{"id":3432,"date":"2025-11-07T00:44:09","date_gmt":"2025-11-07T03:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3432"},"modified":"2025-10-31T01:04:45","modified_gmt":"2025-10-31T04:04:45","slug":"preservacao-de-florestas-e-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3432","title":{"rendered":"PRESERVA\u00c7\u00c3O DE FLORESTAS E BIODIVERSIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p>Edi\u00e7\u00e3o Especial: COP da Amaz\u00f4nia<\/p>\n\n\n\n<p>Volume 12 | N\u00famero 121 | Nov. 2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Weyller Ramos e Silva<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o das florestas e da biodiversidade \u00e9 um dos temas mais urgentes do s\u00e9culo XXI. Desde o s\u00e9culo passado, nota-se a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da fauna e da flora amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Tal esfor\u00e7o evidencia-se com a Conven\u00e7\u00e3o sobre Com\u00e9rcio Internacional das Esp\u00e9cies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o (CITES), de 1973; e a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB), em 1992. Entretanto, ap\u00f3s mais de 50 anos de alertas e acordos internacionais, a destrui\u00e7\u00e3o de florestas e a perda de biodiversidade n\u00e3o s\u00f3 persistiram, como se aceleraram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta constata\u00e7\u00e3o levanta a pergunta central que este artigo se prop\u00f5e a investigar: como explicar a persist\u00eancia e o agravamento da crise das florestas e da biodiversidade em face de d\u00e9cadas de esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos e de crescente conscientiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Como hip\u00f3tese e tese central, argumenta-se que a efic\u00e1cia das pol\u00edticas de preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada por uma desconex\u00e3o fundamental entre as diretrizes globais e as complexas press\u00f5es socioecon\u00f4micas locais, aliada a uma internaliza\u00e7\u00e3o tardia e insuficiente do valor dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos no planejamento econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa para esta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema urg\u00eancia. Compreender as ra\u00edzes dessa inefetividade \u00e9 crucial para formular solu\u00e7\u00f5es que sejam, de fato, eficazes. A preserva\u00e7\u00e3o ambiental deixou de ser uma quest\u00e3o meramente conservacionista; trata-se de uma condi\u00e7\u00e3o para a estabilidade socioecon\u00f4mica global. Ecossistemas saud\u00e1veis prestam servi\u00e7os indispens\u00e1veis, como a regula\u00e7\u00e3o do clima, o sequestro de carbono, a poliniza\u00e7\u00e3o de cultivos e o fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel. A degrada\u00e7\u00e3o em curso, portanto, coloca em risco n\u00e3o apenas esp\u00e9cies, mas a pr\u00f3pria base que sustenta a vida humana e as economias nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para desenvolver este argumento, o presente artigo est\u00e1 estruturado em tr\u00eas partes principais. Inicialmente, tra\u00e7a um panorama hist\u00f3rico da preserva\u00e7\u00e3o ambiental, desde os primeiros alertas cient\u00edficos at\u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o do regime internacional. Em seguida, analisa os impactos das a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas na natureza, com foco na crise da biodiversidade e no conceito de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Por fim, elenca e discute os desafios atuais que persistem e se renovam (inclusive no ambiente amaz\u00f4nico), concluindo com uma s\u00edntese que retoma a tese central e aponta para caminhos futuros.