{"id":3467,"date":"2026-09-14T12:48:03","date_gmt":"2026-09-14T15:48:03","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3467"},"modified":"2026-09-14T12:48:05","modified_gmt":"2026-09-14T15:48:05","slug":"a-politica-externa-brasileira-no-contexto-do-debate-entre-americanistas-e-nacionalistas-o-papel-do-iseb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3467","title":{"rendered":"A POL\u00cdTICA EXTERNA BRASILEIRA NO CONTEXTO DO DEBATE ENTRE AMERICANISTAS E NACIONALISTAS: O PAPEL DO ISEB"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/business-1845350_1280-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1880\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/business-1845350_1280-1.jpg 1024w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/business-1845350_1280-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/business-1845350_1280-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Jo\u00e3o Miguel Villas-B\u00f4as Barcellos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A nova ordem mundial produzida a partir do fim da Segunda Guerra Mundial produziu s\u00e9rios efeitos na capacidade dos Estados de planejar e executar suas pol\u00edticas externas autonomamente. Os Estados Unidos tornam-se hegem\u00f4nicos no Ocidente e condicionam tal parte do mundo \u00e0 sua influ\u00eancia<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Como, inicialmente, \u00fanicos detentores de capacidade militar at\u00f4mica, n\u00e3o&nbsp;havia&nbsp;pa\u00eds que lhes&nbsp;pudessem&nbsp;fazer frente.&nbsp;Havia&nbsp;assim, uma hegemonia no campo pol\u00edtico estrat\u00e9gico, que traduzia a ampla superioridade econ\u00f4mica conquistada por aquele pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a hegemonia norte-americana n\u00e3o era aut\u00e1rquica.&nbsp;Apesar de n\u00e3o existir nenhuma for\u00e7a contestadora \u00e0 altura de suas capacidades, os respons\u00e1veis pelas pol\u00edticas externa e defesa dos Estados Unidos necessitavam de aliados que lhes concedessem bases de apoio militar. A respeito da pol\u00edtica hegem\u00f4nica dos Estados Unidos, Watson diz:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[&#8230;] Ela se expressava institucionalmente numa cadeia de alian\u00e7as, que se estendia da Gr\u00e3-Bretanha e da Fran\u00e7a e logo dos Estados restaurados alem\u00e3o e japon\u00eas, at\u00e9 pequenos Estados clientes na Europa e na \u00c1sia. Em todas elas, o poder norte-americano era preponderante. Ademais, a for\u00e7a industrial e financeira dos Estados Unidos havia crescido tanto, e a do resto do mundo desenvolvido tinha sido t\u00e3o prejudicada, que uma hegemonia econ\u00f4mica norte-americana tamb\u00e9m era inevit\u00e1vel. (WATSON, 2004, p. 408)&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesta cita\u00e7\u00e3o de Adam Watson \u00e9 poss\u00edvel perceber como os Estados Unidos se consolidam como a grande pot\u00eancia hegem\u00f4nica no mundo, bem como por dedu\u00e7\u00e3o, os demais Estados, incluindo os latino-americanos tornam-se dependentes dos mesmos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A supera\u00e7\u00e3o de tal depend\u00eancia ser\u00e1 o mote condutor da pol\u00edtica externa brasileira, na maioria dos governos do P\u00f3s Segunda Guerra. A chave para tal empresa ser\u00e1 o desenvolvimento econ\u00f4mico aut\u00f4nomo. Tal desenvolvimento entrar\u00e1 no debate nacional a partir de dois grupos com influ\u00eancia na sociedade, quais sejam os nacionalistas ou neutralistas e os chamados americanistas ou entreguistas (CERVO; BUENO, 2002; VIZENTINI, 2009, LIGI\u00c9RIO, 2010; JAGUARIBE, 1958).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A POL\u00cdTICA EXTERNA RBASILEIRA: DE DUTRA A KUBITSCHEK (1946-1960)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica externa brasileira ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, sob o governo de Eurico Gaspar Dutra, pautou-se pela busca de um alinhamento estreito com os Estados Unidos, a pot\u00eancia hegem\u00f4nica do per\u00edodo (CERVO; BUENO, 2002). A estrat\u00e9gia baseava-se na cren\u00e7a de que a fidelidade autom\u00e1tica renderia dividendos econ\u00f4micos e diplom\u00e1ticos ao pa\u00eds. Para Washington, embora o Brasil fosse um parceiro menos estrat\u00e9gico que a Europa ou o Jap\u00e3o na conten\u00e7\u00e3o do comunismo, sua colabora\u00e7\u00e3o no contexto bipolar da Guerra Fria era valorizada (LIGI\u00c9RIO, 2010). Como prova de alinhamento, Dutra cassou o registro do Partido Comunista Brasileiro e rompeu rela\u00e7\u00f5es com a URSS, em 1947.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, o Brasil assinou o Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca (TIAR) em 1947, demonstrando alinhamento \u00e0 Washington. No campo econ\u00f4mico, constituiu-se em 1948 a Miss\u00e3o Abbink<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica mista destinada a avaliar os impulsos necess\u00e1rios ao desenvolvimento nacional. Contudo, os resultados pr\u00e1ticos desse alinhamento foram escassos, o que, somado \u00e0 fragilidade econ\u00f4mica interna, fortaleceu o movimento pelo retorno de Get\u00falio Vargas ao poder, sob a promessa de uma orienta\u00e7\u00e3o mais nacionalista e aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Vargas reassumiu a presid\u00eancia em 1951, buscando reeditar a pol\u00edtica de barganha pragm\u00e1tica com os EUA que havia rendido frutos antes da Segunda Guerra. Entretanto, como observa Vizentini (2008), persistia at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1950 a ilus\u00e3o de que o Brasil poderia restabelecer v\u00ednculos privilegiados com os americanos por meio de uma barganha nacionalista<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. A nova realidade social, marcada pela industrializa\u00e7\u00e3o e por uma classe oper\u00e1ria ativa, exigia mudan\u00e7as. Vargas, ent\u00e3o, retomou o projeto de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, negligenciado por Dutra (VIZENTINI, 2008; HIRST, 1990; ALTEMANI, 2007; MOURA, 1990).