{"id":3395,"date":"2025-08-25T09:00:00","date_gmt":"2025-08-25T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3395"},"modified":"2025-08-26T00:19:56","modified_gmt":"2025-08-26T03:19:56","slug":"do-wurttemberg-para-seul-o-pensamento-economico-de-friedrich-list-e-o-caminho-sul-coreano-para-o-desenvolvimento-%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3395","title":{"rendered":"Do W\u00fcrttemberg para Seul: o pensamento econ\u00f4mico de Friedrich List e o caminho sul-coreano para o desenvolvimento\u00a0\u00a0\u00a0\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 12 | N\u00famero 119 | Ago. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Gast\u00e3o Menescal Carneiro Neto&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2687\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/worker-gdfbc3dddc_1920.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento econ\u00f4mico de Friedrich List, que exerceu not\u00e1vel import\u00e2ncia para o processo de industrializa\u00e7\u00e3o dos Estados alem\u00e3es, mas tamb\u00e9m de outras regi\u00f5es do globo, \u00e9 ainda insuficientemente difundido entre a intelectualidade e as categorias pol\u00edticas do Brasil. Atrav\u00e9s de diversos estudos, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 dissenso quanto ao valor das contribui\u00e7\u00f5es deste economista nascido no antigo reino germ\u00e2nico do W\u00fcrttemberg, sobretudo atrav\u00e9s da sua obra \u201cSistema Nacional de Economia Pol\u00edtica\u201d (1841), para promover a unidade pol\u00edtica e o florescimento econ\u00f4mico do territ\u00f3rio que se converteria no Segundo Imp\u00e9rio Alem\u00e3o em 1871 (Oliveira, 2022, p. 296; Rezapour, 2023, p. 79).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, longe de se restringir ao cen\u00e1rio europeu dos Oitocentos, a influ\u00eancia te\u00f3rica de List pode ser percebida igualmente na maneira como diversos Estados reconstru\u00edram seus parques industriais ap\u00f3s as duas Guerras Mundiais do s\u00e9culo XX, bem como nos programas de desenvolvimento de variados pa\u00edses na contemporaneidade. Neste contexto, o presente artigo busca apontar como os princ\u00edpios do Nacionalismo Econ\u00f4mico, notadamente enriquecidos pelas contribui\u00e7\u00f5es do referido escritor alem\u00e3o, foram instrumentais para a restaura\u00e7\u00e3o da economia sul-coreana ap\u00f3s a Guerra da Coreia, e para a sua transforma\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o destru\u00edda e relativamente desindustrializada em um modelo internacional de crescimento econ\u00f4mico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a metodologia, o artigo far\u00e1 uso de pesquisa bibliogr\u00e1fica partindo de artigos e livros sobre esta tem\u00e1tica. Assim, optou-se pela organiza\u00e7\u00e3o deste trabalho em quatro partes: a primeira analisa as desafiadoras condi\u00e7\u00f5es da Coreia do Sul no imediato p\u00f3s-guerra. Uma breve apresenta\u00e7\u00e3o acerca da obra de List \u00e9 proposta no segundo seguimento, enquanto no terceiro, buscou-se sintetizar os componentes do programa de edifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica adotado por Seul ao longo da Guerra Fria, onde os preceitos do Nacionalismo Econ\u00f4mico foram eficazmente aplicados. Por fim, a quarta se\u00e7\u00e3o se dedica a apresentar as conclus\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os grandes eventos hist\u00f3ricos do s\u00e9culo passado tornam-se gradualmente mais distantes, os debates e iniciativas voltadas ao aprimoramento econ\u00f4mico e industrial de pa\u00edses perif\u00e9ricos seguem prementes em nosso tempo, sobretudo no hemisf\u00e9rio sul. Em meio a estas condi\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de estudos voltados para a tem\u00e1tica do desenvolvimento das na\u00e7\u00f5es adquire especial valor. Colaborar com tais esfor\u00e7os \u00e9 o que o presente trabalho almeja realizar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A PEN\u00cdNSULA COREANA EM CONVULS\u00c3O <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a inspe\u00e7\u00e3o de variadas leituras acerca da Guerra da Coreia e seus desdobramentos, \u00e9 poss\u00edvel contemplar, dentre outros aspectos, o alto n\u00edvel de devasta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e humana que foi imputado \u00e0 pen\u00ednsula do extremo oriente ap\u00f3s tr\u00eas anos de conflagra\u00e7\u00e3o. Sem um lado claramente vencedor ap\u00f3s o armist\u00edcio de Panmunjon, a fronteira entre os dois Estados coreanos em torno da linha imagin\u00e1ria do Paralelo 38 foi virtualmente restabelecida, e o rompimento pol\u00edtico entre Seul e Pyongyang se mant\u00e9m at\u00e9 os nossos dias sem evid\u00eancias de modifica\u00e7\u00e3o (McMahon, 2012, p. 69).