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>BREVE RECAPITULA\u00c7\u00c3O DA HIST\u00d3RIA DA PRESERVA\u00c7\u00c3O AMBIENTAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A tem\u00e1tica ambiental sempre esteve no horizonte de preocupa\u00e7\u00f5es humanas, conquanto de maneira fragment\u00e1ria e passional, alheia a um movimento social amplo. Faltavam, portanto, programas ou pol\u00edticas que obrigassem a ado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas contra danos ambientais, a defesa dos interesses sociais e o controle dos impactos da a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica. (RIBEIRO, 2005, p. 294)<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos anos 1950, pesquisadores das ci\u00eancias naturais assumiram um papel crucial na conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade acerca dos efeitos negativos da explora\u00e7\u00e3o desmedida dos recursos naturais (RIBEIRO,&nbsp;2005). Com os alertas dos cientistas e o surgimento dos primeiros Partidos Verdes, o assunto acabou ganhando for\u00e7a e repercutindo na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que se viu pressionada a buscar caminhos para que a humanidade pudesse encarar esse novo problema que a amea\u00e7ava (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 268).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, a quest\u00e3o ambiental ganhou dimens\u00e3o global na Assembleia Geral da ONU, em 1968. Diante da gravidade do problema, a organiza\u00e7\u00e3o convocou a Confer\u00eancia de Estocolmo, que, em 1972, conseguiu reunir 113 na\u00e7\u00f5es. Tendo como principais feitos a cria\u00e7\u00e3o do PNUMA (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente) e da Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente, \u00f3rg\u00e3os com a miss\u00e3o de conduzir estudos globais sobre o tema&nbsp;(RIBEIRO,&nbsp;2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos 1970 foram marcados por um crescente alerta da comunidade cient\u00edfica sobre as amea\u00e7as \u00e0 sobreviv\u00eancia do planeta. Foi nessa \u00e9poca que termos como &#8220;efeito estufa&#8221;, &#8220;desertifica\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies&#8221; entraram no vocabul\u00e1rio comum, refletindo uma nova consci\u00eancia ambiental (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 269).&nbsp;&nbsp;Um marco crucial desse per\u00edodo foi a cria\u00e7\u00e3o da CITES (Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies da Fauna e da Flora Selvagens Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o), firmada em Washington em 1973. Esse tratado multilateral tornou-se uma ferramenta vital para a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, ao estabelecer regras para o com\u00e9rcio internacional de animais e plantas selvagens (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 273).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, foi apenas na d\u00e9cada de 1980 que a ONU tomou uma decis\u00e3o com impacto verdadeiramente global para o meio ambiente. Durante sua 38\u00aa sess\u00e3o, a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas estabeleceu a Comiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, composta por 23 membros, incluindo o ec\u00f3logo brasileiro Prof. Paulo Nogueira Neto. O trabalho dessa comiss\u00e3o resultou na publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio &#8220;Nosso Futuro Comum&#8221;, em&nbsp;1986, tamb\u00e9m conhecido por seu subt\u00edtulo &#8220;Princ\u00edpios Legais de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel&#8221;. Esta obra tornou-se um dos pilares do Direito Internacional Ambiental, transformando uma quest\u00e3o antes negligenciada politicamente em um tema de coopera\u00e7\u00e3o e interdepend\u00eancia obrigat\u00f3ria entre as na\u00e7\u00f5es (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 276).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Contraditoriamente, a acelera\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX est\u00e1 profundamente associada a iniciativas estatais de consolida\u00e7\u00e3o territorial e soberania nacional. Nesse per\u00edodo, a prioridade foi a integra\u00e7\u00e3o log\u00edstica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o, em detrimento da preserva\u00e7\u00e3o de seu ecossistema. A integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica da Amaz\u00f4nia ao restante do pa\u00eds tornou-se, ent\u00e3o, um projeto estrat\u00e9gico, materializado a partir da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia na segunda metade dos anos 1950 e na interioriza\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o territorial brasileira, inclusive da regi\u00e3o amaz\u00f4nica (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 282).