{"id":3359,"date":"2025-04-28T09:00:00","date_gmt":"2025-04-28T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3359"},"modified":"2025-04-25T17:36:43","modified_gmt":"2025-04-25T20:36:43","slug":"para-alem-do-campo-o-futebol-como-instrumento-de-reconciliacao-e-reconstrucao-nacional-no-pos-genocidio-ruandes%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3359","title":{"rendered":"Para al\u00e9m do campo: o futebol como instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o nacional no p\u00f3s-genoc\u00eddio Ruand\u00eas\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 12 | N\u00famero 117 | Abr. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Maria Luiza Rodrigues Mendes de Souza<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/futebol-pixabay-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3360\" width=\"593\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/futebol-pixabay-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/futebol-pixabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/futebol-pixabay-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/futebol-pixabay.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><figcaption>Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 1994, o genoc\u00eddio de Ruanda exemplificava n\u00e3o apenas a divis\u00e3o hist\u00f3rica existente no pa\u00eds, mas a dificuldade que muitos Estados africanos possu\u00edam para se imaginarem como unidades nacionais coesas. Entre as rupturas sociais que culminaram com a Guerra Civil do Pa\u00eds das Colinas e a necessidade de regressar \u00e0 normalidade p\u00f3s-conflito, questiona-se \u2013 a partir de um Estudo de Caso: \u201cQual o papel do futebol como instrumento de resist\u00eancia e reconstru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio nacional de narrativa comum no processo conciliat\u00f3rio do p\u00f3s-guerra civil de Ruanda; enquanto \u2013 contraditoriamente, como \u201cjogo social\u201d \u2013 compunha interesses hegem\u00f4nicos?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como hip\u00f3tese para esse questionamento, entende-se o futebol como simbologia fundamental na expans\u00e3o de pol\u00edticas sociais no p\u00f3s-guerra e auxiliador eficaz na retomada da conviv\u00eancia pac\u00edfica entre etnias em territ\u00f3rio ruand\u00eas. Sob a possibilidade de compreender tais indaga\u00e7\u00f5es, objetiva-se analisar n\u00e3o apenas os impactos causados pela instrumentaliza\u00e7\u00e3o do futebol como pol\u00edtica p\u00fablica, como tamb\u00e9m a funcionalidade desse elemento como via reconciliat\u00f3ria e reconstrutiva em Ruanda, no per\u00edodo que sucede o genoc\u00eddio ruand\u00eas, entre 1994 e 2003; ao conceituar a instrumentaliza\u00e7\u00e3o desse esporte como jogo social e ferramenta de poder pol\u00edtico na proposta de desenvolvimento social e na\u00a0\u00a0ressignifica\u00e7\u00e3o de conflitos, que perpassa pela \u201cdiplomacia da bola\u201d. Isso pode ser percebido preponderantemente na partida classificat\u00f3ria entre Ruanda e Gana, para a Copa das Na\u00e7\u00f5es Africanas de 2003. Essa pesquisa se justifica pelo entendimento de que o futebol \u00e9 uma\u00a0\u00a0tradi\u00e7\u00e3o inventada na conceitua\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es e pela possibilidade de diferentes instrumentos\u00a0\u00a0participarem na mobiliza\u00e7\u00e3o desconstrutiva de conflitos prolongados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O futebol como tradi\u00e7\u00e3o nacional inventada e imaginada:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado, como unidade conceitual, permanece historicamente como um dos focos das teorias de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Dentro dos limites desses estudos, tais entidades s\u00e3o abordadas e inseridas de modos distintos nesse sistema. Para alguns, o entendimento do Estado-na\u00e7\u00e3o perpassa como algo intr\u00ednseco \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o do \u201cinternacional\u201d, ou seja, sua unidade basilar &#8211; como as Teorias Realistas de Carr e Morgenthau (COX, 1981). Para outros, essa entidade \u00e9 colocada como parte constituinte, mas n\u00e3o isolada ou \u00fanica desse \u201cjogo internacional\u201d. Sob distintas perspectivas acerca dos Estados-Na\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel compreender que as tradi\u00e7\u00f5es \u2013&nbsp;&nbsp;como elementos