{"id":3339,"date":"2025-02-28T09:00:00","date_gmt":"2025-02-28T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3339"},"modified":"2025-02-27T00:45:08","modified_gmt":"2025-02-27T03:45:08","slug":"diferentes-perspectivas-sobre-imperialismo-acerca-da-guerra-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3339","title":{"rendered":"Diferentes perspectivas sobre Imperialismo acerca da Guerra da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 12 | N\u00famero 115 | Fev. 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1878\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/military-men-569899_1280-1-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>pixabay<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Gabriel Claudemiro Farias de Souza e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Luiz Felipe Brand\u00e3o Os\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, muito se percebe, tanto nos monop\u00f3lios de impressa, como nos meios intelectuais, apesar das diverg\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o de mundo, a tend\u00eancia \u00e0s an\u00e1lises sobre o internacional de apresentar elevado grau de crise ou constante conflito no campo das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. No fundamental, estas an\u00e1lises comumente apresentam um pessimismo quanto a melhoria da economia mundial, como tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o ao fim das guerras entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo-se que cada tipo de organiza\u00e7\u00e3o defende um prop\u00f3sito pol\u00edtico espec\u00edfico, representantes que s\u00e3o de determinadas classes e suas fra\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a seu modo, estas vis\u00f5es de mundo apresentam de fato um per\u00edodo hist\u00f3rico de regress\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica, ao se comparar com o que j\u00e1 apresentou o sistema internacional, em sua forma.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, determinadas an\u00e1lises na maioria dos casos se limitam a florear as Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais e seu papel de suposta neutralidade frente a crise econ\u00f4mica e os cataclismos pol\u00edticos e sociais que estouram em todo canto do globo, mascarando que, tanto o sistema internacional e as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o fruto do desenvolvimento do capitalismo e seu est\u00e1gio imperialista (OS\u00d3RIO, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o cen\u00e1rio de profundo caos no sistema financeiro, o qual a taxa de lucro advindo dos monop\u00f3lios tende a decrescer drasticamente; em per\u00edodo onde as crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas mais agudas e com menor espa\u00e7amento hist\u00f3rico se tornam a regra; em que h\u00e1 tend\u00eancia de agu\u00e7amento das guerras pela partilha do mundo e a disputa pelo lucro m\u00e1ximo, o aprofundamento das lutas dos povos do mundo, e o descr\u00e9dito da ordem de democracia liberal, n\u00e3o \u00e0 toa a percept\u00edvel volta da extrema direita no sistema internacional; percebe-se a viol\u00eancia pol\u00edtica mais aberta que toma novamente as r\u00e9deas da seara internacional, e a guerra na Ucr\u00e2nia funciona como um acelerador da crise intestina ao sistema imperialista. (KONICZ, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>No assunto a ser exposto, as diferentes vis\u00f5es de mundo se materializam em tr\u00eas polos, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra que toma palco na Ucr\u00e2nia, e que carregam prop\u00f3sitos pol\u00edticos diferentes. O objetivo do artigo \u00e9 o de ampliar o debate sobre o car\u00e1ter da guerra na regi\u00e3o, bem como apresentar assertivas sobre o imperialismo nos dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente do convencional, a proposta \u00e9 fornecer vis\u00e3o contr\u00e1ria ao discurso hegem\u00f4nico sobre a guerra, seja sobre suas limita\u00e7\u00f5es \u00e0 an\u00e1lise comportamental dos atores envolvidos, ou a moraliza\u00e7\u00e3o do conflito. Para tanto, o artigo vai se valer de uma t\u00e9cnica de pesquisa explanat\u00f3ria que apresenta aspectos qualitativos a partir de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nisso, o texto se estrutura em tr\u00eas cap\u00edtulos: o primeiro, sobre o contexto hist\u00f3rico da guerra; o segundo, sobre o panorama te\u00f3rico nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais; e o terceiro, an\u00e1lise concreta sobre a guerra. Em suma, considera-se que esse conflito se torna um divisor de \u00e1guas no cen\u00e1rio internacional n\u00e3o apenas do ponto de vista da pol\u00edtica internacional, mas tamb\u00e9m impactando teoricamente os debates sobre imperialismo atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HIST\u00d3RICO DE GUERRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A come\u00e7ar pelos antecedentes, a Guerra na Ucr\u00e2nia tem como pano de fundo as disputas, p\u00f3s-guerra fria, entre dois blocos distintos: o da R\u00fassia e o dos Estados Unidos, principalmente. Ap\u00f3s a Guerra Fria, as tens\u00f5es entre os dois pa\u00edses n\u00e3o arrefecem, mas sim, tomam uma outra forma.