{"id":3294,"date":"2024-11-25T09:03:00","date_gmt":"2024-11-25T12:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3294"},"modified":"2024-11-20T00:08:34","modified_gmt":"2024-11-20T03:08:34","slug":"o-crescimento-economico-indiano-pos-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3294","title":{"rendered":"O CRESCIMENTO ECON\u00d4MICO INDIANO P\u00d3S-INDEPEND\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Especial: \u00c1sia<\/p>\n\n\n\n<p>Volume 11 | N\u00famero 113 | Nov. 2024<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Lucas Feitosa Vidal<\/p>\n\n\n\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A trajet\u00f3ria econ\u00f4mica da \u00cdndia no \u00faltimo s\u00e9culo \u00e9, sem d\u00favidas, uma das mais impressionantes da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. Ap\u00f3s conquistar sua independ\u00eancia em 1947, o pa\u00eds se via em uma situa\u00e7\u00e3o extremamente prec\u00e1ria, com por volta de 80%&nbsp;da popula\u00e7\u00e3o vivendo abaixo da linha de&nbsp;pobreza de 2.200 calorias di\u00e1rias. Em apenas meio s\u00e9culo, contudo, a \u00cdndia conseguiu transformar radicalmente esse cen\u00e1rio, e, em 2022, esse n\u00famero j\u00e1 havia ca\u00eddo para 9%<a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Este artigo tem como objetivo explicar esse crescimento t\u00e3o expressivo e apontar os fatores que contribu\u00edram para a transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da \u00cdndia. Para isso, ser\u00e3o estudados, por meio de revis\u00e3o da literatura econ\u00f4mica existente, os diferentes per\u00edodos da economia indiana, buscando entender os impactos de suas pol\u00edticas nos curto e longo prazos, e como elas ajudaram a moldar o atual crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1 A ERA NEHRU<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nos anos ap\u00f3s sua independ\u00eancia, a \u00cdndia ainda era uma na\u00e7\u00e3o jovem, que buscava se afirmar e estabelecer sua autonomia. Esse desejo guiou fortemente o governo de Jawaharlal Nehru, primeiro-ministro indiano de 1947 at\u00e9 1964, cuja vis\u00e3o de um pa\u00eds independente e socialmente justo viria a moldar a economia indiana pelas&nbsp;tr\u00eas d\u00e9cadas seguintes. Influenciado por ideais socialistas e pelo modelo sovi\u00e9tico, a pol\u00edtica de Nehru era baseada em desenvolvimento impulsionado pelo Estado, e focada em ind\u00fastrias de base e no controle estatal sobre a economia. Por mais que essas medidas tenham ajudado a estruturar a ind\u00fastria indiana e a desvencilhar o pa\u00eds da estagna\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica do per\u00edodo colonial, elas acabaram contribuindo para a chamada Taxa de Crescimento Hindu (\u201cHindu Rate of Growth\u201d), um per\u00edodo de 1950 a 1980 marcado por crescimento econ\u00f4mico baixo quando comparado ao de outros pa\u00edses em desenvolvimento \u2013 por volta de 3,5% ao ano (VIRMANI, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pol\u00edtica de Nehru era inteiramente baseada no planejamento econ\u00f4mico centralizado por meio de Planos Quinquenais, formulados, por sua vez, pela Comiss\u00e3o de Planejamento.&nbsp;&nbsp;O Segundo Plano Quinquenal (1956-1961) priorizou investimentos na ind\u00fastria de base, com o objetivo de criar uma base&nbsp;industrial robusta que gerasse efeitos multiplicadores, difundindo benef\u00edcios por diversos setores da economia, conforme previsto pelo Modelo Mahalanobis<a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, que exerceu forte influ\u00eancia sobre a pol\u00edtica de Nehru. No entanto, esse modelo orientado pela oferta ignorou a demanda imediata por trabalho, em uma sociedade agr\u00e1ria e rica em m\u00e3o de obra. O investimento em ind\u00fastria de base foi intensivo em capital e, portanto, limitado em termos de cria\u00e7\u00e3o de empregos, deixando uma grande parcela da for\u00e7a de trabalho, especialmente nas \u00e1reas rurais, sem poder participar ou se beneficiar do crescimento industrial&nbsp;(BALAKRISHNAN, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Refor\u00e7ando ainda mais o papel do Estado na industrializa\u00e7\u00e3o, Nehru