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980, o processo de desmatamento intensificou-se, atingindo o n\u00facleo da Floresta Amaz\u00f4nica. Como resultado, os preju\u00edzos n\u00e3o se limitaram \u00e0s zonas de transi\u00e7\u00e3o, mas alcan\u00e7aram o valioso patrim\u00f4nio natural da Hileia, progressivamente consumido pela expans\u00e3o agropecu\u00e1ria (RIBEIRO, 2005,&nbsp;p. 286). Embora a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental global seja um fen\u00f4meno mais recente, o debate sobre a internacionaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia j\u00e1 ganhava espa\u00e7o nesse contexto, frequentemente acompanhado por cr\u00edticas severas que contestavam a soberania do Brasil sobre seu territ\u00f3rio (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 300).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na virada para a d\u00e9cada de 1990, a press\u00e3o internacional sobre a pol\u00edtica ambiental brasileira na Amaz\u00f4nia se intensificou. Conforme salienta Ribeiro (2005), ONGs e a m\u00eddia estrangeira atuaram para influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica global e condicionar empr\u00e9stimos internacionais a pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o, com o Banco Mundial como alvo principal. Entidades como o PNUMA declararam a biodiversidade amaz\u00f4nica como &#8220;patrim\u00f4nio da humanidade&#8221;, mas a manifesta\u00e7\u00e3o mais contundente partiu do Parlamento Europeu: em 1989, ele emitiu uma resolu\u00e7\u00e3o proclamando a responsabilidade global pela floresta e recomendou suspender um aux\u00edlio europeu ao Programa Grande Caraj\u00e1s que, na verdade, nunca existiu (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 317).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que o governo brasileiro, por sua parte, demonstrava reconhecer e se preocupar com os impactos ambientais gerados pela ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Essa preocupa\u00e7\u00e3o se materializou ainda no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 com a institucionaliza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente e a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 322). Posteriormente, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 consolidou esse compromisso ao elevar um &#8220;meio ambiente ecologicamente equilibrado&#8221; \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de direito de todos (RIBEIRO, 2005).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 1990 foi marcada por quest\u00f5es muito importantes no que diz respeito ao meio ambiente. Apesar das tentativas nas d\u00e9cadas anteriores de mitigar as a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas na natureza, o come\u00e7o da d\u00e9cada, sobretudo durante a segunda confer\u00eancia mundial do meio ambiente, a ECO-92, escancarou a discrep\u00e2ncia no discurso dos pa\u00edses desenvolvidos que se diziam preocupados com a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente (NOVAES,&nbsp;1992, p. 79).<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro grande impasse para o estabelecimento de metas e prazos de redu\u00e7\u00e3o de poluentes surgiu antes mesmo da confer\u00eancia no Rio de Janeiro. Os Estados Unidos, que at\u00e9 o protocolo de Montreal, na d\u00e9cada de 1980, era respons\u00e1vel por 40% das emiss\u00f5es de CFC, priorizavam o aumento da produ\u00e7\u00e3o industrial para combater a recess\u00e3o e o desemprego, alegando que uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica custaria dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares (NOVAES,&nbsp;1992, p. 80). Essa relut\u00e2ncia em arcar com os custos ilustrava uma dificuldade central do per\u00edodo: a disputa sobre quem financiaria o combate \u00e0 crise clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas, maiores poluidoras hist\u00f3ricas, muitas vezes se esquivavam de sua responsabilidade, as medidas propostas reca\u00edam de forma desproporcional sobre os pa\u00edses em desenvolvimento, amea\u00e7ando sufocar seu crescimento econ\u00f4mico. A postura norte-americana foi acompanhada pela resist\u00eancia do Jap\u00e3o e dos pa\u00edses \u00e1rabes exportadores de petr\u00f3leo, ainda c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esses obst\u00e1culos destacaram como a quest\u00e3o ambiental era, na verdade, um profundo problema pol\u00edtico-econ\u00f4mico, o que impedia um consenso e um tratamento adequado da crise (NOVAES,&nbsp;1992, p. 81).