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja indiscut\u00edvel que ambos os pa\u00edses contra\u00edram graves danos \u00e0s suas estruturas econ\u00f4micas e industriais durante a guerra, \u00e9 poss\u00edvel assumir que a Coreia do Sul assiste ao in\u00edcio e ao t\u00e9rmino do conflito em uma posi\u00e7\u00e3o de consider\u00e1vel desvantagem em rela\u00e7\u00e3o ao advers\u00e1rio do norte. Isto se deve sobretudo ao fato de que durante os trinta e cinco anos de ocupa\u00e7\u00e3o japonesa na pen\u00ednsula coreana, a maior parte das ind\u00fastrias constru\u00eddas pelos invasores nip\u00f4nicos foram estabelecidas na parte norte, enquanto no sul foram desenvolvidas atividades econ\u00f4micas menos sofisticadas, principalmente agr\u00edcolas. Sendo assim, ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial no Leste Asi\u00e1tico, Pyongyang herdaria uma base industrial mais robusta que acabaria por viabilizar a sua iniciativa militar no ver\u00e3o de 1950. E que por fim, assegurou uma posi\u00e7\u00e3o de relativa preponder\u00e2ncia econ\u00f4mica \u00e0 rep\u00fablica socialista que duraria ao menos mais uma d\u00e9cada (Visentini; Pereira; Melchionna, 2015, p. 42).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 amplamente atestado, no desenrolar do segundo meado do s\u00e9culo XX, o planeta foi cindido em duas grandes \u00e1reas sob lideran\u00e7a dos Estados Unidos da Am\u00e9rica ou da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas. Aos pa\u00edses sob influ\u00eancia norte-americana, conjuntamente \u00e0 seguran\u00e7a oferecida pelas armas da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte e aos investimentos de reconstru\u00e7\u00e3o proporcionados pelos bancos de Washington e alhures, os princ\u00edpios do liberalismo econ\u00f4mico foram impostos de maneira mais ou menos r\u00edgida. Isto \u00e9, da preserva\u00e7\u00e3o da propriedade privada, da difus\u00e3o do livre mercado e da reduzida interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, sintetizados pelo ep\u00edteto da \u201cboa governan\u00e7a\u201d que seria proposto e defendido pelas novas institui\u00e7\u00f5es financeiras globais como o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (McMahon, 2012, p. 9).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, as economias em restaura\u00e7\u00e3o na Europa ocidental e na zona do Pac\u00edfico deveriam ser abertas ao capital estrangeiro e dirigidas pelos princ\u00edpios do livre-com\u00e9rcio e da livre-iniciativa em conson\u00e2ncia com as normas promovidas pela Confer\u00eancia de&nbsp;&nbsp;Bretton Woods de 1944, designadamente o epis\u00f3dio fundador do novo ordenamento econ\u00f4mico dos pa\u00edses ocidentais promovido pelas grandes organiza\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias mencionadas ao final do par\u00e1grafo anterior (McMahon, 2012, p. 25).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, como se ver\u00e1 adiante, o modelo sul-coreano para o florescimento econ\u00f4mico, embora destoante daquele socialista, seria pautado por doutrinas e instrumentos adaptados \u00e0s suas necessidades nacionais, e que atrav\u00e9s de medidas interventistas na ind\u00fastria, no com\u00e9rcio e na capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, por fim converteriam o pa\u00eds asi\u00e1tico em uma refer\u00eancia global em termos de desenvolvimento e de riqueza ainda antes da virada do s\u00e9culo (Lima, 2017, p. 1).