atribuiu \u00e0s empresas p\u00fablicas o papel de lideran\u00e7a em setores centrais como a\u00e7o e energia, de forma que o estado pudesse controlar os&nbsp;principais recursos e determinar as prioridades nacionais. Esse dom\u00ednio foi executado em conjunto \u00e0 estrat\u00e9gia de Industrializa\u00e7\u00e3o por Substitui\u00e7\u00e3o de Importa\u00e7\u00f5es (ISI), que visava proteger as ind\u00fastrias dom\u00e9sticas da concorr\u00eancia estrangeira por meio de altas tarifas, cotas e pol\u00edticas comerciais restritivas. Contudo, essa estrat\u00e9gia isolou as empresas dom\u00e9sticas de press\u00f5es competitivas, levando a inefici\u00eancias e \u00e0 aus\u00eancia de grandes incentivos para melhorias na produtividade. Assim, as empresas p\u00fablicas&nbsp;e as ind\u00fastrias protegidas frequentemente possu\u00edam baixa&nbsp;produtividade e inova\u00e7\u00e3o, limitando sua capacidade de atender \u00e0 crescente demanda dom\u00e9stica&nbsp;(WILLIAMSON&nbsp;e&nbsp;ZAGHA, 2002;&nbsp;TOPALOVA, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m disso, o r\u00edgido ambiente regulat\u00f3rio do per\u00edodo agravava ainda mais esses desafios. Para coordenar o crescimento industrial, o governo estabeleceu um complexo sistema de licen\u00e7as e controles conhecido como&nbsp;\u201c<em>License Raj<\/em>\u201d. Essa burocracia&nbsp;exigia que as empresas obtivessem a aprova\u00e7\u00e3o do governo para quase todas as suas opera\u00e7\u00f5es, desde o estabelecimento de novas empresas at\u00e9 a importa\u00e7\u00e3o de bens de capital e a expans\u00e3o de suas atividades(WILLIAMSON&nbsp;e&nbsp;ZAGHA, 2002). Como consequ\u00eancia, havia barreiras administrativas significativas ao empreendedorismo, que desencorajavam a participa\u00e7\u00e3o no setor privado e a expans\u00e3o de empresas&nbsp;(KOTWAL&nbsp;et al., 2011), assim como tamb\u00e9m facilitavam a corrup\u00e7\u00e3o&nbsp;(MUKHERJI, 2013). Isto limitou o crescimento do setor privado, restringindo seu potencial para gerar empregos&nbsp;e diversificar a economia&nbsp;(WILLIAMSON&nbsp;e&nbsp;ZAGHA, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A agricultura, que empregava a enorme maioria da popula\u00e7\u00e3o, ocupou uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na&nbsp;estrat\u00e9gia econ\u00f4mica de Nehru. Embora o governo tenha realizado alguns investimentos no setor, a agricultura foi ofuscada pela ind\u00fastria de base nos planos nacionais&nbsp;(BALAKRISHNAN, 2007). Esse investimento limitado resultou em baixa produtividade agr\u00edcola, o que restringiu tanto a renda rural quanto o crescimento da demanda. O lento avan\u00e7o da agricultura prejudicou o desenvolvimento econ\u00f4mico mais amplo, pois deixou as fam\u00edlias rurais com poder de compra restrito e manteve grande parte da popula\u00e7\u00e3o em atividades de baixa produtividade. Essa estagna\u00e7\u00e3o na renda rural limitou a demanda por bens industriais e atrasou a transi\u00e7\u00e3o para setores mais produtivos, como manufatura e servi\u00e7os \u2013 essenciais para um crescimento sustent\u00e1vel e para a gera\u00e7\u00e3o de empregos a longo prazo&nbsp;(DAS&nbsp;et al., 2021;&nbsp;BALAKRISHNAN, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Houve diversos avan\u00e7os na economia indiana durante o governo Nehru. Notavelmente, o pa\u00eds conseguiu se desvencilhar das pol\u00edticas coloniais exploradoras e iniciar o processo de supera\u00e7\u00e3o da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica desseper\u00edodo. Criou-se uma base industrial, que ajudou a reduzir a depend\u00eancia nacional de importa\u00e7\u00f5es em setores estrat\u00e9gicos, e a cria\u00e7\u00e3o de um setor p\u00fablico forte permitiu o desenvolvimento de uma infraestrutura de servi\u00e7os como energia e transportes, que seria crucial para o crescimento futuro. Essa abordagem trouxe uma transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gradual e resgatou a economia indiana da escassez estrutural e baixa produtividade do per\u00edodo colonial, tornando o pa\u00eds mais aut\u00f4nomo e menos vulner\u00e1vel ao longo das&nbsp;d\u00e9cadas seguintes&nbsp;(BALAKRISHNAN, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No