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos obst\u00e1culos enfrentados, a ECO-92 foi fundamental para a conscientiza\u00e7\u00e3o global, sendo o palco de importantes negocia\u00e7\u00f5es e da assinatura de tratados como a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) e a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB), ambas em 1992 (NOVAES,&nbsp;1992, p. 83).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o contraste entre as promessas firmadas no s\u00e9culo XX e a acelera\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica \u00e9 not\u00e1vel. O que se viu nos anos seguintes foi um abismo entre a ret\u00f3rica diplom\u00e1tica e a a\u00e7\u00e3o concreta, com as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa atingindo n\u00edveis recordes e a perda de biodiversidade se intensificando. O legado do evento, portanto, \u00e9 amb\u00edguo: se por um lado ele inaugurou a arquitetura global de discuss\u00f5es sobre o clima, por outro se tornou um s\u00edmbolo da lentid\u00e3o e da inadequa\u00e7\u00e3o das respostas internacionais a uma emerg\u00eancia que exige medidas muito mais s\u00f3lidas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>OS IMPACTOS DAS A\u00c7\u00d5ES ANTR\u00d3PICAS NA NATUREZA<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es do homem est\u00e3o afetando negativamente a biodiversidade: pesquisas j\u00e1 confirmaram que estamos em um ritmo mil vezes maior de destrui\u00e7\u00e3o e de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies dessa biodiversidade do que se ela acontecesse de forma natural (IPBES,&nbsp;2019).&nbsp;&nbsp;De acordo com o Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o Global sobre Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos(ONU,&nbsp;2019),&nbsp;quase 1 milh\u00e3o de esp\u00e9cies de animais e plantas correm risco de extin\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Nas Am\u00e9ricas, por exemplo, quase um quarto das esp\u00e9cies avaliadas s\u00e3o classificadas pela IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) como em alto risco de extin\u00e7\u00e3o (IPBES,&nbsp;2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitos aspectos da qualidade de vida estejam melhorando em escala regional e sub-regional, a maioria dos pa\u00edses das Am\u00e9ricas est\u00e1 usando a natureza a uma taxa que excede a sua capacidade de se renovar e, consequentemente, de contribuir para a qualidade de vida (IPBES,&nbsp;2019).&nbsp;&nbsp;\u00c9 importante salientar que a perda da biodiversidade e o agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o dois lados da mesma moeda: conforme mais esp\u00e9cies desaparecem, menos eficazes se tornam os mecanismos naturais de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, como a estabilidade dos ecossistemas e a regula\u00e7\u00e3o do carbono.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O qu\u00edmico brit\u00e2nico James Lovelock, em 1979, j\u00e1 havia trabalhado com essa ideia quando desenvolveu a Hip\u00f3tese de Gaia, que \u00e9 a no\u00e7\u00e3o da biosfera como um sistema de controle adaptativo que mant\u00e9m a Terra em homeostase. Para Lovelock, \u201ca flora e a fauna, o clima e os ciclos biogeoqu\u00edmicos da Terra s\u00e3o interligados de modo que as mudan\u00e7as em uma parte do sistema afetam a biosfera como um todo\u201d (RIBEIRO,&nbsp;2005, p. 271).