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS LI\u00c7\u00d5ES DO PROTECIONISMO EDUCADOR DE FRIEDRICH LIST <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um espa\u00e7o-temporal extremamente distante dos epis\u00f3dios de viol\u00eancia fratricida na pen\u00ednsula coreana, mais precisamente no estado do W\u00fcrttemberg na antiga Confedera\u00e7\u00e3o Germ\u00e2nica, o economista alem\u00e3o Friedrich List desenvolveu a sua teoria do Protecionismo Educador que viria a inspirar a edifica\u00e7\u00e3o fabril do Segundo Imp\u00e9rio Alem\u00e3o e de outros pa\u00edses de industrializa\u00e7\u00e3o tardia. Tal qual a pen\u00ednsula coreana do p\u00f3s-guerra, a fragmentada Alemanha na Era da Restaura\u00e7\u00e3o<a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;era uma regi\u00e3o politicamente dividida, castigada por muitos conflitos militares e sob forte influ\u00eancia de pot\u00eancias estrangeiras (Engels, 2008, p. 170). \u00c9 nesta conjuntura que List produziu as suas contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas propondo um modelo de economia pol\u00edtica diametralmente oposto \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o liberal, mas tamb\u00e9m \u00e0 doutrina marxista que seria difundida no continente europeu alguns anos depois (Dos Santos Oliveira, 2021, p. 627).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Investido de vasto conhecimento sobre a realidade pol\u00edtica da Europa em sua \u00e9poca, Friedrich List associou a fraqueza da Confedera\u00e7\u00e3o Germ\u00e2nica com a sua fragmenta\u00e7\u00e3o em mais de trinta pequenos Estados e na sua abertura aos capitais estrangeiros que, chegando livremente das pot\u00eancias vizinhas, sufocavam pouco a pouco as manufaturas alem\u00e3s (List, 2006, p. 40). Ao longo de diversos trabalhos, a sua cr\u00edtica voraz ao arcaico sistema alfandeg\u00e1rio da Confedera\u00e7\u00e3o, dividida por numerosas aduanas internas, foi determinante para o estabelecimento do&nbsp;<em>Zollverein<a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftn2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a>&nbsp;<\/em>em 1834 (Dos Santos Oliveira, 2021, p. 628). Notoriamente, um dos acontecimentos decisivos para a reunifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a industrializa\u00e7\u00e3o da Alemanha em um futuro pouco distante (Engels, 2008, p. 170).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda neste contexto e perseguindo tal escopo, o economista vurtembergu\u00eas lan\u00e7ou em 1841 a sua obra escrita de maior relevo intitulada \u201cSistema Nacional de Economia Pol\u00edtica\u201d, onde defendeu a aboli\u00e7\u00e3o das tarifas internas entre os Estados alem\u00e3es e o fortalecimento destas em detrimento de elementos pol\u00edticos externos, bem como a prote\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias locais atrav\u00e9s de expressivos subs\u00eddios (List, 2006, p. 300).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais propostas se fundamentam pelas concep\u00e7\u00f5es do autor acerca do funcionamento do com\u00e9rcio internacional, que compreendia como uma arena de disputa entre as na\u00e7\u00f5es. Debru\u00e7ando-se em uma profunda pesquisa hist\u00f3rica, List analisou o processo de enriquecimento das pot\u00eancias mercantis de seu tempo como a Inglaterra, Fran\u00e7a e Pa\u00edses Baixos, assim como aquelas de per\u00edodos precedentes como a Rep\u00fablica de Veneza e a Confedera\u00e7\u00e3o Helv\u00e9tica. Assim, o autor concluiu que as referidas unidades pol\u00edticas erigiram patrim\u00f4nio para seus pa\u00edses n\u00e3o atrav\u00e9s da t\u00e3o alardeada l\u00f3gica do&nbsp;<em>Laissez-faire<a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftn3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>, mas sim por meio de pol\u00edticas protecionistas intransigentes, as mesmas que eram contemporaneamente denunciadas pelos arautos do liberalismo por supostamente distorcer os sistemas de troca e reduzir globalmente o bem-estar (List, 2006, p. 294).