<\/p>\n\n\n\n<p>A OTAN, criada com o objetivo de frente militar e ideol\u00f3gica contra a \u201camea\u00e7a do bloco sovi\u00e9tico\u201d torna-se um aparelho robusto, resultado da hegemonia dos Estados Unidos e sua disputa por mercado e pela expans\u00e3o do d\u00f3lar pelo globo (CAMPOS, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Militarmente, considerando que os pa\u00edses-chave da Uni\u00e3o Europeia se mantiveram neutralizados, a R\u00fassia chega ao come\u00e7o do s\u00e9culo XXI como a \u00fanica pot\u00eancia capaz de fazer frente ao poderio b\u00e9lico dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, durante os anos, a principal aproxima\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para com a R\u00fassia foi pela via militar, diretamente ou por meio das amea\u00e7as, n\u00e3o somente pela disputa de \u00e1reas de influ\u00eancia para onde fosse poss\u00edvel o fluxo do d\u00f3lar, como tamb\u00e9m para minar o poderio da outra superpot\u00eancia, limitada ao arsenal at\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Disputas como na Crimeia; tamb\u00e9m historicamente na Ucr\u00e2nia, se fizeram presentes, pelas press\u00f5es diplom\u00e1ticas e militares que a OTAN confere \u00e0 R\u00fassia, com objetivo tanto de dominar os pa\u00edses que antes orbitavam na esfera de influ\u00eancia da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, como tamb\u00e9m minar o poderio militar russo, fazendo avan\u00e7ar defesas sofisticadas contra o arsenal militar da R\u00fassia, como as defesas anti-m\u00edssil.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente na hist\u00f3ria, o conflito atual tem muita influ\u00eancia da intensifica\u00e7\u00e3o da disputa entre as duas pot\u00eancias pela Ucr\u00e2nia: num cen\u00e1rio em que as massas da Ucr\u00e2nia v\u00e3o \u00e0s ruas por motivos os mais diversos, mas tendo como pano de fundo insatisfa\u00e7\u00f5es com medidas tomadas por governo pr\u00f3-R\u00fassia, de um lado os Estados Unidos e a OTAN usam do cen\u00e1rio para investir em mil\u00edcias de extrema-direita anti-R\u00fassia para disputar a dire\u00e7\u00e3o da insatisfa\u00e7\u00e3o popular e fazer press\u00e3o para que os protestos se tornassem a favor da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN; de outro, a R\u00fassia, e a defesa a regi\u00f5es da Ucr\u00e2nia onde havia influ\u00eancia de grupos pr\u00f3-R\u00fassia, fazendo frente \u00e0s press\u00f5es da OTAN e disputando a influ\u00eancia da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A linha central do conflito que conduziu ao atual embate geopol\u00edtico \u00e9 a poss\u00edvel expans\u00e3o da OTAN para o leste no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico. A Ucr\u00e2nia \u00e9 o objetivo geopol\u00edtico. Desde o golpe de 2014 apoiado pelo Ocidente, quando o ent\u00e3o governo pr\u00f3-russo de Yanukovych foi derrubado pelas for\u00e7as nacionalistas, Kiev tenta ingressar na OTAN e na UE, apesar da guerra civil, dos conflitos congelados e das quest\u00f5es territoriais n\u00e3o resolvidas, para tornar irrevers\u00edvel a integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds p\u00f3s-sovi\u00e9tico ao Ocidente (KONICZ, 2022).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Per\u00edodo conhecido como o Euromaidan, representa j\u00e1 naquela \u00e9poca, profunda crise do sistema imperialista como um todo, tendo como marco a consolida\u00e7\u00e3o do retorno da extrema-direita na cena pol\u00edtica internacional, e na Ucr\u00e2nia isso se d\u00e1 pelo financiamento da Otan \u00e0 mil\u00edcias neonazistas para desestabilizar o protesto popular, e ser a for\u00e7a de press\u00e3o \u00e0 ades\u00e3o do pa\u00eds ao bast\u00e3o de mando da OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado, o bast\u00e3o de mando na Ucr\u00e2nia, h\u00e1 anos sob comando da R\u00fassia, passa violentamente aos Estados Unidos, sob vi\u00e9s de ades\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 OTAN, mantendo pol\u00edtica de repress\u00e3o aos direitos democr\u00e1ticos do povo ucraniano, e na pr\u00e1tica aplicando medidas para isolar militarmente a pot\u00eancia russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por anos, desde o Euromaidan, as tens\u00f5es entre R\u00fassia e OTAN v\u00e3o se acirrando mais profundamente, como demonstrado na invas\u00e3o \u00e0 Crimeia por parte da R\u00fassia, e o acirramento da disputa diplom\u00e1tica entre as duas pot\u00eancias, passando mais ao car\u00e1ter militar da disputa, em que as duas pot\u00eancias justificam a interven\u00e7\u00e3o alheia para legitimar a sua. O cen\u00e1rio que faz a agress\u00e3o explodir na Ucr\u00e2nia tem rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com profunda crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica no sistema internacional, que leva a outro patamar as disputas entre pot\u00eancias por \u00e1reas de influ\u00eancia, motivo que intensifica a agress\u00e3o da R\u00fassia a na\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>No esteio do conflito, tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas se delineam: a que define o conflito enquanto produto exclusivo da agress\u00e3o imperialista russa; a posi\u00e7\u00e3o que denuncia como imperialista unicamente a chantagem do bloco EUA &#8211; OTAN; e a que classifica o conflito enquanto interimperialista. Dentre a discuss\u00e3o sobre o car\u00e1ter da guerra na Ucr\u00e2nia, se faz importante expandir as tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DIVIS\u00c3O TE\u00d3RICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a primeira, geralmente as an\u00e1lises tendem