{"id":3390,"date":"2025-08-04T09:00:00","date_gmt":"2025-08-04T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3390"},"modified":"2025-08-01T00:47:38","modified_gmt":"2025-08-01T03:47:38","slug":"a-operacao-militar-do-azerbaijao-em-nagorno-karabakh-nos-anos-2020-e-2023-uma-analise-da-tomada-de-decisao-sob-a-perspectiva-cognitiva-de-analise-de-politica-externa%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3390","title":{"rendered":"A OPERA\u00c7\u00c3O MILITAR DO AZERBAIJ\u00c3O EM NAGORNO-KARABAKH NOS ANOS 2020 E 2023: uma an\u00e1lise da tomada de decis\u00e3o sob a Perspectiva Cognitiva de An\u00e1lise de Pol\u00edtica Externa\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 12 | N\u00famero 119 | Ago. 2025<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Ana Carolina Chrys\u00f3stomo de Sousa de Castro, <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Maria Fernanda Kerr e Nina Bonif\u00e1cio<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"742\" data-id=\"1951\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/board-game-529586_12802-1024x742.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1951\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/board-game-529586_12802-1024x742.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/board-game-529586_12802-300x218.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/board-game-529586_12802-768x557.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/board-game-529586_12802.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Historicamente, \u00e9 poss\u00edvel iniciar a an\u00e1lise da origem do conflito entre a Arm\u00eania e o Azerbaij\u00e3o na \u00e9poca da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Isto se deve ao fato de que ambos os pa\u00edses faziam parte do Imp\u00e9rio Russo, com fronteiras delicadamente estabelecidas. Quando o Imp\u00e9rio foi destitu\u00eddo em 1917, os povos desses territ\u00f3rios ganharam o direito \u00e0 independ\u00eancia, por\u00e9m, com isso, surgiu o primeiro embate entre eles: a reivindica\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio de Nagorno-Karabakh. Como consequ\u00eancia, os 2 povos passaram a ocupar a regi\u00e3o. Em 1921, a partir da cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os 2 pa\u00edses viraram rep\u00fablicas integrantes da na\u00e7\u00e3o e a disputa foi controlada por Stalin, l\u00edder sovi\u00e9tico, que estabeleceu a regi\u00e3o em quest\u00e3o como parte do Azerbaij\u00e3o, mesmo a popula\u00e7\u00e3o residente sendo de maioria arm\u00eania, o transformando em Oblast Aut\u00f4nomo em 1923.&nbsp;(Aparecido e Mori, 2021, p. 2)<\/p>\n\n\n\n<p>Anos depois, com o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a regi\u00e3o voltou a ser ponto de conflito entre arm\u00eanios e azerbaijanos, dando in\u00edcio a Primeira Guerra de Nagorno Karabakh. Como consequ\u00eancia disso, um plebiscito foi realizado em 1991 para definir se Karabakh deveria virar uma rep\u00fablica independente. O resultado foi positivo para a forma\u00e7\u00e3o da chamada Rep\u00fablica de Artsakh, que se configura, na verdade, como um enclave arm\u00eanio dentro do Azerbaij\u00e3o, por\u00e9m, ap\u00f3s essa decis\u00e3o, os conflitos militares que j\u00e1 aconteciam na regi\u00e3o desde 1988 ficaram ainda mais graves (Loureiro e Porto, 2021). Em 1992, uma pequena cidade da regi\u00e3o passou por uma limpeza \u00e9tnica planejada por militares arm\u00eanios, deixando quase 2 mil pessoas mortas e feitas de ref\u00e9ns, al\u00e9m do deslocamento for\u00e7ado de milhares de civis amedrontados pelo acontecimento. A viol\u00eancia do conflito n\u00e3o se restringiu a apenas esse epis\u00f3dio, mas se prolongou at\u00e9 1994, quando um cessar-fogo atrav\u00e9s do Protocolo de Bishkek, mediado pela ent\u00e3o R\u00fassia, foi assinado pelos pa\u00edses. Apesar da assinatura do documento garantir a independ\u00eancia da Rep\u00fablica de Artsakh, foi apenas quest\u00e3o de tempo at\u00e9 novas tens\u00f5es surgirem na regi\u00e3o (Almeida, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, ap\u00f3s a morte de quase 20 soldados de ambos os lados na regi\u00e3o, a Arm\u00eania declarou publicamente o temor quanto \u00e0 possibilidade de uma nova guerra. Como resposta, a R\u00fassia trabalhou novamente como mediadora, buscando uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para o impasse. Contudo, em 2016, o conflito geopol\u00edtico voltou a mostrar ind\u00edcios de tens\u00e3o com a captura de aproximadamente 8 a 20 km\u00b2 do territ\u00f3rio de maioria arm\u00eania pelo Azerbaij\u00e3o (Almeida, 2023). Mais uma vez, as tens\u00f5es foram temporariamente apaziguadas, desta vez com uma interven\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil da R\u00fassia, junto dos Estados Unidos e Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, \u00e9 oficialmente declarada a Segunda Guerra de Nagorno&nbsp;Karabakh, em que Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o e a Rep\u00fablica de Nagorno Karabakh se enfrentaram violentamente por aproximadamente 6 semanas. Nesse conflito, a Turquia apoiou militarmente o Azerbaij\u00e3o, que saiu como \u201cvitorioso\u201d. Durante esse per\u00edodo, o car\u00e1ter diferenciado da guerra foi o uso de tecnologias avan\u00e7adas, como drones e avi\u00f5es de ponta (\u201cIA e drones do Azerbaij\u00e3o dominam a guerra contra Arm\u00eania\u201d, 2020).