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio acirrou o embate entre duas for\u00e7as pol\u00edticas: os &#8220;americanistas&#8221; (ou entreguistas), que defendiam um desenvolvimento associado e dependente dos EUA, e os &#8220;nacionalistas&#8221;, que pleiteavam um desenvolvimento aut\u00f4nomo e uma pol\u00edtica externa mais independente<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Embora o contexto internacional n\u00e3o fosse ideal para uma barganha nacionalista, Vargas buscou aproveitar os espa\u00e7os existentes (VIZENTINI, 2008), utilizando, por exemplo, a Comiss\u00e3o Mista Brasil-EUA (CMBEU) para estudar a supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0O nacionalismo da \u00e9poca ganhou for\u00e7a com a campanha &#8220;O Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso&#8221;, assumindo um tom anti-imperialista e cr\u00edtico \u00e0 hegemonia americana. Havia forte press\u00e3o para que o Estado controlasse minerais estrat\u00e9gicos e limitasse o capital estrangeiro (Cervo; Bueno, 2002). Apesar disso, em 1952, o Brasil assinou um acordo de assist\u00eancia militar com os EUA, trocando o fornecimento de minerais por treinamento e armamentos, o que gerou duras cr\u00edticas no Congresso pela depend\u00eancia gerada. Outro exemplo da subordina\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi a tentativa frustrada de compra de ultracentr\u00edfugas alem\u00e3s, em 1953 pelo ent\u00e3o presidente do CNPq, Almirante \u00c1lvaro Alberto, bloqueada pelos EUA (CERVO; BUENO, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0O projeto de Vargas n\u00e3o era hostil ao capital externo, mas buscava disciplin\u00e1-lo. Em 1953, o presidente chegou a definir o &#8220;imperialismo&#8221; como a aus\u00eancia de investimentos necess\u00e1rios \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, defendendo a lei de remessa de lucros para evitar a fuga de capitais. Nesse \u00edmpeto, criou a Petrobr\u00e1s, mas acabou v\u00edtima da radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna e externa, culminando em seu suic\u00eddio em 1954. Em sua carta-testamento acusou grupos financeiros internacionais de espoliarem o pa\u00eds. Com sua morte e a ascens\u00e3o de Caf\u00e9 Filho, a pol\u00edtica externa sofreu um retrocesso liberal-conservador, voltando ao alinhamento ideol\u00f3gico e subordinando o desenvolvimento \u00e0 seguran\u00e7a nacional, conforme a doutrina da Escola Superior de Guerra (VIZENTINI, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0A mudan\u00e7a de ventos ocorreu em 1955 com a Confer\u00eancia de Bandung, que consolidou o &#8220;neutralismo&#8221; e o &#8220;Terceiro Mundo&#8221; como for\u00e7a pol\u00edtica. Juscelino Kubitschek assumiu em 1956, trazendo o desenvolvimento novamente para o centro da agenda. Segundo Cervo e Bueno (2002), o nacional-desenvolvimentismo passou a ser a chave para compreender as rela\u00e7\u00f5es internacionais do Brasil a partir de JK. Internamente, ele equilibrava as disputas entre americanistas e os nacionalistas que Jaguaribe (1958) associava \u00e0 op\u00e7\u00e3o neutralista.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o Plano de Metas, JK obteve sucesso inicial, mas enfrentou resist\u00eancias no segundo mandato de Eisenhower, cuja doutrina combatia os nacionalismos perif\u00e9ricos. Um ponto de tens\u00e3o foi a cess\u00e3o de Fernando de Noronha para uma base de rastreamento americana em troca de equipamentos militares obsoletos (VIZENTINI, 2013). Entre o suic\u00eddio de Vargas e 1958, a pol\u00edtica externa viveu um hiato de autonomia. Contudo, a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e eventos como a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana (1959) levaram JK a reorientar a diplomacia, retomando a &#8220;barganha nacionalista&#8221; (VIZENTINI, 2013; CERVO; BUENO, 2002; ALTEMANI, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>O marco dessa mudan\u00e7a foi a Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana (OPA) em 1958<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Proposta por JK a Eisenhower, a OPA foi um ensaio multilateralista que, embora reafirmasse a fidelidade ao bloco ocidental, defendia que o desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina era a arma principal contra o comunismo. Finalmente, o governo JK avan\u00e7ou no reatamento comercial e diplom\u00e1tico com a URSS (1959), enfrentando forte oposi\u00e7\u00e3o das alas conservadoras da UDN, consolidando o uso da pol\u00edtica externa como ferramenta de fomento ao progresso nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>O CONTEXTO INTERNO E O DEBATE ENTRE AMERICANISTAS E NACIONALISTAS: ORIGENS DO PENSAMENTO AUTONOMISTA NO BRASIL E A VIS\u00c3O DO ISEB.<\/strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta parte da pesquisa \u00e9 uma das mais importantes, pois \u00e9 aqui que se entende o significado do trabalho, qual seja o de entender a constru\u00e7\u00e3o de um projeto nacional que seja instrumentalizado por uma pol\u00edtica externa que tenha na autonomia como principal meio de garantir o desenvolvimento. Neste t\u00f3pico, discutiremos a estrutura de poder mundial em que o Brasil estava inserido e as motiva\u00e7\u00f5es que fizeram, a partir de um projeto nacional de desenvolvimento, o princ\u00edpio program\u00e1tico da autonomia se tornar um fio condutor de uma pol\u00edtica externa que pudesse al\u00e7ar o pa\u00eds \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia. Ser\u00e1 discutida e analisada a condi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica e situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica do Brasil, al\u00e9m da importante discuss\u00e3o sobre os rumos interno e externo que o pa\u00eds deveria tomar a partir do debate entre americanistas e nacionalistas. Com isso, teremos mais