{"id":3473,"date":"2026-10-06T17:42:02","date_gmt":"2026-10-06T20:42:02","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3473"},"modified":"2026-10-06T17:42:38","modified_gmt":"2026-10-06T20:42:38","slug":"a-india-como-um-grande-player-geopolitico-contemporaneo-a-autonomia-estrategica-indiana-durante-a-guerra-entre-russia-e-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3473","title":{"rendered":"A \u00cdndia como um grande player geopol\u00edtico contempor\u00e2neo: a autonomia estrat\u00e9gica\u00a0\u00a0indiana durante a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1350\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3474\" style=\"width:491px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos.png 1080w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-240x300.png 240w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-819x1024.png 819w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-768x960.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Volume 13 | N\u00famero 126 | Out. 2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Giovanna Akemi Iga Fornazier<strong>o\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o da ordem internacional no s\u00e9culo XXI, marcada pelo deslocamento gradual do centro de gravidade econ\u00f4mico e geopol\u00edtico para a \u00c1sia, alterou significativamente as din\u00e2micas de poder da pol\u00edtica internacional. A ascens\u00e3o da China como pot\u00eancia global, a intensifica\u00e7\u00e3o das disputas no Indo-Pac\u00edfico e o enfraquecimento relativo da ordem liberal liderada pelos Estados Unidos ampliaram a relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica da regi\u00e3o e impuseram novos desafios aos Estados asi\u00e1ticos, que passaram a formular diferentes estrat\u00e9gias de inser\u00e7\u00e3o internacional e de maximiza\u00e7\u00e3o de seus interesses nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a pol\u00edtica externa constitui um importante instrumento anal\u00edtico para compreender como os Estados percebem sua posi\u00e7\u00e3o no sistema internacional e quais estrat\u00e9gias mobilizam para ampliar sua influ\u00eancia. Mais do que refletir prefer\u00eancias conjunturais dos governos, ela expressa condicionantes hist\u00f3ricos, geopol\u00edticos e econ\u00f4micos que delimitam as possibilidades de a\u00e7\u00e3o dos formuladores de pol\u00edtica externa. No caso indiano, tais condicionantes s\u00e3o particularmente relevantes em raz\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica singular.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a quinta maior economia do mundo e uma das principais pot\u00eancias emergentes do Sul Global, a \u00cdndia ocupa uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no espa\u00e7o geopol\u00edtico denominado por Nicholas Spykman (1944) como&nbsp;<em>Rimland<\/em>. O conceito refere-se \u00e0 faixa territorial que circunda o&nbsp;<em>Heartland<\/em>&nbsp;eurasi\u00e1tico e se estende pelas regi\u00f5es costeiras e marginais da Eur\u00e1sia, constituindo uma zona intermedi\u00e1ria entre as pot\u00eancias terrestres e mar\u00edtimas. Para Spykman, o controle do&nbsp;<em>Rimland<\/em>&nbsp;seria fundamental para o dom\u00ednio da Eur\u00e1sia e, consequentemente, para a proje\u00e7\u00e3o do poder em escala global. Com acesso privilegiado ao Oceano \u00cdndico e situada entre o Oriente M\u00e9dio, a \u00c1sia Central e a China, Nova D\u00e9lhi encontra-se no centro das principais rotas mar\u00edtimas e das disputas geopol\u00edticas que estruturam a ordem internacional contempor\u00e2nea. Essa localiza\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o representa apenas uma vantagem estrat\u00e9gica. Conforme argumenta Ribeiro (2019), ela tamb\u00e9m imp\u00f5e um conjunto de coer\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, entendidas como limita\u00e7\u00f5es estruturais decorrentes da posi\u00e7\u00e3o territorial do pa\u00eds, de sua vizinhan\u00e7a imediata e da distribui\u00e7\u00e3o regional de poder. Cercada por dois rivais nucleares \u2014 China e Paquist\u00e3o \u2014, e inserida em uma regi\u00e3o marcada por disputas territoriais, competi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e instabilidade pol\u00edtica, a \u00cdndia formula sua pol\u00edtica externa sob permanentes imperativos de seguran\u00e7a, o que condiciona, em partes, suas escolhas diplom\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas restri\u00e7\u00f5es e oportunidades geogr\u00e1ficas ajudam a compreender a defini\u00e7\u00e3o dos objetivos de longo prazo que orientam a Grande Estrat\u00e9gia indiana. Conforme Ribeiro (2019), esses objetivos envolvem a prioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico, a busca pela hegemonia no Oceano \u00cdndico, o equil\u00edbrio da distribui\u00e7\u00e3o de poder no Indo-Pac\u00edfico e a obten\u00e7\u00e3o do status de Grande Pot\u00eancia por meio de uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa na reforma da ordem internacional. Assim, a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da \u00cdndia condiciona a forma pela qual o pa\u00eds busca converter suas capacidades econ\u00f4micas, militares e diplom\u00e1ticas em poder e influ\u00eancia internacional. Nesse sentido, a crescente atua\u00e7\u00e3o indiana em f\u00f3runs multilaterais e mecanismos de coopera\u00e7\u00e3o, como BRICS, QUAD, G20 e Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, n\u00e3o representa apenas uma amplia\u00e7\u00e3o de sua proje\u00e7\u00e3o internacional, mas tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia para expandir sua margem de manobra diante das restri\u00e7\u00f5es impostas por sua geografia e pelo ambiente estrat\u00e9gico regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob esse contexto, a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia evidenciou de forma particularmente clara essa l\u00f3gica. Diante da press\u00e3o das pot\u00eancias ocidentais para condenar a invas\u00e3o russa, como elucidado mais \u00e0 frente, a \u00cdndia recusou alinhar-se automaticamente a qualquer dos polos em disputa, preservando simultaneamente