&nbsp;A R\u00fassia se envolveu de maneira mais t\u00edmida no conflito devido ao seu interesse duplo nos pa\u00edses envolvidos, ajudando de maneira mais participativa apenas na proposta do cessar-fogo. \u00c9 importante destacar que ao fim da guerra, a popula\u00e7\u00e3o azerbaij\u00e3 comemorou amplamente devido \u00e0 sua vis\u00e3o de vit\u00f3ria no conflito, enquanto a popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania protestou intensamente contra o primeiro-ministro e sua decis\u00e3o de assinatura do acordo, inclusive com pedidos de ren\u00fancia e acusa\u00e7\u00f5es de trai\u00e7\u00e3o \u00e0 na\u00e7\u00e3o por parte da popula\u00e7\u00e3o direcionada ao l\u00edder pol\u00edtico (\u201cArm\u00eanios pedem ren\u00fancia de Pashigian por causa do \u2018conflito entre povos fronteiri\u00e7os\u201d, 2024). No acordo, ficou decidido que a Arm\u00eania deveria devolver grande parte dos territ\u00f3rios conquistados e que soldados russos seriam alocados para a regi\u00e3o para vigiar o term\u00f4metro do conflito e as a\u00e7\u00f5es das duas for\u00e7as militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, em um cen\u00e1rio mais recente, no ano de 2023 o Azerbaij\u00e3o lan\u00e7ou outra a\u00e7\u00e3o militar rel\u00e2mpago para a regi\u00e3o de Nagorno ap\u00f3s supostamente ter sido atacado por tropas arm\u00eanias, em uma clara tentativa de expulsar a popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania do local. Como consequ\u00eancia, a for\u00e7a azeri conseguiu se estabelecer em todos os centros estrat\u00e9gicos de Nagorno-Karabakh, incluindo a capital Khankendi, o que levou a um r\u00e1pido acordo de cessar-fogo que exigiu o desarmamento completo das for\u00e7as arm\u00eanias (G1, 2023).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">MAPA 1: CONFLITO ENTRE AZERBAIJ\u00c3O E ARM\u00caNIA EM 2020<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"725\" height=\"379\" data-id=\"3391\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO2025B.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3391\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO2025B.png 725w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO2025B-300x157.png 300w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: TRT WORLD; Padilha, 2020. Defesa A\u00e9rea &amp; Naval.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma simplificada, a partir de 1988, inicia-se um conflito entre o Azerbaij\u00e3o e a Arm\u00eania pelo controle da regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh. Em setembro de 1991, l\u00edderes arm\u00eanios organizaram um referendo que declarou a regi\u00e3o como uma rep\u00fablica independente, conhecida como Rep\u00fablica de Artsakh. Com o conflito ainda em curso, em maio de 1992, os arm\u00eanios conseguiram abrir o corredor de Lachin, que conecta Nagorno-Karabakh \u00e0 Arm\u00eania, reduzindo o bloqueio imposto pelas for\u00e7as azeris. Em 1994, um cessar-fogo mediado pela R\u00fassia foi firmado, consolidando uma aparente vit\u00f3ria arm\u00eania; no entanto, o acordo n\u00e3o foi suficiente para conter a viol\u00eancia persistente entre as partes envolvidas (Minorities at Risk Project, 2004). Em abril de 2016, ocorreu \u201cA Guerra dos Quatro Dias\u201d, com centenas de mortos e com a conquista de pequenas \u00e1reas por parte do Azerbaij\u00e3o. As crescentes tens\u00f5es culminaram na guerra dos 44 dias entre setembro e novembro de 2020, durante a qual o Azerbaij\u00e3o reconquistou partes significativas do territ\u00f3rio em disputa. O conflito foi encerrado por um acordo mediado pela R\u00fassia, que tamb\u00e9m estabeleceu tropas como for\u00e7as de paz. J\u00e1 em setembro de 2023, o pa\u00eds lan\u00e7a uma opera\u00e7\u00e3o militar rel\u00e2mpago, for\u00e7ando os arm\u00eanios de Nagorno-Karabakh a se renderem, marcando um ponto cr\u00edtico no conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, neste artigo, buscamos entender as raz\u00f5es que levaram o Azerbaij\u00e3o a realizar opera\u00e7\u00f5es militares no territ\u00f3rio de Nagorno-Karabakh em 2020 e em 2023, analisando com mais detalhes a escalada desses \u00faltimos acontecimentos pol\u00edticos. Para isso, utilizamos a Abordagem Cognitiva de Brecher, Steinberg e Stein (1969), que nos ajuda a analisar esses momentos com mais profundidade, pois analisa como os l\u00edderes pensam e percebem as circunst\u00e2ncias, n\u00e3o apenas o que o ambiente internacional imp\u00f5em, mostrando que a pol\u00edtica externa \u00e9 tanto uma constru\u00e7\u00e3o mental quanto uma resposta \u00e0s press\u00f5es externas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, destacamos motiva\u00e7\u00f5es no ambiente operacional como o desenvolvimento econ\u00f4mico e militar, a estrutura pol\u00edtica do pa\u00eds e suas alian\u00e7as internacionais. J\u00e1 em 2023, consideramos, al\u00e9m dos motivos apontados em 2020, o contexto de uma R\u00fassia enfraquecida pela guerra na Ucr\u00e2nia, a aproxima\u00e7\u00e3o do Azerbaij\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia e as acusa\u00e7\u00f5es dos ataques arm\u00eanios. No entanto, fatores cruciais como&nbsp;as cren\u00e7as, o legado hist\u00f3rico do pa\u00eds e a ideologia da na\u00e7\u00e3o azerbaijana, que se encontram no \u00e2mbito psicol\u00f3gico da abordagem, s\u00e3o elementos chaves que devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o para se entender a tomada de decis\u00e3o do Azerbaij\u00e3o em ambos os momentos a serem analisados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>A Abordagem Cognitiva em An\u00e1lise de Pol\u00edtica Externa<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A teoria cognitiva proposta por Michael Brecher, junto com Blema Steinberg e Janice Stein (1969), oferece uma abordagem inovadora para a an\u00e1lise da formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica externa, enfatizando o papel central das percep\u00e7\u00f5es e predisposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas no processo decis\u00f3rio. Baseado nas concep\u00e7\u00f5es de Sprout e Sprout (1956) sobre o ambiente psicol\u00f3gico e na teoria do sistema pol\u00edtico de David Easton (1953), o modelo de Brecher e suas coautoras sugere que as decis\u00f5es de pol\u00edtica externa n\u00e3o s\u00e3o tomadas de maneira objetiva, mas s\u00e3o moldadas pela interpreta\u00e7\u00e3o subjetiva dos<em>inputs<\/em>\u00a0(informa\u00e7\u00f5es do ambiente operacional) filtrados pelas imagens e cren\u00e7as dos l\u00edderes. Dessa forma, a intera\u00e7\u00e3o entre esses<em>\u00a0inputs\u00a0<\/em>e as imagens das elites decis\u00f3rias resulta em\u00a0<em>outputs\u00a0<\/em>(decis\u00f5es), que geram um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o, modificando o ambiente operacional e influenciando futuras decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">FIGURA 1: MODELO DE AN\u00c1LISE DE POL\u00cdTICA EXTERNA PROPOSTO POR BRECHER, STEINBERG E STEIN (1969)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"479\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO25A.