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, para propulsar a economia dos territ\u00f3rios germ\u00e2nicos, caberia aos seus diversos Estados assumir o protagonismo do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, opor s\u00f3lidas barreiras tarif\u00e1rias \u00e0s mercadorias produzidas fora da Confedera\u00e7\u00e3o e estimular as suas manufaturas atrav\u00e9s de m\u00faltiplos incentivos internos. Estas seriam as tarefas inescap\u00e1veis para a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds economicamente forte para os povos de l\u00edngua alem\u00e3 que ocupavam o cora\u00e7\u00e3o da Europa central em meados do s\u00e9culo XIX (Dos Santos Oliveira, 2021, p. 627).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel assumir que as li\u00e7\u00f5es do Protecionismo Educador de Friedrich List encontraram n\u00e3o poucos simpatizantes dentro da Alemanha, palavra que por mais trinta anos ainda manteria um significado meramente geogr\u00e1fico. Afinal, o modelo de industrializa\u00e7\u00e3o dos&nbsp;<em>junkers<a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftn4\"><sup><strong>[4]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>&nbsp;prussianos, que reuniram a maior parte das na\u00e7\u00f5es german\u00f3fonas dentro de um \u00fanico Estado que se tornaria o mais rico e poderoso da Europa continental, era acentuadamente marcado pelo intervencionismo estatal (Starling, 2021, p. 197). \u00c9 igualmente compreens\u00edvel que os princ\u00edpios do Nacionalismo Econ\u00f4mico da Escola de W\u00fcrttemberg seriam tal-qualmente apreciados em territ\u00f3rios fora da Europa central, como a It\u00e1lia mussolinista, o Jap\u00e3o Meiji, e como ser\u00e1 esclarecido na se\u00e7\u00e3o posterior, na Coreia do Sul dos anos da Guerra Fria (Kim, 1991, p. 7).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O CAMINHO SUL-COREANO PARA O DESENVOLVIMENTO <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco ap\u00f3s a pacifica\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula coreana em 1953, o governo de Seul formulou pol\u00edticas para nutri\u00e7\u00e3o do seu parque industrial, compreendendo-o como a espinha dorsal de um projeto de engrandecimento econ\u00f4mico nacional. Assim, implementou-se um programa de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, que embora com efeitos iniciais medianos, apresentou melhores resultados do que aqueles que foram aplicados em pa\u00edses sul-americanos no mesmo per\u00edodo (Kim, 1991, p. 4). Contudo, \u00e9 sobretudo a partir da d\u00e9cada de 1960 que se percebem os maiores logros da edifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sul-coreana e as mais claras conex\u00f5es entre o modelo adotado e os princ\u00edpios do Protecionismo Educador de Friedrich List.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contemporaneamente, um dos autores que mais contribuiu aos estudos do Nacionalismo Econ\u00f4mico e a an\u00e1lise do processo de industrializa\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul&nbsp;&nbsp;foi o economista Ha-Joon Chang. N\u00e3o apenas naquela que \u00e9 a sua obra de maior relevo acad\u00eamico, isto \u00e9, \u201cChutando a Escada: A Estrat\u00e9gia do Desenvolvimento em Perspectiva Hist\u00f3rica\u201d (2004), mas atrav\u00e9s de mais de uma dezena de livros e numerosos artigos, o pesquisador sul-coreano se dedicou ao estudo sistem\u00e1tico do enriquecimento dos pa\u00edses desenvolvidos e da pen\u00ednsula coreana em particular. Ao longo da referida obra, em meio a outros \u00eaxitos, Chang comprovou o v\u00ednculo entre o crescimento da economia sul-coreana no p\u00f3s-guerra e a interven\u00e7\u00e3o estatal nas esferas industrial, econ\u00f4mica e tarif\u00e1ria (Chang, 2004, p. 91).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atenta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas deste pa\u00eds asi\u00e1tico, a classe pol\u00edtica da Coreia do Sul compreendia que a iniciativa privada dom\u00e9stica ainda era demasiadamente d\u00e9bil para capitanear o processo de moderniza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o comercial, cabendo portanto ao Estado faz\u00ea-lo. Sendo assim, incentivos provenientes de bancos governamentais, ou intermediados por estes, seriam aplicados habilidosamente durante as primeiras d\u00e9cadas de reconstru\u00e7\u00e3o, e os setores da ind\u00fastria a receberem maiores est\u00edmulos seriam aqueles com percept\u00edveis ind\u00edcios de valoriza\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e a longo prazo (Kim, 1991, p. 33).