{"id":3355,"date":"2025-04-04T09:00:00","date_gmt":"2025-04-04T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3355"},"modified":"2025-04-02T00:55:31","modified_gmt":"2025-04-02T03:55:31","slug":"resenha-filme-tumulo-dos-vagalumes-o-simbolismo-dos-vagalumes-e-a-fragilidade-da-vida%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3355","title":{"rendered":"Resenha: Filme &#8220;T\u00famulo dos Vagalumes &#8220;, o simbolismo dos vagalumes e a fragilidade da vida\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 12 | N\u00famero 117 | Abr. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por La\u00eds Sim\u00f5es Lima<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"338\" height=\"500\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Hotaru_no_Haka.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3356\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Hotaru_no_Haka.png 338w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Hotaru_no_Haka-203x300.png 203w\" sizes=\"(max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><figcaption>Wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>O T\u00daMULO dos vagalumes. Dire\u00e7\u00e3o: Isao Takahata. Produ\u00e7\u00e3o: Toru Hara. Jap\u00e3o: Toho, 1988.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica &#8220;T\u00famulo dos Vagalumes&#8221; (Hotaru no Haka) de 1988 \u00e9 de origem japonesa e apresenta uma anima\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, dirigida por Isao Takahata e produzida pelo Studio Ghibli, a trama baseia-se no romance semi-biogr\u00e1fico de Akiyuki Nosaka. Ambientado na cidade de Kobe durante os meses finais da guerra, o filme narra a hist\u00f3ria de dois irm\u00e3os, Seita e Setsuko, que lutam para sobreviver ap\u00f3s perderem a m\u00e3e em um bombardeio e serem abandonados pela sociedade. Em meio \u00e0 fome e ao desamparo, os irm\u00e3os precisam lidar com a realidade brutal da guerra com apenas a companhia um do outro e alguns poucos elementos simb\u00f3licos que os remetem \u00e0 mem\u00f3ria de tempos mais felizes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da anima\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento de uma narrativa sens\u00edvel, T\u00famulo dos Vagalumes tece uma cr\u00edtica sutil \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o causada pela guerra, evidenciando a efemeridade e vulnerabilidade da vida. Nesse sentido, o trabalho prop\u00f5e-se a analisar esses aspectos, utilizando a teoria da semi\u00f3tica (Nicolau, 2010) para explorar como a obra comunica a transitoriedade da exist\u00eancia humana e o impacto do conflito na inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marcos Nicolau (2010) a semi\u00f3tica, definida como a ci\u00eancia dos signos e dos processos de significa\u00e7\u00e3o, apresenta a forma como os fen\u00f4menos culturais e naturais constroem sentido. Com base nessa ideia, a semi\u00f3tica examina como sistemas de signos, incluindo linguagens visuais, musicais, fotogr\u00e1ficas e cinematogr\u00e1ficas, estruturam e comunicam significados na sociedade. Para este trabalho foi escolhida a concep\u00e7\u00e3o tri\u00e1dica de Charles Sanders Peirce, na qual Nicolau (2010) destaca o signo como uma estrutura de tr\u00eas elementos: o objeto (aquilo que \u00e9 representado), o signo (a representa\u00e7\u00e3o em si) e o int\u00e9rprete (o sujeito que decodifica o significado). Essa abordagem tri\u00e1dica permite uma an\u00e1lise detalhada dos s\u00edmbolos, que, no caso do cinema, revelam como imagens e s\u00edmbolos, como os vagalumes e a lata de doces em T\u00famulo dos Vagalumes, criam camadas de significado que enriquecem a compreens\u00e3o do enredo e das mensagens impl\u00edcitas, tornando a semi\u00f3tica uma ferramenta interessante para a an\u00e1lise desta obra.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o texto de Douglas Pastrello (2021) lan\u00e7amento das bombas at\u00f4micas sobre Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 encerrou a Segunda Guerra Mundial, mas gerou impactos profundos e duradouros sobre o Jap\u00e3o, tanto em termos de destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica quanto em implica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e sociais. A justificativa para os bombardeios, como Sidnei Munhoz (2015) aponta, baseava-se na ideia de que a destrui\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e maci\u00e7a evitaria uma invas\u00e3o ao Jap\u00e3o, poupando milh\u00f5es de vidas japonesas e estadunidenses, uma narrativa que