00f3dio e ressentimento contra os coreanos surge de um discurso anti-globaliza\u00e7\u00e3o e anti-multiculturalismo, sob o pretexto de que essas novas ideias v\u00e3o contra a no\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o homog\u00eanea fortalecida no Jap\u00e3o desde o final da Segunda Guerra Mundial, como tamb\u00e9m de um medo do avan\u00e7o de seus vizinhos, China e Coreia do Sul, em termos econ\u00f4micos de desenvolvimento, ocupando um lugar que antes era do Estado japon\u00eas. A ascens\u00e3o da Coreia do Sul como uma refer\u00eancia mundial de cultura pop tamb\u00e9m foi vista como uma amea\u00e7a de imperialismo cultural por parte de alguns pa\u00edses que viam um desfavorecimento na sua balan\u00e7a comercial em termos de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de produtos culturais com a Coreia do Sul (SHIBUICHI, 2015; UGN\u00c9, 2015).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>&nbsp;nasce em um momento de crise social no Jap\u00e3o, em que as diferen\u00e7as entre classes se tornavam cada vez mais claras e \u201calega\u00e7\u00f5es de fraude social, especialmente quando cometida por estrangeiros e minorias, tornaram-se recentemente um tema acalorado nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><sup>&nbsp;<\/sup>(SHIBUICHI, 2015, p. 721, tradu\u00e7\u00e3o nossa). O contexto hist\u00f3rico ligado ao passado colonial japon\u00eas ganhou espa\u00e7o nos di\u00e1logos sociais e interestatais, como falamos sobre o in\u00edcio dos debates sobre as Mulheres de Conforto na Coreia do Sul nos anos 1990, estimulando a animosidade que j\u00e1 existia em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes residentes no Jap\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>, al\u00e9m de ter mais de 10.000 membros ativos e oficiais, tamb\u00e9m ocupa um espa\u00e7o consider\u00e1vel em f\u00f3runs online, onde disseminam seus discursos ultranacionalistas. O principal meio de a\u00e7\u00e3o desses membros envolve a organiza\u00e7\u00e3o de protestos em \u00e1reas ocupadas por minorias enquanto seguram alto-falantes e gritam falas racistas e xenof\u00f3bicas, \u201cexibindo o militarista&nbsp;<em>Kyokujitsuki<\/em>&nbsp;(bandeira do sol nascente) e cantando tais slogans como \u2018<em>Kankokujin wa kaere<\/em>\u2019 (sul-coreanos v\u00e3o para casa)\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;(FOCUS, 2013, tradu\u00e7\u00e3o nossa). A falta de pol\u00edticas anti-discriminat\u00f3rias, a impunidade e o cont\u00ednuo apoio pol\u00edtico atrav\u00e9s de discursos que favorecem as falas contra os&nbsp;<em>Zainichi<\/em>, s\u00e3o meios que tem fortalecido o&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>&nbsp;e suas a\u00e7\u00f5es contra os coreanos e, consequentemente, contra a&nbsp;<em>Hallyu<\/em>(KOTANI, 2018).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o, o grupo nacionalista organizou diversos protestos, como em 2009 e 2010, ao atacarem uma escola prim\u00e1ria em Kyoto enquanto proclamavam seus discursos discriminat\u00f3rios, que foram filmados e divulgados na internet. Em 2013, o discurso se intensificou durante um protesto no distrito de&nbsp;<em>Tsuruhashi<\/em>, em Osaka, quando uma jovem fez refer\u00eancia ao massacre de Nanquim como amea\u00e7a aos residentes coreanos, caso n\u00e3o deixassem o pa\u00eds. O contexto atual de disputas territoriais e revisionismo hist\u00f3rico por parte dos pa\u00edses colonizados t\u00eam aflorado a narrativa anti-Coreia nos meios conservadores, impactado a Onda Coreana e disseminado uma resist\u00eancia ao consumo de produtos relacionados \u00e0 cultura coreana (FOCUS, 2013; SHARKEY, 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ter uma defini\u00e7\u00e3o concreta, a&nbsp;<em>Anti-Hallyu&nbsp;<\/em>refere-se a \u201cum \u00f3dio ou antipatia pela cultura popular da Coreia do Sul, seja ela m\u00fasica, filmes, atores ou cantores, [&#8230;] que envolve mais amplamente o \u00f3dio ao povo e\/ou ao pa\u00eds.