a classificar imperialismo enquanto pol\u00edtica de governo, e atitude pessoal de governante. Por isso, muitas das vezes, a facilidade em nomear Putin enquanto autorit\u00e1rio e os EUA\/OTAN enquanto democratas, dado a forma de organiza\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas das duas na\u00e7\u00f5es. Apesar de tal posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, reconhecer o imperialismo russo n\u00e3o \u00e9 impeditivo de reconhecer o imperialismo dos EUA, e a disputa entre os dois blocos como o motivo para a agress\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, h\u00e1 uma perspectiva hist\u00f3rica de denotar uma ess\u00eancia belicista\/militarista do Estado russo enquanto parte de sua forma\u00e7\u00e3o (SEGRILLO, 2022): ou seja, culturalmente, a R\u00fassia enquanto na\u00e7\u00e3o tem como parte de seus costumes a ideia de que os territ\u00f3rios da antiga \u2018Rus\u2019 s\u00e3o parte de uma mesma comunidade, que d\u00e1 margem a tend\u00eancia anexionista do Estado russo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, portanto, a vis\u00e3o acerca da possibilidade de proje\u00e7\u00e3o global do conflito, centrado na desglobaliza\u00e7\u00e3o, remilitariza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses-chave do sistema internacional, como os mais influentes da OTAN; e como ponto central, as san\u00e7\u00f5es impostas a um pa\u00eds que trava uma guerra unilateral de agress\u00e3o, dada a necessidade de subordina\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ucraniano como parte da pol\u00edtica de Estado russo (LOUREIRO, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no segundo campo te\u00f3rico, parte-se do paradigma de que, enquanto os Estados Unidos agem com hegemonia no sistema internacional, as pot\u00eancias de menor for\u00e7a de proje\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de disputar a influ\u00eancia do capital dos Estados Unidos, travam guerras \u00fanica e exclusivamente defensivas. No caso da guerra de agress\u00e3o, tal posi\u00e7\u00e3o vai de encontro \u00e0 R\u00fassia, que estaria travando, segundo a vis\u00e3o dos autores desse campo, uma guerra em defesa da Ucr\u00e2nia, como tamb\u00e9m da pr\u00f3pria soberania russa. Logo, a principal l\u00f3gica desse marco \u00e9 a de definir imperialismo como exclusivamente as a\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e seus s\u00f3cios-menores na OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse plano, o sentido hist\u00f3rico de imperialismo tendo como carro-chefe a vis\u00e3o leninista sobre o tema, perde seu sentido (BARREIRA, 2022), j\u00e1 que o bloco liderado pelos Estados Unidos tem sua hegemonia inconteste por d\u00e9cadas, inclusive de narrativas e que, apesar de sua perda de f\u00f4lego, pa\u00edses que disputam seu poder no sistema internacional est\u00e3o muito atrasados na corrida pela transi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, como R\u00fassia e China.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal cr\u00edtica desse campo se d\u00e1 a hegemonia nuclear inconteste do bloco da Otan, comandado pelo imperialismo norte-americano, que torna um embate entre pot\u00eancias de menor escal\u00e3o como algo imposs\u00edvel (QUARTIM DE MORAES, 2022), relegando-as a \u2018se dobrar ou resistir\u2019. Al\u00e9m disso, h\u00e1 men\u00e7\u00e3o ao cinismo midi\u00e1tico ocidental, no sentido de exclamar os horrores da guerra travada no \u2018oriente\u2019, com dedo do ocidente, enquanto as interven\u00e7\u00f5es do imperialismo no quintal Ocidental -Am\u00e9rica Latina, por exemplo-, s\u00e3o tratadas pelo mesmo monop\u00f3lio de m\u00eddia enquanto \u2018pela paz e democracia\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em um mundo que percebe de forma cada vez mais latente a crise da hegemonia unipolar dos Estados Unidos, R\u00fassia e China aparecem ambos como contraponto ao \u201cexpansionismo ocidental\u201d, tanto no Leste Europeu, como no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1sia, tendo na R\u00fassia o potencial militar, e na China o potencial financeiro. Nesse sentido, a R\u00fassia trava uma esp\u00e9cie de \u2018guerra de reconquista\u2019 ao territ\u00f3rio da antiga URSS (ROSEIRA, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Para autores do campo, portanto, a R\u00fassia trava uma guerra defensiva, contra o expansionismo da OTAN, este que joga para isolar tanto R\u00fassia como China no jogo internacional. Desa maneira, tanto R\u00fassia como China s\u00e3o pa\u00edses que n\u00e3o escolheram as condi\u00e7\u00f5es da seara de disputa internacional, dada a \u2018hegemonia absoluta\u2019 dos Estados Unidos, mas sobrevivem enquanto Estados em ascens\u00e3o, por\u00e9m muito atr\u00e1s do poderio econ\u00f4mico e militar da pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, no m\u00e1ximo, a R\u00fassia, em sua \u2018guerra defensiva\u2019, estaria adotando posi\u00e7\u00e3o anti-imperialista, ou \u2018contraimperialista\u2019 (BUGIATO, 2023) contestando-se o desenvolvimento do capitalismo da R\u00fassia, ou seja, um ator que resiste com as armas que disp\u00f5e, expandindo-se para defender o \u2018desenvolvimento nacional aut\u00f4nomo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro campo analisa a situa\u00e7\u00e3o enquanto da posi\u00e7\u00e3o de soberania da Ucr\u00e2nia que, independentemente de qual pa\u00eds est\u00e1 dominando