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3392\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO25A.png 456w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1AGO25A-286x300.png 286w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Fonte: Adaptado de Gon\u00e7alves; Pinheiros, 2020 , p.174.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste modelo cognitivo, os&nbsp;<em>inputs<\/em>&nbsp;s\u00e3o compostos por informa\u00e7\u00f5es provenientes de duas fontes principais: o ambiente interno e o externo. O ambiente interno inclui fatores dom\u00e9sticos, como press\u00f5es pol\u00edticas internas, identidade nacional, capacidade militar, interesses de grupos e demandas sociais. J\u00e1 o ambiente externo refere-se ao contexto internacional, que envolve rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, condi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, alian\u00e7as e press\u00f5es econ\u00f4micas. No entanto, Brecher, Steinberg e Stein (1969) argumentam que esses&nbsp;<em>inputs<\/em>&nbsp;n\u00e3o influenciam diretamente as decis\u00f5es, mas s\u00e3o interpretados por meio das imagens dos decisores, que s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es subjetivas de como os l\u00edderes percebem outros Estados, situa\u00e7\u00f5es internacionais e suas pr\u00f3prias capacidades no sistema global. Essas imagens funcionam como filtros cognitivos que permitem que os l\u00edderes interpretem rapidamente os comportamentos dos outros atores, ou seja, elas organizam e simplificam a realidade, podendo exagerar ou minimizar amea\u00e7as baseadas em percep\u00e7\u00f5es subjetivas em detrimento de avalia\u00e7\u00f5es objetivas da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das imagens, as predisposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas dos l\u00edderes, tais como as cren\u00e7as, valores e emo\u00e7\u00f5es, desempenham um papel crucial no processo de interpreta\u00e7\u00e3o dos&nbsp;<em>inputs<\/em>, pois elas alteram a percep\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes sobre os eventos internacionais. Por exemplo, as cren\u00e7as s\u00e3o conjuntos relativamente est\u00e1veis de ideias sobre como o mundo funciona, sobre a natureza de certos atores internacionais e sobre o papel do pr\u00f3prio pa\u00eds no sistema internacional; j\u00e1 as emo\u00e7\u00f5es, aumentam a intensidade com que certas amea\u00e7as s\u00e3o percebidas. Desse modo, um decisor com uma predisposi\u00e7\u00e3o negativa em rela\u00e7\u00e3o a um determinado pa\u00eds pode interpretar a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas neutras como amea\u00e7as, enquanto outro, com uma vis\u00e3o mais cooperativa, pode ver essas mesmas a\u00e7\u00f5es como oportunidades de di\u00e1logo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo cognitivo tamb\u00e9m incorpora o conceito de retroalimenta\u00e7\u00e3o, que descreve como as decis\u00f5es tomadas alteram o ambiente operacional e geram novos&nbsp;<em>inputs<\/em>&nbsp;para decis\u00f5es futuras. Ap\u00f3s a formula\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o, mudan\u00e7as no contexto interno e externo influenciam as informa\u00e7\u00f5es que os decisores recebem e, consequentemente, afetam as decis\u00f5es subsequentes. Esse ciclo cont\u00ednuo de intera\u00e7\u00e3o entre decis\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es no ambiente cria um sistema din\u00e2mico e adapt\u00e1vel, no qual as a\u00e7\u00f5es passadas se tornam parte do processo decis\u00f3rio futuro. Assim, Brecher e suas coautoras, Steinberg e Stein (1969), apresentaram um modelo que oferece uma an\u00e1lise mais profunda e complexa, considerando tanto os fatores objetivos quanto as percep\u00e7\u00f5es subjetivas e explicando como essas intera\u00e7\u00f5es contribuem para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas externas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>A opera\u00e7\u00e3o do Azerbaij\u00e3o por meio da abordagem cognitiva<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Os&nbsp;<em>inputs<\/em>&nbsp;internos do Azerbaij\u00e3o no conflito de Nagorno-Karabakh em 2020 e em 2023 s\u00e3o marcados por fatores hist\u00f3ricos, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que moldaram sua pol\u00edtica externa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Arm\u00eania. Em primeiro lugar, nos \u00faltimos 20 anos o Azerbaij\u00e3o experimentou um desenvolvimento econ\u00f4mico expressivo, impulsionado por sua posi\u00e7\u00e3o como uma pot\u00eancia energ\u00e9tica no mercado global. A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s n\u00e3o apenas enriqueceu a economia, mas tamb\u00e9m permitiu um fortalecimento militar significativo, com investimentos robustos em tecnologia e infraestrutura b\u00e9lica, possibilitando a moderniza\u00e7\u00e3o das suas for\u00e7as armadas e tornando-se militarmente superior \u00e0 Arm\u00eania. Este avan\u00e7o foi complementado por estrat\u00e9gias de proje\u00e7\u00e3o internacional, como o uso de \u201csportswashing\u201d, visando melhorar sua imagem no cen\u00e1rio global, atrair aliados e investimentos (Kunti, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a estrutura pol\u00edtica do pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 um fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito interno. Em 1989, sob a lideran\u00e7a de Abulfaz