\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;(UGN\u00c9, 2015, tradu\u00e7\u00e3o nossa, p. 7).&nbsp;&nbsp;Baudinette (2021) destaca, al\u00e9m do elemento hist\u00f3rico, o senso comum de que a popularidade da cultura coreana em detrimento da japonesa representa uma \u201cfraqueza\u201d existente entre os jovens frente ao decl\u00ednio da for\u00e7a cultural do Jap\u00e3o diante dos seus vizinhos. Apesar da vis\u00edvel verbaliza\u00e7\u00e3o de grupos de direita na anti-<em>Hallyu<\/em>&nbsp;e no movimento anti-Coreia, o discurso de \u00f3dio ganha mais for\u00e7a pelo apoio pol\u00edtico, mesmo que de forma indireta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de lei de Elimina\u00e7\u00e3o do Discurso de \u00d3dio, aprovado em 2016, n\u00e3o pode ser considerado eficaz por n\u00e3o criminalizar a pr\u00e1tica em si. Essa falha pode ser vista como uma forma de proteger a liberdade de express\u00e3o, o que leva esses grupos a expressarem suas ideologias ultranacionalistas. Al\u00e9m disso, a falta de medidas punitivas corrobora para o fortalecimento da posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de extrema-direita. Makoto Sakurai, ex-l\u00edder dos<em>&nbsp;Zaitokukai<\/em>, exemplificou isso ao anunciar em 2016 seu interesse em ocupar um cargo na Dieta, \u00f3rg\u00e3o legislativo japon\u00eas, sob a lideran\u00e7a do&nbsp;<em>Japan\u2019s First Party<\/em>, partido ultranacionalista que contribui para o fomento do \u00f3dio aos estrangeiros que residem no Jap\u00e3o (AKADA et al, 2020; KOTANI, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O movimento Anti-<em>Hallyu<\/em>&nbsp;no Jap\u00e3o tem se mostrado um fen\u00f4meno complexo, impactando n\u00e3o s\u00f3 as din\u00e2micas culturais entre os dois pa\u00edses, como tamb\u00e9m refletido em tens\u00f5es relacionadas ao passado hist\u00f3rico entre os vizinhos e em quest\u00f5es sociopol\u00edticas no Jap\u00e3o. Este artigo buscou examinar de que forma o discurso centrado em quest\u00f5es hist\u00f3ricas no movimento Anti-<em>Hallyu<\/em>&nbsp;tem contribu\u00eddo para a crescente resist\u00eancia \u00e0 cultura coreana no Jap\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto das quest\u00f5es pol\u00edticas e tens\u00f5es diplom\u00e1ticas geradas em torno dos debates relacionados ao passado colonial japon\u00eas tem um vis\u00edvel impacto na recep\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>Hallyu<\/em>&nbsp;pelos japoneses. Com a finalidade de compreender a Anti-<em>Hallyu<\/em>&nbsp;no Jap\u00e3o, foi explorada a quest\u00e3o da identidade dos Estados e a ascens\u00e3o do grupo de extrema-direita,&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>, como fundamentais para o discurso de \u00f3dio que envolve o movimento contra a Onda. A partir disso, podemos concluir que a constru\u00e7\u00e3o da identidade estatal japonesa e o crescimento do nacionalismo de extrema-direita t\u00eam profundas ramifica\u00e7\u00f5es na dissemina\u00e7\u00e3o do discurso anti-<em>Hallyu<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, esses elementos n\u00e3o apenas real\u00e7am as percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre a cultura coreana, mas exacerbam as divis\u00f5es internas no Jap\u00e3o, entre aqueles que apoiam e aqueles que se insurgem \u00e0 influ\u00eancia cultural estrangeira. Al\u00e9m disso, a ascens\u00e3o de movimentos como o&nbsp;<em>Zaitokukai<\/em>&nbsp;ilustra uma resist\u00eancia articulada e muitas vezes hostil \u00e0 presen\u00e7a cultural coreana no Jap\u00e3o. Com efeito, o discurso de \u00f3dio promovido por esses grupos n\u00e3o s\u00f3 desafia a integra\u00e7\u00e3o cultural, como levanta preocupa\u00e7\u00f5es sobre a coes\u00e3o social e os direitos humanos dentro do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, prop\u00f5e-se que conceber que a Anti-<em>Hallyu<\/em>&nbsp;no Jap\u00e3o fundamenta-se n\u00e3o apenas na an\u00e1lise de manifesta\u00e7\u00f5es superficiais, mas requer uma apura\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es pol\u00edticas, hist\u00f3ricas e socioculturais que transpassam essa din\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>AKADA, et al.