entanto, a estrat\u00e9gia de Nehru acabou criando tamb\u00e9m grandes problemas estruturais que limitaram o potencial econ\u00f4mico da \u00cdndia por muitos anos. A forte \u00eanfase nas ind\u00fastrias de base, em conjunto com pol\u00edticas restritivas ao empreendedorismo, contribuiu para um sistema com alta inefici\u00eancia, baixa produtividade e cria\u00e7\u00e3o insuficiente de empregos. O foco do setor p\u00fablico nos investimentos intensivos em capital, tamb\u00e9m, n\u00e3o acomodou a abund\u00e2ncia de m\u00e3o de obra da \u00cdndia, e o escanteamento da agricultura restringiu o crescimento em um setor cr\u00edtico para o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. A mistura desses fatores criou um ambiente onde o crescimento econ\u00f4mico era naturalmente restrito, e veio a se configurar como a Taxa de Crescimento Hindu&nbsp;(DAS&nbsp;et al., 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2&nbsp;&nbsp;O PRIMEIRO GOVERNO DE INDIRA GANDHI<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A economia indiana sob Indira Gandhi, primeira-ministra de 1966 a 1977, manteve elementos centrais das pol\u00edticas de Nehru, introduzindo, no entanto, mudan\u00e7as not\u00e1veis. A \u00eanfase de Nehru no desenvolvimento orientado pelo Estado e nas ind\u00fastrias de base continuou, mas, sob Indira Gandhi, houve um aumento do controle e da interven\u00e7\u00e3o estatais, ampliando as nacionaliza\u00e7\u00f5es, incluindo bancos e setores estrat\u00e9gicos, al\u00e9m de implementar controles de importa\u00e7\u00e3o mais r\u00edgidos e aumentar os requisitos de licenciamento industrial&nbsp;(NAYAR, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essas pol\u00edticas visavam promover autossufici\u00eancia e desenvolvimento igualit\u00e1rio, mas acabaram sufocando o investimento privado e a concorr\u00eancia. Al\u00e9m disso, a abordagem de Indira Gandhi priorizava cada vez mais a consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, usando medidas econ\u00f4micas para garantir a base de poder do partido, o que muitas vezes comprometia a efici\u00eancia econ\u00f4mica do pa\u00eds. Nehru, em contraste, buscou um equil\u00edbrio entre o papel do Estado e a iniciativa privada&nbsp;(HANKLA, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma das principais iniciativas econ\u00f4micas de&nbsp;Indira Gandhi&nbsp;foi a&nbsp;nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos em 1969, queenvolveu a transfer\u00eancia de 14 grandes bancos privados para o controle estatal. A medida visava&nbsp;promover uma expans\u00e3o mais inclusiva dos servi\u00e7os financeiros,&nbsp;facilitando&nbsp;o cr\u00e9dito rural e direcionando&nbsp;recursos para setores priorit\u00e1rios, como agricultura e pequenas ind\u00fastrias, negligenciados&nbsp;pelo&nbsp;sistema banc\u00e1rio privado. Essa medida impulsionou a rede banc\u00e1ria, especialmente em&nbsp;zonas&nbsp;rurais, levando a um aumento das taxas de poupan\u00e7a dom\u00e9stica e melhorando o acesso ao cr\u00e9dito.&nbsp;No entanto, a nacionaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m gerou&nbsp;problemas&nbsp;econ\u00f4micos, como o surgimento de inefici\u00eanciasfinanceiras, a politiza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es de cr\u00e9dito e um aumento na quantidade de ativos n\u00e3o produtivos&nbsp;(NAYAR, 2006).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O impacto econ\u00f4mico dessas pol\u00edticas foi significativo. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu&nbsp;para 2,9% ao ano, uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o aos 4,1% do per\u00edodo de Nehru. O crescimento agr\u00edcola, tamb\u00e9m, caiu para 1,4% ao ano, metade da taxa anterior. O aumento dos \u00cdndices de Produ\u00e7\u00e3o de Capital Incremental (ICORs) \u2013 investimento divido pelo&nbsp;crescimento econ\u00f4mico \u2013 em diversos setores tamb\u00e9m apontava para um aumento das inefici\u00eancias e a m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o de recursos \u2013 na agricultura, por exemplo, o ICOR triplicou&nbsp;(VIRMANI,&nbsp;2004).