suas rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com Moscou e aprofundando sua parceria com os Estados Unidos. Tal comportamento revela a consolida\u00e7\u00e3o da autonomia estrat\u00e9gica como princ\u00edpio estruturante de sua pol\u00edtica externa, permitindo a Nova D\u00e9lhi transformar sua posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica em um ativo diplom\u00e1tico e ampliar sua relev\u00e2ncia em um sistema internacional cada vez mais multipolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo desse contexto, este artigo busca compreender de que maneira a autonomia estrat\u00e9gica se consolidou como eixo orientador da pol\u00edtica externa indiana. Nesse contexto, a autonomia estrat\u00e9gica constitui um elemento central para compreender a atua\u00e7\u00e3o internacional indiana. Conforme argumenta Mohan (2013), a autonomia estrat\u00e9gica est\u00e1 associada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de uma determinada liberdade de a\u00e7\u00e3o diante das transforma\u00e7\u00f5es da distribui\u00e7\u00e3o de poder internacional. Essa orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pressup\u00f5e o isolamento ou a rejei\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o com grandes pot\u00eancias. Ao contr\u00e1rio, a \u00cdndia pode aprofundar suas rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com diferentes atores enquanto procura evitar que tais v\u00ednculos restrinjam suas pr\u00f3prias op\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa. Nesse sentido, a autonomia estrat\u00e9gica pode ser compreendida como a capacidade de preservar margem de manobra para definir e ajustar seus compromissos internacionais de acordo com seus interesses nacionais. Argumenta-se que foi durante a guerra na Ucr\u00e2nia que Nova D\u00e9lhi passou a exercer sua autonomia estrat\u00e9gica de forma mais assertiva, administrando simultaneamente suas rela\u00e7\u00f5es com grandes pot\u00eancias rivais e convertendo sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em um importante instrumento de proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia: a grande guinada da geoestrat\u00e9gia indiana\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Para compreender o posicionamento indiano hist\u00f3rico, h\u00e1 de se tratar alguns eventos hist\u00f3ricos. Aatua\u00e7\u00e3o da \u00cdndia durante a Guerra ao Terror, por exemplo, constitui um importante antecedente para compreender sua postura diante da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. Isso porque os atentados de 11 de setembro de 2001 reconfiguraram a pol\u00edtica internacional ao colocar o combate ao terrorismo no centro da agenda estrat\u00e9gica dos Estados Unidos. Para a \u00cdndia, esse contexto representou uma oportunidade de aproxima\u00e7\u00e3o com Washington, sobretudo diante do terrorismo transfronteiri\u00e7o associado a grupos sediados no Paquist\u00e3o. Nova D\u00e9lhi buscou aproximar suas preocupa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a das prioridades norte-americanas, esperando ampliar a press\u00e3o sobre o Paquist\u00e3o e fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o regional (VENKATSHAMY, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, essa converg\u00eancia foi limitada pelas pr\u00f3prias prioridades dos Estados Unidos. A campanha no Afeganist\u00e3o tornou o Paquist\u00e3o um parceiro estrat\u00e9gico indispens\u00e1vel, fazendo com que Washington mantivesse sua coopera\u00e7\u00e3o com Islamabad. Ainda assim, a rela\u00e7\u00e3o entre \u00cdndia e Estados Unidos avan\u00e7ou durante a d\u00e9cada de 2000, especialmente a partir de 2004, com o&nbsp;<em>Next Steps in Strategic Partnership<\/em>&nbsp;(NSSP), e posteriormente com o acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear civil, anunciado em 2005 e conclu\u00eddo em 2008 (RAVI, 2018). Dessa forma, a aproxima\u00e7\u00e3o com Nova D\u00e9lhi coexistiu com a manuten\u00e7\u00e3o da parceria norte-americana com o Paquist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa experi\u00eancia contribuiu para refor\u00e7ar, entre os formuladores de pol\u00edtica externa indianos, a percep\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds n\u00e3o deveria depender excessivamente de uma \u00fanica pot\u00eancia. Conforme Ganguly (2024), isso ajuda a explicar a prefer\u00eancia indiana por uma ordem internacional multipolar, capaz de ampliar sua margem de manobra. Paralelamente, a \u00cdndia preservou sua rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a R\u00fassia, especialmente no setor de defesa. Como argumenta Moraes:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Entre os principais mercados explorados pela R\u00fassia estiveram aqueles pa\u00edses que desejavam importar uma grande quantidade de armas, mas que, ao mesmo tempo, encontravam-se sob embargo dos Estados Unidos e\/ou da Uni\u00e3o Europeia, com destaque para os casos da China, do Ir\u00e3 e da Venezuela. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00cdndia, embora o pa\u00eds n\u00e3o seja objeto de embargos, ela n\u00e3o tem recebido armas dos Estados Unidos em quantidade significativa em fun\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a norte-americana com o Paquist\u00e3o, o que permite \u00e0 R\u00fassia controlar um grande percentual do mercado de armas indiano. (MORAES, 2011, p.75).