a na\u00e7\u00e3o, o conflito significa submiss\u00e3o doa na\u00e7\u00e3o e povo \u00e0 alguma pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar, campo anal\u00edtico que se aproxima da vis\u00e3o leninista de interimperialismo. Logo, a guerra \u00e9 motivada pela disputa entre jogadores grandes no sistema internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Autores do campo procuram uma vis\u00e3o diferente dos monop\u00f3lios de m\u00eddia, que tendem a condenar unilateralmente Putin. A guerra na Ucr\u00e2nia, dentro desse campo te\u00f3rico, representa a disputa entre duas pot\u00eancias militares (KONICZ, 2022) em que o imperialismo russo usa da antiga influ\u00eancia at\u00f4mica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para formar um territ\u00f3rio de amortecedor com Estados neutros, para frear o avan\u00e7o dos Estados Unidos e OTAN no Leste Europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado, o imperialismo estadunidense mant\u00e9m a narrativa de \u201cdemocratizar\u201d os pa\u00edses do leste europeu, como parte da legitima\u00e7\u00e3o de sua disputa por \u00e1reas de influ\u00eancia, enquanto pugna para minar a influ\u00eancia russa na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como caracter\u00edstica da opress\u00e3o nacional, ambos Estados imperialistas, apesar da diferen\u00e7a de robustez entre o aparato financeiro dos Estados Unidos e R\u00fassia,&nbsp;&nbsp;armam movimentos nacionalistas contra a liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos oprimidos pelo imperialismo, como o apoio do Estado russo a guerra de opress\u00e3o da Turquia \u00e0 luta do povo curdo; e o financiamento dos Estados Unidos ao Estado de Israel, no Oriente M\u00e9dio, juntamente com a opress\u00e3o ao povo \u00e1rabe, principalmente na regi\u00e3o da Palestina ocupada (CAMPOS, 2023).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A estrat\u00e9gia da R\u00fassia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 auto-administra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de base em Rojava, no norte da S\u00edria, n\u00e3o \u00e9 diferente da adotada pelo governo Trump: em 2018, Putin deu carta branca a Turquia para conquistar e limpar etnicamente o cant\u00e3o curdo de Afrin por causa de c\u00e1lculos geopol\u00edticos. Trump agiu de forma semelhante na Rojava ocidental um ano depois (CAMPOS, 2023).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Logo, caracter\u00edstica marcante do imperialismo, compartilhada por ambos os pa\u00edses em conflito indireto na Ucr\u00e2nia, se faz presente no aquecimento do capital monopolista militar, e sua exporta\u00e7\u00e3o como forma de garantir outros financiamentos, principalmente no que tange \u00e0 tomada de postos de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, como acontece no Oriente M\u00e9dio Ampliado e no Leste Europeu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IMPERIALISMO E GUERRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Financeiramente, em compara\u00e7\u00e3o com a pot\u00eancia hegem\u00f4nica Estados Unidos, a R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds incipiente, por\u00e9m se marca pelo imperialismo por conta de aparato militar bastante sofisticado, que aquece a exporta\u00e7\u00e3o de capital, principalmente em investimento de petr\u00f3leo e g\u00e1s em pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio Ampliado, como S\u00edria, e a participa\u00e7\u00e3o de capital monopolista de mercen\u00e1rios, como o Grupo Wagner, em apoio a pa\u00edses que fazem parte da esfera de influ\u00eancia do imperialismo russo (CAMPOS, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o conflito se caracteriza enquanto interimperialista pois, apesar da diferen\u00e7a de robustez do capital financeiro, ambos Estados centrais do conflito -Estados Unidos e R\u00fassia- s\u00e3o regidos pelo capital monopolista em tal quantidade que possibilitam a exporta\u00e7\u00e3o de capital, com consequ\u00eancia tanto econ\u00f4mica como pol\u00edtica, tendo como base a oligarquia financeira de cada pa\u00eds; dessa forma, aplicando a domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de outras na\u00e7\u00f5es sob regime de depend\u00eancia, semicolonial, ou mesmo por \u00e1rea de influ\u00eancia, garantindo assim a disputa pelo lucro m\u00e1ximo entre as pot\u00eancias imperialistas (L\u00caNIN, 1917).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas disputas mais abertas pela partilha do mundo representam o grau de crise em que se afunda o imperialismo nos dias atuais, lan\u00e7ando-se mais \u00e0 guerra como \u00fanica sa\u00edda da queda relativa da taxa de lucro, e para conter as crises de superprodu\u00e7\u00e3o, ati\u00e7a as tr\u00eas contradi\u00e7\u00f5es fundamentais do imperialismo: a principal, que op\u00f5e na\u00e7\u00f5es e povos oprimidos a pa\u00edses imperialistas; a que configura as disputas interimperialistas; e a que antagoniza o proletariado, de um lado, e a burguesia, de outro (L\u00caNIN, 1917).