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de um car\u00e1ter particularmente centralista, a industrializa\u00e7\u00e3o sul-coreana manteve foco na necessidade de absor\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, sobretudo em vista do crescimento do setor da inform\u00e1tica em pa\u00edses como Jap\u00e3o e Estados Unidos na d\u00e9cada de 1970. A busca pela inova\u00e7\u00e3o, somada a industrializa\u00e7\u00e3o acelerada e aos fortes incentivos governamentais ao com\u00e9rcio exterior, garantiram que o pa\u00eds se tornasse um exportador de alta tecnologia para o mercado internacional, inclusive ocidental, ap\u00f3s um per\u00edodo&nbsp;&nbsp;temporal formidavelmente curto (Lima, 2017, p. 13).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com caracter\u00edsticas associ\u00e1veis a doutrina do Nacionalismo Econ\u00f4mico, a economia sul-coreana dos primeiros dec\u00eanios p\u00f3s-guerra recebeu incentivos estatais e foi atravessada por um r\u00edgido controle de importa\u00e7\u00f5es. As restri\u00e7\u00f5es eram flexibilizadas quando se tratavam de produtos essenciais para o progresso e multiplica\u00e7\u00e3o das empresas nacionais, tais como o a\u00e7o, ferro, min\u00e9rios em geral e produtos petroqu\u00edmicos. O pa\u00eds priorizou a constru\u00e7\u00e3o de uma funda\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica s\u00f3lida centrada na ind\u00fastria pesada e de bens de capital, com especial destaque \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de bens manufaturados para o grande mercado externo (Kim, 1991, p. 7).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos pol\u00edticos, \u00e9 relevante pontuar que o projeto industrializante promovido pelo Estado sul-coreano entre o segundo meado da d\u00e9cada de 1950 e os anos 1980 encontrou o consenso da maior parte das elites e do empresariado local, que compartilhavam de uma mentalidade desenvolvimentista que se alinharia as ger\u00eancias de governo na pasta econ\u00f4mica. \u00c9 compreens\u00edvel que a coopera\u00e7\u00e3o entre agentes pol\u00edticos e setores influentes da sociedade civil, al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio de relativa estabilidade interna durante a maior parte deste per\u00edodo, foram essenciais para que o processo de moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica fosse bem-sucedido (Lima, 2017, p. 2).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, apesar dos \u00eaxitos obtidos por Seul na esfera industrial e econ\u00f4mica, \u00e9 for\u00e7oso mencionar que, do ponto de vista pol\u00edtico-social, um alto pre\u00e7o foi pago pelas camadas populares. Principalmente entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1980, quando o pa\u00eds era governado por um regime militar, os sindicatos e demais organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores foram afastados da condu\u00e7\u00e3o do processo de industrializa\u00e7\u00e3o e diminu\u00eddos na esfera pol\u00edtica. Este \u00e9 um fator que foi definido por pesquisas recentes como caracter\u00edstico do moderno desenvolvimentismo no Leste Asi\u00e1tico, que do modelo de industrializa\u00e7\u00e3o colonial japon\u00eas, teria herdado atributos paternalistas e autorit\u00e1rios (Nogueira Silva; Herrlein Junior, 2019, p. 31).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os anos de 1962 e 1979, o programa de crescimento econ\u00f4mico de Seul j\u00e1 mostraria resultados acachapantes, com os n\u00fameros de Produto Interno Bruto (PIB) e rendimentos de exporta\u00e7\u00e3o apresentando taxas de crescimento anuais de 9,3% e 33,7%, respectivamente. Somente ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da sua ind\u00fastria dom\u00e9stica, sobretudo a partir das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s importa\u00e7\u00f5es seriam paulatinamente reduzidas pelo Estado, e a economia sul-coreana se tornaria mais aberta ao capital externo durante os atos finais da Guerra Fria (Kim, 1991, p. 28). De tal modo, ainda se alinhando aos c\u00e2nones do Nacionalismo Econ\u00f4mico de Friedrich List, que propunham um Protecionismo Educador, mas tempor\u00e1rio (List, 2006, p. 112). Segundo dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, no ano em que a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era dissolvida, a Coreia do Sul j\u00e1 se encontrava entre as quinze maiores economias do planeta (International Monetary Fund, 1991, p. 23).