tamb\u00e9m promove a ideia da \u201cbomba salvadora\u201d. A destrui\u00e7\u00e3o, por mais intensa que fosse, teria como efeito final uma resolu\u00e7\u00e3o menos custosa em vidas para ambos os lados. (Sidnei Munhoz, 2015). Em &#8220;T\u00famulo dos Vagalumes&#8221;, de Isao Takahata, essa no\u00e7\u00e3o de benevol\u00eancia e justificativa para o uso de bombas contrasta com a realidade do sofrimento civil japon\u00eas, especialmente o das crian\u00e7as, que se tornam v\u00edtimas invis\u00edveis do conflito e sofrem as consequ\u00eancias dos bombardeios convencionais e da destrui\u00e7\u00e3o generalizada, que n\u00e3o se limita aos alvos militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Gar Alperovitz (1985) transparece uma perspectiva cr\u00edtica ao questionar a real necessidade do uso das bombas at\u00f4micas. Segundo o autor, os pr\u00f3prios l\u00edderes militares estadunidenses sugeriam que o Jap\u00e3o poderia ter sido derrotado sem uma invas\u00e3o e sem o uso de armas nucleares, haja visto que a intensifica\u00e7\u00e3o dos bombardeios convencionais j\u00e1 enfraqueceriam o pa\u00eds. Alperovitz (1985) argumenta que a escolha pela bomba foi, ao menos em parte, influenciada pelo desejo de afirmar poder perante a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, sugerindo que os bombardeios nucleares tinham um vi\u00e9s geopol\u00edtico e estrat\u00e9gico, que transcende o simples desejo de encerrar o conflito de maneira r\u00e1pida.\u00a0A escolha arbitr\u00e1ria dos alvos, \u00e9 outra quest\u00e3o importante. Hiroshima e Nagasaki n\u00e3o eram centros militares priorit\u00e1rios, mas alvos escolhidos de maneira estrat\u00e9gica para medir o poder destrutivo das bombas (Pastrello, 2021). Essa arbitrariedade torna-se ainda mais impactante quando se observa que cidades como Nagasaki, com um perfil rural e montanhoso, tiveram menos baixas, mesmo com a bomba mais potente. O que leva a sugest\u00e3o de que o objetivo principal era uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, n\u00e3o apenas uma medida de finaliza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa do filme \u00e9 enriquecida por elementos simb\u00f3licos que esbo\u00e7am a precariedade da vida humana frente \u00e0 viol\u00eancia destrutiva em momentos como a guerra, por exemplo. No entanto, esses signos v\u00e3o al\u00e9m da trag\u00e9dia pessoal dos personagens e servem como met\u00e1foras para o impacto psicol\u00f3gico e f\u00edsico da guerra sobre os civis, especialmente as crian\u00e7as, que s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis e impactados psicologicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma leitura semi\u00f3tica, os vagalumes representam a efemeridade da vida, especialmente em tempos de guerra. Esses pequenos insetos, que acendem e apagam brevemente como fagulhas na escurid\u00e3o, s\u00e3o met\u00e1foras para a pr\u00f3pria exist\u00eancia humana dos protagonistas, que enfrentam uma jornada breve e fr\u00e1gil marcada pela luz e pelo desaparecimento repentino. S\u00e3o duas crian\u00e7as que mal come\u00e7aram a viver a vida e j\u00e1 ter\u00e3o suas \u201cluzes apagadas\u201d. A condi\u00e7\u00e3o de Seita e Setsuko, cujas vidas s\u00e3o igualmente breves, como a dos vagalumes, refor\u00e7am essa transitoriedade. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma cena em que Setsuko coleta vagalumes na tentativa de iluminar seu abrigo, esse momento reflete a tentativa de recriar um ambiente seguro e reconfortante em meio ao caos, por\u00e9m a morte r\u00e1pida dos insetos logo alerta um lembrete simb\u00f3lico da realidade inescap\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento semi\u00f3tico relevante \u00e9 a lata de doces que Setsuko carrega com ela. Percebe-se, sutilmente, um certo apego emocional \u00e0s lembran\u00e7as que os doces trazem e que vinculam-se a uma saudade do passado, de um tempo em que a lata de doces estava cheia, onde a pequena Setsuko guarda lembran\u00e7as a respeito de um tempo seguro e feliz que n\u00e3o existe mais. Quando a lata \u00e9 finalmente vazia, o espectador sente o fim de uma inf\u00e2ncia interrompida, simbolizando a deteriora\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas das posses materiais, mas da pr\u00f3pria inoc\u00eancia que Setsuko conhecia. A lata torna-se, assim, um signo de mem\u00f3ria e de esperan\u00e7a perdida, um microcosmo da destrui\u00e7\u00e3o que a guerra provoca, tanto no ambiente f\u00edsico quanto nas conex\u00f5es emocionais dos indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha de Takahata em ambientar o filme no contexto hist\u00f3rico dos bombardeios sobre o Jap\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o semi\u00f3tica que refor\u00e7a o simbolismo da guerra e da destrui\u00e7\u00e3o. Os bombardeios n\u00e3o representam apenas a viol\u00eancia f\u00edsica, mas atuam como um indicador da devasta\u00e7\u00e3o moral e social que aflige o pa\u00eds. O fogo, que consome cidades e corpos, torna-se um s\u00edmbolo vis\u00edvel da guerra que destr\u00f3i vidas. Como signo visual, ele evidencia a natureza aterrorizante do conflito e apoia-se como contraponto \u00e0 luz suave dos vagalumes, transmitindo uma representa\u00e7\u00e3o dualista da luz: enquanto o fogo dos bombardeios \u00e9 destrutivo, a luz dos vagalumes \u00e9 ef\u00eamera, mas benigna. Esse contraste ressalta a fragilidade da vida em tempos de guerra e a beleza que persiste, mesmo que brevemente, na escurid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 semi\u00f3tica na escolha da faixa-et\u00e1ria dos protagonistas tamb\u00e9m. Seita e Setsuko personificam a vulnerabilidade da juventude frente \u00e0s cat\u00e1strofes que ultrapassam sua compreens\u00e3o. Eles s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas das v\u00edtimas civis da guerra, especialmente das crian\u00e7as, que frequentemente sofrem as consequ\u00eancias das decis\u00f5es dos adultos.\u00a0Por ser a irm\u00e3 mais nova, a obra trata a perspectiva de Setsuko com muita delicadeza e, talvez, seja esse o ponto crucial que o filme enfatiza com o intuito de sensibilizar quem est\u00e1 acompanhando a trama. Com Setsuko, vemos o conflito pela \u00f3tica da inoc\u00eancia, onde a viol\u00eancia e a destrui\u00e7\u00e3o s\u00e3o incompreens\u00edveis, e qualquer ato de bondade, como compartilhar comida ou criar um abrigo tempor\u00e1rio, torna-se uma resist\u00eancia simb\u00f3lica contra o desespero.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, T\u00famulo dos Vagalumes \u00e9 uma obra que destrincha a semi\u00f3tica visual e narrativa por sua sensibilidade, utilizando de elementos como os vagalumes, a lata de doces e os bombardeios para comunicar temas de brevidade e resili\u00eancia. Atrav\u00e9s de signos visuais e contextuais, o filme constr\u00f3i um retrato pungente do impacto da guerra, abordando quest\u00f5es sobre a natureza da perda, a fugacidade da vida e o desejo humano de criar significado, mesmo nas circunst\u00e2ncias mais sombrias. Dessa forma, os irm\u00e3os simbolizam a resist\u00eancia emocional, mesmo que breve e fr\u00e1gil, que contrasta com a dureza e a frieza da guerra. \u00c9 uma obra que, ao usar a semi\u00f3tica para representar a guerra e a inf\u00e2ncia, revela a beleza e a tristeza de uma hist\u00f3ria profundamente humana e atemporal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALPEROVITZ, Gar.\u00a0<strong>Did we have to drop the bomb?<\/strong>. Washington Post, 1985<\/p>\n\n\n\n<p>MUNHOZ, Sidnei.&nbsp;<strong>Os EUA e a conclus\u00e3o da II Guerra Mundial<\/strong>: os impasses concernentes \u00e0 Guerra do Pac\u00edfico e ao extremo oriente. Huellas de Estados Unidos, n. 9, p.5-23, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>NICOLAU, Marcos et al. Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica: vis\u00e3o geral e introdut\u00f3ria \u00e0 Semi\u00f3tica de Peirce.\u00a0<strong>Revista eletr\u00f4nica Tem\u00e1tica<\/strong>, Para\u00edba, n. 8, p. 1-25, 2010.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>PASTRELLO, Douglas. OS BOMBARDEIOS AT\u00d4MICOS DE 1945 E A HISTORIOGRAFIA EM DISPUTA.\u00a0<strong>MUNDOS EM MOVIMENTO<\/strong>: Extremo Oriente, Rio de Janeiro, p. 71-77, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>La\u00eds Sim\u00f5es Lima \u00e9 estudante da Gradua\u00e7\u00e3o em Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional e membro do N\u00facleo de Artes, Interculturalidade e Pol\u00edtica Internacional (NAIPI-IRID).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 12 | N\u00famero 117 | Abr. 2025 Por La\u00eds Sim\u00f5es Lima O<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3356,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[645,647],"tags":[],"class_list":["post-3355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-atual","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3355"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3357,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3355\/revisions\/3357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}