&nbsp;<strong>Sakurai, known for anti-Korean hate speech, seeks seat in Diet | The Asahi Shimbun<\/strong>: Breaking News, Japan News and Analysis.&nbsp;2 set. 2022. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.asahi.com\/ajw\/articles\/13690229\">https:\/\/www.asahi.com\/ajw\/articles\/13690229<\/a>. Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>BAUDINETTE, Thomas. Reflecting on Japan-Korea relations through the Korean wave: Fan desires, nationalist fears, and transcultural fandom.&nbsp;<strong>Transformative Works and Cultures<\/strong>, v.&nbsp;36, 14&nbsp;set. 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3983\/twc.2021.2045\">https:\/\/doi.org\/10.3983\/twc.2021.2045<\/a>. Acesso em: 18 de junho 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>BAUDINETTE, Thomas. Reflecting on Japan-Korea relations through the Korean wave: Fan desires, nationalist fears, and transcultural fandom.&nbsp;<strong>Transformative Works and Cultures<\/strong>, v. 36, 14 set. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.3983\/twc.2021.2045. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>BBC NEWS.&nbsp;<strong>Japan WWII &#8216;comfort women&#8217; were &#8216;necessary&#8217; &#8211; Hashimoto<\/strong>.&nbsp;13 maio 2013. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-22519384\">https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-22519384<\/a>.&nbsp;Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>CASANOVA, Guido.&nbsp;<strong>Seoul critical of Tokyo&#8217;s revision of history books<\/strong>.&nbsp;2022. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.asianews.it\/news-en\/Seoul-critical-of-Tokyo's-revision-of-history-books--55518.html\">https:\/\/www.asianews.it\/news-en\/Seoul-critical-of-Tokyo&#8217;s-revision-of-history-books&#8211;55518.html<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>COE, D.; KIM, S. J. Introdu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<em>In<\/em>: KOREAN CRISIS AND RECOVERY, 2001, Seoul.&nbsp;<strong>Korean Crisis and Recovery<\/strong>. [<em>S. l.<\/em>]: International Monetary Fund and Korea Institute for International Economic Policy, 2002.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/nft\/seminar\/2002\/korean\/\">https:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/nft\/seminar\/2002\/korean\/<\/a>.&nbsp;Acesso em: 5 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>DUJARRIC, Robert.&nbsp;<strong>Why Are Japan &#8216;s Apologies Forgotten?<\/strong>&nbsp;2013. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/thediplomat.com\/2013\/11\/why-are-japans-apologies-forgotten\/\">https:\/\/thediplomat.com\/2013\/11\/why-are-japans-apologies-forgotten\/<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 2024<\/p>\n\n\n\n<p>FOCUS. Rise of Hate Speech in Japan.&nbsp;<strong>Human Rights Osaka<\/strong>, V. 74, 2012. Dispon\u00edvel:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.hurights.or.jp\/archives\/focus\/section2\/2013\/12\/rise-of-hate-speech-in-japan.html\">https:\/\/www.hurights.or.jp\/archives\/focus\/section2\/2013\/12\/rise-of-hate-speech-in-japan.html<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 de julho de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GIL, Antonio C.&nbsp;<strong>Como elaborar projetos de pesquisa<\/strong>. 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Editora Atlas, S\u00e3o Paulo, 2002.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>HAGSTR\u00d6M, Linus; GUSTAFSSON, Karl. Japan and identity change: why it matters in International Relations.&nbsp;<strong>The Pacific Review<\/strong>, v.&nbsp;28, n.&nbsp;1, p.&nbsp;1-22, 24&nbsp;nov. 2014. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/09512748.2014.969298\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/09512748.2014.969298<\/a>. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>HOSAKA, Yuji.