inventados, socialmente imaginados e constru\u00eddos sob a influ\u00eancia de configura\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es globais complexas \u2013 s\u00e3o postas como nacionais e propostas, muitas vezes, estatalmente, a partir do contato com aquilo que lhe \u00e9 externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, a l\u00f3gica da inser\u00e7\u00e3o n\u00e3o simult\u00e2nea entre Estados e na\u00e7\u00f5es permite compreender que essa situa\u00e7\u00e3o \u2014 para al\u00e9m de uma leitura pol\u00edtica exclusivamente hier\u00e1rquica e redundante imposta pelos &#8220;mandat\u00e1rios&#8221; \u2014 se manifesta por meio de uma legitimidade emocional ancorada em um passado recente e marcada por diversos instrumentos, como o futebol, que auxiliam na constru\u00e7\u00e3o de um \u201cn\u00f3s\u201d, apesar das rupturas sociais e dos rela\u00e7\u00f5es de desigualdade. Diante do entendimento de que o tempo \u00e9 uma caracter\u00edstica necess\u00e1ria para o surgimento da concep\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o, muitos Estados africanos que se formaram no s\u00e9culo XX ainda carregam ra\u00edzes complexas de autodetermina\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m majoritariamente da \u201cPartilha da \u00c1frica\u201d, amplificada pela Confer\u00eancia de Berlim. Assim, apesar das contradi\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de Estados ainda dependentes em muitos n\u00edveis e da necessidade de desenvolvimento a partir de uma concep\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o, muitas vezes, incoerente com as entidades \u00e9tnicas-territoriais existentes, essas unidades pol\u00edtico-territoriais ainda buscam se legitimar atrav\u00e9s de uma lealdade primordial a si mesma como uma comunidade humana, que geralmente entendemos como nacionalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>As na\u00e7\u00f5es s\u00e3o imaginadas e dependem de um sentido comunit\u00e1rio comum que decorre de uma temporalidade n\u00e3o apenas hist\u00f3rica, mas presente. Em diferentes Estados, a capacidade de auto-imagina\u00e7\u00e3o se expressa de maneiras distintas na cria\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos eficazes para promover o sentimento de pertencimento, e das tradi\u00e7\u00f5es inventadas e formalmente institucionalizadas, para al\u00e9m do \u00e2mbito pol\u00edtico \u2013 que se estende, muitas vezes, \u00e0 parametriza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es institucionalizadas legalmente \u2013, mas que ressoam tamb\u00e9m na constitui\u00e7\u00e3o social e cultural de uma comunidade. Nesse sentido, entender-se como \u201cn\u00f3s\u201d e como \u201cna\u00e7\u00e3o\u201d parte de uma consci\u00eancia coletiva vista nos detalhes que circulam o internacional, como: os jogos sociais, o esporte e o futebol. Tal explica\u00e7\u00e3o permite entender como diferentes sociedades possuem dificuldades e aspectos distintos ao se imaginar como na\u00e7\u00e3o, bem como o caso de Ruanda.<\/p>\n\n\n\n<p>A Rep\u00fablica de Ruanda localiza-se na \u00c1frica Central e possui uma hist\u00f3ria marcada por conflitos entre grupos \u00e9tnicos, acentuado por um colonialismo cruel. Com a expans\u00e3o do imperialismo europeu, os belgas dominaram o territ\u00f3rio ruand\u00eas e basearam sua pol\u00edtica colonialista, principalmente ap\u00f3s \u00e0 Primeira Guerra Mundial,\u00a0\u00a0na consolida\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de uma estrutura \u201cpr\u00e9-existente\u201d de rivalidade \u00e9tnica, apoiando um governo minorit\u00e1rio de Tutsis e solidificando as rela\u00e7\u00f5es sociais, outrora, \u201cflu\u00eddas\u201d entre os mesmos e os Hutus. Tal cen\u00e1rio revelou-se ainda mais cr\u00edtico e dicot\u00f4mico no p\u00f3s-guerra de Independ\u00eancia, contra a B\u00e9lgica, em 1962, demonstrado pelas maiores heran\u00e7as coloniais deixadas naquele pa\u00eds: a divis\u00e3o, a estratifica\u00e7\u00e3o e a formaliza\u00e7\u00e3o das etnias, al\u00e9m da subsequente instabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de tal cen\u00e1rio pode-se perceber a dificuldade que o \u201cPa\u00eds das Colinas\u201d possu\u00eda ao tentar imaginar-se como um \u00fanico organismo sociol\u00f3gico que atravessava cronologicamente um tempo vazio e homog\u00eaneo e que, como comunidade imaginada, percorria solidamente a hist\u00f3ria (ANDERSON, 2008); visto que a