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, a Guerra ao Terror n\u00e3o representou um alinhamento irrestrito entre \u00cdndia e Estados Unidos, mas uma aproxima\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica condicionada. A coopera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de interesse comum ocorreu sem que Nova D\u00e9lhi abandonasse sua autonomia decis\u00f3ria ou a diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros. Nesse sentido, sua pol\u00edtica externa manteve um car\u00e1ter pragm\u00e1tico e flex\u00edvel, evitando a forma\u00e7\u00e3o de alinhamentos r\u00edgidos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esse cen\u00e1rio muda com o decorrer da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. Se, no in\u00edcio dos anos 2000, a \u00cdndia ainda buscava consolidar sua posi\u00e7\u00e3o internacional por meio da aproxima\u00e7\u00e3o com Washington, em 2022 o cen\u00e1rio era substancialmente distinto. Ao longo desse intervalo, o pa\u00eds ampliou significativamente suas capacidades materiais, sobretudo no \u00e2mbito econ\u00f4mico, em um contexto de expressiva expans\u00e3o do PIB. Entre 2003 e 2010, por exemplo, a economia indiana apresentou taxas de crescimento anual pr\u00f3ximas ou superiores a 7% na maioria dos anos, alcan\u00e7ando 8,5% em 2010, segundo dados do Banco Mundial. A expans\u00e3o econ\u00f4mica contribuiu para ampliar as capacidades materiais que sustentam a atua\u00e7\u00e3o internacional indiana, processo acompanhado pelo fortalecimento de suas capacidades militares e de sua proje\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica. Nesse contexto, Nova D\u00e9lhi passou a exercer sua autonomia estrat\u00e9gica de maneira mais assertiva, recusando-se a aderir \u00e0s san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia e, simultaneamente, preservando o aprofundamento da parceria estrat\u00e9gica com os Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o indiana diante da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia deve ser compreendida \u00e0 luz do delicado contexto diplom\u00e1tico enfrentado por Nova D\u00e9lhi ap\u00f3s a invas\u00e3o russa, em fevereiro de 2022. Ao mesmo tempo em que sofria press\u00e3o de Estados Unidos e pa\u00edses europeus para adotar uma postura mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a Moscou, a \u00cdndia buscava preservar uma parceria estrat\u00e9gica historicamente consolidada com a R\u00fassia, particularmente no \u00e2mbito da defesa, sem comprometer a aproxima\u00e7\u00e3o que vinha aprofundando com Washington.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o in\u00edcio da guerra, a&nbsp;&nbsp;resposta articulada pelos Estados Unidos, pela OTAN e por seus aliados europeus contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o de uma frente diplom\u00e1tica voltada ao isolamento internacional da R\u00fassia, exercendo press\u00e3o sobre Estados terceiros para que condenassem a a\u00e7\u00e3o russa e evitassem medidas que pudessem contribuir para o esfor\u00e7o de guerra de Moscou. Em declara\u00e7\u00e3o oficial de 25 de fevereiro de 2022, os l\u00edderes da OTAN conclamaram todos os Estados a condenarem \u201cinequivocamente este ataque inconceb\u00edvel\u201d. A orienta\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada nos meses seguintes. Al\u00e9m disso, na Declara\u00e7\u00e3o de Madri, adotada em junho de 2022, os aliados classificaram a R\u00fassia como a \u201cmost significant and direct threat\u201d \u00e0 seguran\u00e7a dos membros da Alian\u00e7a e \u00e0 paz e \u00e0 estabilidade na regi\u00e3o euro-atl\u00e2ntica. Dessa forma, a guerra passou a ser enquadrada pelas pot\u00eancias ocidentais como uma amea\u00e7a de alcance mais amplo \u00e0 ordem de seguran\u00e7a europeia e internacional, acompanhada por esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos e econ\u00f4micos destinados a ampliar o isolamento de Moscou. Nesse contexto, a decis\u00e3o indiana de n\u00e3o acompanhar integralmente a resposta ocidental ao conflito e de manter uma posi\u00e7\u00e3o de absten\u00e7\u00e3o nas vota\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas evidenciava a tentativa de preservar a margem de manobra diante das press\u00f5es das grandes pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa postura de autonomia pode ser observada na atua\u00e7\u00e3o do Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da \u00cdndia, Subrahmanyam Jaishankar, durante o debate parlamentar sobre a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, em 24 de mar\u00e7o de 2022. Segundo fontes do pr\u00f3prio governo indiano, embora o governo indiano enfatizasse a dimens\u00e3o humanit\u00e1ria do conflito \u2014 destacando a necessidade de cessa\u00e7\u00e3o das hostilidades, a prote\u00e7\u00e3o de civis, a abertura de corredores seguros e a realiza\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Ganga para a retirada de cidad\u00e3os indianos \u2014, sua posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m era formulada em termos dos princ\u00edpios que deveriam orientar a ordem internacional. Em resposta ao Parlamento, o governo reiterou que havia defendido, tanto nas Na\u00e7\u00f5es Unidas quanto em seus contatos bilaterais, que \u201ca ordem global est\u00e1 ancorada no direito internacional, nos princ\u00edpios da Carta da ONU e no respeito \u00e0 integridade territorial e \u00e0 soberania dos Estados\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Jaishankar assumia particular relev\u00e2ncia diante da pr\u00f3pria natureza da guerra, uma vez que a invas\u00e3o russa colocava em evidente tens\u00e3o esses princ\u00edpios de soberania e integridade territorial. Ainda assim, Nova D\u00e9lhi evitou transformar essa defesa dos princ\u00edpios do direito internacional em uma condena\u00e7\u00e3o expl\u00edcita a Moscou. Em sua interven\u00e7\u00e3o, Jaishankar afirmou que a pol\u00edtica externa indiana era orientada pelo \u201cinteresse nacional indiano\u201d, rejeitando implicitamente a expectativa de que a \u00cdndia deveria alinhar sua posi\u00e7\u00e3o \u00e0quela de Washington. Dessa forma, a postura adotada durante o conflito combinava a defesa discursiva de princ\u00edpios da ordem internacional com a preserva\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com a R\u00fassia e, simultaneamente, a continuidade da aproxima\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o evidencia uma caracter\u00edstica central da autonomia estrat\u00e9gica indiana: a capacidade de Nova D\u00e9lhi de sustentar posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias diante de interesses conflitantes das grandes pot\u00eancias, sem necessariamente romper com qualquer um dos polos. Assim, a posi\u00e7\u00e3o adotada diante da guerra n\u00e3o deve ser interpretada simplesmente como neutralidade ou como apoio \u00e0 