Elchibey, foi fundada a Frente Popular do Azerbaij\u00e3o, movimento que organizou manifesta\u00e7\u00f5es em defesa da manuten\u00e7\u00e3o do controle azerbaijano sobre a regi\u00e3o disputada. Em 1992, Elchibey foi eleito presidente nas primeiras elei\u00e7\u00f5es livres do pa\u00eds, governando at\u00e9 1993 &#8211; evid\u00eancia de sua popularidade frente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. A partir de 1993 at\u00e9 2003, quem esteve no poder foi Heydar Aliyev, fundador do Partido Novo Azerbaij\u00e3o, que considerava o conflito arm\u00eanio-azerbaijano sobre o Nagorno-Karabakh como uma prioridade estrat\u00e9gica. Sua figura foi progressivamente transformada em s\u00edmbolo nacional, consolidando um culto \u00e0 personalidade que permanece at\u00e9 os dias atuais, com seu nome estampado em monumentos, museus e obras p\u00fablicas. Ap\u00f3s seu falecimento, seu filho, Ilham Aliev, assumiu o cargo e \u00e9 presidente do pa\u00eds h\u00e1 mais de 20 anos. Durante sua gest\u00e3o, criou o cargo de Primeiro-ministro e elegeu sua esposa, Mehriban Aliyeva, aprofundando a concentra\u00e7\u00e3o do poder familiar (Almeida, 2023). Uma das principais consequ\u00eancia dessa dinastia pol\u00edtica, para al\u00e9m do car\u00e1ter autorit\u00e1rio do regime &#8211; marcado pela repress\u00e3o \u00e0 dissid\u00eancia, pelo controle dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e das formas de a\u00e7\u00e3o coletiva e pela deteriora\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o (Tucker, 2013) -,&nbsp;\u00e9 a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Heydar Aliyev como ferramenta de legitima\u00e7\u00e3o do governo vigente. A figura do ex-presidente \u00e9 constantemente evocada para refor\u00e7ar a narrativa nacionalista, especialmente por meio da rememora\u00e7\u00e3o da Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh. Essa constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica alimenta a ideia de um inimigo comum &#8211; os arm\u00eanios &#8211; cuja amea\u00e7a justificaria a centraliza\u00e7\u00e3o tanto do poder quanto da continuidade da fam\u00edlia Aliyev no comando do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para o \u00e2mbito externo, temos o apoio incondicional da Turquia como um&nbsp;<em>input&nbsp;<\/em>externo crucial, devido ao fato de que Ancara forneceu suporte militar direto ao Azerbaij\u00e3o, incluindo drones de alta tecnologia que foram decisivos na campanha de 2020 (Bahrami, 2024). A rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre Azerbaij\u00e3o e Turquia \u00e9 refor\u00e7ada por afinidades culturais e interesses comuns, como a expans\u00e3o da influ\u00eancia turca na regi\u00e3o do C\u00e1ucaso e a conten\u00e7\u00e3o da Arm\u00eania. A alian\u00e7a militar entre os dois pa\u00edses garantiu ao Azerbaij\u00e3o a confian\u00e7a necess\u00e1ria para lan\u00e7ar opera\u00e7\u00f5es militares bem-sucedidas contra Karabakh (Cavalcanti, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas quest\u00f5es e o aumento das tens\u00f5es nas regi\u00f5es sob controle arm\u00eanio, foram filtradas pelo presidente e pelo Minist\u00e9rio da Defesa do Azerbaij\u00e3o atrav\u00e9s de predisposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas fundamentais para a tomada da decis\u00e3o final. Entre essas predisposi\u00e7\u00f5es, destaca-se a concep\u00e7\u00e3o de que o territ\u00f3rio, para os azerbaijanos, vai al\u00e9m de uma mera delimita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica: trata-se de um elemento carregado de profundo significado cultural e nacional, diretamente vinculado \u00e0 identidade da popula\u00e7\u00e3o. O intelectual azerbaijano, Rufat Novruzov, sintetiza essa percep\u00e7\u00e3o ao afirmar que a luta pelo territ\u00f3rio do Azerbaij\u00e3o tornou-se uma luta pelo trabalho, pela dignidade e pela afirma\u00e7\u00e3o do povo e da na\u00e7\u00e3o azerbaijana (Torres, 2021, p. 10). Assim, a ocupa\u00e7\u00e3o de Nagorno-Karabakh e de algumas regi\u00f5es adjacentes pelos arm\u00eanios, em 1994, foi percebida como uma agress\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es, sobretudo porque a cidade de Shusha, situada na regi\u00e3o do Alto-Karabakh, no sul do C\u00e1ucaso, \u00e9 considerada um s\u00edmbolo do Estado azerbaijano. Essa import\u00e2ncia decorre n\u00e3o apenas da personifica\u00e7\u00e3o do passado \u00e9tnico da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do reconhecimento de Shusha como um dos principais centros cient\u00edficos e culturais do pa\u00eds (Torres, 2021, p.07).&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m disso, a perda do controle desses territ\u00f3rios foi absorvida como uma vasta humilha\u00e7\u00e3o, especialmente diante do fato de que, desde aquela \u00e9poca at\u00e9 os dias atuais, a Arm\u00eania \u00e9 um pa\u00eds significativamente menor e militarmente menos preparado do que o Azerbaij\u00e3o (Dyner, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 o fato de que o Partido do Novo Azerbaij\u00e3o (YAP) carece de uma ideologia forte e \u00e9 totalmente baseado no culto \u00e0 personalidade, nesse caso, na dos presidentes &#8211; Heydar Aliyev e Ilham Aliyev -, que passam a ser entendidos como guardi\u00f5es da identidade nacional e da integridade territorial do pa\u00eds. A amea\u00e7a representada pela Arm\u00eania e a disputa em torno de Nagorno-Karabakh, nesse contexto, ganha um destaque central nas narrativas oficiais, sendo constantemente refor\u00e7adas para fomentar uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular e garantir a coes\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 importante considerar que os azerbaijanos constituem um grupo \u00e9tnico de origem turcomana, cujo legado hist\u00f3rico \u00e9 profundamente marcado por antagonismos em rela\u00e7\u00e3o aos arm\u00eanios. Esse sentimento hostil \u00e9 refor\u00e7ado por elementos identit\u00e1rios e narrativas nacionais compartilhadas com a Turquia &#8211; principal aliada regional do Azerbaij\u00e3o -, cuja a recusa em reconhecer o genoc\u00eddio arm\u00eanio de 1915 ainda representa um ponto sens\u00edvel nas rela\u00e7\u00f5es entre os dois povos.