inven\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias tradi\u00e7\u00f5es e ju\u00edzos sociais foram altamente marcados por pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o e da percep\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as que colocavam a sociedade ruandesa em uma posi\u00e7\u00e3o de constante atrito competitivo e estratificado, e que dificultava, assim, a sua pr\u00f3pria convic\u00e7\u00e3o de unidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>O nacionalismo, desse modo, como tradi\u00e7\u00e3o inventada socialmente, frente a vulnerabilidade pol\u00edtica e a mudan\u00e7a comportamental e relacional entre as etnias, lutava para criar em si uma continuidade artificial que rompia com um passado muito recente; encontrando posteriormente no futebol\u00a0\u00a0sua capacidade de proje\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio, o\u00a0\u00a0desenvolvimento desse esporte em Ruanda foi marcado por uma grande influ\u00eancia pol\u00edtica, que o premeditava a seguir os interesses particularistas dos grupos hegem\u00f4nicos. Essas din\u00e2micas afetavam diretamente o andamento das atividades esportivas, intensificando a discrimina\u00e7\u00e3o em treinos e jogos, al\u00e9m de provocar a interrup\u00e7\u00e3o de campeonatos \u2014 sinais de uma crise social em ebuli\u00e7\u00e3o e do inevit\u00e1vel envolvimento do esporte nas engrenagens da hist\u00f3ria ruandesa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A vulnerabilidade pol\u00edtica e a invers\u00e3o hist\u00f3rica de uma opress\u00e3o social de uma maioria Hutu para com a minoria Tutsi, dificultou a concep\u00e7\u00e3o do que era ser uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o, enquanto criava as condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o e a invas\u00e3o do pa\u00eds, em 1990, por um grupo guerrilheiro, a Frente Patri\u00f3tica de Ruanda (FPR), que buscava retomar o poder e possibilitar o retorno dos refugiados tutsis. Esse movimento marcou o in\u00edcio da guerra civil ruandesa, que culminaria em um dos maiores conflitos do s\u00e9culo XX: o genoc\u00eddio de Ruanda. Reiterando, ainda, a dificuldade de aplica\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o coletiva dessa inova\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica recente, a \u201cna\u00e7\u00e3o\u201d, e um de seus principais fen\u00f4menos subsequentes, o \u201cnacionalismo\u201d, seus s\u00edmbolos e interpreta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e que n\u00e3o ocorre de modo simult\u00e2neo, muitas vezes, \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o estatal (HOBSBAWM, 1997). Nesse sentido, pode-se afirmar que havia, no pa\u00eds, uma tens\u00e3o entre a inviabilidade das tradi\u00e7\u00f5es impostas e o passado moldado por elas \u2014 constru\u00eddo sobre a nega\u00e7\u00e3o de uma cultura marginalizada. Essa din\u00e2mica culmina em uma originalidade hist\u00f3rica, na qual o futebol surge como elemento mediador na constitui\u00e7\u00e3o de um nacionalismo ruand\u00eas, situado entre a possibilidade de transforma\u00e7\u00f5es estruturais e a esperan\u00e7a de uma futura uni\u00e3o desse povo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A diplomacia do futebol:\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o emerge da combina\u00e7\u00e3o de estudos interdisciplinares, incorporando abordagens pol\u00edticas, culturais e sociol\u00f3gicas que permitem uma an\u00e1lise sobre proje\u00e7\u00e3o de poder, pol\u00edtica nacional, pol\u00edtica externa e a diplomacia, enquanto elemento fundamental na escolha entre a guerra ou a paz. Sob as interfaces das din\u00e2micas internacionais, o futebol se configura como uma ferramenta estrat\u00e9gica para moldar a \u201cmarca\u201d internacional de um Estado, atuando em di\u00e1logo com a pol\u00edtica internacional e na mudan\u00e7a de paradigmas das imagens estatais, onde praticar tal esporte figura-se como mecanismo para atingir objetivos diplom\u00e1ticos (KWACHUH, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p>Esse jogo social, para al\u00e9m da pr\u00e1tica desportiva, carrega em si outra face: a de enxergar as din\u00e2micas da rotina tanto no \u00e2mbito nacional quanto internacional, permitindo an\u00e1lises do cen\u00e1rio pol\u00edtico sob a influ\u00eancia predominante das a\u00e7\u00f5es de atores internacionais; ao sugerir a poss\u00edvel exist\u00eancia de uma \u201carbitragem\u201d