subs\u00eddios para entender o sentido da autonomia t\u00e3o desejada como condi\u00e7\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o internacional representante de um projeto de desenvolvimento nacional, forjado inicialmente com Vargas e se estendendo, com avan\u00e7os e recuos, com Juscelino Kubitschek, J\u00e2nio Quadros, Jo\u00e3o Goulart, e os militares Costa e Silva at\u00e9 Jo\u00e3o B. Figueiredo, perfazendo um per\u00edodo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto interno brasileiro que vai do per\u00edodo p\u00f3s Segunda Guerra Mundial at\u00e9 o governo J\u00e2nio Quadros \u00e9 repleto de acontecimentos importantes para o destino do pa\u00eds. Grandes mudan\u00e7as nos campos social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico e estrat\u00e9gico. Consideramos, aqui, que a an\u00e1lise dos acontecimentos internos \u00e9 fundamental para entendermos as nuances da autonomia na pol\u00edtica externa brasileira ao longo dos anos. Abordaremos brevemente os eventos ocorridos no pa\u00eds no per\u00edodo em cena (1951-1985) com o intuito de clarificar as circunst\u00e2ncias internas do surgimento da preocupa\u00e7\u00e3o com a autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o de Get\u00falio Vargas, os militares e a oposi\u00e7\u00e3o liberal, em anu\u00eancia dos ent\u00e3o candidatos a presidente da Rep\u00fablica, concordaram em entregar provisoriamente o poder ao presidente do\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Supremo_Tribunal_Federal\">Supremo Tribunal Federal<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jos%C3%A9_Linhares\">Jos\u00e9 Linhares<\/a><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_brasileira_de_1945\">elei\u00e7\u00e3o presidencial<\/a>\u00a0foi mantida para 2 de dezembro de 1945, a qual foi vencida pelo general\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eurico_Gaspar_Dutra\">Eurico Gaspar Dutra<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o governo\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eurico_Gaspar_Dutra\">Eurico Gaspar Dutra<\/a>\u00a0perdurou a uni\u00e3o nacional do\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Partido_Social_Democr%C3%A1tico_(1945-2003)\">PSD<\/a>\u00a0com a\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/UDN\">UDN<\/a>, surgida da necessidade de derrubar\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Get%C3%BAlio_Vargas\">Vargas<\/a>, e que propiciou a concilia\u00e7\u00e3o de interesses entre os amplos setores industriais urbanos. Entre o final da\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/D%C3%A9cada_de_1940\">d\u00e9cada de 1940<\/a>\u00a0e o in\u00edcio da seguinte, tomou corpo o processo de industrializa\u00e7\u00e3o que se iniciara no\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Estado_Novo_(Brasil)\">Estado Novo<\/a>. No campo pol\u00edtico, uma nova\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ideologia\">ideologia<\/a>\u00a0empolgou amplos setores da\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Classe_m%C3%A9dia\">classe m\u00e9dia<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Militar\">militares<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Estudante\">estudantes<\/a>, profissionais liberais,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intelectual\">intelectuais<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Oper%C3%A1rio\">oper\u00e1rios<\/a>: o\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nacionalismo\">nacionalismo<\/a>, cuja express\u00e3o mais significativa foi a campanha &#8220;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/O_petr%C3%B3leo_%C3%A9_nosso\">O petr\u00f3leo \u00e9 nosso<\/a>!&#8221; da qual surgiram a lei do\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monop%C3%B3lio_estatal_do_petr%C3%B3leo_no_Brasil\">monop\u00f3lio estatal da prospec\u00e7\u00e3o e do refino do petr\u00f3leo<\/a>\u00a0e a cria\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Petrobras\">Petr\u00f3leo Brasileiro S\/A (Petrobras)<\/a>, em outubro de\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1953\">1953<\/a><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese o apoio dos nacionalistas \u00e0 defesa do&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Petr%C3%B3leo\">petr\u00f3leo<\/a>&nbsp;e \u00e0 tend\u00eancia estatizante de seu governo, Vargas come\u00e7ou a detectar sinais claros da insatisfa\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos de opini\u00e3o, sobretudo dos representantes do capital estrangeiro e da&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Burguesia\">burguesia<\/a>&nbsp;nacional. N\u00e3o obstante, tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia dava mostras de impaci\u00eancia, como ficou claro pela elei\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/J%C3%A2nio_Quadros\">J\u00e2nio Quadros<\/a>&nbsp;para a prefeitura de&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/S%C3%A3o_Paulo_(cidade)\">S\u00e3o Paulo<\/a>, sem apoio dos grandes partidos. Get\u00falio procedeu a uma mudan\u00e7a ministerial: convocou, para o minist\u00e9rio da Fazenda,&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Osvaldo_Aranha\">Osvaldo Aranha<\/a>, que atenuou a pol\u00edtica cambial e tomou medidas de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; e para o do Trabalho, um jovem pol\u00edtico&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ga%C3%BAcho\">ga\u00facho<\/a>, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido,&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jo%C3%A3o_Goulart\">Jo\u00e3o Goulart<\/a>, que iniciou alian\u00e7as com o movimento oper\u00e1rio, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica populista de Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, Get\u00falio n\u00e3o conseguiu conduzir t\u00e3o bem o seu governo. Pressionado por uma s\u00e9rie de eventos, em&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1954\">1954<\/a>,&nbsp;Get\u00falio