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m disso, crises externas agravaram esses desafios. A guerra de 1965 com o Paquist\u00e3o, secas severas e os choques globais do petr\u00f3leo em 1973 e 1979 pressionaram ainda mais a economia indiana, que dependia do petr\u00f3leo importado, criando problemas no balan\u00e7o de pagamentos&nbsp;(NAYAR, 2006;&nbsp;MUKHERJI, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, no final da d\u00e9cada de 1970, surgiu um reconhecimento gradual de que o modelo vigente tinha limita\u00e7\u00f5es, levando a alguns passos iniciais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 desregulamenta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como licenciamento e controles de importa\u00e7\u00e3o(NAYAR, 2006). Esses movimentos modestos lan\u00e7aram as bases para as reformas mais significativas que moldariam a economia da \u00cdndia nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3&nbsp;&nbsp;O IN\u00cdCIO DA LIBERALIZA\u00c7\u00c3O NA D\u00c9CADA DE 1980<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a economia indiana enfrentava estagna\u00e7\u00e3o, alta infla\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o social, o que levou a uma reavalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das pol\u00edticas socialistas&nbsp;do pa\u00eds. Ap\u00f3s o primeiro choque do petr\u00f3leo, em 1973, o governo come\u00e7ou a implementar, por volta de 1974-75, as primeiras medidas de liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Essas mudan\u00e7as, ainda limitadas, inclu\u00edam relaxamento de certos controles estatais, incentivos \u00e0s&nbsp;exporta\u00e7\u00f5es e medidas trabalhistas para conter a infla\u00e7\u00e3o&nbsp;(NAYAR, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;J\u00e1 na d\u00e9cada de 1980, a pol\u00edtica econ\u00f4mica evoluiu de forma mais gradual, indo em dire\u00e7\u00e3o a um ambiente mais favor\u00e1vel aos neg\u00f3cios. Sob a lideran\u00e7a de Indira Gandhi e depois de Rajiv Gandhi, o foco mudou de redistribui\u00e7\u00e3o e desenvolvimento estatal para pol\u00edticas que incentivassem o investimento privado e apoiassem grandes empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A liberaliza\u00e7\u00e3o dos anos 1980 visava aumentar a lucratividade das empresas existentes, sem necessariamente promover um mercado mais competitivo. As medidas adotas inclu\u00edram, por&nbsp;exemplo, concess\u00f5es fiscais, diminui\u00e7\u00e3o de certas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, incentivos ao investimento privado em setores p\u00fablicos, facilita\u00e7\u00e3o de licenciamento de importa\u00e7\u00e3o, dilui\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de controles de pre\u00e7os etc. De forma geral, reduziu-se a interven\u00e7\u00e3o do governo nesse per\u00edodo, ajustando gradualmente a economia a menor controle estatal, sem, entretando, adotar uma postura completamente pr\u00f3-mercado&nbsp;(KOHLI, 2006a).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O governo continuou, nesse per\u00edodo, a investir fortemente em infraestrutura, considerada essencial para apoiar&nbsp;o setor privado. Setores como carv\u00e3o, energia e ferrovias receberam investimentos para resolver problemas de infraestrutura escassa e para estimular o crescimento econ\u00f4mico. Embora essas pol\u00edticas tenham impulsionado o PIB e o setor privado, o foco em apoiar grandes empresas ao inv\u00e9s de promover concorr\u00eancia total indicava uma abordagem cautelosa \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o&nbsp;(KOHLI, 2006a).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Apesar do aumento no crescimento econ\u00f4mico nacional, essa abordagem tamb\u00e9m trouxe consequ\u00eancias macroecon\u00f4micas negativas, notavelmente o crescente d\u00e9ficit fiscal. As pol\u00edticas de incentivo ao setor privado e o aumento dos gastos p\u00fablicos elevaram o d\u00e9ficit de 5,4% do PIB no final dos anos 1970 para quase 10% no final dos anos 1980&nbsp;(MUKHERJI, 2013). Esse d\u00e9ficit foi impulsionado por uma combina\u00e7\u00e3o de aumento de gastos e redu\u00e7\u00e3o de receitas tribut\u00e1rias, criando press\u00f5es fiscais insustent\u00e1veis que contribu\u00edram para a instabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds(PANAGARIYA, 2004;&nbsp;MUKHERJI, 2013;&nbsp;KOHLI, 2006a).