que nutre e supervisiona la\u00e7os intercomunit\u00e1rios, ao passo que relaciona-se como instrumento de poder social e cultural, influenciado por uma moral coletiva. Nesse vi\u00e9s, tal percep\u00e7\u00e3o sugestiona o futebol como estrat\u00e9gia ampla, diplom\u00e1tica e apaziguadora entre povos, de modo que sua proje\u00e7\u00e3o sobre as na\u00e7\u00f5es assemelha-se a um\u00a0<em>branding<\/em>, sustentado por uma certa legitimidade que refor\u00e7a tradi\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo que constrange certas estruturas; partindo do pressuposto de que a imagem que um pa\u00eds projeta externamente adv\u00e9m de uma concep\u00e7\u00e3o interna de ideias nacionais comuns. Esse entendimento \u00e9 refor\u00e7ado pela populariza\u00e7\u00e3o desse jogo, que se consolidou como uma ferramenta capaz de mobilizar massas em disputas \u2014 n\u00e3o em campos de batalha, mas em campos quadril\u00e1teros rodeados por torcedores atentos (OLIVEIRA, 2015). Nesse contexto, o futebol desempenha um papel \u00fanico na forma\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica social e na fertiliza\u00e7\u00e3o sociocultural por meio de mensagens pol\u00edticas, muitas vezes sutis, como se observou de forma expressiva entre os s\u00e9culos XX e XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o dirigida por essa ferramenta diplom\u00e1tica se relaciona com diversas estrat\u00e9gias pol\u00edticas utilizadas durante a hist\u00f3ria, convertendo-o tamb\u00e9m na proposi\u00e7\u00e3o de sentimentos nacionalistas. Pode-se observar que as a\u00e7\u00f5es e os posicionamentos pol\u00edticos de uma das grandes figuras da diplomacia brasileira, o Bar\u00e3o de Rio Branco, por exemplo, marcam um certo in\u00edcio da instrumentaliza\u00e7\u00e3o desse esporte como parte da proje\u00e7\u00e3o brasileira no internacional e na inven\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es nacionais pr\u00f3prias que adv\u00e9m do \u201cimaginar-se\u201d como um povo. Posteriormente, isso foi fundamental para o projeto de firmar o futebol como aliado da constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o proposta pelo Estado Novo de Get\u00falio Vargas, a conquista do primeiro t\u00edtulo brasileiro da Copa do Mundo em 1958 \u2013\u00a0\u00a0um per\u00edodo marcado pela tentativa desenvolvimentista e de integra\u00e7\u00e3o nacional \u2013, e, enfim, para um dos momentos de maiores destaques geopol\u00edticos do pa\u00eds, frente a proje\u00e7\u00e3o do seu\u00a0<em>soft power\u00a0<\/em>atrav\u00e9s da diplomacia do futebol, em um empreendimento pol\u00edtico capaz de parar conflitos: o amistoso entre a sele\u00e7\u00e3o brasileira e a sele\u00e7\u00e3o haitiana em 2004.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a participa\u00e7\u00e3o brasileira na Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti (MINUSTAH), galgou-se do futebol enquanto mecanismo diplom\u00e1tico. Sua demonstra\u00e7\u00e3o, assim, de que uma certa&nbsp;&nbsp;\u201ccultura de paz\u201d comp\u00f4s um grupo de valores abrangentes, sob a tentativa de cria\u00e7\u00e3o de uma coletividade em meio a necessidade de implementa\u00e7\u00e3o do sentimento de pertencimento, e de reconstru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds no p\u00f3s-guerra civil. Como ferramenta de diplomacia p\u00fablica, o futebol, ainda, arquiteta-se ciclicamente e influencia as esferas socioculturais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e militares. Um caso semelhante de mobiliza\u00e7\u00e3o al\u00e9m das quatro linhas foi a Copa do Mundo de 1990. Em meio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o da ordem bipolar para um mundo multipolar, a competi\u00e7\u00e3o articulou uma mem\u00f3ria ainda recente sob retrospecto das rela\u00e7\u00f5es nacionais,&nbsp;&nbsp;marcada simbolicamente pela Queda do Muro de Berlim (1989). Em tal contexto, a Alemanha Ocidental derrotou a Argentina e sagrou-se campe\u00e3 mundial, dois meses antes de sua unifica\u00e7\u00e3o definitiva, em setembro daquele ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Doravante tais exemplos, pode-se perceber que mesmo com maneiras distintas de lidar-se com as diferen\u00e7as regionais e internas, as amea\u00e7as externas e a busca por um sentimento de pertencimento possibilita para al\u00e9m de uma concep\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o nacional pol\u00edtica, mas sociocultural; o