&nbsp;<strong>Why Did the 2015 Japan-Korea \u2018Comfort Women\u2019 Agreement Fall Apart?<\/strong>&nbsp;The Diplomat, 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/thediplomat.com\/2021\/11\/why-did-the-2015-japan-korea-comfort-women-agreement-fall-apart\/\">https:\/\/thediplomat.com\/2021\/11\/why-did-the-2015-japan-korea-comfort-women-agreement-fall-apart\/<\/a>. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>HUNDT, David; BLEIKER, Roland. \u201cRECONCILING COLONIAL MEMORIES IN KOREA AND JAPAN.\u201d&nbsp;<strong>Asian Perspective,<\/strong>&nbsp;vol. 31, no. 1, 2007, pp. 61\u201391. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/42704577\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/42704577<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>HUNDT, David; BLEIKER, Roland. Reconciling Colonial Memories in Korea and Japan.&nbsp;<strong>Asian Perspective<\/strong>, vol. 31, no. 1, 2007, pp. 61\u201391. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.jstor.org\/stable\/42704577.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 204.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>JANG, G ; PAIK,&nbsp;W. K. Korean Wave as Tool for Korea &#8216;s New Cultural Diplomacy.&nbsp;<strong>Advances in Applied Sociology<\/strong>, v.&nbsp;02, n.&nbsp;03, p.&nbsp;196-202, 2012. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4236\/aasoci.2012.23026\">https:\/\/doi.org\/10.4236\/aasoci.2012.23026<\/a>. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>KITAYAMA, Y. \u201cThe rise of the far right in Japan, and challenges posed for education\u201d,&nbsp;<strong>London Review of Education<\/strong>, 16(2), 2018.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.18546\/LRE.16.2.06\">https:\/\/doi.org\/10.18546\/LRE.16.2.06<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Korean Culture and Information Service (KOCIS).&nbsp;The Korean Wave: A New Pop Culture Phenomenon.&nbsp;<strong>Contemporary Korea<\/strong>, n\u00ba 1, 2011.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>KOTANI, J. Proceed with Caution: Hate Speech Regulation in Japan.&nbsp;Hastings Constitutional Law Quarterly, v. 45, 2018. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/repository.uclawsf.edu\/hastings_constitutional_law_quaterly\/vol45\/iss3\/7\/\">https:\/\/repository.uclawsf.edu\/hastings_constitutional_law_quaterly\/vol45\/iss3\/7\/<\/a>. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>LEE, S. I.&nbsp;<strong>A crise monet\u00e1ria coreana de 1997<\/strong>. 2002. 96 p. Disserta\u00e7\u00e3o \u2014 USP, S\u00e3o Paulo, 2002. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/12\/12138\/tde-27072022-112623\/publico\/MsSangIkLee.pdf\">https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/12\/12138\/tde-27072022-112623\/publico\/MsSangIkLee.pdf<\/a>. Acesso em: 5 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>LIMA, Diogo Shimizu. O Expansionismo Territorial Nip\u00f4nico.&nbsp;<strong>GEAP-PUC\/SP<\/strong>, p.&nbsp;15, 2006. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.pucsp.br\/geap\/artigos\/diogo-japao.PDF\">https:\/\/www.pucsp.br\/geap\/artigos\/diogo-japao.PDF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>MASIERO, Gilmar. A Economia Coreana: Caracter\u00edsticas Estruturais.&nbsp;<em>In<\/em>: SEMIN\u00c1RIO SOBRE BRASIL E COREIA DO SUL, 2000, Rio de Janeiro.&nbsp;<strong>Semin\u00e1rio sobre Brasil e Coreia do Sul<\/strong>. [<em>S.&nbsp;l.<\/em>:&nbsp;<em>s.&nbsp;n.<\/em>]. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www4.pucsp.br\/geap\/artigos\/art6.PDF\">https:\/\/www4.pucsp.br\/geap\/artigos\/art6.PDF<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MIN, Pyong Gap. \u201cKorean \u2018Comfort Women\u2019: The Intersection of Colonial Power, Gender, and Class.\u201d&nbsp;<strong>Gender and Society<\/strong>, vol. 17, no. 6, 2003, pp. 938\u201357.