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante reiterar que os Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (SE) s\u00e3o os benef\u00edcios vitais que a natureza fornece gratuitamente, sustentando o equil\u00edbrio ambiental e o bem-estar humano. (MEA,&nbsp;2005). Estes podem se dividir em quatro categorias: aprovisionamento, regula\u00e7\u00e3o, cultural e suporte (MEA, 2005), sendo fundamentalmente relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimento, regula\u00e7\u00e3o da qualidade do ar, \u00e0 fotoss\u00edntese, entre outras utilidades. Apesar da viabilidade de uma explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, ainda predominam sistemas agr\u00edcolas que contradizem os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. O uso de agrot\u00f3xicos e fertilizantes sint\u00e9ticos, por exemplo, est\u00e1 levando \u00e0 quase extin\u00e7\u00e3o das abelhas, polinizadoras essenciais para a agricultura (SILVA,&nbsp;2021). No caso do Arco do Desmatamento, o avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria incide diretamente sobre a viabilidade dos Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos na Am\u00e9rica do Sul (SILVA,&nbsp;2021). Esse desequil\u00edbrio compromete a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e gera preju\u00edzos ambientais e econ\u00f4micos anuais que podem chegar a bilh\u00f5es de d\u00f3lares (GALLAI, 2009).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O CASO DA AMAZ\u00d4NIA COMO PONTO DE INFLEX\u00c3O GLOBAL<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O planeta testemunha os primeiros sinais de uma crise clim\u00e1tica que s\u00f3 tende a se agravar. Neste contexto, os &#8220;pontos de inflex\u00e3o&#8221; representam um perigo iminente que, uma vez ultrapassados, deflagram mudan\u00e7as ambientais abruptas (RODRIGUES,&nbsp;2025).&nbsp;&nbsp;Eles s\u00e3o definidos como um limite cr\u00edtico no qual a floresta perde sua capacidade de se autorregenerar e pode passar por uma transforma\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel em um ecossistema mais seco. Ou seja, se a Amaz\u00f4nia atingir o ponto de inflex\u00e3o, as consequ\u00eancias incluem a redu\u00e7\u00e3o das chuvas, impacto na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua pot\u00e1vel e aumento de doen\u00e7as (RODRIGUES,&nbsp;2025).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia est\u00e1 \u00e0 beira de cruzar essa linha. Proje\u00e7\u00f5es indicam que, por volta de 2050, a floresta pode sofrer um colapso irrevers\u00edvel, degenerando em um ecossistema de savana, mais pobre e seco (RODRIGUES,&nbsp;2025).&nbsp;&nbsp;Tal transforma\u00e7\u00e3o seria catastr\u00f3fica, n\u00e3o s\u00f3 pela perda irrepar\u00e1vel de biodiversidade, mas tamb\u00e9m por fazer da regi\u00e3o uma grande fonte de emiss\u00f5es de carbono, alimentando um ciclo vicioso de aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados evidenciam a severidade do cen\u00e1rio: entre 2000 e 2022, a Pan-Amaz\u00f4nia teve uma redu\u00e7\u00e3o de 12,6% em sua cobertura florestal nativa, com aproximadamente 38% de sua \u00e1rea apresentando sinais de degrada\u00e7\u00e3o e impactos de secas severas. (VANCUTSEM et al., 2021: BEUCHLE et al., 2023). Ainda que o ponto de inflex\u00e3o preciso seja uma inc\u00f3gnita, pesquisas indicam que ultrapassar 40% de desmatamento pode comprometer gravemente os ciclos de precipita\u00e7\u00e3o, desequilibrando o bioma (RODRIGUES,&nbsp;2025).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da urg\u00eancia clim\u00e1tica, as na\u00e7\u00f5es ainda esbarram na necessidade de se desenvolverem explorando a natureza e colocando em risco sua biodiversidade. Como aponta Becker (2005, p. 85), a preserva\u00e7\u00e3o da floresta est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 sua capacidade de gerar valor econ\u00f4mico que rivalize com atividades como a extra\u00e7\u00e3o de madeira, a pecu\u00e1ria e o cultivo de soja, o que tem dificultado que o tema seja lidado com a seriedade que merece.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas principais florestas tropicais do mundo \u2014 Amaz\u00f4nica, do Congo e do Sudeste Asi\u00e1tico \u2014 abrigam, em conjunto, 75% da biodiversidade planet\u00e1ria (GIAM,&nbsp;2017).&nbsp;&nbsp;Esses ecossistemas t\u00eam resistido, ainda que parcialmente, a um processo hist\u00f3rico de desmatamento para a expans\u00e3o humana (GIAM, 2017). Paralelamente, a crise clim\u00e1tica se intensifica. O ano de 2024 foi o mais quente j\u00e1 registrado, com temperaturas cerca de 1,55 \u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais (SDG,&nbsp;2025).