R\u00fassia, mas como uma tentativa de preservar a liberdade de a\u00e7\u00e3o em um cen\u00e1rio de crescente competi\u00e7\u00e3o entre grandes pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que evidencia esse posicionamento foi a prioridade conferida pelo governo indiano \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de seus interesses nacionais em meio ao conflito. Segundo comunicado divulgado pelo pr\u00f3prio Prime Minister\u2019s Office (PMO) da \u00cdndia, em 7 de mar\u00e7o de 2022, o primeiro-ministro Narendra Modi manteve uma conversa telef\u00f4nica com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, durante a qual expressou profunda preocupa\u00e7\u00e3o com o conflito e a crise humanit\u00e1ria dele decorrente. Na ocasi\u00e3o, Modi agradeceu \u00e0s autoridades ucranianas pela facilita\u00e7\u00e3o da evacua\u00e7\u00e3o de mais de 20 mil cidad\u00e3os indianos e manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a dos estudantes que ainda permaneciam no pa\u00eds, enfatizando a necessidade de uma retirada r\u00e1pida e segura. O comunicado tamb\u00e9m registra a reafirma\u00e7\u00e3o, por parte de Modi, do apelo indiano pela cessa\u00e7\u00e3o imediata da viol\u00eancia e pela resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica das quest\u00f5es por meio do di\u00e1logo direto entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa evidencia que, paralelamente \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com a R\u00fassia, Nova D\u00e9lhi buscava manter canais de comunica\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o com o governo ucraniano, sobretudo em quest\u00f5es diretamente relacionadas aos seus interesses nacionais. Nesse sentido, a atua\u00e7\u00e3o indiana durante os primeiros meses da guerra combinava a defesa de uma solu\u00e7\u00e3o negociada para o conflito com a prote\u00e7\u00e3o de seus cidad\u00e3os e a manuten\u00e7\u00e3o de interlocu\u00e7\u00e3o com ambos os lados. Essa postura contribuiu para preservar a margem de manobra diplom\u00e1tica de Nova D\u00e9lhi em um contexto de crescente polariza\u00e7\u00e3o internacional, sem submet\u00ea-la a um alinhamento autom\u00e1tico com qualquer dos atores envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a neutralidade adotada pela \u00cdndia diante da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia n\u00e3o decorreu de uma simples recusa em tomar partido no conflito, mas de um c\u00e1lculo estrat\u00e9gico voltado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de seus interesses de seguran\u00e7a. Embora Nova D\u00e9lhi tenha reiterado seu compromisso com a soberania dos Estados, com a integridade territorial e com a resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de disputas, evitou condenar explicitamente Moscou nos f\u00f3runs multilaterais, abstendo-se sucessivamente nas vota\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A t\u00edtulo de exemplifica\u00e7\u00e3o, em 2022, a \u00cdndia se absteve na vota\u00e7\u00e3o de uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da ONU que previa o estabelecimento de uma comiss\u00e3o internacional independente de investiga\u00e7\u00e3o sobre as alegadas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e do direito internacional humanit\u00e1rio decorrentes da agress\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, realizada em Genebra. A resolu\u00e7\u00e3o foi aprovada por 32 votos favor\u00e1veis, dois contr\u00e1rios \u2014 R\u00fassia e Eritreia \u2014 e 13 absten\u00e7\u00f5es, entre elas as de \u00cdndia, China e Paquist\u00e3o. O documento previa, entre outras medidas, a investiga\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es e abusos de direitos humanos, a apura\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias e causas dos epis\u00f3dios e a identifica\u00e7\u00e3o, quando poss\u00edvel, dos respons\u00e1veis, com vistas \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos crimes cometidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o indiana ocorreu em um contexto de sucessivas absten\u00e7\u00f5es em vota\u00e7\u00f5es relacionadas ao conflito nas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Na mesma semana, Nova Delhi havia se abstido de resolu\u00e7\u00f5es no Conselho de Seguran\u00e7a e na Assembleia Geral que condenavam a agress\u00e3o russa. Na Assembleia Geral, especificamente, a resolu\u00e7\u00e3o que exigia a retirada das for\u00e7as russas do territ\u00f3rio ucraniano foi aprovada por 141 votos favor\u00e1veis, cinco contr\u00e1rios e 35 absten\u00e7\u00f5es, incluindo a \u00cdndia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao justificar sua absten\u00e7\u00e3o, o governo posteriormente afirmou que a decis\u00e3o estava relacionada \u00e0 pol\u00edtica indiana de privilegiar o di\u00e1logo e a diplomacia, considerando tamb\u00e9m a totalidade das circunst\u00e2ncias presentes no conflito. Essa postura refletia menos uma concord\u00e2ncia com a a\u00e7\u00e3o russa do que a percep\u00e7\u00e3o de que uma ruptura diplom\u00e1tica com o Kremlin poderia comprometer o equil\u00edbrio geopol\u00edtico considerado essencial para os interesses indianos. Conforme argumenta Ashley Tellis (2022), a decis\u00e3o indiana foi motivada sobretudo pelo receio de que o isolamento internacional da R\u00fassia aprofundasse sua aproxima\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com a China e incentivasse um estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre Moscou e o Paquist\u00e3o, os dois principais desafios \u00e0 seguran\u00e7a nacional da \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9 interpretada por Nova D\u00e9lhi a partir de um enquadramento distinto daquele predominante entre as pot\u00eancias ocidentais. Enquanto Estados Unidos e Europa concebiam o conflito como uma amea\u00e7a direta \u00e0 ordem liberal internacional, pode-se dizer que a lideran\u00e7a indiana priorizava seus pr\u00f3prios interesses regionais. Nesse sentido, o objetivo central n\u00e3o era preservar um consenso normativo sobre a condena\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o russa, mas impedir que Moscou se tornasse excessivamente dependente de Pequim, eliminando um importante polo de poder com o qual a \u00cdndia historicamente mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es. Assim, a preserva\u00e7\u00e3o da parceria com a R\u00fassia era compreendida como um instrumento para limitar a consolida\u00e7\u00e3o de um eixo sino-russo ainda mais robusto e, simultaneamente, reduzir os incentivos para uma coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica mais profunda entre R\u00fassia e Paquist\u00e3o.