<\/p>\n\n\n\n<p>Interessante notar que, ao atacar uns aos outros, os imperialistas revelam verdades sobre si mesmos: aos EUA, desmoraliza o j\u00e1 putrefato argumento de interven\u00e7\u00e3o internacional \u2018pela democracia\u2019: se antes reservada ao financiamento de grupos extremistas religiosos, nos \u00faltimos tempos com a forma\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o de grupos neonazistas principalmente no Leste Europeu, esta estrat\u00e9gia deixa mais clara a face vampiresca da pot\u00eancia hegem\u00f4nica para manter a lei do lucro m\u00e1ximo de p\u00e9 para os monop\u00f3lios americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, h\u00e1 a den\u00fancia russa aos Estados Unidos e o discurso de \u201cguerra antifascista\u201d travada pelo Kremlin, enquanto tamb\u00e9m exporta a guerra para outros pa\u00edses que desafiam a domina\u00e7\u00e3o russa em seu solo, como o Grupo Wagner no Oriente M\u00e9dio Ampliado (CAMPOS, 2023). Al\u00e9m disso, contrapondo novamente discurso com pr\u00e1tica, Putin em solo nacional persegue grupos e organiza\u00e7\u00f5es progressistas ou revolucion\u00e1rias, pondo freios pesados \u00e0 luta popular.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao fim e ao cabo, tanto a narrativa de \u2018desnazifica\u00e7\u00e3o\u2019 como o chamado ao retorno \u00e0 \u2018Rus\u2019 se mostram como formas de legitimar a agress\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia pela retomada do bast\u00e3o de mando russo da regi\u00e3o, haja vista a import\u00e2ncia de manter a Ucr\u00e2nia sob influ\u00eancia russa, tanto por objetivo militar de manter zona de amortecimento aos avan\u00e7os da OTAN, como tamb\u00e9m de deter por\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e escoamento de g\u00e1s da na\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>As narrativas nesse teor tamb\u00e9m s\u00e3o sinais dos tempos em que a competi\u00e7\u00e3o do imperialismo russo se torna mais direta com o imperialismo estadunidense, usada tamb\u00e9m ao legitimar o apoio \u00e0 Turquia na guerra de limpeza \u00e9tnica aos povos turco e armeno; como tamb\u00e9m para oprimir o pr\u00f3prio proletariado russo (KONICZ, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Economicamente, a R\u00fassia tamb\u00e9m mostra um robusto aparato monopolista militar<a href=\"applewebdata:\/\/3CFB6EB2-A75B-45AC-B8AC-B5A297E6AC88#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, como tamb\u00e9m aeroespacial e automobil\u00edstico (OICA, 2023), ramos que ocupam grande parte do PIB destinado \u00e0 grande ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, ambos lados mostram como\u00e7\u00e3o com a Ucr\u00e2nia, mas apenas para mostrar as l\u00e1grimas de crocodilo e tentar disfar\u00e7ar o imperialismo por meio de discursos j\u00e1 h\u00e1 muito desmoralizados.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia, enquanto pot\u00eancia at\u00f4mica, em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo das duas grandes guerras mundiais, ocupa o papel da Alemanha, ou seja, de desestabilizar a pot\u00eancia hegem\u00f4nica \u2013 antes Inglaterra; depois da Segunda Guerra, Estados Unidos &#8211; (CAMPOS, 2023), em momento em que a mesma est\u00e1 em aberta decad\u00eancia: h\u00e1 a disputa interimperialista entre EUA e China na regi\u00e3o do mar da China; o conflito secular que se intensifica na regi\u00e3o da Palestina ocupada e que, durante a escrita do artigo, d\u00e1 mostras de acirramento na forma de regionaliza\u00e7\u00e3o do conflito, em defesa da Palestina e recha\u00e7o ao Estado de Israel, como s\u00f3cio do imperialismo estadunidense; o conflito na Ucr\u00e2nia; e o caos social que toma a Am\u00e9rica Latina, principal quintal dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A disputa mais exacerbada pelo lucro m\u00e1ximo, acirra cada vez mais a opress\u00e3o a pa\u00edses dominados pelo imperialismo, intensifica a disputa interimperialista, e, consequentemente tamb\u00e9m o descr\u00e9dito \u00e0 ordem de democracia liberal-burguesa, n\u00e3o \u00e0 toa o fascismo aparece novamente na ordem do dia, como anteparo \u00faltimo \u00e0 luta do proletariado e dos povos por liberta\u00e7\u00e3o, sendo o fascismo a fra\u00e7\u00e3o mais reacion\u00e1ria da burguesia imperialista, logo, mais consequente em aplicar a viol\u00eancia reacion\u00e1ria da mais aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia no sistema internacional \u00e9 o da viol\u00eancia pol\u00edtica reacion\u00e1ria em toda ordem que tende a se prolongar, fruto da rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em toda linha como tend\u00eancia do imperialismo (L\u00caNIN, 1916), como tentativa de frear a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta dos povos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das tens\u00f5es de guerra e a tend\u00eancia \u00e0 Terceira Guerra Mundial, estas caminham lentamente a essa perspectiva, calculada que \u00e9 pelas pot\u00eancias imperialistas: da necessidade do imperialismo estadunidense e de pa\u00edses da OTAN de neutralizar antes o poderio nuclear russo ao m\u00e1ximo; e da necessidade de manter as \u00e1reas de influ\u00eancia por parte do imperialismo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Economicamente, as san\u00e7\u00f5es impostas pela OTAN \u00e0 R\u00fassia n\u00e3o cumpriram o objetivo estrat\u00e9gico de arrefecer a ofensiva militar russa. Com a finalidade de frear o aquecimento do complexo industrial militar russo, as san\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, segundo an\u00e1lises de institutos econ\u00f4micos, representavam perspectiva de crescimento negativo do PIB russo no per\u00edodo inicial da guerra na Ucr\u00e2nia. Por\u00e9m, as san\u00e7\u00f5es fizeram aumentar a infla\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia, dado o imperialismo russo enquanto principal exportador energ\u00e9tico para os pa\u00edses signat\u00e1rios do bloco econ\u00f4mico (IPEA, 2022-2023).