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em resumo, as pol\u00edticas econ\u00f4micas do final dos anos 1970 e 1980 estimularam o crescimento, mas tamb\u00e9m abriram caminho para instabilidade no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. A postura pr\u00f3-neg\u00f3cios e o aumento de gastos p\u00fablicos incentivaram o investimento privado e o desenvolvimento de infraestrutura, mas resultaram em d\u00e9ficits fiscais e correntes elevados, al\u00e9m de uma crescente depend\u00eancia de empr\u00e9stimos externos&nbsp;(KOHLI, 2006a). No final dos anos 1980, a \u00cdndia enfrentava grandes problemas econ\u00f4micos que culminariam na crise de 1991, tornando clara a necessidade de uma reforma econ\u00f4mica mais abrangente, que o pa\u00eds viria a adotar na d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>4&nbsp;&nbsp;TRANSFORMA\u00c7\u00c3O ECON\u00d4MICA EM 1991<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As reformas dos anos 1980, embora tenham gerado crescimento, tamb\u00e9m levaram a&nbsp;d\u00e9ficits fiscais e correntes elevados, uma maior depend\u00eancia de d\u00edvida externa e vulnerabilidade a choques externos. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, esses desequil\u00edbrios chegaram ao limite, resultando na crise econ\u00f4mica de 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A crise de 1991 foi uma crise de balan\u00e7o de pagamentos, caracterizada por uma queda t\u00e3o grave nas reservas de c\u00e2mbio que o pa\u00eds estava \u00e0 beira da inadimpl\u00eancia pela primeira vez em sua hist\u00f3ria. Fatores como a Guerra do Golfo, o colapso do bloco sovi\u00e9tico e o aumento das taxas de juros globais agravaram a j\u00e1 complicada situa\u00e7\u00e3o fiscal. A instabilidade pol\u00edtica, com sucessivas trocas de governo e o assassinato de Rajiv Gandhi<a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, prejudicou ainda mais a confian\u00e7a dos investidores e credores&nbsp;(CERRA e SAXENA, 2002). Diante da iminente inadimpl\u00eancia, o governo lan\u00e7ou um programa abrangente de reformas sob a lideran\u00e7a do primeiro-ministro P.V. Narasimha Rao e do Ministro das Finan\u00e7as Manmohan Singh.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essas reformas marcaram uma mudan\u00e7a significativa, afastando-se ainda mais do modelo estatal&nbsp;em dire\u00e7\u00e3o a uma economia de mercado. O desmantelamento do&nbsp;<em>License Raj<\/em>, primeiramente, foi central, pois removeu exig\u00eancias de licenciamento para a maioria das ind\u00fastrias e aliviou a regula\u00e7\u00e3o sobre grandes empresas, aumentando a competitividade e abertura ao empreendedorismo, permitindo um ambiente econ\u00f4mico mais din\u00e2mico e eficiente&nbsp;(KOTWAL&nbsp;et al., 2011;&nbsp;WILLIAMSON e ZAGHA, 2002)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outro pilar das reformas foi a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, com a redu\u00e7\u00e3o de tarifas de importa\u00e7\u00e3o, a elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es e a desvaloriza\u00e7\u00e3o da rupia para impulsionar as exporta\u00e7\u00f5es. A \u00cdndia tamb\u00e9m abriu&nbsp;o setor de investimento estrangeiro, permitindo at\u00e9 51% de participa\u00e7\u00e3o em setores priorit\u00e1rios e acesso ao mercado de a\u00e7\u00f5es indiano para investidores institucionais estrangeiros&nbsp;(KOTWAL&nbsp;et al., 2011). Essas mudan\u00e7as foram projetadas para atrair capital, tecnologia e experi\u00eancia estrangeiros, modernizando a ind\u00fastria indiana.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No setor financeiro, o governo adotou medidas para fortalecer os bancos e o mercado de capitais, como a liberaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros, a entrada de bancos privados e estrangeiros, e o desinvestimento seletivo&nbsp;em empresas estatais&nbsp;(MUKHERJI, 2013). Embora limitada, essa privatiza\u00e7\u00e3o parcial marcou uma transi\u00e7\u00e3o para uma economia mista, com um papel mais relevante para o setor privado. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) desempenhou um papel crucial&nbsp;nessa transi\u00e7\u00e3o, oferecendo um empr\u00e9stimo com condi\u00e7\u00f5es, como a consolida\u00e7\u00e3o fiscal, ajustes cambiais e, de fato, a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial&nbsp;(MUKHERJI, 2013;&nbsp;KOHLI, 2006b).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As reformas estabilizaram a economia a curto prazo, melhorando as reservas de c\u00e2mbio e atraindo capital. O crescimento do PIB se recuperou, e em 1992-93, a situa\u00e7\u00e3o cambial estava estabilizada&nbsp;(VIRMANI, 2001). No entanto, a abertura econ\u00f4mica tamb\u00e9m trouxe desafios, expondo ind\u00fastrias de pequena escala \u00e0 concorr\u00eancia internacional e gerando press\u00f5es internas&nbsp;(KOHLI, 2006b).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A longo prazo, essas reformas remodelaram a economia indiana, promovendo um modelo orientado para o mercado e impulsionando o setor privado. O setor de servi\u00e7os se destacou como uma for\u00e7a motriz para o crescimento, e a \u00cdndia se integrou \u00e0 economia global, expandindo suas exporta\u00e7\u00f5es e atraindo mais capital estrangeiro. No entanto, cr\u00edticos apontam que as reformas beneficiaram mais as grandes empresas, enquanto pequenas e m\u00e9dias empresas enfrentaram dificuldades&nbsp;(KOTWAL et al., 2011;&nbsp;KOHLI, 2006b).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As reformas tamb\u00e9m impactaram a agricultura e a desigualdade de renda. A liberaliza\u00e7\u00e3o financeira reduziu o cr\u00e9dito para a agricultura e o crescimento agr\u00edcola desacelerou, contribuindo para uma crise rural. Principalmente, a desigualdade de renda aumentou, \u00e0 medida que as grandes empresas em \u00e1reas urbanas se beneficiaram mais das reformas do que as popula\u00e7\u00f5es rurais&nbsp;(KOTWAL et al., 2011; KOHLI, 2006b).<\/p>\n\n\n\n<p>5&nbsp;&nbsp;P\u00d3S-1991<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No final da d\u00e9cada de 1990, ap\u00f3s as reformas de 1991, a economia da \u00cdndia havia feito a transi\u00e7\u00e3o para um modelo mais liberalizado e globalmente integrado. O crescimento econ\u00f4mico teve uma m\u00e9dia de cerca de 6% no final da d\u00e9cada, posicionando a \u00cdndia entre as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento que mais cresciam na \u00e9poca&nbsp;(KOTWAL et al., 2011). Este per\u00edodo viu o aumento da estabilidade, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e um aumento significativo do setor de servi\u00e7os. Muitos dos desafios persistiram ainda, particularmente com o d\u00e9ficit fiscal e as finan\u00e7as p\u00fablicas como um todo&nbsp;(KOHLI, 2006b), mas as bases estabelecidas na d\u00e9cada de 1980 e solidificadas pelas reformas de 1991 haviam colocado a \u00cdndia agora em uma nova trajet\u00f3ria de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Entrando na d\u00e9cada de 2000, o crescimento econ\u00f4mico da \u00cdndia acelerou ainda mais,&nbsp;atingindo uma m\u00e9dia de&nbsp;8%&nbsp;no&nbsp;per\u00edodo de&nbsp;2002&nbsp;a&nbsp;2007, impulsionado pelo crescente setor de servi\u00e7os, que inclu\u00eda finan\u00e7as, telecomunica\u00e7\u00f5es e TI(DAS et al., 2021). Esta d\u00e9cada foi marcada por mais liberaliza\u00e7\u00e3o&nbsp;(NAGARAJ, 2000), particularmente no&nbsp;que diz respeito ao aumento do&nbsp;investimento estrangeiro direto&nbsp;(KOTWAL&nbsp;et al., 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Acad\u00eamicos prop\u00f5em v\u00e1rias teorias para explicar o alto crescimento econ\u00f4mico da \u00cdndia no s\u00e9culo atual, atribuindo-o, normalmente,&nbsp;\u00e0 crescente postura pr\u00f3-neg\u00f3cios do governo&nbsp;(RODRIK&nbsp;e&nbsp;SUBRAMANIAN, 2004;&nbsp;NAYAR, 2006)&nbsp;ou \u00e0s melhorias na produtividade, especialmente no setor de servi\u00e7os&nbsp;(ROBERTSON, 2012;&nbsp;BALAKRISHNAN&nbsp;ePARAMESWARAN, 2007;&nbsp;KOTWAL et al., 2011;&nbsp;DAS et al., 2021). H\u00e1 diverg\u00eancias sobre o ponto de virada exato da trajet\u00f3ria de crescimento&nbsp;(BOSWORTH et al., 2007): enquanto alguns apontam para 1980, com a mudan\u00e7a de atitude do governo em rela\u00e7\u00e3o ao setor privado e pol\u00edticas mais favor\u00e1veis aos neg\u00f3cios \u2013 o que teria aumentado a confian\u00e7a dos investidores e promovido uma atividade empreendedora maior e mais livre, que lan\u00e7ou as bases para as liberaliza\u00e7\u00f5es seguintes&nbsp;(RODRIK e SUBRAMANIAN, 2004; NAYAR, 2006;&nbsp;BOSWORTH et al., 2007) \u2013 outros creditam as reformas de 1991, que trouxeram liberaliza\u00e7\u00e3o substancial e abriram a economia indiana para o mercado global&nbsp;(MUKHERJI, 2013; KOHLI, 2006b).