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essa l\u00f3gica tamb\u00e9m explica a assimetria hist\u00f3rica no tratamento dispensado pela pol\u00edtica externa indiana \u00e0 R\u00fassia e aos Estados Unidos. Como elucidado por Tellis (2022), Nova D\u00e9lhi demonstrou reiteradamente maior toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es russas do que \u00e0s norte-americanas, mesmo quando decis\u00f5es de Moscou produziram impactos negativos sobre os interesses indianos. A invas\u00e3o sovi\u00e9tica do Afeganist\u00e3o, em 1979, por exemplo, alterou profundamente o ambiente estrat\u00e9gico do Sul da \u00c1sia por d\u00e9cadas, fortalecendo a militariza\u00e7\u00e3o regional e contribuindo para a instabilidade na vizinhan\u00e7a indiana. Ainda assim, a rea\u00e7\u00e3o de Nova D\u00e9lhi foi marcadamente moderada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender adequadamente a posi\u00e7\u00e3o indiana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, \u00e9 necess\u00e1rio considerar a mem\u00f3ria estrat\u00e9gica constru\u00edda ao longo da Guerra Fria. Inserida em um sistema internacional marcado pela bipolaridade, a \u00cdndia aprofundou sua aproxima\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que lhe ofereceu assist\u00eancia militar e apoio diplom\u00e1tico em f\u00f3runs multilaterais (ALBUQUERQUE; LIMA, 2024). Essa aproxima\u00e7\u00e3o, contudo, coexistiu com a participa\u00e7\u00e3o ativa de Nova Delhi no Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados, do qual a \u00cdndia foi uma das principais lideran\u00e7as (ROSS, 2013).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Nesse sentido, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tamb\u00e9m atuou como aliada diplom\u00e1tica em f\u00f3runs internacionais, como o Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas (CSNU), onde os sovi\u00e9ticos vetavam consistentemente em resolu\u00e7\u00f5es que visavam a \u00cdndia durante conflitos com o Paquist\u00e3o (Albuquerque 2022). Al\u00e9m disso, a aproxima\u00e7\u00e3o indo-sovi\u00e9tica adquiriu particular relev\u00e2ncia durante a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. Naquele contexto, Moscou ofereceu importante respaldo pol\u00edtico e estrat\u00e9gico a Nova Delhi, inclusive no \u00e2mbito do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ao passo que a atua\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos esteve associada ao apoio ao Paquist\u00e3o e \u00e0 sua pr\u00f3pria reconfigura\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na \u00c1sia. Esse epis\u00f3dio contribuiu para refor\u00e7ar, no c\u00e1lculo estrat\u00e9gico indiano, a percep\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica como um parceiro capaz de oferecer maior respaldo \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a em momentos de crise regional (RIBEIRO, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado o hist\u00f3rico da alian\u00e7a indo-russa, entende-se que o posicionamento indiano durante a guerra da Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m desafia interpreta\u00e7\u00f5es marcadamente euroc\u00eantricas do conflito. Sob a \u00f3tica de Nova D\u00e9lhi, uma R\u00fassia fortalecida n\u00e3o constitui, em si, uma amea\u00e7a direta \u00e0 seguran\u00e7a &#8211; como concebido pelo Ocidente de forma geral. Pelo contr\u00e1rio, o enfraquecimento excessivo de Moscou poderia produzir consequ\u00eancias estrat\u00e9gicas ainda mais prejudiciais ao favorecer sua crescente depend\u00eancia da China. Como sintetiza Happymon Jacob (2022, tradu\u00e7\u00e3o nossa), &#8220;uma R\u00fassia agressiva \u00e9 um problema para os Estados Unidos e para o Ocidente, n\u00e3o para a \u00cdndia&#8221;<a href=\"applewebdata:\/\/D03B3829-DCDB-43AC-A177-103379165A34#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>; para Nova D\u00e9lhi, o verdadeiro desafio estrat\u00e9gico permanece sendo a ascens\u00e3o chinesa. Nesse contexto, a \u00cdndia necessita, simultaneamente, da parceria com os Estados Unidos para equilibrar o poder de Pequim no Indo-Pac\u00edfico e da manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis com Moscou para evitar que a R\u00fassia seja absorvida pela esfera de influ\u00eancia chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa leitura ajuda a compreender por que a \u201cneutralidade indiana\u201d n\u00e3o representou equidist\u00e2ncia moral entre os beligerantes, mas uma manifesta\u00e7\u00e3o concreta da doutrina de autonomia estrat\u00e9gica, guiada pela racionalidade. Em vez de aderir \u00e0s expectativas ocidentais de condena\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, Nova D\u00e9lhi buscou preservar sua liberdade de a\u00e7\u00e3o em um ambiente internacional cada vez mais multipolar, evitando comprometer simultaneamente sua parceria crescente com Washington e sua rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com Moscou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o comportamento da \u00cdndia durante a guerra da Ucr\u00e2nia revela uma pol\u00edtica externa orientada, prioritariamente, pela maximiza\u00e7\u00e3o de seus interesses nacionais e pela preserva\u00e7\u00e3o de sua autonomia decis\u00f3ria. Mais do que defender uma posi\u00e7\u00e3o neutra em termos normativos, Nova D\u00e9lhi procurou impedir que o conflito alterasse desfavoravelmente a distribui\u00e7\u00e3o de poder na \u00c1sia, preservando a R\u00fassia como um polo relativamente independente da China e, ao mesmo tempo, mantendo sua coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com os Estados Unidos. Essa capacidade de manter rela\u00e7\u00f5es simultaneamente funcionais com atores rivais evidencia que a autonomia estrat\u00e9gica indiana n\u00e3o consiste em uma postura de equidist\u00e2ncia, mas na utiliza\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica das rivalidades entre as grandes pot\u00eancias para ampliar sua margem de manobra internacional.