futebol \u00e9 usado para promover a identifica\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o com o seu pa\u00eds, al\u00e9m de auxiliar na forma\u00e7\u00e3o de organismos que coordenam tal atividade (OLIVEIRA, 2015). Sob tais apontamentos, surge a possibilidade de compara\u00e7\u00e3o a outra situa\u00e7\u00e3o estatal que mobilizou o internacional frente a debates como a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, colonialismo, rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de desigualdade e a instrumentaliza\u00e7\u00e3o do futebol como aliado na constru\u00e7\u00e3o de identidades nacionais e espa\u00e7os aptos a propor o exerc\u00edcio de rivalidades e conflitos ritualizados, no cerne da consolida\u00e7\u00e3o de Estados modernos: o papel conciliat\u00f3rio e reconstrutivo do futebol no p\u00f3s-genoc\u00eddio de Ruanda (KISCHINHENYSKY, 2004).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O genoc\u00eddio ruand\u00eas: o ataque fora das quatro linhas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o colonial belga \u2014 que anteriormente favorecia o &#8220;alinhamento&#8221; com a minoria tutsi \u2014 houve uma mudan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico em Ruanda, mas n\u00e3o nos pressupostos que sustentavam esse poder. A dicotomia dessa pol\u00edtica feita sob linhas \u00e9tnicas permitiu a forma\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o e a invas\u00e3o ao pa\u00eds, em 1990, de um grupo guerrilheiro que lutava para retomar o poder e permitir o retorno dos refugiados tutsis em Ruanda, a Frente Patri\u00f3tica de Ruanda (FPR), dando in\u00edcio a Guerra Civil do pa\u00eds. Em 1993, o governo vigente, de Juv\u00e9nal Habyarimana, foi for\u00e7ado \u00e0 uma mesa de debate e negocia\u00e7\u00e3o, as Na\u00e7\u00f5es Unidas, ainda, formaram uma miss\u00e3o de paz para assegurar o mantimento do acordo firmado entre as partes, que para a ONU aparentava possuir \u00eaxito (EKLUND, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Em um per\u00edodo onde as atividades do cotidiano transformavam-se frente a possibilidade iminente de um conflito, o Rayon Sports \u2013 time mais aclamado do pa\u00eds \u2013 se classificou para a African Cup Winners<a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, eliminando o Al-Hilal (Sud\u00e3o) no Est\u00e1dio Nacional de Amahoro, um m\u00eas antes do in\u00edcio do genoc\u00eddio, no dia 06 de mar\u00e7o de 1994. Apesar da classifica\u00e7\u00e3o, o Rayon n\u00e3o participou do restante da competi\u00e7\u00e3o por conta do cen\u00e1rio sociopol\u00edtico de Ruanda, mas essa partida ainda \u00e9 lembrada como o \u00faltimo momento anterior ao genoc\u00eddio que \u2013 em comemora\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp;\u2013 soldados, pol\u00edticos e ruandeses comuns, uniram-se e celebraram como uma na\u00e7\u00e3o, mesmo que de maneira breve (DIDIER E NZEYIMANA, 2020). Tal acontecimento reitera certo pren\u00fancio da instrumentaliza\u00e7\u00e3o do futebol, frente a percep\u00e7\u00e3o de que como construtor de sociabilidades, pode garantir meios de coes\u00e3o social \u2013 mesmo que moment\u00e2neos&nbsp;&nbsp;\u2013 visto que as vit\u00f3rias no campo esportivo s\u00e3o tomadas como trunfos de todos (CANETTIERI, 2010).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre abril e julho de 1994, o pa\u00eds dividiu-se, deixando Ruanda \u00e0 beira de um colapso total. Por quase cem dias, rotinas foram suspensas e o pa\u00eds transformou-se num gigantesco campo de morte a c\u00e9u aberto, que s\u00f3 findou quando a FPR conseguiu o dom\u00ednio sobre a maior parte territorial do pa\u00eds, deixando cerca de 800.000 mortos por milicianos hutus. Para Tereza Nogueira Pinto, como expl\u00edcito em seu artigo \u201cRuanda: entre liberdade e seguran\u00e7a\u201d, a caracter\u00edstica mais marcante de tal conflito foi a sua proximidade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA caracter\u00edstica mais singular, e mais perturbadora, do genoc\u00eddio ruand\u00eas foi ter sido um genoc\u00eddio de proximidade. Professores mataram alunos, m\u00e9dicos mataram pacientes, padres mataram fi\u00e9is, irm\u00e3os mataram irm\u00e3os\u201d (PINTO, 2011, p.47).