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Indicativos de desacelera\u00e7\u00e3o do PIB russo, logo ap\u00f3s as san\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m n\u00e3o previram a diversifica\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s para pa\u00edses como \u00cdndia e China, como tamb\u00e9m se tornam diversos os parceiros econ\u00f4micos, o que diminui a oferta para os pa\u00edses-chave da Uni\u00e3o Europeia, e mostra um efeito colateral que estimula o compromisso desses atores com a guerra e financiamento em defesa para frear a crise econ\u00f4mica que se aprofunda em solo nacional (IPEA, 2022-2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados econ\u00f4micos tamb\u00e9m demonstram que san\u00e7\u00f5es n\u00e3o causaram efeito esperado na pot\u00eancia at\u00f4mica R\u00fassia j\u00e1 que, por deter monop\u00f3lios de produ\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gicos para a economia mundial, consegue facilmente diversificar o com\u00e9rcio, assim, n\u00e3o percebe tanta influ\u00eancia da exporta\u00e7\u00e3o de capital como os pa\u00edses semicoloniais sofrem, logo, tamb\u00e9m n\u00e3o recebe em mesma propor\u00e7\u00e3o as imposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos tratados impostos pelas Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais capitaneadas pela pot\u00eancia hegem\u00f4nica Estados Unidos, dado que mostra que, n\u00e3o sendo um pa\u00eds dependente, \u00e9 tamb\u00e9m um pa\u00eds que domina na\u00e7\u00f5es e povos do mundo, em sua regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se percebe, portanto, \u00e9 que a solu\u00e7\u00e3o militar ao imperialismo torna-se a \u00fanica sa\u00edda no per\u00edodo corrente de decad\u00eancia geral do sistema, dado que tanto a diplomacia se militariza, quanto a guerra econ\u00f4mica se torna cada vez mais estreita. Exemplo disso \u00e9 o aumento em investimento militar<a href=\"applewebdata:\/\/3CFB6EB2-A75B-45AC-B8AC-B5A297E6AC88#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;em pa\u00edses-chave da Uni\u00e3o Europeia, elevadas as tens\u00f5es ap\u00f3s da diplomacia de guerra e o fracasso dos objetivos das san\u00e7\u00f5es ao imperialismo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra caminha a passos curtos, com a tend\u00eancia ao cumprimento dos objetivos m\u00ednimos por parte do imperialismo russo: o arrefecimento das tens\u00f5es de guerra e a formaliza\u00e7\u00e3o da anexa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do Donbass.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, as Guerras Mundiais tiveram um papel parcial de impuls\u00e3o das Revolu\u00e7\u00f5es; a Primeira Guerra, que impulsionou a Revolu\u00e7\u00e3o Russa no campo internacional, pela consigna de \u201ctransformar a guerra imperialista em guerra civil revolucion\u00e1ria\u201d; e a conclus\u00e3o da Segunda Guerra, que acelera forma\u00e7\u00e3o de um s\u00f3lido campo socialista, liderado pela Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m como resultado do manejo de grandes l\u00edderes revolucion\u00e1rios, como L\u00eanin, Stalin e Mao Tse-tung, os per\u00edodos de guerra interimperialista p\u00f5em mais em claro o grau de decrepitude do sistema imperialista, que por necessidade de se manter de p\u00e9, lan\u00e7a mais guerra, mais opress\u00e3o ao proletariado e povos do mundo, com mais desemprego, fome, mis\u00e9ria, pelo grau de disputa das pot\u00eancias pela expans\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de capital dos respectivos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, os c\u00e1lculos dos imperialistas seria o de desatar um terceiro conflito mundial apenas com a tend\u00eancia de vit\u00f3ria assegurada, dado que cada passo do imperialismo em momentos de profunda crise, deixa mais claro os sinais de sua profunda fragilidade, e, tal como percebido na radicaliza\u00e7\u00e3o da luta de liberta\u00e7\u00e3o do povo palestino, ati\u00e7a a Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se entender, pela exposi\u00e7\u00e3o presente nesse artigo, que um conflito como o presente principalmente em territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, envolvendo as pot\u00eancias no cen\u00e1rio internacional, n\u00e3o somente \u00e9 paradigm\u00e1tico para as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, como mobiliza ampla gama de estudos sobre o tema, tendo no campo te\u00f3rico sobre o imperialismo o foco do texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das diferen\u00e7as percebidas no conte\u00fado das tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas demarcadas e observadas, percebe-se os esfor\u00e7os de estudiosos e especialistas de tentar entender e agir num per\u00edodo hist\u00f3rico t\u00e3o turbulento quanto o presente, marcados por cataclismos comerciais e financeiros, al\u00e9m do agravamento da pol\u00edtica internacional como um todo, marcado por guerras e as tens\u00f5es caracterizadas pela guinada \u00e0 extrema-direita no cen\u00e1rio das na\u00e7\u00f5es, e pelo agravamento do intervencionismo sempre latente das pot\u00eancias imperialistas na seara internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do exposto, entende-se a fa\u00edsca que se acende em ac\u00famulo