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A multipolaridade como premissa para a autonomia estrat\u00e9gica indiana\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Entender o posicionamento indiano na guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia deflagra n\u00e3o somente a articula\u00e7\u00e3o de um dos maiores pa\u00edses asi\u00e1ticos, mas \u00e9 uma forma de entender como esse pa\u00eds projeta sua pr\u00f3pria inser\u00e7\u00e3o no sistema internacional. Dessa forma, a defesa de uma ordem internacional multipolar ocupa posi\u00e7\u00e3o central na pol\u00edtica externa indiana contempor\u00e2nea, n\u00e3o como um compromisso normativo com a redistribui\u00e7\u00e3o do poder global, mas como uma estrat\u00e9gia destinada a ampliar a autonomia decis\u00f3ria do Estado indiano. Segundo Ganguly (2024), a prefer\u00eancia de Nova D\u00e9lhi pela multipolaridade decorre da percep\u00e7\u00e3o de que sistemas internacionais excessivamente concentrados em torno de uma pot\u00eancia hegem\u00f4nica tendem a restringir a capacidade de Estados intermedi\u00e1rios formularem pol\u00edticas externas independentes. Em uma ordem unipolar, os custos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos de divergir das prefer\u00eancias da pot\u00eancia dominante tornam-se significativamente maiores, limitando a margem de manobra diplom\u00e1tica de pa\u00edses em desenvolvimento. Em contraste, a exist\u00eancia de m\u00faltiplos polos de poder amplia as possibilidades de diversifica\u00e7\u00e3o de parcerias, de negocia\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea com diferentes atores e de constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias externas menos condicionadas por alinhamentos exclusivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa compreens\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 trajet\u00f3ria hist\u00f3rica da pol\u00edtica externa indiana. Conforme demonstra Ganguly (2024), parte significativa da elite diplom\u00e1tica de Nova D\u00e9lhi permanece marcada pela experi\u00eancia da Guerra Fria, per\u00edodo em que decis\u00f5es estrat\u00e9gicas dos Estados Unidos frequentemente privilegiaram o Paquist\u00e3o em detrimento dos interesses de seguran\u00e7a da \u00cdndia. O apoio norte-americano ao Paquist\u00e3o durante a Guerra de 1971, a aproxima\u00e7\u00e3o entre Washington, Pequim e Islamabad e, posteriormente, a retomada da coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre Estados Unidos e Paquist\u00e3o ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro, conforme tratado anteriormente, alimentaram a percep\u00e7\u00e3o de que a depend\u00eancia excessiva de uma \u00fanica pot\u00eancia compromete a autonomia da pol\u00edtica externa indiana. Nesse sentido, a defesa da multipolaridade representa tamb\u00e9m uma resposta hist\u00f3rica \u00e0 imprevisibilidade das alian\u00e7as internacionais e \u00e0 necessidade de preservar a liberdade de a\u00e7\u00e3o em um ambiente estrat\u00e9gico considerado vol\u00e1til.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, a multipolaridade deve ser compreendida como um instrumento funcional \u00e0 Grande Estrat\u00e9gia indiana. Como argumenta Ribeiro (2019), os objetivos permanentes da pol\u00edtica externa da \u00cdndia incluem a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico, a consolida\u00e7\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o como pot\u00eancia predominante no Oceano \u00cdndico, o equil\u00edbrio de poder no Indo-Pac\u00edfico e o reconhecimento como grande pot\u00eancia capaz de influenciar a governan\u00e7a internacional. A concretiza\u00e7\u00e3o desses objetivos depende da capacidade de Nova D\u00e9lhi manter rela\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas com diferentes centros de poder, evitando compromissos que reduzam sua liberdade de decis\u00e3o. A autonomia estrat\u00e9gica, portanto, n\u00e3o constitui um fim em si mesmo, mas o principal mecanismo por meio do qual a \u00cdndia procura maximizar seus interesses nacionais em um sistema internacional em transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o converge com Mohan (2013), para quem a pol\u00edtica externa indiana passou a combinar o princ\u00edpio da autonomia estrat\u00e9gica com uma postura de crescente engajamento internacional. Ao inv\u00e9s de reproduzir a l\u00f3gica cl\u00e1ssica do n\u00e3o alinhamento, Nova D\u00e9lhi passou a adotar uma estrat\u00e9gia de m\u00faltiplos alinhamentos seletivos, aprofundando simultaneamente suas rela\u00e7\u00f5es com diferentes polos de poder conforme seus interesses espec\u00edficos. A participa\u00e7\u00e3o concomitante da \u00cdndia em iniciativas como o QUAD, os BRICS, a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai e o G20 evidencia essa estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, que busca transformar a competi\u00e7\u00e3o entre grandes pot\u00eancias em oportunidades de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, tecnol\u00f3gica, energ\u00e9tica e militar.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, essa l\u00f3gica tornou-se particularmente evidente. A recusa da \u00cdndia em aderir \u00e0s san\u00e7\u00f5es ocidentais contra Moscou, paralelamente ao aprofundamento da coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com os Estados Unidos, demonstra que sua pol\u00edtica externa n\u00e3o foi orientada por crit\u00e9rios ideol\u00f3gicos ou por uma l\u00f3gica de neutralidade passiva. Ao contr\u00e1rio, a postura de Nova D\u00e9lhi revela uma estrat\u00e9gia voltada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua autonomia decis\u00f3ria e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de seu poder de barganha em um cen\u00e1rio internacional marcado pela intensifica\u00e7\u00e3o da rivalidade entre grandes pot\u00eancias. A multipolaridade, nesse contexto, deixa de representar apenas uma caracter\u00edstica desej\u00e1vel da ordem internacional e passa a constituir uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que a \u00cdndia maximize sua capacidade de negocia\u00e7\u00e3o, reduza vulnerabilidades externas e fortale\u00e7a sua proje\u00e7\u00e3o como uma pot\u00eancia emergente do Sul Global.