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio de atrocidades, tal concep\u00e7\u00e3o se contrap\u00f5e com uma caracter\u00edstica,&nbsp;&nbsp;para muitos, intr\u00ednseca ao futebol, sua capacidade de reiterar la\u00e7os de uni\u00e3o mesmo entre aqueles que n\u00e3o se conhecem, expl\u00edcita atrav\u00e9s da \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d de&nbsp;&nbsp;muito jogadores<a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;por torcedores e companheiros de equipe. Entretanto, tais contrastes reafirmam que esse esporte n\u00e3o ficou inc\u00f3lume ao conflito, ressaltando a diversidade dos pressupostos da guerra, para al\u00e9m da&nbsp;&nbsp;pol\u00edtica inadequada imposta pelos belgas a partir de 1916 ou das amarras neocoloniais de mis\u00e9ria ou intriga, mas do pr\u00f3prio imagin\u00e1rio ruand\u00eas e da constru\u00e7\u00e3o de uma rivalidade hist\u00f3rica e social que tenderia a causar a derrocada de mais uma na\u00e7\u00e3o africana fora de campo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O imperativo da diplomacia da bola e a reconcilia\u00e7\u00e3o em Ruanda.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 04 de julho de 1994, a FPR conquistou Kigali e o genoc\u00eddio, formalmente, chegava ao fim. Ruanda encontrava-se devastada: suas ruas e campos acumulavam corpos mutilados, suas infraestruturas b\u00e1sicas estavam destru\u00eddas e restavam ru\u00ednas n\u00e3o apenas de edif\u00edcios, mas da mem\u00f3ria que um dia havia sido compartilhada pelos cidad\u00e3os. Frente ao caos de um Estado que n\u00e3o mais se enxergava como na\u00e7\u00e3o, objetivou-se a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, a justi\u00e7a e a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades, sob a l\u00f3gica de extinguir o divisionismo e a necessidade de equilibrar a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional e a reintegra\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas e seus agressores, em uma sociedade que lutava para garantir sua sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica (PINTO, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da necessidade de uni\u00e3o, da reconcilia\u00e7\u00e3o entre etnias e do cultivo da mem\u00f3ria das v\u00edtimas do genoc\u00eddio, o futebol \u2013 que por muito tempo foi o \u00fanico ambiente capaz de manter o conv\u00edvio pac\u00edfico \u00e0quele povo \u2013 foi materializado como pol\u00edtica p\u00fablica de promo\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o da paz. Tal situa\u00e7\u00e3o foi exemplificada na promo\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0na primeira a\u00e7\u00e3o p\u00fablica realizada coletivamente, cerca de dois meses ap\u00f3s o fim do genoc\u00eddio: uma partida de futebol, entre Kiyovu e o Rayon Sports no Est\u00e1dio de Kigali. Em 11 de setembro de 1994, milhares de pessoas sa\u00edram de seus esconderijos e compareceram ao evento que marcava o in\u00edcio da volta \u00e0 rotina da vida e do jogo e, que momentaneamente, conseguiu transformar inimigos mortais em torcedores e companheiros de time.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Como um elemento auxiliar na solu\u00e7\u00e3o de conflitos e na distra\u00e7\u00e3o dos horrores de um passado recente, o futebol se consolidou como poss\u00edvel via de cura desta na\u00e7\u00e3o quebrada. Assim, pode-se considerar que um dos auges do esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o de Ruanda foi alcan\u00e7ado em 2003 quando, pela primeira vez, a sele\u00e7\u00e3o ruandesa conseguiu se classificar \u00e0 Copa das Na\u00e7\u00f5es Africanas, eliminando a Gana, no mesmo est\u00e1dio utilizado pelos refugiados como abrigo no per\u00edodo do conflito, em Kigali. A uni\u00e3o presente naquele momento, quase uma d\u00e9cada do genoc\u00eddio ruand\u00eas, coloca em pauta a possibilidade de restaura\u00e7\u00e3o da identidade nacional do Pa\u00eds das Colinas e o questionamento se ela se expandiria para os rumos pol\u00edticos do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que, naquela partida, a profunda divis\u00e3o social, o passado recente de guerra e os interesses antag\u00f4nicos deram lugar, mesmo que moment\u00e2neamente, a uma identidade futebol\u00edstica comum \u2014 um paradoxo entre a ilus\u00e3o e a realidade, capaz de mobilizar a popula\u00e7\u00e3o. Essa dimens\u00e3o simb\u00f3lica ficou evidente no discurso do ent\u00e3o presidente, Paul Kagame.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA alegria de hoje pertence a todos e a cada um; daqueles milhares de cidad\u00e3os que estavam presentes no est\u00e1dio, bem como os outros que n\u00e3o vieram para assistir ao jogo\u201d (HATZFELD, 2005, p.121).