a decomposi\u00e7\u00e3o do sistema imperialista como um todo, que para se manter de p\u00e9, acelera as futuras crises, at\u00e9 sua derrocada pela transforma\u00e7\u00e3o social e destrui\u00e7\u00e3o do \u201cantigo regime\u201d, seja comandado pela hegemonia do imperialismo estadunidense, ou futuramente por outra pot\u00eancia imperialista, enquanto possibilidade. Ao fim das contas, n\u00e3o existe \u2018imperialismo benigno\u2019, mesmo que se apresente pela forma enquanto contraponto \u00e0 pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e1quina econ\u00f4mica e pol\u00edtica de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o da esmagadora maioria da humanidade, ou seja, do proletariado e povos do mundo, continua a funcionar fomentando guerra, carestia, adoecimento e desemprego, independente de quem a esteja operando, at\u00e9 que ela seja destru\u00edda pela pot\u00eancia transformadora de quem o aparato imperialista se alimenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a compreens\u00e3o do conceito de imperialismo se revela fundamental para a an\u00e1lise da concretude das rela\u00e7\u00f5es internacionais, como mostra o caso da Guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>BARREIRA, Marcos. Din\u00e2mica de escalada e fragmenta\u00e7\u00e3o global: a luta pela Ucr\u00e2nia. Brasil: revista Margem Esquerda n\u00ba 39, 14 out 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>BUGIATO, Caio. A guerra na Ucr\u00e2nia sob a \u00f3tica das teorias de rela\u00e7\u00f5es internacionais: discuss\u00f5es sobre causas e car\u00e1ter da guerra. Serop\u00e9dica: Revista Continentes (UFRRJ), ano XI, n\u00ba 22, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMPATO JR., Jo\u00e3o. A Guerra Russo-Ucraniana e os discursos sobre o imperialismo da nova desordem mundial. Revista Eletr\u00f4nica de Estudos Integrados em Discurso e Argumenta\u00e7\u00e3o, 6 jun 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMPOS, Pedro. A guerra da Ucr\u00e2nia e a transi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica no Sistema Internacional: provoca\u00e7\u00f5es, aspectos hist\u00f3ricos e os interesses do complexo industrial-militar norte-americano. Serop\u00e9dica: Revista Continentes (UFRRJ), ano XI, n\u00ba 22, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CARMONA, Ronaldo. A Guerra na Ucr\u00e2nia: uma an\u00e1lise geopol\u00edtica. Revista CEBRI, ano 1, n\u00ba 3, jul 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Wanderley. O reerguimento da R\u00fassia, os EUA\/OTAN e a crise da Ucr\u00e2nia: a Geopol\u00edtica da nova Ordem Mundial. Revista franco-brasileira de geografia, n\u00ba 25, 9 mai 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>DE ALMEIDA, L\u00facio F. A \u201cGuerra da Ucr\u00e2nia\u201d e a reconstru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do Ocidente. S\u00e3o Paulo: Revista Lutas Sociais, vol 26, n\u00ba 49, p. 163-178, jul\/dez 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>FIORI, Jos\u00e9 Luis. O mundo depois da Ucr\u00e2nia. Jul 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/620602-o-mundo-depois-da-ucrania&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p>FIORI, Jos\u00e9 Luis. Um ano depois. 24 fev 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/aterraeredonda.com.br\/um-ano-depois\/&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p>IBA\u00d1EZ, Pablo. SILVA, Larissa. Guerra da Ucr\u00e2nia: perspectivas territoriais. Serop\u00e9dica: Revista Continentes (UFRRJ), ano XI, n\u00ba 22, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>INSTITUTO DE PESQUISA ECON\u00d4MICA APLICADA. Brasil, In: \u201cCarta de conjuntura\u201d. 24 fev 2022 \u2013 21 nov 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>JO\u00c3O QUARTIM DE MORAES. A Otan e a frente russa. Margem Esquerda, v. 39, p. 37-42, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>KONICZ, Tomasz. O \u201cgrande jogo\u201d neoimperialista na crise. In: Ucr\u00e2nia: \u201co grande jogo\u201d: a luta pelo poder entre o Leste e o Ocidente na crise global. Consequ\u00eancia Editora, p. 145-156. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>KONICZ, Tomasz. Vit\u00f3ria russa na guerra econ\u00f4mica? 19 jul 2022. Acesso em: &lt;https:\/\/www.konicz.info\/2022\/07\/19\/vitoria-russa-na-guerra-economica\/&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00caNIN, Vladimir I. O imperialismo e a cis\u00e3o do socialismo. R\u00fassia: Sb\u00f3rnik Sotsial-Demokrata, n\u00ba 2, dez 1916. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/10\/imperialismo.htm\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/10\/imperialismo.htm<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00caNIN, Vladimir I. O imperialismo, fase superior do capitalismo, OC, Editorial Progresso Moscou, T. 27, 1917.<\/p>\n\n\n\n<p>LOUREIRO, Felipe. A Guerra da Ucr\u00e2nia: significados e perspectivas. Revista CEBRI, 4 abr 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>NETO, Arthur B. Guerra da Ucr\u00e2nia: OTAN e R\u00fassia como express\u00e3o do complexo industrial-militar. Boa Vista: Revista Boletim de Conjuntura (BOCA), ano IV, vol 11, n\u00ba 31, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>OICA: INTERNATIONAL ORGANIZATION OF MOTOR VEHICLE MANUFACTURERS.&nbsp;World motor vehicle production. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>ROSEIRA, Antonio M. O mundo tripolar \u2013 geopol\u00edtica russa no s\u00e9culo xxi e a nova ordem internacional. Niter\u00f3i: Revista GEOgraphia, vol 25, n. 54, 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/3CFB6EB2-A75B-45AC-B8AC-B5A297E6AC88#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.sipri.org\/visualizations\/2023\/sipri-top-100-arms-producing-and-military-services-companies-world-2022&gt;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/3CFB6EB2-A75B-45AC-B8AC-B5A297E6AC88#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/01\/franca-eleva-seu-orcamento-militar-em-mais-a-medida-que-aumenta-o-risco-de-guerra.ghtml\">https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/01\/franca-eleva-seu-orcamento-militar-em-mais-a-medida-que-aumenta-o-risco-de-guerra.ghtml<\/a>>; &lt;https:\/\/www.sabado.pt\/europa-viva\/detalhe\/despesas-militares-subiram-na-uniao-europeia-e-nato>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conflito corrente na Ucr\u00e2nia, iniciado nos moldes atuais h\u00e1 mais de dois anos, possui uma carga hist\u00f3rica muito expressiva, e \u00e9 paradigm\u00e1tica sua discuss\u00e3o no campo das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. O acirramento da guerra mostra-se enquanto acontecimento de grande impacto no mundo, por conta de suas consequ\u00eancias geopol\u00edticas, trazendo \u00e0 tona o importante debate te\u00f3rico sobre imperialismo. Dentre as poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es, h\u00e1 de se ressaltar tr\u00eas: uma, que classifica unilateralmente a R\u00fassia enquanto imperialista; a segunda, que denuncia unicamente a agress\u00e3o enquanto imperialista pelo lado dos EUA &#8211; OTAN; e a terceira, que se aproxima da percep\u00e7\u00e3o de conflito interimperialista. Dessa forma, as contribui\u00e7\u00f5es presentes no artigo se valem enquanto ac\u00famulo para discuss\u00e3o t\u00e3o importante e atual no s\u00e9culo XXI: o desenvolvimento \u2013 e decad\u00eancia- do sistema imperialista, a partir do conceito de imperialismo e de suas diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, intentando resumir o panorama das teorias acerca do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: imperialismo; guerra; Ucr\u00e2nia; R\u00fassia; Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract<a><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>The current conflict in Ukraine, which began in its current form more than two years ago, has a very significant historical significance, and its discussion in the field of International Relations is paradigmatic. The escalation of the war has been seen as an event with a major impact on the world, due to its geopolitical consequences, bringing to the fore an important theoretical debate on imperialism. Among the possible interpretations, three stand out: one, which unilaterally classifies Russia as imperialist; the second, which denounces only the aggression as imperialist on the part of the United States &#8211; NATO; and the third, which comes close to the perception of an inter-imperialist conflict. Thus, the contributions presented in the article serve as a basis for such an important and current discussion in the 21st century: the development &#8211; and decline &#8211; of the imperialist system, based on the concept of imperialism and its different interpretations, attempting to summarize the panorama of theories about the conflict.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords:\u00a0<\/strong>imperialism; war; Ukraine; Russia; United States.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Gabriel Claudemiro Farias de Souza <\/strong>\u00e9 graduando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na UFRRJ e Bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica PIBIC\/CNPq<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Luiz Felipe Brand\u00e3o Os\u00f3rio <\/strong>\u00e9 professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRRJ e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional (PEPI) da UFRJ. Vice-Diretor do Instituto de Ci\u00eancias Humanas e Sociais (ICHS\/UFRRJ). P\u00f3s-Doutor em Direito Pol\u00edtico e Econ\u00f4mico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie\/SP (2016). Doutor e Mestre em Economia Pol\u00edtica Internacional pela UFRJ. Gradua\u00e7\u00e3o em Direito pela UFJF. Autor do livro Imperialismo, Estado e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, pela Editora Ideias &amp; Letras. Pesquisador do GT CLACSO Pensamento Jur\u00eddico Cr\u00edtico, do NIEP-Marx\/UFF e do Laborat\u00f3rio Interdisciplinar de Estudos em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (LIERI-UFRRJ). Tem experi\u00eancia de c\u00e1tedra e pesquisa nas \u00e1reas de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Economia Pol\u00edtica Internacional, Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, Integra\u00e7\u00e3o Regional, Direito Internacional, Direitos Humanos e Teoria do Direito<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 12 | N\u00famero 115 | Fev. 2025 Por Gabriel Claudemiro Farias de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1878,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645],"tags":[],"class_list":["post-3339","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3339"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3340,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3339\/revisions\/3340"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}