&nbsp;<em>JSTOR<\/em>,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/3594678\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/3594678<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>PARK, Cheol Hee. South Korean Views of Japan: A Polarizing Split in Coverage.&nbsp;<strong>Joint U.S.-Korea Academic Studies<\/strong>, p.&nbsp;171-185, 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/keia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/kei_jointus-korea_2020_2.4.pdf\">https:\/\/keia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/kei_jointus-korea_2020_2.4.pdf<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>PARK, Han-na.&nbsp;<strong>3 years after &#8216;No Japan&#8217; boycott, sentiment toward Japan starts to thaw<\/strong>.&nbsp;11&nbsp;set. 2022. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.koreaherald.com\/view.php?ud=20220906000840\">https:\/\/www.koreaherald.com\/view.php?ud=20220906000840<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>SAKAMOTO, Rumi; ALLEN, Matthew. &#8220;Hating &#8216;The Korean Wave'&#8221; Comic Books: A sign of New Nationalism in Japan?&nbsp;<strong>The Asia- Pacific Journal<\/strong>, v.&nbsp;5, n.&nbsp;10, 2007. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/apjjf.org\/-Rumi-SAKAMOTO\/2535\/article.html\">https:\/\/apjjf.org\/-Rumi-SAKAMOTO\/2535\/article.html<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>SHARKEY, C. Japanese far-right hate group helped popularize anti-Korean sentiment.&nbsp;<strong>Notre Dame News<\/strong>, 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/news.nd.edu\/news\/japanese-far-right-hate-group-helped-popularize-anti-korean-sentiment\/\">https:\/\/news.nd.edu\/news\/japanese-far-right-hate-group-helped-popularize-anti-korean-sentiment\/<\/a>.&nbsp;Acesso em: 05 de julho de 2024<\/p>\n\n\n\n<p>SHIBUICHI, D. \u201cZaitokukai and the Problem with Hate Groups in Japan.\u201d<strong>&nbsp;Asian Survey<\/strong>, vol. 55, no. 4, 2015, pp. 715\u201338.&nbsp;<em>JSTOR<\/em>, https:\/\/doi.org\/10.1525\/as.2015.55.4.715.&nbsp;Acesso em: 6 de jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>SOUZA, M. Os novos fluxos midi\u00e1ticos da cultura pop coreana.&nbsp;<strong>Galaxia<\/strong>, N\u00ba. 29, p. 297-300, jun. 2015. Dispon\u00edvel em: http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1982-25542015104.&nbsp;Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p>SOH, Chung Hee Sarah. \u201cThe Korean \u2018Comfort Women\u2019: Movement for Redress.\u201d&nbsp;<strong>Asian Survey<\/strong>, vol. 36, no. 12, 1996, pp. 1226\u201340.&nbsp;<em>JSTOR<\/em>, https:\/\/doi.org\/10.2307\/2645577. Acesso:<\/p>\n\n\n\n<p>UGN\u00c9, M.&nbsp;<strong>Anti-Korean Wave and Far-Right Wing Nationalism in Japan<\/strong>.&nbsp;2015. 35 p. Tese de Bacharelado \u2014 Leiden University, 2015. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/hdl.handle.net\/1887\/33619\">https:\/\/hdl.handle.net\/1887\/33619<\/a>.&nbsp;Acesso em: 5 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>WENDT, Alexander. \u201cAnarchy Is What States Make of It: The Social Construction of Power Politics.\u201d&nbsp;<strong>International Organization<\/strong>, vol. 46, no. 2, 1992, pp. 391\u2013425.&nbsp;<em>JSTOR<\/em>,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/2706858\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/2706858<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>TAMAMOTO, M. \u201cA Land without Patriots: The Yasukuni Controversy and Japanese Nationalism.\u201d&nbsp;World Policy Journal, vol. 18, no. 3, 2001, p. 33\u201340. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.jstor.org\/stable\/40209758&gt;. Acesso em:05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CHOI, K. J. The Republic of Korea\u2019s Public Diplomacy Strategy: History and Current Status. USC Center of Public Diplomacy, 2019. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/uscpublicdiplomacy.org\/sites\/uscpublicdiplomacy.org\/files\/The%20Republic%20\">https:\/\/uscpublicdiplomacy.org\/sites\/uscpublicdiplomacy.org\/files\/The%20Republic%20<\/a>of%20Korea%27s%20Public%20Diplomacy%20Strategy%20Web%20Ready_2.3.19.pdf. Acesso em: 05 jul. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>WARD, T; LAY, W.&nbsp;<strong>The Origins and Implementation of the Comfort Women System<\/strong>.&nbsp;14 dez. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.e-ir.info\/2018\/12\/14\/the-origins-and-implementation-of-the-comfort-women-system\/. Acesso em: 05 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;No original: \u201c<em>transnational pop culture<\/em>\u201d(KOCIS, 2011,p. 11)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;No original: \u201c<em>&nbsp;[&#8230;] popularity of dramas, music and film in East Asia, [&#8230;]<\/em>\u201d (UGN\u00c9, 2015, p. 5)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;No original: \u201c<em>[&#8230;] played a strong role in producing an attraction to (South) Korea among Japanese consumers<\/em>\u201d (BAUDINETTE, 2019,p. 6)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Segundo Tamamoto (2001, p. 33), o Templo Yasukuni representa \u201conde os esp\u00edritos de 2.5 milh\u00f5es de soldados japoneses mortos em guerra, incluindo aqueles executados pelos Aliados como criminosos de guerra, s\u00e3o consagrados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;No original: \u201c&nbsp;<em>[&#8230;] these visits were highly public and symbolic attempts to legitimize Japan\u2019s aggression prior to and during the war<\/em>.\u201d (HUNDT; BLEIKER, 2007, p.77)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;No original:&nbsp;<em>[&#8230;] insistence on maintaining these visits seem to be linked to the perceived need to establish a more self-confident sense of national identity, one that is linked to pride about Japan\u2019s role in the region and the world as a whole.\u201d<\/em>&nbsp;(HUNDT; BLEIKER, 2007, p. 79)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;No original<em>:\u201d[&#8230;] allegations of welfare fraud, especially if committed by foreigners and minorities, have recently become a heated topic in the mass media.\u201d<\/em>&nbsp;(SHIBUICHI, 2015, p. 721)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;No original: \u201c<em>displaying militaristic kyokujitsuki (rising-sun flag), and chanting such slogans as \u2018Kankokujin wa kaere\u2019 (South-koreans go home) [&#8230;]<\/em>\u201d (FOCUS, 2013)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/F5976E36-A3F2-4D7D-8AE5-2731DE604EC1#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0No original: \u201c<em>[&#8230;] a hatred or dislike directed towards the popular culture of South Korea, be it music, film, actor or singers, [&#8230;] which widely involves hatred towards the people and\/or the country.<\/em>\u201d\u00a0(UGN\u00c9, 2015, P. 7)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Qu\u00e9zia Silva Costa<\/strong> \u00e9 Mestranda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Graduada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Centro Universit\u00e1rio La Salle-RJ. Interessada em estudos sobre a \u00c1sia, sobretudo Leste Asi\u00e1tico. Atuou como pesquisadora associada \u00e0 curadoria de Coreia do Sul da Coordenadoria de Estudos da \u00c1sia (CEASIA-UFPE) do Centro de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade Federal de Pernambuco (CEA-UFPE), onde desenvolveu projetos de pesquisa sobre cultura e g\u00eanero na Coreia do Sul. Em extens\u00e3o aos seus projetos de pesquisa sobre a Coreia do Sul, aprofundou-se no tema em seu trabalho de conclus\u00e3o de curso, intitulado como O Papel das Identidades Estatais Sino-Japonesas na Onda Coreana: Uma an\u00e1lise sobre os limites de alcance da Hallyu, pelo qual foi indicado \u00e0 publica\u00e7\u00e3o. Suas \u00e1reas de interesse em pesquisa s\u00e3o: Geopol\u00edtica do Leste Asi\u00e1tico; Pol\u00edtica Internacional; Estudos Culturais; Onda Coreana; Rela\u00e7\u00f5es Bilaterais Coreia do Sul-Jap\u00e3o; Rela\u00e7\u00f5es Bilaterais Sino-Coreanas. 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