&nbsp;&nbsp;Esse aquecimento potencializa eventos extremos, deslocando popula\u00e7\u00f5es e agravando a inseguran\u00e7a alimentar e as perdas econ\u00f4micas. Embora um \u00fanico ano acima de 1,5 \u00b0C n\u00e3o signifique o descumprimento do Acordo de Paris, ele serve como um alerta urgente, j\u00e1 que os esfor\u00e7os globais est\u00e3o aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Os dados refor\u00e7am a urg\u00eancia: em 2023, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa atingiram o recorde de 57,1 gigatoneladas de CO2 equivalente&nbsp;(UNEP, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, 2025 \u00e9 um ano decisivo, pois marca o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do Acordo de Paris e \u00e9 o prazo para que os pa\u00edses apresentem suas metas clim\u00e1ticas atualizadas (NDCs 3.0) para 2035. No entanto, at\u00e9 meados do ano, apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es havia cumprido essa obriga\u00e7\u00e3o. \u00c0s v\u00e9speras da COP-30 no Brasil, o cen\u00e1rio \u00e9 preocupante: se de um lado temos o atual presidente dos Estados Unidos negando a urg\u00eancia da crise clim\u00e1tica; de outro, o pa\u00eds anfitri\u00e3o, que historicamente demonstrou compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental desde a d\u00e9cada de 1970, \u00e9 agora respons\u00e1vel por 70% da perda florestal global, segundo relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Cultura (FAO,&nbsp;2025). Essa contradi\u00e7\u00e3o evidencia n\u00e3o apenas uma ret\u00f3rica ambiental fr\u00e1gil, mas tamb\u00e9m a cruel realidade que assola a Amaz\u00f4nia e outras regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise desenvolvida neste artigo confirma que a disparidade entre a ret\u00f3rica global de preserva\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental acelerada resulta principalmente da desconex\u00e3o entre diretrizes internacionais e realidades socioecon\u00f4micas locais, somada \u00e0 fraca internaliza\u00e7\u00e3o do valor dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos nos modelos de desenvolvimento. A trajet\u00f3ria hist\u00f3rica demonstra que acordos ambientais, como CITES e CDB, embora representem avan\u00e7os diplom\u00e1ticos, frequentemente ignoram press\u00f5es locais por desenvolvimento e soberania, como evidenciado pelo caso da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, a crise da biodiversidade e os pontos de inflex\u00e3o iminentes revelam as graves consequ\u00eancias de negligenciar servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais como regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Os impasses persistentes nas negocia\u00e7\u00f5es, desde a ECO-92 at\u00e9 as atuais metas do Acordo de Paris, comprovam a dificuldade em transformar consensos cient\u00edficos em a\u00e7\u00f5es efetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, superar esta crise exige uma mudan\u00e7a de paradigma: \u00e9 crucial criar mecanismos que vinculem a governan\u00e7a global \u00e0s necessidades locais, internalizando os custos ambientais e promovendo modelos de desenvolvimento que reconhe\u00e7am a preserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica como base indispens\u00e1vel para o futuro. A preserva\u00e7\u00e3o das florestas e da biodiversidade mostra-se, portanto, n\u00e3o apenas uma quest\u00e3o ambiental, mas um imperativo de sobreviv\u00eancia socioecon\u00f4mica global.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BECKER, B. <strong>Geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia.<\/strong> Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMPELLO, Marcelo. <strong>A quest\u00e3o ambiental e a nova geopol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es: impactos e press\u00f5es sobre a Amaz\u00f4nia brasileira.<\/strong> Disserta\u00e7\u00e3o. (Mestrado em Economia Pol\u00edtica Internacional). Rio de Janeiro: IE\/UFRJ, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>FAO. 2025. <strong>Global Forest Resources Assessment 2025.