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O futebol, desde ent\u00e3o, tem sido utilizado n\u00e3o apenas como pol\u00edtica de desenvolvimento socioecon\u00f4mico no pa\u00eds \u2013 haja visto seu uso para gera\u00e7\u00e3o de renda e atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica \u2013,&nbsp;&nbsp;mas no envolvimento de comunidades na cria\u00e7\u00e3o de coes\u00e3o social, no combate ao preconceito e na reabilita\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as que sofreram perdas, torturas, abusos e mutila\u00e7\u00f5es no per\u00edodo do conflito e que atualmente encontram no ambiente esportivo, um lugar seguro para dialogar e se expressar diante de uma sociedade, intrinsecamente, patriarcal. Contudo, a coaliz\u00e3o entre o governo ruand\u00eas e a sociedade civil organizada<a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, apesar de gerar uni\u00e3o e um ideal imaginado coletivamente de recupera\u00e7\u00e3o nacional, tamb\u00e9m traz uma perspectiva da instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de um esporte de grande influ\u00eancia social, capaz de representar n\u00e3o apenas um povo, mas tamb\u00e9m seu governo; sob simbologias que extravasam as quatro linhas e reiteram a utiliza\u00e7\u00e3o de distintas ferramentas no processo de reconcilia\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o de conflitos (CANETTIERI, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob a l\u00f3gica de inser\u00e7\u00e3o n\u00e3o concomitante de Estado\/Na\u00e7\u00e3o no sistema internacional, exemplificada em Ruanda; as mem\u00f3rias de um passado recente e hostil, anterior ao pr\u00f3prio genocidio, demonstram como o Pa\u00eds das Colinas esbarrou-se na dificuldade de imaginar-se como uma unidade coesa, comum e igualit\u00e1ria. Diante desse cen\u00e1rio, o futebol \u2014 enquanto instrumento de constru\u00e7\u00e3o de sociabilidades \u2014 foi mobilizado no p\u00f3s-guerra como forma de contestar a l\u00f3gica do&nbsp;<em>divide and rule<\/em>, anteriormente utilizada para refor\u00e7ar estruturas hier\u00e1rquicas r\u00edgidamente definidas. Dessa forma, esse esporte reiterou seu papel como contribuinte na reabilita\u00e7\u00e3o social e na ressignifica\u00e7\u00e3o do conflito, atuando de modo enf\u00e1tico&nbsp;&nbsp;em seu processo conciliat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Aponta-se, nesse sentido, que esse esporte tem se tornado, nos \u00faltimos trinta anos, um fator simb\u00f3lico na retomada da conviv\u00eancia social em Ruanda e no desenvolvimento do ide\u00e1rio nacional comum, instrumentalizado n\u00e3o apenas pela sociedade civil ruandesa, mas pelo governo de Paul Kagame, presidente de Ruanda desde 2000. Desse modo, cabe-se questionar, ainda, at\u00e9 que ponto essa instrumentaliza\u00e7\u00e3o tem sido constituinte de uma \u201cgovernamentalidade\u201d que, consequentemente, ao nacionalizar interesses pol\u00edticos de determinados atores, t\u00eam afastado o cen\u00e1rio ruand\u00eas de uma democracia real; al\u00e9m da possibilidade de encontrar, nas iniciativas p\u00fablicas futebol\u00edsticas a capacidade de&nbsp;<em>\u201cpeacebuilding\u201d<\/em>. Por fim, dado o exposto, \u00e9 poss\u00edvel ainda identificar a viabilidade de diferentes atores na constru\u00e7\u00e3o da paz e igualdade, na mobiliza\u00e7\u00e3o desconstrutiva de conflitos prolongados, a averigua\u00e7\u00e3o de novas vias conciliat\u00f3rias, atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas cotidianas, como o futebol.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSON, Benedict.&nbsp;<strong>Comunidades imaginadas: reflex\u00f5es sobre a origem e a difus\u00e3o do nacionalismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013. Tradu\u00e7\u00e3o de Denise Bottmann.<\/p>\n\n\n\n<p>CANETTIERI, Thiago.&nbsp;<strong>A import\u00e2ncia do futebol como instrumento de geopol\u00edtica internacional.<\/strong><em>&nbsp;Revista de Geopol\u00edtica<\/em>, Ponta Grossa-Pr, v.1, n. 2, p. 116-128, jun\/dez 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>COX, Robert W.&nbsp;<strong>For\u00e7as sociais, Estados e ordens mundiais: al\u00e9m da teoria de Rela\u00e7\u00f5es&nbsp;&nbsp;Internacionais<\/strong>.&nbsp;<em>OIKOS<\/em>, Rio de Janeiro-RJ, v. 20, n. 2, p. 10-37, 2021.