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outro fator importante foi a base de manufatura criada durante a era da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, que, apesar de custosa no curto-prazo, preparou o terreno para o crescimento industrial&nbsp;(RODRIK e SUBRAMANIAN, 2004). A nacionaliza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria de 1969 tamb\u00e9m desempenhou papel crucial, expandindo o acesso ao cr\u00e9dito para \u00e1reas rurais e pequenas empresas,&nbsp;e&nbsp;impulsionando a atividade econ\u00f4mica em diversos setores&nbsp;(KOTWAL et al., 2011).&nbsp;Ainda que o investimento p\u00fablico em infraestrutura tenha diminu\u00eddo na d\u00e9cada de 1990, ele continuou sendo um apoio essencial ao crescimento, especialmente para o crescente setor privado&nbsp;(KOHLI, 2006b).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Notavelmente, a r\u00e1pida expans\u00e3o do setor de servi\u00e7os ap\u00f3s as reformas de 1991 foi essencial para o crescimento econ\u00f4mico dos anos seguintes, tornando-se rapidamente um dos setores mais din\u00e2micos da economia indiana. Ao contr\u00e1rio dos per\u00edodos anteriores, quando o setor era dominado por fun\u00e7\u00f5es governamentais, o p\u00f3s-reforma viu o fortalecimento de \u00e1reas como tecnologia e informa\u00e7\u00e3o (TI), telecomunica\u00e7\u00f5es e finan\u00e7as, impulsionado pela liberaliza\u00e7\u00e3o e pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Essa transforma\u00e7\u00e3o foi facilitada pela for\u00e7a de trabalho qualificada da \u00cdndia,&nbsp;consequ\u00eancia de investimentos no ensino superior, e permitiu que o pa\u00eds se tornasse um l\u00edder global em alguns desses setores&nbsp;(RODRIK e SUBRAMANIAN, 2004;&nbsp;DAS et al., 2021;&nbsp;KOTWAL et al., 2011).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, apesar da aus\u00eancia de consenso sobre as origens hist\u00f3ricas do crescimento econ\u00f4mico indiano contempor\u00e2neo, pode-se afirmar que&nbsp;a economia indiana atual \u00e9, sem d\u00favida, moldada por \u2013 e deve em grande parte seu sucesso a \u2013 uma combina\u00e7\u00e3o das reformas estruturais, mudan\u00e7as filos\u00f3ficas e crescente abertura ao mercado global que ocorreram ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n\n\n\n<p>BALAKRISHNAN, Pulapre; PARAMESWARAN, M. Understanding Economic Growth in India: A Prerequisite.&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>BALAKRISHNAN, Pulapre.&nbsp;The Recovery of India: Economic Growth in the Nehru Era.&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>BOSWORTH, Barry; COLLINS, Susan M.; VIRMANI, Arvind. Sources of Growth in the Indian Economy.&nbsp;<em>NBER Working Paper Series<\/em>, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>CERRA, Valerie; SAXENA, Sweta Chaman.&nbsp;What Caused the 1991 Currency Crisis in India?&nbsp;<em>IMF Staff Papers<\/em>, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>DAS, D. K.; ERUMBAN, A. A.; MALLICK, J. Economic Growth in India During 1950-2015: Nehruvian Socialism to Market Capitalism.&nbsp;<em>Journal of Economic Surveys<\/em>, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>HANKLA, Charles R. Party Linkages and Economic Policy: An Examination of Indira Gandhi\u2019s India.&nbsp;<em>Georgia State University<\/em>, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>KOHLI, Atul. Politics of Economic Growth in India, 1980-2005: Part I: The 1980s.&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2006a.<\/p>\n\n\n\n<p>KOHLI, Atul. Politics of Economic Growth in India, 1980-2005: Part II: The 1990s and Beyond.&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2006b.