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que o sucesso alcan\u00e7ado pelo programa de industrializa\u00e7\u00e3o de Seul durante o p\u00f3s-guerra se deu atrav\u00e9s de meios definitivamente distintos daqueles preconizados pelo modelo liberal. A \u00eanfase no acentuado papel do Estado como for\u00e7a motriz do crescimento econ\u00f4mico \u00e9 equipar\u00e1vel ao que foi executado durante a revolu\u00e7\u00e3o industrial na Alemanha Guilhermina e outros pa\u00edses cujas classes dominantes e a intelectualidade foram inspiradas pelas contribui\u00e7\u00f5es do Nacionalismo Econ\u00f4mico de Friedrich List.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 contudo importante ter em conta que o modelo de desenvolvimento aplicado no territ\u00f3rio sul-coreano n\u00e3o foi e n\u00e3o torna-se livre de cr\u00edticas na contemporaneidade, sobretudo no seu aspecto pol\u00edtico-social, dada a escassa participa\u00e7\u00e3o trabalhista e o papel marginal que coube aos sindicatos e demais organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias na Coreia do Sul durante a Guerra Fria, dispositivos que s\u00e3o indiscutivelmente essenciais para a harmoniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho em um pa\u00eds democr\u00e1tico moderno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A exitosa reconstru\u00e7\u00e3o e o alto n\u00edvel de fecundidade econ\u00f4mica deste pa\u00eds em nosso tempo hist\u00f3rico atestam que o modelo liberal exaltado por um amplo grupo de intelectuais do norte geogr\u00e1fico desde a Idade Moderna at\u00e9 os nossos dias n\u00e3o \u00e9 isento de contradi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o deve ser tomado como tratamento universal para o subdesenvolvimento. Pelo contr\u00e1rio, os \u00eaxitos obtidos pela doutrina do Protecionismo Educador em diversos Estados desde a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial mostram que o caminho para o florescimento econ\u00f4mico deve ser tra\u00e7ado a partir das particularidades nacionais de cada pa\u00eds. E conclusivamente, que os princ\u00edpios elaborados por Friedrich List por meio da observa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o tornaram-se obsoletos no s\u00e9culo XXI, mas revigoram-se atrav\u00e9s de numerosas experi\u00eancias concretas, postas em relevo atrav\u00e9s das lentes da Economia Pol\u00edtica Internacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DOS SANTOS OLIVEIRA, Fl\u00e1vio. O legado de Friedrich List e sua influ\u00eancia sobre a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica europeia.&nbsp;<strong>Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica &amp; Hist\u00f3ria de Empresas<\/strong>, v. 24, n. 3, p. 625-653, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>ENGELS, Friedrich.&nbsp;<strong>A revolu\u00e7\u00e3o antes da revolu\u00e7\u00e3o.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: Express\u00e3o Popular, 2008.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>INTERNATIONAL MONETARY FUND.&nbsp;<strong>Annual Report<\/strong>. Washington D.C. 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>KIM, Kwan S.&nbsp;<strong>The Korean miracle (1962-1980) revisited: myths and realities in strategy and development<\/strong>. Notre Dame, IN: Helen Kellogg Institute for International Studies, University of Notre Dame, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>LIMA, Uallace Moreira. O debate sobre o processo de desenvolvimento econ\u00f4mico da Coreia do Sul: uma linha alternativa de interpreta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<strong>Economia e Sociedade<\/strong>, v. 26, n. 3, p. 585-631, 2017.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>LIST, Friedrich.&nbsp;<strong>Sistema Nacional da Economia Pol\u00edtica.<\/strong>&nbsp;Lisboa:&nbsp;&nbsp;Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2006.