&nbsp;&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o de Caio Gontijo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>DIDIER, Shema-Maboko; NZEYIMANA, Celestin.&nbsp;<strong>Using sport for unity and reconciliation, development and peace: case of Rwanda.&nbsp;<\/strong><em>Sport and Olympic-Paralympic Studies Journal<\/em>, [S.l.], nov. 2020.&nbsp;Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/346054825\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/346054825\">https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/346054825<\/a>. Acesso em: 23 de nov. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>EKLUND, Nicholas.&nbsp;<strong>Reconciliation through football: A study on the role of football in the reconciliation process of Rwanda.<\/strong>&nbsp;Bachelor Degree \u2013 Peace and Conflict Studies, Department of Political Science, Lund University.&nbsp;Lund, p.47, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>HATZFELD, Jean.&nbsp;<strong>Uma temporada de fac\u00f5es: relatos do genoc\u00eddio em Ruanda.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2005. Tradu\u00e7\u00e3o de Rosa Freire d\u2019Aguiar.<\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM, Eric.&nbsp;<strong>Introdu\u00e7\u00e3o: A inven\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es.<\/strong>&nbsp;In: HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence (orgs.).&nbsp;A inven\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. (Cole\u00e7\u00e3o Pensamento Cr\u00edtico; v. 55).<\/p>\n\n\n\n<p>KISCHINHEVSKY, Marcelo.&nbsp;<strong>Do l\u00e1baro que ostentas estrelado \u2014 m\u00eddia, futebol e identidade.<\/strong>&nbsp;2004. 225 f. Tese (Doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura) \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Comunica\u00e7\u00e3o, Rio de Janeiro, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>KWACHUH, Tekang P.&nbsp;<strong>Nation branding, public and sports diplomacy in Africa: the case of Rwanda.&nbsp;<\/strong>Anadolu University, Department of Political Science and International Relations, 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/ssrn.com\/abstract=4460282\"><\/a><a href=\"https:\/\/ssrn.com\/abstract=4460282\">https:\/\/ssrn.com\/abstract=4460282<\/a>.&nbsp;Acesso em: 23 de nov. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Eduardo Neves Faria de.&nbsp;<strong>As Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e o futebol como diplomacia da paz.&nbsp;<\/strong>Monografia (Gradua\u00e7\u00e3o) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia. Bras\u00edlia, 2015.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;que deu origem \u00e0 Copa das Confedera\u00e7\u00f5es Africana (CAF).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;como Murangwa Eugene, goleiro do time hist\u00f3rico do Rayon, Tite Rushita e \u00c9vergiste Habihirwe.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/2DEC3A74-8E92-4F5A-850B-9A4C0D414A8A#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0como a Kimisagara Football for Hope Club (KFFHC- Esperance) e a Football for Hope, Peace and Unity (FHPU).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Maria Luiza Rodrigues Mendes de Souza<\/strong> \u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadora-bolsista (PIBIC) do N\u00facleo de Estudos de Geopol\u00edtica, Integra\u00e7\u00e3o Regional e Sistema Mundial (GIS) e integrante do Grupo de Pesquisa OPECDH (Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica e Economia Contempor\u00e2neas e Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos), ambos da UFRJ. Integrante do Laborat\u00f3rio Orti Oricellari de An\u00e1lise de Conjuntura em Economia Pol\u00edtica Internacional, do IRID e do PEPI-IE\/UFRJ; e extensionista do N\u00facleo de Aux\u00edlio para Imigrantes e Solicitantes de Ref\u00fagio (NAPIES-UFRJ).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O trabalho foi orientado pelo professor Leandro Loureiro Costa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 12 | N\u00famero 117 | Abr. 2025 Por Maria Luiza Rodrigues Mendes<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3360,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645],"tags":[],"class_list":["post-3359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3359"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3361,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3359\/revisions\/3361"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}