&nbsp;&nbsp;Al\u00e9m disso, a ideologia pan-turquista, que busca promover a uni\u00e3o cultural, \u00e9tnica e at\u00e9 geopol\u00edtica entre os povos de origem turcomana, exerce papel significativo na consolida\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a entre o Azerbaij\u00e3o e a Turquia. Essa vis\u00e3o compartilha uma narrativa de pertencimento comum que exclui os arm\u00eanios como um corpo estranho \u00e0 identidade nacional (Guliyev, 2024). Tal ideologia, ao enfatizar uma identidade turcomana superior e coesa, contribui para aprofundar a desumaniza\u00e7\u00e3o do \u201cinimigo\u201d arm\u00eanio, que s\u00e3o frequentemente representados pelos azerbaijanos como um \u201coutro\u201d hostil, dificultando a constru\u00e7\u00e3o de uma conviv\u00eancia pac\u00edfica e sustentando simbolicamente o projeto pol\u00edtico autorit\u00e1rio conduzido por ilham Aliyev (Almeida, 2023).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os&nbsp;<em>inputs<\/em>, ou seja, os fatores operacionais &#8211; fatores internos e externos &#8211; ligados aos psicol\u00f3gicos &#8211; como o orgulho nacional, a hist\u00f3ria e cultura azerbaijana &#8211; foram transmitidos para os tomadores de decis\u00f5es do Azerbaij\u00e3o como componentes que representavam um momento oportuno para uma opera\u00e7\u00e3o militar, implementando-a efetivamente em 27 de setembro de 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como&nbsp;<em>output&nbsp;<\/em>dessa opera\u00e7\u00e3o, temos a diminui\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios controlados pela Arm\u00eania de 11.722 km2 para 3.170 km2, o que, em outros termos, representa a apreens\u00e3o de 40 a 50% dos territ\u00f3rios ao redor de Nagorno-Karabakh, incluindo a fronteira com o Ir\u00e3 e um quarto do antigo Oblast, al\u00e9m da \u00fanica rota da Arm\u00eania para o enclave, conhecida como corredor de Lachin, que se configura como essencial para o seu abastecimento. Em resposta a essa opera\u00e7\u00e3o, a R\u00fassia, por ser o principal ator regional e possuir uma base militar na Arm\u00eania (Gielow, 2020), mediou um cessar-fogo em outubro e enviou cerca de 2000 soldados como&nbsp;<em>peacekeepers<\/em>, garantindo o m\u00ednimo controle de uma escalada de conflito (Mendon\u00e7a; Loureiro, 2023).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a interven\u00e7\u00e3o russa a partir de 2022 recebeu um significativo retrocesso devido ao envolvimento do pa\u00eds na guerra com a Ucr\u00e2nia, conflito que redirecionou as prioridades russas, reduzindo o apoio militar e pol\u00edtico direcionado \u00e0 Arm\u00eania em um momento de crescente tens\u00f5es regionais e pol\u00edticas (Olteanu, 2024). Al\u00e9m disso, com a imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, a Uni\u00e3o Europeia, a fim de reduzir sua depend\u00eancia na energia do pa\u00eds, fechou um acordo de fornecimento de g\u00e1s com o Azerbaij\u00e3o, aumentando a relev\u00e2ncia do mesmo&nbsp;&nbsp;no cen\u00e1rio internacional (Valor Econ\u00f4mico, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta mesma \u00e9poca, o governo do Azerbaij\u00e3o promoveu a interrup\u00e7\u00e3o no fornecimento de g\u00e1s, alimentos e medicamentos \u00e0 regi\u00e3o de Karabakh pelo corredor de Lachin, medida interpretada como uma viola\u00e7\u00e3o do cessar-fogo estabelecido em 2020. No entanto, devido ao contexto em que o Sistema Internacional se encontrava, essa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebeu a devida aten\u00e7\u00e3o ou san\u00e7\u00e3o, o que contribuiu para uma maior margem de liberdade nas a\u00e7\u00f5es azerbaijanas. Posteriormente, em 19 de setembro de 2023, a explos\u00e3o de duas minas resultou na morte de seis azerbaijanos &#8211; sendo dois civis e quatro policiais. Desse acontecimento, o governo do Azerbaij\u00e3o atribuiu a responsabilidade do ataque a um grupo armado ilegal da Arm\u00eania, classificando o acontecimento como um estopim para o lan\u00e7amento de uma nova ofensiva militar (O GLOBO, 2023).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A partir do processo de retroalimenta\u00e7\u00e3o citado na abordagem cognitiva, o sucesso de 2020 contra os \u201cl\u00edderes fascistas da Arm\u00eania\u201d, somado a uma R\u00fassia pouco atenta \u00e0s tens\u00f5es aumentando no C\u00e1ucaso, um estreitamento de la\u00e7os com pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e a acusa\u00e7\u00e3o de um ataque arm\u00eanio foram fatores que, ao serem refor\u00e7ados pelas predisposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas do governo, contribu\u00edram para uma imagem de que uma nova a\u00e7\u00e3o militar seria bem-sucedida e amplamente aceita. Assim, Aliyev, junto com o Minist\u00e9rio da Defesa, sentindo-se \u00e0 vontade para tal, iniciou novamente, em 20 de setembro de 2023, uma ofensiva militar contra Nagorno-Karabakh. O governo caracterizou a a\u00e7\u00e3o como uma opera\u00e7\u00e3o antiterrorista que buscava expulsar totalmente as for\u00e7as armadas arm\u00eanias do territ\u00f3rio, restabelecer a ordem constitucional e assegurar a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o civil (Kirby, 2023), mais uma vez utilizando da narrativa de um inimigo comum externo como justificativa para uma interven\u00e7\u00e3o militar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como&nbsp;<em>outputs<\/em>&nbsp;dessa opera\u00e7\u00e3o, temos um cessar-fogo em dois dias com o controle total da regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh pelas autoridades do Azerbaij\u00e3o e a exig\u00eancia da entrega de todas as armas por parte da Rep\u00fablica de Artsakh, junto com o desmantelamento de qualquer estrutura militar em troca de garantir a sobreviv\u00eancia dos