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MCMAHON, Robert.&nbsp;<strong>Guerra Fria.<\/strong>&nbsp;Porto Alegre: L&amp;PM, 2012.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>NOGUEIRA SILVA, Daniel; HERRLEIN JUNIOR, Ronaldo. As rela\u00e7\u00f5es de trabalho no processo de desenvolvimento da Coreia do Sul: os limites da abordagem desenvolvimentista.&nbsp;<strong>OIKOS (Rio de Janeiro)<\/strong>, v. 18, n. 1, 2019.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Fl\u00e1vio Santos. Friedrich List: livre com\u00e9rcio e protecionismo na integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos estados alem\u00e3es.&nbsp;<strong>Economia e Sociedade<\/strong>, v. 31, p. 289-310, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>REZAPOUR, Navid. Friedrich List and the historical school in German economics from 1871 to 1914.&nbsp;<strong>Br. J. Arts Humanit<\/strong>, v. 5, n. 2, p. 78-89, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>STARLING, Bruno Pimenta.&nbsp;<strong>Por um lugar ao sol:&nbsp;<\/strong>a constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa alem\u00e3, de Bismarck a Guilherme II (1871-1914). S\u00e3o Paulo: Alameda Casa Editorial, 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VISENTINI, Paulo F.; PEREIRA, Anal\u00facia D.; MELCHIONNA, Helena H.&nbsp;<strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Coreana:&nbsp;<\/strong>o desconhecido socialismo Zuche. S\u00e3o Paulo: Unesp, 2015.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Per\u00edodo hist\u00f3rico compreendido entre 1814 e 1848 onde as monarquias europeias foram restauradas ao poder ap\u00f3s a derrota dos ex\u00e9rcitos de Napole\u00e3o Bonaparte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cUni\u00e3o aduaneira\u201d em l\u00edngua alem\u00e3. Acordo proposto pelo antigo Reino da Pr\u00fassia em 1834 para estabelecer uma fronteira alfandeg\u00e1ria comum entre os Estados da Confedera\u00e7\u00e3o Germ\u00e2nica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cDeixe que aconte\u00e7a\u201d em l\u00edngua francesa. Express\u00e3o oriunda do s\u00e9culo XVII associada a vers\u00e3o mais radical do capitalismo liberal que se op\u00f5e veemente a interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/86FF5833-ADA6-4911-91DC-DF67A4BFE4E4#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Nobreza fundi\u00e1ria do antigo Reino da Pr\u00fassia que ap\u00f3s a unifica\u00e7\u00e3o da Alemanha se tornaria a classe dirigente do Segundo Imp\u00e9rio Alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Gast\u00e3o Menescal Carneiro Neto&nbsp;<\/strong>\u00e9<\/em><strong>&nbsp;<\/strong><em>p\u00f3s-graduado em Diplomacia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), graduado em Hist\u00f3ria pelo Centro Universit\u00e1rio La Salle do Rio de&nbsp;<\/em>Janeiro<em>&nbsp;(Unilasalle RJ), e atualmente graduando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Unilasalle RJ. Colabora como pesquisador para regi\u00e3o da R\u00fassia e ex-URSS do N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o da Conjuntura (NAC), associado \u00e0 Escola de Guerra Naval. Paralelamente, se dedica a pesquisa sobre pol\u00edtica externa italiana ao longo da hist\u00f3ria e na contemporaneidade. Se interessa pelos temas de Defesa, Geopol\u00edtica, Hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Seguran\u00e7a Internacional.&nbsp;<\/em><strong>Lattes:&nbsp;<\/strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2937883448479893\"><strong>h<\/strong>ttp:\/\/lattes.cnpq.br\/2937883448479893<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 12 | N\u00famero 119 | Ago. 2025 Por Gast\u00e3o Menescal Carneiro Neto&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2687,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,651],"tags":[],"class_list":["post-3395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicoes-anteriores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3395"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3399,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3395\/revisions\/3399"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}