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa \u00f3tica, a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia refor\u00e7ou a compreens\u00e3o indiana de que a fragmenta\u00e7\u00e3o relativa da distribui\u00e7\u00e3o de poder internacional amplia sua relev\u00e2ncia geopol\u00edtica. Quanto maior a competi\u00e7\u00e3o entre Estados Unidos, R\u00fassia e China por influ\u00eancia na \u00c1sia, maiores tendem a ser as oportunidades para que a \u00cdndia converta sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, seu peso econ\u00f4mico e sua crescente capacidade diplom\u00e1tica em instrumentos de influ\u00eancia internacional. A defesa da multipolaridade, portanto, deve ser compreendida como parte integrante da Grande Estrat\u00e9gia indiana: n\u00e3o se trata de promover um equil\u00edbrio abstrato entre grandes pot\u00eancias, mas de criar condi\u00e7\u00f5es estruturais que permitam \u00e0 \u00cdndia exercer uma pol\u00edtica externa efetivamente aut\u00f4noma e compat\u00edvel com suas ambi\u00e7\u00f5es de ascens\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conclus\u00e3o\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O presente artigo buscou compreender em que medida a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia evidencia a consolida\u00e7\u00e3o da autonomia estrat\u00e9gica na pol\u00edtica externa indiana. A an\u00e1lise demonstrou que esse princ\u00edpio n\u00e3o constitui uma resposta espec\u00edfica ao conflito iniciado em 2022, mas o resultado de um processo gradual de constru\u00e7\u00e3o da Grande Estrat\u00e9gia indiana, influenciado pelas transforma\u00e7\u00f5es do sistema internacional, pelas rela\u00e7\u00f5es com as grandes pot\u00eancias e pelas condi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a \u00cdndia ampliou sua capacidade de atuar de forma aut\u00f4noma diante de diferentes centros de poder, preservando rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com parceiros distintos sem se submeter a alinhamentos exclusivos. A experi\u00eancia de aproxima\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, especialmente no contexto da Guerra ao Terror, evidenciou os limites de uma depend\u00eancia excessiva de uma \u00fanica pot\u00eancia e contribuiu para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da diversifica\u00e7\u00e3o de parcerias. Paralelamente, Nova D\u00e9lhi manteve sua hist\u00f3rica parceria estrat\u00e9gica com a R\u00fassia, sobretudo no campo da defesa, demonstrando a continuidade de uma pol\u00edtica externa orientada pela preserva\u00e7\u00e3o de sua margem de manobra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia representou um momento particularmente significativo para a manifesta\u00e7\u00e3o dessa autonomia. Diante da crescente polariza\u00e7\u00e3o internacional, a \u00cdndia recusou aderir integralmente \u00e0s press\u00f5es ocidentais para condenar Moscou, ao mesmo tempo em que preservou sua parceria estrat\u00e9gica com a R\u00fassia e aprofundou a coopera\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos. Sua postura n\u00e3o pode ser compreendida simplesmente como neutralidade, mas como uma estrat\u00e9gia voltada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de seus interesses nacionais e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da liberdade de decis\u00e3o em um cen\u00e1rio de intensa competi\u00e7\u00e3o entre grandes pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse comportamento demonstra que a autonomia estrat\u00e9gica constitui n\u00e3o apenas um mecanismo de preserva\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia decis\u00f3ria, mas tamb\u00e9m um instrumento de proje\u00e7\u00e3o internacional. Ao administrar simultaneamente rela\u00e7\u00f5es com atores rivais, a \u00cdndia transforma sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u2014 marcada pela proximidade com China e Paquist\u00e3o e pela centralidade do Oceano \u00cdndico \u2014 em um recurso estrat\u00e9gico capaz de ampliar seu poder de barganha. Nesse contexto, a defesa de uma ordem internacional multipolar mostra-se diretamente relacionada \u00e0 estrat\u00e9gia indiana de diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros e de redu\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades externas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclui-se, portanto, que a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia representou menos uma ruptura do que a consolida\u00e7\u00e3o e a manifesta\u00e7\u00e3o mais assertiva de uma estrat\u00e9gia constru\u00edda ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. A principal transforma\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa indiana n\u00e3o reside na ado\u00e7\u00e3o da autonomia estrat\u00e9gica, mas na crescente capacidade de exerc\u00ea-la diante de um sistema internacional mais competitivo e multipolar. Ao preservar rela\u00e7\u00f5es simultaneamente funcionais com Estados Unidos e R\u00fassia, sem aderir a alinhamentos autom\u00e1ticos, a \u00cdndia amplia sua margem de manobra e fortalece sua posi\u00e7\u00e3o como ator relevante na configura\u00e7\u00e3o da ordem internacional contempor\u00e2nea, reafirmando sua trajet\u00f3ria de ascens\u00e3o como grande pot\u00eancia no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GOVERNMENT OF INDIA. Prime Minister&#8217;s Office. Prime Minister speaks with His Excellency President Volodymyr Zelenskyy of Ukraine.&nbsp;New Delhi, 26 fev. 2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.pmindia.gov.in\/en\/news_updates\/prime-minister-speaks-with-his-excellency-president-volodymyr-zelenskyy-of-ukraine\/\">https:\/\/www.pmindia.gov.in\/en\/news_updates\/prime-minister-speaks-with-his-excellency-president-volodymyr-zelenskyy-of-ukraine\/<\/a>.