Vargas comete&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Suic%C3%ADdio\">suic\u00eddio<\/a>&nbsp;dentro do&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pal%C3%A1cio_do_Catete\">Pal\u00e1cio do Catete<\/a>. Seu vice-presidente passou a dirigir o Pa\u00eds,&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jo%C3%A3o_Fernandes_Campos_Caf%C3%A9_Filho\">Jo\u00e3o Fernandes Campos Caf\u00e9 Filho<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1955\">1955<\/a>,&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Juscelino_Kubitschek\">Juscelino Kubitschek<\/a>&nbsp;foi eleito presidente e tomou posse em janeiro de&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1956\">1956<\/a>, ainda que tenha enfrentado tentativas de golpe. Seu governo caracterizou-se pelo chamado&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Desenvolvimentismo\">desenvolvimentismo<\/a>&nbsp;associado, que se detinha nos avan\u00e7os t\u00e9cnico-industriais como suposta evid\u00eancia de um avan\u00e7o geral do pa\u00eds. O lema do &#8220;desenvolvimentismo&#8221; sob Juscelino foi&nbsp;<em>50 anos em 5<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O quinqu\u00eanio de&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Juscelino_Kubitschek\">Juscelino Kubitschek<\/a>&nbsp;voltou-se para o desenvolvimento econ\u00f4mico e a pol\u00edtica de&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Industrializa%C3%A7%C3%A3o\">industrializa\u00e7\u00e3o<\/a>. Expandiu-se a infraestrutura de rodovias, ferrovias e portos, energia el\u00e9trica, armaz\u00e9ns e silos. A fim de atenuar as disparidades regionais, Juscelino criou a&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Superintend%C3%AAncia_do_Desenvolvimento_do_Nordeste\">Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste<\/a>&nbsp;(SUDENE) e promoveu a interioriza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma rede de estradas e da mudan\u00e7a da capital para&nbsp;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bras%C3%ADlia\">Bras\u00edlia<\/a>. Nessa \u00e9poca, o centro de gravidade da economia j\u00e1 se localizava no setor industrial. Iniciou-se a fase de implanta\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias de bens de consumo dur\u00e1veis e de bens de produ\u00e7\u00e3o. Instalaram-se as ind\u00fastrias automobil\u00edstica, de eletrodom\u00e9sticos, de constru\u00e7\u00e3o naval, de mec\u00e2nica pesada, de cimento, de papel e de celulose.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de analisarmos as posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas das estrat\u00e9gias de desenvolvimento americanista e nacionalista, torna-se imperativo colocarmos em evid\u00eancia a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de depend\u00eancia e as rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de poder nas rela\u00e7\u00f5es internacionais do momento em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil e o mundo perif\u00e9rico estavam sujeitos, segundo o pensamento da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina (CEPAL) a uma condi\u00e7\u00e3o estrutural de subdesenvolvimento, pois as rela\u00e7\u00f5es de troca no com\u00e9rcio internacional se davam de maneira assim\u00e9trica. Havia, segundo Celso Furtado e Raul Prebisch, uma situa\u00e7\u00e3o caracterizada pela deteriora\u00e7\u00e3o nos termos de interc\u00e2mbio comercial. Isto perpetuava uma configura\u00e7\u00e3o eternizada de centro desenvolvido e periferia dependente. A CEPAL, portanto, sugeria \u00e0 \u00e9poca aos governos latino-americanos que agissem de forma a superar tal estrutura danosa. Assim, segundo Cervo,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o proposta por eles envolvia o esfor\u00e7o interno das na\u00e7\u00f5es no sentido de promover a industrializa\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica de Estado, adequando pol\u00edtica exterior e a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica para induzir um novo modelo de inser\u00e7\u00e3o internacional.(CERVO, 2008, p. 14)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>E continua: \u201co pensamento cepalino concebia uma quebra dessa ordem (&#8230;) para esses intelectuais, estava em jogo a supera\u00e7\u00e3o do sistema dual mundial, nada menos.\u201d (Cervo, 2008, p. 14).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que o acirrado debate entre americanistas e nacionalistas se coloca, al\u00e9m do j\u00e1 citado contexto internacional que envolvia a inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Passaremos a analisar a contribui\u00e7\u00e3o do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Tamb\u00e9m conhecido, inicialmente como \u201cGrupo de Itatiaia\u201d (1952), pois era o local que ficava aproximadamente no meio do caminho entre Rio e S\u00e3o Paulo, o ISEB surge com um grupo de intelectuais p\u00fablicos<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;que visava &#8211; a partir de diagn\u00f3stico feito acerca das causas do atraso econ\u00f4mico e da depend\u00eancia estrutural do pa\u00eds &#8211; propor solu\u00e7\u00f5es para a supera\u00e7\u00e3o desta realidade. Eles viam como urgente a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto nacionalista para construir a na\u00e7\u00e3o brasileira e o desenvolvimento do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da cria\u00e7\u00e3o oficial do ISEB, cumpre ressaltar que, em 1953, havia o IBESP \u2014 Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Pol\u00edtica, diretamente vinculado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura. H\u00e9lio Jaguaribe esteve \u00e0 frente dos projetos do Instituto, sendo reconhecido como seu mentor intelectual. No IBESP j\u00e1 estava presente o n\u00facleo de intelectuais que viria a compor mais tarde o ISEB: C\u00e2ndido Mendes, \u00c1lvaro Vieira Pinto, Nelson Werneck Sodr\u00e9, Alberto Guerreiro Ramos e Roland Corbisier.