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;KOTWAL, Ashok; RAMASWAMI, Bharat; WADHWA, Wilima. Economic Liberalization and Indian Economic Growth: What\u2019s the Evidence?&nbsp;<em>Indian Statistical Institute<\/em>, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>MUKHERJI, Rahul. Ideas, Interests, and the Tipping Point: Economic Change in India.&nbsp;<em>Review of International Political Economy<\/em>, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>NAGARAJ, R. Indian&nbsp;Economy since 1980: Virtuous Growth or Polarisation?&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>NAYAR, Baldev Raj. When Did the&nbsp;\u2018Hindu\u2019&nbsp;Rate of Growth End?&nbsp;<em>Economic and Political Weekly<\/em>, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>PANAGARIYA, Arvind. India in the 1980s and 1990s: A Triumph of Reforms.&nbsp;<em>IMF Working Paper<\/em>, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>ROBERTSON, Peter E. Deciphering the Hindu Growth Epic.&nbsp;<em>Indian Growth and Development Review<\/em>, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIK, Dani; SUBRAMANIAN, Arvind. From&nbsp;\u201cHindu Growth\u201d to Productivity Surge: The Mystery of the Indian Growth Transition.&nbsp;<em>NBER Working Paper Series<\/em>, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>TOPALOVA, Petia. Factor&nbsp;Immobility and Regional Impacts of Trade Liberalization: Evidence on Poverty from India.&nbsp;<em>American Economic Journal: Applied Economics<\/em>, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>VIRMANI, Arvind. India\u2019s 1990-91 Crisis: Reforms, Myths and Paradoxes.&nbsp;<em>Planning Commission<\/em>, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>VIRMANI, Arvind. India\u2019s Economic Growth: From Socialist Rate of Growth to Bharatiya Rate of Growth.&nbsp;<em>Indian Council for Research on International Economic Relations (ICRIER)<\/em>, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>WILLIAMSON, John; ZAGHA, Roberto. From the Hindu Rate of Growth to the Hindu Rate of Reform.&nbsp;<em>Stanford University<\/em>, 2002.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;Dado extra\u00eddo&nbsp;de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.deccanchronicle.com\/opinion\/columnists\/180822\/how-did-we-do-in-75-years-clearly-better-than-most.html%23\"><em>www.deccanchronicle.com\/opinion\/columnists\/180822\/how-did-we-do-in-75-years-clearly-better-than-most.html#<\/em><\/a>. Acesso em 8\/11\/2024&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;Modelo econ\u00f4mico desenvolvido pelo estat\u00edstico indiano P.C. Mahalanobis, que fornecia uma base te\u00f3rica para aumentar a renda nacional por meio da industrializa\u00e7\u00e3o. Consiste em um modelo de economia fechada com dois setores (bens de capital e bens de consumo) em que o capital n\u00e3o sofre retornos decrescentes, de forma que um maior investimento inicial no setor de bens de capital aumenta o estoque futuro de capital, gerando maior investimento e produ\u00e7\u00e3o (Balakrishnan, 2007).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/C300C0BF-4BBF-4EC9-916B-8251149ACDA6#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Gandhi foi assassinado em 1991 por um membro do grupo militante sri-lanqu\u00eas Tigres de Libera\u00e7\u00e3o do Tamil Eelam,&nbsp;devido ao envolvimento indiano na guerra civil do Sri Lanka, para a qual Gandhi havia enviado for\u00e7as de peacekeeping para mediar entre o governo e os separatistas t\u00e2meis.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Lucas Feitosa Vidal<\/strong> \u00e9 graduando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais no Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID-UFRJ) e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Estudos Asi\u00e1ticos (LEA-IRID).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o Especial: \u00c1sia Volume 11 | N\u00famero 113 | Nov. 2024 Por Lucas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3272,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3295,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3294\/revisions\/3295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}