arm\u00eanios. De acordo com o professor Tanguy Baghdadi, em v\u00eddeo publicado pelo Petit Journal (2023), o presidente do Azerbaij\u00e3o, Ilham Aliyev, realizou a opera\u00e7\u00e3o com uma ret\u00f3rica profundamente nacionalista, prometendo a popula\u00e7\u00e3o azerbaijana que a regi\u00e3o voltar\u00e1 a ser um \u201cpara\u00edso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\" start=\"4\"><li><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><strong>:&nbsp;<\/strong><strong><\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a Abordagem Cognitiva utilizada destaca que as decis\u00f5es tomadas na pol\u00edtica externa n\u00e3o s\u00e3o objetivas, mas influenciadas por fatores estrat\u00e9gicos e percep\u00e7\u00f5es subjetivas presentes nos dois momentos analisados, que se configuram em um ciclo cont\u00ednuo de a\u00e7\u00e3o e retroalimenta\u00e7\u00e3o. A saber, a regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh sempre foi marcada por grandes tens\u00f5es ao longo de toda a sua hist\u00f3ria, mas a dinastia Aliyev conseguiu ao longo dos anos institucionalizar o hist\u00f3rico \u00f3dio ao povo arm\u00eanio e a afirma\u00e7\u00e3o da sua identidade totalmente antag\u00f4nico ao seu vizinho, configurando a retoma do controle desses territ\u00f3rios, em 2020 e logo em seguida em 2023, como grandes vit\u00f3rias e motivo de comemora\u00e7\u00e3o, tanto pelas elites quanto pela popula\u00e7\u00e3o azerbaijana em geral. De acordo com Alexandre Almeida (2023), no dia 15 de outubro, ap\u00f3s a \u201cvit\u00f3ria\u201d do Azerbaij\u00e3o,&nbsp;Aliyev visitou Nagorno-Karabakh e levantou a bandeira do pa\u00eds em Stepanakert\/Khankendi. No m\u00eas seguinte, presidiu a uma parada militar na cidade celebrando tr\u00eas anos desde a vit\u00f3ria em 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultados dessas a\u00e7\u00f5es, milhares de arm\u00eanios &#8211; cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o local &#8211; deixaram a regi\u00e3ozinha de Karabakh com destino \u00e0 Arm\u00eania ou \u00e1reas adjacentes, impulsionados por um sentimento generalizado de inseguran\u00e7a e pela percep\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a iminente de uma limpeza \u00e9tnica. Ainda que o governo do Azerbaij\u00e3o tenha alegado a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania \u00e0 administra\u00e7\u00e3o estatal, essa promessa n\u00e3o foi suficiente para conter o \u00eaxodo. Ademais, o governo da Rep\u00fablica Independente de Artsakh optou por negociar com as autoridades azerbaijanas a assinatura de um decreto que dissolveria todas as institui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica em 2024, o que abre caminho para a consolida\u00e7\u00e3o de um governo centralizado e fortalecido por uma narrativa nacionalista predominante no discurso oficial do Azerbaij\u00e3o (Craveiro, 2023).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos recentes desdobramentos, o futuro dos arm\u00eanios parece incerto. Em um gesto simb\u00f3lico, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, viajou ao Azerbaij\u00e3o para celebrar a chamada \u201cvit\u00f3ria\u201d azerbaijana. No entanto, em vez de visitar a capital Baku, Erdogan encontrou-se com o presidente Ilham Aliyev na prov\u00edncia de Nakhchivan &#8211; uma regi\u00e3o do Azerbaij\u00e3o separada do restante do territ\u00f3rio nacional pela por\u00e7\u00e3o sul da Arm\u00eania, sendo acess\u00edvel apenas por meio do corredor Zangezur. Esse gesto foi amplamente interpretado como um sinal estrat\u00e9gico, levantando hip\u00f3teses e temores sobre uma poss\u00edvel tentativa de unifica\u00e7\u00e3o territorial que envolveria a viola\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio arm\u00eanio. Tal cen\u00e1rio implicaria um novo e potencialmente grave conflito militar entre os dois pa\u00edses, o que evidencia a urg\u00eancia de uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica duradoura e eficaz, regulada por mecanismos internacionais (Bifolchi; Boltuc, 2023). Nesse sentido, compreender os fatores cognitivos que influenciam a tomada de decis\u00e3o do Azerbaij\u00e3o torna-se fundamental para antecipar poss\u00edveis desdobramentos futuros. Futuras an\u00e1lises, podem, portanto, explorar como a din\u00e2mica cognitiva continuar\u00e1 moldando o comportamento externo do Azerbaij\u00e3o diante do atual contexto de crescentes tens\u00f5es com a Arm\u00eania.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>BIFOLCHI, Giuliano; Boltuc, Silvia. SpecialEurasia.&nbsp;Erdogan-Aliyev\u2019s Meeting in Nakhchivan Alarms Armenia and the Syunik Province.&nbsp;2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.specialeurasia.com\/2023\/09\/25\/nakhchivan-armenia-geopolitics\/\">https:\/\/www.specialeurasia.com\/2023\/09\/25\/nakhchivan-armenia-geopolitics\/<\/a>. Acesso em: 08 de jan. de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>CAVALCANTI, La\u00eds. Pol\u00edtica externa da Turquia: o papel no conflito de Nagorno-Karabakh. Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, 02 abr. 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/relacoesexteriores.com.br\/politica-externa-turquia-nagorno-karabakh\/\">https:\/\/relacoesexteriores.com.br\/politica-externa-turquia-nagorno-karabakh\/<\/a>. Acesso em: 13 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>CRAVEIRO, Rodrigo. C\u00e1ucaso: Nagorno-Karabakh, o fim da Rep\u00fablica arm\u00eania no Azerbaij\u00e3o. Correio Braziliense. 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2023\/09\/5129341-azerbaijao-nagorno-karabakh-o-fim-da-republica-armenia.html\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2023\/09\/5129341-azerbaijao-nagorno-karabakh-o-fim-da-republica-armenia.html<\/a>. Acesso em: 08 de jan de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u0130YARBAKIRLIO\u011eLU, Kaan. The Nagorno-Karabakh Conflict between Azerbaijan and Armenia from the Historical Perspective. International Journal of Social, Political and Economic Research, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 415\u2013439, 2020.