&nbsp;Acesso em: 21 jul. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>MOHAN, C. Raja. India: Between &#8220;Strategic Autonomy&#8221; and &#8220;Geopolitical Opportunity&#8221;. Asia Policy, Seattle, n. 15, p. 13-20, jan. 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>SPYKMAN, Nicholas J. The geography of the peace. New York: Harcourt, Brace and Company, 1944.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RIBEIRO, Erik Herejk. A grande estrat\u00e9gia da \u00cdndia: ascens\u00e3o de uma nova grande pot\u00eancia no s\u00e9culo XXI? 2019. 639 f. Tese (Doutorado em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais) \u2013 Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais, Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/78584\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/78584\">https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/78584<\/a>. Acesso em: 21 jul. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHAFFER, Teresita C.; SCHAFFER, Howard B. India at the Global High Table: The Quest for Regional Primacy and Strategic Autonomy. Washington, D.C.: Brookings Institution Press, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>ALBUQUERQUE, Marianna; LIMA, Maria Regina Soares de. What does it take for a country to rise? An analysis of Indian foreign policy in power transition contexts.&nbsp;Revista Brasileira de Pol\u00edtica Internacional, Bras\u00edlia, v. 67, n. 2, e018, 2024. DOI: 10.1590\/0034-7329202400218&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>TELLIS, Ashley J. &#8220;What Is in Our Interest&#8221;: India and the Ukraine War. Washington, D.C.: Carnegie Endowment for International Peace, abr. 2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/carnegieendowment.org\/research\/2022\/04\/what-is-in-our-interest-india-and-the-ukraine-war\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/carnegieendowment.org\/research\/2022\/04\/what-is-in-our-interest-india-and-the-ukraine-war\">https:\/\/carnegieendowment.org\/research\/2022\/04\/what-is-in-our-interest-india-and-the-ukraine-war<\/a>. Acesso em: 21 jul. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>JACOB, Happymon. The anatomy of India\u2019s Ukraine dilemma. The Indian Panorama, New Delhi, 4 mar. 2022.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GANGULY, Sumit. India, Russia and the Ukraine Crisis. The Washington Quarterly, Abingdon, v. 47, n. 2, p. 59\u201369, Summer 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VENKATSHAMY, Krishnappa; GEORGE, Princy (eds.). Grand strategy for India: 2020 and beyond.&nbsp;New Delhi: Pentagon Security International, 2012.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MORAES, Rodrigo Fracalossi de. O mercado internacional de equipamentos militares: neg\u00f3cios e pol\u00edtica externa.&nbsp;Bras\u00edlia: Ipea, mar. 2011. Texto para Discuss\u00e3o, n. 1596.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>RAVI, Chaitanya. A debate to remember: the US-India nuclear deal. New Delhi: Oxford University Press, 2018. DOI: 10.1093\/oso\/9780199481705.001.0001.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>NORTH ATLANTIC TREATY ORGANIZATION (NATO). Madrid Summit Declaration.&nbsp;29 June&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/06\/29\/madrid-summit-declaration?utm_source=chatgpt.com\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/06\/29\/madrid-summit-declaration?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/06\/29\/madrid-summit-declaration<\/a>.&nbsp;Acesso em: 5 set. 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>NATO. Statement by NATO Heads of State and Government on Russia\u2019s attack on Ukraine.&nbsp;Brussels: NATO, 25 fev. 2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/02\/25\/statement-by-nato-heads-of-state-and-government-on-russias-attack-on-ukraine\">&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/02\/25\/statement-by-nato-heads-of-state-and-government-on-russias-attack-on-ukraine\">https:\/\/www.nato.int\/en\/about-us\/official-texts-and-resources\/official-texts\/2022\/02\/25\/statement-by-nato-heads-of-state-and-government-on-russias-attack-on-ukraine<\/a>. Acesso em: 5 set. 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/D03B3829-DCDB-43AC-A177-103379165A34#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;\u201cAn aggressive Russia is a problem for the U.S. and the West, not for India. North Atlantic Treaty Organization (NATO) expansion is Russia\u2019s problem, not India\u2019s.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Laborat\u00f3rio de Estudos Asi\u00e1ticos &#8211; LEA &#8211; criado em 2010, tem como objetivo desenvolver atividades de pesquisa e de extens\u00e3o universit\u00e1ria que unam professores, alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e de gradua\u00e7\u00e3o. Vinculado aos cursos de gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e de Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional da UFRJ, o laborat\u00f3rio produz estudos comparados e an\u00e1lises de conjuntura sobre os pa\u00edses que integram o continente de maior contingente populacional e extens\u00e3o territorial do planeta, marcado pela diversidade e pela complexidade de suas tem\u00e1ticas. Desse modo, esperamos contribuir para o entendimento das quest\u00f5es referentes \u00e0 \u00c1sia que figuram no centro das aten\u00e7\u00f5es atualmente. Coordena\u00e7\u00e3o: Profa Dra. Marianna Albuquerque.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Giovanna Akemi Iga Fornaziero\u00a0<\/strong>\u00e9 graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, na UFRJ e membro do Laborat\u00f3rio de Estudos Asi\u00e1ticos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 13 | N\u00famero 126 | Out. 2026 Por Giovanna Akemi Iga Fornaziero\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3474,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3475,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions\/3475"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}