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas palavras de Bresser-Pereira,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O Instituto Superior de Estudos Brasileiros \u2013 ISEB foi um grupo de intelectuais de v\u00e1rias origens e especialidades que, nos anos 50, desenvolveram no Rio de Janeiro uma vis\u00e3o coerente e abrangente do Brasil e de seu processo de industrializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Mais que isso, apresentou uma interpreta\u00e7\u00e3o original e poderosa do desenvolvimento brasileiro fundada nos conceitos de revolu\u00e7\u00e3o capitalista e, principalmente, de revolu\u00e7\u00e3o nacional. (RESSER-PEREIRA, 2004, p. 50)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ISEB orientava-se como partid\u00e1rio do ide\u00e1rio de na\u00e7\u00e3o e se posicionava comedidamente a favor dos ideais de esquerda e uma preocupa\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento que observasse a justi\u00e7a social. O nacionalismo do ISEB n\u00e3o era radical, era um nacionalismo patri\u00f3tico, semelhante ao que existiu e continua a existir nos grandes pa\u00edses capitalistas desenvolvidos, que s\u00f3 puderam desenvolver-se porque, a partir de uma revolu\u00e7\u00e3o nacional, formaram um Estado-na\u00e7\u00e3o capaz de garantir um projeto de desenvolvimento. Para o ISEB, assim como para a CEPAL, desenvolvimento era sin\u00f4nimo de industrializa\u00e7\u00e3o, mas, mais do que isto, era o processo mediante o qual o pa\u00eds realizava sua revolu\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o importante segundo Bresser-Pereira era a de que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Para o ISEB os empres\u00e1rios industriais constitu\u00edam ou deviam constituir a burguesia nacional, envolvida na industrializa\u00e7\u00e3o e associada aos t\u00e9cnicos do Estado e aos trabalhadores nesta tarefa. (&#8230;) Entretanto, todo esse processo s\u00f3 fazia sentido nos quadros econ\u00f4micos da revolu\u00e7\u00e3o capitalista e nos marcos pol\u00edticos da forma\u00e7\u00e3o de um Estado-na\u00e7\u00e3o moderno: o desenvolvimento acontecia em um mercado capitalista definido e regulado pelo Estado. (Idem, 2004.)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para o ISEB, o desenvolvimento dos pa\u00edses ent\u00e3o subdesenvolvidos s\u00f3 seria poss\u00edvel se fosse fruto de planejamento e de estrat\u00e9gia, tendo como agente principal o Estado. Da\u00ed que este<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Deve proteger a ind\u00fastria nacional infante contra a concorr\u00eancia estrangeira \u2013 da\u00ed a tese de que o desenvolvimento deve ocorrer pela substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es; deve planejar a economia, principalmente os investimentos do pr\u00f3prio Estado na infra-estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds; e deve estar constantemente se atualizando diante dos novos desafios econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos que est\u00e3o surgindo nacional e internacionalmente. (Idem, 2004)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O ISEB pretendia construir no Brasil uma elite t\u00e3o patri\u00f3tica como se fez na Inglaterra, Fran\u00e7a e Estados Unidos capaz de conduzir o pa\u00eds ao desenvolvimento aut\u00f4nomo e superar,&nbsp;nas rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses desenvolvidos e subdesenvolvidos, o desequil\u00edbrio de for\u00e7as que facilita a realiza\u00e7\u00e3o dos interesses dos primeiros, muitas vezes \u00e0s custas dos \u00faltimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes intelectuais do ISEB e pensador do Brasil, H\u00e9lio Jaguaribe (1923-2018) prop\u00f5e uma defesa bem convincente acerca do que vai chamar de posi\u00e7\u00e3o neutralista, que o pa\u00eds deveria adotar em detrimento do americanismo. O autor elucida as posi\u00e7\u00f5es de forma a dividi-las em tr\u00eas argumentos, quais sejam pragm\u00e1tico, ideol\u00f3gico e realista<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaguaribe em seu livro sobre nacionalismo brasileiro<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>&nbsp;dedica-se em dois cap\u00edtulos a analisar o nacionalismo brasileiro, que deveria ser de \u201cfins\u201d<a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>&nbsp;e a \u201cnova pol\u00edtica externa\u201d que deveria pautar a conduta diplom\u00e1tica brasileira a partir do neutralismo. Sobre o nacionalismo assim se posiciona o autor<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>No plano de nossas rela\u00e7\u00f5es internacionais, o nacionalismo pol\u00edtico reivindica uma posi\u00e7\u00e3o de maior autonomia, em face dos Estados Unidos e das grandes pot\u00eancias europeias e se inclina para uma linha neutralista, em rela\u00e7\u00e3o ao conflito norte-americano-sovi\u00e9tico. Exprime, pois uma tomada de consci\u00eancia dos interesses pr\u00f3prios do Brasil. (JAGUARIBE, 1958, p. 32)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o clara do nacionalismo como reivindicador de mais autonomia na inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nas rela\u00e7\u00f5es internacionais era urgente para o Brasil superar a condi\u00e7\u00e3o de periferia.&nbsp;&nbsp;Ademais, o autor faz longa e profunda investiga\u00e7\u00e3o acerca do sentido do nacionalismo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, Jaguaribe define bem os dois grupos que disputam a hegemonia no processo de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e a exterior. De um lado os nacionalistas \u201c<em>que correspondem<\/em>\u00a0[grifo nosso], de um lado, ao setor mais din\u00e2mico da burguesia, empenhado na revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, e continua: \u201cde outro, ao proletariado, cuja capacidade de consumo se expande com o grau de industrializa\u00e7\u00e3o\u201d (Idem, p. 34), seriam ainda do grupo nacionalista os quadros t\u00e9cnicos e administrativos da\u00a0<em>intelligentsia<\/em>\u00a0da classe m\u00e9dia vinculados ao processo de consolida\u00e7\u00e3o do Estado Nacional internamente e externamente. O outro grupo, que Jaguaribe nomeia de \u201ccosmopolita\u201d, tem como integrantes a burguesia latif\u00fandio-mercantil e parte da classe m\u00e9dia parasit\u00e1ria que ocupa cargos p\u00fablicos sem funcionalidade e estimulam o tipo de \u201cEstado Cartorial\u201d (Idem, p. 35).