&nbsp;DOI: 10.46291\/IJOSPERvol7iss2pp415-439. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/ijosper.uk\/index.php\/i\/article\/view\/107\">https:\/\/ijosper.uk\/index.php\/i\/article\/view\/107<\/a>.&nbsp;Acesso em: 16 dez 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>DYNER, M. Anna. PISM. The Military Dimension of the conflict over Nagorno-Karabakh.\u00a02020. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/pism.pl\/publications\/The_Military_Dimension__of_the_Conflict_over_NagornoKarabakh\">https:\/\/pism.pl\/publications\/The_Military_Dimension__of_the_Conflict_over_NagornoKarabakh<\/a>\u00a0. Acesso em: 08 de jan de 2025.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>EURONEWS. Arm\u00eanios pedem a ren\u00fancia de Pashinian por causa do \u201cconflito entre povos fronteiri\u00e7os\u201d. Portal EURONEWS, 10 mai.2024. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/pt.euronews.com\/2024\/05\/10\/armenios-pedem-renuncia-de-pashinian-por-causa-do-conflito-entre-povos-fronteiricos>. Acesso em: 14 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>EURODEFENSE PORTUGAL. O fim de Artsakh e as suas consequ\u00eancias para a UE. 2024. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/eurodefense.pt\/o-fim-de-artsakh-e-as-suas-consequencias-para-a-ue\/\"><\/a><a href=\"https:\/\/eurodefense.pt\/o-fim-de-artsakh-e-as-suas-consequencias-para-a-ue\/\">https:\/\/eurodefense.pt\/o-fim-de-artsakh-e-as-suas-consequencias-para-a-ue\/<\/a>. Acesso em: 19 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES, Fernanda; PINHEIRO, Leticia. An\u00e1lise de Pol\u00edtica Externa: o que estudar e por qu\u00ea? Ed.Intersaberes, 2020. CAP. 4<\/p>\n\n\n\n<p>G1.&nbsp;<strong>Azerbaij\u00e3o e Arm\u00eania concordam em cessar-fogo na regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh<\/strong>. G1, 20 de setembro de 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/google\/amp\/mundo\/noticia\/2023\/09\/20\/cessar-fogo-em-nagorno-karabakh.ghtml?UTM_SOURCE=copiar-url&amp;UTM_MEDIUM=share-bar-app&amp;UTM_CAMPAIGN=materias&amp;UTM_TERM=app-webview&gt;. Acesso em: 14 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>GULIYEV Farid. Presidential Discourses on Regionalism in Azerbaijan: Turkic Solidarity and the Silk Road.&nbsp;<em>Nationalities Papers<\/em>. Published online 2024:1-21. doi:10.1017\/nps.2024.42. Acesso em: 12 de jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>IA e drones do Azerbaij\u00e3o dominam a guerra contra Arm\u00eania. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.cisoadvisor.com.br\/ia-e-drones-do-azerbaijao-dominam-a-guerra-contra-armenia\/&gt;. Acesso em: 14 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>JOVEM PAN. Azerbaij\u00e3o inicia a\u00e7\u00e3o militar em Nagorno-Karabakh. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/noticias\/mundo\/azerbaijao-inicia-acao-militar-em-nagorno-karabakh.html\"><\/a><a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/noticias\/mundo\/azerbaijao-inicia-acao-militar-em-nagorno-karabakh.html\">https:\/\/jovempan.com.br\/noticias\/mundo\/azerbaijao-inicia-acao-militar-em-nagorno-karabakh.html<\/a>. Acesso em: 18 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>KIRBY, Paul. Azerbaijan launches operation against Nagorno-Karabakh and demands surrender.&nbsp;BBC News, 19 de setembro de 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-europe-66851975\">https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-europe-66851975<\/a>. Acesso em: 08 de jan de 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>KUNTI, Samindra. Azerbaijan\u2019s sportswashing culminates with Euro 2020 quarterfinal.&nbsp;Forbes, 03 jul. 2021. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/samindrakunti\/2021\/07\/03\/azerbaijans-sportswashing-culminates-with-euro-2020-quarterfinal\/\">https:\/\/www.forbes.com\/sites\/samindrakunti\/2021\/07\/03\/azerbaijans-sportswashing-culminates-with-euro-2020-quarterfinal\/<\/a>. Acesso em: 13 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>LOUREIRO, Heitor; PORTO, Pedro Bogossian. A guerra de Nagorno-Karabakh: as disputas em torno dos conceitos de \u2018v\u00edtima\u2019 e \u2018genoc\u00eddio\u2019 no tempo presente. Revista Tempo e Argumento, Florian\u00f3polis, v. 13, n. 32, p. e0111, 2021. DOI: 10.5965\/2175180313322021e0111. Dispon\u00edvel em: https:\/\/periodicos.udesc.br\/index.php\/tempo\/article\/view\/2175180313322021e0111. Acesso em: 14 jan. 2025<\/p>\n\n\n\n<p>MENDON\u00c7A, Felipe; LOUREIRO, Heitor. Genoc\u00eddio em Nagorno-Karabakh. Chutando a Escada [Podcast]. Spotify, 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/1S6idFuIvUsACLuy9eXEDm?si=Gi-oUV14TFqtDICdHzjucQ&amp;t=362\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/1S6idFuIvUsACLuy9eXEDm?si=Gi-oUV14TFqtDICdHzjucQ&amp;t=362\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/1S6idFuIvUsACLuy9eXEDm?si=Gi-oUV14TFqtDICdHzjucQ&amp;t=362<\/a>. Acesso em: 27 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>MORI, J.; GABRIELLA DE SOUZA VONO, A. O CONFLITO ENTRE A ARM\u00caNIA E O AZERBAIJ\u00c3O EM NAGORNO-KARABAKH. [s.l: s.n.]. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.marilia.unesp.br\/Home\/Extensao\/observatoriodeconflitosinternacionais\/v.-8-n.-3-jun-2021.pdf\">https:\/\/www.marilia.unesp.br\/Home\/Extensao\/observatoriodeconflitosinternacionais\/v.-8-n.-3-jun-2021.pdf<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MONITOR DO ORIENTE M\u00c9DIO. As falhas geopol\u00edticas revelam uma complexa luta por influ\u00eancia e controle no Sul do C\u00e1ucaso. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20240828-as-falhas-geopoliticas-revelam-uma-complexa-luta-por-influencia-e-controle-no-sul-do-caucaso\/\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20240828-as-falhas-geopoliticas-revelam-uma-complexa-luta-por-influencia-e-controle-no-sul-do-caucaso\/\">https:\/\/www.monitordooriente.com\/20240828-as-falhas-geopoliticas-revelam-uma-complexa-luta-por-influencia-e-controle-no-sul-do-caucaso\/<\/a>. Acesso em: 9 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>OBSERVAT\u00d3RIO DE CONFLITOS. Autodetermina\u00e7\u00e3o e irredentismo: a luta por independ\u00eancia de Nagorno-Karabakh &#8211; GEDES &#8211; Grupo de Estudos de Defesa e Seguran\u00e7a Internacional. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/gedes-unesp.org\/autodeterminacao-e-irredentismo-a-luta-por-independencia-de-nagorno-karabakh\">https:\/\/gedes-unesp.org\/autodeterminacao-e-irredentismo-a-luta-por-independencia-de-nagorno-karabakh<\/a>. Acesso em: 19 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>OLTEANU, Vlad. Has the Ukraine war affected Armenia\u2019s strategic position?&nbsp;Euronews, 22 out. 2024. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.euronews.com\/2024\/10\/22\/has-the-ukraine-war-affected-armenias-strategic-position\">https:\/\/www.euronews.com\/2024\/10\/22\/has-the-ukraine-war-affected-armenias-strategic-position<\/a>. Acesso em: 13 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>O GLOBO. Azerbaij\u00e3o bombardeia regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh, deixando dezenas de mortos. 2023. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/09\/19\/azerbaijao-bombardeia-regiao-separatista-de-nagorno-karabakh.ghtml\"><\/a><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/09\/19\/azerbaijao-bombardeia-regiao-separatista-de-nagorno-karabakh.ghtml\">https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/09\/19\/azerbaijao-bombardeia-regiao-separatista-de-nagorno-karabakh.ghtml<\/a>. Acesso em: 8 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>PETIT JOURNAL. Bate-papo 543 &#8211; Azerbaij\u00e3o toma Nagorno-Karabakh; Crise migrat\u00f3ria na It\u00e1lia. Youtube, 2023.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/L3OtavX9_WY?si=jz5D3-k1epJWIbdn\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/L3OtavX9_WY?si=jz5D3-k1epJWIbdn<\/a>&nbsp;. Acesso em: 26 de dez de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PETIT JOURNAL.&nbsp;Bate-Papo 544 &#8211; R\u00fassia limita venda de petr\u00f3leo; Zelensky em Washington. YouTube, 2024. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/fzpOGIwj2fI?si=HI9xetLjSpDfqFVD\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/fzpOGIwj2fI?si=HI9xetLjSpDfqFVD\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/fzpOGIwj2fI?si=HI9xetLjSpDfqFVD<\/a>. Acesso em: 27 dez. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PETIT JOURNAL.&nbsp;Bate-Papo 545 &#8211; Erdogan visita o Azerbaij\u00e3o; Risco de paralisia nos EUA. YouTube, 2023. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/xH2xZ5N0iSs?si=qpyay7G29tWDWmiU\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/xH2xZ5N0iSs?si=qpyay7G29tWDWmiU<\/a>. Acesso em: 27 dez. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>THE WASHINGTON POST. The challenges of electoral competition in an oil-rich state: Azerbaijani pre-election report.&nbsp;Washington, D.C., 2013. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/monkey-cage\/wp\/2013\/10\/06\/the-challenges-of-electoral-competition-in-an-oil-rich-state-azerbaijani-pre-election-report\/\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/monkey-cage\/wp\/2013\/10\/06\/the-challenges-of-electoral-competition-in-an-oil-rich-state-azerbaijani-pre-election-report\/\">https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/monkey-cage\/wp\/2013\/10\/06\/the-challenges-of-electoral-competition-in-an-oil-rich-state-azerbaijani-pre-election-report\/<\/a>. Acesso em: 15 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>TORRES, Ricardo Juan. The role of Nagorno-Karabakh in the shaping of Armenian and Azeri identity.&nbsp;Mural Internacional, Rio de Janeiro, [S. l.], v. 12, p. e60446, 2021. DOI: 10.12957\/rmi.2021.60446. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/muralinternacional\/article\/view\/60446. Acesso em: 19 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES. Vienna Convention on the Law of Treaties.&nbsp;Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/webarchive.archive.unhcr.org\/20230518095635\/https:\/www.refworld.org\/docid\/469f3866c.html\"><\/a><a href=\"https:\/\/webarchive.archive.unhcr.org\/20230518095635\/https:\/www.refworld.org\/docid\/469f3866c.html\">https:\/\/webarchive.archive.unhcr.org\/20230518095635\/https:\/\/www.refworld.org\/docid\/469f3866c.html<\/a>. Acesso em: 18 dez. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>VALOR ECON\u00d4MICO. Uni\u00e3o Europeia fecha acordo para dobrar o fornecimento de g\u00e1s do Azerbaij\u00e3o, S\u00e3o Paulo, 18 jul. 2022. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/mundo\/noticia\/2022\/07\/18\/uniao-europeia-fecha-acordo-para-dobrar-o-fornecimento-de-gas-do-azerbaijao.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/mundo\/noticia\/2022\/07\/18\/uniao-europeia-fecha-acordo-para-dobrar-o-fornecimento-de-gas-do-azerbaijao.ghtml<\/a>. Acesso em: 13 jan. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>Ana Carolina Chrys\u00f3stomo de Sousa de Castro <\/strong>\u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>Maria Fernanda Kerr <\/strong>\u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>Nina Bonif\u00e1cio<\/strong> \u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 12 | N\u00famero 119 | Ago. 2025 Por Ana Carolina Chrys\u00f3stomo de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1951,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645],"tags":[],"class_list":["post-3390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3390"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3393,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3390\/revisions\/3393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1951"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}