<\/strong> Rome. https:\/\/doi.org\/10.4060\/cd6709en<\/p>\n\n\n\n<p>GALLAI, Nicola, SALLES, J.M.; SETTELE, Josef; VAISSI\u00c8RE, Bernard. Economic valuation of the vulnerability of world agriculture confronted with pollinator decline.<strong> Ecological Economics<\/strong>, 2009, 68 (3), pp.810-821.<\/p>\n\n\n\n<p>GIAM, Xingli. Global biodiversity loss from tropical deforestation. <strong>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/strong>, v. 114, n. 23, p. 5775-5777, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>JAPIASS\u00da, C. E.; GUERRA, I. F. 30 anos do relat\u00f3rio Brundtland: nosso futuro comum e o desenvolvimento sustent\u00e1vel como diretriz constitucional brasileira. <strong>Revista de Direito da Cidade, <\/strong>v. 9, n. 4, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/rdc\/article\/view\/30287\/23220>.<\/p>\n\n\n\n<p>Millennium ecosystem assessment (MEA), 2005. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.rbma.org.br\/mercadomataatlantica\/pdf\/sem_ma_serv_amb_18.pdf\">https:\/\/www.rbma.org.br\/mercadomataatlantica\/pdf\/sem_ma_serv_amb_18.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>NOBRE, Ant\u00f4nio. O futuro clim\u00e1tico da Amaz\u00f4nia. <strong>Articula\u00e7\u00e3o Regional Amaz\u00f4nica, <\/strong>2016.<\/p>\n\n\n\n<p>NOVAES, W. Eco-92: avan\u00e7os e interroga\u00e7\u00f5es. <strong>Estudos avan\u00e7ados<\/strong>, v. 6, n. 15, p. 79-93, 1992. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-40141992000200005<\/p>\n\n\n\n<p>REGIONAL ASSESSMENT REPORT ON BIODIVERSITY AND ECOSYSTEM SERVICES FOR THE AMERICAS (IPBES), 2025.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/zenodo.org\/records\/3236292<\/p>\n\n\n\n<p>RIBEIRO, Nelson de Figueiredo. <strong>A quest\u00e3o geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia: da soberania difusa \u00e0 soberania restrita.<\/strong> Bras\u00edlia: Senado Federal, 2025. v. 64. p. 267-307.<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Regina. <strong>O ponto de inflex\u00e3o do sistema florestal amaz\u00f4nico.<\/strong> Recife: ed. Saint Exupery, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>ROOS, Alana. \u201cA biodiversidade e a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d. <strong>Revista eletr\u00f4nica em Gest\u00e3o, Educa\u00e7\u00e3o e Tecnologia Ambiental,<\/strong> v. 7, n\u00ba 7, pp. 1494-1499, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Antonio Marcos. A sustentabilidade ambiental e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. In: Cardoso EJBN, editor. <strong>A sustentabilidade ambiental da agricultura e de florestas tropicais \u2013 uma vis\u00e3o cient\u00edfica, ecol\u00f3gica, pol\u00edtica e social.<\/strong> Curitiba, PR, Brasil: Editora Appris (2021). p. 22-33.<\/p>\n\n\n\n<p>UN, Emissions Gap Report (UNEP) 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.unep.org\/resources\/emissions-gap-report-2024<\/p>\n\n\n\n<p>UNITED NATIONS,&nbsp;THE SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS REPORT (SDG), 2025.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/share.google\/5Zuod5ObJ6q4BcVK0<\/p>\n\n\n\n<p>VANCUTSEM C, et al.&nbsp;(2021) Long-term (1990\u20132019) monitoring of forest cover changes in the humid tropics. Science Advances. 7 (10): eabe1603.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Weyller Ramos e Silva\u00a0<\/strong>\u00e9 graduando em Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional pela UFRJ, com interesses  nas \u00e1reas de consultoria, com\u00e9rcio exterior, administra\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o internacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Orientador da pesquisa: Prof. Dr. Bernardo Salgado Rodrigues.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o Especial: COP da Amaz\u00f4nia Volume 12 | N\u00famero 121 | Nov. 2025<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3409,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[645],"tags":[],"class_list":["post-3432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-atual"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3432"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3435,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3432\/revisions\/3435"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}