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esse Estado Cartorial estaria sustentado,&nbsp;<em>ipso facto<\/em>, pela vis\u00e3o americanista, ou cosmopolita que defenderia a associa\u00e7\u00e3o junto aos Estados Unidos devido \u00e0 defesa da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental crist\u00e3, amea\u00e7ada pelo comunismo internacional. Por isso, os pa\u00edses que quisessem salvaguardar seus valores ocidentais fundamentais deveriam prestar apoio constante aos Estados Unidos. Criticam a tese da soberania, pois julgam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mant\u00ea-la, sem aliar-se a uma pot\u00eancia. A falta de v\u00ednculos culturais com os pa\u00edses que buscam o neutralismo seria outro fator importante que pesaria em favor da escolha americanista, al\u00e9m de economicamente n\u00e3o haver vantagem fora da alian\u00e7a com Washington (JAGUARIBE, 1958). Resumidamente esses seriam os argumentos legitimadores da vis\u00e3o americanista de inser\u00e7\u00e3o brasileira no mundo. Observaremos a seguir a cr\u00edtica feita pelo autor em favor da estrat\u00e9gia neutralista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jaguaribe, a posi\u00e7\u00e3o neutralista decorre da cr\u00edtica feita pelos nacionalistas \u00e0 pol\u00edtica exterior praticada naquele momento. Denunciam a sua absoluta falta de autonomia com rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e \u201creivindicam para o Brasil, uma pol\u00edtica exterior pr\u00f3pria, voltada ao atendimento dos interesses nacionais\u201d (JAGUARIBE, 1958, p. 243). Essa pol\u00edtica seria favor\u00e1vel ao estreitamento com a Am\u00e9rica Latina e estimuladora da articula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com o mundo \u00e1rabe, asi\u00e1tico e africano. Para Jaguaribe, o conflito da Guerra Fria, longe de ser um conflito entre duas civiliza\u00e7\u00f5es era um conflito de poder, pois ambas as superpot\u00eancias estavam inseridas em uma \u00fanica civiliza\u00e7\u00e3o, qual seja a Ocidental-Universal. Haveria, outrossim, um conflito que se travava em diversos graus que se dava entre o imperialismo e as for\u00e7as nos pa\u00edses subdesenvolvidos que buscavam sua emancipa\u00e7\u00e3o (Idem, 1958, p. 247).<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista as tr\u00eas caracter\u00edsticas defendidas pelo autor dentro das vis\u00f5es do cosmopolitismo, ou americanismo, e do neutralismo, a caracter\u00edstica pragm\u00e1tica desse \u00faltimo sustenta que apenas uma posi\u00e7\u00e3o de absoluta independ\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos pode atender aos interesses do Brasil. Haveria uma oposi\u00e7\u00e3o de interesses entre os pa\u00edses, mas ainda assim<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Subsiste uma ampla complementaridade econ\u00f4mica e cultural entre o Brasil e os Estados Unidos. \u00c9 para o pr\u00f3prio atendimento desses interesses complementares, no entanto, que o Brasil precisa manter uma linha de absoluta independ\u00eancia para com os Estados Unidos. S\u00f3 h\u00e1 complementaridade, de fato, na medida em que as rela\u00e7\u00f5es de troca se baseiam exclusivamente na utilidade marginal dos bens intercambiados. Se uma das partes, ao contr\u00e1rio, se encontrar em rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia para com a outra, essa rela\u00e7\u00e3o interv\u00eam como fator de desvaloriza\u00e7\u00e3o dos produtos da parte dependente, diminuindo a utilidade marginal de sua exporta\u00e7\u00e3o. (Idem, p. 251)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa longa cita\u00e7\u00e3o do livro de H\u00e9lio Jaguaribe relativa \u00e0 vis\u00e3o pragm\u00e1tica do neutralismo mostra-nos com clareza a necessidade de rela\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas que beneficiariam as duas partes. Outro aspecto relevante do pragmatismo neutralista \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de \u00e1rbitros que estes pa\u00edses assumiriam diante dos conflitos entre as duas superpot\u00eancias. Nesse sentido, Jaguaribe cita os casos de sucesso de arbitragem decorrente do poder de barganha dos pa\u00edses neutros como a \u00cdndia e a Iugosl\u00e1via.<\/p>\n\n\n\n<p>O neutralismo realista, argumenta Jaguaribe, se op\u00f5e igualmente \u00e0 vis\u00e3o americanista de que o Brasil deve orbitar na influ\u00eancia americana devido \u00e0 falta de capacidade estrat\u00e9gica, pois seguindo tal passo o pa\u00eds tornar-se-ia simples sat\u00e9lite da pot\u00eancia hegem\u00f4nica, sem com isso poder barganhar posi\u00e7\u00e3o melhor que garanta dividendos ao pa\u00eds. Essa vis\u00e3o realista do neutralismo se imp\u00f5e mediante a autodetermina\u00e7\u00e3o, princ\u00edpio defendido pela diplomacia brasileira desde os tempos do Bar\u00e3o do Rio Branco. Assim, a pol\u00edtica neutralista \u201c[&#8230;] alarga nosso poder de autodetermina\u00e7\u00e3o, situando-nos, juntamente com os demais neutros, numa posi\u00e7\u00e3o arbitral\u201d (JAGUARIBE, 1958, p. 256). Vale lembrar que em uma hip\u00f3tese de deflagra\u00e7\u00e3o de uma Terceira Guerra Mundial, o autor coloca que o neutralismo torna-se invi\u00e1vel, mas da mesma forma ressalta que como tal hip\u00f3tese \u00e9 mera suposi\u00e7\u00e3o, o neutralismo seguiria como movimento leg\u00edtimo e necess\u00e1rio para garantir razo\u00e1vel autonomia na pol\u00edtica externa dos grandes pa\u00edses perif\u00e9ricos. Outro ponto que merece destaque acerca da hip\u00f3tese de guerra mundial \u00e9 o aspecto dos frutos advindos da barganha pelo apoio do pa\u00eds, provavelmente aos Estados Unidos. Da mesma forma que Vargas logrou bons resultados da barganha nacionalista na Segunda Guerra Mundial, caso houvesse uma Terceira Guerra e o pa\u00eds tivesse optado pela inser\u00e7\u00e3o americanista, n\u00e3o alcan\u00e7aria benef\u00edcio algum.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante o neutralismo ser defendido no \u00e2mbito do ISEB, aqui apresentado por H\u00e9lio Jaguaribe, principal pensador das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (RI) e da Pol\u00edtica Externa Brasileira (PEB) no Instituto, h\u00e1 uma quest\u00e3o colocada pelo autor: \u201cpode efetivamente o Brasil, na situa\u00e7\u00e3o geoecon\u00f4mica e tecnol\u00f3gica em que se encontra adotar uma pol\u00edtica de terceira posi\u00e7\u00e3o?\u201d (Idem, p. 268) A resposta do autor \u00e9 positiva. Sim, \u00e9 poss\u00edvel, pois o pa\u00eds j\u00e1 teria conseguido lograr relativo sucesso na posi\u00e7\u00e3o arbitral, a exemplo da \u00cdndia, entretanto Jaguaribe alerta para a situa\u00e7\u00e3o interna: \u201cS\u00e3o completamente distintas as possibilidades de o Brasil assumir uma pol\u00edtica exterior independente conforme, domesticamente, prevale\u00e7am as for\u00e7as latif\u00fandio-mercantis\u201d (JAGUARIBE, 1958, p. 270), por\u00e9m, as for\u00e7as do desenvolvimento teriam condi\u00e7\u00f5es de dar suporte a uma pol\u00edtica exterior mais aut\u00f4noma, portanto, neutralista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Importante passagem do livro de Jaguaribe merece destaque<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Foi porque o Brasil semicolonial da Rep\u00fablica Velha consistia, sobretudo, em um processo complementar das economias dominantes que, no per\u00edodo que vai da I \u00e0 II Guerra Mundial, a diplomacia brasileira assumiu um car\u00e1ter ornamental e cosmopolita. E porque o Brasil se tornou economicamente dependente dos Estados Unidos que, a partir da II Guerra Mundial, nossa pol\u00edtica exterior se submeteu a desse pa\u00eds. (Idem, p. 271)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa passagem \u00e9 s\u00edntese da cr\u00edtica hist\u00f3rica ao americanismo. Por isso, o desenvolvimento \u00e9 o grande projeto da na\u00e7\u00e3o brasileira e garante pragmaticamente da estrat\u00e9gia neutralista de inser\u00e7\u00e3o mais aut\u00f4noma. Jaguaribe acredita que inevitavelmente os ganhos advindos do desenvolvimento dar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es para o pa\u00eds poder se posicionar de maneira mais independente nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e barganhar com mais efic\u00e1cia junto aos Estados Unidos. Uma das cr\u00edticas mais contundentes \u00e0 estrat\u00e9gia americanista \u00e9 que \u201co Estado Cartorial, como produto e instrumento da pol\u00edtica de clientela, \u00e9 incapaz de adotar qualquer pol\u00edtica exterior pr\u00f3pria\u201d (Idem, p. 272)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pretendeu-se nesse trabalho analisar a import\u00e2ncia que o ISEB teve \u2013 a partir da contribui\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Jaguaribe \u2013 na constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa brasileira em um contexto de vis\u00f5es ant\u00edpodas acerca da estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o, quais sejam o americanismo e o nacionalismo ou neutralismo. Vimos que o contexto mundial p\u00f3s Segunda Guerra foi-se alterando e ampliando, \u00e0 medida que novas na\u00e7\u00f5es surgiam, a possibilidade de pensar uma pol\u00edtica externa mais aut\u00f4noma para pa\u00edses como o Brasil, pot\u00eancia mediana nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Buscamos investigar de que maneira o ISEB participou na constru\u00e7\u00e3o da t\u00e3o sonhada, segundo Jaguaribe, \u201cnova pol\u00edtica externa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Constatamos que, efetivamente, o instituto n\u00e3o foi o \u00f3rg\u00e3o por onde se passou o processo decis\u00f3rio da PEB, mas vimos que as ideias em favor do neutralismo divulgadas por H\u00e9lio Jaguaribe no peri\u00f3dico isebiano, \u201cCadernos do Nosso Tempo\u201d (1953-1956), contribu\u00edram indubitavelmente para a amplia\u00e7\u00e3o da voz nacionalista e neutralista como meio de garantir uma inser\u00e7\u00e3o mais independente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O foco do estudo concentrou-se na primeira fase do ISEB, na qual Jaguaribe foi o diretor do instituto e coordenador do peri\u00f3dico citado acima. A segunda fase n\u00e3o foi abordada, pois houve uma ruptura no instituto a partir da divulga\u00e7\u00e3o do livro: \u201cNacionalismo na atualidade brasileira\u201d (1958) de Jaguaribe, que tinha por mote a aceita\u00e7\u00e3o do capital externo para impulsionar o desenvolvimento nacional \u2013 exemplo do nacionalismo de fins \u2013 o que fez que parte do grupo mais \u00e0 esquerda pressionasse Jaguaribe. Este deixa o ISEB, que prossegue como um reduto mais radical da esquerda e com ideias explicitamente socialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALTEMANI, Henrique.&nbsp;<em>Pol\u00edtica Externa Brasileira.&nbsp;<\/em>S\u00e3o Paulo, Saraiva, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p><em>BRESSER-PEREIRA<\/em>, Luiz Carlos. O conceito de desenvolvimento do&nbsp;<em>ISEB&nbsp;<\/em>rediscutido. Dados, 2004, vol.47, no.1, p.49-84<\/p>\n\n\n\n<p>CERVO, Amado; BUENO, Clodoaldo.&nbsp;<em>Hist\u00f3ria da pol\u00edtica exterior do Brasil.&nbsp;<\/em>Bras\u00edlia. Ed. UnB, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>_______.&nbsp;<em>Inser\u00e7\u00e3o internacional<\/em>: forma\u00e7\u00e3o dos conceitos brasileiros. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>DOMINGUES, Ivan<em>.&nbsp;O intelectual p\u00fablico, a \u00e9tica republicana e a fratura do&nbsp;\u00e9thos&nbsp;da ci\u00eancia.&nbsp;<\/em>Scientiae. studia.&nbsp;vol.9&nbsp;no.3&nbsp;S\u00e3o Paulo&nbsp;&nbsp;2011.<\/p>\n\n\n\n<p>FAUSTO, Boris.&nbsp;<em>Hist\u00f3ria do Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2009<\/p>\n\n\n\n<p>GUIMAR\u00c3ES, S. P. Quinhentos anos de periferia. Porto Alegre; Rio de Janeiro: Editora UFRGS, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>JAGUARIBE, H\u00e9lio.&nbsp;<em>Novo cen\u00e1rio internacional \u2013 conjunto de estudos.&nbsp;<\/em>Rio de Janeiro. Ed. Guanabara, 1986.<\/p>\n\n\n\n<p>_________.&nbsp;<em>O nacionalismo na atualidade brasileira.&nbsp;<\/em>Rio de Janeiro: ISEB, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p>KENNEDY, Paul.&nbsp;<em>Ascens\u00e3o e queda das grandes pot\u00eancias \u2013&nbsp;<\/em>Transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e conflito militar de 1500 a 2000. Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>OPERA\u00c7\u00c3O PANAMERICANA \u2013 Document\u00e1rio. Rio de Janeiro, Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 Servi\u00e7o de Documenta\u00e7\u00e3o, 1958, vol. 1.<\/p>\n\n\n\n<p>VIZENTINI, Paulo Fagundes.&nbsp;<em>Rela\u00e7\u00f5es internacionais do Brasil:&nbsp;<\/em>de Vargas a Lula. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo. Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>VISENTINI, Paulo. A proje\u00e7\u00e3o internacional do Brasil \u2013 1930-2012. Ed. Elsevier-Campus. Rio de Janeiro, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>WATSON, Adam.&nbsp;<em>A evolu\u00e7\u00e3o da sociedade an\u00e1rquica-&nbsp;<\/em>uma an\u00e1lise hist\u00f3rica comparativa. Ed. UnB, Bras\u00edlia, 2004.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>Cf. WATSON, Adam.&nbsp;<em>A evolu\u00e7\u00e3o da sociedade an\u00e1rquica-&nbsp;<\/em>uma an\u00e1lise hist\u00f3rica comparativa. Ed. UnB, Bras\u00edlia, 2004; KENNEDY, Paul.&nbsp;<em>Ascens\u00e3o e queda das grandes pot\u00eancias \u2013&nbsp;<\/em>Transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e conflito militar de 1500 a 2000. Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;A respeito da miss\u00e3o Abbink cf.&nbsp;<a href=\"http:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas2\/artigos\/EleVoltou\/BNDE\">http:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas2\/artigos\/EleVoltou\/BNDE<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Sobre o significado do termo cf.&nbsp;<a href=\"http:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas2\/artigos\/EleVoltou\/PoliticaExterna\">http:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/AEraVargas2\/artigos\/EleVoltou\/PoliticaExterna<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Para Jaguaribe existem diferen\u00e7as entre os nacionalistas brasileiros. Basicamente podemos distinguir os nacionalistas de forma\u00e7\u00e3o liberal dos nacionalistas de forma\u00e7\u00e3o marxista. Cf. JAGUARIBE, H\u00e9lio. O nacionalismo na atualidade brasileira. ISEB. Rio de Janeiro, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Opera\u00e7\u00e3o Panamericana \u2013 Document\u00e1rio. Rio de Janeiro, Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 Servi\u00e7o de Documenta\u00e7\u00e3o, 1958, vol. 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>FAUSTO, Boris.&nbsp;<em>Hist\u00f3ria do Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2009<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>Ibidem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>A respeito do termo e seu significado Cf.\u00a0\u00a0DoOMINGUES, Ivan<em>.\u00a0O intelectual p\u00fablico, a \u00e9tica republicana e a fratura do\u00a0\u00e9thos\u00a0da ci\u00eancia.\u00a0<\/em>Scientiae. studia.\u00a0vol.9\u00a0no.3\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0\u00a02011.<\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>Idem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>Ibidem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/96964348-1C1C-4C26-B2DE-E835D10E57F6#_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>Cf. Jaguaribe, H\u00e9lio. Ibidem<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jo\u00e3o Miguel Villas-B\u00f4as Barcellos <\/strong>\u00e9 doutor em Economia Pol\u00edtica Internacional no PEPI-UFRJ e mestre na mesma \u00e1rea e mesma institui\u00e7\u00e3o. Fez gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na PUC -GO (2007) e especializa\u00e7\u00e3o na mesma \u00e1rea na UCAM (2011). Foi pesquisador integrante do N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o da Conjuntura do Centro de Estudos Pol\u00edtico-Estrat\u00e9gicos da Escola de Guerra Naval. Foi, igualmente, pesquisador do Grupo de pesquisa: &#8220;Direitos sociais, direitos fundamentais e pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, concentrando sua investiga\u00e7\u00e3o nas quest\u00f5es econ\u00f4micas e sociais da Unisal. Tem interesse acad\u00eamico em: Economia Pol\u00edtica Internacional, a rela\u00e7\u00e3o entre o processo de desenvolvimento e a geopol\u00edtica, desenvolvimento econ\u00f4mico e social, pensamento estrat\u00e9gico brasileiro e indiano, Pol\u00edtica Externa Brasileira e Indiana, complexo industrial-militar e pol\u00edtica industrial voltada \u00e0 defesa nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Miguel Villas-B\u00f4as Barcellos INTRODU\u00c7\u00c3O A nova ordem mundial produzida a partir<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1880,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[645],"tags":[],"class_list":["post-3467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-atual"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3467"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3467\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3468,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3467\/revisions\/3468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}